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sábado, 5 de julho de 2014

Copa do Mundo – Dia 23

Venceu bem

O craque do Mundial vai embora com as lágrimas, e, o melhor da partida, o consola e avança (Laurence Griffiths/Getty Images)

Desde o princípio, chamou a atenção a inatividade de Carlos Velasco Carballo, que parecia proibido de distribuir cartões. Brasileiros e colombianos aproveitaram esta espécie de autorização e fizeram um jogo bastante físico. Em muitos momentos, os jogadores chegaram a extrapolar, beirando à violência. Um exemplo claro foi Fernandinho, que chegou a fazer faltas duras seguidamente e não viu nem o amarelo.

Em campo, os Samba Boys vieram com algumas diferenças. O 4-2-3-1 se aproximou de um 4-1-4-1, tendo Fernandinho como 1° volante e, à frente, Oscar, Paulinho (por conta da suspensão de Luiz Gustavo, voltou ao time), Neymar e Hulk – os dois últimos jogando mais próximos do centroavante Fred. Além disso, Luiz Felipe Scolari surpreendeu positivamente, sacando Daniel Alves e colocando Maicon. José Pékerman manteve o 4-2-3-1, mas optou por Ibarbo como ponta-esquerda, tendo James pelo centro e Cuadrado pela direita. Na volância, Guarín entrou no lugar de Aguilar, portanto, os cafeteros deixaram de ter dois volantes de mais marcação, buscando ter mais posse de bola e mais domínio do meio-campo.

Com as mudanças e o crescimento do desempenho dos jogadores, os Samba Boys cresceram, passaram a ter melhor saída de bola, pois os laterais, a dupla de volantes e até os meias ajudaram mais neste trabalho. O Brasil também conseguiu pressionar a saída de bola, prejudicando o jogo colombiano. Além da marcação alta, outra característica da Copa das Confederações apareceu: o gol no início. Aos seis minutos, Thiago Silva completou escanteio de Neymar e, de coxa, abriu o placar.

A Colômbia tentou equilibrar o jogo, mas esbarrava na forte marcação no craque James Rodríguez e na fraca exibição de Cuadrado, por isso, Júlio César não era incomodado. A dupla de zaga também tinha responsabilidade nisso, pois impediam as chegadas na área e também bloqueavam os chutes, quando os cafeteros conseguiam finalizar. No outro lado do campo, Hulk, mais uma vez, muito ativo, assustava o goleiro Ospina, porém o segundo gol não vinha.

Vendo o adversário controlando o jogo, Pékerman mexeu: sacou Ibarbo e colocou Adrián Ramos, com mais liberdade para ser atacante. O argentino formou um 4-2-2-2, em que o novo jogador do Dortmund tinha espaço para flutuar atrás de Teó Gutiérrez. Com a mexida, os cafeteros passaram a dominar o jogo, a queda da atuação do meio-campo verde e amarelo também colaborou com a mudança no perfil da partida. Mas, como os números mostram, a pontaria não foi o forte da Colômbia na partida. De onze finalizações, apenas uma foi no alvo, desempenho fraco.

No pior momento da partida, o Brasil conseguiu o segundo gol. Em outra bola parada, David Luiz finalmente conseguiu o primeiro dele de falta com a camisa verde e amarela. Apesar do 2 a 0, o craque da Copa do Mundo, James Rodríguez seguiu tentando e, em um dos raros momentos de liberdade, conseguiu descobrir Bacca (ótimo nove, subutilizado no Mundial) livre dentro da área. Júlio César cometeu o pênalti e, na cobrança, o dez cafetero fez o sexto gol dele na competição (artilheiro). Teoricamente, haveria tempo para a virada, porém, o Brasil passou a dominar o jogo e esfriou o ímpeto colombiano.

O 2 a 1 proporcionou mais uma grande cena do Mundial 2014. Com o apito final, James Rodríguez desabou a chorar, mas não ficou desamparado. Em pouco tempo, os brasileiros Daniel Alves, Marcelo e, principalmente, David Luiz consolaram o dez rival. Na entrevista pós-jogo, o jogador do Monaco, aos prantos, afirmou: “chorei, pois sei que deixamos tudo em campo, mas não foi possível”. Nesta tarde e noite, seria difícil vencer o Brasil, que fez a melhor partida na Copa do Mundo.  

A grande ausência

Neymar deixa o campo chorando, ali já dava para imaginar a gravidade da lesão, que, ao final, afastou o craque da Copa do Mundo (Getty Images)

A alegria ao final do jogo se transformou em temor. Primeiro, durante a partida, o capitão Thiago Silva levou o segundo amarelo, em lance bobo, e está fora do jogo contra a Alemanha. Dentro do elenco brasileiro, Dante parece bem capacitado para substituir o camisa três, apesar de não ser fácil entrar no lugar do melhor zagueiro do mundo. Mas a diferença de nível entre o titular e o reserva não é tão grande como a do outro desfalque verde e amarelo.

Quase no final da partida, em lance no campo defensivo, Neymar tomou uma joelhada nas costas. Zuniga chegou muito duro, em jogada totalmente desnecessária. Após o golpe, o dez brasileiro caiu no chão e não se levantou mais. O árbitro não fez nada, nem cartão o lateral colombiano levou. Ney saiu de maca das quatro linhas e chorando muito. Aos poucos, as notícias foram chegando e a tensão atingindo níveis altos.

Do ambulatório do Arena Castelão, Neymar foi para uma clínica particular e, neste local, foi constada uma lesão séria, em uma vértebra da coluna. Desta forma, além de ficar fora da semifinal, como Felipão imaginou na coletiva pós-jogo, o camisa dez não jogará mais a Copa do Mundo 2014. O grande sonho do garoto de disputar e vencer o Mundial no próprio país, quando estava tão perto, acabou.

Até terça-feira, Luiz Felipe Scolari e toda a comissão técnica vão trabalhar muito para substituir a grande referência técnica verde e amarela. Se no talento Neymar é insubstituível no Brasil, vale destacar que, na fase final da Copa, o camisa dez não brilhou. Por isso, os canarinhos conseguiram não depender tanto do craque, que teve atuações mais apagadas, mostrando que a seleção não é apenas o principal jogador. Portanto, há vida sem Ney.

A adversária

 Palmas para Hummels, muito bem na defesa e o autor do gol decisivo (Martin Rose/Getty Images)

Como previsto, o Maracanã viu um jogo muito equilibrado, entre Alemanha e França. A Nationalmannschaft trouxe novidades para a partida: Lahm na lateral e Klose (abaixo dos demais fisicamente) como centroavante. Assim, Löw manteve o 4-3-3, mas teve o time mais próximo daquele que vinha sendo trabalhado durante todo o período entre copas do mundo, principalmente, quando observamos a forma de jogar. Por isso, a aposta forte é na manutenção da trinca de meias, com Khedira, Schweinsteiger e Kroos, tendo Özil e Müller abertos. A mudança que deve ocorrer é a provável escalação Schürrle, deixando Klose como opção para o segundo tempo.

Sobre o jogo, o Rio de Janeiro viu a vitória, por 1 a 0, com o gol do zagueiro Hummels, que, além de marcar de cabeça, conseguiu fazer um ótimo trabalho defensivo. Esta exigência ao jogador do Dortmund foi reflexo da produção dos franceses, que não foi tão grande como em outras partidas, porém capaz de assustar os alemães. Neuer foi exigido várias vezes e fez boas defesas, as que mais chamaram a atenção foram realizadas com uma mão só.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Copa do Mundo – Dia 21

Mais um dia sem Copa e, desta vez, serão dois. Por isso, aproveitarei esta quarta-feira para pensar no jogo do Brasil, na próxima fase. Partida que promete equilíbrio, afinal, os verde e amarelos não atingiram seu ápice, enquanto a Colômbia é tida como uma das principais seleções do Mundial. 

Brasil 

 Apesar da atuação ruim, o Brasil chegou às quartas de final e, depois da disputa de pênaltis, sobrou emoção (Quinn Rooney/Getty Images)

Sem jogar bem, o Brasil chegou à esta fase, baseado em bons desempenhos individuais de Júlio César (nos pênaltis, contra o Chile), David Luiz, Thiago Silva, Luiz Gustavo (suspenso, fará para marcar os adversários) e, principalmente, Neymar. Luiz Felipe Scolari opta pelo 4-2-3-1 e fornece muita liberdade de movimentação ao trio de meias, que, além do craque da seleção, tem Hulk e Oscar pelos flancos. Porém, se os três trocam muito de posição durante o jogo, a bola não tem chegado ao trio. Os Sambas Boys têm um problema crônico: a dificuldade na saída pelo chão e, por isso, o uso excessivo dos lançamentos longos pelos zagueiros e Luiz Gustavo. 

O problema, que é evidente e persiste pelos quatros jogos, ainda não teve solução. Para vencer a Colômbia, o treinador terá que trazer uma resposta a isso. Os laterais, tidos como pontos fortes dos canarinhos, não vêm bem e uma evolução do desempenho da dupla (seja Daniel e Marcelo ou Maicon e Marcelo) será importante para dar alternativas a esta saída pelo chão. Mas o ponto central para a evolução, se encontra na volância. Sem Luiz Gustavo, o Brasil deve ter Fernandinho e Paulinho, ambos já foram titulares como 2° volantes, mas nenhum dos dois conseguir facilitar o início das jogadas do meio. Jogar sem um jogador posicional, neste setor, pode ser a solução circunstancial contra a Colômbia. Mas contar com os laterais em melhor nível e Oscar participando, como fez contra a Croácia, na estreia, parece ser o mais importante. 

Colômbia 

 Cuadrado e James Rodríguez: o Brasil e qualquer um que enfrentar a Colômbia deverá prestar atenção na dupla (Adam Pretty/Getty Images)

Antes da Copa, não havia quem não falasse da força cafetera, mas, com a lesão de Falcao García, as dúvidas entraram em campo. No Mundial, a ausência da principal estrela tem sido esquecida, James Rodríguez e Cuadrado tem conseguido suprir esta falta, criando e marcando os gols para a Colômbia. Os bons desempenhos da equipe têm muito do trabalho do técnico, o argentino José Perkerman. Durante a caminhada para a Copa do Mundo, ora com dois atacantes, ora com o 4-2-3-1 ou 4-1-4-1, os Cafeteros apenas mostraram força. No Brasil, o comandante fixou a equipe no esquema da moda: Teó Gutiérrez é o nove; mais atrás, estão Cuadrado à direita, James Rodríguez no centro e Ibarbo à esquerda; e, na volância, dois jogadores mais presos, Carlos Sánchez e Abel Aguilar. 

Com a nova configuração do meio para frente, a Colômbia tem conseguido ter uma defesa relativamente segura. Nisso, o goleiro Ospina tem bastante importância, pois é um dos bons nomes da posição, no Mundial, e a dupla de zaga Yepes e Zapata também vai muito bem. Mas o destaque é mesmo o ataque e tem relação com o esquema também. Com muitos jogadores dispostos a trabalhar para as estrelas, James e Cuadrado têm total liberdade para agir. Ambos aproveitam bem isso e tem números impressionantes. O camisa dez é o craque e artilheiro da Copa e tem cinco gols e duas assistências. O ponta-direita é o líder em passes decisivos, com quatro e ainda balançou as redes uma vez. Porém, os cafeteros também tem problemas no ataque, Pekerman tem insistido em Teó Gutiérrez, que marcou apenas uma vez, enquanto, no banco, está Jackson Martínez, que joga em nível mais alto e já tem dois gols na Copa. Em um jogo, que promete tanto equilíbrio, tem um centroavante um pouco pior pode ser a diferença entre seguir na competição e voltar para casa.

sábado, 14 de junho de 2014

Copa do Mundo – Dia 3

Mais do que o merecido 

 Com Falcao García apenas observando, o grupo colombiano foi o destaque e alcançou a vitória (Alex Grimm/FIFA/Getty Images)

O Mundial tem se caracterizado pelas torcidas sul-americanas dominando as arquibancadas. Em Belo Horizonte, a Colômbia teve apoio enorme, o Mineirão ficou amarelo e, claro, cantou o hino à capela. Com este ambiente, os comandados de Pérkeman iniciaram pressionando os gregos, que se fechavam em um 4-1-4-1. O 4-2-3-1 cafetero tinha Teo Gutiérrez como centroavante e Cuadrado, James Rodríguez e Ibarbo atuando atrás do centroavante. Os quatro homens mais ofensivos, muitas vezes, apoiados por volantes e laterais não deixavam a saída de bola ocorrer. 

Enquanto a pressão alta esteve presente, a Colômbia foi melhor e conseguiu sair na frente, com boa jogada de Cuadrado pela direita, que Armero finalizou. Porém, o sufoco na saída grega não durou muito tempo. Por isso, a Grécia conseguiu entrar na partida, mantendo a posse de bola e tendo Kone bem ativo, na troca de passes e na chegada ao ataque. Ospina chegou a ser exigido algumas vezes e mostrou o bom nível, que já apresenta no futebol francês. 

A falta de intensidade colombiana pareceu ser cansaço e, assim, a Grécia seguiu controlando a redonda. Mas faltava algo aos europeus, que não conseguiam chances tão claras. Em seu pior momento na partida, a Colômbia alcançou a segundo gol, após cruzamento de James da direita, que Aguilar desviou, e Teo só empurrou para as redes. A oportunidade claríssima que faltava aos gregos, veio logo depois do 2 a 0. Torosidis ganhou no segundo poste e cruzou para trás, Gekas se atirou na bola e, mesmo com o gol livre, acertou o travessão. Mitroglu substituiu o centroavante e a Grécia seguiu mais em cima e teve algumas chances, que ou passaram ao lado ou foram salvas por Ospina. 

No final, a Colômbia, mais uma vez, aproveitou a velocidade no lado direito. Cobrança rápida de falta, combinação boa entre Cuadrado e Zuniga e assistência para James, que, dentro da área, não desperdiçou. O 3 a 0 foi mais do que os cafeteros mereceram pela atuação, mas serviu para mostrar a força do lado direito da equipe e como é importante esta pressão na saída de bola rival para o jogo colombiano funcionar, mas a intensidade tem que ser mantida por mais tempo. Os gregos mostraram fragilidades defensivas e ofensivas, por isso, não devem ter muitas chances de passar à segunda fase da Copa.

Campbell, o gigante

 Campbell fez a melhor exibição individual da Copa e liderou a vitória costariquenha sobre o Uruguai (GettyImages)

A disputa no grupo D seria restrita aos três campeões mundiais, Uruguai, Itália e Inglaterra. Mas, na primeira rodada, havia uma Costa Rica no meio do caminho da Celeste Olímpica. Jorge Luis Pinto optou por um 3-4-2-1, mostrando que a prioridade seria segurar o Uruguai, que vinha no 4-4-1-1, com Forlán e Cavani revezando no comando do ataque. Apesar de estar abaixo do nível que já esteve, o camisa dez uruguaio estava em campo para utilizar o ótimo passe e a qualidade nas bolas paradas. 

Sem fazer grande partida, a presença de Forlán fez a diferença. Em falta cobrada por ele, Lugano sofreu pênalti inocente e Cavani não desperdiçou. Mesmo antes do 1 a 0, o personagem da partida já aparecia. Acostumado a jogar pelo lado, Campbell atuava centralizado e incomodava a defesa charrúa. O jogador do Olympiacos driblava, passava e finaliza. Quando a bola chegava nele, era um risco para o Uruguai. O empate veio com o camisa nove dos Ticos, que aproveitou boa jogada pela direita e falha da defesa celeste, para fuzilar de canhota. 

A virada veio com a mesma alternativa uruguaia: a bola parada. Um dos meias-atacantes no esquema costariquenho, Bolaños, que foi muito bem na partida, cobrou e Duarte apareceu por trás de todos e, de peixinho, virou o jogo. A Celeste Olímpica estava entregue ao jogo dos Ticos, mas, com algumas mudanças, ensaiou uma pressão, jogando quase com três atacantes. Aí a estrela costariquenha apareceu. Se Campbell decidia na frente, o ótimo goleiro Keylor Navas segurou o momento de pressão uruguaia. 

A melhor exibição individual desta Copa ainda reservava mais uma grande jogada. Aos 84 minutos, Campbell apareceu na dele, na ponta-direita, e fez ótimo passe para Ureña entrar na área e fazer o terceiro, na saída do goleiro Muslera. Nos minutos finais, o camisa nove costariquenho ainda cavou a expulsão de Maxi Pereira e concluiu a sua grande exibição. O 3 a 1 foi um resultado justíssimo e bagunça o início do grupo D. 

Apesar da vitória, imaginar os Ticos passando de fase é difícil. Mas ficou pior para os uruguaios iniciam a Copa com um grande problema, recuperar esta largada ruim. O consolo é a provável volta do melhor jogador do país, Suárez na segunda rodada. Além disso, em 2010, na estreia contra a França, o Uruguai teve Lodeiro expulso, o que forçou Tabárez a mudar o time taticamente. Depois das mudanças, todos sabem, a Celeste Olímpica foi semifinalista do Mundial. Repetir esta história é o objetivo no Brasil.

Expectativa atendida 

 
 Pirlo e a Itália merecem aplausos pela ótima exibição em Manaus (Ricardo Matsukawa/Terra)

O calor até atrapalhou, mas, em Manaus, Itália e Inglaterra fizeram um jogaço, até aqui, o melhor da Copa. Pressionados pela vitória da Costa Rica, as duas campeãs mundiais entraram em busca da vitória, para abrir vantagem em relação ao Uruguai. Os italianos apostaram no 4-1-4-1 e a Inglaterra teve um 4-2-3-1, com Welbeck, Sterling e Rooney circulando atrás do centroavante Sturridge, que se mexia muito. 

A Squadra Azzurra preferia a bola e a troca de passes, inclusive com os laterais participando da movimentação à frente do meio-campo. Já os Three Lions optavam pela pressão alta e intensidade para buscar opções de finalização. Assim, a Inglaterra assustou com um belo chute de longe de Sterling, muito à vontade jogando pelo centro do campo. O lado direito italiano ia muito bem, com Darmian e Candreva combinando demais por ali. O gol saiu em cobrança de escanteio do camisa seis: Verratti recebeu o passe curto, rolou para trás, Pirlo fez o corta-luz e, livre na entrada da área, Marchisio teve tempo para dominar e chutar. 

O empate veio rápido e teve a característica pensada pelo English Team. Na linha média, Sterling fez ótima enfiada para Rooney na ponta esquerda e o camisa dez fez o cruzamento no segundo pau, onde Sturridge apareceu para igualar o jogo. 

O empate não fez mal à Itália, que seguiu mantendo o estilo: muitas trocas de passes (602 passes trocados, maior número da Copa) e paciência para chegar. Em um erro de Hart, Balotelli quase fez um golaço de cobertura. Se SuperMario não conseguiu recolocar a Itália na frente com um golaço, no segundo tempo, ele apareceu para decidir. O lado direito azzurro funcionou com Candreva, que limpou a defesa e cruzou no segundo poste. Balotelli apareceu atrás da defesa e colocou a bola no gol. O carismático e polêmico camisa nove da Nazionale vibrou muito. A derrota parcial forçou a Inglaterra a buscar o jogo e, sabendo disso, Prandelli sacou o bom passador Verratti e colocou Thiago Motta, jogador de mais marcação. 

Com as mudanças de ambos os lados, a Itália passou a ter mais um 4-5-1, formando uma barreira frente à própria área. A Inglaterra ficou em cima, trocando passes, mas sempre buscando Sterling (agora, mais à direita) para tentar a jogada diferente e o último passe. A chance de marcar não surgiu e, na reta final do jogo, o cansaço começou a pegar forte o English Team, diminuindo a intensidade daquela pressão. 

A vitória no jogaço dá muita moral aos italianos, na disputa que promete ser muito dura pelas vagas no grupo D. Para a Inglaterra, apesar da derrota, fica a exibição a boa exibição e noção de que alguns erros foram cometidos, principalmente, na defesa. Para a decisão frente ao Uruguai ter mais de Rooney também será fundamental.
Drogba resolve

 Drogba no lugar de um volante: a entrada do centroavante mudou o jogo para Costa do Marfim (AFP)

O camisa 11 estava no banco, pois Lamouchi optou por iniciar com Bony à frente dos três meias, Gervinho, Yaya Toure e Kalou. Desta forma, quem começou a partida melhor foi o Japão, também armado em um 4-2-3-1, com Honda e Kagawa revezando entra a ponta-esquerda e o centro da linha de três meais. Além da movimentação da dupla, os Samurais Azuis tinham as subidas dos laterais, Uchida e Nagatomo. Os velozes japoneses evitavam que a bola chegasse à Yaya Toure e, com isso, a criação costa marfinense ficava com Kalou e Gervinho, portanto, tinha menos qualidade. 

O Japão aproveitou o início ruim dos Elefantes e saiu na frente. A jogada veio com a combinação entre três de seus jogadores especiais: Kagawa tocou para Nagatomo assistir Honda, que tirou Yaya e fuzilou de canhota. Golaço. Mas Costa do Marfim tinha um time talentoso e muito forte e não se entregaria após sofrer um gol. Yaya Toure começou a aparecer mais e fez algumas boas jogadas. 

Porém o jogo foi resolvido do banco de reservas. Lamouchi mexeu muito bem, pois tinha o grande trunfo no banco, Didier Drogba. O técnico sacou um volante para colocar o centroavante e, desta forma, abriu mão do 4-2-3-1 e jogou no 4-4-2. Yaya se tornou volante ao lado de Tiote, Kalou e Gervinho foram os meias pelos lados e Drogba duplou no ataque com Bony. Modificada, a Costa do Marfim passou a ter mais chegada e conseguiu virar o jogo em duas jogadas semelhantes. Primeiro, armando de trás, Yaya Toure abriu o jogo com Aurier, que cruzou na área, onde Bony ganhou da zaga para cabecear. Depois, novamente o lateral-direito jogou na área e foi Gervinho que desviou de cabeça para o gol. 

O 2 a 1 tranquilizou a seleção africana e agitou os japoneses. Porém o nível do jogo não voltou a ser o mesmo do início dos 90 minutos. Kagawa já não combinava tanto com Honda e Uchida sumiu do campo de ataque. Por isso, as melhores oportunidades vieram quando o autor do primeiro gol tentou jogadas individuais. Mas quem chegou mais perto de marcar foi a Costa do Marfim, com jogadas de Drogba, o homem que mudou o jogo. Assim, os Elefantes largam ao lado de Colômbia na briga pelas vagas do grupo C, chave que também promete equilíbrio.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Simplificando Futebol na Copa - Grupo C

Colômbia
Sem Falcao García, o companheiro de Monaco, James Rodríguez assumirá o protagonismo na seleção colombiana (Getty Images)

Técnico: José Pékerman-ARG

Time-base (4-1-4-1): Ospina; Zúñiga, Yepes, Zapata, Pablo Armero; Sánchez; Cuadrado, Aguilar, Guarín, James Rodríguez; Jackson Martínez.

Craque: James Rodríguez – Monaco-FRA

Lesionados: Stefan Medina (zagueiro, Atlético Nacional-COL) – rompeu ligamentos do tornozelo direito, Luis Amaranto Perea (zagueiro, Cruz Azul-MEX) – lesão na coxa esquerda, Edwin Valencia (volante, Fluminense-BRA) – lesão muscular na coxa direita, Aldo Leão Ramírez (meia, Morelia-MEX) – lesão no joelho direito e Radamel Falcao García (atacante, Monaco-FRA) – ruptura no ligamento anterior cruzado do joelho esquerdo.

Participações no Mundial: 5 (oitavas de final em 1990)

Ranking da Fifa: 8º

Campanha nas Eliminatórias (16J-9V-3E-4D-27GP-13GC-14SG)
Bolívia 1x2 Colômbia
Colômbia 1x1 Venezuela
Colômbia 1x2 Argentina
Peru 0x1 Colômbia
Equador 1x0 Colômbia
Colômbia 4x0 Uruguai
Chile 1x3 Colômbia
Colômbia 2x0 Paraguai
Colômbia 5x0 Bolívia
Venezuela 1x0 Colômbia
Argentina 0x0 Colômbia
Colômbia 2x0 Peru
Colômbia 1x0 Equador
Uruguai 2x0 Colômbia
Colômbia 3x3 Chile
Paraguai 1x2 Colômbia

Após 16 anos fora de mundiais, a Colômbia volta e chega como cabeça de chave. Para retornar às copas, os sul-americanos se aproveitaram do ótimo trabalho realizado na base. Esta geração tem jogadores que ficaram em terceiro lugar no Mundial sub-20 2003 e outros que foram campeões Sul-americanos em 2005. Bebendo desta fonte, os Cafeteros fizeram ótima campanha nas eliminatórias, se classificando no segundo posto, dois pontos atrás da líder Argentina.

Apesar da continuidade de jogadores, no comando, as coisas mudaram bastante. O projeto Copa 2014 começou com Hernán Darío Gómez, que caiu, após a campanha mediana na Copa América 2011. O sucessor foi o auxiliar Leonel Álvarez, que ficou apenas quatro meses e foi substituído. No início de 2012, José Pekerman chegou e, nas palavras do craque Falcao García, fica clara a importância do treinador: “ele tratou de nos dar a confiança necessária para que pudéssemos jogar da forma como estamos acostumados. Hoje em dia, somos uma seleção mais madura e equilibrada”. O técnico argentino fez mudanças táticas, mas, na maior parte do tempo, utilizou o 4-1-4-1 e o 4-2-3-1. Com Pekerman, os Cafeteros seguem sendo um time com foco mais no ataque em relação à defesa, até porque, a qualidade das peças ofensivas é muito maior que as defensivas.

O principal destaque da Tricolor é Falcao García, que marcou nove vezes na eliminatória, mas não virá ao Brasil, por conta de uma séria lesão sofrida no primeiro mês de 2014. Com a ausência de El Tigre, a Colômbia tem bons substitutos para a função. O titular inicial deve ser Jackson Martínez, um centroavante completo, que bate com os dois pés e cabeceia bem também. Ele foi o artilheiro da Liga Sagres com 20 gols. Carlos Bacca, do Sevilla, é o que mais ameaça a titularidade do portista, pois fez 18 gols, em Liga Espanhola e Liga Europa. Além deles, ainda há Adrián Ramos, que balançou as redes 16 vezes, na Bundesliga. Mas a principal estrela será o habilidoso meia-atacante James Rodríguez, líder em assistências da Ligue 1. Rápido e com perna esquerda especial, o camisa dez é a esperança para criação de jogadas e também de gols. O outro ponta no esquema é Cuadrado, muito veloz o jogador se destacou pela Fiorentina na Serie A, com 11 gols e cinco assistências e é mais uma alternativa de criação no meio-campo.

O ótimo técnico José Pékerman conseguiu formar um bom time, priorizando o ataque, mas sem deixar a defesa de lado. Passar da primeira fase não deve ser um grande desafio, pois o grupo C não é dos mais difíceis. Porém, para chegar ainda mais longe na Copa, os Cafeteros precisarão que um dos substitutos de Falcao García funcione bem e que James Rodríguez e Cuadrado cedam as assistências.

Goleiros: 1- David Ospina (Nice-FRA), 22- Faryd Mondragón (Deportivo Cali-COL) e 12- Camilo Vargas (Santa Fe-COL);
Defensores: 3- Mario Yepes (Atalanta-ITA), 2- Cristian Zapata (Milan-ITA), 23- Carlos Valdés (San Lorenzo-ARG), 16- Eder Álvarez Balanta (River Plate-ARG), 4- Santiago Arias (PSV Eindhoven-HOL), 18- Camilo Zúñiga (Napoli-ITA) e 7- Pablo Armero (West Ham-ING);
Meais: 6- Carlos Sánchez (Elche-ESP), 13- Fredy Guarín (Internazionale-ITA), 8- Abel Aguilar (Toulouse-FRA), 5- Carlos Carbonero (River Plate-ARG), 20- Juan Fernando Quintero (Porto-POR), 10- James Rodríguez (Monaco-FRA), 11- Juan Cuadrado (Fiorentina-ITA) e 15- Alexander Mejía (Atlético Nacional-COL);

Atacantes: 17- Carlos Bacca (Sevilla-ESP), 19- Adrián Ramos (Hertha Berlin-ALE), 9- Teófilo Gutiérrez (River Plate-ARG), 21- Jackson Martínez (Porto-POR) e 14- Víctor Ibarbo (Cagliari-ITA).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Grécia: nunca se enfrentaram
Costa do Marfim: nunca se enfrentaram
Japão: nunca se enfrentaram

Calendário de amistosos durante a preparação

31/maio: Colômbia 2x2 Senegal
6/junho: Colômbia 3x0 Jordânia

Costa do Marfim
Drogba e Yaya Toure são as grandes referências costa marfinenses, mas hoje, o camisa 19 é o grande pilar de sustentação dos Elefantes (AFP)

Técnico: Sabri Lamouchi-FRA

Time-base (4-2-3-1): Barry; Aurier, Kolo Toure, Bamba, Boka; Tiote, Romaric; Kalou, Yaya Toure, Gervinho; Drogba.

Craque: Yaya Toure – Manchester City-ING

Lesionados: Arouna Koné (atacante, Everton-ING) – ruptura no ligamento do joelho esquerdo.

Participações no Mundial: 3 (fase de grupos em 2006 e 2010)

Ranking da Fifa: 23º

Campanha nas Eliminatórias (8J-5V-3E-0D-19GP 7GC-12SG)

Segunda fase:
Costa do Marfim 2x0 Tanzânia
Marrocos 2x2 Costa do Marfim
Costa do Marfim 3x0 Gâmbia
Gâmbia 0x3 Costa do Marfim
Tanzânia 2x4 Costa do Marfim
Costa do Marfim 1x0 Marrocos

Terceira fase:
Costa do Marfim 3x1 Senegal
Senegal 1x1 Costa do Marfim

A melhor geração da história do futebol costa marfinense não tem nenhum título, esta é a marca que Drogba e companhia ostentam. Os vice-campeonatos da Copa de Nações Africanas, em 2006 e 2012, foram aonde o talentoso plantel chegou mais perto de uma conquista. Porém, com este grupo, a Costa do Marfim chegou à primeira participação em copas e, desde 2006, participa de todos os mundiais, apesar de nunca passar às oitavas de final. Para a Copa no Brasil, a história não foi diferente: classificação invicta e sem dificuldades.

O técnico é o ex-meia da seleção francesa, Sabri Lamouchi, que assumiu o comando da após o vice-campeonato da CAN 2012, portanto, participou de toda a caminhada nas eliminatórias. Estudioso do futebol, no final do ano de estreia à frente dos Elefantes – e na função de técnico –, o francês visitou José Mourinho, no Real Madrid. A visita deve ter influenciado na mudança tática executada na seleção: saiu o 4-3-3 e veio o 4-2-3-1, formação adotada nos últimos trabalhos pelo português. O esquema potencializa as principais qualidades do elenco costa marfinense, a velocidade pelas pontas e a força pelo centro.

O destaque individual dos Elefantes tem potencial para ser um dos melhores da Copa, afinal, Yaya Toure já está entre os dez melhores do mundo, há, pelo menos, dois anos (2012 e 2013). O costa marfinense fechou a temporada como terceiro artilheiro da Premier League, com 20 gols e ainda cedeu nove assistências, liderando o campeão Manchester City nos dois quesitos. Na seleção, o volante joga como meia (o setor original dele é bem coberto por Tiote e Romaric) e amplifica suas qualidades: a força física, os arremates de fora da área, o ótimo passe, a visão de jogo apurada e a boa qualidade nas bolas paradas. Ao lado de Yaya, estão Kalou e Gervinho, jogadores que proporcionam grande velocidade pelas pontas – o lateral-direito Aurier também chega bem à frente. Por isso, o outrora craque absoluto do país, Drogba deverá ser bem municiado e continuará sendo um perigo aos goleiros adversários.

Se pensar em título, parece inatingível para a melhor geração da história da Costa do Marfim, passar de fase, pela primeira vez na história, é completamente possível. Nas últimas copas, os Elefantes foram sorteados para grupos muito complicados, mas, para 2014, a chave C é acessível. Por isso, se não ficar marcada por títulos, a geração de Drogba e Yaya Toure poderá entrar na história do país, sendo aquela que colocou Costa do Marfim nos mundiais e, ainda, não participou apenas e conseguiu ultrapassar a fase de grupos.

Goleiros: 1- Boubacar Barry (Lokeren-BLG), 23- Sayouba Mandé (Stabaek-NOR) e 16- Sylvain Gbohouo (Sewe Sport-CIV);
Defensores: 4- Kole Toure (Liverpool-ING), 17- Serge Aurier (Toulouse-FRA), 3- Arthur Boka (Stuttgart-ALE), 5- Didier Zokora (Trabzonspor-TUR), 22- Sol Bamba (Trabzonspor-TUR), 7- Jean-Daniel Akpa-Akpro (Toulouse-FRA), 18- Constant Djakpa (Eintracht Frankfurt-ALE) e 2- Ousmane Viera (Caykur Rizespor-TUR);
Meias: 19- Yaya Toure (Manchester City-ING), 9- Cheick Tioté (Newcastle-ING), Romaric (Bastia-FRA), 20- Serey Die (Basel-SUI), 15- Max Gradel (Saint-Étienne-FRA), 14- Ismael Diomande (Saint-Étienne-FRA) e 13- Didier Ya Konan (Hannover-ALE);

Atacantes: 11- Didier Drogba (Galatasaray-TUR), 6- Mathis Booly (Fortuna Düsseldorf-ALE), 12- Wilfried Bony (Swansea-WAL), 10- Gervinho (Roma-ITA), 8- Salomon Kalou (Lille-FRA) e 21- Giovanni Sio (Basel-SUI).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Colômbia: nunca se enfrentaram
Grécia: nunca se enfrentaram
Japão: nunca se enfrentaram

Calendário de amistosos durante a preparação

30/maio: Costa do Marfim 1x2 Bósnia
4/junho: Costa do Marfim 2x1 El Salvador

Grupo C - Japão
A conexão da dupla de criação, Honda e Kagawa será decisiva para o Japão na Copa de 2014 - (Vicenzo Pinto/AFP)

Técnico: Alberto Zaccheroni-ITA

Time-base (4-2-3-1): Kawashima; Uchida, Yoshida, Konno, Nagatomo; Endo, Hasebe; Kiyotake, Kagawa, Honda; Okazaki.

Craque: Shinji Kagawa – Manchester United-ING

Lesionados: Nenhum

Participações no Mundial: 5 (oitavas de final em 2002 e 2010)

Ranking da Fifa: 46º

Campanha nas Eliminatórias (14J-8V-3E-3D-30GP-7GC-23SG)

Terceira fase:
Japão 1x0 Coreia do Norte
Uzbequistão 1x1 Japão
Japão 8x0 Tajiquistão
Tajiquistão 0x4 Japão
Coreia do Norte 1x0 Japão
Japão 0x1 Uzbequistão

Quarta fase:
Japão 3x0 Omã
Japão 6x0 Jordânia
Austrália 1x1 Japão
Japão 1x0 Iraque
Omã 1x2 Japão
Jordânia 2x1 Japão
Japão 1x1 Austrália
Iraque 0x1 Japão

O Japão nunca teve tradição no futebol, porém, a partir de 1998, as coisas mudaram e, desde então, os Samurais Azuis vêm a todos os Mundiais. Por isso, a história mais recente dos japoneses, os coloca como os melhores asiáticos e, nas eliminatórias, provaram isso, sendo a seleção que se classificou com mais antecedência. Além disso, o Japão conquistou a última Copa Asiática, disputada em 2011.

Sob a batuta do italiano Alberto Zaccheroni (desde 2010), os nipônicos virão ao Brasil mais europeus do que nunca, são 12 jogadores atuando na Europa, entre os 23 convocados, e, a maior parte desta dúzia de atletas, será titular na Copa. Este número mostra a evolução do futebol do país. Conhecido pelo jogo mais defensivo, o técnico italiano não tem um time defensivo. Quase sempre jogando no 4-2-3-1 e com laterais que preferem atacar a defender, o esquema é bem armado e a linha defensiva não fica exposta, por isso, apesar da vocação ofensiva da escalação, o Japão conseguiu manter a melhor defesa (ao lado do Irã), entre os times que chegaram à fase final das eliminatórias asiáticas.

Mas, o que chamou a atenção mesmo foi o ataque. Os quatro jogadores ofensivos mais habituais atuam na Europa e já têm boa experiência no melhor futebol do mundo. O trio de meias formado por Kiyotake, Kagawa e Honda tem velocidade e bastante qualidade técnica e consegue confundir defesas, com diversas trocas de posição durante as partidas. E, claro, os velozes laterais Uchida e Nagatomo podem colaborar com o setor ofensivo, com boas chegadas ao fundo. Além deles, a dupla de volantes formada por Endo e Hasebe também consegue colaborar com a criação de jogadas.          À frente dos cinco meias, está Okazaki, que foi artilheiro das eliminatórias da Ásia, com oito gols. Portanto, depois de muito tempo, o Japão dá sinais que tem um centroavante confiável.

Com um time arrumado, bons jogadores atuando bem na Europa e na mão do técnico, o Japão entra com chances de chegar à segunda fase. Para isso, os jogadores mais badalados, Honda e Kagawa, mais uma vez, terão que combinar bem e não poderão falhar. Pois, o grupo C é um dos mais equilibrados do Mundial e qualquer deslize pode custar uma eliminação.

Goleiros: 1- Eiji Kawashima (Standard Liege-BEL), 12- Shusaku Nishikawa (Urawa Reds-JAP) e 23- Shuichi Gonda (Fc Tokyo-JAP);
Defensores: 2- Atsuto Uchida (Schalke 04-ALE), 5- Yuto Nagatomo (Internazionale-ITA), 21- Hiroki Sakai (Hannover-ALE), 3- Gotoku Sakai (Stuttgart-ALE), 19- Masahiko Inoha (Jubilo Iwata-JAP), 15- Yasuyuki Konno (Gamba Osaka-JAP), 6- Masato Morishige (FC Tokyo-JAP) e 22- Maya Yoshida (Southampton-ING);
Meias: 7- Yasuhito Endo (Gamba Osaka-JAP), 17- Makoto Hasebe (Nuremberg-ALE), 14- Toshihiro Aoyama (Sanfrecce Hiroshima-JAP), 16- Hotaru Yamaguchi (Cerezo Osaka-JAP), 4- Keisuke Honda (Milan-ITA), 10- Shinji Kagawa (Manchester United-ING), 8- Hiroshi Kiyotake (Nuremberg-ALE) e 20- Manabu Saito (Yokohama F Marinos-JAP);
Atacantes: 13- Yoshito Okubo (Kawasaki Frontale-JAP), 9- Shinji Okazaki (Mainz-ALE), 11- Yoichiro Kakitani (Cerezo Osaka-JAP) e 18- Yuya Osako (1860 Munich-ALE).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Colômbia: nunca se enfrentaram
Grécia: nunca se enfrentaram
Costa do Marfim: nunca se enfrentaram

Calendário de amistosos durante a preparação

27/maio: Japão 1x0 Chipre
2/junho: Japão 3x1 Costa Rica
6/junho: Japão 4x3 Zâmbia

Grécia
O iluminado Mitroglou é a principal esperança de gols e de classificação da Grécia na Copa de 2014 (Reuters)

Técnico: Fernando Santos-POR

Time-base (4-1-4-1): Karnezis; Torosidis, Sokratis, Moras, Holebas; Maniatis; Salpingidis, Karagounis, Tachtsidis, Samaras; Mitroglou.

Craque: Kostas Mitroglou – Fulham-ING

Lesionados: Kyriakos Papadopoulos (zagueiro, Schalke 04-ALE) – ruptura no ligamento do joelho e Avraan Papadopoulos (zagueiro, Olympiakos-GRE) – ruptura no ligamento do joelho.

Participações no Mundial: 3 (primeira fase em 1994 e 2010)

Ranking da Fifa: 12º

Campanha nas Eliminatórias (12J-9V-2E-1D-16GP-6GC-10SG)

Letônia 1x2 Grécia
Grécia 2x0 Lituânia
Grécia 0x0 Bósnia
Eslováquia 0x1 Grécia
Bósnia 3x1 Grécia
Lituânia 0x1 Grécia
Liechtenstein 0x1 Grécia
Grécia 1x0 Letônia
Grécia 1x0 Eslováquia
Grécia 2x0 Liechtenstein

Repescagem europeia:
Grécia 3x1 Romênia
Romênia 1x1 Grécia

A Grécia chega ao segundo Mundial consecutivo e ainda tem muito do apresentado em 2004, quando se sagrou campeã europeia, com Otto Rehhagel. O time segue focado na defesa e foi com o bom desempenho dos marcadores que os gregos conseguiram a classificação ao Brasil. Nas eliminatórias, a Grécia foi vazada seis vezes em 12 partidas, números bons. Quando comparado ao ataque, o rendimento da defesa merece ainda mais ser exaltado, pois o setor ofensivo anotou apenas 16 gols, sendo nove deles pela dupla Mitroglou e Salpingidis.

O treinador Fernando Santos está à frente da seleção desde 2010, mas já passou por AEK, Panathinaikos e PAOK e foi eleito o técnico da década da Superliga Grega (2000-10). O comandante tentou mudar um pouco estilo defensivo dos azuis e brancos, mas a equipe parece incapaz de ser mais ofensiva, até pela falta de jogadores mais criativos e habilidosos para mudar esta mentalidade. Por isso, o 4-3-3 do português é muito mais um 4-1-4-1, focado na marcação e nos contra-ataques, mesmo que o time não seja tão veloz.

A grande esperança dos gregos é o centroavante Mitroglou, que recentemente chegou ao Fulham, após ter marcado 14 vezes na Superliga Grega 2013-14 e três na Liga dos Campeões. Na Inglaterra, o atacante ainda não marcou, mas o que mostrou nas eliminatórias e no Olympiakos o credenciam a ser a principal estrela do país. Mitroglou incomodará as defesas adversárias, ao lado de Salpingidis. O meio campo segue tendo o capitão Karagounis, que é o líder da equipe, e atua ao lado de um jovem, como Tachtsidis, que tem talento e ainda pode evoluir. Há de se destacar que Samaras, se Fernando Santos não mudar de ideia e colocar Kone em campo, será titular, fazendo o trabalho habitual por uma das pontas: marcação, disposição para ajudar atrás e, de vez em quando, chegando ao ataque.

Alcançar a segunda fase e fazer a melhor campanha em copas do mundo do país parece improvável. Colômbia, Costa do Marfim e Japão têm times com mais talento e se colocam à frente dos gregos na briga pelas vagas as oitavas de final. Porém, a solidez defensiva azul e branca, em um grupo tão equilibrado, poderá garantir pontos, que serão capazes de fazer a Grécia ultrapassar a primeira fase, um feito inédito.  

Goleiros: 1- Orestis Karnezis (Granada-ESP), 12- Panaglotis Glykos (PAOK-GRE) e 13- Stefanos Kapino (Panathinaikos-GRE);
Defensores: 5- Vangelis Moras (Hellas Verona-ITA), 4- Kostas Manolas (Olympiakos-GRE), 2- Giannis Maniatis (Olympiakos-GRE), 20- Jose Holebas (Olympiakos-GRE), 19- Sokratis Papastathopoulos (Borussia Dortmund-ALE), 3- Giorgios Tzavellas (PAOK-GRE), 11- Loukas Vyntra (Levante-ESP) e 15- Vasilis Torosidis (Roma-ITA);
Meias: 6- Alexandros Tziolis (Kayserispor-TUR), 22- Andreas Samaris (Olympiakos-GRE), 21- Kostas Katsouranis (PAOK-GRE), 10- Giorgos Karagounis (Fulham-ING), 23- Panagiotis Tachtsidis (Torino-ITA), 18- Ioannis Fetfatzidis (Genoa-ITA), 16-Lazaros Christodoulopoulos (Bologna-ITA) e 8- Panagiotis Kone (Bologna-ITA);
Atacantes: 9- Kostas Mitroglou (Fulham-ING), 14- Dimitris Salpingidis (PAOK-GRE), 7- Giorgios Samaras (Celtic-ESC) e 17- Theofanis Gekas (Konyaspor-TUR).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Colômbia: nunca se enfrentaram
Costa do Marfim: nunca se enfrentaram
Japão: nunca se enfrentaram

Calendário de amistosos durante a preparação

31/maio: Grécia 0x0 Portugal
3/junho: Grécia 0x0 Nigéria
6/junho: Grécia 2x1 Bolívia

Para completar a análise, um podcast com Tauan Ambrosio, repórter do Goal Br, que faz um ótimo trabalho com futebol internacional. Confiram o programa:


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Olho nelas: Colômbia

Colômbia 

 Falcao García é o dono da bola, mas a Colômbia não se resume ao artilheiro (EFE/Mauricio Duenas)

A história recente do futebol colombiano é semelhante à dos belgas, porém, com um ponto mais negativo e outro bastante positivo. Os sul-americanos não iam ao Mundial desde 1998 (portanto, 16 anos de ausência), mas tiveram um brilho continental depois disso, com a conquista da Copa América disputada em casa, em 2001, quando Aristizábal esteve em grande destaque, conquistando a artilharia do torneio.

Esta geração colombiana bebe da fonte de times que tiveram sucesso recente no futebol base mundial e sul-americano. O trio de meias, Guarín, Aguilar e Macnelly Torres ficou em terceiro lugar no Mundial sub-20 2003. Dois anos depois, o grupo mudou, mas Guarín e Aguilar estavam lá, e ganharam companhia de Zapata, Valdés, Zuniga, Edwin Valencia e Falcao García. Com este grupo, sob o comando de Reinaldo Rueda – hoje, técnico do Equador, que também virá a Copa de 2014 –, a Colômbia foi campeã sul-americana sub-20, deixando Argentina, de Messi e Lavezzi; e o Brasil, de Sóbis e Fernadinho; para trás. No título, Rodallega, que iniciou a competição como reserva, foi o grande destaque, com 11 gols. O artilheiro daquela disputa hoje nem está mais no elenco tricolor, o que mostra as boas opções ofensivas desta seleção. 

A história desta Colômbia começa a mudar quando a Federação escolhe Hernán Darío Gómez, no meio de 2010, para assumir a seleção com o único objetivo: voltar ao Mundial. No meio deste percurso, os cafeteros fizeram ótima campanha, na primeira fase da Copa América de 2011. Mas caíram logo em seguida, nas quartas de final e, com isso, o treinador deixou o comando da equipe. O auxiliar Leonel Álvarez foi promovido ao cargo de técnico principal, porém, a trajetória tricolor mudou mesmo com a chegada do argentino (com passagem longa pela Colômbia, quando era jogador) José Pekerman, no início de 2012. 

“Ele tratou de nos dar a confiança necessária para que pudéssemos jogar da forma como estamos acostumados: tentando competir de igual para igual tanto em casa quanto fora e buscando sempre as vitórias sem rodeios. Hoje em dia, somos uma seleção mais madura e equilibrada”. Disse Falcão García ao site da Fifa recentemente. O principal jogador da tricolor (um dos principais atletas do mundo) mostra a importância de Pekerman, o homem que consegue dar equilíbrio à Colômbia. Pois está claro que a parte ofensiva da seleção tem muito talento, porém, nas Eliminatórias, além do bom ataque, a defesa é a melhor da tabela ao lado da Argentina, méritos para o comandante. 

 Um volante mais fixo e quatro meias buscando municiar o brilhante centroavante, Falcao García (clique na imagem para ampliar)

Taticamente o time joga prioritariamente no 4-1-4-1, porém, muitas vezes, com o avanço dos meias-externos passa a ser um 4-3-3. Um ponto importante para o bom funcionamento do esquema cafetero e que não tem funcionado ultimamente é o meia-central Guarín, que vive má-fase técnica na Internazionale, mas que foi fundamental na campanha da Copa América de 2011. Nestes oito meses que separam a Colômbia do Mundial, um dos principais trabalhos de Pekerman será a recuperação do camisa 13.

Após viver “uma das maiores alegrias da minha vida”, o técnico argentino e seus dois auxiliares seguirão trabalhando muito. Durante a trajetória à frente da seleção, o trabalho de pesquisa sobre os adversários foi destacado pelos comandados e poderá fazer a diferença na Copa de 2014. Para dar mais bagagem aos cafeteros, a Federação Colombiana também trabalha e, em novembro, agendou amistoso frente à Bélgica e Holanda, na Europa.

Acostumar os jogadores à grandes jogos, com seleções que estarão na Copa, poderá ser o antídoto para a falta de experiência em Mundiais do elenco tricolor. A inexperiência é algo que poderá pesar à esta geração colombiana: dos 23 jogadores constantemente convocados por Pekerman, apenas o goleiro reserva Mondragón esteve em uma Copa do Mundo. Mesmo com a maioria dos cafeteros jogando há muito tempo na Europa, não ter disputado um Mundial poderá ser mais um desafio para a boa seleção colombiana. Mas com o incrível centroavante Falca García e o comando do equilibrado José Pekerman, sim, a Colômbia poderá surpreender na Copa do Mundo, que, muito possivelmente, virá ao Brasil como cabeça de chave.

PS: talvez, tenha mais algumas seleções que serão abordas aqui na "Olho nelas", porém, deverão ser faladas apenas mais para frente.

sábado, 16 de julho de 2011

Colômbia 0x2 Peru

Colômbia: a grande decepção

A zebra é branca e vermelha na primeira partida das quartas de final da Copa América 2011 (Miguel Ángel Bustamante/Terra)

A Colômbia chegou à partida contra o Peru credenciada pela melhor campanha da Copa América 2011 e pela defesa imbatível até ali. Além disso, Guarín vem em ótima forma no meio-campo e Falcão García parecia ter se reencontrado na partida contra a Bolívia. Como de costume na competição, os cafeteros vieram no 4-1-4-1 e encontraram o Peru armado da mesma forma, com destaque para Vargas, o externo-esquerdo que teve muita liberdade para apoiar Guerrero.

Os primeiros minutos deixaram claro o que seria o jogo: com poucas chances e pouco futebol apresentado pelas duas equipes. A defesa blanquirroja se comportava muito bem e não dava espaços para Falcão García receber bolas em boas condições de marcar. Dayro Moreno e Guarín, fundamentais ao sistema de criação de criação de jogadas colombiano, estavam mal e os laterais, boas opções ofensivas também não jogavam bem.

As chegadas dos cafeteros eram raras, mas quando eram bem neutraziladas pela defesa peruana – em ótima jornada. A chance para o jogo não ir para a prorrogação veio nos pés de Falcão García, que falhou e desperdiçou um pênalti. Mas quem passou mais perto de marcar foi o apagado Guarín, que fez jogada mágica nos acréscimos, mas parou na trave.

O jogo ruim teria prorrogação e a esforçada e dispota seleção peruana conseguiu decidir o jogo nos 30 minutos adicionais. Primeiro, aos 11 minutos, com Lobatón aproveitando saída estabanada de Neco Martínez. Depois, aos seis da segunda etapa, em outro lance ruim do goleiro colombiano, Vargas matou a partida. O desespero cafetero foi tão grande nos minutos finais, que a equipe terminou o jogo com cinco atacantes em campo, mas é óbvio que isso não deu resultado e a zebraça foi confirmada com o 2 a 0.

domingo, 10 de julho de 2011

Colômbia 2x0 Bolívia


Ih fudeu, o Falcão apareceu

 Falcão García demorou três partidas para marcar, mas já abriu a contagem com dois gols (futebolred)

Falcão García após temporada incrível pelo Porto, ainda não havia marcado pela seleção nesta Copa América. Novamente o camisa nove foi o único atacante escalado por Hernán Darío Gómez, no esquema 4-1-4-1 colombiano. Do outro lado, a Bolívia também repetiu a formação tática do jogo anterior: o 4-4-2. Com os desfalques por suspensão na defesa, La Verde sofreu muito com uma retaguarda bastante fraca.

Os gols saíram rápido. Aos 14, Falcão recebeu lançamento maravilhoso de Dayro Moreno e, de frente para Arias, não falhou: 1 a 0. Aos 28, o camisa nove, bateu precisamente o pênalti sofrido por Pablo Armero, que incomodava bastante o fraco Vargas. Além de ser boa alternativa ofensiva, o ex-jogador do Palmeiras ainda comandou a comemoração do primeiro gol, puxando uma dança parecida com o “Armeration”.

Aí a vitória já estava praticamente garantida e os cafeteros foram inteligentes. Recuaram e, na volta para o segundo tempo, pouparam Guarín, que estava pendurado, com um cartão amarelo e o cansado Dayro Moreno. Rodallega, que entrou no lugar do camisa 17, fez ótima partida e poderia ter feito, pelo menos, um gol. Mas não era preciso, o 2 a 0 já garantia a classificação em primeiro lugar. Marcelo Moreno e Arce formavam o ataque boliviano, mas raramente tentaram se aproximar, facilitando o trabalho da retaguarda colombiana.

A vitória dos cafeteros, além de garantir o primeiro posto à equipe, ainda classifica Venezuela, Chile e Peru, eliminando a Bolívia. A Colômbia mostrou que é forte e tem dois jogadores em grande fase: Guarín e Falcão García. Devem incomodar bastante na segunda fase.

Defesa da Colômbia

 O 4-1-4-1 é o segredo para a boa produção da defesa colombiana, que conta com dois laterais bastante ofensivos (Clique na imagem para ampliá-la)

Nos três jogos da primeira fase, o goleiro Neco Martínez, que substituiu o titular Ospina, não foi vazado. O mais curioso é observar a formação da linha defensivva colombiana: Neco Martínez; Zuñiga, Perea, Yepes e Pablo Amero.        Os dois laterais atuam na Itália e por lá jogam mais à frente, às vezes, até como meias. O segredo dos cafeteros é a presença de um volante bem preso. Na primeira partida, Bolívar e, a apartir da segunda, Sánchez. Ele é o resposável pela cobertura dos avanços dos laterais, que, raramente ocorre simultaneamente.