sábado, 23 de agosto de 2014

Um novo Bayern

Robben começou voando a temporada 2014-15, da mesma forma que terminou a Copa do Mundo 2014 (fcbayern.de)

Pep Guardiola é conhecido por ser um técnico bastante inquieto e que, mesmo com vitórias, sempre quer evoluir. Na temporada passada, o Bayern de Munique não repetiu a tríplice coroa e, na Liga dos Campeões, parou nas semifinais, ao perder para o Real Madrid por 5 a 0 no agregado. Além disso, foram raros os momentos em que os melhores jogadores ofensivos do elenco – Ribéry, Robben, Götze, Müller e Mandzukic – ficaram juntos em campo. Por isso, para 2014-15, desde a pré-temporada, o catalão vem desenhando um Bayern jogando no 3-4-3, sendo que um dos zagueiros seria o ótimo lateral-esquerdo Alaba. 

Depois de perder a Supercopa da Alemanha para o Borussia Dortmund, quando Jürgen Klopp superou completamente a ideia de jogo proposta pelos bávaros, o plano para a temporada não mudou. Pep Guardiola, inclusive, afirmou: “nós sofreremos do começo até a parada de inverno”. Na estreia da Bundesliga, o catalão manteve o pensamento inicial e, mesmo jogando no 4-2-3-1, os movimentos da equipe com e sem a bola mostravam claramente os três zagueiros. Na maior parte do tempo, o Bayern conseguiu controlar as ações e só não conseguiu um placar elástico por conta da boa atuação do goleiro Grün e da boa marcação executada pelo Wolfsburg. O jogador mais desequilibrante que estava em campo, Robben fez o que se espera dele: com um drible, venceu Luiz Gustavo e cruzou para Müller marcar de canela. 1 a 0.

  Bayern de Munique - Football tactics and formations 

Na volta do intervalo, Robben fez o dele em contra-ataque muito veloz, em que o holandês fez o desarme, tabelou com Lewandowski e marcou de canhota. Logo depois, em descuido da zaga somado à falha de arbitragem, Olic, ajeitando a bola com a mão, fez um golaço da entrada da área. Os lobos tomaram conta do jogo e ficaram muito próximos de empatar, o jovem e promissor volante belga, Júnior Malanda, perdeu gol incrível, que decretaria o 2 a 2. 

O camisa dez marcou a diferença da partida, com um gol e uma assistência. Na verdade, se não fosse um erro do auxiliar, teria conseguido duas assistências, mas o 3 a 1 marcado por Rode foi anulado. Robben largou a temporada no ritmo de melhor jogador da Copa e fez com que o Bayern atacasse em 42% das vezes pela direita, setor em que o holandês, praticamente, monopolizou as jogadas. O lado destro do ataque não teve tanta a presença de Lahm, que, na primeira etapa, ficou mais como zagueiro do que lateral. Pois, no flanco canhoto, Bernat recompunha sem a bola, porém, na posse dela, se alinhava com Alaba e Guadino, empurrando Götze para o centro e deixando Müller bem próximo ao centroavante Lewandowski.

  Bayern de Munique - Football tactics and formations 

Além da interessante movimentação com a bola, que deixava o time com os três zagueiros imaginados na pré-temporada, foi importante notar a confirmação de Guadino. O jovem fez ótimos amistosos e, assim que as partidas passaram a valer, a relevância do meia-central de 17 anos não mudou. Contra o Wolfsburg, foram 57 passes completados dos 59 tentados, incrível índice de 96,6% de acerto. Com Schweinsteiger e Thiago às voltas com lesões, Guadino pode ter papel importante neste novo Bayern e, até aqui, quando exigido, o jovem não decepcionou.

domingo, 17 de agosto de 2014

O meia-armador da Seleção

Coutinho (à esquerda) e Sterling (à direita) terão papel mais preponderante no Liverpool, sem Suárez (no meio), na primeira partida da EPL, o inglês assumiu sua responsabilidade e decidiu (Alex Livesey/Getty Images)

“Sua habilidade para sair de situações difíceis e sua visão de jogo são incríveis. Ele foi fantástico, é um operário incrível, simplesmente mágico”. Com essas palavras, o técnico do Liverpool, Brendan Rodgers descreveu o seu camisa dez, Philippe Coutinho, após o 4 a 0 aplicado sobre o Borussia Dortmund, em amistoso de pré-temporada. No período de férias o comandante deixou uma missão para o brasileiro: ver DVDs de Valderrama, Valerón, Rui Costa e Francescoli, quatro jogadores da posição e que atuaram em ótimo nível. 

Pelas declarações iniciais do técnico, o jovem cumpriu a tarefa de férias e voltou ainda melhor. Na primeira partida do Liverpool pela Premier League, o camisa dez foi o meia-atacante, no 4-2-3-1 montado por Brendan Rodgers. Porém, o difícil debute frente ao Southampton, não teve o melhor de Philippe Coutinho. O carioca participou pouco, conseguiu apenas dois passes importantes e completou só três dribles, mas segue prestigiado pelo comandante. Sem o melhor do camisa dez, os Reds tiveram muitas dificuldades. 

O Southampton, também em um 4-2-3-1, teve a estréia do ponta-esquerda Tadic, que, com habilidade e velocidade, incomodou muito outro debutante, o lateral-direito Manquillo. O Liverpool saiu na frente com o ótimo Sterling, aproveitando lançamento maravilhoso de Henderson, que, no mesmo lance, recuperou a bola e fez a assistência. Jogando melhor, os Saints só não igualaram a partida rapidamente, porque Mignolet e o Skrtel se comportaram muito bem. Mas a igualdade veio. O melhor da equipe visitante fez passe de letra e deixou o lateral-direito Clyne livre para igualar. 

Brendan Rodgers colocou Lambert no lugar de Coutinho e passou a jogar no 4-3-1-2, com o recém-contratado fazendo dupla de ataque com Sturridge e Sterling atuando na armação. Sem controlar o totalmente as ações da partida, os Reds conseguiram o 2 a 1, após muitas bolas cruzadas na área. De cabeça, o autor do primeiro gol assistiu Sturridge, que, na pequena área, só empurrou às redes. Jogando melhor, faltou muito pouco para o Southampton sair com o empate, novamente, Mignolet evitou. 

Mesmo tendo vendido muitos destaques da última temporada – receberam 119,53 M € por cinco jogadores –, com Ronald Koeman e gastando “apenas” 58,2 M € em contratações, os Saints devem continuar incomodando muito os grandes. Por isso, a vitória, mesmo com muitas dificuldades, mostra um Liverpool forte para a disputa da Premier League e, o melhor de tudo, Sterling já começou a temporada em nível altíssimo. 

Voltando a vestir verde e amarelo 

No Mundial Sub-20 2011, Philippe Coutinho teve algum destaque, principalmente, na primeira fase, quando marcou todos os seus três gols na disputa (Fernando Llano/AP Photo)

Nesta terça-feira, Dunga faz a primeira convocação desta nova passagem pela Canarinho e, apesar da primeira atuação na temporada ter sido ruim, Philippe Coutinho tem que estar lá. O jogador do Liverpool tem tudo para ser o meia criativo e com visão de jogo apurada, que, desde que Ganso surgiu e não conseguiu se firmar, a seleção brasileira procura. No rastro do paraense, o camisa dez dos Reds foi testado e convocado por Mano Menezes, mas não se firmou. 

A guinada na carreira ocorreu mo meio da temporada 2012-13, quando o Liverpool desembolsou 10 M € – pechincha para os valores do mercado atual – e trouxe o novo camisa dez, que, na Internazionale nunca teve o destaque merecido. Agora, Philippe Coutinho tem tudo para ser um dos importantes pilares jovens da nova trajetória dos Samba Boys. Alternando criatividade, habilidade e velocidade, com muita disposição para ajudar o time e disciplina tática, o carioca traz características de jogo, que poucos brasileiros têm atualmente, por isso, merece a oportunidade na verde e amarelo. 

Com muita confiança de Brendan Rodgers e bem adaptado na Inglaterra, Philippe Coutinho deve, mais uma vez, realizar boa temporada pelos Reds. Desta forma, deve se confirmar no elenco da equipe nacional e com boas chances de se firmar entre os onze iniciais da nova era Dunga.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Prévia da Premier League 2014-15

O milionário Manchester City ganhou a Premier League 2013-14 e, para esta temporada, vem ainda mais forte (Getty Images)

A principal liga de futebol do mundo, a English Premier League começa no próximo final de semana e promete ser ainda mais interessante que a temporada anterior. Por isso, neste espaço, faremos uma prévia tática dos cinco principais candidatos ao título, que trazem coisas novas para a disputa de 2014-15. As possibilidades de Manchester City (1°), Liverpool (2°), Chelsea (3°), Arsenal (4°) e Manchester United (7°) serão apresentadas aqui, na ordem inversa à classificação da última temporada. 

Manchester United 

Depois do péssimo desempenho sob a batuta de David Moyes, o Manchester United entra com algumas novidade interessantes para a temporada, se desprendendo do estilo Alex Ferguson. A principal delas está no banco de reservas, o melhor técnico da Copa de 2014, Louis van Gaal. Com o holandês, os red devils devem emular o sistema da oranje no Mundial, um 3-4-1-2, com muita liberdade para o trio ofensivo. No mesmo esquema, Van Persie rendeu bem pelo seu país; Rooney costuma atuar melhor quando joga mais solto; e, desde que chegou à Inglaterra, Mata tem mostrado o máximo, quando é escalado pelo centro. Portanto, para o trio ofensivo, a mudança aparenta trazer apenas benefícios.

Manchester United - Van Gaal 2014-15 - Football tactics and formations
   
Outro setor que chama a atenção no novo desenho do United são as alas, em que devem jogar Valência pela direita e o recém-contratado Shaw pela esquerda. Dois jogadores de boa chegada e que, com a proteção de três zagueiros, deverão aparecer bastante na fase ofensiva do jogo. O equatoriano foi testado na função durante a pré-temporada e trouxe variação aos red devils, pois, com as subidas dele, muitas vezes o time ficou no 4-2-3-1, com Rooney jogando um pouco mais aberto. Mas é sempre bom lembrar que, com Ferguson, Valencia foi utilizado como lateral em linha de quatro, portanto, se adaptar na ala (principalmente, nas questões defensivas) não será tão difícil. Mesmo assim, o elenco do United dá a possibilidade de usar Rafael, lateral de origem, na função - opção mais defensiva. 

Ander Herrera terá papel central no novo Manchester United de Louis van Gaal (Manchester United)

Quem terá papel central no jogo dos red devils é o novo contratado Ander Herrera, que era alvo desde a temporada passada e chegou por 36 M €. O basco será o responsável pela saída de bola do time, alternando passes curtos e longos, e dando dinâmica à meia-cancha da equipe. A dúvida fica por conta de seu acompanhante no centro do campo, o sonho do United é Vidal, mas, por enquanto, a realidade é Carrick ou Fletcher, dois jogadores que não estão nos melhores momentos da carreira. 

Para completar, o grande problema da equipe, a defesa, que, até por isso, pode ser muito beneficiada do esquema. Pois, com três zagueiros e quatro meias, a proteção ao bom goleiro De Gea deve melhorar. Mesmo assim, com as saídas de Ferdinand e Vidic, que já não estavam no melhor nível, Van Gaal sentirá falta de um zagueiro mais experiente para liderar o novo sistema defensivo. Como o mercado ainda está aberto, há a expectativa que o Manchester United ainda possa trazer este jogador, que não existe no plantel.

Arsenal  

Nove anos depois, o Arsenal voltou a ser campeão da FA Cup e começou esta temporada com a conquista da Community Shield. Além disso, reforçou o elenco e só perdeu jogadores que não eram centrais ao time, ao contrário do que havia ocorrido em temporadas anteriores. Com mais de 77 M € investidos, Arsene Wenger surpreendeu e trouxe Alexis Sánchez, Calum Chambers, Mathieu Debuchy e David Ospina.  

Mas não foi apenas ao abrir o bolso que o técnico francês surpreendeu. Na Supercopa da Inglaterra, o 3 a 0 foi conquistado com um esquema diferente do 4-2-3-1 habitual do comandante. Wenger escalou a equipe no 4-1-4-1 e os jogadores responderam mostrando àquilo que o técnico queria: contra-ataques velozes, troca de passes e a boa chegada dos dois meias-centrais, Wilshere e Ramsey à área. Alexis Sánchez estreou muito bem pela ponta-direita e fez parceria interessante com o novo lateral-direito gunner, Debuchy. Por conta de bom desempenho pelo lado e porque Groud, mais uma vez, marcou, a possibilidade de utilizar o chileno como centroavante deve ser deixada de lado como plano inicial da temporada.  

 Arsenal - Football tactics and formations  

A boa atuação dos gunners não traz apenas soluções ao técnico Arsene Wenger, pois o 3 a 0 foi construído sem a presença da contratação mais cara da história do clube, Özil e com bom atuação do substituto, Santi Cazorla. Apesar disso, a Copa do Mundo traz alento ao treinador, pois, no Mundial, o camisa onze do Arsenal atuou bem partindo ponta-esquerda, justamente o espaço que o espanhol ocupou bem na primeira partida oficial da temporada. Mesmo sem jogar no posicionamento habitual, pelo centro, Özil mostrou que pode ser relevante jogando aberto. Se Santi Cazorla aceitar o banco de reservas, o problema que Wenger teria, pode se tornar uma ótima alternativa de jogo. O espanhol entrando durante as partidas pode mudar esquema, formando um 4-2-3-1, por exemplo, ou, em ausências de Özil, ser ótimo dublê do camisa onze alemão.  

Com o setor ofensivo bem definido, o foco do Arsenal neste final de mercado de transferências deve ser a defesa. No 4-1-4-1, Arteta, que foi recentemente convertido como capitão da equipe, deverá ser o volante mais fixo. O movimento de entregar a faixa ao espanhol mostra a confiança do técnico na situação física dele (uma grande dúvida antes do início de 2014-15), por isso, com o apoio de Ramsey e Wilshere deve dar segurança à defesa. A dupla de zaga deverá ser composta por Mertesacker e Koscielny, porém há a necessidade da contratação de um zagueiro para ser o reserva imediato da dupla, apesar de que Nacho Monreal e Chambers têm condições de atuarem por aquele setor.

Chelsea  

Nas últimas temporadas, independentemente do time que assumia, Mourinho colocava em prática um 4-2-3-1. O técnico luso ficou conhecido e consagrado como um dos grandes executores do sistema da moda. Porém, na primeira passagem pelo Chelsea, o Special One utilizava um 4-3-3, com Makelele mais fixo e Essien e, principalmente, Lampard com mais liberdade para chegar ao trio ofensivo.  

As contratações realizadas por Roman Abramovich permitem que o técnico luso volte ao esquema utilizado na temporada 2004-05. De qualquer forma, o elenco segue permitindo que os blues sejam escalados no 4-2-3-1, sem grandes mudanças nos onze iniciais de 2013-14. Uma dupla de volantes com Matic e Fàbregas, com Willian, Oscar e Hazard à frente não seria ruim e pode ser bastante viável para o decorrer da temporada. Mas, desde o início, imagino José Mourinho tentando colocar o 4-3-3 em ação.
  
Chelsea - Football tactics and formationsChelsea - Football tactics and formations  


No 4-3-3, Oscar perderia a vaga no time titular, mas os blues ganhariam defensivamente com a presença de três volantes no meio. O trio formado por Matic, Ramires e Fàbregas tem as características muito valorizadas atualmente: todos sabem marcar e atacar. O espanhol é bom passador e um perigo próximo à área, Ramires traz infiltrações e velocidade e Matic, o melhor marcador do trio, é muito forte, tem bom primeiro passe e alguma habilidade. Além do bom triângulo no meio, o 4-3-3 daria liberdade para Willian e Hazard ficarem mais focados na fase ofensiva do jogo, ao lado do centroavante Diego Costa. O recém-contratado agrega bastante ao elenco blue e deve garantir gols.  

A defesa, que já não preocupava, ainda ganhou um bom reforço na lateral-esquerda, posição que o elenco era mais frágil. Filipe Luís deve garantir boa marcação e interessantes avanços pelo flanco, uma eventual dobradinha pelo setor com Hazard promete incomodar os adversários. O restante da retaguarda deve contar com a boa dupla Terry e Cahill no centro e Azpilicueta na direita, mas, se Mourinho quiser mais proteção, Ivanovic pode assumir a lateral-direita. Na meta, a dúvida entre Cech e Courtois deve seguir nos primeiro jogos e será decidida de acordo com o desempenho dentro das quatro linhas.

Liverpool  

Em 2013-14, o ótimo técnico Brendan Rodgers mostrou toda a sua capacidade e, ao longo da temporada, foi rascunhando o time ideal do Liverpool. A partir de um momento, não existiu mais dúvida, o melhor dos reds seria encontrado ou no 4-1-4-1 (4-3-3), com Gerrard mais recuado e Suárez partindo da ponta-esquerda, ou no 4-3-1-2, com Sterling sendo o um atrás da infernal dupla composta pelo uruguaio e Sturridge.  

Tendo em vista as contratações e a pré-temporada, Brendan Rodgers deve apostar no 4-1-4-1, com desenho bastante similar ao que deu certo em 2013-14. A enorme ausência de Suárez deve fazer Sterling ocupar a ponta-esquerda e, no outro lado, disputa aberta entre dois recém-contratados, Markovic e Lallana. O primeiro deve começar a temporada como titular, pois o inglês iniciará a trajetória no novo clube lesionado. No centro do ataque, Sturridge, que já teve bom rendimento de gols na última temporada, terá que elevar esta marca, pois o artilheiro do Liverpool não faz mais parte do elenco.  

Liverpool - Football tactics and formations  

Neste esquema, Coutinho deve atuar como meia-central e terá papel fundamental à estratégia do técnico norte-irlandês. Mesmo não jogando como meia-atacante, o brasileiro deve ser o principal armador da equipe e terá bastante liberdade para encostar no centroavante Sturridge. Além do camisa dez, o eterno capitão Gerrard também terá responsabilidade na armação, pois é dele que o primeiro passe deve sair. Além disso, o histórico número oito é o homem da proteção à linha defensiva.  

O sistema defensivo dos reds ganhou bons reforços. Na zaga, Lovren vem de boa temporada com o Southampton e chega para ser titular, muito provavelmente, ao lado de Sakho. Outro que chama a atenção é Alberto Moreno, que, após longa negociação, vem com a expectativa de ser o dono da lateral-esquerda, setor que deu algumas dores de cabeça ao técnico Brendan Rodgers.
 
Manchester City  

Campeão e mais reforçado, o Manchester City chega mais favorito à disputa da Premier League, mas, na verdade, quer mesmo ir mais longe na Liga dos Campeões. Os 65,5 M € foram investidos naquilo que o clube mais necessitava: um zagueiro para ser titular e um volante mais de marcação. O elenco, que já era muito bom, conseguiu ficar melhor e fornece mais variantes ao técnico Manuel Pellegrini, que colocou o City no patamar que o dinheiro investido exigia. O chileno fez isso jogando de forma simples, um 4-4-2.  

O esquema, que deu certo na temporada passada, deve ser repetido neste ano com Fernando Reges ou Fernandinho ao lado de Yaya Toure na volância e Jovetic, Dzeko ou Negredo fazendo a dupla ofensiva com Agüero. O 4-4-2 deu ao Manchester City o melhor ataque da EPL, com 102 gols, mas, em algumas partidas, principalmente, jogos grandes, o time pecou defensivamente, pois faltava um volante mais marcador. Fernando Reges traz esta alternativa ao técnico chileno, o que tiraria Fernandinho do time, que esteve muito bem em 2013-14.  

Manchester City - Football tactics and formations  

Porém, sacar Fernandinho pode não ser a melhor alternativa. Manuel Pellegrini pode colocar um esquema que chegou a testar, o 4-2-3-1. Com este outro desenho, os citzens teriam mais proteção à zaga, com Fernando Reges e Fernandinho na volância. Além disso, o Manchester City teria o seu principal jogador, Yaya Toure, com grande liberdade e ele voltaria a jogar em função que já exerceu com a camisa sky blue. O problema seria abrir mão de dois atacantes e ter só Agüero no ataque, tendo jogadores da qualidade de Jovetic, Dzeko e Negredo no elenco.

Manchester City - Football tactics and formations 

A grande evolução no time deve ser vista na defesa. Mangala vem do Porto e chega para formar uma dupla interessante com Kompany, que vem de uma temporada de altos e baixos. Com um defensor melhor ao seu lado, o belga deverá render melhor e voltar ao nível de 2012-13. Além do zagueiro portista, Sagna e Caballero chegaram e, ambos, podem pressionar os titulares, Zabaleta e Hart, que não são jogadores completamente constantes.

domingo, 10 de agosto de 2014

Começou quente

Desde que voltou do empréstimo, Dzyuba tem decidido para o Spartak, no clássico, não foi diferente (Alexey Ivanov/Sport-express)

A Premier League Russa tem se concretizado como umas das ligas mais interessantes para assistir, pois mostra muito equilíbrio na briga pelo título. Além disso, os times têm investimentos altos e que, por isso, mantêm as principais estrelas da seleção nacional e ainda atraem bons jogadores de outras nacionalidades. Mesmo com investimentos menores, nesta temporada, a liga receberá dois destaques da última Copa, Garay (Zenit) e Valbuena (Dinamo), que vieram por preços abaixo da média do mercado. 

A segunda rodada foi marcada por mais uma goleada do líder Zenit, desta vez, por 8 a 1, com Rondón, Hulk e Kerzhakov marcando duas vezes cada. O segundo time 100% é o CSKA, que contou com o gol de Doumbia, na reta final da partida, para vencer pela segunda vez. Porém, o grande jogo da rodada foi o clássico moscovita, entre Dinamo e Spartak, dois times que haviam estreado vencendo bem e também lutavam pela manutenção do 100% de aproveitamento. 

Com Valbuena no banco, os Dinamiki tiveram como destaque o bom lado esquerdo, com o lateral Büttner (recém-chegado do Manchester United) e o meia Dzsudzsák. Por ali, o Dinamo incomodava o rival e a dupla variava entre jogadas de linha de fundo e cortes para dentro da área. Foi pelo flanco canhoto que a bola chegou na área e sobrou para Kokorin marcar o quarto gol dele na RPL 2014-14. Porém, se o ataque funcionava bem, a defesa não mostrava o mesmo rendimento. O goleiro Berezovsky fez péssima partida e, em falha dele, Dzyuba igualou o jogo para os vermelhos e brancos, que, até ali, haviam produzido muito pouco. 

Os azuis e brancos seguiram melhores na partida, mas, o goleiro da equipe seguiu em péssima jornada e, em um ou dois lances, ameaçou entregar a virada. O 2 a 1 dos Spartachi só veio depois e também contou com a colaboração de Berezovsky. Dzyuba cabeceou e o armênio rebateu o rebote no pé do centroavante, que, na segunda chance, não desperdiçou. Mais um a fazer quatro gols em dois jogos (em seis chutes no alvo) na RPL 2014-15. 

Sobre Dzyuba é bom destacar que, na última temporada, o Spartak não teve interesse de mantê-lo no elenco – opção bastante discutível. O clube emprestou o atacante de 1,96m, que alia qualidade técnica com ótima imposição física, ao Rostov. No Oeste russo, o grandalhão foi vice-artilheiro da última temporada do campeonato nacional, com 17 gols, e contribuiu com o título da Copa da Rússia. Com a moral elevada, Dzyuba voltou, virou titular e está se provando no comando de ataque vermelho e branco. 

Por sete milhões de euros, Valbuena chega ao Dinamo de Moscou para ser um dos melhores jogadores da Premier League Russa (Fcdynamo.ru)

A boa exibição de Dzyuba quase não garantiu os três pontos para o Spartak, pois, no outro lado, Stanislav Cherchesov trouxe Valbuena e com mudança de esquema. Os azuis e brancos passaram a jogar no 3-4-1-2, com o francês tendo muita liberdade atrás da dupla de ataque. Jogando assim, o novo camisa 14 do Dynamo fez boas jogadas, cruzamentos e, em chute de fora da área, acertou a trave, após desvio do bom goleiro Rebrov. O capitão dos Spartachi ainda fez, ao menos, mais duas boas defesas e evitou um empate dos Dinamiki

O Spartak venceu o primeiro confronto direto da disputada Premier League Russa e segue na ponta com CSKA e Zenit. Apesar da derrota, o Dinamo também mostrou força e, com Valbuena, terá um dos melhores jogadores da Liga, que, sem dúvidas, será capaz de decidir várias partidas em favor dos azuis e brancos. A nota triste fica pela lesão do brasileiro Rômulo, que entrou durante o segundo tempo, mas ficou apenas seis minutos em campo.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Os melhores jogadores do mundo 2013-14

Nos últimos dois anos, o Blog, assim como a FIFA, elegeu os melhores do mundo entre dezembro e janeiro. Porém, desta vez, farei da forma que acho mais correta, portanto, a lista será divulgada nesta postagem, levando em conta os desempenhos dos atletas, na temporada 2013-14. Afinal, os melhores do mundo estão na Europa, portanto, o óbvio na hora de premiar é seguir o calendário do melhor futebol do planeta. As estatísticas que serão apresentadas ao longo do texto são do ótimo site inglês Transfermarkt

Ao contrário de 2012, quando selecionei dez jogadores, agora em 2014, repetirei os 15 escolhidos do ano passado. O número um pouco maior é para tentar evitar polêmicas e não deixar de premiar nenhum jogador que teve destaque em 2013-14. Mas, mesmo assim, nem todos os jogadores que gostaria, alcançaram o top 15. As ausências mais sentidas por mim – e, provavelmente, por vocês – foram Thomas Müller, Andrés Iniesta e Neymar Júnior. 

Portanto, vamos aos escolhidos:

1°- Cristiano Ronaldo (Real Madrid-ESP – Portugal): 

Ninguém conseguiu segurar Cristiano Ronaldo, em 2013-14 (Getty Images)

A FIFA reconheceu Cristiano Ronaldo como melhor do mundo, depois de anos de domínio de Lionel Messi. Mais goleador do que nunca, o camisa sete foi o um dos principais responsáveis pela décima conquista continental do Real Madrid. Na Liga dos Campeões, o Gajo balançou as redes 17 vezes em onze jogos, e quebrou o recorde de gols em uma única edição. Aliando força, velocidade e técnica, o craque português também foi artilheiro do Espanhol, com 31 gols, e, no título da Copa del Rey, marcou três vezes. Vestindo blanco, Ronaldo jogou 47 vezes, marcou 51 tentos e cedeu 19 assistências. O camisa sete também foi o responsável pela classificação de Portugal ao Mundial do Brasil, pois, na repescagem, marcou os quatro gols portugueses contra a Suécia, que garantiram a vitória por 4 a 2, no placar agregado. Na Copa do Mundo, o Gajo chegou incomodado, por conta de uma lesão, que acompanhou o final de temporada dele, por isso, apenas um gol e a eliminação da Seleção das Quinas na primeira fase. 

2°- Ángel di María (Real Madrid-ESP – Argentina): 

A comemoração de Di María foi repetida muitas vezes, nesta temporada, quando se concretizou entre os melhores do mundo (AFP)

Com a chegada de Gareth Bale por valores astronômicos, o Real Madrid cogitou vender Di María, mas o camisa 22 merengue optou por lutar pela vaga entre os onze e não deixou o clube espanhol. Com lesões e problemas para encaixar o time, "El Fideo" começou a aparecer como titular e trouxe equilíbrio aos blancos. Nos planos de Ancelotti, o argentino se tornou um meia no 4-3-3, que apoiava o ataque e também ajudava na marcação. Assim, foi o grande assistente madridista com 26 assistências, muitas delas, decisivas para vitórias da equipe. A velocidade, a visão de jogo e a precisão dos passes foram as principais características das atuações, por isso, os oito gols marcados ficaram em segundo plano. Na Copa do Mundo, Di María seguiu os bons desempenhos e marcou um gol decisivo, nas oitavas de final, contra a Suíça, no final da prorrogação. Por muitos momentos, foi melhor que Messi. Talvez se o camisa sete albiceleste não tivesse se machucado, nas quartas de final, a Argentina poderia ter chegado ao título. 

3°- Zlatan Ibrahimovic (Paris Saint-Germain – Suécia): 

Ibrahimovic chuta a bandeira de escanteio, após marcar um gol: matador e marrento como nenhum outro jogador do mundo (Benoit Tessier/Reuters)

Durante todo o ano, havia uma dúvida no mundo: quem é o melhor camisa nove do planeta, Ibrahimovic ou Luis Suárez? Ao final da temporada, o sueco pode ostentar este título – ao menos, para este blog. Apesar do crescimento do Monaco, o PSG conseguiu o título da Ligue 1, com alguma tranquilidade, pois tinha um comandante de ataque especial. Ibra começou a temporada como falso nove e, por isso, alcançou bons números nos gols e também nos passes: em 46 jogos, foi às redes 41 vezes e deu 18 assistências – artilharia do Francês e a vice na Liga dos Campeões. Na competição européia, os dez gols do sueco foram fundamentais para a chegada às quartas de final, porém, sem o camisa dez na partida em Stamford Bridge, o PSG parou por aí. Na seleção, Ibrahimovic bem que tentou, mas, no duelo contra Cristiano Ronaldo, acabou superado pelo craque português e ficou fora da Copa. 

4°- Lionel Messi (Barcelona – Argentina): 

Em 2013-14, Lionel Messi não esteve tão iluminado como em anos anteriores, mas, mesmo assim, atingiu altos índices em gols e assistências (David Ramos/Getty Images)

Em 2013-14, Messi não repetiu o nível futebolístico dos últimos anos, muito por conta de problemas físicos, que o acompanharam em toda a temporada e, principalmente, nos momentos decisivos. Porém, mesmo em uma fase de baixa, o camisa dez blaugrana apresentou números impressionantes: em 46 partidas, 41 gols e 15 assistências. Portanto, apesar de não ter jogado como antes, “La Pulga” conseguiu participar de mais de um gol por jogo. Menos intenso, os brilhos esporádicos apareceram, como no 3 a 4 sobre o Real Madrid, onde o craque argentino marcou três vezes e ainda assistiu o outro gol barcelonista. Na Copa do Mundo, Messi foi um dos melhores argentinos e, sem ele, a albiceleste teria muitos problemas para ultrapassar a primeira fase. Assim como no clube, na seleção, o camisa dez não teve atuações lineares, mas apareceu com quatro gols decisivos (todos na fase de grupos) e a assistência igualmente importante contra a Suíça, nas oitavas de final. Por isso, foi eleito o Bola de Ouro do Mundial, escolha que o blog não concorda. 

5°- Luis Suárez (Liverpool-ING – Uruguai): 

Luis Suárez comemorou muitos gols e foi decisivo para o Liverpool, em 2013-14, mas ficou devendo - mais uma vez - na questão disciplinar (Andrew Powell/Liverpool FC via Getty Images)

Se não fosse a questão disciplinar, Luis Suárez seria um dos melhores jogadores do mundo. Em 2013-14, apesar de ter que cumprir seis jogos de suspensão, no início da English Premier League, o uruguaio conseguiu se concretizar como um dos principais futebolistas da atualidade. Na EPL, foram incríveis 31 gols e 21 assistências, em 33 partidas, o que resultou na eleição dele como melhor jogador da liga, pelos jogadores, público e jornalistas. Por conta dos ótimos desempenhos do camisa sete dos reds, a equipe ficou muito próxima do título, que não vem desde 1989-90. Quando o Liverpool precisava, Suárez era capaz de decidir os jogos sozinho, com dribles, poder de finalização e raça incrível. O salteño seria a principal esperança dos charrúas para a Copa do Mundo, porém, às vésperas do início da competição, se lesionou e foi operando, largando a disputa no banco. O camisa nove celeste reapareceu contra a Inglaterra e marcou os dois gols que garantiram a vitória uruguaia, mostrando o poder decisão. Porém, na última rodada da fase de grupos, a mordida em Chiellini e a suspensão de nove partidas internacionais e quatro meses de banimento do futebol. Novamente, a parte disciplinar atrapalhou Luis Suárez. 

6°- Yaya Touré (Manchester City – Costa do Marfim): 

Yaya Toure liderou o Manchester City ao título da Premier League, em temporada que marcou mais gols do que habitualmente (Alex Livesey/Getty Images)

Não há duvidas que, em 2013-14, o mundo viu o melhor de Yaya Touré. Forte na defesa, incrivelmente relevante no ataque e capaz de decidir jogos constantemente, o costa-marfinense foi o grande fator que levou o Manchester City ao título inglês, com arrancada incrível na reta final. O meia-central foi o terceiro artilheiro da Premier League, com 20 gols (muitos de falta) e nove assistências, decidindo várias partidas. Ao todo, na temporada, balançou as redes 24 vezes e cedeu 12 passes decisivos. Sem ele, os citzens não teriam vencido a Liga e a Copa da Liga. No Mundial de 2014, o camisa 19 dos elefantes, assim como toda a equipe costa-marfinense, decepcionou e, sem ser relevante, caiu na primeira fase. Porém, o desempenho no City rendeu a Yaya Touré, pela terceira vez consecutiva, o título de melhor jogador africano do ano, um feito que nenhum futebolista havia alcançado. 

7°- Marco Reus (Borussia Dortmund-ALE – Alemanha): 

Marco Reus foi impressionante e parece capaz de liderar um novo Dortmund, sem Götze e Lewandowski (Getty Images)

O Borussia Dortmund teve uma temporada dominada por lesões, figuras centrais ficaram fora dos onze iniciais e ainda perderam Mario Götze. Mas, apesar disso, a equipe conseguiu alguns bons resultados. Um dos principais responsáveis por isso foi Marco Reus. Na Supercopa da Alemanha, o jogador marcou dois gols e deu uma assistência, no 4 a 2 dos aurinegros sobre o Bayern. Com muita velocidade, habilidade e técnica, o camisa onze se destacou marcando e assistindo os companheiros. O ponta-esquerda marcou 16 vezes e cedeu 14 assistências, liderando a Bundesliga no segundo quesito. Somando as demais competições, sete gols e nove passes decisivos. Portanto, não há dúvida, o vice-campeonato do Alemão, da Copa da Alemanha e a chegada às quartas de final da Liga dos Campeões tiveram muita relação com os desempenhos de Reus. Na seleção, o jogador aurinegro ganhou espaço nesta temporada e disputou cinco jogos, porém, por conta de uma lesão, não veio ao Brasil, ficando de fora da campanha campeãa mundial.

8°- Arjen Robben (Bayern de Munique – Holanda): 

Robben mostrou nível espetacular pelo Bayern, em 2013-14, mas foi pela Holanda que assustou mais os adversários (Reuters)

O Bayern de Munique foi o time da posse de bola e troca de passes, mas a verticalidade e o desequilíbrio não desapareceram. Robben foi o principal responsável pela quebra das defesas adversárias, com os dribles, normalmente buscando a canhota com extrema velocidade e categoria. Com onze gols e seis assistências, o camisa dez bávaro foi muito importante para a conquista da Bundesliga, com recorde de antecedência. No outro título da temporada, a Copa da Alemanha,  marcou quatro vezes e assistiu cinco. Ao todo, em 2013-14, o holandês conseguiu 21 gols e 17 assistências, em 45 aparições. Os números não refletem exatamente a enorme importância de Robben, que talvez, tenha ficado mais clara apenas na Copa do Mundo. No Brasil, o camisa onze da Holanda foi o principal propulsor da equipe ao terceiro lugar, pois o elenco de Van Gaal não era dos mais qualificados e era muito jovem. Com gols, dribles e passes, para muitos – inclusive, este blog –, o carequinha foi o melhor jogador do Mundial 

9°- Arturo Vidal (Juventus – Chile): 

Apesar de ter vencido apenas um título, Vidal pode comemorar uma temporada muito boa, em que foi a estrela bianconera (Getty Images)

Este é mais um típico de caso de jogador, que, em 2013-14, atingiu o melhor nível de futebol. Vidal é importante para a Juventus desde que chegou, porém, neste ano, se tornou mais dono do time do que Pirlo. No 3-1-4-2 de Antonio Conte, o chileno é um dos meias-centrais, que atuam à frente do camisa 21, e, por isso, se divide em ações defensivas e ofensivas. Mesmo executando função dupla, o camisa oito bianconero é incansável e traz intensidade durante todo o tempo que está em campo. O “Rei Arturo” foi fundamental para o terceiro scudetto consecutivo da Velha Senhora e, na campanha, colaborou com onze gols e seis assistências – ao todo, marcou 18 vezes. No final da temporada, uma lesão tirou o jogador de partidas decisivas e quase complicou a participação dele no Mundial. Porém, Vidal chegou ao Brasil e, em três jogos, conseguiu ajudar o Chile a chegar às oitavas de final da disputa. A impressão é que o meia-central ficou devendo um pouco na Copa, onde a questão física pesou em seu desempenho. 

10°- James Rodríguez (Monaco – Colômbia): 

Pela Colômbia, James Rodríguez foi uma das grandes estrelas do Mundial 2014, competição em que foi artilheiro, com seis gols (Reuters)

Não foram poucos que descobriram o camisa dez colombiano durante a Copa, porém, para os que acompanham o futebol internacional com mais profundidade, não existiu nenhuma surpresa. Ótima visão de jogo, bons passes, habilidade extrema e chutes precisos são características antigas do jogo de James, mas, nesta temporada, tudo foi realizado no mais alto nível. O colombiano demorou a ser firmar no Monaco, porém, ao longo do ano, passou a se sentir mais à vontade no principado e liderou o time ao vice-campeonato da Ligue 1, com 13 assistências – um dos líderes no quesito na França. Além disso, a jovem estrela ainda marcou nove vezes. Mas foi o desempenho no Mundial que colocou James Rodríguez em destaque na lista. Artilheiro da Copa com seis gols (dois deles golaços) em cinco jogos, o dez cafetero também cedeu dois passes decisivos. Sem Falcao García lesionado, a Colômbia teve o chuteira de ouro como grande propulsor da ótima campanha no Brasil. 

11°- Diego Costa (Atlético de Madrid – Espanha): 

Diego Costa mostrou muito com a camisa rojiblanca e foi um dos grandes responsáveis pela conquista da Liga pela equipe (Alexander Klein/AFP/Getty Images)

O sergipano de Lagarto não é dos jogadores mais técnicos do mundo, mas deixa isso de lado com força, raça e velocidade. Diego Costa foi o símbolo do futebol do Atlético de Madrid de Diego Simeone, que incomodou – e muito – os gigantes da Espanha e da Europa. Em La Liga 2013-14, o camisa nove rojiblanco marcou 27 vezes e assistiu cinco, em 35 partidas. Assim, o hispano-brasileiro foi o principal destaque do Atléti, que conseguiu quebrar a hegemonia de Barcelona e Real Madrid, que vinha há dez anos, e ganhou o primeiro título espanhol em 18 anos. Na principal competição do planeta, a Liga dos Campeões, Diego Costa marcou um gol a cada 72 minutos em campo (ao todo, oito) e ainda cedeu duas assistências. Novamente com o camisa nove como destaque, o Atlético chegou à final da disputa, contra o Real Madrid. Na decisão em Lisboa, mesmo machucado, o camisa nove foi titular, mas a lesão voltou a incomodá-lo e obrigou que ele fosse substituído. Desta forma, o centroavante teve a sua ida à Copa do Mundo em dúvida, porém, Vicente Del Bosque não abriu mão do jogador e o trouxe ao Brasil. Mas, no Mundial de 2014, o desempenho de Diego Costa – e toda a Espanha – foi muito ruim e, assim, terminou a ótima temporada de forma melancólica. 

12°- Manuel Neuer (Bayern de Munique – Alemanha): 

Ninguém voou tão alto quanto Neuer, que foi o melhor goleiro da temporada e um dos melhores na Copa do Mundo (Adrian Dennis/AFP/Getty Images)

Nas duas últimas temporadas, o camisa um do Bayern de Munique se concretizou como o melhor goleiro do mundo. Com 1,93m, Neuer se destaca pelo bom posicionamento, a segurança, mas também pelos reflexos muito apurados e a força na saída do gol, seja por cima ou por baixo. Ele foi o líder da linha defensiva bávara, que, em 34 rodadas da Bundesliga 2013-14, sofreu apenas 23 gols. Ser vazado poucas vezes colaborou com o título alemão e foi importante para a conquista da Copa da Alemanha. Apesar das duas taças (três, contado a Supercopa da UEFA), o Bayern não teve uma temporada tão marcante como 2012-13, porém, 2014 reservava o Mundial e, no Brasil, Neuer deixou desempenhos marcantes. A conquista da Alemanha teve o camisa um entre os grandes destaques. Contra a França, nas quartas de final, foram diversas defesas e, nos minutos decisivos, com uma só mão, parou um arremate de Benzema, que levaria o jogo à prorrogação. Na semi e na final, o jogador do Bayern não teve tanto trabalho, porém, quando exigido, apareceu bem e garantiu a Luva de Ouro da Copa do Mundo de 2014. 

13°- Gareth Bale (Real Madrid – País de Gales): 

Talvez o principal mérito de Bale tenha sido combinar muito bem com o principal craque madridista, Cristiano Ronaldo (Getty Images)

Contratado por um valor não revelado, mas que deve chegar aos 100 milhões de euros, Gareth Bale mostrou o que já havia apresentado no Tottenham: convívio perfeito entre exuberância física e qualidade técnica. Mostrando tudo isso, o galês chegou ao Real Madrid e, mesmo jogando fora de posição (nos Spurs, atuava pela esquerda e pelo centro), logo se adaptou à ponta-direita e se tornou peça chave no elenco madridista. Ao longo de toda a temporada, camisa onze marcou 22 gols e deu 19 assistências e, na Liga dos Campeões, foi ainda mais importante, pois anotou seis vezes e cedeu quatro passes decisivos. Bale soube ser o coadjuvante de luxo de Cristiano Ronaldo e, quando o português não esteve em campo, não teve problemas para assumir o protagonismo. 

14°- Philipp Lahm (Bayern de Munique – Alemanha): 

Capitão da Alemanha, Philipp Lahm teve a honra de levantar a Copa do Mundo, competição em que foi muito bem (DPA)

Melhor lateral do mundo e um dos melhores da história, com a chegada de Pep Guardiola ao Bayern de Munique, Lahm passou a ser colocado como 1° volante no 4-1-4-1 (4-3-3) do técnico catalão. A idéia era ter uma saída de bola mais limpa, aproveitando do bom passe do camisa 21, que também seria útil para ditar o ritmo das partidas. Apesar de ótimas exibições na nova função, o capitão bávaro perdeu um pouco da relevância ofensiva, em 48 jogos pelo clube, fez apenas um gol e cedeu nove assistências – números mais baixos do que ele produziria na posição de origem. Na seleção alemã, Löw iniciou a Copa com Lahm na volância, com as mesmas idéias de Guardiola e, desta forma, o jogador do Bayern se concretizou como melhor passador da competição: acertou 562 passes dos 651 que tentou (índice de 86%). Porém, na reta final, o capitão voltou a ser lateral-direito e cresceu seu rendimento ofensivo, fechando o Mundial com duas assistências. A queda dos números de ataque do camisa 16 da Alemanha deve fazer o técnico do clube repensar no posicionamento, para, na próxima temporada, Lahm alcançar uma posição mais alta neste ranking. 

15°- Luka Modric (Real Madrid – Croácia): 

Com a chegada de Bale, ex-companheiro de Tottenham, Modric esteve mais à vontade nesta temporada e foi relevante nas conquistas madridistas (Manu Fernandez/AP)

Na primeira temporada em blanco, Modric não foi o jogador que já havia sido na carreira, porém, no segundo ano em Madri, a relevância aumentou muito. Seja no 4-3-3 ou no 4-4-2 de Carlo Ancelotti, o croata teve muita importância como meia-central, ajudando na defesa e no ataque. A elevada qualidade técnica do ex-jogador do Tottenham foi fundamental para a saída de bola e para boa conexão entre o meio e ataque madridista. Na temporada que culminou com os títulos da Copa Del Rey e da Liga dos Campeões, Modric fez dois gols e cedeu oito assistências, nas 49 partidas, em que disputou 3.875 minutos. Na seleção, ostentando a camisa dez, foi importante para a classificação ao Mundial. Mas, na Copa do Mundo, a Croácia não esteve bem e, por isso, o craque do meio-campo acabou não se destacando muito, ficando mais para trás na nossa lista.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Pensar no futuro

 
Sete da comissão técnica se uniram para falar após o massacre por 7 a 1, mas não admitiram os erros do trabalho brasileiro (Ricardo Stuckert/CBF)

O Brasil perdeu, mas, principalmente, este modelo de futebol atrasado foi goleado. Ao demitir Mano Menezes, quando parecia que ele estava se acertando, a Confederação Brasileira de Futebol optou pela contratação de dois escudos, o técnico Luiz Felipe Scolari e o coordenador Carlos Alberto Parreira. A dupla havia comandado os dois últimos títulos mundiais da seleção brasileira, portanto, a CBF estaria fazendo tudo que é possível para vencer a Copa no Brasil. 

Antes da Copa das Confederações, apesar de muitas ressalvas, fiz um texto afirmando que aquele time poderia dar certo. Mesmo com o título e a grande atuação frente à Espanha, não foi uma trajetória linear e sem problemas. Os Canarinhos viveram altos e baixos e, muitas vezes, foram dependentes de chutões, jogadas individuais e da marcação pressão, que viveu o auge na final, mas não foi presente em toda a trajetória. Sem participação do meio-campo na criação das jogadas e, com momentos de problemas nas demais estratégias, o Brasil mostrou claramente seus problemas. 

A maior parte das falhas de um ano atrás foram repetidas durante o Mundial 2014 e foram potencializadas pela ótima exibição da Alemanha. Os doze meses não conseguiram solucionar os problemas. Mesmo sem se reunir muito, quando esteve junta, como na Copa do Mundo, o Brasil foi acusado de ter treinado e trabalhado pouco. A comissão técnica defendia a necessidade de descanso entre as partidas, algo que deve ser pensado mesmo. Porém, ao compararmos com outras seleções, vemos que isto não foi comum. A Holanda, após a batalha contra Costa Rica, em que só conseguiram vencer Keylor Navas, nos pênaltis, retornou ao Rio de Janeiro, não treinou de manhã, mas à tarde os jogadores foram para o campo. 

A ilusão de que estava tudo certo, não acabou com o 7 a 1, em que a Alemanha dominou amplamente o Brasil. Um dia após a derrota, Parreira e Felipão deram uma entrevista coletiva, na Granja Comary. Constrangimento resume o atendimento à imprensa, que teve momentos excepcionais do Coordenador Técnico da seleção, apoiado pelo comandante do time. “Não houve um erro. Tudo foi perfeito. Só não funcionou o resultado contra a Alemanha”. E, claro, amenizar a responsabilidade do pratão também ocorreu, o campeão Mundial de 1994 destacou que “a CBF não forma jogadores”. A Federação alemã de Futebol (DFP) forma. 

O exemplo alemão 


Alemanha campeã europeia sub-21 2009 cedeu seis jogadores para o título de 2014, todos eles titulares: Neuer, Boateng, Hummels, Höwedes, Khedira e Özil (Getty Images)

A matéria do Jornal inglês The Guardian, em maio de 2013, mostra o que acontece na Alemanha, pois este trabalho não chama atenção apenas no Brasil. O programa de desenvolvimento de talentos da DFB nasceu em 2003, com o objetivo de identificar futuros jogadores e, desde cedo, trabalhar as habilidades e o conhecimento tático neles. O resultado é visto na prática, pois, nos últimos anos, a Alemanha voltou a figurar entre as principais potencias do futebol mundial. 

 Sobre este trabalho de base, fiz um texto depois da Copa de 2010, tentando prever a Nationalelf para 2014. Mais da metade dos 23 convocados para o Brasil foram citados no texto. O bom índice de acerto não é mérito do blogueiro, tem muita relação com a continuidade do trabalho de Joachim Löw e o bom aproveitamento dos talentos da base. Seis campeões europeus sub-21, em 2009, vieram ao Brasil, na verdade, oito, pois Dejagah e Fabian Johnson também estiveram no Mundial, mas defendendo Irã e Estados Unidos, respectivamente. 

O diretor esportivo da Federação, Robin Dutt, que está no cargo desde agosto de 2012, explica que ajudar os clubes na formação de jogadores é ponto central desta evolução e é uma relação positiva para os dois lados. “Se nós ajudamos os clubes, eles nos ajudam, pois os atletas das nossas seleções – de base ou da equipe de Joachim Löw – vêm dos times”. Um exemplo da parceria é a obrigação dos clubes de 1ª e 2ª divisão, que têm que ter academias para formar jovens, com disputa a partir dos 12 anos. Para atingir o objetivo da norma, a DFB auxiliou financeiramente na montagem desta estrutura de base. 

Mas investir apenas na base não é a única contribuição da DFB ao futebol. Como apresentado no Linha de Passe, da ESPN Brasil, do dia 10 de julho, a Alemanha trabalhou para fortalecer a liga local. Ajudar o desenvolvimento dos jovens é um passo para isso. Por isso, hoje, a Bundesliga é uma das principais do planeta e isto contribuiu para o crescimento da Nationalelf. Portanto, há a necessidade de um trabalho mais complexo, não apenas investimento em um setor. 

Brasil quer se mexer? 

Jornalistas esportivos e, depois, o Bom Senso Futebol Clube por duas vezes foram recebidos pela presidência da república. Porém, até aqui, nada foi feito na prática (Roberto Stuckert Filho)

Ao contrário do que é realizado na Alemanha e, em outros países, onde o sucesso ainda não veio, o futebol brasileiro não parece querer evoluir. A CBF está deitada em berço esplêndido e recusa iniciativas para trabalhar o esporte no país. Parece que modernizar o que é feito aqui não é do interesse da entidade. Com o sucesso em campo, conquistado através do talento dos jogadores, que seguem surgindo aqui, nada ou muito pouco foi realizado para repensar o futebol, afinal, não era necessário, pois vencíamos.

O comando da CBF é o mesmo desde 1989, quando Ricardo Teixeira assumiu a presidência, durante o governo de José Sarney (PMDB). O domínio do ex-genro do ex-presidente da FIFA, João Havelange, portanto, resistiu aos presidentes Fernando Collor (PRN), Itamar Franco (PRN), Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Não citei Dilma Rousseff, pois foi no atual governo que Ricardo Teixeira se foi. Após muita pressão de mídia, população e do setor político, Ricardo Teixeira saiu, mas não mudou muita coisa. 

O sucessor foi o antigo apoiador da ditadura e vice-presidente mais velho da CBF, José Maria Marin, filiado ao PTB e com extensa carreira na política. Portanto, o perfil do comandante que pouco se importa com o futuro do futebol seguiu. O próximo presidente da entidade já está definido e será Marco Polo Del Nero, atual vice-presidente. Mesmo cuidando de algo de interesse público, a entidade é privada, por isso, em teoria, o governo não poderia intervir nela. Mas, como revelou Juca Kfouri, o STF já tem decisão que mostra o contrário

Portanto, interferir no comando da CBF é possível e, pelas recentes declarações de Dilma e do ministro do Esporte Aldo Rebelo (PC do B), este é o interesse do atual governo. Antes da Copa, a presidente recebeu uma série de jornalistas esportivos e disse que o grande legado do Mundial 2014 seria a melhoria do futebol praticado no Brasil. Na ocasião, ficou prometida uma reunião entre o Palácio do Planalto e o movimento Bom Senso Futebol Clube. Desde então, já foram duas conversas com o grupo de jogadores, que também tem especialistas em diversas áreas (administração, direito e etc), e a impressão de que uma participação do estado no comando do futebol brasileiro está próxima de acontecer. 

Por falar nisso, o BSFC é uma grande iniciativa de craques brasileiros que visam a melhoria do futebol como um todo, não só na elite. Porém, a blindagem da CBF impede que as ideias do grupo sejam trabalhadas para serem postas em prática. Um calendário mais justo, emprego por mais tempo para os jogadores fora das principais divisões, horários melhores para prática do futebol e a exigência do fair play financeiro para os clubes (como ocorre na Alemanha). Com estas medidas, com certeza, teríamos uma melhora sensível no futebol brasileiro: mais organização que refletiria em melhores desempenhos em campo e públicos maiores nos campeonatos locais, algo raro hoje. 

Esta sinalização governamental de intervenção na administradora do futebol brasileiro e, ao mesmo tempo, a conversa com o Bom Senso mostra consciência da necessidade de mudanças. Se elas forem as indicadas pelos jogadores, que não são ouvidos pela CBF, pode ser um caminho interessante para a modernização do atrasado futebol brasileiro. Porém falta deixar de ser vontade e se tornar uma prática. 

Voltando para dentro de campo 

Os Canarinhos, com Mano Menezes, pareciam ter um técnico que dialogava melhor com o que era realizado no futebol europeu, porém os resultados não vieram. Não custa lembrar que, na Copa América 2011, o Brasil caiu nas quartas de final e, em nenhum momento, conseguiu convencer. Na reta final do trabalho, como já dito, os Samba Boys melhoraram, mas novamente, a CBF influenciou negativamente o que é realizado dentro de campo, buscando uma dupla ultrapassada – e com nome – para comandar a equipe. 

Além das boas ideias, que, na reta final, estavam dando resultado. No período de Mano Menezes, algo muito interessante aconteceu na seleção e, se as mudanças aparecerem, pode virar uma marca dos Samba Boys. Como o repórter e colunista do site Terra, Dassler Marques escreveu, no antigo Olho Tático, de André Rocha, no Globoesporte.com, a seleção chegou a ter um esquema tático unificado do sub-17 ao time principal

A Bélgica, depois de duas copas fora, veio ao Brasil e chegou com bastante badalação, tendo a unificação do esquema tático como um dos pilares desta renovação, mas principalmente, a linearidade da forma de pensar futebol. Como Dassler escreveu no post sobre o Brasil, jogar no mesmo sistema não é o ponto centrale, sim, ter a mesma mentalidade. Pois assim, não limitamos o jogador da base a cumprir apenas uma função, mas, desde o princípio, fica claro o estilo de futebol que o jovem irá encontrar quando passar a atuar entre os adultos. Afinal, o objetivo de times e seleções de base é preparar os atletas para os times principais. 

A falácia da fraca geração brasileira 

O brasileiro do Hoffenheim, Roberto Firmino teve ótimos números na Europa e nem foi testado. Nenhum jogador verde e amarelo fez, em 37 jogos, 22 gols e 16 assistências.  (Alex Grimm)

Uma das justificativas utilizadas por mídia e comissão técnica, para o insucesso dos Canarinhos, é que a atual geração de jogadores verde e amarela é fraca. Para mim, uma grande mentira. Thiago Silva, Marcelo e Neymar são futebolistas da elite do futebol mundial. Além deles, Júlio César, Maicon e Daniel Alves já fizeram parte do grupo de maiores craques do planeta. Portanto, apenas seis jogadores que podem – ou já puderam – ser considerados especiais Mas, a maior parte dos outros convocados, estão ou estiveram em grandes clubes e jogaram em alto nível, no futebol europeu. Um ou outro jogador, talvez Jô e Henrique ainda não tiveram – e nem deverão ter – um momento de futebolista top mundial. 

Além do elenco de 23 escolhidos para representar o Brasil em casa, vários jogadores de bom nível ficaram de fora, por exemplo, Diego Alves, Rafinha, Miranda, Alex, Filipe Luís, Lucas Leiva, Felipe Melo, Fernando Reges, Diego Ribas, Philippe Coutinho, Lucas Moura, Roberto Firmino e Jonas. E é bom lembrar, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho, Nilmar, Luís Fabiano e Adriano são integrantes da geração 2014, poderiam tranquilamente estarem presentes no Mundial disputado em casa, mas, por escolhas erradas e queda de nível, o sexteto não chegou à disputa. 

Entre os convocados para a Copa e os outros citados, muitos poderão estar em 2018 e serão mesclados com outros jogadores jovens que já começaram a se destacar. Três bons goleiros estão na Serie A da Itália, Gabriel (Milan), Rafael Cabral (Napoli) e Neto (Fiorentina). Na defesa, Danilo (Porto), Rafael (Manchester United), Juan Jesus (Internazionale), Dória (Botafogo), Marquinhos (PSG), Alex Telles (Galatasaray), Wendell (Bayer Leverkusen) Alex Sandro (Porto). No meio, Fernando (Shakhtar Donetsk), Casemiro (Real Madrid), Rômulo (Spartak Moscou), Lucas Silva (Cruzeiro), Fred (Shakhtar Donetsk), Rafinha (Barcelona), Paulo Henrique Ganso (São Paulo) e Douglas Costa (Shakhtar Donetsk). No ataque, Lucas Piazon (Chelsea), Wellington Nem (Shakhtar Donetsk) e Gabriel Barbosa (Santos). Tantos outros podiam ter citados, mas, para mim, vendo de hoje, esses são os destaques para o futuro mais próximo dos Samba Boys

Pode ser que nem todos os citados consigam chegar a – ou retomar – um nível altíssimo de futebol, mas está claro que há talento e muitos deles já tiveram passagens pela seleção. Esses atletas mais jovens, se forem bem trabalhados e mesclados com alguns dos atuais jogadores, poderão trazer bons frutos para o Brasil. Alguns, inclusive, têm idade para disputar os Jogos Olímpicos de 2016, em casa. E, com a saída de membros do grupo de 2014, muitos deles devem ter espaço durante toda a preparação. 

Portanto, dizer que o Brasil não produz mais tantos craques, pode até ser verdade (muito por culpa de fatores organizacionais), mas afirmar que o talento por aqui acabou é uma grande mentira. O caminho para voltar a brigar pela hegemonia do futebol é longo e, para isso, escolher um bom comandante é um dos primeiros passos a ser dado. 

Quem poderá liderar? 

Nos últimos anos, ninguém se destacou tanto como Tite. O ex-técnico do Corinthians mostra conhecimento tático e entendimento do que se faz no mundo, como conceito de futebol. Depois de encerrar a trajetória vitoriosa na equipe paulistana, o gaúcho foi presença constante em jogos de Liga dos Campeões e campeonatos europeus. Apesar de ótimo trabalho, Tite não se acomodou e foi atrás de mais informações para melhorar. Por isso, seria a minha escolha como figura central deste novo ciclo. 

Porém, com a atual cúpula da CBF, parece improvável a escolha de uma pessoa atualizada e que possa tomar as rédeas de todo o trabalho da seleção brasileira. Como o comentarista da ESPN Brasil, Mauro Cezar Pereira falou: “se for para eles ficarem (dirigentes da CBF), que seja como uma rainha da Inglaterra, que tem gente abaixo com o controle das ações a serem tomadas”. É bom deixar claro, nem eu, nem o MCP queremos que essa turma siga no comando. 

Mas, por mais que não façam nada pela melhora dos Canarinhos e, muito menos, pelo futebol verde e amarelo em geral, os dirigentes não mostram interesse em abrir mão do protagonismo do comando dos Samba Boys. Portanto, há claramente um nome para o novo ciclo. Porém, com o contexto atual, pode vir qualquer grande treinador do futebol mundial que não dará certo. Por isso, a intervenção na Confederação Brasileira de Futebol e a implementação das ideias do Bom Senso Futebol Clube é o caminho e se mostra urgente. 

Palpite dos 23 

Para finalizar, aquele chute clássico, que muitos jornais e sites ousam fazer: quem serão os 23 convocados da Copa do Mundo da Rússia? Goleiros: Diego Alves, Neto e Rafael Cabral. Laterais-direitos: Danilo e Rafael. Zagueiros: David Luiz, Thiago Silva, Marquinhos e Juan Jesus. Laterais-esquerdos: Marcelo e Alex Sandro. Volantes: Fernando Reges, Casemiro e Paulinho. Meias e Meias-atacantes: Lucas Moura, Oscar, Neymar, Roberto Firmino, Philippe Coutinho, Rafinha e Paulo Henrique Ganso. Atacantes: Lucas Piazon e Gabiel Barbosa.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Seleção da Copa do Mundo 2014

Com o final do Mundial é hora de escolher os onze melhores, o craque e o grande comandante. A maior parte dos 12 escolhidos vieram dos quatro semifinalistas e, entre eles, está o principal desempenho. Apesar do esquema com três zagueiros ter brilhado durante a Copa, escolhi o 4-3-3, pois foi a melhor alternativa para receber os onze escolhidos. Vale destacar que as estatísticas citadas no texto estão disponíveis no site da FIFA. 

Goleiro: Keylor Navas (Costa Rica) 

 Keylor Navas pegou pênalti, mas fez muito mais (Jeff Gross/Getty Images)

Keylor Navas chegou ao Mundial 2014 como melhor goleiro do Campeonato Espanhol 2013-14. O camisa um dos Ticos foi um dos grandes responsáveis pela classificação improvável da Costa Rica, no grupo D, que tinha Itália, Inglaterra e Uruguai. Na segunda fase, ademais de salvar com bola rolando, pegou um pênalti e classificou a equipe, contra a Grécia. Depois, nas quartas de final, o goleiro do Levante evitou que a Holanda se classificasse antes dos pênaltis, onde, desta vez, Navas não brilhou. Mesmo parando na terceira etapa da Copa, o camisa um costa-riquenho fez 21 defesas e muitas delas impostíssimas para o bom desempenho dos Ticos, no Brasil. 

Lateral-direito: Philipp Lahm (Alemanha) 

O melhor lateral do mundo e um dos melhores de todos os tempos se tornou volante, nesta temporada. Na Copa do Mundo, foi no meio-campo que começou a trajetória, por isso, se concretizou como melhor passador da competição: acertou 562 passes dos 651 que tentou (índice de 86%). Lahm foi colocado ali para dar uma saída de bola mais limpa à Alemanha e conseguiu. Porém, a Nationalelf sentiu falta de laterais puros, e Löw acabou recolocando o jogador do Bayern de Munique na posição de origem. O lateral deu ofensividade pela direita, acertou seis cruzamentos e foi uma importante saída para a Alemanha, que antes da realocação do capitão, não contava com os avanços pelos lados. Ir bem à frente não significou deixar espaço nas costas, pois correu uma média de 11,5 km por partida, o quarto maior número no Mundial.

Zagueiro: Mats Hummels (Alemanha) 

 Hummels mereceu palmas pelo desempenho, sendo decisivo na defesa e no ataque (Martin Rose/Getty Images)

O melhor zagueiro alemão chegou ao Mundial cercado por dúvidas, afinal, a temporada teve lesões e desempenho abaixo do habitual. Na Copa do Mundo, Hummels deixou isso de lado e mereceu estar na seleção. O camisa cinco foi o principal nome da linha defensiva alemã, com 47 bolas recuperadas, cinco bloqueios e cinco desarmes completos. Em alguns momentos, parecia impossível passar pelo zagueiro do Borussia Dortmund, que mostrou força, velocidade e muita técnica na defesa. Mas ofensivamente, Hummels também deixou um bom desempenho, ao marcar dois gols de cabeça, um deles garantiu a vitória da Alemanha, nas quartas de final, frente à França. 

Zagueiro: Ezequiel Garay (Argentina) 

O grande ponto de interrogação da Argentina era a defesa e foi justamente o setor que se destacou mais durante o Mundial. Um dos principais responsáveis por isso foi o zagueiro que está se transferindo do Benfica para o Zenit. Ao lado de Zabaleta, Garay foi o único titular da linha defensiva em todas jogos. Pelo alto, foi difícil vencê-lo e, pelo chão, foram 52 bolas recuperadas, segundo maior número entre os jogadores da Copa do Mundo. Portanto, o camisa dois, que não é um dos zagueiros mais técnicos do planeta, conseguiu marcar um desempenho muito bom, que foi reflexo da sua raça, evidente nos quase 11 km percorridos por partida. 

Lateral-esquerdo: Daley Blind (Holanda) 

Ao longo da Copa do Mundo, Blind foi ala-esquerdo, zagueiro e, até, volante. Apesar de não ficar restrito à função em que está sendo escalado, conseguiu ir bem em qualquer um dos setores. A Holanda jogou com uma linha de três zagueiros, por isso, os alas tiveram bastante espaço para atacar e o jogador do Ajax aproveitou bastante isto. Foram duas assistências, um gol e bom desempenho nos passes: arriscou 428 e acertou 351 (82%). Além disso, realizou seis desarmes, participando bem do sistema defensivo. 

Volante: Javier Mascherano (Argentina)  

 Mascherano foi o líder argentino em campo e, com este bloqueio, foi decisivo para colocar a equipe na final (Julian Finney/Getty Images)

El Jefecito abriu mão da braçadeira de capitão e entregou ela ao craque Messi, porém, dentro de campo, todos sabem quem manda. Mascherano foi a voz de Sabella nas quatro linhas e o principal protetor da tão criticada defesa albiceleste, que foi muito bem. Na parte defensiva, um monstro com destaque para os dez desarmes, as incríveis 49 bolas recuperadas e seis bloqueios, um deles que garantiu a disputa de pênalti contra a Holanda e, consequentemente, a classificação à final. Mas também teve participação na construção do jogo. Mascherano foi ótimo nos passes e terminou como terceiro melhor passador do campeonato: 626 tentados e 536 completados (86% de acertos). Ele era o responsável pela saída de bola argentina, recuando entre os zagueiros para dar o primeiro passe, seja curto ou longo, sempre teve qualidade. 

Meia-central: Toni Kroos (Alemanha) 

 No meio dos craques alemães, Kroos foi o que mais brilhou, ditando o ritmo dos jogos (Jamie McDonald-Getty Images)

Ao longo da Copa, Toni Kroos foi o craque mais destacado, no meio do elenco estrelado da Alemanha. Com Schweinsteiger crescendo aos poucos, o camisa 18 foi o responsável por ditar o ritmo do toque de bola da Nationalelf. Por isso, o jogador do Bayern de Munique foi o segundo melhor passador do Mundial, com 633 passes tentados e 537 completados (bom índice de 85%). Além de ser o meio-campista líder, nesta Copa, Kroos marcou duas vezes, ambas na goleada sobre o Brasil, quando executou um recital, no Mineirão. Por ser figura central da proposição de jogo alemã, o camisa 18 terminou o Mundial 2014 como um dos líderes em assistências, ao dar quatro passes decisivos. 

Meia-central: Bastian Schweinsteiger (Alemanha) 

A evolução de um jogador. Schweinsteiger não começou a Copa do Mundo como titular, estava se recuperando de lesão, mas, aos poucos, foi aparecendo e crescendo. O pico do camisa sete foi visto na final, quando deixou em campo uma atuação enorme, com ares épicos. Mesmo tendo atuado apenas 505 minutos, o jogador do Bayern de Munique foi o quarto a completar mais passes, com 467 tentados e 412 completados, índice de 88% de acertos, o melhor no top 8 da estatística. Schweinsteiger, assim como Kroos, é um símbolo de volante moderno e polivalente, aquele que marca e constrói desde o campo defensivo, tipo de jogador provou sua importância nesta Copa. 

Ponta-direita e craque: Arjen Robben (Holanda) 

 Robben foi o melhor jogador da Copa do Mundo e impulsionou a Holanda ao terceiro lugar (Paul Gilham/Getty Images)

O esquema com três defensores da Oranje visava liberdade para Sneijder, Van Persie e Robben. O camisa onze foi o que melhor aproveitou esta tranquilidade para desequilibrar em favor da equipe. O jogador do Bayern de Munique marcou três vezes (todas na primeira fase) e cedeu uma assistência. Mas a importância dele para o esquema de Van Gaal não é refletida pelos números. Durante todo o Mundial, quando a bola chegava no carequinha, a Holanda sabia que boas coisas poderiam ocorrer, com velocidade, dribles imprevisíveis, visão de jogo privilegiada e os chutes com a canhota especial. Apesar de bons desempenhos de outros companheiros, ficou claro, se Robben não fosse bem, a Holanda não teria chegado tão próxima da final. 

Ponta-esquerda: James Rodríguez (Colômbia) 

 James quer saber: "alguém jogou mais que eu no Mundial?" (Warren Little/Getty Images)

Sem Falcao García, muitos acharam que a Colômbia havia ficado sem craque, mas, desde o princípio, o camisa dez mostrou o engano. Com apenas 22 anos, o jogador do Monaco apresentou um repertório incrivelmente profundo. O artilheiro da Copa do Mundo balançou as redes seis vezes: quatro com o pé esquerdo, uma com a destra e outra de cabeça – dois deles foram golaços. Porém não foram apenas gols, fez também duas assistências, portanto, participou diretamente de oito dos 12 gols cafeteros. Além disso, James Rodríguez mostrou ser um meia-atacante completo, bom passador, veloz, bastante habilidoso e com visão de jogo apurada. Faltou pouco para o dez colombiano ser o melhor da Copa, talvez uma campanha um pouco mais longa da seleção dele. 

Atacante: Thomas Müller (Alemanha) 

Mais uma Copa com sete jogos e cinco gols. Aos 24 anos, o camisa 13 já está empatado entre os oito maiores artilheiros da história dos mundiais. Thomas Müller alia técnica, velocidade e raça como poucos. Seja como falso centroavante ou meia-atacante, o jogador do Bayern de Munique deixou no Brasil ótimas atuações e participações decisivas pela sua seleção. Vice-artilheiro com cinco gols, também cedeu três assistências e ainda foi quem mais correu na Copa do Mundo, com média de 12 km por partida. Sem se omitir em nenhum momento e participando de vários setores do jogo, Müller foi uma das marcas da conquista da Alemanha. 

Técnico: Louis van Gaal (Holanda)  

 Van Gaal fez de tudo para que suas principais estrelas jogassem bem e deu certo (Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

Habituada a jogar no 4-3-3, às vesperas do início da Copa do Mundo 2014, por conta da lesão de Strootman, a Holanda mudou taticamente por iniciativa do técnico. O 3-4-1-2 entrou em ação para dar liberdade para os jogadores mais especiais, Sneijder, Robben e Van Persie. Se o camisa onze foi a estrela que brilhou mais fortemente e mais constantemente, os outros dois também tiveram momentos que tiraram bom proveito desta tranquilidade dada pelo técnico. A mudança deu resultado, pois, com uma geração mais fraca que as anteriores, a Oranje conseguiu o terceiro posto, com boas vitórias sobre Espanha (5 a 1) e Brasil (3 a 0) e faltou muito pouco para ser finalista. Além de mudar e conseguir ir longe, Van Gaal também não ficou preso ao esquema com três zagueiros e, quando foi necessário, mudou taticamente e chegou a voltar ao 4-3-3. 


Vários jogadores que tiveram bons desempenhos ficaram de fora, mas alguns deles ficaram perto de estarem entre os meus onze. A lista por ordem de posição: Neuer (Alemanha), Romero (Argentina), Howard (Estados Unidos), Fabian Johnson (Estados Unidos), Vlaar (Holanda), Giancarlo González (Costa Rica), Thiago Silva (Brasil), Marcos Rojo (Argentina), Cuadrado (Colômbia), Ángel Di María (Argentina) e Messi (Argentina). E o técnico Jorge Luis Pinto (Costa Rica).