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sábado, 5 de julho de 2014

Copa do Mundo – Dia 23

Venceu bem

O craque do Mundial vai embora com as lágrimas, e, o melhor da partida, o consola e avança (Laurence Griffiths/Getty Images)

Desde o princípio, chamou a atenção a inatividade de Carlos Velasco Carballo, que parecia proibido de distribuir cartões. Brasileiros e colombianos aproveitaram esta espécie de autorização e fizeram um jogo bastante físico. Em muitos momentos, os jogadores chegaram a extrapolar, beirando à violência. Um exemplo claro foi Fernandinho, que chegou a fazer faltas duras seguidamente e não viu nem o amarelo.

Em campo, os Samba Boys vieram com algumas diferenças. O 4-2-3-1 se aproximou de um 4-1-4-1, tendo Fernandinho como 1° volante e, à frente, Oscar, Paulinho (por conta da suspensão de Luiz Gustavo, voltou ao time), Neymar e Hulk – os dois últimos jogando mais próximos do centroavante Fred. Além disso, Luiz Felipe Scolari surpreendeu positivamente, sacando Daniel Alves e colocando Maicon. José Pékerman manteve o 4-2-3-1, mas optou por Ibarbo como ponta-esquerda, tendo James pelo centro e Cuadrado pela direita. Na volância, Guarín entrou no lugar de Aguilar, portanto, os cafeteros deixaram de ter dois volantes de mais marcação, buscando ter mais posse de bola e mais domínio do meio-campo.

Com as mudanças e o crescimento do desempenho dos jogadores, os Samba Boys cresceram, passaram a ter melhor saída de bola, pois os laterais, a dupla de volantes e até os meias ajudaram mais neste trabalho. O Brasil também conseguiu pressionar a saída de bola, prejudicando o jogo colombiano. Além da marcação alta, outra característica da Copa das Confederações apareceu: o gol no início. Aos seis minutos, Thiago Silva completou escanteio de Neymar e, de coxa, abriu o placar.

A Colômbia tentou equilibrar o jogo, mas esbarrava na forte marcação no craque James Rodríguez e na fraca exibição de Cuadrado, por isso, Júlio César não era incomodado. A dupla de zaga também tinha responsabilidade nisso, pois impediam as chegadas na área e também bloqueavam os chutes, quando os cafeteros conseguiam finalizar. No outro lado do campo, Hulk, mais uma vez, muito ativo, assustava o goleiro Ospina, porém o segundo gol não vinha.

Vendo o adversário controlando o jogo, Pékerman mexeu: sacou Ibarbo e colocou Adrián Ramos, com mais liberdade para ser atacante. O argentino formou um 4-2-2-2, em que o novo jogador do Dortmund tinha espaço para flutuar atrás de Teó Gutiérrez. Com a mexida, os cafeteros passaram a dominar o jogo, a queda da atuação do meio-campo verde e amarelo também colaborou com a mudança no perfil da partida. Mas, como os números mostram, a pontaria não foi o forte da Colômbia na partida. De onze finalizações, apenas uma foi no alvo, desempenho fraco.

No pior momento da partida, o Brasil conseguiu o segundo gol. Em outra bola parada, David Luiz finalmente conseguiu o primeiro dele de falta com a camisa verde e amarela. Apesar do 2 a 0, o craque da Copa do Mundo, James Rodríguez seguiu tentando e, em um dos raros momentos de liberdade, conseguiu descobrir Bacca (ótimo nove, subutilizado no Mundial) livre dentro da área. Júlio César cometeu o pênalti e, na cobrança, o dez cafetero fez o sexto gol dele na competição (artilheiro). Teoricamente, haveria tempo para a virada, porém, o Brasil passou a dominar o jogo e esfriou o ímpeto colombiano.

O 2 a 1 proporcionou mais uma grande cena do Mundial 2014. Com o apito final, James Rodríguez desabou a chorar, mas não ficou desamparado. Em pouco tempo, os brasileiros Daniel Alves, Marcelo e, principalmente, David Luiz consolaram o dez rival. Na entrevista pós-jogo, o jogador do Monaco, aos prantos, afirmou: “chorei, pois sei que deixamos tudo em campo, mas não foi possível”. Nesta tarde e noite, seria difícil vencer o Brasil, que fez a melhor partida na Copa do Mundo.  

A grande ausência

Neymar deixa o campo chorando, ali já dava para imaginar a gravidade da lesão, que, ao final, afastou o craque da Copa do Mundo (Getty Images)

A alegria ao final do jogo se transformou em temor. Primeiro, durante a partida, o capitão Thiago Silva levou o segundo amarelo, em lance bobo, e está fora do jogo contra a Alemanha. Dentro do elenco brasileiro, Dante parece bem capacitado para substituir o camisa três, apesar de não ser fácil entrar no lugar do melhor zagueiro do mundo. Mas a diferença de nível entre o titular e o reserva não é tão grande como a do outro desfalque verde e amarelo.

Quase no final da partida, em lance no campo defensivo, Neymar tomou uma joelhada nas costas. Zuniga chegou muito duro, em jogada totalmente desnecessária. Após o golpe, o dez brasileiro caiu no chão e não se levantou mais. O árbitro não fez nada, nem cartão o lateral colombiano levou. Ney saiu de maca das quatro linhas e chorando muito. Aos poucos, as notícias foram chegando e a tensão atingindo níveis altos.

Do ambulatório do Arena Castelão, Neymar foi para uma clínica particular e, neste local, foi constada uma lesão séria, em uma vértebra da coluna. Desta forma, além de ficar fora da semifinal, como Felipão imaginou na coletiva pós-jogo, o camisa dez não jogará mais a Copa do Mundo 2014. O grande sonho do garoto de disputar e vencer o Mundial no próprio país, quando estava tão perto, acabou.

Até terça-feira, Luiz Felipe Scolari e toda a comissão técnica vão trabalhar muito para substituir a grande referência técnica verde e amarela. Se no talento Neymar é insubstituível no Brasil, vale destacar que, na fase final da Copa, o camisa dez não brilhou. Por isso, os canarinhos conseguiram não depender tanto do craque, que teve atuações mais apagadas, mostrando que a seleção não é apenas o principal jogador. Portanto, há vida sem Ney.

A adversária

 Palmas para Hummels, muito bem na defesa e o autor do gol decisivo (Martin Rose/Getty Images)

Como previsto, o Maracanã viu um jogo muito equilibrado, entre Alemanha e França. A Nationalmannschaft trouxe novidades para a partida: Lahm na lateral e Klose (abaixo dos demais fisicamente) como centroavante. Assim, Löw manteve o 4-3-3, mas teve o time mais próximo daquele que vinha sendo trabalhado durante todo o período entre copas do mundo, principalmente, quando observamos a forma de jogar. Por isso, a aposta forte é na manutenção da trinca de meias, com Khedira, Schweinsteiger e Kroos, tendo Özil e Müller abertos. A mudança que deve ocorrer é a provável escalação Schürrle, deixando Klose como opção para o segundo tempo.

Sobre o jogo, o Rio de Janeiro viu a vitória, por 1 a 0, com o gol do zagueiro Hummels, que, além de marcar de cabeça, conseguiu fazer um ótimo trabalho defensivo. Esta exigência ao jogador do Dortmund foi reflexo da produção dos franceses, que não foi tão grande como em outras partidas, porém capaz de assustar os alemães. Neuer foi exigido várias vezes e fez boas defesas, as que mais chamaram a atenção foram realizadas com uma mão só.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Copa do Mundo – Dia 1

Já havia acontecido muita coisa, afinal, quem não está apaixonado pela simpatia dos alemães? Ou quem não se decepcionou com algumas das estrelas ausentes, por conta de contusões? Mas a bola só rolou hoje, na Arena Corinthians, zona leste de São Paulo. A impressão para todos os apaixonados pelo futebol é que a Copa do Mundo demorou demais para chegar, portanto, agora teremos que desfrutar o máximo de cada um dos 64 jogos. 

Primeiro passo complicado 

 Oscar brilhou na estreia, com passe, dribles, disposição e o gol, que corou a boa exibição (Getty Images)

O ambiente parecia perfeito para a vitória. Ao subirem para o aquecimento em campo, os brasileiros mostraram que queriam muito estar ali e que lutariam o máximo que fosse possível para vencer. Para completar, na hora que valia, a entrada também foi forte, emocionante e contou com o inigualável hino à capela, que já se tornou tradição por aqui. Tradicional também foi o esquema de Felipão, o 4-2-3-1 e o técnico croata também não surpreendeu e escalou a equipe com a mesma formação tática.

Seguindo o script imaginado, o Brasil iniciou apertando a saída de bola, mas não teve sucesso. A Croácia veio fechada atrás e com muita qualidade para tocar, principalmente com a dupla de volantes, Modric e Rakitic. O primeiro gol saiu em erro da pressão brasileira, pois Daniel Alves foi marcar Pletikosa na área adversária e deixou o corredor totalmente exposto. Assim, Rakitic iniciou o contra-ataque rápido, enfiou Olic no espaço aberto na lateral-direita verde e amarela e foi dali que partiu o cruzamento, que resultou no gol contra de Marcelo. 

Placar contra, adversário jogando mais atrás e Brasil com dificuldade para propor o jogo. Paulinho não conseguia colaborar com a saída de bola, que ficava a cargo dos quatro defensores e Luiz Gustavo, o que resultava em muitas tentativas de ligação direita. Os samba boys conseguiram crescer no jogo, quando Neymar e Oscar (hoje à direita, tendo Hulk à esquerda, mas, muitas vezes, os três jogaram bastante próximos) recuaram para ajudar na proposição das jogadas. O empate veio com Neymar, mas com participação decisiva do camisa 11, ganhando duas vezes o lance, que parecia perdido. 

Na segunda etapa, vendo o problema na saída de bola, Felipão optou por colocar Hernanes no lugar de Paulinho, buscando o que faltava – não melhorou muito. Mas foi Oscar que começou a tentar decidir o jogo, normalmente, aberto pela direita, foi para cima e tentou dribles. Em uma jogada dele, em que arriscou o corte e cruzou rasteiro na área para Fred, o árbitro viu pênalti – totalmente inexistente. Neymar ignorou o erro de Yuichi Nishimura e bateu com força, no canto direito. Pletikosa quase defendeu, mas o camisa dez alcançou o segundo gol na Copa. 

A Croácia não conseguiu buscar o empate, pois o gol mudou o rumo da partida. Apesar de não estar melhor em campo, os croatas levavam o jogo no ritmo que queriam e, pelo lado direito da defesa verde e amarela, sempre assustavam. Além da saída de bola, o espaço neste setor foi o grande problema brasileiro. Com passes de Modric e Rakitic, Olic explorou muito as costas de Daniel Alves. Por isso, defensivamente, a colaboração de Oscar e, principalmente, o trabalho de Luiz Gustavo e David Luiz foi fundamental para a Croácia não conseguir um segundo gol. 

No final, a pressão alta do ataque brasileiro teve resultado. Ramires pressionou e a redonda sobrou para Oscar. O camisa 11 avançou e, de bico, decretou números finais. O 3 a 1 corou a ótima atuação do jogador do Chelsea, um dos mais contestados da imprensa, durante o pré-Copa. A expectativa é que o Brasil evolua para os próximos jogos, pois há espaço para isso e os problemas ficaram bastante claros. Pelo lado croata, a impressão deixada foi muito boa e a expectativa é que a equipe seja uma adversária dura durante o Mundial, mais ainda quando puder contar com o centroavante Mandzukic.

sábado, 6 de julho de 2013

A seleção da Copa das Confederações

A seleção que elegi para a Copa das Confederações tem jogadores apenas dos semifinalistas. O Brasil coloca seis jogadores entre os 11 e, talvez, até merecesse ter o técnico do selecionado. Porém, o comandante vem da Itália. Além do homem no banco, os italianos encaixaram mais dois na seleção. Da vice-campeã Espanha vem dois jogadores e o Uruguai cede um atleta para o time dos sonhos. O esquema tático é o 4-2-3-1, que, para variar, foi bastante utilizado na Copa das Confederações. Vamos aos 11:

Goleiro: Júlio César (Brasil)

 Desacreditado pós-Copa de 2010, Júlio César é o goleiro de confiança de Luiz Felipe Scolari (Ricardo Matsukawa/Terra)

O camisa 12 verde e amarelo foi um dos grandes vencedores da Copa das Confederações. Depois de sair taxado como um dos principais vilões da eliminação brasileira no Mundial de 2010, Júlio César retomou a confiança e parece ter reconquistado o torcedor brasileiro. O pênalti defendido contra o Uruguai, algumas defesas frente aos charrúas e a Espanha foram fundamentais para ele ser eleito pela FIFA o melhor goleiro do torneio. Durante a Copa das Confederações, o camisa 12 brasileiro foi o terceiro a realizar mais defesas e, por ter sido importante, ao campeão da disputa merecer estar na seleção da competição.

Lateral-direito: Christian Maggio (Itália)

O jogador acostumado a atuar com três zagueiros no Napoli não foi titular absoluto da Itália na disputa, pelas trocas de jogadores constantes promovidas pelo técnico Cesare Prandelli. Porém, quando a competição pegou de verdade, Maggio se destacou. Contra a Espanha, o esquema com três zagueiros teve o camisa dois na ala-direita fazendo dupla interessante com Candreva, o que impediu avanços de Jordi Alba, válvula de escape importante da furia até ali. O desempenho contra o Uruguai também foi positivo. O destaque é que Maggio teve como ponto alto da sua participação na Copa das Confederações a atuação defensiva, que não é tradicionalmente a característica mais forte do seu jogo. Por isso, o ala do Napoli deve ganhar espaço na Squadra Azzurra principalmente no esquema com três zagueiros, mas mostrou que pode ser alternativa em sistemas com quatro defensores.

Zagueiro: Sergio Ramos (Espanha)

O melhor defensor espanhol no torneio foi o madrilenho, que atuou em todas as partidas da Roja na Copa das Confederações. Em números, Sergio Ramos foi o segundo jogador com mais bolas recuperadas no torneio, foram 35 recuperações da posse da redonda. Contra a Itália, na semifinal, o zagueiro apareceu bastante na área adversária e quase marcou um gol. Esta característica de aparecer no ataque, principalmente, em cruzamentos não rendeu tentos nesta competição, mas sempre assustou os adversários. Além disso, o camisa 15 foi importante na saída de bola do time, com 289 passes completados, que não foram composto apenas por toques de lado.

Zagueiro: David Luiz (Brasil)

 David Luiz e o grande lance da competição, o gol que impediu na final contra a Espanha (Getty Images)

David Luiz teve um grande erro na Copa das Confederações: o pênalti absurdo que cometeu em Diego Lugano, na semifinal frente ao Uruguai. No mais, o cabeludo assustou quando queria ir de qualquer forma ao ataque, mas, no geral, a competição foi muito boa. A raça do jogador do Chelsea é conhecida por todos – chegou a jogar com o nariz quebrado – e a técnica também. As duas características apareceram bastante durante o torneio. Por isso, com vontade incrível, dificilmente perdeu disputas um contra um e foi importante nas saídas de bola brasileiras, inclusive com lançamentos longos. Defensivamente foi o segundo brasileiro que mais desarmou na Copa das Confederações 2013, atrás apenas de Luiz Gustavo, e também foi um dos quatro que mais recuperou bolas pelos “canarinhos” na disputa. David Luiz ainda teve ao seu favor a bela exibição na final para ganhar a vaga nos meus 11 do torneio.

Lateral-esquerdo: Marcelo (Brasil)

A temporada não foi tão boa, sofreu com lesões e, quando voltou, ficou no banco de Fábio Coentão. Na seleção havia dúvida se Marcelo seria o titular para a Copa das Confederações 2013. Porém, assim que assumiu o posto entre os 11 ainda nos amistosos preparatórios, não deixou a posição na lateral-esquerda. O resultado foi um ótimo campeonato, principalmente, na fase ofensiva do jogo. Marcelo cedeu uma assistência no torneio e teve boa parceria pelo lado esquerdo com Neymar: recebeu 33 passes do camisa dez e passou 77 vezes para ele durante a campanha. Defensivamente cometeu alguns erros, mas a participação no ataque e o bom desempenho na reta final do campeonato pesaram favoravelmente para o brasileiro estar na seleção do torneio e Alba não. O espanhol foi muito mal nos jogos decisivos.

Volante: Andrea Pirlo (Itália)

Não foi a melhor competição do meia-central azzurro, porém, a classe esteve presente enquanto uma lesão não atrapalhou a participação na Copa das Confederações 2013. Pirlo ocupou a função de regista: bastante recuado e dando qualidade à saída de bola italiana. O resultado disso foram 210 passes tentados, 169 completados, ou  seja, 80% de índice de acertos. O rendimento ofensivo ainda contou com um golaço de falta na primeira partida dos azzurri na Copa das Confederações. Mas, pelo posicionamento defensivo, o camisa 21 também conseguiu recuperar 12 bolas durante a competição. Portanto, mesmo sem ter mostrado o melhor que pode, Pirlo, por ter participado bem defensiva e ofensivamente, mereceu a vaga na seleção do torneio.

Volante: Paulinho (Brasil)

Paulinho como de costume apareceu muito bem no ataque (AFP/Nelson Almeida) 

Um volante quase meia, este foi Paulinho na disputa da Copa das Confederações 2013. Mas, como a primeira obrigação do jogador desta posição é a marcação, começo destacando o desempenho defensivo do brasileiro. Foram 14 bolas recuperadas e quatro desarmes nas quatro partidas que disputou. Outro fator importante do jogo de um volante é a saída de bola, mais um quesito em que o camisa 18 verde e amarelo teve boa participação, com 174 passes tentados, 140 completados e um índice de acerto de 80% - muitos deles direcionados ao ataque. Na difícil semifinal frente ao Uruguai, foi um lançamento de Paulinho que abriu espaço para o primeiro gol e foi dele o tento que classificou os “canarinhos” à final do torneio. O jogador completo, que foi vendido recentemente ao Tottenham, ainda marcou mais uma vez na Copa das Confederações 2013. O bom desempenho na competição foi coroado com uma ótima atuação na final, quando atuou mais defensivamente.

Meia-externo direito: Edinson Cavani (Uruguai)

Cavani não fez uma competição linear, mas cresceu junto com os companheiros na fase decisiva do torneio. No jogo que valeu a classificação, contra a Nigéria, o camisa 21 celeste perdeu chances improváveis, mas diminui a dívida com a torcida ao participar do contra-ataque que rendeu o gol da vitória uruguaia. Neste lance, o centroavante cedeu sua única assistência na Copa das Confederações 2013. O crescimento na fase final ficou claro através dos números: nos jogos frente à Brasil e Itália foram três gols, um de falta e, com a bola rolando, um de canhota e um de perna direita. Porém não foi o trabalho ofensivo que chamou a atenção, na fase defensiva do jogo, foram cinco desarmes, dez bolas recuperadas e muita disposição para a marcação.

Meia-atacante: Andrés Iniesta (Espanha)

Cabeça erguida e, de olho no ataque, este foi Iniesta, o homem que pensava o jogo na Espanha (Julio César Guimarães/UOL)

Iniesta não apareceu tanto nas estatísticas ofensivas, não é um goleador e, nesta Copa das Confederações, cedeu apenas uma assistência. Porém a importância dele para o jogo da Espanha é notada facilmente na observação de cada partida. A característica de passador de Iniesta ficou clara nesta disputa, ao todo, foram 390 passes tentados, 337 completados e um índice de 86% de acerto. Para quem atua no setor ofensivo e, normalmente arrisca toques mais difíceis, os números são muito bons. Além disso, os dribles e chutes de fora da área colaboraram bastante para jogos em que a Roja enfrentou defesas mais fechadas. Defensivamente, o camisa seis da furia colaborou com um desarme e 13 bolas recuperadas.

Meia-externo esquerdo: Neymar (Brasil)

O bola de ouro que participou da maior parte dos gols da seleção campeã do torneio. Neymar amadureceu na disputa com a camisa verde e amarela, vestindo a dez e atuando, principalmente, na ponta-esquerda. Em números, foram quatro gols, duas assistências, quatro desarmes e cinco bolas recuperadas. A preponderância de Ney no desempenho do Brasil ficou clara nos primeiros jogos, quando ainda não havia uma percepção cristalina de jogo de equipe na seleção. Naquele momento, com o talento natural, o agora jogador do Barcelona carregou o time. Com o crescimento de todo o grupo, Neymar se comportou ainda melhor. Mesmo sem conseguir uma grande exibição na semifinal contra o Uruguai, o camisa dez verde e amarelo participou, de forma decisiva, dos dois gols brasileiros. Na decisão, mais uma grande atuação e um golaço com a perna ruim, a canhota. Portanto, o craque brasileiro foi bem enquanto o time se arrumava, foi bem com o crescimento do grupo, foi bem na semifinal e também na final. Portanto, o craque de toda a competição.

Centroavante: Fred (Brasil)

 Os homens mais ofensivos do Brasil, Fred e Neymar se entenderam muito bem ao longo da competição (Ricardo Matsukawa/Terra)

O camisa nove brasileiro é mais um que faz parte da minha seleção e que não começou bem na Copa das Confederações. Nos primeiros dois jogos nenhum gol e pouca participação nas partidas – cedeu apenas uma assistência. Porém, a postura do centroavante mudou após o início ruim, contra a Itália, Fred marcou duas vezes e começou a busca pela artilharia. Fazendo gols típicos de centroavante, empurrando bolas dentro da área e se posicionando muito bem para marcar, faltou pouco para que o camisa nove conseguisse vencer a chuteira de ouro do torneio. Na semifinal frente ao Uruguai, mais uma vez balançou a rede por não desistir do lance antes dele ser finalizado. Contra Espanha, na decisão, dois dos três gols brasileiros foram marcados por Fred, que, pela primeira vez na carreira, marcou deitado. Ficou claro que gol é com ele e que, se tiver chance, vai balançar as redes sempre.

Técnico: Cesare Prandelli (Itália)

Este foi o nome que mais demorei a definir, pois Del Bosque e, principalmente, Felipão mereciam ser o técnico do torneio. Mas o que pesou em favor de Prandelli foi a adaptabilidade que mostrou durante os cinco jogos que a Itália disputou. No balanço da Copa das Confederações 2013 coloquei no texto que a Squadra Azzurra foi um carrossel tático e isso ocorreu mesmo por culpa do homem no banco de reservas. Sob o comando do ex-treinador da Fiorentina, os italianos não repetiram a escalação nenhuma vez no torneio e mudaram bastante de esquema para enfrentar os diferentes adversários. Esta adequação de atletas e forma de jogar às dificuldades, que a outra seleção poderia oferecer, foi um diferencial dos azzurri na competição. Por isso, após perderem por 4 a 0 para a Espanha em 2012 na final da Eurocopa, desta vez, fizeram jogo duro e foram melhores que os espanhóis. A consciência das limitações e qualidades do elenco que Prandelli possui parece ser a grande esperança da Itália para ter sucesso nos próximos anos no futebol.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Mostrou quem manda


 Thiago Silva levanta a taça da Copa das Confederações 2013: o Brasil teve a sua melhor atuação na decisão frente à Espanha (Daniel Ramalho/Terra)

No Maracanã, o Brasil aos gritos de “O campeão voltou” jogou como há muito tempo não atuava e massacrou a Espanha, atual campeã mundial e bicampeã europeia. A torcida fez a atmosfera do estádio valer, empurrou os “canarinhos” do começo ao fim e vaiou enquanto foi necessário o toque de bola da furia.

Desde o princípio a seleção brasileira mostrou como iria combater a forma espanhola de jogar: pressão na saída de bola roja. A ausência do facilitador do início da construção das jogadas espanholas, Xabi Alonso ajudou no sucesso da estratégia de Luiz Felipe Scolari. A Espanha acostumada a exercer a marcação nos adversários não soube lidar com o jogo aplicado pelo Brasil. O primeiro gol verde e amarelo saiu antes dos dois minutos de jogo. David Luiz, um monstro na final, fez lançamento do campo de defesa para ponta-direita. Hulk cruzou para a área e, depois de muita confusão, a redonda sobrou para Fred, que, mesmo deitado, conseguiu marcar o 1 a 0.

 Fred aponta para a torcida, mas poderia estar apontando o caminho do gol, pois esta trajetória ele conhece muito bem (Ag. Reuters)
O gol parece ter mostrado para os brasileiros que o antídoto para vencer a fúria estava ali. Por isso, no início da partida, a estratégia seguiu funcionando e, logo depois do 1 a 0, os “canarinhos” quase marcaram o segundo em finalização de Oscar dentro da área. O volume de jogo verde e amarelo manteve a Espanha com muitas dificuldades nos primeiros 20 minutos. La Roja só conseguiu chutar com Iniesta, em jogada individual. O domínio brasileiro impressionava e Fred ainda teve chance valiosa frente à Casillas, que realizou defesa importantíssima.

Neymar foi eleito o Bola de Ouro da Copa das Confederações 2013 e foi muito merecido, o dez brasileiro jogou muito (Laurence Griffiths/Getty Images)

Paulinho e, principalmente, Luiz Gustavo - partida perfeita hoje -  não permitiam o jogo de Xavi e Iniesta. Mata flutuando entre a ponta-esquerda e o centro também não jogava. Thiago Silva e David Luiz faziam partida esplendorosa e colaboraram para que o ataque espanhol não funcionasse. O camisa quatro chegou a salvar uma bola em cima da linha, que confirmou a sensação de que o jogo terminaria com vitória brasileira. O excelente primeiro tempo ainda reservou um gol para o bola de ouro do torneio, Neymar fez com passe de Oscar. O camisa 11, até então apagado, foi mais um que contribuiu bastante com a vitória brasileira.

Na volta do intervalo, Del Bosque tentou resolver o problema da lateral-direita, tirando o Arbeloa, em péssima partida, e colocando Azpilicueta. Porém, a troca não adiantou, mostrando que além da falta de um centroavante do nível do restante do elenco, a Espanha não tem um lateral-direito para fazer parte dos 11 iniciais. Tanto não resolveu que, com um minuto do segundo tempo, mais um gol no lado esquerdo do ataque verde e amarelo. Fred recebeu de Hulk e marcou o quinto dele na Copa das Confederações.

 David Luiz: um dos símbolos da seleção brasileira, nunca escondeu o prazer de vestir a camisa verde e amarela (Getty Images)

No placar, 3 a 0 e, como a Espanha na Eurocopa de 2012, a melhor partida da equipe campeã ficou para o final. Os espanhóis sofreram com isso, mas tiveram chances boas no segundo tempo. Júlio César fez uma defesa importante em chute de Villa e viu Sergio Ramos desperdiçar um pênalti (porque ele como cobrador?). O goleiro sai da disputa com mais força do que entrou. Mesmo com as oportunidades da roja, a intensidade do jogo brasileiro foi reduzida apenas por poucos minutos. Por isso, Neymar conseguiu a expulsão de um futuro companheiro, Pique e o Brasil ainda criou boas chances.

O jogo ficou no 3 a 0, mas a sensação de dever cumprido era clara nos jogadores brasileiros. O abatimento espanhol também foi visível. A festa foi maravilhosa e a torcida do Maracanã deu aula de como deve ser o comportamento na Copa do Mundo. O apoio que veio das cadeiras fez a diferença e, sem dúvidas, ajudou no bom desempenho dentro das quatro linhas. Tanto que, nos dois primeiro gols, os jogadores fizeram questão de ir para o meio da torcida.

Luiz Gustavo chegou devagar na seleção e tomou conta da volância (Rafael Ribeiro/CBF)

A Copa das Confederações deixou claro que a seleção brasileira ainda está em formação, tem um craque e viveu altos e baixos na disputa, mas provou ser capaz de muita coisa. O grande momento na final não apaga a necessidade de ajustes e de melhorias em alguns pontos. A evolução ao longo da competição apresentou uma coisa bastante importante na decisão frente à Espanha, pois os laterais souberam dosar os avanços e não deixaram os espaços nos corredores para os jogadores de lado de campo da furia – Hulk colaborou muito com Daniel Alves na marcação. Além disso, a falada marcação pressão, que os “canarinhos” tentaram exercer durante toda a Copa das Confederações, teve o auge contra a roja.

A lateral-direita talvez seja o ponto de maior preocupação para os próximos anos. O titular verde e amarelo, Daniel Alves não vive o melhor momento e, no banco, estava um volante de origem, Jean. Por isso, abrir os olhos para outras opções deve ser feito. Os dois nomes que se destacam entre as demais alternativas são Mário Fernandes, do CSKA, e Rafael, do Manchester United. Testá-los pode fazer a diferença na formação de elenco da Copa de 2014, que deve ser 80% formado por esses jogadores que venceram os cinco jogos disputados na Copa das Confederações 2013. Os primeiros passos para um título mundial em casa foram dados, mas é necessário continuar evoluindo. Eu acredito que o caminho seguirá sendo seguido com sucesso.

domingo, 13 de maio de 2012

Mano de olho em Londres


Marin e Mano Menezes, por enquanto, só risadas, mas se houver um fracasso na Olimpíada, as coisas podem mudar (Fabio Motta/Agência Estado)

A 16ª lista de Mano Menezes para a série de amistos contra Dinamarca, Estados Unidos, México e Argentina, entre o final de maio e o início de junho mostrou que o treinador já pensa muito em Londres. Neste sentido, o gaúcho de Passo do Sobrado deu pistas do que poderá ser a lista final para os Jogos Olímpicos.

O que mais chama a atenção é enorme presença de jogadores com idade para disputar a competição, que já está no horizonte da seleção verde e amarela. Entre os 23 convocados, 17 têm a idade olímpica, são eles: Neto, Rafael, Danilo, Juan, Bruno Uvini, Alex Sandro, Sandro, Casemiro, Rômulo, Giuliano, Paulo Henrique Ganso, Oscar, Lucas, Neymar, Alexandre Pato, Leandro Damião e Wellington Nem.

É interessante reparar que entre os seis nomes de jogadores acima da idade olímpica, apenas o atacante Hulk atua em uma zona do campo que não seja a defesa. Ou seja, neste esboço de lista para Londres, cinco jogadores com mais de 23 anos compõem o sistema defensivo. Os escolhidos foram: Jefferson (Botafogo-BRA) – 29 anos, Daniel Alves (Barcelona-ESP) – 29 anos, Thiago Silva (Milan-ITA) – 27 anos, David Luiz (Chelsea-ING) – 25 anos e Marcelo (Real Madrid-ESP) – 23 anos. O lateral merengue é 1988 e fará 24 anos em 2012, por isso, não é um dos jogadores dentro da limitação de idade da Olimpíada.

Leandro Damião e Oscar se entendem bem no Internacional e são duas das opções ofensivas interessantes que o Brasil tem para a Olimpíada (Jefferson Bernardes/Vipcomm)

Não acredito que Mano Menezes não opte por levar Thiago Silva aos Jogos Olímpicos de Londres. Além disso, acho bastante provável que David Luiz faça para desta lista. Para completar os três jogadores acima de 23 anos o gaúcho de Passo do Sobrado tem boas chances de escolher um goleiro. Parece bastante improvável que o treinador brasileiro “queime” uma de suas escolhas fora da limitação da idade da Olimpíada, com um jogador, que atue do meio-campo para frente. Pois hoje, há um grande leque de opções de brasileiros atuando em alto nível nestas funções.  

O ótimo volante Lucas Leiva, do Liverpool, é um nome que pode ser muito considerado para à Olimpíada. Muito bom marcador e com boa saída de bola, pode formar uma dupla de volantes bastante interessante com Sandro, do Tottenham. Ele ainda é um dos jogadores considerados da confiança de Mano Menezes, que sempre que pode contar com ele, colocou entre os 11 iniciais. O que conta contra o jogador dos reds é a grave lesão que ele teve na temporada e, por este fato, ter jogado pouco ao longo do ano.

Com esta nova movimentação, mostrando que está pressionado para conquistar a primeira medalha de ouro olímpica do Brasil, Mano deixa claro que o novo Presidente da CBF, José Maria Marin trata a competição como prioridade. O principal nome administrativo do futebol brasileiro também já deu a enteder que um fracasso na Olimpíada pode custar o cargo do técnico. Uma troca no comando às vespéras do ciclo Copa do Mundo de 2014, com a Copa das Confederações já em 2013 pode ter um preço alto no Mundial brasileiro.

Números da Era Mano Menezes:
21 jogos; 13 vitórias; 5 empates; 3 derrotas; 30 gols marcados; 11 gols sofridos; 19 no saldo de gols e 44 pontos conquistados, em 63 pontos possíveis.

Artilharia:
1°- Neymar – 8
2°- Alexandre Pato – 5
3°- Daniel Alves, Fred, Jonas e Marcelo – 2
7°- Hernanes, Hulk, Jádson, Leandro Damião, Lucas, Nilmar, Robinho, Ronaldinho e Sandro – 1

Assistências:
1°- André Santos – 4
2°- Paulo Henrique Ganso – 3
3°- Daniel Alves e Neymar – 2
5°- Bruno César, Carlos Eduardo, Danilo, Diego Souza, Elias, Fernandinho, Hulk, Maicon, Marcelo, Ramires e Robinho – 1