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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Douglas Costa: moderno e antigo

No início na Alemanha, Douglas tem ignorado os marcadores e recebido diversos elogios (AFP)

Ironizado por muitos e desconhecido por tantos outros no Brasil, Douglas Costa chegou ao Bayern de Munique nesta temporada e já chama atenção. O brasileiro não sente o peso da responsabilidade dos 30 milhões de euros investidos em seu futebol e joga o quanto precisa para afastar as desconfianças. 

Douglas Costa é canhoto, extremamente veloz, habilidoso e não tem medo de confrontos um contra um. O brasileiro foi contratado como alternativa ao famoso dueto bávaro, Robery (Robben e Ribéry), principalmente para substituir o francês, que vem sofrendo com constantes lesões. Neste início de 2015-16, o gaúcho já apareceu na ponta direita e na ponta esquerda, mas se destacou mesmo por atuar como um ponta antigo pelo lado canhoto do ataque bávaro. 

Ponta à moda antiga? Sim, pois, ao contrário das atuais referências na posição – Robben, Hazard, Neymar –, Douglas Costa não atua com pé invertido. O canhoto tem chamado mais a atenção jogando pela esquerda e indo ao fundo para cruzar. Uma característica pouco comum ao futebol moderno, mas que dá muito certo no atualizadíssimo Bayern de Munique de Pep Guardiola. Os números refletem esse sucesso: nos primeiros três jogos da Bundesliga, o camisa 11 soma quatro assistência e um gol – lidera a Liga Alemã no primeiro quesito. 

Com cinco participações em gols do Bayern, o gaúcho é responsável direto por 50% dos tentos anotados pela equipe de Munique, nas três partidas iniciais do campeonato. Apenas Thomas Müller, com os cinco gols anotados – três deles marcados após passe de Douglas Costa –, tem importância igual a do brasileiro no ataque bávaro. 

O bom desempenho inicial tem dois motivos óbvios: a qualidade do jogador e a confiança de Pep Guardiola no futebol dele. Dentro das diversas variações do catalão, neste começo de temporada, Douglas Costa como titular é uma das certezas. Isso somado aos ótimos números e ao bom nível de futebol apresentado, garantiram o prêmio de melhor jogador da Bundesliga no mês de agosto. 

Logo após a estreia do brasileiro, Pep Guardiola declarou estar muito feliz com desempenhos do novo camisa 11 dos bávaros. “O Bayern fez uma ótima aquisição com o jovem Douglas Costa. Ele pode jogar tanto pela ponta direita, quanto pela esquerda. Ele tem a visão necessária para ter sucesso jogando centralizado também. Nos próximos dias, ele vai receber um monte de elogios pelo seu desempenho, mas é o nosso trabalho ajudá-lo a permanecer com os pés no chão”. 

A largada em grande estilo na Alemanha mostra ao Brasil que Douglas Costa é excelente opção aos canarinhos. Além disso, com os constantes problemas físicos de Ribéry e Robben (ambos estão fora das próximas partidas), a possibilidade é muito grande de que o bom início se concretize em uma temporada sendo muito relevante no elenco bávaro. A seleção brasileira e Pep Guardiola apostam nisso.

sábado, 23 de agosto de 2014

Um novo Bayern

Robben começou voando a temporada 2014-15, da mesma forma que terminou a Copa do Mundo 2014 (fcbayern.de)

Pep Guardiola é conhecido por ser um técnico bastante inquieto e que, mesmo com vitórias, sempre quer evoluir. Na temporada passada, o Bayern de Munique não repetiu a tríplice coroa e, na Liga dos Campeões, parou nas semifinais, ao perder para o Real Madrid por 5 a 0 no agregado. Além disso, foram raros os momentos em que os melhores jogadores ofensivos do elenco – Ribéry, Robben, Götze, Müller e Mandzukic – ficaram juntos em campo. Por isso, para 2014-15, desde a pré-temporada, o catalão vem desenhando um Bayern jogando no 3-4-3, sendo que um dos zagueiros seria o ótimo lateral-esquerdo Alaba. 

Depois de perder a Supercopa da Alemanha para o Borussia Dortmund, quando Jürgen Klopp superou completamente a ideia de jogo proposta pelos bávaros, o plano para a temporada não mudou. Pep Guardiola, inclusive, afirmou: “nós sofreremos do começo até a parada de inverno”. Na estreia da Bundesliga, o catalão manteve o pensamento inicial e, mesmo jogando no 4-2-3-1, os movimentos da equipe com e sem a bola mostravam claramente os três zagueiros. Na maior parte do tempo, o Bayern conseguiu controlar as ações e só não conseguiu um placar elástico por conta da boa atuação do goleiro Grün e da boa marcação executada pelo Wolfsburg. O jogador mais desequilibrante que estava em campo, Robben fez o que se espera dele: com um drible, venceu Luiz Gustavo e cruzou para Müller marcar de canela. 1 a 0.

  Bayern de Munique - Football tactics and formations 

Na volta do intervalo, Robben fez o dele em contra-ataque muito veloz, em que o holandês fez o desarme, tabelou com Lewandowski e marcou de canhota. Logo depois, em descuido da zaga somado à falha de arbitragem, Olic, ajeitando a bola com a mão, fez um golaço da entrada da área. Os lobos tomaram conta do jogo e ficaram muito próximos de empatar, o jovem e promissor volante belga, Júnior Malanda, perdeu gol incrível, que decretaria o 2 a 2. 

O camisa dez marcou a diferença da partida, com um gol e uma assistência. Na verdade, se não fosse um erro do auxiliar, teria conseguido duas assistências, mas o 3 a 1 marcado por Rode foi anulado. Robben largou a temporada no ritmo de melhor jogador da Copa e fez com que o Bayern atacasse em 42% das vezes pela direita, setor em que o holandês, praticamente, monopolizou as jogadas. O lado destro do ataque não teve tanta a presença de Lahm, que, na primeira etapa, ficou mais como zagueiro do que lateral. Pois, no flanco canhoto, Bernat recompunha sem a bola, porém, na posse dela, se alinhava com Alaba e Guadino, empurrando Götze para o centro e deixando Müller bem próximo ao centroavante Lewandowski.

  Bayern de Munique - Football tactics and formations 

Além da interessante movimentação com a bola, que deixava o time com os três zagueiros imaginados na pré-temporada, foi importante notar a confirmação de Guadino. O jovem fez ótimos amistosos e, assim que as partidas passaram a valer, a relevância do meia-central de 17 anos não mudou. Contra o Wolfsburg, foram 57 passes completados dos 59 tentados, incrível índice de 96,6% de acerto. Com Schweinsteiger e Thiago às voltas com lesões, Guadino pode ter papel importante neste novo Bayern e, até aqui, quando exigido, o jovem não decepcionou.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Recital dos melhores

 Cristiano Ronaldo é a grande estrela, mas este Real Madrid é forte, pois tem um grupo muito qualificado, contra o Bayern, mostrou isso (AFP/Getty Images)

Primeiro, se convencionou chamar o Barcelona de melhor time do mundo, porém, após a tríplice coroa na temporada passada, o Bayern de Munique passou a ostentar a alcunha. Mas, em 2013-14, o Real Madrid, com o acréscimo de Bale e com Cristiano Ronaldo jogando cada vez melhor, mostrou que estaria pronto para reassumir o topo do futebol, algo que, talvez, não ocorra desde 2001-02. Por envolver os dois melhores times do planeta e valer vaga na final da Liga dos Campeões, a partida de hoje já tinha atmosfera especial, mas, além disso, a vitória madridista, por placar mínimo, na ida, deixava as duas equipes com boas chances de avançar.

Com Bale e Ronaldo 100%, Ancelotti voltou a escalar o time com ambos. Porém, ao invés de apostar no 4-3-3, que deu certo na maior parte da temporada, o italiano armou um 4-4-2, com Bale à direita e Di María à esquerda, ajudando os meias-centrais, Xabi Alonso e Modric, na marcação e, claro, Ronaldo e Benzema jogaram na frente, mas também recompondo, quando necessário. Guardiola colocou o Bayern em uma espécie de 4-2-3-1, em que Kroos e Schweinsteiger foram os volantes, e Robben à direita, Müller no centro e Ribéry à esquerda alinharam atrás do centroavante Mandzukic - exceção de Robben, todos muito abaixo daquilo que podem oferecer. Além disso, os laterais Lahm e Alaba avançaram muito, o que deixou, muitas vezes, Dante e Boateng completamente expostos aos contra-ataques do Real Madrid.

Mas os merengues ofereceram muito mais do que os mortais contra-golpes. A defesa funcionou muito bem, destaque para a dupla de zaga, Sergio Ramos e Pepe. E, quando teve oportunidade, o Real propôs o jogo, com uma verticalidade impressionante. O Bayern controlou a posse de bola (acabou com 64% dela), mas chutou pouco, no primeiro tempo, não conseguiu exigir nenhuma defesa de Casillas e, enquanto a marcação blanca funcionava a perfeição, os bávaros não foram bem lá atrás. Em duas bolas paradas, o mesmo erro: Boateng e Dante foram marcar Ronaldo e, com isso, Ramos apareceu, com alguma liberdade, para marcar.

Com os dois gols do zagueiro, o Bayern se perdeu. Os jogadores passaram a querer ganhar algumas jogadas no grito e também avançaram muito ao ataque, dando ainda mais espaço ao Real, que não costuma desperdiçar os contra-golpes. Em um deles, Benzema achou Bale, que deixou a defesa para trás, e rolou para o lado esquerdo, onde Ronaldo apareceu para fazer o gol. Foi o 15° gol do camisa sete na competição, o que o torna o maior artilheiro de uma edição de Liga dos Campeões, deixando para trás José Altafini, do Milan, e Lionel Messi, do Barcelona, que marcaram 14 gols, em 1962-63 e 2011-12 respectivamente.

Depois dos primeiros 45 minutos perfeitos do rival, o Bayern não tinha muito o que fazer, precisava de um improvável 5 a 3 para avançar. Guardiola até mexeu, colocou Javi Martínez para dar segurança à defesa e o basco proporcionou isso, porém, o estrago já estava feito. Os bávaros seguiram dominando a posse de bola e o território de jogo (213 passes trocados no terço final do campo, contra 27 do Real), mas, precisando de cinco gols e enfrentando a ótima defesa madridista, conseguiram apenas quatro finalizações na baliza de Casillas, que não deixou nenhuma delas se transformar em gol.

A vantagem era enorme, por isso, o Real não buscou estar muito presente no ataque. Em alguns contra-ataques, assustou. Mas a intensidade no segundo tempo foi outra. Porém, Ronaldo ainda tinha um truque para apresentar à Allianz Arena. Depois de cobrar uma falta na barreira, o português teve mais uma oportunidade, desta vez, bem próximo da área. O camisa sete surpreendeu a todos e bateu rasteiro por baixo dos adversários, matando Neuer e fechando o placar em 4 a 0 – 16° gol na LC 2013-14, ampliando o recorde recém-conquistado.

A goleada categórica impede que o Bayern repita o feito do ano passado (já tem a Bundesliga e ainda poderá vencer a Copa da Alemanha) e recoloca o Real Madrid em uma final de LC, após 12 anos ausentes. O técnico Carlo Ancelotti, que tem muita responsabilidade neste feito, ressaltou o recital madridista: “estão todos de parabéns, os nossos jogadores estiveram muito bem. Quando todos trabalham em conjunto, podemos juntar a qualidade e as coisas podem resultar na perfeição”.

Falta um jogo para o clube alcançar a tão sonhada décima conquista da Liga dos Campeões, que é perseguida desde 2001-02, quando venceu a nona taça. Para isso, além de enfrentar um grande adversário, seja o Chelsea, seja o Atlético de Madrid, o Real terá de suprir a ausência do indispensável Xabi Alonso, que está suspenso para a final. Mas isso é assunto para a prévia da decisão, que ocorrerá no Estádio da Luz, em Lisboa, no dia 24 de maio.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Podcast 4

Calma, calma, ele está de volta. Ronaldo é a principal arma madridista para o confronto com o Bayern e, com mais um gol, ele se torna, de forma isolada, o maior artilheiro de uma edição de Liga dos Campeões (AP Photo)

Chegou uma das semanas mais esperadas do ano, pois teremos os jogos de volta das semifinais de Liga dos Campeões e Liga Europa, envolvendo oito grandes times europeus. Portanto, quatro partidas que prometem ser de alto nível. Por isso, eu, Pierre Andrade e Tauan Ambrosio, do Goal Brasil,  gravamos o quarto podcast do Blog. Já me justifiquei na gravação, mas não custa repetir, por culpa de um erro meu, perdi o início do programa e, na hora da regravação, apenas o Tauan esteve comigo - alguns outros problemas técnicos poderão ser observados no programa, mas nada que prejudique o entendimento.

Na ordem, os assuntos:

Ronaldo e Bale serão preponderantes? E os técnicos repetirão os esquemas da última partida? (Bayern de Munique x Real Madrid);

José Mourinho colocará o Chelsea mais para frente, precisando vencer a partida? O Atlético optará apenas pelo contra-ataque ou tentará propor mais o jogo? (Chelsea x Atlético de Madrid);

O sonho de decidir a Liga Europa em casa parece próximo para Juventus, que deve ter Vidal. O Benfica deixou a marca de quase no ano passado, mas ainda pode perder três títulos na temporada e ficar apenas com uma taça de quatro possíveis (Juventus x Benfica);

O confronto que parece mais definido, pois o 2 a 0 em casa deu boa vantagem ao Sevilla, que tem os ótimos Bacca e Rakitic (Valencia x Sevilla).

Confiram o papo  de quase uma hora neste player abaixo:


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Podcast Simplificando Futebol 3

 Na europa, está chegando a hora de levantar taça (Harold Cunningham/Mirror)

Mais um podcast do Simplificando futebol, desta vez, os comentaristas convidados são Pierre Andrade e Tauan Ambrosio, do site Goal.com.br. O papo foi longo, pois falamos muito da reta final do futebol europeu, focando nos campeonatos que estão mais equilibrados.

Pela ordem, os assuntos foram:

- Reta final da Premier League, com destaque para o bom trabalho de Brendan Rodgers no Liverpool;

- Últimas rodadas da Liga Espanhola, falando também um pouco da final da Copa do Rey, que ocorrerá nesta quarta-feira;

- Confrontos de semifinal da Liga dos Campeões


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Enfermedades Futboleras 14

Esta é a última coluna do ano e ficarei de férias por um tempo em janeiro. O blog seguirá, pois tenho um texto agendado para o final do ano. A ideia deste resumo do futebol internacional, baseada em coisas que já existem na Europa, foi muito boa para mim. Me esforcei a acompanhar mais futebol, mais jogos e, por isso, falo sem medo: hoje, sei mais de futebol do que sabia antes. Os resultados de acessos não foram maravilhosos, porém, não posso reclamar. Portanto, seguiremos ano que vem.

O óbvio grito de “é campeão”

Com gols de Dante e Thiago o Bayern cumpriu a missão cinco e fecha o ano com cinco taças (FcBayern.de)

Contra o Raja Casablanca, contra o Atlético Mineiro, contra o Monterrey, contra quem quer que seja, hoje o Bayern é favorito. Neste sábado, Pep Guardiola optou por começar com Götze no banco e com Thomas Müller como falso nove. Apesar das mudanças e de um estádio que apoiava o adversário, os bávaros não tiveram problemas para alcançarem a vitória por 2 a 0. Sem forçar, com a marcação pressão, a movimentação dos meias e com 76 % de posse de bola, o time alemão deu poucas chances aos marroquinos. 

O Raja até assustou, em momentos que o Bayern pareceu se desligar do jogo, mas o gol não saiu. Independente do zero no seu lado do placar, o que os green boys fizeram na competição é histórico, pois nunca um time do país-sede havia chegado tão longe e, sem dúvida, superaram adversários mais fortes nesta caminhada. Além do resultado em campo, os marroquinos conseguiram emocionar a todos e uniram a torcida ao redor da equipe, que apoiou muito a equipe durante toda a competição. O corredor de honra armado pelos bávaros aos green boys foi emocionante e uma justa homenagem para fechar a participação histórica no Mundial. 

Portanto, sem dificuldades, os bávaros conquistaram o quinto título deste elenco na temporada: Bundesliga, Copa da Alemanha, Liga dos Campeões, Supercopa da Uefa e, agora, o Mundial de Clubes – faltou a Supercopa local para igualar o Barcelona de Guardiola, em 2008-09. Além de voltar campeão à Alemanha, o Bayern chegará com uma distância para o segundo colocado, Bayer Leverkusen, igual à que deixou quando viajou ao Marrocos, confortáveis sete pontos, com um jogo a menos.

Um 1 a 0 enorme

O cruzamento rasteiro de Guarín, a antecipação sobre Zapata e a finalização de letra de Palacio (Inter/it)

Inter e Milan não são mais os times que foram recentemente, o futebol italiano em si não é a potência que foi capaz de colocar três semifinalistas (os rivais de Milão estavam lá) e dois finalistas na Liga dos Campeões, em 2002-03. Mas um dérbi de Milão nunca será um jogo sem importância. Ambos em momentos ruins e tendo a partida como a última antes da parada de inverno, uma vitória seria fundamental, por isso, o jogo foi tão brigado. Mazzarri manteve a Inter no 3-5-1-1, com Guarín atuando atrás do móvel centroavante Palacio. O ameaçado Allegri armou o Milan com Kaká apoiando Balotelli no ataque.

Os dois homens mais avançados de ambos os times fizeram boas partidas e se esforçaram muito para criarem na frente. Afinal, na maior parte das vezes, o sistema defensivo adversário teve superioridade numérica nas disputas. Por conta das boas participações dos jogadores mais ofensivos, rossoneri e nerazzurri tiveram inúmeras chances, mas, quando chegaram, Abiatti e Handanovic fizeram boas defesas. O interista vacilou em algumas bolas cruzadas, porém, isto não prejudicou o desempenho dele. A diferença da Inter foram as mexidas que deram certo. Kuzmanovic entrou no lugar do cansado Zanetti, Kovacic na vaga de Taider e Icardi substituiu Cambiasso. A partir daí, os nerazzurri tiveram um 3-4-1-2, com Kovacic atrás da dupla de argentinos e com Guarín na linha de quatro meias. Com um parceiro no ataque e mais gente para chegar pelo meio – Kova e Guarín –, Palacio funcionou melhor.

O gol decisivo saiu em uma jogada que mostrou claramente a importância das mudanças: Guarín invadiu a área e cruzou rasteiro para o meio, onde o camisa oito nerazzurro apareceu para marcar de letra. “Foi o gol mais importante da minha carreira. Foi uma vitória que nos dá confiança, vamos de férias feliz", a definição do goleador da noite é muito válida, pois a Inter voltará da parada de inverno com um novo ânimo, enquanto o Milan entra em férias recheado de dúvidas, a principal delas: será que Allegri iniciará 2014 empregado?

O melhor atacante do mundo

Suárez sabe o caminho do gol, na Premier League, a artilharia é dele com 19 gols (Premier League)

Talvez Ibrahimovic seja tão importante para o próprio time, como Suárez é para o Liverpool. Porém, hoje, o camisa sete está um patamar acima. Especulado para sair durante a janela de transferências e suspenso no início da boa jornada dos reds na Premier League, atualmente nada lembra este início de temporada turbulento. Desde que voltou, o uruguaio atuou em 12 partidas da competição e marcou 19 vezes – mais do que os artilheiros de 1997-98 e 1998-99 –, e, agora, está de contrato renovado, para ganhara 200 mil libras por semana. Portanto, vive o mundo ideal. Neste final de semana, Luisito ajudou a recolocar o Liverpool na liderança da Liga – a primeira vez, desde 2008, que o time chega ao natal na ponta da tabela. 

Contra o Cardiff, o 4-3-3 do Liverpool teve o estilo de Brendan Rodgers: muita posse de bola (69%) e muitos passes trocados, foram 557, enquanto os rivais passaram entre si apenas 185 vezes. No 3 a 1, Suárez fez dois e, ainda mostrou companheirismo, ao sair na frente do goleiro e preferir a assistência para Steriling empurrar a bola para o gol vazio. Os três gols dos reds saíram na primeira etapa. Além do uruguaio, destaque para o autor do outro gol, que abusou da velocidade na ponta-esquerda, e os meias Henderson e Lucas Leiva. O brasileiro foi o homem do primeiro passe, 91 passes, com 93% de acertos, e, o inglês, participou dos três gols, com duas assistências e o passe que iniciou a jogada finalizada por Sterling.

Após o intervalo, o time se descuidou um pouco da defesa, fazendo muitas faltas e dando chances ao Cardiff cruzar bolas na área. Em um desses lances, veio o gol dos bluebirds, que poderiam até ter incomodado mais a vitória do Liverpool. Mas, o que chamou a atenção pelo lado galês, foram os protestos em Anfield. Os torcedores pedem a saída do proprietário, Vincent Tan, que além de investir no time, mudou as cores tradicionais e o escudo. A relação entre o dono e a arquibancada parece ter alcançado o limite, porém, nas várias vezes que foi focalizado, o asiático, que parece muito o PSY, não se mostrou incomodado com os diversos cartazes e cânticos dos galeses.

Sem problemas 

O atual tricampeão e vice-líder da Liga de Sagres, Porto recebeu o penúltimo colocado Olhanense, no Estádio do Dragão. Um gigante vindo de três títulos e um pequeno na zona de rebaixamento, o resultado foi um domínio total portista. No 4-3-3 do técnico Paulo Fonseca, destaque para o alto índice de posse de bola, inversão dos pontas e bom aproveitamento em bolas paradas. Apesar do 4 a 0 contrário, o goleiro rubro-negro Belec, que está emprestado pela Internazionale, fez boas defesas. Mas, o ponto alto foi a atuação do desconhecido brasileiro Carlos Eduardo, meia com mais liberdade para se juntar aos atacantes no sistema tático. Foi a segunda partida como titular do camisa e o desempenho foi impressionante: duas assistências (em cobranças de escanteio) e um golaço. A goleada mantém o Porto na perseguição do líder Sporting.

Com a cara de Mourinho

 Com pragmatismo, Mourinho está podendo sorrir no Chelsea. Hoje, alcançou o décimo jogo invicto contra Wenger (AFP)

Nesta segunda, Arsenal e Chelsea se enfrentaram no Emirates Stadium e não saíram do zero – ao todo, os times acertaram o gol rival apenas seis vezes. Wenger e Mourinho repetiram o tradicional 4-2-3-1, a novidade foi pelo lado dos blues: Mikel e Lampard na volância, Willian à esquerda, Ramires no centro e Hazard à direita, que, no segundo tempo, voltou para a ponta canhota. Porém, apesar da escalação, foi o Chelsea que conseguiu as melhores oportunidades durante todo o jogo, o camisa 17 foi destaque na criação das jogadas. Nos primeiros momentos, estranhamente, não foi o Arsenal que conseguiu exercer pressão na saída de bola adversária e, sim, os comandados do Special One. 

No segundo tempo, o panorama mudou, os gunners aproveitaram que o Chelsea abdicou da marcação avançada e optou pelos contra-ataques, que chegaram a assustar. Mesmo melhor, o Arsenal não alcançou o gol, em duas ocasiões, Giroud falhou na finalização e, também, faltou mais de Özil, que, muitas vezes, apareceu longe da área, onde seus passes não puderam ser decisivos. Além disso, Wenger não utilizou o bom banco, que, nesta segunda, teve Podolski e Cazorla, por exemplo. Mas a vitória foi a consagração da opção de Mourinho, que, desde o princípio, destacou o sistema defensivo em detrimento do ataque. Assim foi no empate em 0 a 0, contra o United, Old Trafford, e, no 2 a 1, contra o City, em Stamford Bridge, quando a vitória só veio após falha emblemática da defensiva dos citzens. Desta forma, jogando estrategicamente, os blues estão na quarta colocação a dois pontos dos líderes.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Enfermedades Futboleras 12

Sem forçar

 Robben aproveitou a fragilidade do Braunschweig para marcar duas vezes garantir mais uma vitória dos bávaros (FcBayern.com)

O Bayern é líder absoluto da Bundesliga 2013-14, com quatro pontos de vantagem sobre o Leverkusen e sem perder após 14 rodadas. Apesar dos desfalques – atualmente, tem jogado sem Ribéry, Lahm e Schweinsteiger –, os bávaros seguem mostrando tranquilidade absoluta nas partidas e dão a impressão de que vencerão assim que quiserem. Neste final de semana, o adversário foi o último colocado da competição, Eintracht Braunschweig, que não teve chances. Guardiola manteve o time titular armado no 4-1-4-1: sem Lahm, Thiago foi o facilitador da saída de bola; Thomas Müller assumiu a função de Ribéry pela ponta-esquerda e abriu o espaço para Javi Martínez ser um dos meias-centrais. Com a evolução de Götze, o técnico catalão pode utilizar a opção do falso nove mais constantemente. A alternativa deixa a movimentação da equipe mais livre, pois os homens ofensivos não guardam posição. 

O 2 a 0 com dois gols de Robben não refletiu o que foi o jogo, mas, outros números dão a clara visão do que foi a partida: um massacre de um time que poderia ter desejado mais gols. A marcação alta bávara é refletida nos onze desarmes no campo ofensivo e o controle do jogo é visto nos 77% de posse bola somado aos 800 passes trocados com índice de 90% de acerto, sendo que 223 deles foram no último terço do campo. A ampla imposição do Bayern resultou que o Braunschweig ficou a maior parte do tempo armado com uma linha de quatro defensores, outra composta por cinco meais e apenas Kumbela mais à frente, mas até o centroavante atuou na marcação atrás da linha média. Porém, a retranca não funcionou, pois a impressão foi de que os bávaros não golearam porque não quiseram. Com esta tranquilidade, o Bayern parece não ter adversário capaz de impedir o bicampeonato.

Igualdade em White Hart Lane

Após o 6 a 0 sofrido para o City, o técnico André Villas-Boas chegou a ter a demissão especulada. Mas o Tottenham conseguiu vencer na Liga Europa e, neste final de semana, ao menos empatou com o Manchester United. Ameaçado, AVB fez mudanças na escalação, acostumado a jogar no 4-1-4-1, tem jogado mais no 4-2-3-1 e, contra os red devils, posicionou Paulinho como meia-atacante. Mais à frente, o brasileiro até começou bem, porém teve atuação apenas regular. O centroavante Soldado, mais uma vez, não justificou os 30 M € investidos nele: tocou 12 vezes na bola e só fez uma finalização, que foi para fora. O United manteve o 4-4-1-1, com Welbeck na ponta-esquerda e Kagawa atrás do centroavante Rooney, mas, durante a partida, os três trocaram bastante de posição. 

Nenhum dos times fez exibição espetacular e, ao todo, acertaram apenas sete vezes a baliza adversária. Com isso, os gols não vieram de jogadas bem construídas. O Tottenham abriu o placar com Walker de falta, Rooney aproveitou falha da defesa para marcar, Sandro colocou os londrinos na frente em bela jogada individual e, logo depois, o camisa dez igualou novamente em cobrança de pênalti, que não deveria ter sido marcado. Pelo o que foi a partida, com dificuldade para criação dos dois lados, ninguém pode reclamar do placar final, porém, é justo que os spurs saiam mais decepcionados por terem sofrido um gol proveniente de uma penalidade inexistente.

No ritmo de Bale

 Bale começa a viver um caso de amor pelo Real Madrid (Ag. Reuters)

Quando o Real Madrid contratou Bale e abriu mão de Özil ficou a dúvida de como Ancelotti escalaria a equipe. O técnico italiano testou várias formações e os blancos sempre alternaram boas e más atuações. Porém, nos últimos jogos, os merengues encontraram a forma de jogar: o 4-3-3, com Bale na ponta-direita e Cristiano Ronaldo na ponta-esquerda. Desta forma o time reage em La Liga e sobra na Liga dos Campeões, mas e o galês como está no Real? A resposta vem sendo dada a cada semana, pois o camisa onze se mostra cada vez mais à vontade. Neste final de semana, contra o Valladolid, mais um massacre madridista, mesmo sem o lesionado Cristiano Ronaldo. No 4 a 0, Bale anotou um triplete e fez a assistência para o gol de Benzema. A crescente participação do galês (sete gols e seis assistências nos últimos sete jogos) na equipe e a estabilização do esquema tático, mantêm o Real Madrid na terceira colocação da Liga, apesar do importante desfalque do camisa sete português.

Domínio total

Feyenoord e PSV fizeram o clássico da 15ª rodada da disputada Eredivisie. Mas, ao contrário do que tem sido a competição, o De Kuip lotado assistiu ao domínio completo dos donos da casa e viu as duas equipes armadas à holandesa: no 4-3-3. Os vermelhos e brancos abriram o placar em uma das raras boas jogadas que a equipe executou na primeira etapa, mas o time de Rotterdam conseguiu o empate em momento fundamental, o final dos primeiros 45 minutos. Porém, foi no segundo tempo que o Feyenoord conseguiu traduzir o controle do jogo para o placar. Para isso, De club aan de Maas contou com o ótimo trabalho do centroavante Pellè. O italiano incomodou a defesa adversária o tempo todo, fez bom trabalho de pivô e decidiu o jogo com gols. Primeiro converteu um pênalti que ele mesmo sofreu, depois desperdiçou uma penalidade, mas se redimiu ao completar para as redes jogada vinda da esquerda. O camisa nove hoje é o vice-artilheiro da Eredivisie 2013-14, com 12 gols.

A liderança segue com o Vitesse (1°, 30), que é seguido de perto por Ajax (2°, 28) e Twente (3°, 27). O Feyenoord (4°, 24) está no grupo das equipes que estão a seis pontos do líder, ao lado de Groningen (5°, 24) e AZ Alkmaar (6°, 24). Para terminar gostaria de destacar a diferença entre dois jogadores dos líderes. Emprestado pelo Chelsea ao Vitesse, Lucas Piazon é um dos destaques da equipe, com sete gols e quatro assistências, liderando os vitas nos dois quesitos. Já Bojan, emprestado ao Ajax pelo Barcelona, não está bem e, só neste fim de semana, fez o primeiro gol pelos godenzonen. Além disso, o espanhol não se destaca nos passes decisivos.

No fim, foi tranquilo

 A alegria de Ibrahimovic: hoje, ele está entre os cinco melhores jogadores do mundo (PSG.fr)

No estádio Parque dos Príncipes, o técnico Rémi Garde armou o Lyon de forma defensiva, no 3-1-4-2, sendo que o parceiro de Lacazette no ataque foi Gourcuff, que nem atacante é e, por isso, não guardou a posição, circulando bastante. O time da casa manteve o 4-3-3, veio com Ibrahimovic, Cavani e Lucas no ataque e ainda teve Pastore no meio-campo, portanto, uma formação bastante ofensiva. A estratégia inicial dos gones deu resultado, pois, conseguiram impedir um domínio total parisiense. Com poucas chances de gol, foi justamente depois da melhor oportunidade do Lyon – um chute na trave de Lacazette – que o PSG abriu o placar. Cavani fez após escanteio cobrado por Lucas e, minutos depois, Ibra cobrou pênalti com cavadinha para decretar o 2 a 0 antes do intervalo, um prejuízo muito grande pelo jogo que os gones tinham realizado até ali.

Depois do intervalo e, com a frustração de ter sofrido dois gols, o Lyon não conseguiu repetir o que havia feito na primeira etapa. Por isso, o PSG não teve dificuldades para controlar o jogo. Sem forçar muito, os parisienses conseguiram o terceiro com Thiago Silva. Ibrahimovic fechou o placar com o segundo gol de pênalti e se isolou na artilharia do torneio, com onze – seguido pelo companheiro Cavani, que tem dez. Após onze vitórias e nenhuma derrota nas 15 rodadas já disputadas, o PSG tem cinco pontos de vantagem sobre o vice-líder Lille. 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Enfermedades Futboleras 11

Mesmo com dificuldade de tempo e pouco retorno, sigo destacando algumas coisas do final de semana do futebol europeu. Nesta rodada, sobraram bons jogos. 

Massacre incontestável 

 Em ótima exibição, Jesús Navas marcou o primeiro doblete da carreira, após 443 partidas oficiais (Manchester City)

Algumas exibições do Manchester City em 2013-14 fazem, sem dúvida nenhuma, parte do grupo das melhores partidas da temporada. O 6 a 0 frente ao Tottenham deste domingo foi uma delas. No 4-4-2, os citzens contaram com a dupla Agüero e Negredo se mexendo muito no ataque e com as constantes chegadas dos meias, Nasri, que cresceu muito com Pellegrini, e Jesús Navas, quase um ponta pela direita. Além disso, a dupla de volantes Fernandinho e Yaya Toure novamente combinou bem: atacando e defendendo. Como é costume quando jogam em casa, os sky blues jogaram muito avançados e sempre marcando pressão a saída de bola dos rivais. 

Aos 13 segundos de jogo, Jesús Navas abriu o placar para o City, em jogada que ficou clara a importância da marcação no ataque do time – oito bolas ganhas no campo ofensivo durante o jogo. A partir daí, o massacre só foi se concretizando, pois os spurs não reagiam ao massacre ofensivo imposto pelos citzens. Uma ótima finalização de Negredo provocou um gol contra de Sandro e Navas fez assistência para Agüero marcar, 3 a 0 no primeiro tempo. O Tottenham teve mais posse de bola, mas produziu pouco e só acertou uma vez a baliza defendida por Pantilimon. 

Como dito acima, os volantes participaram bem do jogo e os dois primeiros gols da segunda etapa tiveram a participação deles. Primeiro, Yaya Toure começou a jogada no campo defensivo e só terminou fazendo a assistência dentro da área para Agüero marcar. Foi o décimo gol do argentino que se tornou o artilheiro da Premier League. Depois, um passe de Fernandinho proporcionou o quinto de Negredo na competição, um golaço que contou com drible impressionante em Dawson (gols no primeiro vídeo deste link). Já nos acréscimos, Navas fez o segundo dele na partida e o sexto do City, decretando o desmoralizante 6 a 0.

 Mais uma goleada em casa mostra a dualidade da campanha dos citzens, pois, no Etihad Stadium, são seis jogos, seis vitória, 26 gols marcados e apenas dois sofridos. Longe de casa, o desempenho é completamente diferente: uma vitória, um empate, quatro derrotas, oito gols marcados e dez sofridos. Conseguir um nível de futebol semelhante ao apresentado em Manchester colocará o City ainda mais próximo da liderança da Premier League. Hoje, o clube ocupa a quarta colocação a seis pontos do líder Arsenal. 

O jogo do personagem 

 Götze parece estar se acertando no Bayern e aproveitou o jogo frente ao Dortmund para brilhar, mas, apesar do recebimento hostil, ele não comemorou o gol que marcou (Agência Reuters)

Sem o habitual protagonista, Ribéry, o Bayern manteve o 4-1-4-1, com Lahm de volante, Thomas Müller ocupando a ponta-direita e Robben na função de Ribéry pelo lado esquerdo. Mas o verdadeiro protagonista do jogo viu do banco os primeiros 55 minutos da partida. Götze, que, pela primeira vez, enfrentava o ex-clube e logo no Signal Iduna Park, viu o Bayern dominando o jogo, com mais posse de bola, domínio territorial e mais chegadas com perigo. Porém, os bávaros não foram absolutos e sofreram com ataques dos aurinegros, que paravam em Neuer. O goleiro era outro grande personagem da partida, afinal, é cria do maior rival do Dortmund, o Schalke e, por isso, nunca deixa de receber vaias quando encontra o antigo adversário. 

Como dito acima, Götze assistiu a 55 minutos do jogo no banco, nos outros 35 minutos, o camisa 19 bávaro esteve em campo como falso nove e atuou sempre sob vaias. Porém, houve um grande momento em que as vaias cessaram em direção ao ex-ídolo, onze minutos após ele entrar em campo. Neste instante, Lahm abriu o jogo na ponta-direita com Müller, que cruzou rasteiro para a entrada da área, onde Götze apareceu, dominou de esquerda, por décimos de segundo ouvi vaias e, de três dedos, finalizou com a perna direita no canto esquerdo de Weidenfeller, que até tocou na bola, mas não conseguiu evitar o gol. O ex-borussiano não comemorou, mas nem precisava, pois já havia ferido de morte o ex-clube. O silêncio aumentou quando, em contra-ataque iniciado por Götze e Tiago, Robben fez o segundo dos bávaros. Müller ainda fechou o placar em assistência de Lahm. 

Ao final do jogo, o protagonista Götze cumprimentou todos os ex-companheiros e membros da comissão técnica do Borussia. Com certeza, o camisa 19 bávaro terá sempre boas recordações deste reencontro com o Signal Iduna Park. Por outro lado, os aurinegros não vão querer recordar: placar elástico para o rival, sofrer gol do ex-craque e em casa. O golpe foi duro para o Borussia Dortmund, que agora está a sete pontos do líder Bayern, e ainda tem jogo decisivo pela Liga dos Campeões na Itália, contra o Napoli, na terça-feira. O apoio da muralha amarela ao final da partida pode ser o diferencial para a reação aurinegra na LC.

Rodada representativa 

Ultimamente na Espanha além de Barcelona e Real Madrid, o Atlético de Madrid também está alguns patamares acima dos demais clubes em La Liga. Neste final de semana, a rodada deixou isso muito claro e, o detalhe, os principais jogadores de cada time não jogaram o tempo todo: Messi segue lesionado no Barça, Ronaldo marcou um gol, mas saiu lesionado aos 54 minutos pelo Real e Diego Costa entrou aos 62 minutos e teve tempo de marcar um golaço de bicicleta para o Atlético. Somados os três líderes marcaram 16 gols e não foram vazados. Os blaugranas fizeram 4 a 0 no Granada; os merengues foram mais cruéis com o Almería, 5 a 0; e os colchoneros aplicaram uma goleada ainda maior, 7 a 0 no Getafe. Na tabela, Barcelona é o primeiro com 40 pontos, o Atlético de Madrid vem em segundo com 37 e o Real Madrid é o terceiro com 34 pontos. O próximo na classificação é o Villarreal que está a sete pontos dos blancos, portanto, já há uma grande diferença no campeonato.

Clássico de Liverpool 

 Lukaku vem deixando a marca dele com a camisa do Everton: são sete gols, em 12 rodadas (Premier League)

Não faltou emoção ao dérbi de Liverpool. O jogo dos jovens técnicos, que gostam de ter a bola com os seus times, Roberto Martínez e Brendan Rodgers, foi uma partida das bolas paradas: dos seis gols da partida, apenas um veio em jogada trabalhada. No empate em 3 a 3, o Everton foi melhor na maior parte do tempo. Os toffees apostaram na marcação pressão e, por isso, conseguiram nove desarmes no campo ofensivo – Pienaar o ponta-esquerda no 4-2-3-1 da equipe foi destaque neste trabalho. Apesar de jogar melhor, o Everton saiu atrás, logo empatou, mas também rapidamente voltou a ver o Liverpool na frente, com o nono gol de Suárez na Premier League, em bela cobrança de falta. 

O 2 a 1 era injusto pelo o que havia produzido o time do Goodison Park e Martínez aproveitou a lesão do ótimo lateral-esquerdo Baines para mudar o jogo. O técnico optou por Deulofeu que foi jogar na ponta-direita, assim, Mirallas passou a ser o meia-central, Pienaar seguiu à esquerda, Barkley foi recuado para volância e Barry foi ocupar a lateral. O resultado? Domínio maior dos toffees que pararam várias vezes em Mignolet. Mas, em uma jogada de Mirallas pela esquerda, a bola sobrou com Lukaku, que, desta vez, não perdoou. O atacante emprestado pelo Chelsea virou o jogo depois, quando, de cabeça, marcou o 3 a 2, após boa cobrança de escanteio realizado pelo outro belga do time. Mas Gerrard conseguiu a segunda assistência em bola parada e Sturridge antecipou a zaga e empatou de cabeça. Agora o inglês, assim como o companheiro Luis Suárez, tem nove gols na Premier League 2013-14. O empate mantém o Liverpool em segundo, a quatro pontos do líder Arsenal, que bateu o Southampton na rodada.

Moscou contra São Petersburgo 

 Doumbia decidiu o dérbi frente ao Spartak e colocou o CSKA de volta na briga pelo título na Rússia (CSKA Moscou)

Sem vencer a três rodadas – com duas derrotas seguidas –, o outrora líder tranquilo da Premier League Russa, Zenit (1°, 36) já não tem mais toda esta tranquilidade, pois os moscovitas chegaram. O Lokomotiv (2°, 36) venceu o Dinamo de Moscou (7°, 29) e se igualou na ponta. O CSKA (3°, 33) também enfrentou um rival local, o Spartak (4°, 33), para se aproximar do time de São Petersburgo. Os vermelhos e azuis dominaram toda a partida na Arena Khimki e impediram que o time do povo tivesse boas chances para marcar. Porém, as oportunidades para o atual campeão russo, também foram raras, por isso, o time precisou contar muito com a inteligência de Doumbia para vencer a partida por 1 a 0. O marfinense aproveitou falha do defensor Makeyev e da inexplicável saída do gol de Rebrov, após chutão de Wernbloom. No lance, com um toquinho, o camisa 88 chapelou o goleiro e ficou sozinho para empurrar a bola para a baliza vazia. O erro possibilitou que mais um moscovita encostasse no Zenit, porém, também impediu que o Spartak empatasse na ponta. Mas, caso os Zenitchiki continuem vacilando, os clubes de Moscou mostram que assumirão o controle da Liga Russa.

domingo, 3 de novembro de 2013

Enfermedades Futboleras 9

Nesta semana, os destaques do futebol europeu chegaram antes ao blog.

Aos pés de Verratti

Mesmo com dois na marcação, Verratti segue com a bola. Ninguém parou o italiano no 4 a 0 do PSG (C.Gavelle/PSG)

O PSG enfrentou o Lorient recheado de reservas, pois, nesta semana, joga pela Liga dos Campeões. Ibrahimovic foi um dos poupados, por isso, Cavani foi o centroavante no 4-3-3 parisiense, que atacava o 4-4-2 de Les Merlus. Desde o início, domínio amplo do time de Blanc e, com três minutos, Lucas completou, de primeira, belo cruzamento de Digne. O lateral-esquerdo jogou bem avançado, aproveitando o corredor canhoto, que ficava aberto com a movimentação do ponta-esquerda Ménez. No segundo gol, o camisa sete recebeu a assistência de Verratti no lado direito da área, provando a importância de circular pelo campo. Cavani ainda fez o terceiro no primeiro tempo, em ótimo cruzamento de Lucas pela direita. O brasileiro, após não ser convocado por Felipão, aproveitou a chance e participou bem da partida. 

O que chamou atenção no PSG foi a ótima participação dos jovens no jogo, além de Lucas, Digne e, principalmente, Verratti jogaram muito bem. O italiano deu show, e controlou o meio-campo, com 100 passes completados, entre os 107 tentados. Porém , não foram apenas toques laterais, o camisa 24 arriscou e acertou bons passes longos. O jovem volante comandou o elenco vermelho e azul, que trocou incríveis 672 passes, com índice de 91% de acerto. Por isso, os parisiense tiveram 65% da posse de bola. No final do jogo, Cavani manteve a boa fase e fechou a goleada por 4 a 0 – o uruguaio é um dos artilheiros da Ligue 1, com nove gols.

Ribéry resolve

 Müller e Ribéry comemoram muito o gol que valeu os três pontos (AFP)

O Bayern, finalmente, tinha se acertado sob o comando de Guardiola e se tornaria imparável. Pelo menos, era o que todos imaginavam. Porém, a visita a Rhein-Neckar Arena para enfrentar o Hoffenheim, mostrou que nem tudo está bem para os bávaros. A vitória e o retorno à liderança da Bundesliga vieram, mas o bom futebol passou longe. No 4-1-4-1 e com Götze pela primeira vez de titular, o Bayern teve dificuldades para jogar contra o 4-3-2-1, dos donos da casa, que contavam com o forte trio de ataque formado por Volland, Firmino e Modeste – juntos somavam 18 gols marcados no Alemão. Mas os goleadores não foram bem, exceção à Volland, que assustou algumas vezes o goleiro Neuer. 

Götze, que vinha melhorando, atuou mal como titular, mas o Bayern tinha Ribéry, que, mais uma vez, se destacou. Meia-esquerda no esquema de Guardiola, o francês flutuou pelo campo e apareceu até na ponta-direita. Foi o camisa sete que resolveu o jogo, após Neuer falhar e proporcionar o primeiro gol do Hoffenheim. Primeiro, foi em cobrança de falta do melhor jogador da Europa que a bola bateu em Mandzukic (mal no jogo) e entrou. Depois, no segundo tempo, apesar de mais ofensivo e com mais posse de bola, o Bayern não conseguia criar boas chances até que Javi Martínez roubou dentro da área. Aí a redonda ficou com Ribéry, que, inteligentemente, passou para Müller, livre marcar.

O francês deu importantes três pontos ao Bayern, que segue um ponto à frente do Borussia Dortmund, que será o adversário dos bávaros daqui a duas rodadas. Ribéry segue firme para brigar pelo prêmio de melhor do mundo, nesta temporada, já são oito gols e cinco assistências, que o concretizam como craque do grande time do futebol mundial hoje. Na próxima rodada, liderado pelo francês, o Bayern poderá quebrar o recorde de invencibilidade do Campeonato Alemão, que é do Hamburgo, com 36 partidas, entre as temporadas de 1981-82 e 1982-83 – anos que foi bicampeão alemão. 

Mostrou força

Cazorla e Ramsey marcaram para o Arsenal no 2 a 0 sobre o Liverpool, mas Arteta foi o destaque (Arsenal.com)

Arsenal e Liverpool ganhou ainda mais importância, por conta da derrota do Chelsea para o Newcastle. Portanto, quem vencesse, seria líder. Brendan Rodgers apostou no esquema com três zagueiros, desta vez, um 3-1-4-2, com Sturridge e Suárez soltos na frente. Por outro lado, o Arsenal manteve o 4-2-3-1, com muito muita movimentação dos três meias, que, constantemente, trocavam de posição. Jogando em casa, os gunners comandaram o jogo e só foram ameaçados pelos reds, em eventuais jogadas dos dois homens de frente, pois nem os meias, nem os alas – Cissokho fez péssima partida e saiu no intervalo – conseguiram incomodar a defesa do time de Wenger. 

Apesar de ter pouco de Özil durante toda a partida, o domínio territorial do Arsenal, os 181 passes trocados no último terço do campo e os oito desarmes no ataque fizeram com que boas chances fossem criadas. O primeiro gol dos gunners saiu em cima de Cissokho, Sagna foi ao fundo e cruzou. O pequenino Cazorla cabeceou na trave e aproveitou a sobra para marcar, foi o primeiro gol do espanhol na temporada e, justamente, na melhor exibição dele. Rodgers tentou corrigir a inoperância ofensiva, mudando o esquema. Coutinho entrou, o Liverpool passou a jogar no 4-4-2 e chegou a dominar a partida. Mas o meio-campo de Wenger retomou o domínio do jogo e o panorama voltou a ser: Arsenal afogando a saída de bola dos reds, dominando a redonda e criando chances. Em uma delas, Özil passou para Ramsey marcar um belo gol de fora da área e decretar números finais. 2 a 0. 

Esta foi a primeira vitória do Arsenal na temporada sem Flamini, que está lesionado. Ele foi muito bem substituído por Arteta, que facilitou a saída de bola dos gunners durante todo o jogo. Ao todo, o espanhol acertou 100 dos 106 passes que tentou (94% de acerto), fez sete desarmes, recuperou duas bolas e fez um corte de cabeça. Provavelmente, sem o francês por mais alguns jogos, o Arsenal precisará de Arteta neste nível para superar os desafios importantíssimos desta semana: na quarta, o Borussia Dortmund, e, no domingo, o Manchester United, ambos fora de casa.

Clássico moscovita

Se você frequenta este espaço, já deve saber que, na Rússia, o Zenit vem muito bem. Porém, nesta rodada, com um empate em casa contra o Amkar, os zenitchiki deram espaço para que times moscovitas encostassem nele na tabela. O CSKA embalou duas vitórias e subiu, mas os adversários mais próximos eram o Spartak e Lokomotiv, que se enfrentaram, com portões fechados, em Moscou. 

Atuando no 4-2-3-1, o Lokomotiv comandou as ações do jogo durante os noventa minutos. Na maior parte do tempo, os parovozy abdicaram da posse de bola (ficaram com ela apenas 36% do tempo) e apostaram em contra-ataques que assustaram a frágil defesa do Spartak, que hoje teve o lateral Makeyev improvisado como zagueiro. O primeiro gol dos vermelhos e verdes veio com falha no centro da zaga do time do povo, o lateral Parshivlyuk até tentou cobrir o buraco, mas Maicon (ótima atuação) foi mais esperto e conseguiu o toque para N'Doye marcar. Para piorar o goleiro Pesjakov falhou em lançamento do zagueiro Durica e a bola sobrou para Samedov empurrar para o gol aberto. O Spartak conseguiu reduzir o prejuízo em falha de Corluka, que Movsisyan aproveitou. 2 a 1. 

Apesar de ter finalizado muito mais que o adversário (18 a 9), faltou pontaria (4 a 5, em tiros no alvo). Além disso, o time do povo não teve criatividade no 4-2-3-1, mesmo tendo um dos volantes ajudando na criação. As mexidas de Valeri Karpin também pouco colaboraram, pois o técnico mudou apenas os nomes, a forma de jogar seguiu a mesma. No final do jogo, N’Doye aproveitou um bom lançamento de Denisov para marcar o 3 a 1. Com a vitória tranquila no confronto direto, o Lokomotiv fica a três pontos do líder Zenit e se credencia como principal adversário do time de Hulk e Danny na briga pela Premier League Russa.

A Roma parou

 Cerci impediu a 11ª vitória da Roma na Serie A 2013-14 (Ansa)

“É uma vergonha, mas não dá para ganhar todas”. A frase do capitão Danielle De Rossi à Sky Sport Italia ao final do empate, em 1 a 1 com o Torino, é importantíssima para a Roma continuar brigando na frente da tabela. A série de dez vitórias consecutivas na largada na Serie A acabou, mas os giallorossi seguem na ponta da disputa e com três pontos de vantagem em relação a Napoli e Juventus, que se enfrentarão na próxima rodada. Portanto, não há motivos para perder a cabeça e é sempre bom lembrar que esta Roma não pensava em título neste ano e, sim, na classificação à Liga dos Campeões. 

 Os giallorossi sofreram na visita ao Torino, pois, com algumas ausências, o time não criou muito. Rudi Garci deixou o esquema com mais forma de 4-1-4-1. Por conta da falta de Gervinho para jogar na ponta-esquerda, Pjanic foi deslocado para o setor. O bósnio por não ser um atacante de lado, não era tão incisivo como o titular do setor. Somado à isso, Florenzi fez partida ruim na ponta-direita e o centroavante Boriello até brigou na frente, mas não consegue colaborar com a criação, algo que a Roma precisaria nesta partida. Ljajic, que entrou bem, pode ser uma opção no centro do ataque, enquanto Totti estiver machucado. 

A falta de criação romanista ficou clara desde o início, pois o time girava a bola no meio e não conseguia finalizar – chegou a ficar com mais de 70% da posse de bola. O gol veio em uma das raras chegadas de Pjanic à linha de fundo. O bósnio cruzou para trás e Strootman marcou. O Torino tentou quando teve a bola, principalmente, com Cerci, que atuava aberto pela direita no 4-2-3-1 da equipe. Embalado pelo seu artilheiro, o Toro deu mais trabalho ao goleiro De Sanctis do que os giallorossi proporcionaram à Padelli. E foi Cerci que garantiu o empate e marcou o segundo gol sofrido pela defesa romanista na Serie A, o que quebrou a marca de 743 minutos da Roma sem sofrer gols. 1 a 1 que não pode derrubar o ânimo da líder da Serie A, o trabalho está sendo bem feito e assim deve continuar.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Enfermedades Futboleras 6

Roma atropela a Inter

 Totti, Florenzi e Gervinho, trio de ataque funciona bem no início de Serie A 2013-14 (Eurosport)

O atropelo se deu no primeiro tempo, quando a Roma, praticamente, não deu chances a Internazionale. O Giuseppe Meazza viu os times armados nos esquemas tradicionais, os nerazzurri no 3-5-1-1 e os giallorossi no 4-3-3, com Totti muito bem atuando como falso nove, se aproveitando da velocidade dos pontas do time, Florenzi à esquerda e Gervinho à direita, que invertiam de lado constantemente. O ataque da Inter segue sofrendo com o isolamento de Palacio, muitas vezes, Álvarez se junta ao compatriota, porém, um outro atacante, com o camisa 11 atuando atrás da dupla pode ser mais interessante. 

Apesar do equilíbrio, a Roma dominava as ações e o craque Totti foi decisivo na construção da vitória. Primeiro fez um gol em belo chute de fora da área, que contou com passe de Gervinho. A Inter melhorou depois de sofrer o 1 a 0, acertou bola na trave e De Sanctis fez algumas boas defesas. Mas, mesmo no bom momento nerazzurro, a Roma conseguiu um pênalti (pela imagem, fora da área, mas coisa milimétrica), quando A. Pereira derrubou o costa-marfinense e o Totti fez o segundo na cobrança. No terceiro gol, “Il Capitano” romanista teve a menor participação: fez embaixadinha para conseguir iniciar o contra-ataque que culminou no gol de Florenzi. 

No segundo tempo, a Inter tentou um 4-3-3, sacando A. Pereira e colocando Icardi, enquanto os romanistas se fecharam no 4-4-1-1, com Totti atrás de Gervinho, que atuava livre para puxar contra-ataques. O jogo não mudou e terminou mesmo no 0 a 3 para os visitantes. Rudi Garcia segue mostrando que a Roma, com ele, deve brigar entre os quatro primeiros até o final da Serie A. Hoje, os Giallorossi tem o melhor ataque (20 marcados), a melhor defesa (um sofrido) e o líder em assistências da competição, “Il Capitano”, com seis passes decisivos. Por isso, Totti, que recentemente renovou seu contrato, começa a ver o sonho de jogar mais uma Copa do Mundo próximo de se concretizar, nesta segunda, o técnico da Squadra Azzurra, Cesare Prandelli afirmou: "Se o Mundial fosse agora, eu o convocaria". "Um mês antes da Copa de 2014 irei avaliar a forma física de Totti", completou o comandante da Nazionale. 

Os outros dois times 100% nas cinco grandes ligas, Atlético de Madrid e Barcelona também venceram e também seguem com a marca.

Havia Leno no meio do caminho

 Palmas para Leno: com 21 anos e cada vez mais seguro, o camisa um deve ser um dos três goleiros da Alemanha no Brasil (bayer04.de)

A rodada trazia dois jogos bem interessantes na Bundesliga neste sábado e, no confronto entre o Borussia Mönchengladbach e o Borussia Dortmund, melhor para o primeiro, com gols de Max Kruse e Raffael, citados, neste mesmo espaço, na semana passada. Por isso, no jogo disputado mais tarde, entre Bayer Leverkusen e Bayern de Munique, quem vencesse assumiria a ponta da tabela isoladamente. Após o massacre no City, no meio da semana, tudo levava a crer que os bávaros venceriam, mesmo sendo visitantes. 

Em campo, o Bayern no já tradicional 4-1-4-1, de Guardiola, amassou o Leverkusen, de Sami Hyypia, que vinha no 4-3-2-1, com Sam e Can dando suporte ao centroavante Kiessling. Nos bávaros a pressão na saída de bola era ordem, nas aspirinas, era uma atitude circunstancial. Depois de muito parar em Leno, o Bayern abriu o placar com um chute forte de Kroos, após assistência de Ribéry. O empate veio com Sam, artilheiro do Leverkusen na Bundesliga 2013-14, que marcou seu sexto gol, aproveitando rebote de chute de Can. 

Mas o brilho de Leno (21 anos) foi mais intenso no 2°T, quando o Bayern finalizou 17 vezes e, em oito ocasiões, exigiu defesas do goleiro do Leverkusen, que garantiu o 1 a 1. No outro lado, estava mais um jovem promissor alemão, Götze (21 anos), que, para variar, começou no banco e segue sem conseguir mostrar nada no Bayern – na temporada, são 160 minutos em campo. A escolha de trocar do Dortmund pelos bávaros, até aqui, não se mostra acertada. 

Ponto valioso

Era óbvio que o Arsenal tinha condições de chegar no The Hawthorns e bater o West Bromwich Albion, porém, em campo, não foi isso que se viu. Os gunners sofreram com más atuações ofensivas de Wilshere e Ramsey. Com isso, os baggies deram bastante trabalho aos londrinos. O primeiro tempo teve um domínio infrutífero dos comandados de Arsene Wenger, porém, sem produzir muito, acabaram castigados com o gol de Yacob, no final do primeiro tempo. 

A volta do intervalo trouxe um WBA melhor ainda e que desperdiçou duas chances importantes, principalmente com Anelka, que perdeu um lance na pequena área. O Arsenal voltou ao jogo quando Rosicky entrou, no lugar de Ramsey, que tinha sentindo uma lesão durante a primeira etapa. A partir daí, o domínio foi dos londrinos, mas, de fato, o time criou poucas chances. O ponto foi conquistado na raça, após grande jogada coletiva, Wilshere (jogando bem melhor no 2°T) acertou belo chute. O camisa dez dos gunners esteve envolvido em polêmicas nesta semana, ao ser pego com um cigarro na mão foi criticado por Wenger. Mas a torcida parece não ter se incomodado, após o gol marcado, o meia ouviu dos torcedores: "Jack Wilshere ele fuma quando quer"

O 1 a 1 deu mais ânimo aos gunners que tiveram algumas boas e, na mais clara delas, Giroud perdeu. O ponto conquistado, apesar da partida abaixo, serve para manter o Arsenal na ponta da tabela, agora, empatado com o Liverpool. Para voltar a ser campeão, os Gunners, que não vencem desde a FA Cup 2004-05, terão que fazer pontos em jogos assim, onde não brilharam e tiveram jogadores importantes atuando mal.

Bernard dá show em goleada

 Festa com Bernard, o camisa dez cedeu quatro passes decisivos frente ao Arsenal Kiev (Shakhtar.com)

A rodada da Premyer League teve dois jogos com placares incríveis. O Dynamo de Kiev, que está em quinto lugar a oito pontos do líder, Metalist, bateu o Metalurg Donestk, por 9 a 1, com três gols de Belhanda e dois de Lens. O time da capital jogou a maior parte do tempo com um a mais. Mas o destaque ficou para Bernard, que comandou a goleada do Shakhtar sobre o Arsenal Kiev. O 7 a 0 foi conquistado 11 contra 11, com o novo camisa dez dos “mineiros” fazendo a diferença: quatro assistências, duas delas pelo setor esquerdo, uma de bola parada e outra pelo centro. Alex Teixeira também chamou a atenção com dois gols. Mas a pintura da partida veio sem participação de brasileiros, Srna fez lançamento da lateral-direita e Facundo Ferreyra (balançou três vezes as redes na partida) surpreendeu o goleiro adversário com belo toque de cobertura, de fora da área. O resumo da ótima atuação de Bernard está disponível neste vídeo. A vitória manteve o Shakhtar entre os três primeiros, agora, a três pontos do líder Metalist, que perdia por 2 a 1 para o Dnipro, terceiro colocado, com 26 pontos, quando o jogo foi paralisado por falta de luz e deve ser remarcado pela Federação em breve.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Copa do Mundo obsessão

 Imitar o gesto de Casillas é o sonho de todos os jogadores do mundo, que costumam fazer de tudo para estar em um Munidal (Getty Images)

Jogar uma Copa do Mundo enriquece o currículo de qualquer jogador e não é um sonho ao alcance de todos. Por isso, quem enxerga esta possibilidade, faz de tudo para não desperdiça-la. O mercado de transferências europeu, fechado na segunda-feira teve algumas transferências de jogadores, em que a busca de mais tempo em campo para estar no Mundial de 2014, foi um dos fatores.

Neste contexto, os brasileiros se movimentaram bastante, impulsionados por declarações do treinador da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, que deixou esta questão muito clara, em coletiva antes do amistoso com a Suíça, em agosto: “quem não jogar vai ter mais dificuldades”.

Luiz Gustavo trocou a reserva no multicampeão Bayern pela titularidade do Wolfsburg, que não vem brigando por títulos. O volante titular na Copa das Confederações logo percebeu que o novo técnico bávaro, Guardiola não era tão simpático a presença em campo de jogadores de mais marcação e, por isso, quis sair.

Enquanto o marcador vinha jogando com Felipão, o outro caso de transferido, Kaká, nem vinha sendo convocado. O camisa dez brasileiro na última Copa jamais convenceu, nas quatro temporadas que esteve no Real Madrid. Mesmo com a chegada do velho conhecido, Carlo Ancelloti, o camisa oito viu que não teria tantas oportunidade e declarou querer sair, algo que já poderia ter feito antes.

Agora, “Il Bambino D’Oro” irá voltar ao local em que mais foi amado, o Milan. No último final de semana já se preparando para receber a nova estrela, o técnico Massimiliano Allegri armou um 4-3-1-2. O esquema deve dar liberdade à Kaká, que será o “1”, jogando atrás de Balotelli e Matri (ou El Shaarawy), sem responsabilidade para marcar. O brasileiro, que não tem as mesmas condições físicas da melhor fase da carreira, terá o ambiente ideal para retomar o futebol e, se conseguir jogar bem, deverá ser convocado para o quarto Mundial da trajetória futebolística – feito que o colocaria no seleto grupo de 45 jogadores, com quatro ou mais copas disputadas.

Europeus também se mexeram
  
 Entre as 50 maiores transferências da última janela europeia, a Copa do Mundo pesou para algumas delas (Arsenal.com)


A chegada de Guardiola não resultou apenas na saída de Luiz Gustavo, o centroavante reserva, Mario Gómez também trocou de clube. Como o técnico catalão não é o maior fã de jogadores de área e o alemão já via Mandzukic à sua frente, a transferência para a Fiorentina foi o escolha ideal para se manter no elenco da Alemanha para o Mundial.

Outro camisa nove que se mudou para a Itália foi Higuaín, O argentino é o titular da albiceleste, porém, no Real Madrid, revezava o lugar entre os 11 iniciais com Benzema. No Napoli, “El Pipita” será o centroavante da equipe, o que deve facilitar a presença no time de Sabella para a Copa de 2014.

Se para Luiz Gustavo e Mario Gómez, Guardiola foi um obstáculo para a continuidade no Bayern, Thiago Alcantara foi ao encontro do técnico, que promoveu a estreia dele no time principal do Barcelona. Na Catalunha, o filho de Mazinho não teria espaço para jogar, vendo Xavi e Fàbregas à frente dele na preferência de Gerardo Martino. Nos bávaros a briga no centro do meio-campo também é dura, porém, a confiança do treinador fez com que Thiago tivesse bastante espaço (principalmente, na pré-temporada), até se lesionar. O ítalo-hispano-brasileiro parece uma certeza para o Mundial de 2018, mas, se conseguir jogar no Bayern, pode surpreender e fazer parte do concorrido grupo da roja para a Copa no Brasil.

Quem mudou de clube, olhando um pouco para o Bayern foi Özil, a contratação mais cara da história do Arsenal (50 M €). O meia-atacante é titular na seleção alemã e também fazia parte dos 11 inicias de Ancelotti no Real, porém, com a chegada de Isco, muitas vezes, o dez merengue era descolado para a o lado do campo, onde o seu rendimento é um pouco pior.

O problema dificilmente o tiraria da Copa, mas poderia tirá-lo da equipe titular de Joachim Löw, onde a concorrência pela faixa central do meio é bastante dura e tem muitos jogadores do Bayern na concorrência: Kroos, Müller e Götze, além do borussiano, Reus. Por isso, a mudança para um clube, onde jogará na “sua” poderá garantir a titularidade com a camisa da Nationalmannschaft para o próximo Mundial.

Por fim, Sakho optou por deixar o PSG, pois queria ganhar mais, porém, a possibilidade de estar com a França no Brasil também deve ter pesado na escolha. O zagueiro chegou a ser titular no time da capital francesa, mas, com a chegada dos brasileiros, Thiago Silva, Alex e, agora, Marquinhos, o francês perdeu espaço. No Liverpool, Sakho não chega com status de integrante dos 11 iniciais de Brendan Rodgers, porém, a disputa com Touré, Agger e Skrtel promete ser mais simples do que àquela que tinha nos parisienses.

A visibilidade também vale


Willian não perdeu a chance e, finalmente, deixou o futebol do Leste Europeu (Chelseafc.com)

 A busca pela visibilidade fez com que Willian, desde 2007 no futebol do Leste Europeu, pedisse uma transferência assim que o Anzhi anunciou a diminuição dos investimentos. O Chelsea, interessado há muito tempo no futebol do ex-corintiano, venceu a disputa e contratou o meia-atacante. Com a camisa 22 dos blues, ele terá a visibilidade, que nunca teve no Shakhtar e no time russo. O volante Fernandinho, ex-companheiro de Willian no atual tetracampeão ucraniano, também mudou para um mercado maior e, agora, é jogador do Manchester City.

Jogar o principal campeonato nacional do mundo, a Premier League, e também o maior torneio europeu, a Liga dos Campeões poderá dar mais oportunidades para os dois jogadores com a camisa verde e amarela. Ambos já apareceram na seleção, quando jogavam pelo Shakhtar e Mano Menezes comandava oBrasil. Mas, mesmo com o espaço entre os canarinhos aumentando para jogadores do Leste Europeu, estar na EPL e brigar por título na LC pode fazer a diferença para a dupla.

O grande derrotado
 
Júlio César segue no QPR, mas isto pode afastá-lo da Copa do Mundo (Ag. Reuters/Eddie Keogh)

A frase proferida por Felipão e já destacada no post, tinha dois alvos: Luiz Gustavo e Júlio César, ambos integrantes do time brasileiro campeão da Copa das Confederações 2013, mas que deveriam ter problemas para jogar, em seus clubes, nesta temporada. O volante se transferiu, porém, o goleiro não conseguiu mudar de clube e, hoje, amarga a reserva de Green e de Brian Murphy, no Queens Park Rangers, na segunda divisão inglesa – o brasileiro não ficou nem no banco, em nenhum dos três jogos da temporada.

A impressão é que Júlio César imaginava que teria mercado na Europa, teve o nome especulado em Arsenal, Benfica, Napoli e outros, e, por isso, não apostou em um retorno ao futebol do Brasil. Porém, segundo declaração do técnico, Harry Redknapp, o time não recebeu nenhuma proposta oficial pelo goleiro e, por isso, ele segue no QPR, onde terá que brigar pela posição, que, em princípio, tem dois jogadores à sua frente.

A volta ao Brasil seria a opção mais segura para JC, porém, a esperança de seguir na Europa acabou impedindo a transferência para um time, onde pudesse jogar mais. Se, de fato, não conseguir a titularidade nos próximos seis meses, Júlio César deve aproveitar a janela de transferência do final do ano para deixar o QPR e voltar ao Brasil, mesmo que precise rescindir o contrato com o atual clube. Caso contrário, poderá arriscar a presença naquilo que definiu como grande sonho, a Copa do Mundo no país natal.