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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Prévia da Premier League 2014-15

O milionário Manchester City ganhou a Premier League 2013-14 e, para esta temporada, vem ainda mais forte (Getty Images)

A principal liga de futebol do mundo, a English Premier League começa no próximo final de semana e promete ser ainda mais interessante que a temporada anterior. Por isso, neste espaço, faremos uma prévia tática dos cinco principais candidatos ao título, que trazem coisas novas para a disputa de 2014-15. As possibilidades de Manchester City (1°), Liverpool (2°), Chelsea (3°), Arsenal (4°) e Manchester United (7°) serão apresentadas aqui, na ordem inversa à classificação da última temporada. 

Manchester United 

Depois do péssimo desempenho sob a batuta de David Moyes, o Manchester United entra com algumas novidade interessantes para a temporada, se desprendendo do estilo Alex Ferguson. A principal delas está no banco de reservas, o melhor técnico da Copa de 2014, Louis van Gaal. Com o holandês, os red devils devem emular o sistema da oranje no Mundial, um 3-4-1-2, com muita liberdade para o trio ofensivo. No mesmo esquema, Van Persie rendeu bem pelo seu país; Rooney costuma atuar melhor quando joga mais solto; e, desde que chegou à Inglaterra, Mata tem mostrado o máximo, quando é escalado pelo centro. Portanto, para o trio ofensivo, a mudança aparenta trazer apenas benefícios.

Manchester United - Van Gaal 2014-15 - Football tactics and formations
   
Outro setor que chama a atenção no novo desenho do United são as alas, em que devem jogar Valência pela direita e o recém-contratado Shaw pela esquerda. Dois jogadores de boa chegada e que, com a proteção de três zagueiros, deverão aparecer bastante na fase ofensiva do jogo. O equatoriano foi testado na função durante a pré-temporada e trouxe variação aos red devils, pois, com as subidas dele, muitas vezes o time ficou no 4-2-3-1, com Rooney jogando um pouco mais aberto. Mas é sempre bom lembrar que, com Ferguson, Valencia foi utilizado como lateral em linha de quatro, portanto, se adaptar na ala (principalmente, nas questões defensivas) não será tão difícil. Mesmo assim, o elenco do United dá a possibilidade de usar Rafael, lateral de origem, na função - opção mais defensiva. 

Ander Herrera terá papel central no novo Manchester United de Louis van Gaal (Manchester United)

Quem terá papel central no jogo dos red devils é o novo contratado Ander Herrera, que era alvo desde a temporada passada e chegou por 36 M €. O basco será o responsável pela saída de bola do time, alternando passes curtos e longos, e dando dinâmica à meia-cancha da equipe. A dúvida fica por conta de seu acompanhante no centro do campo, o sonho do United é Vidal, mas, por enquanto, a realidade é Carrick ou Fletcher, dois jogadores que não estão nos melhores momentos da carreira. 

Para completar, o grande problema da equipe, a defesa, que, até por isso, pode ser muito beneficiada do esquema. Pois, com três zagueiros e quatro meias, a proteção ao bom goleiro De Gea deve melhorar. Mesmo assim, com as saídas de Ferdinand e Vidic, que já não estavam no melhor nível, Van Gaal sentirá falta de um zagueiro mais experiente para liderar o novo sistema defensivo. Como o mercado ainda está aberto, há a expectativa que o Manchester United ainda possa trazer este jogador, que não existe no plantel.

Arsenal  

Nove anos depois, o Arsenal voltou a ser campeão da FA Cup e começou esta temporada com a conquista da Community Shield. Além disso, reforçou o elenco e só perdeu jogadores que não eram centrais ao time, ao contrário do que havia ocorrido em temporadas anteriores. Com mais de 77 M € investidos, Arsene Wenger surpreendeu e trouxe Alexis Sánchez, Calum Chambers, Mathieu Debuchy e David Ospina.  

Mas não foi apenas ao abrir o bolso que o técnico francês surpreendeu. Na Supercopa da Inglaterra, o 3 a 0 foi conquistado com um esquema diferente do 4-2-3-1 habitual do comandante. Wenger escalou a equipe no 4-1-4-1 e os jogadores responderam mostrando àquilo que o técnico queria: contra-ataques velozes, troca de passes e a boa chegada dos dois meias-centrais, Wilshere e Ramsey à área. Alexis Sánchez estreou muito bem pela ponta-direita e fez parceria interessante com o novo lateral-direito gunner, Debuchy. Por conta de bom desempenho pelo lado e porque Groud, mais uma vez, marcou, a possibilidade de utilizar o chileno como centroavante deve ser deixada de lado como plano inicial da temporada.  

 Arsenal - Football tactics and formations  

A boa atuação dos gunners não traz apenas soluções ao técnico Arsene Wenger, pois o 3 a 0 foi construído sem a presença da contratação mais cara da história do clube, Özil e com bom atuação do substituto, Santi Cazorla. Apesar disso, a Copa do Mundo traz alento ao treinador, pois, no Mundial, o camisa onze do Arsenal atuou bem partindo ponta-esquerda, justamente o espaço que o espanhol ocupou bem na primeira partida oficial da temporada. Mesmo sem jogar no posicionamento habitual, pelo centro, Özil mostrou que pode ser relevante jogando aberto. Se Santi Cazorla aceitar o banco de reservas, o problema que Wenger teria, pode se tornar uma ótima alternativa de jogo. O espanhol entrando durante as partidas pode mudar esquema, formando um 4-2-3-1, por exemplo, ou, em ausências de Özil, ser ótimo dublê do camisa onze alemão.  

Com o setor ofensivo bem definido, o foco do Arsenal neste final de mercado de transferências deve ser a defesa. No 4-1-4-1, Arteta, que foi recentemente convertido como capitão da equipe, deverá ser o volante mais fixo. O movimento de entregar a faixa ao espanhol mostra a confiança do técnico na situação física dele (uma grande dúvida antes do início de 2014-15), por isso, com o apoio de Ramsey e Wilshere deve dar segurança à defesa. A dupla de zaga deverá ser composta por Mertesacker e Koscielny, porém há a necessidade da contratação de um zagueiro para ser o reserva imediato da dupla, apesar de que Nacho Monreal e Chambers têm condições de atuarem por aquele setor.

Chelsea  

Nas últimas temporadas, independentemente do time que assumia, Mourinho colocava em prática um 4-2-3-1. O técnico luso ficou conhecido e consagrado como um dos grandes executores do sistema da moda. Porém, na primeira passagem pelo Chelsea, o Special One utilizava um 4-3-3, com Makelele mais fixo e Essien e, principalmente, Lampard com mais liberdade para chegar ao trio ofensivo.  

As contratações realizadas por Roman Abramovich permitem que o técnico luso volte ao esquema utilizado na temporada 2004-05. De qualquer forma, o elenco segue permitindo que os blues sejam escalados no 4-2-3-1, sem grandes mudanças nos onze iniciais de 2013-14. Uma dupla de volantes com Matic e Fàbregas, com Willian, Oscar e Hazard à frente não seria ruim e pode ser bastante viável para o decorrer da temporada. Mas, desde o início, imagino José Mourinho tentando colocar o 4-3-3 em ação.
  
Chelsea - Football tactics and formationsChelsea - Football tactics and formations  


No 4-3-3, Oscar perderia a vaga no time titular, mas os blues ganhariam defensivamente com a presença de três volantes no meio. O trio formado por Matic, Ramires e Fàbregas tem as características muito valorizadas atualmente: todos sabem marcar e atacar. O espanhol é bom passador e um perigo próximo à área, Ramires traz infiltrações e velocidade e Matic, o melhor marcador do trio, é muito forte, tem bom primeiro passe e alguma habilidade. Além do bom triângulo no meio, o 4-3-3 daria liberdade para Willian e Hazard ficarem mais focados na fase ofensiva do jogo, ao lado do centroavante Diego Costa. O recém-contratado agrega bastante ao elenco blue e deve garantir gols.  

A defesa, que já não preocupava, ainda ganhou um bom reforço na lateral-esquerda, posição que o elenco era mais frágil. Filipe Luís deve garantir boa marcação e interessantes avanços pelo flanco, uma eventual dobradinha pelo setor com Hazard promete incomodar os adversários. O restante da retaguarda deve contar com a boa dupla Terry e Cahill no centro e Azpilicueta na direita, mas, se Mourinho quiser mais proteção, Ivanovic pode assumir a lateral-direita. Na meta, a dúvida entre Cech e Courtois deve seguir nos primeiro jogos e será decidida de acordo com o desempenho dentro das quatro linhas.

Liverpool  

Em 2013-14, o ótimo técnico Brendan Rodgers mostrou toda a sua capacidade e, ao longo da temporada, foi rascunhando o time ideal do Liverpool. A partir de um momento, não existiu mais dúvida, o melhor dos reds seria encontrado ou no 4-1-4-1 (4-3-3), com Gerrard mais recuado e Suárez partindo da ponta-esquerda, ou no 4-3-1-2, com Sterling sendo o um atrás da infernal dupla composta pelo uruguaio e Sturridge.  

Tendo em vista as contratações e a pré-temporada, Brendan Rodgers deve apostar no 4-1-4-1, com desenho bastante similar ao que deu certo em 2013-14. A enorme ausência de Suárez deve fazer Sterling ocupar a ponta-esquerda e, no outro lado, disputa aberta entre dois recém-contratados, Markovic e Lallana. O primeiro deve começar a temporada como titular, pois o inglês iniciará a trajetória no novo clube lesionado. No centro do ataque, Sturridge, que já teve bom rendimento de gols na última temporada, terá que elevar esta marca, pois o artilheiro do Liverpool não faz mais parte do elenco.  

Liverpool - Football tactics and formations  

Neste esquema, Coutinho deve atuar como meia-central e terá papel fundamental à estratégia do técnico norte-irlandês. Mesmo não jogando como meia-atacante, o brasileiro deve ser o principal armador da equipe e terá bastante liberdade para encostar no centroavante Sturridge. Além do camisa dez, o eterno capitão Gerrard também terá responsabilidade na armação, pois é dele que o primeiro passe deve sair. Além disso, o histórico número oito é o homem da proteção à linha defensiva.  

O sistema defensivo dos reds ganhou bons reforços. Na zaga, Lovren vem de boa temporada com o Southampton e chega para ser titular, muito provavelmente, ao lado de Sakho. Outro que chama a atenção é Alberto Moreno, que, após longa negociação, vem com a expectativa de ser o dono da lateral-esquerda, setor que deu algumas dores de cabeça ao técnico Brendan Rodgers.
 
Manchester City  

Campeão e mais reforçado, o Manchester City chega mais favorito à disputa da Premier League, mas, na verdade, quer mesmo ir mais longe na Liga dos Campeões. Os 65,5 M € foram investidos naquilo que o clube mais necessitava: um zagueiro para ser titular e um volante mais de marcação. O elenco, que já era muito bom, conseguiu ficar melhor e fornece mais variantes ao técnico Manuel Pellegrini, que colocou o City no patamar que o dinheiro investido exigia. O chileno fez isso jogando de forma simples, um 4-4-2.  

O esquema, que deu certo na temporada passada, deve ser repetido neste ano com Fernando Reges ou Fernandinho ao lado de Yaya Toure na volância e Jovetic, Dzeko ou Negredo fazendo a dupla ofensiva com Agüero. O 4-4-2 deu ao Manchester City o melhor ataque da EPL, com 102 gols, mas, em algumas partidas, principalmente, jogos grandes, o time pecou defensivamente, pois faltava um volante mais marcador. Fernando Reges traz esta alternativa ao técnico chileno, o que tiraria Fernandinho do time, que esteve muito bem em 2013-14.  

Manchester City - Football tactics and formations  

Porém, sacar Fernandinho pode não ser a melhor alternativa. Manuel Pellegrini pode colocar um esquema que chegou a testar, o 4-2-3-1. Com este outro desenho, os citzens teriam mais proteção à zaga, com Fernando Reges e Fernandinho na volância. Além disso, o Manchester City teria o seu principal jogador, Yaya Toure, com grande liberdade e ele voltaria a jogar em função que já exerceu com a camisa sky blue. O problema seria abrir mão de dois atacantes e ter só Agüero no ataque, tendo jogadores da qualidade de Jovetic, Dzeko e Negredo no elenco.

Manchester City - Football tactics and formations 

A grande evolução no time deve ser vista na defesa. Mangala vem do Porto e chega para formar uma dupla interessante com Kompany, que vem de uma temporada de altos e baixos. Com um defensor melhor ao seu lado, o belga deverá render melhor e voltar ao nível de 2012-13. Além do zagueiro portista, Sagna e Caballero chegaram e, ambos, podem pressionar os titulares, Zabaleta e Hart, que não são jogadores completamente constantes.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Podcast 4

Calma, calma, ele está de volta. Ronaldo é a principal arma madridista para o confronto com o Bayern e, com mais um gol, ele se torna, de forma isolada, o maior artilheiro de uma edição de Liga dos Campeões (AP Photo)

Chegou uma das semanas mais esperadas do ano, pois teremos os jogos de volta das semifinais de Liga dos Campeões e Liga Europa, envolvendo oito grandes times europeus. Portanto, quatro partidas que prometem ser de alto nível. Por isso, eu, Pierre Andrade e Tauan Ambrosio, do Goal Brasil,  gravamos o quarto podcast do Blog. Já me justifiquei na gravação, mas não custa repetir, por culpa de um erro meu, perdi o início do programa e, na hora da regravação, apenas o Tauan esteve comigo - alguns outros problemas técnicos poderão ser observados no programa, mas nada que prejudique o entendimento.

Na ordem, os assuntos:

Ronaldo e Bale serão preponderantes? E os técnicos repetirão os esquemas da última partida? (Bayern de Munique x Real Madrid);

José Mourinho colocará o Chelsea mais para frente, precisando vencer a partida? O Atlético optará apenas pelo contra-ataque ou tentará propor mais o jogo? (Chelsea x Atlético de Madrid);

O sonho de decidir a Liga Europa em casa parece próximo para Juventus, que deve ter Vidal. O Benfica deixou a marca de quase no ano passado, mas ainda pode perder três títulos na temporada e ficar apenas com uma taça de quatro possíveis (Juventus x Benfica);

O confronto que parece mais definido, pois o 2 a 0 em casa deu boa vantagem ao Sevilla, que tem os ótimos Bacca e Rakitic (Valencia x Sevilla).

Confiram o papo  de quase uma hora neste player abaixo:


terça-feira, 22 de abril de 2014

Sentimentos diferentes

Arda Turan entrou no segundo tempo para inflamar o Atlético, que, apesar do discurso dos técnicos, agora parece ter uma ligeira vantagem no confronto (Getty Images)

Antes dos confrontos entre Atlético de Madrid e Chelsea, no podcast do Blog, falamos que a disputa envolveria dois times bem semelhantes. Nesta tarde, no Vicente Calderón, isto foi visto em campo. Porém, por jogarem em casa, os rojiblancos de Diego Simeone tiveram uma postura mais ofensiva, enquanto os blues de José Mourinho mostraram completa satisfação com o empate sem gols. 

A escalação do Chelsea deixou clara a ambição em não sofrer gols. O Special One armou um 4-1-4-1, com Mikel mais recuado, Ramires pela direita, Lampard e David Luiz pelo centro, e Willian na esquerda. Os cinco meias pouco atacaram e correram muito atrás dos adversários. Por isso, isolado no ataque, Fernando Torres brigou muito, mas conseguiu pouco sucesso nos lançamentos longos que o procuraram. Sem Arda Turan desde o início, o Atlético veio com 4-2-3-1, no qual os dois volantes foram Mario Suárez e Gabi, e, na linha de meias, alinharam com Raúl García à direita, Diego Ribas no centros e Koke na ponta-esquerda – o trio se movimentou muito atrás de Diego Costa. 

Desde o início o Atlético mandou na partida, mas não assustou muito. O ótimo cobrador de bolas paradas Koke não acertou em nenhuma das oportunidades que teve e, quando a bola subia na área, Cahill e Terry afastavam. Aos 18 minutos, a lesão de Cech (deslocou o ombro), que também não jogará a volta em Londres, mudou um pouco a postura dos rojiblancos. Com Schwarzer no gol, o Atléti passou a arriscar de fora da área, afinal, entrar na zona final do campo parecia impossível. 

Trocando passes, não vencendo a linha defensiva blue e ainda sofrendo com alguns contra-ataques, o Atlético reagiu rapidamente. Na volta para o segundo tempo, Simeone colocou Raúl Garcia mais próximo de Diego Costa e abriu Diego Ribas na esquerda e manteve Koke à direita. Além disso, o Chelsea se mostrou ainda mais preocupado com a marcação e sem saída para o contra-ataque. 

A troca de Diego Ribas por um ativo Arda Turan, normalmente partindo da direita, mas presente em todas as partes do campo, fez com que o Atlético amassasse o Chelsea. Porém, apesar de ter finalizado 25 vezes, apenas quatro chegaram ao gol inglês e, de fato, não assustaram a defesa dos blues. Os comandados de Mourinho também não ameaçaram, das cinco finalizações, apenas duas exigiram a intervenção de Cortouis. 

Sem conseguir o gol, apesar de tentar de todas as formas, Diego Simeone reconheceu o bom trabalho defensivo do adversário: “as duas equipas fizeram o jogo que acharam ser melhor para si. O Chelsea defendeu muito bem. Nós tentámos pelas alas, pelo meio, mas eles não deram espaços”. José Mourinho atingiu o objetivo, porém teria sido melhor se tivesse conseguido encaixar um gol em um dos raros contra-ataques. 

Portanto, a vantagem não é grande e, além disso, a equipe não contará com dois pilares defensivos, Cech e Terry, que saíram machucados hoje e não se recuperarão para a partida de volta, e o meias Lampard e Obi Mikel estarão suspensos. A grande dúvida é se Hazard terá condições de jogo. A expectativa é que o belga possa jogar, mas, por enquanto, ainda não voltou a treinar com os companheiros. O Atlético tem apenas um desfalque confirmado, o capitão e importante meia-central, Gabi está suspenso. Não há dúvida que, até aqui, as ausências serão mais cruéis com o Chelsea. 

A vantagem de decidir em Stamford Bridge, onde é muito forte com o português, é mínima e, um gol do Atlético, obrigará o Chelsea, dono do pior ataque entre os semifinalistas, a fazer dois gols na melhor defesa da LC 2013-14, com apenas cinco gols sofridos. Por isso, ao contrário do que ocorreu em Madri, os blues que tomarão a iniciativa do jogo e os rojiblancos jogarão do jeito que mais gostam: bem compactados e prontos para marcar no contra-ataque. Por isso, apesar de Mourinho parecer ter atingido o objetivo traçado, a pequena vantagem no confronto é espanhola. 

Antes do jogo de volta, neste final de semana, as duas equipes, que estão brigando pelos títulos nacionais, jogam partidas duras fora de casa pelos campeonatos. O Atlético vai domingo ao Mestalla, enfrentar o forte Valencia, semifinalista da Liga Europa. Para os rojiblancos faltam quatro jogos para o título e precisa de mais três vitórias para ganhar La Liga, após 18 anos. Também no domingo, o Chelsea viaja ao Anfield e, se for derrotado pelo Liverpool, dará adeus às chances de título na Premier League. Vitórias no final de semana poderão influenciar na mentalidade das equipes para a decisão da próxima quarta-feira.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Podcast Simplificando Futebol 3

 Na europa, está chegando a hora de levantar taça (Harold Cunningham/Mirror)

Mais um podcast do Simplificando futebol, desta vez, os comentaristas convidados são Pierre Andrade e Tauan Ambrosio, do site Goal.com.br. O papo foi longo, pois falamos muito da reta final do futebol europeu, focando nos campeonatos que estão mais equilibrados.

Pela ordem, os assuntos foram:

- Reta final da Premier League, com destaque para o bom trabalho de Brendan Rodgers no Liverpool;

- Últimas rodadas da Liga Espanhola, falando também um pouco da final da Copa do Rey, que ocorrerá nesta quarta-feira;

- Confrontos de semifinal da Liga dos Campeões


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Enfermedades Futboleras 8

Jogos entre milionários de Espanha e Inglaterra agitaram o final de semana do futebol europeu e você confere alguns destes destaques aqui.

El Clásico de Neymar

Neymar decide frente ao Real que ainda busca se encontrar na temporada  (Alberto Estévez/EFE)

Tata Martino e Carlo Ancelotti cumpriram com aquilo que era esperado deles e ambos escalaram as equipes no 4-3-3, sem centroavantes clássicos. Porém as escolhas do italiano se mostraram menos acertadas: Bale no centro do ataque e Sergio Ramos como 1° volante. No Barcelona, a grande novidade foi Fàbregas jogando pelo meio do setor ofensivo e, por isso, Messi descolocado à direita, como no começo da trajetória profissional.

As escolhas de Ancelotti resultaram em um primeiro tempo que o Real foi dominado pelo Barcelona, com muito de Neymar e pouco de Messi, que pareceu estar longe do 100%. O volume e o domínio do campo blaugrana resultaram em mais finalizações, ao todo, foram cinco arremates, duas delas na baliza. Em um dos chutes surgiu o gol. Iniesta controlava a bola com a perna direita, passou rápido para a canhota já enfiando para Neymar, o brasileiro dominou e bateu colocado para marcar, contado com desvio em Carvajal, que fez boa exibição. Na comemoração, o abraço de todos deu a noção do tanto que é querido o camisa 11. Os merengues produziram pouco: três arremates, dois completamente fora do gol e um defendido por Valdés e apenas 20 passes completados no último terço do campo.

Na segunda etapa já sem Sergio Ramos e Bale, com Illarramendi de 1° volante e Benzema como centroavante, o Real Madrid melhorou muito, marcando mais na frente. Por um período, os blancos chegaram a dominar a partida, e, o camisa nove francês, quase fez um golaço em chute de fora da área, a bola explodiu no travessão. Mas o Barcelona soube aproveitar este momento madridista e, em um contra-ataque, fechou o jogo. Neymar fez a enfiada para Alexis Sánchez, que ameaçou o drible para um lado para o outro, brecou na entrada da área e encobriu o adiantado Diego López. 

Os merengues reduziram o prejuízo no final da partida, com Jesé, em falha de Valdés. Mas o Barcelona mereceu a vitória, que o mantém na liderança da Liga e, agora, os catalães têm seis pontos de vantagem sobre os madridistas, que ocupam a terceira colocação. No final do campeonato, esta vantagem poderá ser a diferença entre o título e o vice-campeonato, apesar de que entre eles está o Atlético, que tem dois pontos de desvantagem para os blaugranas.

Neymar em números: 

Chutou três vezes e todas na baliza, em uma delas, marcou; tentou 33 passes e acertou 27, taxa de 79% de êxito; recebeu 41 passes; passou 11 vezes corretamente para companheiros no último terço do campo (ao todo, tentou 14 passe nesta fase do jogo) e cedeu a assistência para o gol que acabou sendo decisivo.

Herói improvável

 O lance decisivo que deixou o Chelsea a dois pontos do líder Arsenal (ChelseaFC.com)

Fernando Torres foi um dos melhores jogadores do mundo enquanto jogou no Atlético de Madrid e no Liverpool, inclusive ficando com o terceiro posto no prêmio de melhor do mundo em 2008. Habilidoso e com instinto goleador, o Chelsea desembolsou 40 M £ (58,5 M €) para ter o espanhol, mas, com os blues, o camisa nove não se deu bem. Porém, nesta temporada com Mourinho, Torres está se reencontrando e, hoje, mesmo com Demba Ba e Eto’o no elenco, o espanhol é a primeira escolha do técnico.

Frente ao Manchester City, o Chelsea jogou para vencer pela primeira vez contra um dos gigantes da Inglaterra nesta temporada. No começo da Premier League, contra o United, os blues foram a Old Trafford claramente para empatar. Desta vez, em Stamford Bridge, os londrinos queriam a vitória. Os dois times jogaram no 4-2-3-1 e, no City, uma novidade, Yaya Toure jogando novamente como meia-atacante central, à frente dos dois volantes, Javi García e Fernandinho. 

No 1°T, o domínio do Chelsea foi absoluto, com sete finalizações. O personagem foi Torres, que depois de perder chance importante, destruiu o lado esquerdo da defesa do City, invadiu a área e cruzou para Schürrle marcar. Além do centroavante, Ramires jogava muito bem, desarmava e levava o time para o ataque. No 2°T, a ordem do jogo mudou, o controle dos blues foi substituído por uma maior presença ofensiva dos citzens, que, logo no início, empataram com gol de Agüero e assistência de Nasri. 

A partir do empate, a partida ficou mais igual, mas o City conseguiu mais finalizações na segunda parte (nove, contra seis). Os times trocavam ataques, Cech fez algumas boas defesas, porém, nos últimos 15 minutos, nem os blues nem os citzens conseguiram finalizar. Ninguém conseguiria mudar o placar, mesmo constantemente chegando na frente da área do adversário. Mas o Chelsea tinha Torres e o camisa nove aproveitou erro absurdo de Natasic, que, de cabeça, recuou a bola para Hart, que também estava saindo do gol. O resultado: bola livre para o espanhol garantir os três pontos, com direito a Mourinho comemorando no meio da torcida. 

Dérbi do Ruhr

 Aos pés de Mkhitaryan: Błaszczykowski e Sahin recberam assistências do homem do jogo (Bvb-de)

A Veltins-Arena, em Gelsenkirchen, viu uma ótima partida do Borussia Dortmund, mas especialmente do camisa dez, Henrikh Mkhitaryan. O dérbi do Ruhr teve as características do futebol alemão atual: intensidade dos dois times, estádio cheio, vibração nas cadeiras e bom futebol. Ambas as equipes jogaram no 4-2-3-1 e o armênio fez a diferença jogando centralizado, com duas assistências. O trio de meias aurinegro funcionou muito bem: o meia-esquerda Reus flutuava mais em campo; o meia-direita Aubameyang marcava até a defesa, mas entrava na área para apoiar o centroavante Lewandowski; e Mkhitaryan jogava mais livre pelo centro, correndo muito (12,1 km), decidiu o jogo. 

No Schalke, valeu por mais uma boa atuação Draxler, meia-direita no 4-2-3-1 azul real. O Borussia não ficou mais com a bola, não finalizou mais vezes e não trocou mais passes no último terço do campo. Mas a marcação no campo de ataque, que resultou em seis recuperações de bola e cinco desarmes no setor ofensivo, fez diferença. Em uma destas roubadas, Mkhitaryan enfiou Reus, em um buraco no lado esquerdo da defesa do Schalke, o camisa 11 cruzou rasteiro e Aubameyang marcou. Hildebrand ainda fez algumas defesas, mas o goleiro que brilhou foi Weidenfeller, que pegou um pênalti (que não houve) mal batido por Boateng, que, apesar de ter chutado forte, cobrou no meio. 

No segundo tempo, o Borussia passou a apostar mais em contra-ataques. Um deles terminou com assistência de Mkhitaryan para belo chute de Sahin, da entrada da área. Em outra ocasião, o armênio conduziu a bola do campo defensivo até a área do Schalke e, de lá, passou para Blaszczykowski marcar. Entre os gols dos visitantes, os azuis reais marcaram com Meyer, que entrou bem na partida. A vitória aurinegra manteve o time a um ponto do líder Bayern de Munique, que também venceu na rodada, por outro lado, agora, o Schalke está em sétimo e fora da zona de classificação às competições europeias. No final, o craque do jogo falou, em tom de alívio: “foi uma semana dura, com três vitórias em jogos importantes”.   

O campeonato mais equilibrado da Europa

A imagem do equilibrio (Reprodução internet)

Pela primeira vez na história da Eredivisie, que é disputada desde 1956-57, após 11 rodadas, a diferença entre o líder do campeonato e o último colocado é de apenas 13 pontos. O mais absurdo é observar que do líder para o oitavo colocado são apenas dois pontos de vantagem. O nivelamento da Liga Holandesa ficou ainda mais claro neste final de semana, pois foi a primeira vez, desde fevereiro de 1964, que os três maiores clubes do país – Ajax, Feyenoord e PSV – não conseguiram vencer em duas rodadas consecutivas. (Estatísticas por Infostrada) 

O Ajax, que tinha o domínio da Liga e é o atual tricampeão do campeonato, perdeu dois jogadores fundamentais na reta final da janela de transferências e mudou o panorama no país. O capitão Alderweireld foi para o Atlético de Madrid e o meia Eriksen foi para o Tottenham. Sem a dupla, os Godenzonen caíram alguns patamares e ficaram mais próximos do nível dos adversários. Hoje o Ajax é vice-líder, com os mesmos 19 pontos do ponteiro Twente e segue como favorito, mas, com o equilíbrio da Eredivisie, qualquer deslize poderá afastar o time de Amsterdan da liderança e evitar mais um título.  

Quem segura o Porto?

Lucho e Josué, um fechou e o outro abriu o placar no dérbi (AP Photo)

Na Liga Portuguesa, antes desta rodada o Porto era líder invicto, porém, tinha no encalço, o Sporting, apenas dois pontos atrás. Por isso, o encontro deste domingo no Estádio do Dragão foi uma boa alternativa para conseguir uma maior margem na ponta. Com um 3 a 1, com bastante tranquilidade, os azuis e brancos agora têm cinco pontos de vantagem em relação aos Leões. 

No 3 a 1 frente ao Sporting, a tranquilidade azul e branca só foi quebrada no início do 2°T, quando os visitantes pressionaram mais os portistas, cresceram no jogo e empataram. Porém, após o empate, o lateral brasileiro Danilo fez belo gol: recebeu na área, girou, cortou Rojo para canhota e fuzilou. Lucho González ainda completou a vitória depois de jogada de ponta-esquerda do centroavante Jackson Martínez. No Porto, além dos laterais brasileiros, os três meias – Varela, Lucho e Josué – jogaram muito bem e correram muito.

O Porto perdeu para este ano James Rodríguez e João Moutinho, que, na última temporada, participaram de 44,8% dos gols do Dragão. Sem eles e com o novo técnico Paulo Fonseca, o time mudou do 4-3-3 para o 4-2-3-1 e, apesar da queda de qualidade no elenco, o time parece preparado para conquistar o tetracampeonato – feito que veio pela última vez entre 2005-06 e 2008-09.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Enfermedades Futboleras 3



O primeiro gol de Lucas

 Ameaçado na seleção brasileira, Lucas conseguiu uma boa atuação no 2 a 0 do PSG, porém isso só foi possível, quando ele teve espaço para jogar (Jean Pierre Muller/AFP)

O PSG encarou o Bordeaux fora de casa e conseguiu uma vitória por 2 a 0, mesmo fazendo um primeiro tempo bem ruim. O problema foi o mesmo de sempre: falta de criação. Blanc armou o time no 4-3-3, com três volantes no meio, mas além de marcadores, Thiago Motta, Matuidi e Verratti passam bem a bola e têm boas condições de chegar ao ataque, que era composto por Lucas na direita, Ibrahimovic no centro e o jovem (18 anos) Ongenda na ponta-esquerda.

A alternativa que deu certo foi Ibrahimovic assumir a responsabilidade de criar, muitas vezes, recuando para abrir espaços para a penetração dos volantes. O sueco tem esta característica, pois é muito técnico e tem um bom passe. O dez parisiense recuou e, da entrada da área, descobriu a penetração de Matuidi pelo lado esquerdo da área. O volante aproveitou a chance e marcou.

Com o resultado negativo em casa, os girondinos deixaram o time exposto e pareciam convidar o visitante para um contra-ataque, a especialidade de Lucas. Foi, em um lance assim, que o brasileiro recebeu ótima enfiada de Verratti, nas costas da defesa do Bordeaux, e marcou pela primeira vez pelo PSG – um gol e quatro assistências, em 21 partidas. O camisa 29 fez ótimo segundo tempo, aproveitando o espaço cedido pelo rival, mas ainda falta aparecer em jogos onde tiver uma marcação mais apertada. Lucas ainda conseguiu colocar Ibrahimovic – duas vezes – e Rabiot na frente do goleiro adversário, porém ambos não converteram os gols. 


No ritmo do Mágico de Oz

 Özil já mostra que se encaixa muito bem no jogo do Arsenal, 90% de passes completos na partida (FourFourTwo Stats Zone)

No 4-2-3-1 de Arsene Wenger, Özil jogou livre. Prioritariamente, pelo centro, o alemão fez ótima exibição, ao encarrar, um Sunderland sujeito ao domínio do clube de Londres. Na maior parte do tempo, os gunners controlaram a posse, terminando com 69,4% do domínio dela. Além disso, os londrinos conseguiram jogar com a velocidade prometida, mesmo com Walcott em um dia ruim.   

A maior contratação da história dos gunners além de jogar pelo centro, também caiu pela esquerda, abrindo espaço para as chegadas pelo meio de Ramsey e Wilshere, titular pela ponta-esquerda. Mas foi Özil, que chamou a atenção, acostumado a criar chances de gols, o alemão proporcionou, nas últimas cinco temporadas, 382 oportunidades aos companheiros (maior número entre as cinco grandes ligas) e repetiu o desempenho na estreia pelo Arsenal. Foram quatro chances claras – duas para Giroud e duas para Walcott – surgidas através de seus pés e, um destes passes para o centroavante francês, resultou em gol.

O segundo gol veio em jogada de Jenkinson pela direita e belo arremate, de primeira, de Ramsey. Golaço, curiosamente com participação de dois dos cincos jovens, que tiveram os contratos renovados pelo Arsenal no final de 2012 – os outros, Wilshere, Oxlade-Chamberlain e Gibbs. O galês (seis partidas, cinco gols e uma assistência) ainda fez o terceiro (1 a 3, na partida), em jogada tramada por Özil e Giroud, que largou muito bem a temporada, quatro gols, em quatro partidas da Premier League.



Equilíbrio no Derby d’Italia

Pogba e Vida comemoram o empate frente à Inter: na Serie A, bianconeri e nerazzurri vêm empatados atrás de Napoli e Roma, com sete pontos (Ag. Reuters)

O Giuseppe Meazza recebeu o grande jogo da rodada no futebol mundial: o jogo entre Inter e Juventus. Mazzarri e Conte apostaram no mesmo sistema tático, o 3-5-2. Com isso, a partida foi muito estudada e os dois lados não tiveram tantas chances de gol. O resultado disso tudo o empate em 1 a 1. Primeiro os nerazzurri marcaram com Icardi, mas, dois minutos depois, Vidal empatou.

Deve se destacar que, com a chegada de Mazzarri, alguns jogadores que ainda não haviam se dado bem na Inter, conseguir elevar o nível de jogo. São os casos de Juan, Nagatomo, Jonathan e Álvarez (autor da roubada de bola e da assisência no gol nerazzurro), que largaram muito bem na temporada e foram bem no dérbi também. Do outro lado, chama a atenção como Vidal vem evoluindo, o ótimo jogador chileno parece um patamar acima do que já esteve na carreira e, hoje, está à frente de Pirlo na briga pelo protagonismo bianconero e, sem dúvida, é um dos 15 melhores jogadores do mundo. Na ausência de Marchisio (lesionado), Pogba vem compondo muito bem o meio-campo da Vecchia Signora.



O encaixe perfeito de Eto’o

 Eto'o estreou bem, mas com derrota (Getty Images)

Apesar da derrota, por 1 a 0, frente ao Everton, no Goodison Park mostrou que Eto’o é o centroavante ideal para o 4-2-3-1 dos blues. O camaronês interagiu muito bem com os três meias-atacantes, que se mexem muito, e encontraram no camisa 29, um jogador que também tem como característica esta mobilidade. Integração perfeita. A participação de Eto’o no jogo mostra como, em sua primeira partida, ele já se sentiu à vontade com a camisa azul do Chelsea: seis finalizações, três delas no gol; recebeu 30 passes, em vários setores do campo; e roubou duas bolas.

A derrota foi consequência das chances perdidas pelo Chelsea, que viu o Everton ser, praticamente, letal nas poucas oportunidades que construiu na partida. E olho em Ross Barkley, de apenas 19 anos, que foi o meia-atacante pelo centro no 4-2-3-1 de Roberto Martínez, e participou bastante da partida, criando boas oportunidades para o ataque dos toffees. A combinação de técnica e força física do jovem é bem interessante, vale prestar a atenção.