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terça-feira, 24 de junho de 2014

Copa do Mundo – Dia 13

Uma despedida digna 

David Villa fechou a trajetória na Roja com esta letra e atuação memorável na Arena da Baixada (Jeff Gross/Getty Images)

Os curitibanos sofreram com o sorteio dos jogos para a cidade, porém havia grande expectativa para a partida Espanha e Austrália, que teria os campeões do mundo como protagonistas. Porém, La Roja e os Socceroos chegaram à última rodada eliminados. De qualquer forma, a Arena recebeu um público bem interessante. Mas, apesar do interesse ser mesmo pelos espanhóis, a torcida optou por vaiá-los e torcer contra. 

Como doente por futebol que sou, estava muito ansioso para ver os últimos passos de Xabi Alonso, Xavi e Villa e, provavelmente, de Casillas e Pepe Reina. Se pensarmos apenas em mundiais, com certeza, somaríamos aos cinco, Fernando Torres. Portanto, grande parte da geração supercampeã e alguns protagonistas. Logo que a Furia chegou e foi visitar o gramado fui à beira do campo e pude gritar para alguns jogadores, sempre gritando três vezes até receber o retorno. O primeiro a me cumprimentar foi Javi (Martínez), depois foi a vez de Santi (Cazorla) e, por fim, um dos meus preferidos, Xabi (Alonso), sempre procurado quando o jogo estava apertado.

Apesar de vaias, a Espanha foi para o jogo disposta a deixar uma boa impressão. No 4-3-3, que, com a avanços de Iniesta, se tornava um 4-2-3-1, La Roja controlou as ações da partida. Porém, não começou bem, era óbvio o nervosismo da equipe, pois eles se obrigavam a vencer. Aos poucos, o domínio foi sendo conquistado, Cazorla, Xabi Alonso e Don Andrés passaram a comandar o meio-campo e, pela ponta esquerda, Villa e Jordi Alba colocavam McGowan louco. 

Mas, para abrir o jogo, nada pode ser melhor que Iniesta. O camisa seis fez passe no “costado da zaga” e descobriu Juanfran livre. O lateral-direito, que estava em ótima tarde, foi ao fundo e, no momento certo, cruzou rasteiro para trás. Villa chegou e guardou de letra. O 1 a 0 aumentou o controle da partida para os espanhóis. Os socceroos, apesar da boa torcida, não tiveram forças para reagir. Com Don Andrés e Xabi Alonso dominando totalmente as ações pelo centro e com o restante do grupo se mexendo muito e sempre dando opções de passes, não havia o que temer. A Espanha faria mais gols.

Antes de anotar mais, o que mais fez isso com a camisa roja se despediu. Aos 12 do 2°T, o maior artilheiro da história da seleção espanhola, David Villa, com 59 gols em 97 partidas, deu lugar a Mata. No caminho para sair de campo, El Guaje demonstrou emoção e foi cumprimentado/consolado por vários companheiros. No banco, não foi diferente, abaixou a cabeça e recebeu o carinho por membros da equipe da Roja. 

Se Villa estava provavelmente se despedindo, Iniesta mostrou que ainda tem muito a dar para a seleção. Foi dele a assistência primorosa para Torres marcar o segundo. Este foi um dos 80 passes completados pelo camisa seis, o maior passador da partida, que terminou com um índice de 88% de acertos. Para o final, ficou o gol de Mata, após outra boa assistência, desta vez, de Fàbregas. 

Mesmo com o 3 a 0, os espanhóis não saíram felizes e não fizeram nenhuma festa ou agradecimento especial ao público curitibano. Em seu Facebook, Iniesta publicou um texto, que justifica isso: “A decepção por voltar tão cedo para casa é muito grande. Tínhamos muita ilusão de poder fazer um bom Mundial e não foi possível. Lhes peço desculpas e lhes asseguro que trabalharemos para voltar a colocar a seleção onde ela merece”. A Furia precisará muito de Don para voltar ao topo, o camisa seis deverá ser um dos líderes da nova geração, que transborda em qualidade.

Para a Austrália, a vinda ao Brasil valeu pelas boas exibições nas duas primeiras partidas, apesar das derrotas. Claro, o carisma dos australianos também contou. Ao final do jogo, Bresciano, que havia vindo bem do banco, pegou duas das bolas da partida, se encaminhou ao setor onde estavam os familiares dos australianos e entregou uma delas a um amigo/parente. A segunda brazuca foi rifada para a galera. Além disso, alguns dos australianos, fizeram questão de dar a volta em todo o campo, para aplaudir a torcida.

Podia até não valer nada, mas foi espetacular.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Copa do Mundo – Dia 7

Classificada e com opções
 
 Memphis Depay entrou em campo, mudou o esquema e o jogo, com um gol e uma assistência (Dean Mouhtaropoulos-Getty Images)

A Holanda havia sido a grande surpresa da primeira rodada, ao golear os atuais campeões mundiais, por 5 a 1. A Austrália também boa estreia, mas acabou derrotada pelo Chile. Apesar dos bons desempenhos iniciais das duas seleções, as apostas giravam em torno de outra goleada da Oranje. Mas não foi assim. Desta vez, Postecoglu armou o time no 4-3-3, deixando Bresciano um pouco mais recuado e dando bastante liberdade aos bons pontas, Leckie e Oar. A Holanda manteve o 3-4-1-2, que deu muito certo frente à Roja. 

Em Porta Alegre, o sistema holandês não funcionou. Marcando pressão, os Socceroos dificultavam a saída de jogo adversário. E, sim, a Oranje só chegava em contra-ataques contra a Austrália. Os australianos propunham o jogo, tendo Cahill coordenando as ações e Leckie muito ativo pela ponta direita. Dependendo dos contra-golpes, a Holanda abriu o placar assim, com Robben disparando, após receber passe de Blind – terceira assistência dele no Mundial. A resposta veio rápida e foi maravilhosa. McGowan fez lançamento da intermediária e Cahill finalizou de primeira à Van Basten, com a canhota. Golaço. 

A Holanda não tinha jogo, Sneijder, fundamental ao esquema, não funcionava, por isso, teve sorte. Martins Indi se lesionou e a grande revelação da Eredivisie, Depay teve que entrar em campo. Portanto, Van Gaal voltaria ao segundo tempo com o tradicional 4-3-3. Mesmo com a mudança, a Austrália chegou primeiro ao gol. Bozanic, que havia acabado de entrar, cruzou bola na área e ela tocou a mão de Janmaat, que claramente estava querendo recolhê-la. Porém o árbitro assinalou pênalti e Jedinak marcou o 2 a 1. 

Porém, a mudança de Van Gaal começou a dar resultado. Pela ponta esquerda, Depay começava a aparecer e mostrar habilidade e velocidade. Sneijder também passou a participar mais do jogo. O camisa dez passou para o ponta-esquerda, que passou para Van Persie marcar o empate. A Oranje cresceu com o gol, os quatro homens mais avançados se movimentavam muito e participavam bastante do jogo. A volta ao domínio do placar veio dez minutos depois do empate. Novamente, boa combinação de passes pela esquerda e De Guzmán passou para Depay acertar belo chute. O goleiro Ryan caiu atrasado e não conseguiu chegar na redonda. 

O 3 a 2 fez com que a seleção australiana fosse buscar o ataque. Leckie seguia bastante ativo, mas já sem Cahill, os Socceroos não tinham o mesmo poder ofensivo e, portanto, chegavam menos ao gol defendido por Cillessen. Com a Austrália jogando mais à frente, a Holanda teve espaço e ficou bem próxima de conseguir um quarto gol, principalmente, em jogadas finalizadas por Robben. 

A vitória classifica a Holanda e mostra que Van Gaal já tem opções para dois tipos de jogos. Quando tiver que atacar, vai com o 4-3-3, tendo Depay entre os onze iniciais, e, se for um jogo que exige mais da defesa, o 3-4-1-2 poderá ser utilizado. Para a Austrália, a classificação se torna impossível, mas os Socceroos poderão ser orgulhar por terem feito muito mais do que imaginavam deles na Copa.

A Espanha ouviu “olé” 

 Jorge Sampaoli aprimorou o trabalho de Bielsa e, em um grupo muito difícil, consegue a classificação de forma antecipada (David Ramos/Getty Images)

Uma final no Maracanã, assim que a partida foi encarada, afinal, a Holanda tinha vencido e, praticamente, se garantiu na segunda fase, deixando uma vaga no grupo. Por isso, apesar de terem tido resultados diferentes na primeira rodada, Espanha e Chile optaram por mudanças no esquema de jogo. Os europeus vieram no 4-2-3-1, com Javi Martínez na vaga de Pique e com Pedro no lugar de Xavi. Já os sul-americanos retornaram ao esquema habitual, o 3-4-1-2, tendo Vidal atrás de Vargas e Alexis Sánchez. 

As duas seleções entraram marcando pressão, o que dificultava a saída adversária. Mas quem teve mais problema com isso foi a Espanha, a Furia Roja não vencia a primeira linha de marcação chilena. Foi assim que a Roja sul-americana conseguiu o primeiro gol. Xabi Alonso errou passe, Vidal recuperou e tocou para Aránguiz assistir Vargas. Naquele momento, a vitória chilena já podia ser mais elástica, afinal, tinham as melhores oportunidades. Quando conseguia chegar ao ataque, ao invés de ficar trocando passes, os espanhóis logo buscavam o toque final. Porém, apesar de muita qualidade dos meias espanhois, a bola parecia não chegar boa para a finalização. Mérito da defesa chilena. 

O Chile conseguiu mais um gol antes do intervalo. Casillas, muito mal na Copa, rebateu falta para o meio da área e, no rebote, Aránguiz marcou o 2 a 0. Com a derrota e a virtual eliminação, a Espanha voltou diferente para o segundo tempo. Um daqueles que é tido como “Xavi do futuro”, Koke veio para o lugar de Xabi Alonso, que fazia partida muito ruim. Após as mudanças, a Furia Roja deu sinais de que poderia se recuperar e chegou a ter boas chances de gol. Porém os chilenos se adaptaram à nova situação do jogo e voltaram a controlar as ações, inclusive, tendo oportunidades de marcar o terceiro gol e dando olé nos espanhóis. 

Com a melhora no segundo tempo, a Espanha teve mais posse de bola e mais chutes no alvo, porém não adiantou. Quando a bola ia no gol, o bom goleiro Bravo fazia defesas de um jogador do nível dele. Não era dia e não foi a Copa do Mundo da Espanha, com direito a gritos de “olé” e “e-li-mi-na-do”. Com a eliminação, a atual campeã do mundo se soma às recentes eliminações de seleções, que detinham o mesmo posto. França (2002) e Itália (2010) também se despediram do Mundial, na primeira fase. É hora de reformular e pensar na frente, pois o país tem jogadores de muita qualidade para o futuro e tem membros desta geração que podem seguir no grupo, como pilares para os próximos anos. 

A vitória categórica e a classificação antecipada, mostram a força do trabalho iniciado por Marcelo Bielsa e seguido por Jorge Sampaoli. A ousadia, a pressão alta e a adaptabilidade tática mostrada pela Roja mostram que, na fase de mata-mata, o Chile deve ser adversário duro para qualquer um.

Mostrou força 

Mandzukic chegou para a Copa do Mundo e já marcou duas vezes (Stu Forster/Getty Images)

Antes da bola começar a rolar, a Croácia se colocava como segunda seleção mais forte do grupo A. Após fazer jogo duro contra o Brasil, mas perder por 3 a 1, os europeus precisavam de uma partida para mostrar a força prometida. Camarões sem o principal jogador, Eto’o seria o adversário ideal, pois os Leões Indomáveis eram tidos como a pior equipe na chave A da Copa do Mundo. Para completar, os Vatreni, finalmente, teriam Mandzukic entre os onze iniciais.

Volker Finke manteve os africanos no 4-1-4-1, mas, desta vez, com Matip de 1° volante e Song um pouco mais à frente. A Croácia de Kovac manteve o 4-2-3-1, com Rakitic e Modric compondo a volância, mas mudou no centro da linha de três meias: ao invés de Kovacic, Sammir foi ladeado por Peresic à direita e Olic à esquerda. Surpreendentemente, Camarões começou melhor, com boa participação de Aboubakar. O substituto de Eto’o aparecia nas pontas e dava trabalho. Mas foi apenas um bom início, os croatas controlaram a partida. O placar foi aberto por Olic, após receber ótimo passe de Peresic e, antes do final do primeiro tempo, os croatas ficaram com a situação mais tranquila. Em ataque de fúria, Song deu um soco nas costas de Mandzukic e foi expulso.

Com um jogador a mais e a vantagem no placar, os Vatreni não aliviaram e seguiram dominando o jogo. Esta vontade croata ficava clara ao se observar a movimentação do centroavante estreante, que não ficava apenas parado no ataque e contribuía muita na marcação. Em uma dessas jogadas de transpiração dos homens de frente, Itandje saiu mal do gol, Peresic recuperou e só foi parar dentro do gol. O 2 a 0 também não foi capaz de diminuir o ímpeto da goleada para os croatas. Mandzukic, que ainda não havia marcado, fez o terceiro, após cruzamento de Pranjic.

A partir daí, Kovac começou a rodar o elenco. Sacou o cansado Olic, que faz boa Copa, para colocar Eduardo Da Silva e, depois, teve Kovacic (com espaço, foi bem) no lugar de Sammir. Em um chute do brasileiro-croata, Itandje deu rebote e Mandzukic marcou o segundo dele no Mundial, o quarto da goleada. E, por incrível que pareça, a Croácia seguiu tendo as melhores chances quase marcando o quinto. 

A goleada mostrou a força da Croácia e, claro, aumentou a expectativa para o confronto contra o México, que deve decidir quem acompanhará o Brasil na próxima fase, pois os africanos não devem ter força para segurar os canarinhos. Por isso, esta goleada é uma boa notícia para a seleção brasileira, que enfrentará os Leões Indomáveis, que, atualmente, estão longe de honrar o apelido.



A partir de amanhã, parto para Curitiba, onde ficarei por um bom tempo. Portanto, o diário da Copa do Mundo deve mudar um pouco. Não poderei fazer post de cada jogo, mas, em compensação, trarei coisas legais de uma sede do Mundial. Acho que o blog ganhará mais do que perderá com esta viagem.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Copa do Mundo – Dia 2

Apesar da arbitragem

Melhor em campo, Giovani dos Santos teve dois gols anulados e também participou do que valeu, de Oribe Peralta (AP Photo)

No amistoso frente à Alemanha, Camarões deixou a impressão de que havia encontrado uma forma de jogar, que poderia dar certo no Brasil. Enquanto o México, em suas partidas pré-Mundial, não conseguia deixar claro qual seria a forma de atuar. Porém, na prática, em Natal, o que se viu foi o contrário: africanos não conseguiram jogar e americanos mostraram saber bem o que queriam. 

Herrera armou o tradicional 3-1-4-2 dos amistosos e optou por Gio dos Santos e Oribe Peralta no ataque, com Vásquez sendo o 1° volante. Em Camarões, Song foi o mais recuado do meio-campo e Eto’o, o centroavante, no 4-1-4-1 de Volker Finke. O craque dos Leões Indomáveis ficou muito isolado e não participou como deveria da partida. Além disso, os africanos não conseguiram a pegada na linha média, que tiveram contra a Alemanha. 

Por isso, com boa movimentação, o México controlou a partida. Giovani foi um dos mais ativos, por várias vezes, recuou para ajudar Herrera e Guardado na armação pelo centro. Pelos flancos, destaque para o ala-esquerdo Layún, que incomodou muito o lado direito da defesa camaronesa. Apesar do melhor desempenho durante toda a partida, no primeiro tempo, Itandjé não foi vazado. Na verdade, sofreu dois gols, ambos marcados por Gio dos Santos, que, posteriormente, foram mal anulados pelo árbitro auxiliar.

A arbitragem podia ter definido a partida, mas o México não desistiu e seguiu lutando muito pela vitória, afinal, exceção feita à uma bola chutada na trave, Camarões produziu pouquíssimo. O gol decisivo veio com Herrera (14 passes corretos no último terço do campo) encontrando Gio no meio da zaga, o camisa dez chutou e Itandjé rebateu. O artilheiro mexicano nas Eliminatórias, Oribe Peralta aproveitou o rebote e marcou.

Sem muito a perder, Camarões se posicionou mais ofensivamente, trocando peças e mudando a mentalidade no jogo. Com mais companhia, Eto’o se mexeu mais e, muitas vezes, deixou a área, quando conseguiu criar algumas chances. Porém, assim que foi exigido, o bom goleiro de El Tri, Ochoa não decepcionou, garantindo o 1 a 0. Portanto, mesmo com a arbitragem ruim, o México conseguiu largar com vitória, se colocando como principal adversária da Croácia, pela segunda vaga às oitavas de final da Copa do Mundo de 2014.

Massacre holandês 

 Van Persie voou para empatar e mudar o jogo, após o 1 a 1, massacre holandês (Ryan Pierse/FIFA-Getty Images)

A reedição da final da última Copa marcada para a primeira rodada trazia grande expectativa. Salvador recebeu o grande evento e viu, até aqui, o que de melhor a Copa trouxe ao Brasil. Descartada por muitos, a Holanda veio reinventada por Van Gaal, em um 3-4-1-2, e impôs seu jogo frente à campeã do mundo. Placar final, 5 a 1 para a Oranje, mas podia ter sido, ao menos, 7 a 0, pois o gol da Roja veio em um pênalti inexistente. 

A Espanha saiu na frente, jogando como gosta: posse de bola, passes incríveis e, eventualmente, marcando pressão a saída do adversário. O trio de meias, Silva, Xavi e Iniesta iniciou bem ofensivamente. Xabi Alonso converteu o pênalti cavado por Diego Costa (atuação, no máximo, nota seis) e, com este estilo supracitado, a Roja quase conseguiu o segundo. O massacre laranja começou tímido, em contra-ataques, com Sneijder e, principalmente, Robben e Van Persie. Mas faltava alguma coisa. O auxilio criativo ao trio deveria vir com os alas, que, até ali, não ocorria. No final do primeiro tempo, o lateral-esquerdo Blind apareceu bem e, da intermediária, descobriu Van Persie livre nas costas da defesa. O centroavante se atirou e encobriu o Casillas, empatando a partida. 

O gol do empate, fundamental àquela altura do jogo, foi muito representativo. Afinal, escancarou os problemas de defesa do lado direito espanhol, pois nem Azpilicueta adiantou para marcar Blind e, muito menos, David Silva fez a recomposição defensiva – problema durante todo o jogo. Mas não foi só o lado que apresentou buracos, pelo meio, Sergio Ramos e Pique deixaram Van Persie muito à vontade para marcar. Além disso, o lance apresentou a primeira falha do camisa um da roja, que teve exibição pavorosa. 

A sucessão de erros defensivos da Roja combinados com uma Holanda bem postada defensivamente e exercendo bastante pressão na saída de bola, resultou na virada e, ao final, no 5 a 1 holandês. A virada veio em novo lançamento de Blind, que, desta vez, encontrou Robben. Ao tomar a virada, a Espanha passou a se expor mais e Vicente del Bosque chegou a sacar Xabi Alonso e colocar Pedro Rodríguez. Na bola aérea veio o terceiro. Com a marcação pressão veio o quarto, em mais uma falha feia de Casillas. O quinto foi resultado de contra-ataque, após ótimo passe de Sneijder, Robben ganhou fácil de Sergio Ramos na corrida, deixou o goleiro da Roja deitado no chão e fez o segundo dele. 

Como dito acima, podia ter sido mais, pois, além deste contra-ataque que deu certo, outros tantos foram tentados e quase resultaram em mais gols. O 5 a 1 mostra a força da Holanda, que, apesar de mais jovem, tem um trio espetacular à frente e bem aparado por um sistema defensivo muito bem armado pelo ótimo Van Gaal. Ao final do jogo, ao fazer um carinho em cada jogador, Del Bosque deu o tom do que terá que fazer para recuperar a equipe. Recuperar a confiança da Roja é primordial, mas fazer mudanças, no sistema defensivo, talvez seja o mais importante.

Decepção e surpresa 

 Alexis Sánchez brilhou na estreia, quando o Chile conseguiu cumprir o que prometia, apenas por 25 minutos (Reuters)

Para fechar o segundo dia de Copa, se esperava muito do Chile e nada da Austrália, mas, em campo, Cuiabá viu um ótimo jogo. Com o resultado da Holanda, a Roja entrou sabendo que, com uma vitória, poderia largar na frente da Espanha, na briga pela vaga às oitavas. Para aumentar a expectativa sobre os chilenos, haviam muitos torcedores na Arena Pantanal, que, inclusive, cantaram o hino à capela, assim como os brasileiros. 

Discípulo de Bielsa, Sampaoli armou um 4-3-1-2, com diversas movimentações táticas. Os laterais Isla e Mena avançavam muito e o volante Marcelo Díaz recuava para o meio dos zagueiros, fazendo quase uma linha de três defensores. Além disso, os homens mais ofensivos eram os pontas, Alexis Sánchez e Vargas e o armador Valdívia, muitas vezes, se tornava o falso nove da equipe. Com este esquema, o Chile, assim como o Brasil, iniciou jogando com pressão muito alta, afogando a saída de bola australiana. Desta forma, amassou os Socceroos e conseguiu largar na frente com 2 a 0. Alexis Sánchez foi a marca deste bom início, pois marcou o primeiro, assistiu o segundo e foi o jogador mais lúcido em campo. 

Mas, aos poucos, a Austrália, que não apresentava nada, foi se encontrando e começou a aparecer mais no ataque. Os destaques na criação foram Jedinak e Bresciano, pelo centro, e Leckie, pela direita. Mais à frente estava Cahill, que aproveitou da baixa estatura e grande exposição da zaga chilena, para dar opções de finalização. Em uma delas, recebeu cruzamento, ganhou no alto e marcou de cabeça. O 2 a 1 já não refletia mais o que era o jogo, pois o Chile só havia jogado bem no começo da partida. Depois, foram os Socceroos que dominaram as ações do jogo. Faltou muito pouco para o empate, Claudio Bravo brilho e evitou o gol de Bresciano. Ademais disso, a Austrália soube aproveitar os espaços deixados por Isla e Mena, indo muito bem pelas pontas. Assim, Cahill quase conseguiu o segundo de cabeça. 

Mais próximo de tomar o segundo do que fazer o terceiro, o Chile conseguiu garantir a vitória, com gol de Beausejour, que havia entrado para colaborar com Mena na marcação de Leckie. O 3 a 1 garante a boa largada da Roja, mas a Austrália mostrou que o Chile tem muitas falhas óbvias no jogo, que podem ser exploradas, por adversários que têm mais qualidade técnica que os Socceroos. Pela largada do grupo B, a partida do dia 18 de junho, no Maracanã, entre Espanha e Chile valerá muito para a disputa da classificação. E um detalhe interessante desta primeira rodada: a Roja sul-americana trocou mais passes que a Roja europeia, 541 contra 540, portanto, o time dos toques é o Chile.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Simplificando Futebol na Copa - Grupo B

Espanha
Iniesta se tornou a principal referência da estrelada seleção espanhola (Jose Jordan/AFP/Getty Images)

Técnico: Vicente del Bosque-ESP

Time-base (4-3-3): Casillas; Azpilicueta, Sergio Ramos, Pique, Jordi Alba; Busquets, Xabi Alonso, Xavi; Pedro, Diego Costa, Iniesta.

Craque: Andrés Iniesta – Barcelona-ESP

Lesionados: Victor Valdés (goleiro, Barcelona-ESP) – ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho direito, Álvaro Arbeloa (lateral-direito, Real Madrid-ESP) – fissura na rótula do joelho direito, Thiago Alcântara (meia, Bayern de Munique-ALE) – lesão no ligamento medial do esquerdo, Jesé Rodríguez (meia, Real Madrid-ESP) – ruptura no ligamento do joelho direito e Jesús Navas (ponta, Machester City-ING) – lesão no calcanhar.



Participações no Mundial: 14 (campeã em 2010)

Ranking da Fifa: 1º 

Campanha nas Eliminatórias (8J-6V-2E-0D-14GP-3GC-11SG)
Geórgia 0x1 Espanha
Bielorrússia 0x4 Espanha
Espanha 1x1 França
Espanha 1x1 Finlândia
França 0x1 Espanha
Finlândia 0x2 Espanha
Espanha 2x1 Bielorrússia
Espanha 2x0 Geórgia

Atual campeã do mundo e bieuropeia, a Espanha não é mais absoluta no posto de melhor seleção do mundo. Porém, apesar de alguma dificuldade, a Roja passou invicta pelas eliminatórias e será uma das principais equipes que desembarcará no Brasil em junho. A continuidade é a grande marca espanhola, pois, desde o Mundial de 2006, com Luís Aragonés, a ideia de ter a posse de bola trabalhada à exaustão é o ponto central do jogo. Vicente Del Bosque, que assumiu pós a conquista da Euro 2008, não mudou a forma de jogar e manteve a maior parte do elenco do antecessor. É claro, fase e surgimento de novos atletas proporcionaram mudanças no elenco.

O envelhecimento de alguns pilares do plantel pode pesar, principalmente porque Xavi, o homem que é o rosto deste estilo passador da furia, é o que mais sofre com a idade e, no Barcelona, já não consegue mais dar o ritmo à engrenagem do Tiki-Taka. Além disso, o ex-líder da defesa, Puyol não virá ao Mundial. Para a função do camisa oito, a Roja tem boas opções, como o jovem Koke, ou os mais experientes Fàbregas e David Silva, porém, Del Bosque sinaliza que Xavi estará entre os onze iniciais na Copa. O maior problema é a defesa, onde já existe a ausência de Puyol e a dúvida sobre Pique, que não vem de grande temporada no Barcelona. Apesar disso, Sergio Ramos teve desempenhos espetaculares pelo Real Madrid e chega com mais moral à seleção. Na linha defensiva, ainda está o lateral-esquerdo Jordi Alba, que é ótimo no apoio, mas peca na fase defensiva do jogo.

Também existem pontos bem positivos, apesar de Xavi não estar no melhor momento da carreira, o meio-campo é muito bom. Os volantes Xabi Alonso e Sergio Busquets se completam bem, os meias Iniesta, David Silva e Juan Mata, seguem dando criatividade ao time e, pelas pontas, existe boa opção de velocidade com Pedro. O centro do ataque, que já foi problema crônico, parece resolvido, pois Diego Costa optou por defender a Roja e vem ótima fase. No primeiro amistoso pela Espanha, o hispano-brasileiro não foi bem, pois não está acostumado ao estilo de jogo da equipe. Se bem trabalhada, esta dificuldade poderá se tornar um ponto positivo para o esquema espanhol, porque Diego Costa aumentará o repertório ofensivo da Furia.

Portanto, a primeira fase não deve ser o grande desafio para os espanhóis, pois chegarão com uma equipe mais pronta que qualquer adversário do grupo B. Mas, apesar desta vantagem competitiva, as fortes equipes de Chile e Holanda virão com tudo em busca de uma das vagas às oitavas.  Por isso, a Roja deve entrar em alta rotação na competição para não dar espaço para uma eliminação na primeira fase, que não seria uma zebra, mas seria surpreendente.

Goleiros: 1- Iker Casillas (Real Madrid-ESP), 23- Pepe Reina (Napoli-ITA) e 12- David de Gea (Manchester United-ING);
Defensores: 15- Sergio Ramos (Real Madrid-ESP), 3- Gerard Piqué (Barcelona-ESP), 4- Javi Martínez (Bayern de Munique-ALE), 2- Raúl Albiol (Napoli-ITA), 18- Jordi Alba (Barcelona-ESP), 22- César Azpilicueta (Chelsea-ING) e 5- Juanfran (Atlético de Madrid-ESP);
Meias: 16- Sergio Busquets (Barcelona-ESP), 14- Xabi Alonso (Real Madrid-ESP), 8- Xavi Hernández (Barcelona-ESP), 6- Andrés Iniesta (Barcelona-ESP), 10- Cesc Fábregas (Barcelona-ESP), 21- David Silva (Manchester City-ING), 20- Santi Cazorla (Arsenal-ING), 17- Koke (Atlético de Madrid-ESP) e 13- Juan Mata (Manchester United-ING);

Atacantes: 19- Diego Costa (Atlético de Madrid-ESP), 11- Pedro Rodríguez (Barcelona-ESP), 9- Fernando Torres (Chelsea-ING) e 7- David Villa (Atlético de Madrid-ESP).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Holanda: Espanha 1x0 Holanda (na prorrogação, final, 2010)
Chile: Espanha 2x0 Chile (fase de grupos, 1950) e Espanha 2x1 Chile (fase de grupos, 2010)
Austrália: nunca se enfrentaram

Calendário de amistosos durante a preparação

30/maio: Espanha 2x0 Bolívia
7/junho: Espanha 2x0 El Salvador

Holanda
Melhor jogador em 2010, hoje, Sneijder está abaixo de Van Persie e Robben, que são os craques, mas Van Gaal confia no trio para decidir as partidas em 2014 (Michael Kooren/Reuters)

Técnico: Louis van Gaal-HOL

Time-base (3-4-1-2): Cillessen; De Vrij, Vlaar, Martins Indi; Janmaat, Clasie, De Jong, Blind; Sneijder; Robben e Van Persie.

Craque: Robin van Persie – Manchester United-ING

Lesionados: Gregory van der Wiel (lateral-direito, Paris Saint-Germain-FRA) – lesão no joelho direito, Jetro Willems (lateral-esquerdo, PSV-HOL) – ruptura no ligamento do joelho, Stijn Schaars (volante, PSV-HOL) – dores persistentes no joelho esquerdo, Marco van Ginkel (meia, Chelsea-ING) – demora na recuperação de lesão no joelho, Kevin Strootman (meia, Roma-ITA) – rompimento do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo e Rafael van der Vaart (meia-atacante, Hamburgo-ALE) – lesão muscular na panturrilha direita.

Participações no Mundial: 9 (vice-campeã em 1974, 1978 e 2010)

Ranking da Fifa: 15º 

Campanha nas Eliminatórias (10J-9V-1E-0D-34GP 5GC-29SG)
Holanda 2x0 Turquia
Hungria 1x4 Holanda
Holanda 3x0 Andorra
Romênia 1x4 Holanda
Holanda 3x0 Estônia
Holanda 4x0 Romênia
Estônia 2x2 Holanda
Andorra 0x2 Holanda
Holanda 8x1 Hungria
Turquia 0x2 Holanda

Vice-campeã em 2010, a Holanda vem ao Brasil com uma combinação de jovens e de estrelas, que brilharam na África do Sul. Porém, após a última Copa, a Oranje teve uma grande decepção: a Euro 2012, quando caiu na primeira fase, perdeu todas as partidas e só marcou dois gols. O que faz os holandeses sonharem com um Mundial melhor é o desempenho espetacular nas eliminatórias. Sorteada para um grupo fácil, a Holanda fez o que se esperava dela e passou invicta pela disputa, marcando 34 gols e sofrendo apenas cinco.

Os altos e baixos pós-Copa provocaram a saída de Bert van Marwijk e o retorno de Louis van Gaal, que já havia comandado o país entre 2000 e 2002. Com o novo técnico, o espaço para os jovens aumentou e também adotou uma forma de jogar mais ofensiva. O comandante começou a escalar a equipe no 4-3-3, com o trio Lens, Van Persie e Robben (na seleção, joga na ponta-esquerda) no ataque, focando na velocidade dos pontas e na posse de bola com os meias. Porém, no período pré-Copa, com a lesão de Strootman, resolveu utilizar o 3-4-1-2. Com a nova formação tática, Van Gaal busca dar liberdade para o trio de jogadores mais experientes e especiais, Sneijder para criar e Robben e Van Persie mais à frente. Além disso, consegue mais proteção à defesa, setor tradicionalmente mais fraco da seleção holandesa. Durante o Mundial, o 4-3-3 habitual poderá voltar a ser utilizado, mas, para o início, o esquema com três defensores ganhou força.

As estrelas holandesas estão na fase ofensiva do jogo, como já é tradição. Van Persie é o melhor jogador do país, mas, nesta temporada, sofreu com algumas lesões e, por isso, não marcou tantos gols como nos últimos anos. Apesar disso, o jogador do United segue sendo um dos melhores centroavantes do mundo e, além de ter facilidade para balançar as redes, é muito habilidoso, participando bastante do jogo fora da área. O outro grande nome é Robben, que é o jogador do drible nesta seleção e, claro, tem uma das pernas esquerdas mais temidas do futebol mundial. Para levar a bola à dupla, estará o experiente Sneijder, que está bem abaixo do que foi em 2010, mas já foi elogiado, no aspecto físico, pelo técnico. Portanto, o camisa dez deverá ter condições de liderar a criatividade no meio-campo, com colaboração dos alas Janmaat e Blind e do segundo atacante Robben.

A Oranje não tem o mesmo nível que apresentou em 2010, mas, sem dúvida, tem muito talento e um grande técnico, portanto, não pode ser descartada. O grupo B é muito difícil, principalmente, por contar com Holanda e Chile. Por isso, os holandeses de maior nível não poderão começar de forma claudicante o Mundial, pois, se isso ocorrer, poderá custar pontos e, consequentemente, a classificação.

Goleiros: 23- Tim Krul (Newcastle-ING), 22- Michael Vorm (Swansea-WAL) e 1- Jasper Cillessen (Ajax-HOL);
Defensores: 5- Daley Blind (Ajax-HOL), 7- Daryl Janmaat (Feyenoord-HOL), 2- Ron Vlaar (Aston Villa-ING), 4- Bruno Martins Indi (Feyenoord-HOL), 13- Joel Veltman (Ajax-HOL), 12- Paul Verhaegh (Augsburgo-ALE), 3- Stefan de Vrij (Feyenoord-HOL) e 14- Terence Kongolo (Feyenoord-HOL);
Meias: 10- Wesley Sneijder (Galatasaray-TUR), 16- Jordy Clasie (Feyenoord-HOL), 6- Nigel de Jong (Milan-ITA), 18- Leroy Fer (Norwich-ING), 11- Arjen Robben (Bayern de Munique-ALE), 8- Jonathan De Guzmán (Swansea-WAL) e 20- Georginio Wijnaldum (PSV-HOL);
Atacantes: 9- Robin van Persie (Manchester United-ING), 19- Klaas-Jan Huntelaar (Schalke 04-ALE), 21- Memphis Depay (PSV-HOL), 15- Dirk Kuyt (Fenerbahçe-TUR) e 17- Jeremain Lens (Dinamo Kiev-UCR).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Espanha: Espanha 1x0 Holanda (na prorrogação, final, 2010)
Chile: nunca se enfrentaram
Austrália: nunca se enfrentaram

Calendário de amistosos durante a preparação

17/maio: Holanda 1x1 Equador
31/maio: Holanda 1x0 Gana
4/junho: Holanda 2x0 País de Gales

Chile
Conexão entre Alexis Sánchez e Vidal é fundamental para o sucesso chileno na Copa (EFE)

Técnico: Jorge Sampaoli-ARG

Time-base (3-4-1-2): Bravo; Medel, Albornoz, Jara; Isla, Vidal, Aránguiz, Beausejour; Valdivia; Alexis Sánchez, Vargas.

Craque: Arturo Vidal – Juventus-ITA

Lesionados: Matías Fernández (meia, Fiorentian-ITA) – dores no tornozelo direito.

Participações no Mundial: 9 (terceiro lugar em 1962)

Ranking da Fifa: 14º 

Campanha nas Eliminatórias (16J-9V-1E-6D-29GP-25GC-4SG)
Argentina 4x1 Chile
Chile 4x2 Peru
Uruguai 4x0 Chile
Chile 2x0 Paraguai
Bolívia 0x2 Chile
Venezuela 0x2 Chile
Chile 1x3 Colômbia
Equador 3x1 Chile
Chile 1x2 Argentina
Peru 1x0 Chile
Chile 2x0 Uruguai
Paraguai 1x2 Chile
Chile 3x1 Bolívia
Chile 3x0 Venezuela
Colômbia 3x3 Chile
Chile 2x1 Equador

Após a saída de Marcelo Bielsa, que recolocou os chilenos no mapa do futebol mundial, o país viveu altos e baixos nas eliminatórias, o que ocasionou a saída de Claudio Borghi do comando. Mas, ao final, o Chile virá ao Brasil para participar da segunda Copa consecutiva. Para a classificação, as últimas partidas foram fundamentais, afinal, a Roja conseguiu ficar invicta em seis jogos, sendo cinco vitórias. Após a disputa conturbada das eliminatórias, os chilenos chegam ao Brasil com boas perspectivas, pois venceram recentemente uma das melhores seleções do mundo, a Alemanha.

O responsável pela retomada da esperança no Chile é outro argentino, Jorge Sampaoli, que é discípulo de Marcelo Bielsa. A ligação de ambos faz com que a equipe tenha um pouco do que El Loco havia deixado. O ex-técnico da Universidad de Chile muda muito a equipe taticamente e costuma jogar com três defensores, mas, durante o jogo, definir o esquema tático da roja é complicado. Os dois homens de frente não são centroavante e, muitas vezes, recuam e é Valdívia que se torna o jogador mais avançado. Além disso, também existem alguns movimentos defensivos. Isla é um dos que às vezes se une aos três zagueiros como lateral-direito, o que coloca Jara para a outra lateral, formando uma linha de quatro. Portanto, as mudanças táticas chilenas na Copa do Mundo de 2014 merecerão muito destaque.

A grande estrela é o meia-central Vidal, que parece capaz de fazer tudo em campo: marca, passa, é rápido, é forte fisicamente e ainda faz gols. Porém o meio-campista terá um problema para superar neste Mundial, uma lesão no joelho, que o perseguiu no final da temporada europeia e exigiu uma cirurgia às vésperas da Copa. Mesmo que Vidal não esteja no ápice físico, ele deve ser personagem central da equipe. Mas é importante ressaltar a boa dupla ofensiva formada pelos móveis atacantes Alexis Sánchez e Vargas. Ambos estão jogando bem no futebol espanhol e, desde que foram colocados juntos no time titular de Sampaoli, têm combinado de forma bastante interessante, deixando as defesas adversárias bem confusas.

O problema para o Chile é o grupo B, que conta com as duas seleções finalistas da Copa do Mundo de 2010, Espanha e Holanda. A dupla europeia não chega ao Brasil com os principais jogadores no mesmo nível de quatro anos atrás, mas não deixam de ser fortes concorrentes. A Austrália deve ser coadjuvante no grupo, portanto, para chegar as oitavas de final, a briga será nos jogos contra as duas seleções europeias.

Goleiros: 1- Claudio Bravo (Real Sociedad-ESP), 23- Johnny Herrera (Universidad de Chile-CHI) e 12- Cristopher Toselli (Universidad Católica-CHI);
Defensores: 18- Gonzalo Jara (Nottingham Forest-ING), 4- Mauricio Isla (Juventus-ITA), 3- Miiko Albornoz (Malmö-SUE), 2- Eugenio Mena (Santos-BRA) e 13- José Rojas (Universidad de Chile-CHI);
Meias: 17- Gary Medel (Cardiff City-WAL), 8- Arturo Vidal (Juventus-ITA), 21- Marcelo Díaz (Basel-SUI), 5- Francisco Silva (Osasuna-ESP), 16- Felipe Gutiérrez (Twente-HOL), 6- Carlos Carmona (Atalanta-ITA), 15- Jean Beausejour (Wigan-ING), 20- Charles Aránguiz (Internacional-BRA), 10- Jorge Valdivia (Palmeiras-BRA) e 19- José Pedro Fuenzalida (Colo Colo-CHI);

Atacantes: 7- Alexis Sánchez (Barcelona-ESP), 22- Esteban Paredes (Colo Colo-CHI), Eduardo Vargas (Valencia-ESP), 14- Fabián Orellana (Celta-ESP) e 9- Mauricio Pinilla (Cagliari-ITA).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Espanha: Espanha 2x0 Chile (fase de grupos, 1950) e Espanha 2x1 Chile (fase de grupos, 2010)
Holanda: nunca se enfrentaram
Austrália: Chile 0x0 Austrália (fase de grupos, 1974)

Calendário de amistosos durante a preparação

30/maio: Chile 3x2 Egito
4/junho: Chile 2x0 Irlanda do Norte

Austrália
Tim Cahill segue como principal alternativa de gols para a Austrália (Mark Nolan/Getty Images)

Técnico: Angelos Postecoglu-GRE

Time-base (4-2-3-1): Ryan; Franjic, Spiranovic, Good, Davidson; Jedinak, Milligan; Leckie, Bresciano, Oar; Cahill.

Craque: Michael Jedinak – Crystal Palace-ING

Lesionados: Lucas Neill (lateral-direito, Doncaster Rovers-ING) – dores no tendão de Aquiles, Rhys Williams (zagueiro, Middlesbrough-ING) – ruptura no tendão de Aquiles, Trent Sainsbury (zagueiro, PEC Zwolle-HOL) – fratura na perna esquerda, Chris Herd (meia, Aston Villa-ING) – afastado do futebol por razões pessoais não informadas pelo clube desde março 2014 e Robbie Kruse (meia-atacante, Bayer Leverkusen-ALE) – rompeu o ligamento cruzado do joelho esquerdo.

Participações no Mundial: 4 (oitavas de final em 2006)

Ranking da Fifa: 62º 

Campanha nas Eliminatórias (14J-8V-4E-2D-25GP-12GC-13SG)

Terceira fase:
Austrália 2x1 Tailândia
Arábia Saudita 1x3 Austrália
Austrália 3x0 Omã
Omã 1x0 Austrália
Tailândia 0x1 Austrália
Austrália 4x2 Arábia Saudita

Quarta fase:
Omã 0x0 Austrália
Austrália 1x1 Japão
Jordânia 2x1 Austrália
Iraque 1x2 Austrália
Austrália 2x2 Omã
Japão 1x1 Austrália
Austrália 4x0 Jordânia
Austrália 1x0 Iraque

A Austrália ainda não foi capaz de cortar os laços com a melhor geração da história futebolística do país, que, em 2006, alcançou as oitavas de final. Desde então, bebendo da fonte daquela equipe, os Socceroos estiveram em todos os Mundiais, porém, não conseguiram ultrapassar a primeira fase. No Brasil, a história não promete ser diferente, pois o sorteio foi ingrato e, claro, o plantel não tem o mesmo nível que tinha há oito anos.

O comando é de Ange Postecoglu, ex-defensor grego naturalizado australiano, que defendeu as seleções de base e a principal do país que escolheu para viver. O técnico é velho conhecido da Federação, pois afinal, ficou sete anos à frente da sub-20 australiana (2000-07). O início da caminhada na equipe adulta ocorreu no final de 2013, portanto, não participou da campanha das eliminatórias, quando os Socceroos não tiveram grandes dificuldades para se classificarem ao Brasil.

Dentro do elenco experiente da Austrália, Tim Cahill emerge como principal estrela. O jogador da MLS foi o artilheiro australiano na fase final das eliminatórias, quando marcou os seus três gols na campanha. No meio, está o substituto de Lucas Neill na função de capitão, Jedinak, bom marcador, que será o líder dos Socceroos. Mesmo assumindo o destaque dentro do elenco, a maior parte da turma da velha guarda, não joga mais na Europa, porém, há jogadores mais jovens ganhando espaço no velho continente. Dois sub-23 devem ser titulares na Copa e atuam em Holanda e Alemanha respectivamente, Oar e Leckie, que são alternativas interessantes para o ataque com velocidade pelos flancos.

Porém, mesmo com um elenco recheado de jogadores experientes em copas, a Austrália não vem ao Brasil pensando em atingir a segunda fase. Um grupo difícil como é o B, permite que os Socceroos sonhem com nada além de uma campanha sem sofrer derrotas categóricas, contra adversários, que vêm ao país, pensando em título ou em ir muito longe na disputa.

Goleiros: 12- Mitchell Langerak (Borussia Dortmund-ALE), 1- Matthew Ryan (Club Brugge-BEL) e 18- Eugene Galekovic (Adelaide United-AUS); 
Defensores: 6- Matthew Spiranovic (Western Sydney Wanderers-AUS), 3- Jason Davidson (Heracles Almelo-HOL), 2- Ivan Franjic (Brisbane Roar-AUS), 19- Ryan McGowan (Shandong Luneng Taishan-CHN), 8- Bailey Wright (Preston North End-ING) e 22- Alex Wilkinson (Jeonbuk Hyundai Motors-KOR); 
Meias: 15- Mile Jedinak (Crystal Palace-ING), 11- Tommy Oar (Utrecht-HOL), 23- Mark Bresciano (Al-Gharafa-QAT), 13- Oliver Bozanic (Luzern-SUI), 5- Mark Milligan (Melbourne Victory-AUS), 16- James Holland (Austria Viena-AUT), 17- Matt McKay (Brisbane Roar-AUS), 20- Dario Vidosic (Sion-SUI), 21- Massimo Luongo (Swindon Town-ING) e 14- James Troisi (Melbourne Victory-AUS);
Atacantes: 4- Tim Cahill (New York Red Bulls-EUA), 7- Matthew Leckie (FSV Frankfurt-ALE), 9- Adam Taggart (Newcastle Jets-AUS) e 10- Ben Halloran (Fortuna Dusseldorf-ALE).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Espanha: nunca se enfrentaram
Holanda: nunca se enfrentaram
Chile: Chile 0x0 Austrália (fase de grupos, 1974)

Calendário de amistosos durante a preparação

26/maio: Austrália 1x1 África do Sul
2/junho: Austrália 2x0 Paraná
6/junho: Austrália 0x1 Croácia

Para completar a análise, um podcast com Pierre Andrade, que, por muito tempo comandou o site Futebolespanhol.com.br, e Tauan Ambrosio, repórter do Goal Br, que trabalha com futebol internacional. Confiram o programa:



O vídeo motivacional dos mineiros, citado no podcast, pode ser acessado aqui.