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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Douglas Costa: moderno e antigo

No início na Alemanha, Douglas tem ignorado os marcadores e recebido diversos elogios (AFP)

Ironizado por muitos e desconhecido por tantos outros no Brasil, Douglas Costa chegou ao Bayern de Munique nesta temporada e já chama atenção. O brasileiro não sente o peso da responsabilidade dos 30 milhões de euros investidos em seu futebol e joga o quanto precisa para afastar as desconfianças. 

Douglas Costa é canhoto, extremamente veloz, habilidoso e não tem medo de confrontos um contra um. O brasileiro foi contratado como alternativa ao famoso dueto bávaro, Robery (Robben e Ribéry), principalmente para substituir o francês, que vem sofrendo com constantes lesões. Neste início de 2015-16, o gaúcho já apareceu na ponta direita e na ponta esquerda, mas se destacou mesmo por atuar como um ponta antigo pelo lado canhoto do ataque bávaro. 

Ponta à moda antiga? Sim, pois, ao contrário das atuais referências na posição – Robben, Hazard, Neymar –, Douglas Costa não atua com pé invertido. O canhoto tem chamado mais a atenção jogando pela esquerda e indo ao fundo para cruzar. Uma característica pouco comum ao futebol moderno, mas que dá muito certo no atualizadíssimo Bayern de Munique de Pep Guardiola. Os números refletem esse sucesso: nos primeiros três jogos da Bundesliga, o camisa 11 soma quatro assistência e um gol – lidera a Liga Alemã no primeiro quesito. 

Com cinco participações em gols do Bayern, o gaúcho é responsável direto por 50% dos tentos anotados pela equipe de Munique, nas três partidas iniciais do campeonato. Apenas Thomas Müller, com os cinco gols anotados – três deles marcados após passe de Douglas Costa –, tem importância igual a do brasileiro no ataque bávaro. 

O bom desempenho inicial tem dois motivos óbvios: a qualidade do jogador e a confiança de Pep Guardiola no futebol dele. Dentro das diversas variações do catalão, neste começo de temporada, Douglas Costa como titular é uma das certezas. Isso somado aos ótimos números e ao bom nível de futebol apresentado, garantiram o prêmio de melhor jogador da Bundesliga no mês de agosto. 

Logo após a estreia do brasileiro, Pep Guardiola declarou estar muito feliz com desempenhos do novo camisa 11 dos bávaros. “O Bayern fez uma ótima aquisição com o jovem Douglas Costa. Ele pode jogar tanto pela ponta direita, quanto pela esquerda. Ele tem a visão necessária para ter sucesso jogando centralizado também. Nos próximos dias, ele vai receber um monte de elogios pelo seu desempenho, mas é o nosso trabalho ajudá-lo a permanecer com os pés no chão”. 

A largada em grande estilo na Alemanha mostra ao Brasil que Douglas Costa é excelente opção aos canarinhos. Além disso, com os constantes problemas físicos de Ribéry e Robben (ambos estão fora das próximas partidas), a possibilidade é muito grande de que o bom início se concretize em uma temporada sendo muito relevante no elenco bávaro. A seleção brasileira e Pep Guardiola apostam nisso.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Primeiros passos curtos

 Por razões diferentes, Maicon e Neymar foram os protagonistas do Tour norte-americano da seleção brasileira  (Robert Mayer/USA TODAY Sports)

Desde o início da era Mano Menezes, acompanhar a seleção brasileira é uma tradição para mim. Com isso, tenho um arquivo extenso de estatísticas e observações, que renderam vários textos para o Simplificando Futebol. Nesta sexta-feira, se iniciou a segunda era Dunga e, por isso, nesta semana, mesmo um pouco decepcionado, volto a falar dos Samba Boys. Em julho imaginava que, depois do 7 a 1, poderia ver a seleção em um contexto muito diferente, com mudanças na CBF, na estrutura do futebol brasileiro e na forma de pensar futebol ou, pelo menos, sinalizações de que as coisas estariam mudando. Porém, Dunga e Gilmar Rinaldi, com certeza, não representam o que esperava. Mas vamos lá. 

A reestreia de Dunga teve oito jogadores, que estiveram na Copa de 2014, entre os titulares. Por isso, em campo, não houve uma grande mudança em relação ao time que foi goleado pela Alemanha. O novo técnico escalou a equipe de forma muito semelhante àquela que adotava na Copa de 2010, um 4-2-3-1 torto, em que o ponta-direita, Willian, jogava mais recuado em relação aos outros meias. Uma diferença clara foi o centroavante Tardelli, que não jogou preso dentro da área e se movimentou muito.
 
Selecao Brasileira - Amistoso - 5th September 2014 - Football tactics and formations 

Apesar das mudanças, os canarinhos não mostraram nada muito diferente. O problema crônico da Copa do Mundo foi a saída de bola, que, contra a Colômbia, também foi inefetiva. Nem Luiz Gustavo, nem Ramires, se mostraram capazes de dar esta qualidade no primeiro passe. Os dois volantes brasileiros não têm as mesmas características que grandes nomes da posição, como Pirlo, Xabi Alonso e Schweinsteiger. Luiz Gustavo tem capacidade de chegar ao ataque com imposição física e chuta bem de fora da área, porém peca na parte de criação, no primeiro passe. Ramires é um jogador de movimentação e velocidade, ou seja, também não é um grande passador. 

Além disso, os três meias titulares não têm características claras de armação, Willian, Oscar e Neymar são mais meias-atacantes/pontas. O camisa onze da seleção é o mais próximo de ser um amador clássico no time de Dunga, mas não é um meia de criação e, sim, um jogador de boa chegada na área. Philippe Coutinho, que tem realizado este papel no Liverpool, veio do banco, mas jogou pouco e, por isso, não conseguiu ter tanta influência no jogo verde e amarelo. 

Além da repetição dos problemas antigos, há de se destacar a violência das duas equipes. A quantidade de faltas não foi tão grande, mas a agressividade delas mereceu destaque. O gol decisivo veio em bola parada, que foi assinalada por toque de mão bastante duvidoso. Neymar cobrou com maestria e marcou. Novamente, o camisa dez foi decisivo para uma vitória verde e amarela e, mesmo sendo início de trabalho, preocupa ver o Brasil tão dependente da sua principal estrela. 

Apesar do desempenho mediano na estreia, os jogadores brasileiros tiveram uma folga entre os amistosos. Após o período, o coordenador da CBF, Gilmar Rinaldi, foi a público e comunicou o corte de Maicon, mas não explicou o motivo, levantando as mais variadas hipóteses sobre ocorrido. Ao final, jornalistas do Globoesporte.com, que acompanham a seleção in loco, informaram que o motivo do corte foi um atraso de onze horas na reapresentação. Para o lugar dele, Fabinho, que estava com a seleção sub-21 em Doha, foi chamado e, desta forma, os Samba Boys completaram a passagem pelos Estados Unidos com dois jogadores com idade olímpica, Marquinhos e o lateral-direito. 

 Com esta mudança, o Brasil enfrentou o segundo rival sul-americano com apenas duas alterações: na vaga do cortado Maicon, entrou Fabinho; e David Luiz, que ficou de fora por conta de uma lesão, foi substituído por Marquinhos. Dunga não abriu mão das ideias apresentadas na reestreia à frente da seleção, o 4-2-3-1 torto com falso nove seguiu. A movimentação dos quatro homens mais ofensivos com o apoio de Ramires se repetiu e, mais uma vez, foi o ponto alto da atuação verde e amarela. 

 As trocas de posição constantes entre os meio-campistas e o atacante confundiam os adversários e davam uma dinâmica muito interessante ao setor ofensivo brasileiro. Porém, parece que ainda falta mais treino para que os movimentos sejam mais integrados e que produzam chances mais claras de gols. Pois, mesmo se mexendo bem, a seleção chutou pouco e não assustou tanto o bom goleiro Domínguez. A defesa, quando exigida, se portou bem e Miranda mostrou o mesmo nível altíssimo que apresenta desde a última temporada no Atlético de Madrid. 

Assim como no jogo frente aos colombianos, o gol brasileiro veio em lance de bola parada, porém, desta vez, não foi apenas a qualidade de Neymar que brilhou. Oscar bateu curto para o dez verde e amarelo, que, de primeira, jogou a bola na área, onde Willian apareceu libre para marcar o 1 a 0. Surpreende a ótima jogada, afinal, atualmente as seleções treinam muito pouco e o trabalho de Dunga foi recém-iniciado. Apresentar uma jogada ensaiada é um ponto bastante positivo, a torcida é para que isso continue nas próximas partidas, com novas jogadas trabalhadas, que podem ser um diferencial interessante desta nova seleção brasileira. 

No segundo tempo, com Ricardo Goulart, Everton Ribeiro e Philippe Coutinho nos lugares de Willian, Oscar e Tardelli, a movimentação foi ainda mais interessante. Neymar assumiu o centro do ataque e foi muito acionado nos contra-ataques. Mas, apesar de mais e melhores oportunidades terem sido criadas, o segundo gol não saiu. O capitão e principal jogador brasileiro perdeu um gol incrível, sob às traves. O Equador também atacou mais e esteve muito perto do empate, Filipe Luís salvou uma bola em cima da linha. 

Portanto, a volta de Dunga trouxe duas vitórias por placar mínimo e futebol, no máximo, nota sete. Alguns problemas se repetiram e, o maior deles, a dificuldade na saída de bola pelo centro do campo, não mudou nada. Mas há de se destacar algumas atuações individuais. A linha defensiva funcionou bem e, nos dois amistosos, Filipe Luís mostrou que está à frente de Marcelo na disputa pela vaga, mas deve se concentrar em ganhar a vaga no clube, onde iniciou como reserva. Outro que brilhou pelo Atlético 2013-14, Miranda, também largou bem na nova fase dos canarinhos. Não para deixar de falar de Neymar, pois segue em nível altíssimo e largou a era Dunga com um gol e uma assistência – na seleção principal já são 36 gols e 24 assistências. 

No lado negativo, existe um jogador que merece ser falado de forma especial. O atacante Diego Tardelli não agradou tanto. O jogador do Atlético Mineiro cumpriu em partes o que se espera de um falso nove, pois se mexeu bastante, abriu espaços e, até, ajudou na recomposição, deixando Neymar muitas vezes mais solto à frente. Mas ficou devendo na participação com a bola e na finalização nas poucas oportunidades que teve. Tardelli pode até melhorar nas partidas que virão, mas imagino que outro nome será testado – poderia ser o Roberto Firmino, do Hoffeheim – nos próximos amistosos. Nos dias 11 e 14 de outubro, os canarinhos enfrentam a Argentina e Japão, na Ásia, quando espero ver melhorias no jogo brasileiro.

domingo, 17 de agosto de 2014

O meia-armador da Seleção

Coutinho (à esquerda) e Sterling (à direita) terão papel mais preponderante no Liverpool, sem Suárez (no meio), na primeira partida da EPL, o inglês assumiu sua responsabilidade e decidiu (Alex Livesey/Getty Images)

“Sua habilidade para sair de situações difíceis e sua visão de jogo são incríveis. Ele foi fantástico, é um operário incrível, simplesmente mágico”. Com essas palavras, o técnico do Liverpool, Brendan Rodgers descreveu o seu camisa dez, Philippe Coutinho, após o 4 a 0 aplicado sobre o Borussia Dortmund, em amistoso de pré-temporada. No período de férias o comandante deixou uma missão para o brasileiro: ver DVDs de Valderrama, Valerón, Rui Costa e Francescoli, quatro jogadores da posição e que atuaram em ótimo nível. 

Pelas declarações iniciais do técnico, o jovem cumpriu a tarefa de férias e voltou ainda melhor. Na primeira partida do Liverpool pela Premier League, o camisa dez foi o meia-atacante, no 4-2-3-1 montado por Brendan Rodgers. Porém, o difícil debute frente ao Southampton, não teve o melhor de Philippe Coutinho. O carioca participou pouco, conseguiu apenas dois passes importantes e completou só três dribles, mas segue prestigiado pelo comandante. Sem o melhor do camisa dez, os Reds tiveram muitas dificuldades. 

O Southampton, também em um 4-2-3-1, teve a estréia do ponta-esquerda Tadic, que, com habilidade e velocidade, incomodou muito outro debutante, o lateral-direito Manquillo. O Liverpool saiu na frente com o ótimo Sterling, aproveitando lançamento maravilhoso de Henderson, que, no mesmo lance, recuperou a bola e fez a assistência. Jogando melhor, os Saints só não igualaram a partida rapidamente, porque Mignolet e o Skrtel se comportaram muito bem. Mas a igualdade veio. O melhor da equipe visitante fez passe de letra e deixou o lateral-direito Clyne livre para igualar. 

Brendan Rodgers colocou Lambert no lugar de Coutinho e passou a jogar no 4-3-1-2, com o recém-contratado fazendo dupla de ataque com Sturridge e Sterling atuando na armação. Sem controlar o totalmente as ações da partida, os Reds conseguiram o 2 a 1, após muitas bolas cruzadas na área. De cabeça, o autor do primeiro gol assistiu Sturridge, que, na pequena área, só empurrou às redes. Jogando melhor, faltou muito pouco para o Southampton sair com o empate, novamente, Mignolet evitou. 

Mesmo tendo vendido muitos destaques da última temporada – receberam 119,53 M € por cinco jogadores –, com Ronald Koeman e gastando “apenas” 58,2 M € em contratações, os Saints devem continuar incomodando muito os grandes. Por isso, a vitória, mesmo com muitas dificuldades, mostra um Liverpool forte para a disputa da Premier League e, o melhor de tudo, Sterling já começou a temporada em nível altíssimo. 

Voltando a vestir verde e amarelo 

No Mundial Sub-20 2011, Philippe Coutinho teve algum destaque, principalmente, na primeira fase, quando marcou todos os seus três gols na disputa (Fernando Llano/AP Photo)

Nesta terça-feira, Dunga faz a primeira convocação desta nova passagem pela Canarinho e, apesar da primeira atuação na temporada ter sido ruim, Philippe Coutinho tem que estar lá. O jogador do Liverpool tem tudo para ser o meia criativo e com visão de jogo apurada, que, desde que Ganso surgiu e não conseguiu se firmar, a seleção brasileira procura. No rastro do paraense, o camisa dez dos Reds foi testado e convocado por Mano Menezes, mas não se firmou. 

A guinada na carreira ocorreu mo meio da temporada 2012-13, quando o Liverpool desembolsou 10 M € – pechincha para os valores do mercado atual – e trouxe o novo camisa dez, que, na Internazionale nunca teve o destaque merecido. Agora, Philippe Coutinho tem tudo para ser um dos importantes pilares jovens da nova trajetória dos Samba Boys. Alternando criatividade, habilidade e velocidade, com muita disposição para ajudar o time e disciplina tática, o carioca traz características de jogo, que poucos brasileiros têm atualmente, por isso, merece a oportunidade na verde e amarelo. 

Com muita confiança de Brendan Rodgers e bem adaptado na Inglaterra, Philippe Coutinho deve, mais uma vez, realizar boa temporada pelos Reds. Desta forma, deve se confirmar no elenco da equipe nacional e com boas chances de se firmar entre os onze iniciais da nova era Dunga.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Pensar no futuro

 
Sete da comissão técnica se uniram para falar após o massacre por 7 a 1, mas não admitiram os erros do trabalho brasileiro (Ricardo Stuckert/CBF)

O Brasil perdeu, mas, principalmente, este modelo de futebol atrasado foi goleado. Ao demitir Mano Menezes, quando parecia que ele estava se acertando, a Confederação Brasileira de Futebol optou pela contratação de dois escudos, o técnico Luiz Felipe Scolari e o coordenador Carlos Alberto Parreira. A dupla havia comandado os dois últimos títulos mundiais da seleção brasileira, portanto, a CBF estaria fazendo tudo que é possível para vencer a Copa no Brasil. 

Antes da Copa das Confederações, apesar de muitas ressalvas, fiz um texto afirmando que aquele time poderia dar certo. Mesmo com o título e a grande atuação frente à Espanha, não foi uma trajetória linear e sem problemas. Os Canarinhos viveram altos e baixos e, muitas vezes, foram dependentes de chutões, jogadas individuais e da marcação pressão, que viveu o auge na final, mas não foi presente em toda a trajetória. Sem participação do meio-campo na criação das jogadas e, com momentos de problemas nas demais estratégias, o Brasil mostrou claramente seus problemas. 

A maior parte das falhas de um ano atrás foram repetidas durante o Mundial 2014 e foram potencializadas pela ótima exibição da Alemanha. Os doze meses não conseguiram solucionar os problemas. Mesmo sem se reunir muito, quando esteve junta, como na Copa do Mundo, o Brasil foi acusado de ter treinado e trabalhado pouco. A comissão técnica defendia a necessidade de descanso entre as partidas, algo que deve ser pensado mesmo. Porém, ao compararmos com outras seleções, vemos que isto não foi comum. A Holanda, após a batalha contra Costa Rica, em que só conseguiram vencer Keylor Navas, nos pênaltis, retornou ao Rio de Janeiro, não treinou de manhã, mas à tarde os jogadores foram para o campo. 

A ilusão de que estava tudo certo, não acabou com o 7 a 1, em que a Alemanha dominou amplamente o Brasil. Um dia após a derrota, Parreira e Felipão deram uma entrevista coletiva, na Granja Comary. Constrangimento resume o atendimento à imprensa, que teve momentos excepcionais do Coordenador Técnico da seleção, apoiado pelo comandante do time. “Não houve um erro. Tudo foi perfeito. Só não funcionou o resultado contra a Alemanha”. E, claro, amenizar a responsabilidade do pratão também ocorreu, o campeão Mundial de 1994 destacou que “a CBF não forma jogadores”. A Federação alemã de Futebol (DFP) forma. 

O exemplo alemão 


Alemanha campeã europeia sub-21 2009 cedeu seis jogadores para o título de 2014, todos eles titulares: Neuer, Boateng, Hummels, Höwedes, Khedira e Özil (Getty Images)

A matéria do Jornal inglês The Guardian, em maio de 2013, mostra o que acontece na Alemanha, pois este trabalho não chama atenção apenas no Brasil. O programa de desenvolvimento de talentos da DFB nasceu em 2003, com o objetivo de identificar futuros jogadores e, desde cedo, trabalhar as habilidades e o conhecimento tático neles. O resultado é visto na prática, pois, nos últimos anos, a Alemanha voltou a figurar entre as principais potencias do futebol mundial. 

 Sobre este trabalho de base, fiz um texto depois da Copa de 2010, tentando prever a Nationalelf para 2014. Mais da metade dos 23 convocados para o Brasil foram citados no texto. O bom índice de acerto não é mérito do blogueiro, tem muita relação com a continuidade do trabalho de Joachim Löw e o bom aproveitamento dos talentos da base. Seis campeões europeus sub-21, em 2009, vieram ao Brasil, na verdade, oito, pois Dejagah e Fabian Johnson também estiveram no Mundial, mas defendendo Irã e Estados Unidos, respectivamente. 

O diretor esportivo da Federação, Robin Dutt, que está no cargo desde agosto de 2012, explica que ajudar os clubes na formação de jogadores é ponto central desta evolução e é uma relação positiva para os dois lados. “Se nós ajudamos os clubes, eles nos ajudam, pois os atletas das nossas seleções – de base ou da equipe de Joachim Löw – vêm dos times”. Um exemplo da parceria é a obrigação dos clubes de 1ª e 2ª divisão, que têm que ter academias para formar jovens, com disputa a partir dos 12 anos. Para atingir o objetivo da norma, a DFB auxiliou financeiramente na montagem desta estrutura de base. 

Mas investir apenas na base não é a única contribuição da DFB ao futebol. Como apresentado no Linha de Passe, da ESPN Brasil, do dia 10 de julho, a Alemanha trabalhou para fortalecer a liga local. Ajudar o desenvolvimento dos jovens é um passo para isso. Por isso, hoje, a Bundesliga é uma das principais do planeta e isto contribuiu para o crescimento da Nationalelf. Portanto, há a necessidade de um trabalho mais complexo, não apenas investimento em um setor. 

Brasil quer se mexer? 

Jornalistas esportivos e, depois, o Bom Senso Futebol Clube por duas vezes foram recebidos pela presidência da república. Porém, até aqui, nada foi feito na prática (Roberto Stuckert Filho)

Ao contrário do que é realizado na Alemanha e, em outros países, onde o sucesso ainda não veio, o futebol brasileiro não parece querer evoluir. A CBF está deitada em berço esplêndido e recusa iniciativas para trabalhar o esporte no país. Parece que modernizar o que é feito aqui não é do interesse da entidade. Com o sucesso em campo, conquistado através do talento dos jogadores, que seguem surgindo aqui, nada ou muito pouco foi realizado para repensar o futebol, afinal, não era necessário, pois vencíamos.

O comando da CBF é o mesmo desde 1989, quando Ricardo Teixeira assumiu a presidência, durante o governo de José Sarney (PMDB). O domínio do ex-genro do ex-presidente da FIFA, João Havelange, portanto, resistiu aos presidentes Fernando Collor (PRN), Itamar Franco (PRN), Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Não citei Dilma Rousseff, pois foi no atual governo que Ricardo Teixeira se foi. Após muita pressão de mídia, população e do setor político, Ricardo Teixeira saiu, mas não mudou muita coisa. 

O sucessor foi o antigo apoiador da ditadura e vice-presidente mais velho da CBF, José Maria Marin, filiado ao PTB e com extensa carreira na política. Portanto, o perfil do comandante que pouco se importa com o futuro do futebol seguiu. O próximo presidente da entidade já está definido e será Marco Polo Del Nero, atual vice-presidente. Mesmo cuidando de algo de interesse público, a entidade é privada, por isso, em teoria, o governo não poderia intervir nela. Mas, como revelou Juca Kfouri, o STF já tem decisão que mostra o contrário. 

Portanto, interferir no comando da CBF é possível e, pelas recentes declarações de Dilma e do ministro do Esporte Aldo Rebelo (PC do B), este é o interesse do atual governo. Antes da Copa, a presidente recebeu uma série de jornalistas esportivos e disse que o grande legado do Mundial 2014 seria a melhoria do futebol praticado no Brasil. Na ocasião, ficou prometida uma reunião entre o Palácio do Planalto e o movimento Bom Senso Futebol Clube. Desde então, já foram duas conversas com o grupo de jogadores, que também tem especialistas em diversas áreas (administração, direito e etc), e a impressão de que uma participação do estado no comando do futebol brasileiro está próxima de acontecer. 

Por falar nisso, o BSFC é uma grande iniciativa de craques brasileiros que visam a melhoria do futebol como um todo, não só na elite. Porém, a blindagem da CBF impede que as ideias do grupo sejam trabalhadas para serem postas em prática. Um calendário mais justo, emprego por mais tempo para os jogadores fora das principais divisões, horários melhores para prática do futebol e a exigência do fair play financeiro para os clubes (como ocorre na Alemanha). Com estas medidas, com certeza, teríamos uma melhora sensível no futebol brasileiro: mais organização que refletiria em melhores desempenhos em campo e públicos maiores nos campeonatos locais, algo raro hoje. 

Esta sinalização governamental de intervenção na administradora do futebol brasileiro e, ao mesmo tempo, a conversa com o Bom Senso mostra consciência da necessidade de mudanças. Se elas forem as indicadas pelos jogadores, que não são ouvidos pela CBF, pode ser um caminho interessante para a modernização do atrasado futebol brasileiro. Porém falta deixar de ser vontade e se tornar uma prática. 

Voltando para dentro de campo 

Os Canarinhos, com Mano Menezes, pareciam ter um técnico que dialogava melhor com o que era realizado no futebol europeu, porém os resultados não vieram. Não custa lembrar que, na Copa América 2011, o Brasil caiu nas quartas de final e, em nenhum momento, conseguiu convencer. Na reta final do trabalho, como já dito, os Samba Boys melhoraram, mas novamente, a CBF influenciou negativamente o que é realizado dentro de campo, buscando uma dupla ultrapassada – e com nome – para comandar a equipe. 

Além das boas ideias, que, na reta final, estavam dando resultado. No período de Mano Menezes, algo muito interessante aconteceu na seleção e, se as mudanças aparecerem, pode virar uma marca dos Samba Boys. Como o repórter e colunista do site Terra, Dassler Marques escreveu, no antigo Olho Tático, de André Rocha, no Globoesporte.com, a seleção chegou a ter um esquema tático unificado do sub-17 ao time principal. 

A Bélgica, depois de duas copas fora, veio ao Brasil e chegou com bastante badalação, tendo a unificação do esquema tático como um dos pilares desta renovação, mas principalmente, a linearidade da forma de pensar futebol. Como Dassler escreveu no post sobre o Brasil, jogar no mesmo sistema não é o ponto centrale, sim, ter a mesma mentalidade. Pois assim, não limitamos o jogador da base a cumprir apenas uma função, mas, desde o princípio, fica claro o estilo de futebol que o jovem irá encontrar quando passar a atuar entre os adultos. Afinal, o objetivo de times e seleções de base é preparar os atletas para os times principais. 

A falácia da fraca geração brasileira 

O brasileiro do Hoffenheim, Roberto Firmino teve ótimos números na Europa e nem foi testado. Nenhum jogador verde e amarelo fez, em 37 jogos, 22 gols e 16 assistências.  (Alex Grimm)

Uma das justificativas utilizadas por mídia e comissão técnica, para o insucesso dos Canarinhos, é que a atual geração de jogadores verde e amarela é fraca. Para mim, uma grande mentira. Thiago Silva, Marcelo e Neymar são futebolistas da elite do futebol mundial. Além deles, Júlio César, Maicon e Daniel Alves já fizeram parte do grupo de maiores craques do planeta. Portanto, apenas seis jogadores que podem – ou já puderam – ser considerados especiais Mas, a maior parte dos outros convocados, estão ou estiveram em grandes clubes e jogaram em alto nível, no futebol europeu. Um ou outro jogador, talvez Jô e Henrique ainda não tiveram – e nem deverão ter – um momento de futebolista top mundial. 

Além do elenco de 23 escolhidos para representar o Brasil em casa, vários jogadores de bom nível ficaram de fora, por exemplo, Diego Alves, Rafinha, Miranda, Alex, Filipe Luís, Lucas Leiva, Felipe Melo, Fernando Reges, Diego Ribas, Philippe Coutinho, Lucas Moura, Roberto Firmino e Jonas. E é bom lembrar, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho, Nilmar, Luís Fabiano e Adriano são integrantes da geração 2014, poderiam tranquilamente estarem presentes no Mundial disputado em casa, mas, por escolhas erradas e queda de nível, o sexteto não chegou à disputa. 

Entre os convocados para a Copa e os outros citados, muitos poderão estar em 2018 e serão mesclados com outros jogadores jovens que já começaram a se destacar. Três bons goleiros estão na Serie A da Itália, Gabriel (Milan), Rafael Cabral (Napoli) e Neto (Fiorentina). Na defesa, Danilo (Porto), Rafael (Manchester United), Juan Jesus (Internazionale), Dória (Botafogo), Marquinhos (PSG), Alex Telles (Galatasaray), Wendell (Bayer Leverkusen) Alex Sandro (Porto). No meio, Fernando (Shakhtar Donetsk), Casemiro (Real Madrid), Rômulo (Spartak Moscou), Lucas Silva (Cruzeiro), Fred (Shakhtar Donetsk), Rafinha (Barcelona), Paulo Henrique Ganso (São Paulo) e Douglas Costa (Shakhtar Donetsk). No ataque, Lucas Piazon (Chelsea), Wellington Nem (Shakhtar Donetsk) e Gabriel Barbosa (Santos). Tantos outros podiam ter citados, mas, para mim, vendo de hoje, esses são os destaques para o futuro mais próximo dos Samba Boys. 

Pode ser que nem todos os citados consigam chegar a – ou retomar – um nível altíssimo de futebol, mas está claro que há talento e muitos deles já tiveram passagens pela seleção. Esses atletas mais jovens, se forem bem trabalhados e mesclados com alguns dos atuais jogadores, poderão trazer bons frutos para o Brasil. Alguns, inclusive, têm idade para disputar os Jogos Olímpicos de 2016, em casa. E, com a saída de membros do grupo de 2014, muitos deles devem ter espaço durante toda a preparação. 

Portanto, dizer que o Brasil não produz mais tantos craques, pode até ser verdade (muito por culpa de fatores organizacionais), mas afirmar que o talento por aqui acabou é uma grande mentira. O caminho para voltar a brigar pela hegemonia do futebol é longo e, para isso, escolher um bom comandante é um dos primeiros passos a ser dado. 

Quem poderá liderar? 

Nos últimos anos, ninguém se destacou tanto como Tite. O ex-técnico do Corinthians mostra conhecimento tático e entendimento do que se faz no mundo, como conceito de futebol. Depois de encerrar a trajetória vitoriosa na equipe paulistana, o gaúcho foi presença constante em jogos de Liga dos Campeões e campeonatos europeus. Apesar de ótimo trabalho, Tite não se acomodou e foi atrás de mais informações para melhorar. Por isso, seria a minha escolha como figura central deste novo ciclo. 

Porém, com a atual cúpula da CBF, parece improvável a escolha de uma pessoa atualizada e que possa tomar as rédeas de todo o trabalho da seleção brasileira. Como o comentarista da ESPN Brasil, Mauro Cezar Pereira falou: “se for para eles ficarem (dirigentes da CBF), que seja como uma rainha da Inglaterra, que tem gente abaixo com o controle das ações a serem tomadas”. É bom deixar claro, nem eu, nem o MCP queremos que essa turma siga no comando. 

Mas, por mais que não façam nada pela melhora dos Canarinhos e, muito menos, pelo futebol verde e amarelo em geral, os dirigentes não mostram interesse em abrir mão do protagonismo do comando dos Samba Boys. Portanto, há claramente um nome para o novo ciclo. Porém, com o contexto atual, pode vir qualquer grande treinador do futebol mundial que não dará certo. Por isso, a intervenção na Confederação Brasileira de Futebol e a implementação das ideias do Bom Senso Futebol Clube é o caminho e se mostra urgente. 

Palpite dos 23 

Para finalizar, aquele chute clássico, que muitos jornais e sites ousam fazer: quem serão os 23 convocados da Copa do Mundo da Rússia? Goleiros: Diego Alves, Neto e Rafael Cabral. Laterais-direitos: Danilo e Rafael. Zagueiros: David Luiz, Thiago Silva, Marquinhos e Juan Jesus. Laterais-esquerdos: Marcelo e Alex Sandro. Volantes: Fernando Reges, Casemiro e Paulinho. Meias e Meias-atacantes: Lucas Moura, Oscar, Neymar, Roberto Firmino, Philippe Coutinho, Rafinha e Paulo Henrique Ganso. Atacantes: Lucas Piazon e Gabiel Barbosa.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Copa do Mundo – Dia 28

Massacre alemão e humilhação verde e amarela

 Kroos foi a estrela do jogo, mas foi a atuação coletiva que liderou a Alemanha ao 7 a 1 (Jamie McDonald/Getty Images)

Alemanha e Brasil seria um jogo equilibrado, provavelmente, com um ligeiro favoritismo dos europeus. Sem os dois principais jogadores verde e amarelos, Thiago Silva e Neymar, a força alemã se destacava mais. Porém, dentro das quatro linhas, o ligeiro se tornou imenso e, ao final, foi constrangedor para os Samba Boys. Para substituir o craque, Luiz Felipe Scolari surpreendeu e colocou Bernard entre os onze iniciais, como ponta-direita no 4-2-3-1. Do outro lado, de certa forma, Joachim Löw surpreendeu e colocou em campo o 4-3-3, pois colocou Klose como centroavante. O esquema da Mannschaft também pode ser visto por um 4-1-4-1, pois Schweinsteiger fica mais preso, com Kroos e Khedira tendo liberdade para apoiar à frente. 

Assim, no Mineirão, a Alemanha protagonizou um recital, um massacre mesmo. O meio-campo foi a área do massacre, os cinco europeus controlaram totalmente o quinteto verde e amarelo, que, muitas vezes, tinha apenas três jogadores, pois Hulk e Bernard não conseguiram colaborar com a marcação. Mas, o primeiro gol da Nationalelf, não veio com vitória no meio-campo. Um escanteio, conseguido após um contra-ataque foi bem batido por Kroos. Depois da falha grosseira da zaga, Thomas Müller apareceu livre e marcou. Dos 22 aos 28 minutos, um massacre completo. 

Com pressão alta, superioridade numérica em todas as disputas de bola e um jogo muito vertical (chegou a ter menos posse de bola que o Brasil), a Alemanha marcou quatro vezes, no período. Khedira era uma das chaves deste jogo, marcava muito à frente e parecia pronto para fazer a composição defensiva, caso fosse necessário. O resultado é que os Canarinhos só utilizavam a alternativa do chutão e, assim, a redonda logo voltava aos alemães, que conseguiam construir o jogo, com um jogo bem direto, diferente daquilo que havia apresentado nas partidas anteriores. 

Klose quebrou o recorde de Ronaldo, o craque de jogo e um dos melhores alemães na Copa, Kroos fez dois e Khedira marcou o quinto. O Brasil estava no chão, não havia reação, a técnica alemã venceu. A Mannschaft caminharia para a final e os Samba Boys estavam próximo da pior derrota em copas. Luiz Felipe Scolari tentou igualar o jogo: sacou Fernandinho e Hulk, ambos em dia péssimo, e colocou Ramires e Paulinho. Por outro lado, claramente os alemães desaceleraram. 

Por isso, o Brasil chegou a viver bons momentos. Mas aí, uma qualidade da Nationalelf, que ainda não havia sido necessária, apareceu. Um dos ótimos goleiros deste Mundial Neuer fez algumas boas defesas e evitou que os verde e amarelos marcassem dois gols, logo no reinício da partida. Se o ritmo dos titulares já não era o mesmo, Schürrle entrou no lugar de Klose, que deixou o campo com o recorde e sob aplausos, e veio para cravar os últimos golpes na seleção de Luiz Felipe Scolari. 

As defesas de Neuer deixaram o Brasil mais entregue. A posse passou a ser controlada pela Alemanha, que, além de ter o controle territorial, buscava mais gols. Ao final da partida, Schweinsteiger afirmou: “Mas eu gostaria de me desculpar com o Brasil. Não esperávamos um placar desses. Tentamos ser respeitosos jogando futebol e fazendo gols. Para nós essa Copa é um sonho. Estamos gostando muito do povo brasileiro, e queria dizer que a seleção brasileira fez grande papel no torneio”. O que foi falado por um dos líderes do grupo, Schürrle mostrou na prática e marcou outras duas vezes. 7 a 0. 

Oscar fez aquilo que chamamos de gol de honra, mas não trouxe nenhuma horna. 7 a 1 e nada mais a declarar. Uma grande atuação alemã frente à uma apática seleção brasileira, que precisa se reinventar, neste sentido, prometo um texto bem completo em breve. Provavelmente, após a Copa. Para a Alemanha, que não vinha massacrando, a vitória categórica na semifinal apresenta a força da equipe para ganhar o tetra, depois de 24 anos. Do outro lado, seja Holanda ou Argentina, o favoritismo será da Nationalelf, porém, mais uma vez, o jogo se apresentará como um grande desafio, que pode se tornar algo fácil, como aconteceu contra o Brasil, graças à qualidade do grupo de Löw.

sábado, 5 de julho de 2014

Copa do Mundo – Dia 23

Venceu bem

O craque do Mundial vai embora com as lágrimas, e, o melhor da partida, o consola e avança (Laurence Griffiths/Getty Images)

Desde o princípio, chamou a atenção a inatividade de Carlos Velasco Carballo, que parecia proibido de distribuir cartões. Brasileiros e colombianos aproveitaram esta espécie de autorização e fizeram um jogo bastante físico. Em muitos momentos, os jogadores chegaram a extrapolar, beirando à violência. Um exemplo claro foi Fernandinho, que chegou a fazer faltas duras seguidamente e não viu nem o amarelo.

Em campo, os Samba Boys vieram com algumas diferenças. O 4-2-3-1 se aproximou de um 4-1-4-1, tendo Fernandinho como 1° volante e, à frente, Oscar, Paulinho (por conta da suspensão de Luiz Gustavo, voltou ao time), Neymar e Hulk – os dois últimos jogando mais próximos do centroavante Fred. Além disso, Luiz Felipe Scolari surpreendeu positivamente, sacando Daniel Alves e colocando Maicon. José Pékerman manteve o 4-2-3-1, mas optou por Ibarbo como ponta-esquerda, tendo James pelo centro e Cuadrado pela direita. Na volância, Guarín entrou no lugar de Aguilar, portanto, os cafeteros deixaram de ter dois volantes de mais marcação, buscando ter mais posse de bola e mais domínio do meio-campo.

Com as mudanças e o crescimento do desempenho dos jogadores, os Samba Boys cresceram, passaram a ter melhor saída de bola, pois os laterais, a dupla de volantes e até os meias ajudaram mais neste trabalho. O Brasil também conseguiu pressionar a saída de bola, prejudicando o jogo colombiano. Além da marcação alta, outra característica da Copa das Confederações apareceu: o gol no início. Aos seis minutos, Thiago Silva completou escanteio de Neymar e, de coxa, abriu o placar.

A Colômbia tentou equilibrar o jogo, mas esbarrava na forte marcação no craque James Rodríguez e na fraca exibição de Cuadrado, por isso, Júlio César não era incomodado. A dupla de zaga também tinha responsabilidade nisso, pois impediam as chegadas na área e também bloqueavam os chutes, quando os cafeteros conseguiam finalizar. No outro lado do campo, Hulk, mais uma vez, muito ativo, assustava o goleiro Ospina, porém o segundo gol não vinha.

Vendo o adversário controlando o jogo, Pékerman mexeu: sacou Ibarbo e colocou Adrián Ramos, com mais liberdade para ser atacante. O argentino formou um 4-2-2-2, em que o novo jogador do Dortmund tinha espaço para flutuar atrás de Teó Gutiérrez. Com a mexida, os cafeteros passaram a dominar o jogo, a queda da atuação do meio-campo verde e amarelo também colaborou com a mudança no perfil da partida. Mas, como os números mostram, a pontaria não foi o forte da Colômbia na partida. De onze finalizações, apenas uma foi no alvo, desempenho fraco.

No pior momento da partida, o Brasil conseguiu o segundo gol. Em outra bola parada, David Luiz finalmente conseguiu o primeiro dele de falta com a camisa verde e amarela. Apesar do 2 a 0, o craque da Copa do Mundo, James Rodríguez seguiu tentando e, em um dos raros momentos de liberdade, conseguiu descobrir Bacca (ótimo nove, subutilizado no Mundial) livre dentro da área. Júlio César cometeu o pênalti e, na cobrança, o dez cafetero fez o sexto gol dele na competição (artilheiro). Teoricamente, haveria tempo para a virada, porém, o Brasil passou a dominar o jogo e esfriou o ímpeto colombiano.

O 2 a 1 proporcionou mais uma grande cena do Mundial 2014. Com o apito final, James Rodríguez desabou a chorar, mas não ficou desamparado. Em pouco tempo, os brasileiros Daniel Alves, Marcelo e, principalmente, David Luiz consolaram o dez rival. Na entrevista pós-jogo, o jogador do Monaco, aos prantos, afirmou: “chorei, pois sei que deixamos tudo em campo, mas não foi possível”. Nesta tarde e noite, seria difícil vencer o Brasil, que fez a melhor partida na Copa do Mundo.  

A grande ausência

Neymar deixa o campo chorando, ali já dava para imaginar a gravidade da lesão, que, ao final, afastou o craque da Copa do Mundo (Getty Images)

A alegria ao final do jogo se transformou em temor. Primeiro, durante a partida, o capitão Thiago Silva levou o segundo amarelo, em lance bobo, e está fora do jogo contra a Alemanha. Dentro do elenco brasileiro, Dante parece bem capacitado para substituir o camisa três, apesar de não ser fácil entrar no lugar do melhor zagueiro do mundo. Mas a diferença de nível entre o titular e o reserva não é tão grande como a do outro desfalque verde e amarelo.

Quase no final da partida, em lance no campo defensivo, Neymar tomou uma joelhada nas costas. Zuniga chegou muito duro, em jogada totalmente desnecessária. Após o golpe, o dez brasileiro caiu no chão e não se levantou mais. O árbitro não fez nada, nem cartão o lateral colombiano levou. Ney saiu de maca das quatro linhas e chorando muito. Aos poucos, as notícias foram chegando e a tensão atingindo níveis altos.

Do ambulatório do Arena Castelão, Neymar foi para uma clínica particular e, neste local, foi constada uma lesão séria, em uma vértebra da coluna. Desta forma, além de ficar fora da semifinal, como Felipão imaginou na coletiva pós-jogo, o camisa dez não jogará mais a Copa do Mundo 2014. O grande sonho do garoto de disputar e vencer o Mundial no próprio país, quando estava tão perto, acabou.

Até terça-feira, Luiz Felipe Scolari e toda a comissão técnica vão trabalhar muito para substituir a grande referência técnica verde e amarela. Se no talento Neymar é insubstituível no Brasil, vale destacar que, na fase final da Copa, o camisa dez não brilhou. Por isso, os canarinhos conseguiram não depender tanto do craque, que teve atuações mais apagadas, mostrando que a seleção não é apenas o principal jogador. Portanto, há vida sem Ney.

A adversária

 Palmas para Hummels, muito bem na defesa e o autor do gol decisivo (Martin Rose/Getty Images)

Como previsto, o Maracanã viu um jogo muito equilibrado, entre Alemanha e França. A Nationalmannschaft trouxe novidades para a partida: Lahm na lateral e Klose (abaixo dos demais fisicamente) como centroavante. Assim, Löw manteve o 4-3-3, mas teve o time mais próximo daquele que vinha sendo trabalhado durante todo o período entre copas do mundo, principalmente, quando observamos a forma de jogar. Por isso, a aposta forte é na manutenção da trinca de meias, com Khedira, Schweinsteiger e Kroos, tendo Özil e Müller abertos. A mudança que deve ocorrer é a provável escalação Schürrle, deixando Klose como opção para o segundo tempo.

Sobre o jogo, o Rio de Janeiro viu a vitória, por 1 a 0, com o gol do zagueiro Hummels, que, além de marcar de cabeça, conseguiu fazer um ótimo trabalho defensivo. Esta exigência ao jogador do Dortmund foi reflexo da produção dos franceses, que não foi tão grande como em outras partidas, porém capaz de assustar os alemães. Neuer foi exigido várias vezes e fez boas defesas, as que mais chamaram a atenção foram realizadas com uma mão só.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Copa do Mundo – Dia 21

Mais um dia sem Copa e, desta vez, serão dois. Por isso, aproveitarei esta quarta-feira para pensar no jogo do Brasil, na próxima fase. Partida que promete equilíbrio, afinal, os verde e amarelos não atingiram seu ápice, enquanto a Colômbia é tida como uma das principais seleções do Mundial. 

Brasil 

 Apesar da atuação ruim, o Brasil chegou às quartas de final e, depois da disputa de pênaltis, sobrou emoção (Quinn Rooney/Getty Images)

Sem jogar bem, o Brasil chegou à esta fase, baseado em bons desempenhos individuais de Júlio César (nos pênaltis, contra o Chile), David Luiz, Thiago Silva, Luiz Gustavo (suspenso, fará para marcar os adversários) e, principalmente, Neymar. Luiz Felipe Scolari opta pelo 4-2-3-1 e fornece muita liberdade de movimentação ao trio de meias, que, além do craque da seleção, tem Hulk e Oscar pelos flancos. Porém, se os três trocam muito de posição durante o jogo, a bola não tem chegado ao trio. Os Sambas Boys têm um problema crônico: a dificuldade na saída pelo chão e, por isso, o uso excessivo dos lançamentos longos pelos zagueiros e Luiz Gustavo. 

O problema, que é evidente e persiste pelos quatros jogos, ainda não teve solução. Para vencer a Colômbia, o treinador terá que trazer uma resposta a isso. Os laterais, tidos como pontos fortes dos canarinhos, não vêm bem e uma evolução do desempenho da dupla (seja Daniel e Marcelo ou Maicon e Marcelo) será importante para dar alternativas a esta saída pelo chão. Mas o ponto central para a evolução, se encontra na volância. Sem Luiz Gustavo, o Brasil deve ter Fernandinho e Paulinho, ambos já foram titulares como 2° volantes, mas nenhum dos dois conseguir facilitar o início das jogadas do meio. Jogar sem um jogador posicional, neste setor, pode ser a solução circunstancial contra a Colômbia. Mas contar com os laterais em melhor nível e Oscar participando, como fez contra a Croácia, na estreia, parece ser o mais importante. 

Colômbia 

 Cuadrado e James Rodríguez: o Brasil e qualquer um que enfrentar a Colômbia deverá prestar atenção na dupla (Adam Pretty/Getty Images)

Antes da Copa, não havia quem não falasse da força cafetera, mas, com a lesão de Falcao García, as dúvidas entraram em campo. No Mundial, a ausência da principal estrela tem sido esquecida, James Rodríguez e Cuadrado tem conseguido suprir esta falta, criando e marcando os gols para a Colômbia. Os bons desempenhos da equipe têm muito do trabalho do técnico, o argentino José Perkerman. Durante a caminhada para a Copa do Mundo, ora com dois atacantes, ora com o 4-2-3-1 ou 4-1-4-1, os Cafeteros apenas mostraram força. No Brasil, o comandante fixou a equipe no esquema da moda: Teó Gutiérrez é o nove; mais atrás, estão Cuadrado à direita, James Rodríguez no centro e Ibarbo à esquerda; e, na volância, dois jogadores mais presos, Carlos Sánchez e Abel Aguilar. 

Com a nova configuração do meio para frente, a Colômbia tem conseguido ter uma defesa relativamente segura. Nisso, o goleiro Ospina tem bastante importância, pois é um dos bons nomes da posição, no Mundial, e a dupla de zaga Yepes e Zapata também vai muito bem. Mas o destaque é mesmo o ataque e tem relação com o esquema também. Com muitos jogadores dispostos a trabalhar para as estrelas, James e Cuadrado têm total liberdade para agir. Ambos aproveitam bem isso e tem números impressionantes. O camisa dez é o craque e artilheiro da Copa e tem cinco gols e duas assistências. O ponta-direita é o líder em passes decisivos, com quatro e ainda balançou as redes uma vez. Porém, os cafeteros também tem problemas no ataque, Pekerman tem insistido em Teó Gutiérrez, que marcou apenas uma vez, enquanto, no banco, está Jackson Martínez, que joga em nível mais alto e já tem dois gols na Copa. Em um jogo, que promete tanto equilíbrio, tem um centroavante um pouco pior pode ser a diferença entre seguir na competição e voltar para casa.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Simplificando Futebol na Copa - Grupo A

Brasil
Thiago Silva é o capitão e Neymar é o craque, uma Copa em alto nível da dupla poderá garantir o hexa ao Brasil (Getty Images)

Técnico: Luiz Felipe Scolari-BRA

Time-base (4-2-3-1): Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz, Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho; Hulk, Oscar, Neymar; Fred.

Craque: Neymar Junior – Barcelona-ESP

Lesionados: Nenhum

Participações no Mundial: Todas as 20 (pentacampeão em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002)

Ranking da Fifa: 3º

Campanha nas Eliminatórias

País-sede, não participou.

O Brasil tem um time. Após a derrota para Holanda, em 2010, Dunga saiu e veio Mano Menezes, mas o técnico não conseguiu ficar no cargo até a Copa. No final de 2012, quando o seu time começava a se acertar, foi demitido e o presidente da CBF, José Maria Marin optou por colocar no cargo o último campeão do mundo com os canarinhos, Luiz Felipe Scolari, com Carlos Alberto Parreira na retaguarda. Ao longo da Copa das Confederações 2013, o país viveu uma onda de protestos, mas a seleção foi poupada e, com muito apoio nas arquibancadas, venceu a competição FIFA, jogando muito bem na final, contra a forte Espanha.

Para ganhar a Copa das Confederações, Felipão não desprezou todo o trabalho do ex-comandante verde e amarelo: manteve o 4-2-3-1 (com variações para o 4-4-1-1, com Neymar atrás de Fred) e aproveitou de vários jogadores. Porém, realizou mudanças: priorizou o uso de centroavantes clássicos e volantes de mais marcação. Além de dar confiança, segundo o treinador, os protestos contra a Copa das Confederações, em Fortaleza, definiram a nova “família Scolari” – na convocação para o Mundial, repetiu 16 dos convocados para a competição anterior.

O Brasil tem destaques em todas as posições. A defesa é uma das mais elogiadas do mundo e, apesar dos laterais apoiarem muito, a dupla de volantes Luiz Gustavo e Paulinho tem ótima integração e fecha bem os setores. O setor ofensivo tem Hulk, Oscar e Neymar compondo a linha de três meias e o trio funciona bem, com muita movimentação e características complementares. Mais à frente, está Fred, que, se conseguir participar do jogo sem a bola, será um dos centroavantes interessantes da Copa do Mundo. Mas o grande destaque verde e amarelo é Neymar. O camisa dez é o artilheiro (13) e líder em assistências (10) da Era Felipão – já havia sido na Era Mano Menezes.

Jogando em casa e com um grupo acessível (não confunda com fácil), o Brasil deve alcançar a segunda fase sem grandes problemas. Mas, a partir daí, a disputa ficará mais acirrada, porém, com o bom time e com uma etapa inicial ideal para ganhar confiança, os canarinhos chegam entre os principais favoritos. Para confirmar este favoritismo alguns pontos são chaves: a defesa terá manter a solidez, Neymar jogar em alto nível e Fred ajudar também sem a bola.

Goleiros: 12- Júlio César (Toronto FC-CAN), 1- Jefferson (Botafogo-BRA) e 22- Victor (Atlético Mineiro-BRA);
Defensores: 2- Daniel Alves (Barcelona-ESP), 23- Maicon (Roma-ITA), 6- Marcelo (Real Madrid-ESP), 14- Maxwell (Paris Saint-Germain-FRA), 3- Thiago Silva (Paris Saint-Germain-FRA), 13- Dante (Bayern de Munique-ALE), 4- David Luiz (Chelsea-ING) e 15- Henrique (Napoli-ITA);
Meias: 17- Luiz Gustavo (Wolfsburgo-ALE), 8- Paulinho (Tottenham-ING), 16- Ramires (Chelsea-ING), 5- Fernandinho (Manchester City-ING), 11- Oscar (Chelsea-ING), 19- Willian (Chelsea-ING), 18- Hernanes (Internazionale-ITA) e 20- Bernard (Shakhtar Donetsk-UCR);
Atacantes: 10- Neymar (Barcelona-ESP), 9- Fred (Fluminense-BRA), 7- Hulk (Zenit-RUS) e 21- Jô (Atlético Mineiro-BRA).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Croácia: Brasil 1x0 Croácia (fase de grupos, 2006)
México: Brasil 4x0 México (fase de grupos, 1950), Brasil 5x0 México (fase de grupos, 1954) e Brasil 2x0 México (fase de grupos, 1962)
Camarões: Camarões 0x3 Brasil (fase de grupos, 1994)

Calendário de amistosos durante a preparação
3/junho: Brasil 4x0 Panamá
6/junho: Brasil 1x0 Sérvia

Croácia
Rakitc e Modric são os motores do meio-campo croata, que terá que municiar o ótimo centroavante Mandzukic (Goran Stanzl/Pixsell)

Técnico: Niko Kovac-CRO

Time-base (4-2-3-1): Pletikosa; Srna, Corluka, Lovren, Pranjić; Modric, Rakitic; Olic, Kovacic, Peresic; Mandzukic.

Craque: Luka Modric – Real Madrid-ESP



Lesionados: Ivan Strinic (lateral-esquerdo, Dnipro-UCR) – ruptura no tendão do tornozelo, Mate Males (volante, Rijeka-CRO) – lesão no tornozelo, Ivan Mocinic (Rijeka-CRO) – lesão no tornozelo, Niko Kranjcar (meia, Queens Parks-Rangers-ING) – lesão nos ligamentos da coxa e Ivo Ilicevic (meia, Hamburgo-ALE) – lesão muscular nas duas pernas.

Participações no Mundial: 4 (terceiro lugar em 1998)

Ranking da Fifa: 18º 

Campanha nas Eliminatórias (12J-6V-3E-3D-14GP-9GC-5SG)
Croácia 1x0 Macedônia
Bélgica 1x1 Croácia
Macedônia 1x2 Croácia
Croácia 2x0 País de Gales
Croácia 2x0 Sérvia
País de Gales 1x2 Croácia
Croácia 0x1 Escócia
Sérvia 1x1 Croácia
Croácia 1x2 Bélgica
Escócia 2x0 Croácia
Repescagem europeia:
Islândia 0x0 Croácia
Croácia 2x0 Islândia

A Croácia teve dificuldades para se classificar ao Mundial de 2014, mas após uma disputa ausente, está de volta. O difícil grupo nas eliminatórias com bons adversários, como a Bélgica, Escócia, País de Gales e a arquirrival Sérvia, justifica o grande trabalho que os croatas tiveram para chegar à Copa. Os Vatreni não venceram nenhuma das últimas quatro partidas da primeira fase e quase ficaram fora da repescagem, porém a boa largada garantiu à Croácia a participação nos jogos decisivos. Contra a Islândia, apesar da dificuldade, os croatas garantiram a classificação com a vitória por 2 a 0 em casa.

O ex-jogador Niko Kovac assumiu a seleção após o final de eliminatórias ruim da equipe, mas já estava na federação desde o início de 2013, quando comandava a seleção sub-21. Com Kovac, a seleção passou pela repescagem e virá ao Mundial. O treinador opta por um 4-2-3-1 bastante ofensivo, pois não tem nenhum 1º volante na composição do meio-campo da equipe. A ideia de priorizar a qualidade no manejo da bola explica a opção. Ademais de não ter um volante mais marcador no meio, Kovac conta com o esforço dos jogadores mais avançados na marcação e com uma boa linha defensiva, destacando os bons níveis do zagueiro Lovren e do lateral-direito e capitão Srna.

O talentoso meio-campo supracitado começa com Modric e Rakitic, como volantes. A dupla que atua na Liga Espanhola vem de ótima temporada, ambos estão jogando em altíssimo nível. O problema é que Rakitic tem jogado mais avançado no Sevilla e, talvez, tenha dificuldade para jogar como volante, o que até poderá proporcionar uma troca de posição com o jovem Kovacic, que atua centralizado mais à frente. Além do ótimo passador interista, a linha de três tem o bom ponta Peresic e o atacante Olic. O trio dá suporte ao ótimo centroavante Mandzukic, que além de balançar as redes, consegue ajudar na pressão da saída de bola adversária e assistir para gols de companheiros.

Não há dúvida que, depois de ficar ausente em 2010, a Croácia chega com chances de fazer uma boa campanha no Brasil. Afinal, o grupo A tem os anfitriões como claros favoritos e os europeus como segunda força. Mas, México e Camarões não podem ser totalmente desprezados da briga pela vaga, por isso, os Vatreni deverão ter atenção total contra esses adversários, para não serem surpreendidos e conseguirem alcançar as oitavas de final.

Goleiros: 1- Stipe Pletikosa (Rostov-RUS), 23- Danijel Subasic (Monaco-FRA) e 12- Oliver Zelenika (NK Lokomotiva-CRO);
Defensores: 11- Darijo Srna (Shakhtar Donetsk-UCR), 6- Dejan Lovren (Southampton-ING), 5- Vedran Corluka (Lokomotiv Moscou-RUS), 13- Gordon Schildenfeld (Panathinaikos-GRE), 3- Danijel Pranjić (Panathinaikos-GRE), 21- Domagoj Vida (Dinamo Kiev-UCR) e 2- Šime Vrsaljko (Genoa-ITA);
Meias: 10- Luka Modric (Real Madrid-ESP), 7- Ivan Rakitic (Sevilla-ESP), 8- Ognjen Vukojevic (Dinamo Kiev-UCR), 4- Ivan Perisic (Wolfsburgo-ALE), 20- Mateo Kovacic (Internazionale-ITA), 14- Marcelo Brozović (Dinamo Zagreb-CRO), 15- Milan Badelj (Hamburgo-ALE) e 19- Sammir (Getafe-ESP);
Atacantes: 17- Mario Mandzukic (Bayern de Munique-ALE), 18- Ivica Olic (Wolfsburgo-ALE), 22- Eduardo da Silva (Shakhtar-UCR), 9- Nikica Jelavic (Hull City-ING) e 16- Ante Rebic (Fiorentina-ITA).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Brasil: Brasil 1x0 Croácia (fase de grupos, 2006)
México: Croácia 0x1 México (fase de grupos, 2002)
Camarões: nunca se enfrentaram

Calendário de amistosos durante a preparação

31/maio: Croácia 2x1 Mali
6/junho: Croácia 1x0 Austrália

México
Oribe e Gio se conhecem do título olímpico e, na Copa do Mundo, formarão dupla novamente (EFE)

Técnico: Miguel Herrera-MEX

Time-base (3-4-1-2): Ochoa; Reyes, Rafa Márquez, Héctor Moreno; Aguilar, Medina, Peña, Guardado; Giovani dos Santos; Oribe Peralta e Javier Hernández.

Craque: Guillermo Ochoa – Ajaccio-FRA

Lesionados: Juan Carlos Medina (meia, América-MEX) – lesão ântero-lateral no tornozelo direito e Luis Montes (meia, León-MEX) – fratura na perna direita.

Participações no Mundial: 14 (quartas de final em 1970 e 1986)

Ranking da Fifa: 20º 

Campanha nas Eliminatórias (18J-8V-5E-3D-22GP-11GC-11SG)

Terceira fase:
México 3x1 Guiana
El Salvador 1x2 México
Costa Rica 0x2 México
México 1x0 Costa Rica
Guiana 0x5 México
México 2x0 El Salvador

Quarta fase:
México 0x0 Jamaica
Honduras 2x2 México
México 0x0 Estados Unidos
Jamaica 0x1 México
Panamá 0x0 México
México 0x0 Costa Rica
México 1x2 Honduras
Estados Unidos 2x0 México
México 2x1 Panamá
Costa Rica 2x1 México

Repescagem
México 5x1 Nova Zelândia
Nova Zelândia 2x4 México

Desorganizada, a seleção mexicana deixou de ser a mais forte das Américas Central e do Norte e, na Copa Ouro disputa em 2013, perdeu nas semifinais para o Panamá. Além disso, desde que caiu nas oitavas de final da última Copa do Mundo, seis técnicos a comandaram – sendo quatro deles só em 2013. Não por acaso, a classificação para o Brasil só veio na repescagem. Porém não só de fracassos vive o futebol mexicano, com investimento sério na base, El Tri chegou ao inédito ouro olímpico em 2012. Para o Mundial, o atual comandante Miguel Herrera convocou oito campeões em Londres, que venceram o Brasil.

A classificação apertada parece ter ensinado e o técnico Miguel Herrera, que levou o time ao Mundial sem jogadores que atuavam na Europa, não deixou totalmente de lado esta filosofia. São apenas sete atletas do velho mundo e Vela, que vai muito bem na Real Sociedad, foi deixado de lado para não prejudicar o grupo. Outra mudança importante do comandante ocorreu na parte tática. Acostumada a jogar na frente, agora, El Tri adota uma postura mais defensiva, muitas vezes atuando com cinco defensores. Para a Copa, acredito que Herrera flexibilize um pouco o esquema, poderia abrir mão do 3-1-4-2 e adotar o 3-4-1-2, dando espaço para os europeus, que poderão acrescentar bastante à verde.

A defesa contará com um dos melhores goleiros da última Ligue 1, Ochoa. Além do seguro arqueiro, o experiente Rafa Márquez deve ser o responsável por comandar a linha defensiva mexicana. Outro ponto forte do onze inicial de Herrera pode ser o lado esquerdo, pois Guardado, recém-convertido em lateral-esquerdo, poderá aproveitar a segurança dos três zagueiros e apoiar bastante. Na frente, para dar espaço a Javier Hernández, Gio dos Santos poderá ser escalado como meia-atacante, com bastante liberdade para chegar ao ataque. Mas, como Chicharito é reserva no United, durante a Copa, o jogador mais famoso poderá perder a vaga e El Tri ganhar mais solidez defensiva. Além deles, o setor ofensivo deve ter o bom Oribe Peralta (autor de cinco gols contra a Nova Zelândia), que vem marcando gols no Campeonato Mexicano e que foi vice-artilheiro das eliminatórias da CONCACAF, com dez gols.

A grande dúvida para a Copa é como se integrarão ao grupo estes jogadores europeus e que não participaram dos jogos que garantiram a equipe no Mundial. Como já descrito aqui, o bom desempenho deles será fundamental para El Tri ter alguma chance de classificação. Apesar de Herrera afirmar que “o México chegará às quartas”, até mesmo passar à segunda fase parece improvável, neste contexto do grupo A.

Goleiros: 12- Jesús Corona (Cruz Azul-MEX), 1- Guillermo Ochoa (Ajaccio-FRA) e 23- Alfredo Talavera (Toluca-MEX);
Defensores: 4- Rafael Márquez (León-MEX), 13- Diego Reyes (Porto-POR), 15- Héctor Moreno (Espanyol-ESP), 22- Paul Aguilar (América-MEX), 7- Miguel Layún (América-MEX), 3- Carlos Salcido (Tigres-MEX), 2- Francisco Maza Rodríguez (América-MEX), 16- Miguel Ponce (Toluca-MEX) e 18- Andrés Guardado (Bayer Leverkusen-ALE);
Meias: 5- José Juan Vázquez (León-MEX), 6- Héctor Herrera (Porto-POR), 17- Carlos Peña (León-MEX), 8- Marco Fabián (Cruz Azul-MEX), 20- Javier Aquino (Villarreal-ESP) e 21- Isaac Brizuela (Toluca-MEX);
Atacantes: 19- Oribe Peralta (Santos Laguna-MEX), 14- Javier Hernández (Manchester United-ING), 9- Raúl Jiménez (América-MEX), 11- Alan Pulido (Tigres-MEX) e 10- Giovani dos Santos (Villarreal-ESP).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Brasil: Brasil 4x0 México (fase de grupos, 1950), Brasil 5x0 México (fase de grupos, 1954) e Brasil 2x0 México (fase de grupos, 1962)
Croácia: Croácia 0x1 México (fase de grupos, 2002)
Camarões: nunca se enfrentaram

Calendário de amistosos durante a preparação

28/maio: México 3x0 Israel
31/maio: México 3x1 Equador
3/junho: México 1x0 Bósnia
6/junho: México 1x0 Portugal

Camarões
Eto'o é o craque dos camaroneses, que esperam não repetir a péssima campanha da Copa de 2010 (Getty Images)

Técnico: Volker Finke-ALE

Time-base (4-1-4-1): Itandje; M’Bia, N’Koulou, Chedjou, Bedimo; Song; Choupo Moting, Makoun, Enoh, Eto’o; Webo.

Craque: Samuel Eto’o – Chelsea-ING

Lesionados: Nenhum

Participações no Mundial: 7 (quartas de final em 1990)

Ranking da Fifa: 56º 

Campanha nas Eliminatórias (8J-5V-2E-1D-12GP-4GC-8SG)

Segunda fase:
Camarões 1x0 República Democrática do Congo
Líbia 2x1 Camarões
Camarões 2x1 Togo
Togo 0x3 Camarões (originalmente, o jogo foi 2 a 0 para Togo, que, por ter escalado um jogador irregularmente, perdeu a vitória para os camaroneses)
República Democrática do Congo 0x0 Camarões
Camarões 1x0 Líbia

Terceira fase:
Tunísia 0x0 Camarões
Camarões 4x1 Tunísia

Depois de ficar ausente em 2006, Camarões participou da Copa de 2010 e também virá ao Brasil em 2014. E, ao contrário do que ocorreu há quatro anos, quando saíram sem vencer da competição, os Leões Indomáveis têm esperança de chegar à segunda fase. Porém, a passagem pelas eliminatórias africanas não foi tranquila e quase veio a eliminação. Nas partidas decisivas, contra a Tunísia, o 4 a 1, no jogo em casa, garantiu a vaga. Ainda no período entre copas, os camaroneses tiveram quatro comandantes e não conseguiram a classificação para as duas copas de nações africanas disputadas em 2012 e 2013. E, claro, como não poderia ser diferente em Camarões, muitos problemas internos e confusões, com Eto’o no protagonismo.

Para o Mundial, o técnico será Volker Finke, que assumiu o comando em 2013 e conduziu o time na reta final das eliminatórias. Algumas vezes com ele, Camarões não teve muita criatividade, chegando a jogar em um 4-3-1-2, com o volante Makoun sendo o homem mais avançado da linha média. Mas, nos últimos jogos, Finke escolheu um 4-1-4-1, com Eto’o aberto pela esquerda. Desta forma, o camisa nove pode contribuir não só com os gols, mas também com a criação de jogadas, que é o grande problema camaronês. Nas eliminatórias, os Leões Indomáveis marcaram 12 gols (três deles conquistados no tribunal) em oito jogos e, em cinco partidas, ou marcou apenas uma vez ou não anotou.

O melhor jogador da história do país, Samuel Eto’o, mesmo aos 33 anos, segue como principal esperança dos Leões Indomáveis. O capitão da equipe já teve problemas com o treinador e com o grupo, chegando a anunciar a retirada do futebol internacional. Mas, no final, esteve em campo e acabou saudado pelos companheiros. Além do camisa nove, que é a grande alternativa ofensiva camaronesa, a equipe tem um bom sistema defensivo. A dupla de zaga Chedjou e N’Koulou vêm jogando em alto nível há um bom tempo e o setor de marcação do meio-campo é onde Camarões tem mais opções válidas: Makoun, Song, M’Bia (que poderá jogar na lateral), Enoh e Matip.

Por isso, para alcançar a segunda fase, os Leões Indomáveis se apoiarão muito na boa defesa e, claro, contar com um Eto’o inspirado. O grupo A parece acessível, mas Camarões não larga como favorito à vaga, este posto é ocupado por Brasil e Croácia. Mas os africanos têm condição de surpreender neste Mundial, que poderá ser o último de Eto’o jogando em alto nível.

Goleiros: 16- Charles Itandje (Konyaspor-TUR), 23- Sammy Ndjock (Fethiyespor-TUR) e 1- Loic Feudjou (Coton Sport-CMR);
Defensores: 22- Allan Nyom (Granada-ESP), 5- Danny Nounkeu (Besiktas-TUR), 4- Cedric Djeugoue (Coton Sport-CMR), 14- Aurelien Chedjou (Galatasaray-TUR), 3- Nicolas N’Koulou (Olympique Marsella-FRA), 12- Henri Bedimo (Olympique Lyon-FRA) e 2- Benoit Assou-Ekotto (Queens Park Rangers-ING);
Meias: 6- Alex Song (Barcelona-ESP), Stephane 17- M’Bia (Sevilla-ESP),18-  Eyong Enoh (Antalyaspor-TUR), 11- Jean Makoun (Rennes-FRA), 21- Joel Matip (Schalke 04-ALE), 7- Landry N’Guemo (Bordeaux-FRA) e 20- Edgar Salli (Lens-FRA);

Atacantes: 9- Samuel Eto’o (Chelsea-ING), 13- Maxin Choupo-Moting (Mainz 05-ALE), 8- Benjamin Moukandjo (Nancy-FRA), 10- Vincent Aboubakar (Lorient-FRA), 15- Pierre Webo (Fenerbahçe-TUR) e 19- Fabrice Olinga (Zulte-Waregem-BEL).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Brasil: Camarões 0x3 Brasil (fase de grupos, 1994)
Croácia: nunca se enfrentaram
México: nunca se enfrentaram

Calendário de amistosos durante a preparação

26/maio: Camarões 2x0 Macedônia
29/maio: Camarões 1x2 Paraguai
1/junho: Camarões 2x2 Alemanha
7/junho: Camarões 1x0 Moldávia

Para completar a análise, um podcast com Pierre Andrade, que, por muito tempo comandou o site Futebolespanhol.com.br, e Tauan Ambrosio, repórter do Goal Br, que trabalha com futebol internacional. Confiram o programa, que claro, contou com muita análise do futebol da seleção brasileira: