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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Uma das chaves de Berlim

Andrea Pirlo: mesmo longe dos melhores dias, o camisa 21 será ponto chave na final em Berlim (La Presse)

“Quando ele me disse que estava contratado pela Juventus, a primeira coisa que pensei foi: ‘Deus existe’. Um jogador do seu nível e habilidade e, ainda por cima, sem custos. Foi a contratação do século”. A frase é do goleiro Buffon e o jogador que mereceu tal referência, Andrea Pirlo. Mesmo sem ser aquele dos primeiros anos de Vecchia Signora, o camisa 21 será uma das chaves da final da Liga dos Campeões 2014-15, entre Juventus e Barcelona, que será disputada neste sábado, dia 6 de junho, no Olympiastadion, em Berlim.

Durante a coletiva de imprensa realizada na terça-feira (02/06), o técnico do Barcelona Luis Enrique teve uma de suas frases destacadas pelos diários catalães. “Tenho interesse que Pirlo não jogue muito”. A fala chama atenção, porque Pirlo tem a sua pior temporada desde que chegou aos bianconeri. Confiram os números abaixo:

Temporada
Partidas
Minutos em campo
Gols
Assistências
2011-12
41
3.675
3
14
2012-13
45
3.922
5
11
2013-14
45
3.706
6
8
2014-15
32
2.571
5
5

Por que Luis Enrique se preocupa tanto com Pirlo? A resposta é simples: no 4-3-1-2 que Allegri costuma escalar a Juventus, o camisa 21 segue sendo peça chave na saída da equipe para o jogo. Ele é o responsável pelo primeiro passe que faz a bola chegar com mais qualidade aos outros meias – Marchisio, Pogba e Vidal – e também ao craque da equipe, Carlos Tévez.

Sem o meia-central na saída de bola, a Juventus mudaria um pouco a sua forma de atuar. Os bianconeri teriam que utilizar mais o passe longo de Bonucci e alternativas pelos flancos: Lichtsteiner e Evra, o que resultaria em menos qualidade. E, claro, além disso, Marchisio, Pogba e Vidal teriam que participar do jogo mais próximo à defesa e a equipe perderia a chegada do trio ao ataque. Portanto, nos dois casos, a Vecchia Signora teria seu poderio ofensivo diminuído.

Pelas declarações, o técnico blaugrana sabe exatamente o risco que corre, caso o camisa 21 adversário tenha a liberdade que deseja para jogar. Mas, para marcá-lo, Luis Enrique terá que fazer escolhas. Trazer um dos meias para acompanhar Pirlo individualmente não parece a melhor alternativa, pois, para qualquer um deles – ou Busquets ou Rakitic ou Iniesta –, ir marcar tão à frente resultará em espaços às costas para Pogba, Marchisio e Vidal jogarem. Essa tranquilidade aos demais meio-campistas da Juventus também não faz parte dos planos de Lucho.

Por isso, a alternativa mais clara é de exigir um esforço defensivo um pouco maior do trio de ataque. Juntos, Messi, Suárez e Neymar, marcaram 120 gols em 59 partidas, números impressionantes. Porém, além de querer que eles balancem as redes defendidas por Buffon, Luis Enrique precisará da participação dos três na defesa. Cada um deles terá que dar um pouco a mais, para atrapalhar a saída de bola bianconera, protagonizada por Pirlo.

Por conta de tudo isso, creio que o resultado da final de sábado passará muito pela produção de Andrea Pirlo.

Podcast – Resenha VAVEL
Falei de outros aspectos da partida decisiva, no podcast do portal VAVEL Brasil. O convite foi feito pelo amigo Felipe Ferreira, e eu participei do programa ao lado do amigo de Quattro Tratti, Murillo Moret, blogueiro da Juventus no ESPN FC, para falar sobre a partida.


Confiram abaixo o podcast que gravamos sobre a decisão:

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Prévia da Premier League 2014-15

O milionário Manchester City ganhou a Premier League 2013-14 e, para esta temporada, vem ainda mais forte (Getty Images)

A principal liga de futebol do mundo, a English Premier League começa no próximo final de semana e promete ser ainda mais interessante que a temporada anterior. Por isso, neste espaço, faremos uma prévia tática dos cinco principais candidatos ao título, que trazem coisas novas para a disputa de 2014-15. As possibilidades de Manchester City (1°), Liverpool (2°), Chelsea (3°), Arsenal (4°) e Manchester United (7°) serão apresentadas aqui, na ordem inversa à classificação da última temporada. 

Manchester United 

Depois do péssimo desempenho sob a batuta de David Moyes, o Manchester United entra com algumas novidade interessantes para a temporada, se desprendendo do estilo Alex Ferguson. A principal delas está no banco de reservas, o melhor técnico da Copa de 2014, Louis van Gaal. Com o holandês, os red devils devem emular o sistema da oranje no Mundial, um 3-4-1-2, com muita liberdade para o trio ofensivo. No mesmo esquema, Van Persie rendeu bem pelo seu país; Rooney costuma atuar melhor quando joga mais solto; e, desde que chegou à Inglaterra, Mata tem mostrado o máximo, quando é escalado pelo centro. Portanto, para o trio ofensivo, a mudança aparenta trazer apenas benefícios.

Manchester United - Van Gaal 2014-15 - Football tactics and formations
   
Outro setor que chama a atenção no novo desenho do United são as alas, em que devem jogar Valência pela direita e o recém-contratado Shaw pela esquerda. Dois jogadores de boa chegada e que, com a proteção de três zagueiros, deverão aparecer bastante na fase ofensiva do jogo. O equatoriano foi testado na função durante a pré-temporada e trouxe variação aos red devils, pois, com as subidas dele, muitas vezes o time ficou no 4-2-3-1, com Rooney jogando um pouco mais aberto. Mas é sempre bom lembrar que, com Ferguson, Valencia foi utilizado como lateral em linha de quatro, portanto, se adaptar na ala (principalmente, nas questões defensivas) não será tão difícil. Mesmo assim, o elenco do United dá a possibilidade de usar Rafael, lateral de origem, na função - opção mais defensiva. 

Ander Herrera terá papel central no novo Manchester United de Louis van Gaal (Manchester United)

Quem terá papel central no jogo dos red devils é o novo contratado Ander Herrera, que era alvo desde a temporada passada e chegou por 36 M €. O basco será o responsável pela saída de bola do time, alternando passes curtos e longos, e dando dinâmica à meia-cancha da equipe. A dúvida fica por conta de seu acompanhante no centro do campo, o sonho do United é Vidal, mas, por enquanto, a realidade é Carrick ou Fletcher, dois jogadores que não estão nos melhores momentos da carreira. 

Para completar, o grande problema da equipe, a defesa, que, até por isso, pode ser muito beneficiada do esquema. Pois, com três zagueiros e quatro meias, a proteção ao bom goleiro De Gea deve melhorar. Mesmo assim, com as saídas de Ferdinand e Vidic, que já não estavam no melhor nível, Van Gaal sentirá falta de um zagueiro mais experiente para liderar o novo sistema defensivo. Como o mercado ainda está aberto, há a expectativa que o Manchester United ainda possa trazer este jogador, que não existe no plantel.

Arsenal  

Nove anos depois, o Arsenal voltou a ser campeão da FA Cup e começou esta temporada com a conquista da Community Shield. Além disso, reforçou o elenco e só perdeu jogadores que não eram centrais ao time, ao contrário do que havia ocorrido em temporadas anteriores. Com mais de 77 M € investidos, Arsene Wenger surpreendeu e trouxe Alexis Sánchez, Calum Chambers, Mathieu Debuchy e David Ospina.  

Mas não foi apenas ao abrir o bolso que o técnico francês surpreendeu. Na Supercopa da Inglaterra, o 3 a 0 foi conquistado com um esquema diferente do 4-2-3-1 habitual do comandante. Wenger escalou a equipe no 4-1-4-1 e os jogadores responderam mostrando àquilo que o técnico queria: contra-ataques velozes, troca de passes e a boa chegada dos dois meias-centrais, Wilshere e Ramsey à área. Alexis Sánchez estreou muito bem pela ponta-direita e fez parceria interessante com o novo lateral-direito gunner, Debuchy. Por conta de bom desempenho pelo lado e porque Groud, mais uma vez, marcou, a possibilidade de utilizar o chileno como centroavante deve ser deixada de lado como plano inicial da temporada.  

 Arsenal - Football tactics and formations  

A boa atuação dos gunners não traz apenas soluções ao técnico Arsene Wenger, pois o 3 a 0 foi construído sem a presença da contratação mais cara da história do clube, Özil e com bom atuação do substituto, Santi Cazorla. Apesar disso, a Copa do Mundo traz alento ao treinador, pois, no Mundial, o camisa onze do Arsenal atuou bem partindo ponta-esquerda, justamente o espaço que o espanhol ocupou bem na primeira partida oficial da temporada. Mesmo sem jogar no posicionamento habitual, pelo centro, Özil mostrou que pode ser relevante jogando aberto. Se Santi Cazorla aceitar o banco de reservas, o problema que Wenger teria, pode se tornar uma ótima alternativa de jogo. O espanhol entrando durante as partidas pode mudar esquema, formando um 4-2-3-1, por exemplo, ou, em ausências de Özil, ser ótimo dublê do camisa onze alemão.  

Com o setor ofensivo bem definido, o foco do Arsenal neste final de mercado de transferências deve ser a defesa. No 4-1-4-1, Arteta, que foi recentemente convertido como capitão da equipe, deverá ser o volante mais fixo. O movimento de entregar a faixa ao espanhol mostra a confiança do técnico na situação física dele (uma grande dúvida antes do início de 2014-15), por isso, com o apoio de Ramsey e Wilshere deve dar segurança à defesa. A dupla de zaga deverá ser composta por Mertesacker e Koscielny, porém há a necessidade da contratação de um zagueiro para ser o reserva imediato da dupla, apesar de que Nacho Monreal e Chambers têm condições de atuarem por aquele setor.

Chelsea  

Nas últimas temporadas, independentemente do time que assumia, Mourinho colocava em prática um 4-2-3-1. O técnico luso ficou conhecido e consagrado como um dos grandes executores do sistema da moda. Porém, na primeira passagem pelo Chelsea, o Special One utilizava um 4-3-3, com Makelele mais fixo e Essien e, principalmente, Lampard com mais liberdade para chegar ao trio ofensivo.  

As contratações realizadas por Roman Abramovich permitem que o técnico luso volte ao esquema utilizado na temporada 2004-05. De qualquer forma, o elenco segue permitindo que os blues sejam escalados no 4-2-3-1, sem grandes mudanças nos onze iniciais de 2013-14. Uma dupla de volantes com Matic e Fàbregas, com Willian, Oscar e Hazard à frente não seria ruim e pode ser bastante viável para o decorrer da temporada. Mas, desde o início, imagino José Mourinho tentando colocar o 4-3-3 em ação.
  
Chelsea - Football tactics and formationsChelsea - Football tactics and formations  


No 4-3-3, Oscar perderia a vaga no time titular, mas os blues ganhariam defensivamente com a presença de três volantes no meio. O trio formado por Matic, Ramires e Fàbregas tem as características muito valorizadas atualmente: todos sabem marcar e atacar. O espanhol é bom passador e um perigo próximo à área, Ramires traz infiltrações e velocidade e Matic, o melhor marcador do trio, é muito forte, tem bom primeiro passe e alguma habilidade. Além do bom triângulo no meio, o 4-3-3 daria liberdade para Willian e Hazard ficarem mais focados na fase ofensiva do jogo, ao lado do centroavante Diego Costa. O recém-contratado agrega bastante ao elenco blue e deve garantir gols.  

A defesa, que já não preocupava, ainda ganhou um bom reforço na lateral-esquerda, posição que o elenco era mais frágil. Filipe Luís deve garantir boa marcação e interessantes avanços pelo flanco, uma eventual dobradinha pelo setor com Hazard promete incomodar os adversários. O restante da retaguarda deve contar com a boa dupla Terry e Cahill no centro e Azpilicueta na direita, mas, se Mourinho quiser mais proteção, Ivanovic pode assumir a lateral-direita. Na meta, a dúvida entre Cech e Courtois deve seguir nos primeiro jogos e será decidida de acordo com o desempenho dentro das quatro linhas.

Liverpool  

Em 2013-14, o ótimo técnico Brendan Rodgers mostrou toda a sua capacidade e, ao longo da temporada, foi rascunhando o time ideal do Liverpool. A partir de um momento, não existiu mais dúvida, o melhor dos reds seria encontrado ou no 4-1-4-1 (4-3-3), com Gerrard mais recuado e Suárez partindo da ponta-esquerda, ou no 4-3-1-2, com Sterling sendo o um atrás da infernal dupla composta pelo uruguaio e Sturridge.  

Tendo em vista as contratações e a pré-temporada, Brendan Rodgers deve apostar no 4-1-4-1, com desenho bastante similar ao que deu certo em 2013-14. A enorme ausência de Suárez deve fazer Sterling ocupar a ponta-esquerda e, no outro lado, disputa aberta entre dois recém-contratados, Markovic e Lallana. O primeiro deve começar a temporada como titular, pois o inglês iniciará a trajetória no novo clube lesionado. No centro do ataque, Sturridge, que já teve bom rendimento de gols na última temporada, terá que elevar esta marca, pois o artilheiro do Liverpool não faz mais parte do elenco.  

Liverpool - Football tactics and formations  

Neste esquema, Coutinho deve atuar como meia-central e terá papel fundamental à estratégia do técnico norte-irlandês. Mesmo não jogando como meia-atacante, o brasileiro deve ser o principal armador da equipe e terá bastante liberdade para encostar no centroavante Sturridge. Além do camisa dez, o eterno capitão Gerrard também terá responsabilidade na armação, pois é dele que o primeiro passe deve sair. Além disso, o histórico número oito é o homem da proteção à linha defensiva.  

O sistema defensivo dos reds ganhou bons reforços. Na zaga, Lovren vem de boa temporada com o Southampton e chega para ser titular, muito provavelmente, ao lado de Sakho. Outro que chama a atenção é Alberto Moreno, que, após longa negociação, vem com a expectativa de ser o dono da lateral-esquerda, setor que deu algumas dores de cabeça ao técnico Brendan Rodgers.
 
Manchester City  

Campeão e mais reforçado, o Manchester City chega mais favorito à disputa da Premier League, mas, na verdade, quer mesmo ir mais longe na Liga dos Campeões. Os 65,5 M € foram investidos naquilo que o clube mais necessitava: um zagueiro para ser titular e um volante mais de marcação. O elenco, que já era muito bom, conseguiu ficar melhor e fornece mais variantes ao técnico Manuel Pellegrini, que colocou o City no patamar que o dinheiro investido exigia. O chileno fez isso jogando de forma simples, um 4-4-2.  

O esquema, que deu certo na temporada passada, deve ser repetido neste ano com Fernando Reges ou Fernandinho ao lado de Yaya Toure na volância e Jovetic, Dzeko ou Negredo fazendo a dupla ofensiva com Agüero. O 4-4-2 deu ao Manchester City o melhor ataque da EPL, com 102 gols, mas, em algumas partidas, principalmente, jogos grandes, o time pecou defensivamente, pois faltava um volante mais marcador. Fernando Reges traz esta alternativa ao técnico chileno, o que tiraria Fernandinho do time, que esteve muito bem em 2013-14.  

Manchester City - Football tactics and formations  

Porém, sacar Fernandinho pode não ser a melhor alternativa. Manuel Pellegrini pode colocar um esquema que chegou a testar, o 4-2-3-1. Com este outro desenho, os citzens teriam mais proteção à zaga, com Fernando Reges e Fernandinho na volância. Além disso, o Manchester City teria o seu principal jogador, Yaya Toure, com grande liberdade e ele voltaria a jogar em função que já exerceu com a camisa sky blue. O problema seria abrir mão de dois atacantes e ter só Agüero no ataque, tendo jogadores da qualidade de Jovetic, Dzeko e Negredo no elenco.

Manchester City - Football tactics and formations 

A grande evolução no time deve ser vista na defesa. Mangala vem do Porto e chega para formar uma dupla interessante com Kompany, que vem de uma temporada de altos e baixos. Com um defensor melhor ao seu lado, o belga deverá render melhor e voltar ao nível de 2012-13. Além do zagueiro portista, Sagna e Caballero chegaram e, ambos, podem pressionar os titulares, Zabaleta e Hart, que não são jogadores completamente constantes.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Pensar no futuro

 
Sete da comissão técnica se uniram para falar após o massacre por 7 a 1, mas não admitiram os erros do trabalho brasileiro (Ricardo Stuckert/CBF)

O Brasil perdeu, mas, principalmente, este modelo de futebol atrasado foi goleado. Ao demitir Mano Menezes, quando parecia que ele estava se acertando, a Confederação Brasileira de Futebol optou pela contratação de dois escudos, o técnico Luiz Felipe Scolari e o coordenador Carlos Alberto Parreira. A dupla havia comandado os dois últimos títulos mundiais da seleção brasileira, portanto, a CBF estaria fazendo tudo que é possível para vencer a Copa no Brasil. 

Antes da Copa das Confederações, apesar de muitas ressalvas, fiz um texto afirmando que aquele time poderia dar certo. Mesmo com o título e a grande atuação frente à Espanha, não foi uma trajetória linear e sem problemas. Os Canarinhos viveram altos e baixos e, muitas vezes, foram dependentes de chutões, jogadas individuais e da marcação pressão, que viveu o auge na final, mas não foi presente em toda a trajetória. Sem participação do meio-campo na criação das jogadas e, com momentos de problemas nas demais estratégias, o Brasil mostrou claramente seus problemas. 

A maior parte das falhas de um ano atrás foram repetidas durante o Mundial 2014 e foram potencializadas pela ótima exibição da Alemanha. Os doze meses não conseguiram solucionar os problemas. Mesmo sem se reunir muito, quando esteve junta, como na Copa do Mundo, o Brasil foi acusado de ter treinado e trabalhado pouco. A comissão técnica defendia a necessidade de descanso entre as partidas, algo que deve ser pensado mesmo. Porém, ao compararmos com outras seleções, vemos que isto não foi comum. A Holanda, após a batalha contra Costa Rica, em que só conseguiram vencer Keylor Navas, nos pênaltis, retornou ao Rio de Janeiro, não treinou de manhã, mas à tarde os jogadores foram para o campo. 

A ilusão de que estava tudo certo, não acabou com o 7 a 1, em que a Alemanha dominou amplamente o Brasil. Um dia após a derrota, Parreira e Felipão deram uma entrevista coletiva, na Granja Comary. Constrangimento resume o atendimento à imprensa, que teve momentos excepcionais do Coordenador Técnico da seleção, apoiado pelo comandante do time. “Não houve um erro. Tudo foi perfeito. Só não funcionou o resultado contra a Alemanha”. E, claro, amenizar a responsabilidade do pratão também ocorreu, o campeão Mundial de 1994 destacou que “a CBF não forma jogadores”. A Federação alemã de Futebol (DFP) forma. 

O exemplo alemão 


Alemanha campeã europeia sub-21 2009 cedeu seis jogadores para o título de 2014, todos eles titulares: Neuer, Boateng, Hummels, Höwedes, Khedira e Özil (Getty Images)

A matéria do Jornal inglês The Guardian, em maio de 2013, mostra o que acontece na Alemanha, pois este trabalho não chama atenção apenas no Brasil. O programa de desenvolvimento de talentos da DFB nasceu em 2003, com o objetivo de identificar futuros jogadores e, desde cedo, trabalhar as habilidades e o conhecimento tático neles. O resultado é visto na prática, pois, nos últimos anos, a Alemanha voltou a figurar entre as principais potencias do futebol mundial. 

 Sobre este trabalho de base, fiz um texto depois da Copa de 2010, tentando prever a Nationalelf para 2014. Mais da metade dos 23 convocados para o Brasil foram citados no texto. O bom índice de acerto não é mérito do blogueiro, tem muita relação com a continuidade do trabalho de Joachim Löw e o bom aproveitamento dos talentos da base. Seis campeões europeus sub-21, em 2009, vieram ao Brasil, na verdade, oito, pois Dejagah e Fabian Johnson também estiveram no Mundial, mas defendendo Irã e Estados Unidos, respectivamente. 

O diretor esportivo da Federação, Robin Dutt, que está no cargo desde agosto de 2012, explica que ajudar os clubes na formação de jogadores é ponto central desta evolução e é uma relação positiva para os dois lados. “Se nós ajudamos os clubes, eles nos ajudam, pois os atletas das nossas seleções – de base ou da equipe de Joachim Löw – vêm dos times”. Um exemplo da parceria é a obrigação dos clubes de 1ª e 2ª divisão, que têm que ter academias para formar jovens, com disputa a partir dos 12 anos. Para atingir o objetivo da norma, a DFB auxiliou financeiramente na montagem desta estrutura de base. 

Mas investir apenas na base não é a única contribuição da DFB ao futebol. Como apresentado no Linha de Passe, da ESPN Brasil, do dia 10 de julho, a Alemanha trabalhou para fortalecer a liga local. Ajudar o desenvolvimento dos jovens é um passo para isso. Por isso, hoje, a Bundesliga é uma das principais do planeta e isto contribuiu para o crescimento da Nationalelf. Portanto, há a necessidade de um trabalho mais complexo, não apenas investimento em um setor. 

Brasil quer se mexer? 

Jornalistas esportivos e, depois, o Bom Senso Futebol Clube por duas vezes foram recebidos pela presidência da república. Porém, até aqui, nada foi feito na prática (Roberto Stuckert Filho)

Ao contrário do que é realizado na Alemanha e, em outros países, onde o sucesso ainda não veio, o futebol brasileiro não parece querer evoluir. A CBF está deitada em berço esplêndido e recusa iniciativas para trabalhar o esporte no país. Parece que modernizar o que é feito aqui não é do interesse da entidade. Com o sucesso em campo, conquistado através do talento dos jogadores, que seguem surgindo aqui, nada ou muito pouco foi realizado para repensar o futebol, afinal, não era necessário, pois vencíamos.

O comando da CBF é o mesmo desde 1989, quando Ricardo Teixeira assumiu a presidência, durante o governo de José Sarney (PMDB). O domínio do ex-genro do ex-presidente da FIFA, João Havelange, portanto, resistiu aos presidentes Fernando Collor (PRN), Itamar Franco (PRN), Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Não citei Dilma Rousseff, pois foi no atual governo que Ricardo Teixeira se foi. Após muita pressão de mídia, população e do setor político, Ricardo Teixeira saiu, mas não mudou muita coisa. 

O sucessor foi o antigo apoiador da ditadura e vice-presidente mais velho da CBF, José Maria Marin, filiado ao PTB e com extensa carreira na política. Portanto, o perfil do comandante que pouco se importa com o futuro do futebol seguiu. O próximo presidente da entidade já está definido e será Marco Polo Del Nero, atual vice-presidente. Mesmo cuidando de algo de interesse público, a entidade é privada, por isso, em teoria, o governo não poderia intervir nela. Mas, como revelou Juca Kfouri, o STF já tem decisão que mostra o contrário. 

Portanto, interferir no comando da CBF é possível e, pelas recentes declarações de Dilma e do ministro do Esporte Aldo Rebelo (PC do B), este é o interesse do atual governo. Antes da Copa, a presidente recebeu uma série de jornalistas esportivos e disse que o grande legado do Mundial 2014 seria a melhoria do futebol praticado no Brasil. Na ocasião, ficou prometida uma reunião entre o Palácio do Planalto e o movimento Bom Senso Futebol Clube. Desde então, já foram duas conversas com o grupo de jogadores, que também tem especialistas em diversas áreas (administração, direito e etc), e a impressão de que uma participação do estado no comando do futebol brasileiro está próxima de acontecer. 

Por falar nisso, o BSFC é uma grande iniciativa de craques brasileiros que visam a melhoria do futebol como um todo, não só na elite. Porém, a blindagem da CBF impede que as ideias do grupo sejam trabalhadas para serem postas em prática. Um calendário mais justo, emprego por mais tempo para os jogadores fora das principais divisões, horários melhores para prática do futebol e a exigência do fair play financeiro para os clubes (como ocorre na Alemanha). Com estas medidas, com certeza, teríamos uma melhora sensível no futebol brasileiro: mais organização que refletiria em melhores desempenhos em campo e públicos maiores nos campeonatos locais, algo raro hoje. 

Esta sinalização governamental de intervenção na administradora do futebol brasileiro e, ao mesmo tempo, a conversa com o Bom Senso mostra consciência da necessidade de mudanças. Se elas forem as indicadas pelos jogadores, que não são ouvidos pela CBF, pode ser um caminho interessante para a modernização do atrasado futebol brasileiro. Porém falta deixar de ser vontade e se tornar uma prática. 

Voltando para dentro de campo 

Os Canarinhos, com Mano Menezes, pareciam ter um técnico que dialogava melhor com o que era realizado no futebol europeu, porém os resultados não vieram. Não custa lembrar que, na Copa América 2011, o Brasil caiu nas quartas de final e, em nenhum momento, conseguiu convencer. Na reta final do trabalho, como já dito, os Samba Boys melhoraram, mas novamente, a CBF influenciou negativamente o que é realizado dentro de campo, buscando uma dupla ultrapassada – e com nome – para comandar a equipe. 

Além das boas ideias, que, na reta final, estavam dando resultado. No período de Mano Menezes, algo muito interessante aconteceu na seleção e, se as mudanças aparecerem, pode virar uma marca dos Samba Boys. Como o repórter e colunista do site Terra, Dassler Marques escreveu, no antigo Olho Tático, de André Rocha, no Globoesporte.com, a seleção chegou a ter um esquema tático unificado do sub-17 ao time principal. 

A Bélgica, depois de duas copas fora, veio ao Brasil e chegou com bastante badalação, tendo a unificação do esquema tático como um dos pilares desta renovação, mas principalmente, a linearidade da forma de pensar futebol. Como Dassler escreveu no post sobre o Brasil, jogar no mesmo sistema não é o ponto centrale, sim, ter a mesma mentalidade. Pois assim, não limitamos o jogador da base a cumprir apenas uma função, mas, desde o princípio, fica claro o estilo de futebol que o jovem irá encontrar quando passar a atuar entre os adultos. Afinal, o objetivo de times e seleções de base é preparar os atletas para os times principais. 

A falácia da fraca geração brasileira 

O brasileiro do Hoffenheim, Roberto Firmino teve ótimos números na Europa e nem foi testado. Nenhum jogador verde e amarelo fez, em 37 jogos, 22 gols e 16 assistências.  (Alex Grimm)

Uma das justificativas utilizadas por mídia e comissão técnica, para o insucesso dos Canarinhos, é que a atual geração de jogadores verde e amarela é fraca. Para mim, uma grande mentira. Thiago Silva, Marcelo e Neymar são futebolistas da elite do futebol mundial. Além deles, Júlio César, Maicon e Daniel Alves já fizeram parte do grupo de maiores craques do planeta. Portanto, apenas seis jogadores que podem – ou já puderam – ser considerados especiais Mas, a maior parte dos outros convocados, estão ou estiveram em grandes clubes e jogaram em alto nível, no futebol europeu. Um ou outro jogador, talvez Jô e Henrique ainda não tiveram – e nem deverão ter – um momento de futebolista top mundial. 

Além do elenco de 23 escolhidos para representar o Brasil em casa, vários jogadores de bom nível ficaram de fora, por exemplo, Diego Alves, Rafinha, Miranda, Alex, Filipe Luís, Lucas Leiva, Felipe Melo, Fernando Reges, Diego Ribas, Philippe Coutinho, Lucas Moura, Roberto Firmino e Jonas. E é bom lembrar, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho, Nilmar, Luís Fabiano e Adriano são integrantes da geração 2014, poderiam tranquilamente estarem presentes no Mundial disputado em casa, mas, por escolhas erradas e queda de nível, o sexteto não chegou à disputa. 

Entre os convocados para a Copa e os outros citados, muitos poderão estar em 2018 e serão mesclados com outros jogadores jovens que já começaram a se destacar. Três bons goleiros estão na Serie A da Itália, Gabriel (Milan), Rafael Cabral (Napoli) e Neto (Fiorentina). Na defesa, Danilo (Porto), Rafael (Manchester United), Juan Jesus (Internazionale), Dória (Botafogo), Marquinhos (PSG), Alex Telles (Galatasaray), Wendell (Bayer Leverkusen) Alex Sandro (Porto). No meio, Fernando (Shakhtar Donetsk), Casemiro (Real Madrid), Rômulo (Spartak Moscou), Lucas Silva (Cruzeiro), Fred (Shakhtar Donetsk), Rafinha (Barcelona), Paulo Henrique Ganso (São Paulo) e Douglas Costa (Shakhtar Donetsk). No ataque, Lucas Piazon (Chelsea), Wellington Nem (Shakhtar Donetsk) e Gabriel Barbosa (Santos). Tantos outros podiam ter citados, mas, para mim, vendo de hoje, esses são os destaques para o futuro mais próximo dos Samba Boys. 

Pode ser que nem todos os citados consigam chegar a – ou retomar – um nível altíssimo de futebol, mas está claro que há talento e muitos deles já tiveram passagens pela seleção. Esses atletas mais jovens, se forem bem trabalhados e mesclados com alguns dos atuais jogadores, poderão trazer bons frutos para o Brasil. Alguns, inclusive, têm idade para disputar os Jogos Olímpicos de 2016, em casa. E, com a saída de membros do grupo de 2014, muitos deles devem ter espaço durante toda a preparação. 

Portanto, dizer que o Brasil não produz mais tantos craques, pode até ser verdade (muito por culpa de fatores organizacionais), mas afirmar que o talento por aqui acabou é uma grande mentira. O caminho para voltar a brigar pela hegemonia do futebol é longo e, para isso, escolher um bom comandante é um dos primeiros passos a ser dado. 

Quem poderá liderar? 

Nos últimos anos, ninguém se destacou tanto como Tite. O ex-técnico do Corinthians mostra conhecimento tático e entendimento do que se faz no mundo, como conceito de futebol. Depois de encerrar a trajetória vitoriosa na equipe paulistana, o gaúcho foi presença constante em jogos de Liga dos Campeões e campeonatos europeus. Apesar de ótimo trabalho, Tite não se acomodou e foi atrás de mais informações para melhorar. Por isso, seria a minha escolha como figura central deste novo ciclo. 

Porém, com a atual cúpula da CBF, parece improvável a escolha de uma pessoa atualizada e que possa tomar as rédeas de todo o trabalho da seleção brasileira. Como o comentarista da ESPN Brasil, Mauro Cezar Pereira falou: “se for para eles ficarem (dirigentes da CBF), que seja como uma rainha da Inglaterra, que tem gente abaixo com o controle das ações a serem tomadas”. É bom deixar claro, nem eu, nem o MCP queremos que essa turma siga no comando. 

Mas, por mais que não façam nada pela melhora dos Canarinhos e, muito menos, pelo futebol verde e amarelo em geral, os dirigentes não mostram interesse em abrir mão do protagonismo do comando dos Samba Boys. Portanto, há claramente um nome para o novo ciclo. Porém, com o contexto atual, pode vir qualquer grande treinador do futebol mundial que não dará certo. Por isso, a intervenção na Confederação Brasileira de Futebol e a implementação das ideias do Bom Senso Futebol Clube é o caminho e se mostra urgente. 

Palpite dos 23 

Para finalizar, aquele chute clássico, que muitos jornais e sites ousam fazer: quem serão os 23 convocados da Copa do Mundo da Rússia? Goleiros: Diego Alves, Neto e Rafael Cabral. Laterais-direitos: Danilo e Rafael. Zagueiros: David Luiz, Thiago Silva, Marquinhos e Juan Jesus. Laterais-esquerdos: Marcelo e Alex Sandro. Volantes: Fernando Reges, Casemiro e Paulinho. Meias e Meias-atacantes: Lucas Moura, Oscar, Neymar, Roberto Firmino, Philippe Coutinho, Rafinha e Paulo Henrique Ganso. Atacantes: Lucas Piazon e Gabiel Barbosa.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A camisa nove

Suárez é, hoje, o melhor centroavante no mundo, mas são vários camisas nove jogando em alto nível no futebol mundial (Andrew Powell/Getty Images)
 
Há, praticamente, dois anos escrevi um post sobre centroavantes, citando exemplos de professores na função. Mas, desta vez, a ideia é diferente, falarei da situação dos camisas noves no futebol contemporâneo. Apesar das críticas constantes a jogadores da posição e de mais técnicos utilizarem a opção do falso nove, hoje são diversos centroavantes atuando em alto nível no mundo e nos mais diferentes estilos de jogo. 

Minha percepção é que o nove não morrerá e, como diz o amigo jornalista, Thiago Rabelo: “quem tem centroavante é feliz”. Porém, hoje, a função mudou. Claro, ainda existem aqueles atacantes que vivem dentro da área e só aparecem em um toque, o chute do gol, mas, no futebol de alto nível, este tipo de jogador está cada vez mais raro. Os centroavantes de grande valor já sabem disso e se adaptaram ao novo cenário do futebol mundial. 

O nove atual tem que ter bom poder de finalização e, de preferência, saber chutar de fora da área – e claro com as duas pernas. Porém, esta já era uma característica básica anteriormente, o que se tornou mais importante é aliar isto à visão de jogo e à qualidade no passe. O centroavante, muitas vezes, deixa a área e vê os pontas e laterais invadirem o “seu espaço” para realizarem a finalização. Portanto, o passe preciso pode resultar em uma assistência e até definir um jogo. Em uma passada rápida na lista de assistentes das grandes ligas europeias, alguns camisas nove figuram entre os destaques, muito por conta deste movimento – em La Liga, Bacca e Benzema; na Ligue 1, Ibrahimovic; na Premier League, Giroud; e, na Serie A, Higuaín, Luca Toni e Palacio são destaques no quesito. 

Outro ponto que destaco sempre no futebol dos centroavantes atuais é a capacidade para driblar, nada que peça muito refinamento, mas cortes capazes de limpar espaço para a finalização. Pois, com a marcação mais apertada, um passe que forneça total liberdade para o finalizador é raro, portanto, o drible pode garantir a oportunidade do chute e, consequentemente, do gol. Além disso, o aspecto físico deve ser desenvolvido, porque isto pode ser a diferença entre permanecer em pé e conseguir o arremate ou desperdiçar uma oportunidade clara, após uma trombada do adversário. 

Portanto, os centroavantes deixaram de ser apenas os homens do gol e participam de todo o jogo ofensivo das equipes: com passes, abrindo espaços e fazendo o pivô. Outro ponto que não pode faltar nos noves de destaque no futebol atual é a presença na defesa, pois são muitos times que jogam com marcação pressão. Neste sistema, a participação do atacante neste movimento da saída adversária, constantemente resulta em gols, por isso, a aplicação defensiva também é importante.  

Novamente, faltam brasileiros 

 Fred foi amado pelos companheiros na reta final da Copa das Confederações. Brasileiros esperam que ele repita as atuações no Mundial (Ag. Reuters)

Neste contexto, os brasileiros estão ausentes dos dez principais centroavantes do futebol mundial, apesar de nem todos terem porte de centroavante e nem sempre jogarem centralizados. A minha lista dos dez contaria com: Agüero, Cavani, Diego Costa, Falcao García, Ibrahimovic, Lewandowski, Lukaku, Negredo, Suárez e Van Persie. Dentre eles, Agüero, Falcao García, Ibrahimovic, Suárez e Van Persie estão acima dos demais, em termos de potencial. Porém, nem todos estão nos melhores momentos das carreiras e, mesmo assim, conseguem ficar entre os principais nomes da posição. 

Desde a época do post citado no início deste texto, faltavam brasileiros entre os principais destaques da posição e, quase dois anos depois, o panorama não mudou. Nas principais ligas da Europa e em alguns mercados menores, os brasileiros não são destaques absolutos na artilharia. Mas jogadores nascidos aqui conseguiram balançar as redes de forma relevante: na Bundesliga, Raffael (9 g) e Roberto Firmino (8 g); na Serie A, Eder (9 g); na Eredivisie, Lucas Piazon (11 g); e, na Premier League Russa, Hulk (9 g). 

Nenhum deles, um claro centroavante, por isso, as melhores alternativas para a camisa nove verde e amarela estão no Brasil. Uma delas está longe de ser ruim, é o ótimo Fred, porém, o centroavante do Fluminense não é tão confiável, pois se lesiona constantemente e nem sempre repete a atuação intensa que teve contra a Espanha, na final da Copa das Confederações. O jogador daquela partida estaria entre os 15 melhores homens de área do mundo, mas afetado por uma lesão na coxa, Fred não atua desde setembro de 2013. Portanto, o melhor nove brasileiro é um grande ponto de interrogação. 

As outras opções para a seleção acabam sendo jogadores que não são considerados de nível tão alto e que, ainda por cima, não vivem o melhor momento da trajetória futebolística. Os últimos camisas nove convocados para a reserva de Fred foram Alexandre Pato, Leandro Damião e Jô. O artilheiro da Libertadores pelo Galo se firmou na vaga, mas recentemente não vem convencendo e parece não ter o porte da seleção brasileira. Pato e Damião também, pois iniciaram as carreiras mostrando força para assumirem a nove canarinha e, hoje, estão muito longe daquele nível que prometeram. 

Sem nenhum dos três jogando bem, Felipão ensaiou nos últimos amistosos a alternativa do falso nove, que Mano Menezes vinha utilizando na reta final do trabalho. Porém, ao contrário do antecessor, o técnico pentacampeão mundial não escolheu Neymar para exercer a função. A principal opção para comandar o ataque com mais mobilidade foi Robinho, que está longe dos melhores momentos na Europa, mas conseguiu render bem pelos samba boys. 

Portanto, apesar do mundo ter, a cada dia mais, centroavantes – de diferentes estilos – atuando em alto nível, a ausência de duas ou três opções brasileiras – além de Fred – fazem a alternativa do falso nove ser quase obrigatória para a seleção. Parece, cada vez mais óbvio que Robinho será o reserva do centroavante do Brasil na Copa de 2014. Felipão não terá um nove clássico no banco durante o Mundial, não por opção dele, mas por falta de brasileiros que atuam por ali e com nível para estarem na maior competição entre seleções do planeta.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Jogo rápido sobre a seleção

 Diego Costa largou bem a temporada 2013-14 e foi a principal ausência da convocação de Luiz Felipe Scolari (AP Photo/Paul White)

Mais uma convocação de Luiz Felipe Scolari, a sétima desde o retorno à seleção. Desta vez, a lista será para os amistosos, que o Brasil disputará frente à Coreia do Sul e Zâmbia, na Ásia. São 21 jogadores, dentre eles três goleiros, que atuam no país, e, portanto, perderão rodadas do Brasileirão 2013, já que o campeonato não é paralisado durante as datas Fifa.

Primeiro a lista, depois os comentários:

Goleiros: Jefferson (Botafogo-BRA) – 30 anos, Victor (Atlético Mineiro- BRA) e Diego Cavalieri (Fluminense-BRA) – 30 anos;
Laterais-direitos: Daniel Alves (Barcelona-ESP) – 30 anos e Maicon (Roma-ITA) – 32 anos;
Zagueiros: David Luiz (Chelsea-ING) – 26 anos, Dante (Bayern de Munique-ALE) – 29 anos, Dedé (Cruzeiro-BRA) – 25 anos e Henrique (Palmeiras-BRA) – 26 anos;
Laterais-esquerdos: Marcelo (Real Madrid-ESP) – 25 anos e Maxwell (Paris Saint-Germain-FRA) – 32 anos;
Volantes: Lucas Leiva (Liverpool-ING) – 26 anos, Paulinho (Tottenham-ING) – 25 anos, Luiz Gustavo (Wolfsburg-ALE) – 26 anos e Ramires (Chelsea-ING) – 26 anos;
Meias: Oscar (Chelsea-ING) – 22 anos, Hernanes (Lazio-ITA) – 28 anos, Lucas (Paris Saint-Germain-FRA) – 21 anos e Bernard (Shakhtar-UCR) – 21 anos;
Atacantes: Neymar (Barcelona-ESP) – 21 anos, Alexandre Pato (Corinthians-BRA) – 24 anos, Hulk (Zenit-RUS) – 27 anos e Jô (Atlético Mineiro-BRA) – 26 anos.

Esta é a convocação com a segunda maior média de idade desde a volta de Felipão à seleção, com 26,434 anos, além disso, é a segunda maior média se também englobarmos o período de Mano Menezes à frente da seleção. Lembrando que, durante a Copa do Mundo de 2010, o elenco verde e amarelo de Dunga era o mais velho da disputa, com média de mais de 29 anos. Mas isto parece longe de ocorrer em 2014.

Outro ponto, três dos titulares na Copa das Confederações, Júlio César, Thiago Silva (capitão) e Fred.

Na baliza, Victor e Diego Cavaleiri, ausentes na última convocação, voltam e devem ser os reservas de Jefferson, que vem bem no Botafogo, e é o primeiro substituto de Júlio César na cabeça de Luiz Felipe Scolari. Neste caso, apoio a decisão do técnico verde e amarelo.

Na defesa, sem o capitão, o comandante segue insistindo com o homem de sua confiança, Herinque, zagueiro que disputa apenas a Série B. Além dele, Dedé volta a ganhar oportunidades com a camisa verde e amarela. Mas, hoje, gostaria que outros dois jogadores para a função. Gil, do Corinthians, que é um dos melhores zagueiros da Série A hoje, e, Miranda, do Atlético de Madrid, que segue sendo um dos destaques do bom início de temporada dos colchoneros na Europa.

Sem Fred, Jô, que parece crescer sempre com a camisa da seleção, segue com moral. O outro nove do elenco é Alexandre Pato, que voltou a ser reserva no Corinthians, portanto, não seria a melhor opção. Principalmente, tendo em vista que, ao contrário de anos anteriores, temos um centroavante brasileiro com ótimo início de temporada na Europa. Diego Costa briga diretamente com Cristiano Ronaldo (6g) e Messi (7g) pela artilharia de La Liga, onde o jogador colchonero tem sete gols (em 17 chutes tentados) e uma assistência, em seis jogos disputados.

O desempenho chama a atenção da badalada seleção espanhola, que parece disposta a tentar naturaliza-lo para tê-lo no elenco da próxima Copa. Mesmo já tendo jogado amistosos com o Brasil, Diego poderia vestir a roja, pois a Fifa parece ter mudado o entendimento e só pretende impedir que um jogador defenda mais de um país, caso isto ocorra em competições. Portanto, o centroavante do Atlético está liberado para jogar na Espanha. Sem dúvida merecia mais uma chance com a camisa verde e amarela e, mais uma vez, o Brasil poderá perder uma alternativa interessante para o ataque, tendo em vista as poucas opções que existem na função atualmente.

Coutinho (ma, Liverpool) e Willian (ma, Chelsea), que poderiam ser convocados desta vez, mereceram ficar de fora. O jogador dos reds está machucado e o ex-corintiano ainda não se acertou no novo clube.

A boa novidade da lista é a volta de Lucas Leiva, que era titular de Mano Menezes, e, hoje, faz parte dos 11 iniciais do Liverpool. O ex-gremista faz dupla de volantes com Gerrard no 4-4-2, armado por Brendan Rodgers. Sigo querendo ver Fernandinho convocado, o volante vem se acertando ao lado de Yaya Toure no Manchester City e, para liberar o marfinense, o brasileiro faz um trabalho ainda mais defensivo do que está habituado, porém tem cumprido bem o papel. Mereceria uma convocação na próxima vez.

O último ponto é que fica claro que, com a ausência de um armador reserva para Oscar, Felipão pretende utilizar mais a mudança tática que impôs nos últimos amistosos. O 4-3-3, com três volantes que marcam e saem para o jogo, pelo visto, agradou o comandante brasileiro.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Podcast 1



 Seleção tomou conta do podcast e, o grupo brasileiro, recebeu muitos elogios (Rafael Ribeiro-CBF)

A partir de agora, o blog terá um podcast, em parceria com os amigos Lucas Imbroinise e Thomaz Santos. Porém, mais do que um produto deste blog, este é um podcast desses amigos e de outros que possam aparecer eventualmente neste espaço.

Será um programa de rádio para falarmos de futebol internacional, o primeiro tem pouco mais de uma hora e o segundo programa deve sair no final do mês.

Os assuntos:
- últimos jogos da seleção brasileira
- alternativas para o grupo, praticamente, fechado de Luiz Felipe Scolari
- Bale era o jogador que o Real Madrid precisava?
- Özil, o “top player” ideal para o Arsenal
- Tottenham agindo bem no mercado
- Briga interessante na parte de cima da tabela da Premier League
- Bayern e Guardiola, combinam?
- Capacidade de reconstrução do Borussia Dortmund

Segue o player:



Então, é isso, espero que possam divulgar o nosso podcast, fiquem à vontade para criticar e mandar sugestões para o programa.