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sábado, 30 de agosto de 2014

Primeiras impressões Di María

 Apresantado para vestir a histórica camisa sete do United, Di María ainda não fez Louis van Gaal mudar a ideia de escalar a equipe com três zagueiros (Chris Brunskill/Getty Images)

Di María no United Na apresentação de Di María, Van Gaal deixou claro o que já havia especulado antes, o Manchester United precisava muito de um jogador do nível e estilo do argentino. “Eu comprei o Di María, pois ele pode jogar por dentro e pela ponta, o que é muito prático para o treinador”. Na estreia, contra o Burnley, o novo camisa sete dos red devils jogou pelo centro, à frente de Fletcher e ao lado de Mata. O posicionamento é bastante semelhante ao que o “Fideo” ocupava no 4-3-3 madridista, porém, na Espanha, o corredor esquerdo ficava muito para ele, neste início no United, Di María divide o espaço com o ala Young. 

A opção pela manutenção do esquema com três zagueiros – hoje um 3-1-4-2 – decepcionou a imprensa, pois muitos esperavam que, com Di María, o United passasse a jogar no 4-2-3-1 ou no 4-3-3. Sobre isso, Van Gaal também falou na apresentação do argentino: “esse é o processo. Eu não posso aclarar isso (a mudança de sistema), pois nós temos que ver no processo o que estamos fazendo. O que estou dizendo exatamente é que você não pode estalar seus dedos e mudar para outro esquema”.

 Manchester United - Football tactics and formations 
 Van Gaal não muda e sempre inicia as partidas com três zagueiros

Mesmo com a importante incorporação, o sistema tático não funcionou. O Burnley, de baixo investimento, atuou no 4-4-1-1 e, muitas vezes, exercia pressão na saída de bola dos red devils. No primeiro tempo, sem ajuda de Mata, Di María era o único que recuava para colaborar com o trio de zagueiros para iniciar a criação de jogadas. O resultado desta dificuldade para construir o jogo é que, no primeiro tempo, o United arriscou 50 lançamentos e completou apenas 23. Além disso, os Clarets assustaram De Gea. 

O técnico holandês manteve o desenho tático, mas Mata passou a auxiliar a saída de bola. A maior participação do espanhol ajudou em algumas jogadas, porém não foi constante, o Burnley seguia conseguindo evitar a melhor construção de ataques do United. Aos 69 minutos, Di María foi substituído e deixou o campo tendo criado as duas melhores oportunidades de gol dos red devils. A estreia do argentino foi boa, mas parece claro que o rendimento dele pode aumentar, principalmente, se puder ser um meia aberto e não um meia-central, como foi hoje. 

A outrora grande promessa, Anderson, entrou no lugar do camisa sete e foi executar a mesma função. O brasileiro até ajudou no início das jogadas, porém, faltando apenas 20 minutos para o final da partida, o United já optava pelo abafa. Os dois zagueiros abertos avançavam muito e os alas jogavam uma bola atrás da outra na área rival. O resultado foi ruim: ou a defesa ou o goleiro Heaton tiveram ampla superioridade nas jogadas e a insistência na alternativa aérea não produziu oportunidades claras de gol. 

As boas impressões deixadas pela estreia de Di María foram o melhor que o United ofereceu. Até aqui, em três partidas, dois pontos conquistados. Além disso, é bom destacar que Van Gaal insiste no esquema com três zagueiros, sem ter um defensor mais experiente e de nível mundial, o que faz falta. Os recém-contratados Rojo e Blind agregam ao clube, mas não são este jogador, ambos também são jovens, como aquilo que o United já tem no elenco. Pela coletiva na apresentação de Di María, o técnico holandês deixa claro que seguirá insistindo nos três zagueiros, porém, com os maus resultados se repetindo, a mudança tática pode ser necessária.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Prévia da Premier League 2014-15

O milionário Manchester City ganhou a Premier League 2013-14 e, para esta temporada, vem ainda mais forte (Getty Images)

A principal liga de futebol do mundo, a English Premier League começa no próximo final de semana e promete ser ainda mais interessante que a temporada anterior. Por isso, neste espaço, faremos uma prévia tática dos cinco principais candidatos ao título, que trazem coisas novas para a disputa de 2014-15. As possibilidades de Manchester City (1°), Liverpool (2°), Chelsea (3°), Arsenal (4°) e Manchester United (7°) serão apresentadas aqui, na ordem inversa à classificação da última temporada. 

Manchester United 

Depois do péssimo desempenho sob a batuta de David Moyes, o Manchester United entra com algumas novidade interessantes para a temporada, se desprendendo do estilo Alex Ferguson. A principal delas está no banco de reservas, o melhor técnico da Copa de 2014, Louis van Gaal. Com o holandês, os red devils devem emular o sistema da oranje no Mundial, um 3-4-1-2, com muita liberdade para o trio ofensivo. No mesmo esquema, Van Persie rendeu bem pelo seu país; Rooney costuma atuar melhor quando joga mais solto; e, desde que chegou à Inglaterra, Mata tem mostrado o máximo, quando é escalado pelo centro. Portanto, para o trio ofensivo, a mudança aparenta trazer apenas benefícios.

Manchester United - Van Gaal 2014-15 - Football tactics and formations
   
Outro setor que chama a atenção no novo desenho do United são as alas, em que devem jogar Valência pela direita e o recém-contratado Shaw pela esquerda. Dois jogadores de boa chegada e que, com a proteção de três zagueiros, deverão aparecer bastante na fase ofensiva do jogo. O equatoriano foi testado na função durante a pré-temporada e trouxe variação aos red devils, pois, com as subidas dele, muitas vezes o time ficou no 4-2-3-1, com Rooney jogando um pouco mais aberto. Mas é sempre bom lembrar que, com Ferguson, Valencia foi utilizado como lateral em linha de quatro, portanto, se adaptar na ala (principalmente, nas questões defensivas) não será tão difícil. Mesmo assim, o elenco do United dá a possibilidade de usar Rafael, lateral de origem, na função - opção mais defensiva. 

Ander Herrera terá papel central no novo Manchester United de Louis van Gaal (Manchester United)

Quem terá papel central no jogo dos red devils é o novo contratado Ander Herrera, que era alvo desde a temporada passada e chegou por 36 M €. O basco será o responsável pela saída de bola do time, alternando passes curtos e longos, e dando dinâmica à meia-cancha da equipe. A dúvida fica por conta de seu acompanhante no centro do campo, o sonho do United é Vidal, mas, por enquanto, a realidade é Carrick ou Fletcher, dois jogadores que não estão nos melhores momentos da carreira. 

Para completar, o grande problema da equipe, a defesa, que, até por isso, pode ser muito beneficiada do esquema. Pois, com três zagueiros e quatro meias, a proteção ao bom goleiro De Gea deve melhorar. Mesmo assim, com as saídas de Ferdinand e Vidic, que já não estavam no melhor nível, Van Gaal sentirá falta de um zagueiro mais experiente para liderar o novo sistema defensivo. Como o mercado ainda está aberto, há a expectativa que o Manchester United ainda possa trazer este jogador, que não existe no plantel.

Arsenal  

Nove anos depois, o Arsenal voltou a ser campeão da FA Cup e começou esta temporada com a conquista da Community Shield. Além disso, reforçou o elenco e só perdeu jogadores que não eram centrais ao time, ao contrário do que havia ocorrido em temporadas anteriores. Com mais de 77 M € investidos, Arsene Wenger surpreendeu e trouxe Alexis Sánchez, Calum Chambers, Mathieu Debuchy e David Ospina.  

Mas não foi apenas ao abrir o bolso que o técnico francês surpreendeu. Na Supercopa da Inglaterra, o 3 a 0 foi conquistado com um esquema diferente do 4-2-3-1 habitual do comandante. Wenger escalou a equipe no 4-1-4-1 e os jogadores responderam mostrando àquilo que o técnico queria: contra-ataques velozes, troca de passes e a boa chegada dos dois meias-centrais, Wilshere e Ramsey à área. Alexis Sánchez estreou muito bem pela ponta-direita e fez parceria interessante com o novo lateral-direito gunner, Debuchy. Por conta de bom desempenho pelo lado e porque Groud, mais uma vez, marcou, a possibilidade de utilizar o chileno como centroavante deve ser deixada de lado como plano inicial da temporada.  

 Arsenal - Football tactics and formations  

A boa atuação dos gunners não traz apenas soluções ao técnico Arsene Wenger, pois o 3 a 0 foi construído sem a presença da contratação mais cara da história do clube, Özil e com bom atuação do substituto, Santi Cazorla. Apesar disso, a Copa do Mundo traz alento ao treinador, pois, no Mundial, o camisa onze do Arsenal atuou bem partindo ponta-esquerda, justamente o espaço que o espanhol ocupou bem na primeira partida oficial da temporada. Mesmo sem jogar no posicionamento habitual, pelo centro, Özil mostrou que pode ser relevante jogando aberto. Se Santi Cazorla aceitar o banco de reservas, o problema que Wenger teria, pode se tornar uma ótima alternativa de jogo. O espanhol entrando durante as partidas pode mudar esquema, formando um 4-2-3-1, por exemplo, ou, em ausências de Özil, ser ótimo dublê do camisa onze alemão.  

Com o setor ofensivo bem definido, o foco do Arsenal neste final de mercado de transferências deve ser a defesa. No 4-1-4-1, Arteta, que foi recentemente convertido como capitão da equipe, deverá ser o volante mais fixo. O movimento de entregar a faixa ao espanhol mostra a confiança do técnico na situação física dele (uma grande dúvida antes do início de 2014-15), por isso, com o apoio de Ramsey e Wilshere deve dar segurança à defesa. A dupla de zaga deverá ser composta por Mertesacker e Koscielny, porém há a necessidade da contratação de um zagueiro para ser o reserva imediato da dupla, apesar de que Nacho Monreal e Chambers têm condições de atuarem por aquele setor.

Chelsea  

Nas últimas temporadas, independentemente do time que assumia, Mourinho colocava em prática um 4-2-3-1. O técnico luso ficou conhecido e consagrado como um dos grandes executores do sistema da moda. Porém, na primeira passagem pelo Chelsea, o Special One utilizava um 4-3-3, com Makelele mais fixo e Essien e, principalmente, Lampard com mais liberdade para chegar ao trio ofensivo.  

As contratações realizadas por Roman Abramovich permitem que o técnico luso volte ao esquema utilizado na temporada 2004-05. De qualquer forma, o elenco segue permitindo que os blues sejam escalados no 4-2-3-1, sem grandes mudanças nos onze iniciais de 2013-14. Uma dupla de volantes com Matic e Fàbregas, com Willian, Oscar e Hazard à frente não seria ruim e pode ser bastante viável para o decorrer da temporada. Mas, desde o início, imagino José Mourinho tentando colocar o 4-3-3 em ação.
  
Chelsea - Football tactics and formationsChelsea - Football tactics and formations  


No 4-3-3, Oscar perderia a vaga no time titular, mas os blues ganhariam defensivamente com a presença de três volantes no meio. O trio formado por Matic, Ramires e Fàbregas tem as características muito valorizadas atualmente: todos sabem marcar e atacar. O espanhol é bom passador e um perigo próximo à área, Ramires traz infiltrações e velocidade e Matic, o melhor marcador do trio, é muito forte, tem bom primeiro passe e alguma habilidade. Além do bom triângulo no meio, o 4-3-3 daria liberdade para Willian e Hazard ficarem mais focados na fase ofensiva do jogo, ao lado do centroavante Diego Costa. O recém-contratado agrega bastante ao elenco blue e deve garantir gols.  

A defesa, que já não preocupava, ainda ganhou um bom reforço na lateral-esquerda, posição que o elenco era mais frágil. Filipe Luís deve garantir boa marcação e interessantes avanços pelo flanco, uma eventual dobradinha pelo setor com Hazard promete incomodar os adversários. O restante da retaguarda deve contar com a boa dupla Terry e Cahill no centro e Azpilicueta na direita, mas, se Mourinho quiser mais proteção, Ivanovic pode assumir a lateral-direita. Na meta, a dúvida entre Cech e Courtois deve seguir nos primeiro jogos e será decidida de acordo com o desempenho dentro das quatro linhas.

Liverpool  

Em 2013-14, o ótimo técnico Brendan Rodgers mostrou toda a sua capacidade e, ao longo da temporada, foi rascunhando o time ideal do Liverpool. A partir de um momento, não existiu mais dúvida, o melhor dos reds seria encontrado ou no 4-1-4-1 (4-3-3), com Gerrard mais recuado e Suárez partindo da ponta-esquerda, ou no 4-3-1-2, com Sterling sendo o um atrás da infernal dupla composta pelo uruguaio e Sturridge.  

Tendo em vista as contratações e a pré-temporada, Brendan Rodgers deve apostar no 4-1-4-1, com desenho bastante similar ao que deu certo em 2013-14. A enorme ausência de Suárez deve fazer Sterling ocupar a ponta-esquerda e, no outro lado, disputa aberta entre dois recém-contratados, Markovic e Lallana. O primeiro deve começar a temporada como titular, pois o inglês iniciará a trajetória no novo clube lesionado. No centro do ataque, Sturridge, que já teve bom rendimento de gols na última temporada, terá que elevar esta marca, pois o artilheiro do Liverpool não faz mais parte do elenco.  

Liverpool - Football tactics and formations  

Neste esquema, Coutinho deve atuar como meia-central e terá papel fundamental à estratégia do técnico norte-irlandês. Mesmo não jogando como meia-atacante, o brasileiro deve ser o principal armador da equipe e terá bastante liberdade para encostar no centroavante Sturridge. Além do camisa dez, o eterno capitão Gerrard também terá responsabilidade na armação, pois é dele que o primeiro passe deve sair. Além disso, o histórico número oito é o homem da proteção à linha defensiva.  

O sistema defensivo dos reds ganhou bons reforços. Na zaga, Lovren vem de boa temporada com o Southampton e chega para ser titular, muito provavelmente, ao lado de Sakho. Outro que chama a atenção é Alberto Moreno, que, após longa negociação, vem com a expectativa de ser o dono da lateral-esquerda, setor que deu algumas dores de cabeça ao técnico Brendan Rodgers.
 
Manchester City  

Campeão e mais reforçado, o Manchester City chega mais favorito à disputa da Premier League, mas, na verdade, quer mesmo ir mais longe na Liga dos Campeões. Os 65,5 M € foram investidos naquilo que o clube mais necessitava: um zagueiro para ser titular e um volante mais de marcação. O elenco, que já era muito bom, conseguiu ficar melhor e fornece mais variantes ao técnico Manuel Pellegrini, que colocou o City no patamar que o dinheiro investido exigia. O chileno fez isso jogando de forma simples, um 4-4-2.  

O esquema, que deu certo na temporada passada, deve ser repetido neste ano com Fernando Reges ou Fernandinho ao lado de Yaya Toure na volância e Jovetic, Dzeko ou Negredo fazendo a dupla ofensiva com Agüero. O 4-4-2 deu ao Manchester City o melhor ataque da EPL, com 102 gols, mas, em algumas partidas, principalmente, jogos grandes, o time pecou defensivamente, pois faltava um volante mais marcador. Fernando Reges traz esta alternativa ao técnico chileno, o que tiraria Fernandinho do time, que esteve muito bem em 2013-14.  

Manchester City - Football tactics and formations  

Porém, sacar Fernandinho pode não ser a melhor alternativa. Manuel Pellegrini pode colocar um esquema que chegou a testar, o 4-2-3-1. Com este outro desenho, os citzens teriam mais proteção à zaga, com Fernando Reges e Fernandinho na volância. Além disso, o Manchester City teria o seu principal jogador, Yaya Toure, com grande liberdade e ele voltaria a jogar em função que já exerceu com a camisa sky blue. O problema seria abrir mão de dois atacantes e ter só Agüero no ataque, tendo jogadores da qualidade de Jovetic, Dzeko e Negredo no elenco.

Manchester City - Football tactics and formations 

A grande evolução no time deve ser vista na defesa. Mangala vem do Porto e chega para formar uma dupla interessante com Kompany, que vem de uma temporada de altos e baixos. Com um defensor melhor ao seu lado, o belga deverá render melhor e voltar ao nível de 2012-13. Além do zagueiro portista, Sagna e Caballero chegaram e, ambos, podem pressionar os titulares, Zabaleta e Hart, que não são jogadores completamente constantes.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Seleção da Copa do Mundo 2014

Com o final do Mundial é hora de escolher os onze melhores, o craque e o grande comandante. A maior parte dos 12 escolhidos vieram dos quatro semifinalistas e, entre eles, está o principal desempenho. Apesar do esquema com três zagueiros ter brilhado durante a Copa, escolhi o 4-3-3, pois foi a melhor alternativa para receber os onze escolhidos. Vale destacar que as estatísticas citadas no texto estão disponíveis no site da FIFA. 

Goleiro: Keylor Navas (Costa Rica) 

 Keylor Navas pegou pênalti, mas fez muito mais (Jeff Gross/Getty Images)

Keylor Navas chegou ao Mundial 2014 como melhor goleiro do Campeonato Espanhol 2013-14. O camisa um dos Ticos foi um dos grandes responsáveis pela classificação improvável da Costa Rica, no grupo D, que tinha Itália, Inglaterra e Uruguai. Na segunda fase, ademais de salvar com bola rolando, pegou um pênalti e classificou a equipe, contra a Grécia. Depois, nas quartas de final, o goleiro do Levante evitou que a Holanda se classificasse antes dos pênaltis, onde, desta vez, Navas não brilhou. Mesmo parando na terceira etapa da Copa, o camisa um costa-riquenho fez 21 defesas e muitas delas impostíssimas para o bom desempenho dos Ticos, no Brasil. 

Lateral-direito: Philipp Lahm (Alemanha) 

O melhor lateral do mundo e um dos melhores de todos os tempos se tornou volante, nesta temporada. Na Copa do Mundo, foi no meio-campo que começou a trajetória, por isso, se concretizou como melhor passador da competição: acertou 562 passes dos 651 que tentou (índice de 86%). Lahm foi colocado ali para dar uma saída de bola mais limpa à Alemanha e conseguiu. Porém, a Nationalelf sentiu falta de laterais puros, e Löw acabou recolocando o jogador do Bayern de Munique na posição de origem. O lateral deu ofensividade pela direita, acertou seis cruzamentos e foi uma importante saída para a Alemanha, que antes da realocação do capitão, não contava com os avanços pelos lados. Ir bem à frente não significou deixar espaço nas costas, pois correu uma média de 11,5 km por partida, o quarto maior número no Mundial.

Zagueiro: Mats Hummels (Alemanha) 

 Hummels mereceu palmas pelo desempenho, sendo decisivo na defesa e no ataque (Martin Rose/Getty Images)

O melhor zagueiro alemão chegou ao Mundial cercado por dúvidas, afinal, a temporada teve lesões e desempenho abaixo do habitual. Na Copa do Mundo, Hummels deixou isso de lado e mereceu estar na seleção. O camisa cinco foi o principal nome da linha defensiva alemã, com 47 bolas recuperadas, cinco bloqueios e cinco desarmes completos. Em alguns momentos, parecia impossível passar pelo zagueiro do Borussia Dortmund, que mostrou força, velocidade e muita técnica na defesa. Mas ofensivamente, Hummels também deixou um bom desempenho, ao marcar dois gols de cabeça, um deles garantiu a vitória da Alemanha, nas quartas de final, frente à França. 

Zagueiro: Ezequiel Garay (Argentina) 

O grande ponto de interrogação da Argentina era a defesa e foi justamente o setor que se destacou mais durante o Mundial. Um dos principais responsáveis por isso foi o zagueiro que está se transferindo do Benfica para o Zenit. Ao lado de Zabaleta, Garay foi o único titular da linha defensiva em todas jogos. Pelo alto, foi difícil vencê-lo e, pelo chão, foram 52 bolas recuperadas, segundo maior número entre os jogadores da Copa do Mundo. Portanto, o camisa dois, que não é um dos zagueiros mais técnicos do planeta, conseguiu marcar um desempenho muito bom, que foi reflexo da sua raça, evidente nos quase 11 km percorridos por partida. 

Lateral-esquerdo: Daley Blind (Holanda) 

Ao longo da Copa do Mundo, Blind foi ala-esquerdo, zagueiro e, até, volante. Apesar de não ficar restrito à função em que está sendo escalado, conseguiu ir bem em qualquer um dos setores. A Holanda jogou com uma linha de três zagueiros, por isso, os alas tiveram bastante espaço para atacar e o jogador do Ajax aproveitou bastante isto. Foram duas assistências, um gol e bom desempenho nos passes: arriscou 428 e acertou 351 (82%). Além disso, realizou seis desarmes, participando bem do sistema defensivo. 

Volante: Javier Mascherano (Argentina)  

 Mascherano foi o líder argentino em campo e, com este bloqueio, foi decisivo para colocar a equipe na final (Julian Finney/Getty Images)

El Jefecito abriu mão da braçadeira de capitão e entregou ela ao craque Messi, porém, dentro de campo, todos sabem quem manda. Mascherano foi a voz de Sabella nas quatro linhas e o principal protetor da tão criticada defesa albiceleste, que foi muito bem. Na parte defensiva, um monstro com destaque para os dez desarmes, as incríveis 49 bolas recuperadas e seis bloqueios, um deles que garantiu a disputa de pênalti contra a Holanda e, consequentemente, a classificação à final. Mas também teve participação na construção do jogo. Mascherano foi ótimo nos passes e terminou como terceiro melhor passador do campeonato: 626 tentados e 536 completados (86% de acertos). Ele era o responsável pela saída de bola argentina, recuando entre os zagueiros para dar o primeiro passe, seja curto ou longo, sempre teve qualidade. 

Meia-central: Toni Kroos (Alemanha) 

 No meio dos craques alemães, Kroos foi o que mais brilhou, ditando o ritmo dos jogos (Jamie McDonald-Getty Images)

Ao longo da Copa, Toni Kroos foi o craque mais destacado, no meio do elenco estrelado da Alemanha. Com Schweinsteiger crescendo aos poucos, o camisa 18 foi o responsável por ditar o ritmo do toque de bola da Nationalelf. Por isso, o jogador do Bayern de Munique foi o segundo melhor passador do Mundial, com 633 passes tentados e 537 completados (bom índice de 85%). Além de ser o meio-campista líder, nesta Copa, Kroos marcou duas vezes, ambas na goleada sobre o Brasil, quando executou um recital, no Mineirão. Por ser figura central da proposição de jogo alemã, o camisa 18 terminou o Mundial 2014 como um dos líderes em assistências, ao dar quatro passes decisivos. 

Meia-central: Bastian Schweinsteiger (Alemanha) 

A evolução de um jogador. Schweinsteiger não começou a Copa do Mundo como titular, estava se recuperando de lesão, mas, aos poucos, foi aparecendo e crescendo. O pico do camisa sete foi visto na final, quando deixou em campo uma atuação enorme, com ares épicos. Mesmo tendo atuado apenas 505 minutos, o jogador do Bayern de Munique foi o quarto a completar mais passes, com 467 tentados e 412 completados, índice de 88% de acertos, o melhor no top 8 da estatística. Schweinsteiger, assim como Kroos, é um símbolo de volante moderno e polivalente, aquele que marca e constrói desde o campo defensivo, tipo de jogador provou sua importância nesta Copa. 

Ponta-direita e craque: Arjen Robben (Holanda) 

 Robben foi o melhor jogador da Copa do Mundo e impulsionou a Holanda ao terceiro lugar (Paul Gilham/Getty Images)

O esquema com três defensores da Oranje visava liberdade para Sneijder, Van Persie e Robben. O camisa onze foi o que melhor aproveitou esta tranquilidade para desequilibrar em favor da equipe. O jogador do Bayern de Munique marcou três vezes (todas na primeira fase) e cedeu uma assistência. Mas a importância dele para o esquema de Van Gaal não é refletida pelos números. Durante todo o Mundial, quando a bola chegava no carequinha, a Holanda sabia que boas coisas poderiam ocorrer, com velocidade, dribles imprevisíveis, visão de jogo privilegiada e os chutes com a canhota especial. Apesar de bons desempenhos de outros companheiros, ficou claro, se Robben não fosse bem, a Holanda não teria chegado tão próxima da final. 

Ponta-esquerda: James Rodríguez (Colômbia) 

 James quer saber: "alguém jogou mais que eu no Mundial?" (Warren Little/Getty Images)

Sem Falcao García, muitos acharam que a Colômbia havia ficado sem craque, mas, desde o princípio, o camisa dez mostrou o engano. Com apenas 22 anos, o jogador do Monaco apresentou um repertório incrivelmente profundo. O artilheiro da Copa do Mundo balançou as redes seis vezes: quatro com o pé esquerdo, uma com a destra e outra de cabeça – dois deles foram golaços. Porém não foram apenas gols, fez também duas assistências, portanto, participou diretamente de oito dos 12 gols cafeteros. Além disso, James Rodríguez mostrou ser um meia-atacante completo, bom passador, veloz, bastante habilidoso e com visão de jogo apurada. Faltou pouco para o dez colombiano ser o melhor da Copa, talvez uma campanha um pouco mais longa da seleção dele. 

Atacante: Thomas Müller (Alemanha) 

Mais uma Copa com sete jogos e cinco gols. Aos 24 anos, o camisa 13 já está empatado entre os oito maiores artilheiros da história dos mundiais. Thomas Müller alia técnica, velocidade e raça como poucos. Seja como falso centroavante ou meia-atacante, o jogador do Bayern de Munique deixou no Brasil ótimas atuações e participações decisivas pela sua seleção. Vice-artilheiro com cinco gols, também cedeu três assistências e ainda foi quem mais correu na Copa do Mundo, com média de 12 km por partida. Sem se omitir em nenhum momento e participando de vários setores do jogo, Müller foi uma das marcas da conquista da Alemanha. 

Técnico: Louis van Gaal (Holanda)  

 Van Gaal fez de tudo para que suas principais estrelas jogassem bem e deu certo (Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

Habituada a jogar no 4-3-3, às vesperas do início da Copa do Mundo 2014, por conta da lesão de Strootman, a Holanda mudou taticamente por iniciativa do técnico. O 3-4-1-2 entrou em ação para dar liberdade para os jogadores mais especiais, Sneijder, Robben e Van Persie. Se o camisa onze foi a estrela que brilhou mais fortemente e mais constantemente, os outros dois também tiveram momentos que tiraram bom proveito desta tranquilidade dada pelo técnico. A mudança deu resultado, pois, com uma geração mais fraca que as anteriores, a Oranje conseguiu o terceiro posto, com boas vitórias sobre Espanha (5 a 1) e Brasil (3 a 0) e faltou muito pouco para ser finalista. Além de mudar e conseguir ir longe, Van Gaal também não ficou preso ao esquema com três zagueiros e, quando foi necessário, mudou taticamente e chegou a voltar ao 4-3-3. 


Vários jogadores que tiveram bons desempenhos ficaram de fora, mas alguns deles ficaram perto de estarem entre os meus onze. A lista por ordem de posição: Neuer (Alemanha), Romero (Argentina), Howard (Estados Unidos), Fabian Johnson (Estados Unidos), Vlaar (Holanda), Giancarlo González (Costa Rica), Thiago Silva (Brasil), Marcos Rojo (Argentina), Cuadrado (Colômbia), Ángel Di María (Argentina) e Messi (Argentina). E o técnico Jorge Luis Pinto (Costa Rica).

sábado, 5 de julho de 2014

Copa do Mundo – Dia 24

A Redenção do Artilheiro 

 Higuaín bateu no peito e chamou a responsabilidade, em mais uma partida difícil para a Argentina (Matthias Hangst/Getty Images)

A Argentina segue passando de fase, mesmo sem convencer. Mas, contra a Bélgica, a Albiceleste conseguiu uma exibição correta, uma das melhores no Mundial. Para conseguir jogar bem, Sabella mexeu e armou um 4-2-3-1, com a entrada de Biglia na composição com Mascherano na volância. Wilmots manteve o 4-1-4-1, mas optou por ter Mirallas entre os onze iniciais. 

Frente aos Diabos Vermelhos, os argentinos conseguiram recuperar Higuaín, que fazia Mundial abaixo daquilo que poderia entregar. O camisa nove até colaborava na movimentação sem bola e abria espaços para os companheiros. Mas centroavante vive de gols e o argentino ainda não havia balançado as redes. Na verdade, El Pipita não conseguia finalizações, ao todo, nas quatro partidas anteriores, apenas sete chutes, em 330 minutos em campo. Desta vez, uma no gol, outra ao lado e mais uma bloqueada. Para melhorar, a que foi no alvo, balançou as redes. No início da partida, uma bola espirou na zaga e se ofereceu na meia-lua, em chute de rara felicidade, Higuaín marcou o 1 a 0. 

Abrir o placar cedo, tranquilizou o jogo albiceleste e obrigou a Bélgica a buscar mais o ataque. Porém, mesmo terminando os 90 minutos com posse de bola maior (54.3%), não conseguia assustar o goleiro. Durante a partida, os Diabos Vermelhos finalizaram dez vezes: apenas uma no alvo, três interceptadas e seis para fora. Com esta pontaria, não daria para vencer a Argentina, que não pressionavam o rival, mas, quando a bola chegava em Messi, era sempre um risco para os belgas. 

Wilmots mexeu, colocou Mertens e Lukaku. Sem resultado, ousou e errou ao tirar o craque Hazard para colocar o ineficiente Chadli. Para confirmar a falta de ideias do técnico belga, no final, a seleção teve Van Buyten como centroavante, por, ao menos, uns 15/20 minutos. Faltou repertório no final, os Diabos Vermelhos apenas ficaram cruzando bolas na área (ao todo, foram 23 cruzamentos) e, como mostramos os números acima, a estratégia não resultou em perigo para Romero. 

Com o apito final, teve choro dos dois lados. Os belgas, que atingiram a fase imaginada, se frustraram, pois, provavelmente, esperavam melhor desempenho. A ótima geração do país não encantou na Copa, mas, depois de dois mundiais ausente, voltar e já chegar às quartas de final é uma boa marca. No lado argentino, o decisivo Higuaín, que teve a melhor atuação dele na competição, chorou muito. Na entrevista pós-jogo, El Pipita destacou: “O jejum não me incomodava, o que importa é ir avançando, agora, devemos seguir pensando partida a partida”. As lágrimas também poderiam ser de Sabella, que, por lesão, perdeu Di María, um dos seus jogadores mais importantes, para o restante da Copa do Mundo.

Herói improvável

Hoje, Robben deixou o protagonismo para Krul, que entrou para pegar pênaltis e pegou dois (Michael Steele/Getty Images)

Em Salvador, Holanda e Costa Rica também seria o confronto dos melhores técnicos da Copa do Mundo, Louis van Gaal e Jorge Luis Pinto. Para enfrentar a melhor defesa do Mundial 2014, o técnico holandês não teve dúvidas e, mais uma vez, mudou a forma de jogar. Veio o 3-4-2-1, com Kuyt, Wijnaldum, Sneijder e Blind formando a segunda linha, portanto, nenhum marcador clássico no centro do campo. À frente, Robben e Depay davam suporte à Van Persie. O comandante dos Ticos não mexeu na estrutura e manteve o 3-4-2-1 (muitas vezes, formando uma linha de cinco atrás), mas focou ainda mais na marcação.  

O planejado pelos treinadores se refletiu em campo. A Oranje dominou completamente a partida, durante todos os 120 minutos, sempre mais de 60% de posse de bola. Com um dos melhores da Copa, Robben fazendo boa partida, o controle do jogo se tornou chances e muitas oportunidades de gol. O problema foi a fraca exibição de Van Persie, pois, sem o jogador terminal bem, as finalizações normalmente vinham de fora da área. Além do camisa 11, Sneijder também tinha boa atuação e sempre conseguia descolar um passe interessante para algum companheiro. De 85 toques tentados, o número dez acertou 70, sendo que 17 deles foram no último terço.  

Não por acaso, a defesa da Costa Rica é a menos vazada da Copa, com apenas dois gols sofridos. O goleiro Keylor Navas mostrou porque é o melhor do Mundial e fez oito defesas, além de contar com a trave em dois momentos, em arremates de Sneijder, que fez sua melhor partida na competição. Eventualmente, os Ticos chegavam em contra-ataques. O homem mais avançado, Joel Campbell recebeu apenas cinco passes no último terço do campo, nenhum deles dentro da área.

Apesar de tentar de todos as formas, a bola não entrou. E, na reta final do jogo, durante a prorrogação, o massacre holandês foi ainda maior. Porém, mesmo assim, o jogo terminou 0 a 0. Antes do apito final, mais uma vez, Louis van Gaal participou da partida de forma decisiva. O técnico tinha um trunfo no banco: o goleiro Krul, de 1,93m, que, durante toda a preparação para a Copa, sabia que, se houvesse decisão por pênaltis, entraria. O desempenho do goleiro do Newcastle não é fascinante em penais, pois, dos últimos 20 batidos contra ele, havia parado apenas dois. Porém, colocá-lo em campo foi uma estratégia do técnico holandês e do treinador de goleiros, Frans Hoek para criar um fato novo, tendo um jogador preparado quase como o especialista para a situação.  

A estratégia deu muito certo. Nas cinco cobranças dos Ticos, Krul acertou o canto de todas e igualou o desempenho que teve nas 20 cobranças anteriores. Com as duas defesas, o “especialista” garantiu a vitória holandesa, pois seus compatriotas acertaram todas as batidas, sem dar chances para o ótimo Keylor Navas. A troca de goleiros, que deu resultado, também causou polêmica. O titular Cilessen reclamou de sair, mas, segundo os especialistas em futebol holandês, depois da partida, pediu desculpas e reconheceu que errou ao chiar.  

O 4 a 3 fez justiça ao que foi o jogo, pois a Oranje não merecia perder, massacrou a Costa Rica. Porém, como disse Keylor Navas, ao final da partida, os Ticos devem voltar para casa “com muito orgulho”. No mesmo sentido foi a fala do técnico Jorge Luis Pinto, que foi muito bem no Mundial, levando a equipe às quartas de final, eliminando Itália e Inglaterra. No lado vencedor, fica a clara noção de que Van Gaal conhece muito bem seus 23 convocados (no Brasil, 21 já entraram em campo) e sabe as opções que eles oferecem ao time. Para encarar a Argentina, não acredito que o técnico repetirá a escalação, pois tentará dar mais poder de marcação ao centro de campo da Holanda.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Copa do Mundo – Dia 2

Apesar da arbitragem

Melhor em campo, Giovani dos Santos teve dois gols anulados e também participou do que valeu, de Oribe Peralta (AP Photo)

No amistoso frente à Alemanha, Camarões deixou a impressão de que havia encontrado uma forma de jogar, que poderia dar certo no Brasil. Enquanto o México, em suas partidas pré-Mundial, não conseguia deixar claro qual seria a forma de atuar. Porém, na prática, em Natal, o que se viu foi o contrário: africanos não conseguiram jogar e americanos mostraram saber bem o que queriam. 

Herrera armou o tradicional 3-1-4-2 dos amistosos e optou por Gio dos Santos e Oribe Peralta no ataque, com Vásquez sendo o 1° volante. Em Camarões, Song foi o mais recuado do meio-campo e Eto’o, o centroavante, no 4-1-4-1 de Volker Finke. O craque dos Leões Indomáveis ficou muito isolado e não participou como deveria da partida. Além disso, os africanos não conseguiram a pegada na linha média, que tiveram contra a Alemanha. 

Por isso, com boa movimentação, o México controlou a partida. Giovani foi um dos mais ativos, por várias vezes, recuou para ajudar Herrera e Guardado na armação pelo centro. Pelos flancos, destaque para o ala-esquerdo Layún, que incomodou muito o lado direito da defesa camaronesa. Apesar do melhor desempenho durante toda a partida, no primeiro tempo, Itandjé não foi vazado. Na verdade, sofreu dois gols, ambos marcados por Gio dos Santos, que, posteriormente, foram mal anulados pelo árbitro auxiliar.

A arbitragem podia ter definido a partida, mas o México não desistiu e seguiu lutando muito pela vitória, afinal, exceção feita à uma bola chutada na trave, Camarões produziu pouquíssimo. O gol decisivo veio com Herrera (14 passes corretos no último terço do campo) encontrando Gio no meio da zaga, o camisa dez chutou e Itandjé rebateu. O artilheiro mexicano nas Eliminatórias, Oribe Peralta aproveitou o rebote e marcou.

Sem muito a perder, Camarões se posicionou mais ofensivamente, trocando peças e mudando a mentalidade no jogo. Com mais companhia, Eto’o se mexeu mais e, muitas vezes, deixou a área, quando conseguiu criar algumas chances. Porém, assim que foi exigido, o bom goleiro de El Tri, Ochoa não decepcionou, garantindo o 1 a 0. Portanto, mesmo com a arbitragem ruim, o México conseguiu largar com vitória, se colocando como principal adversária da Croácia, pela segunda vaga às oitavas de final da Copa do Mundo de 2014.

Massacre holandês 

 Van Persie voou para empatar e mudar o jogo, após o 1 a 1, massacre holandês (Ryan Pierse/FIFA-Getty Images)

A reedição da final da última Copa marcada para a primeira rodada trazia grande expectativa. Salvador recebeu o grande evento e viu, até aqui, o que de melhor a Copa trouxe ao Brasil. Descartada por muitos, a Holanda veio reinventada por Van Gaal, em um 3-4-1-2, e impôs seu jogo frente à campeã do mundo. Placar final, 5 a 1 para a Oranje, mas podia ter sido, ao menos, 7 a 0, pois o gol da Roja veio em um pênalti inexistente. 

A Espanha saiu na frente, jogando como gosta: posse de bola, passes incríveis e, eventualmente, marcando pressão a saída do adversário. O trio de meias, Silva, Xavi e Iniesta iniciou bem ofensivamente. Xabi Alonso converteu o pênalti cavado por Diego Costa (atuação, no máximo, nota seis) e, com este estilo supracitado, a Roja quase conseguiu o segundo. O massacre laranja começou tímido, em contra-ataques, com Sneijder e, principalmente, Robben e Van Persie. Mas faltava alguma coisa. O auxilio criativo ao trio deveria vir com os alas, que, até ali, não ocorria. No final do primeiro tempo, o lateral-esquerdo Blind apareceu bem e, da intermediária, descobriu Van Persie livre nas costas da defesa. O centroavante se atirou e encobriu o Casillas, empatando a partida. 

O gol do empate, fundamental àquela altura do jogo, foi muito representativo. Afinal, escancarou os problemas de defesa do lado direito espanhol, pois nem Azpilicueta adiantou para marcar Blind e, muito menos, David Silva fez a recomposição defensiva – problema durante todo o jogo. Mas não foi só o lado que apresentou buracos, pelo meio, Sergio Ramos e Pique deixaram Van Persie muito à vontade para marcar. Além disso, o lance apresentou a primeira falha do camisa um da roja, que teve exibição pavorosa. 

A sucessão de erros defensivos da Roja combinados com uma Holanda bem postada defensivamente e exercendo bastante pressão na saída de bola, resultou na virada e, ao final, no 5 a 1 holandês. A virada veio em novo lançamento de Blind, que, desta vez, encontrou Robben. Ao tomar a virada, a Espanha passou a se expor mais e Vicente del Bosque chegou a sacar Xabi Alonso e colocar Pedro Rodríguez. Na bola aérea veio o terceiro. Com a marcação pressão veio o quarto, em mais uma falha feia de Casillas. O quinto foi resultado de contra-ataque, após ótimo passe de Sneijder, Robben ganhou fácil de Sergio Ramos na corrida, deixou o goleiro da Roja deitado no chão e fez o segundo dele. 

Como dito acima, podia ter sido mais, pois, além deste contra-ataque que deu certo, outros tantos foram tentados e quase resultaram em mais gols. O 5 a 1 mostra a força da Holanda, que, apesar de mais jovem, tem um trio espetacular à frente e bem aparado por um sistema defensivo muito bem armado pelo ótimo Van Gaal. Ao final do jogo, ao fazer um carinho em cada jogador, Del Bosque deu o tom do que terá que fazer para recuperar a equipe. Recuperar a confiança da Roja é primordial, mas fazer mudanças, no sistema defensivo, talvez seja o mais importante.

Decepção e surpresa 

 Alexis Sánchez brilhou na estreia, quando o Chile conseguiu cumprir o que prometia, apenas por 25 minutos (Reuters)

Para fechar o segundo dia de Copa, se esperava muito do Chile e nada da Austrália, mas, em campo, Cuiabá viu um ótimo jogo. Com o resultado da Holanda, a Roja entrou sabendo que, com uma vitória, poderia largar na frente da Espanha, na briga pela vaga às oitavas. Para aumentar a expectativa sobre os chilenos, haviam muitos torcedores na Arena Pantanal, que, inclusive, cantaram o hino à capela, assim como os brasileiros. 

Discípulo de Bielsa, Sampaoli armou um 4-3-1-2, com diversas movimentações táticas. Os laterais Isla e Mena avançavam muito e o volante Marcelo Díaz recuava para o meio dos zagueiros, fazendo quase uma linha de três defensores. Além disso, os homens mais ofensivos eram os pontas, Alexis Sánchez e Vargas e o armador Valdívia, muitas vezes, se tornava o falso nove da equipe. Com este esquema, o Chile, assim como o Brasil, iniciou jogando com pressão muito alta, afogando a saída de bola australiana. Desta forma, amassou os Socceroos e conseguiu largar na frente com 2 a 0. Alexis Sánchez foi a marca deste bom início, pois marcou o primeiro, assistiu o segundo e foi o jogador mais lúcido em campo. 

Mas, aos poucos, a Austrália, que não apresentava nada, foi se encontrando e começou a aparecer mais no ataque. Os destaques na criação foram Jedinak e Bresciano, pelo centro, e Leckie, pela direita. Mais à frente estava Cahill, que aproveitou da baixa estatura e grande exposição da zaga chilena, para dar opções de finalização. Em uma delas, recebeu cruzamento, ganhou no alto e marcou de cabeça. O 2 a 1 já não refletia mais o que era o jogo, pois o Chile só havia jogado bem no começo da partida. Depois, foram os Socceroos que dominaram as ações do jogo. Faltou muito pouco para o empate, Claudio Bravo brilho e evitou o gol de Bresciano. Ademais disso, a Austrália soube aproveitar os espaços deixados por Isla e Mena, indo muito bem pelas pontas. Assim, Cahill quase conseguiu o segundo de cabeça. 

Mais próximo de tomar o segundo do que fazer o terceiro, o Chile conseguiu garantir a vitória, com gol de Beausejour, que havia entrado para colaborar com Mena na marcação de Leckie. O 3 a 1 garante a boa largada da Roja, mas a Austrália mostrou que o Chile tem muitas falhas óbvias no jogo, que podem ser exploradas, por adversários que têm mais qualidade técnica que os Socceroos. Pela largada do grupo B, a partida do dia 18 de junho, no Maracanã, entre Espanha e Chile valerá muito para a disputa da classificação. E um detalhe interessante desta primeira rodada: a Roja sul-americana trocou mais passes que a Roja europeia, 541 contra 540, portanto, o time dos toques é o Chile.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Simplificando Futebol na Copa - Grupo B

Espanha
Iniesta se tornou a principal referência da estrelada seleção espanhola (Jose Jordan/AFP/Getty Images)

Técnico: Vicente del Bosque-ESP

Time-base (4-3-3): Casillas; Azpilicueta, Sergio Ramos, Pique, Jordi Alba; Busquets, Xabi Alonso, Xavi; Pedro, Diego Costa, Iniesta.

Craque: Andrés Iniesta – Barcelona-ESP

Lesionados: Victor Valdés (goleiro, Barcelona-ESP) – ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho direito, Álvaro Arbeloa (lateral-direito, Real Madrid-ESP) – fissura na rótula do joelho direito, Thiago Alcântara (meia, Bayern de Munique-ALE) – lesão no ligamento medial do esquerdo, Jesé Rodríguez (meia, Real Madrid-ESP) – ruptura no ligamento do joelho direito e Jesús Navas (ponta, Machester City-ING) – lesão no calcanhar.



Participações no Mundial: 14 (campeã em 2010)

Ranking da Fifa: 1º 

Campanha nas Eliminatórias (8J-6V-2E-0D-14GP-3GC-11SG)
Geórgia 0x1 Espanha
Bielorrússia 0x4 Espanha
Espanha 1x1 França
Espanha 1x1 Finlândia
França 0x1 Espanha
Finlândia 0x2 Espanha
Espanha 2x1 Bielorrússia
Espanha 2x0 Geórgia

Atual campeã do mundo e bieuropeia, a Espanha não é mais absoluta no posto de melhor seleção do mundo. Porém, apesar de alguma dificuldade, a Roja passou invicta pelas eliminatórias e será uma das principais equipes que desembarcará no Brasil em junho. A continuidade é a grande marca espanhola, pois, desde o Mundial de 2006, com Luís Aragonés, a ideia de ter a posse de bola trabalhada à exaustão é o ponto central do jogo. Vicente Del Bosque, que assumiu pós a conquista da Euro 2008, não mudou a forma de jogar e manteve a maior parte do elenco do antecessor. É claro, fase e surgimento de novos atletas proporcionaram mudanças no elenco.

O envelhecimento de alguns pilares do plantel pode pesar, principalmente porque Xavi, o homem que é o rosto deste estilo passador da furia, é o que mais sofre com a idade e, no Barcelona, já não consegue mais dar o ritmo à engrenagem do Tiki-Taka. Além disso, o ex-líder da defesa, Puyol não virá ao Mundial. Para a função do camisa oito, a Roja tem boas opções, como o jovem Koke, ou os mais experientes Fàbregas e David Silva, porém, Del Bosque sinaliza que Xavi estará entre os onze iniciais na Copa. O maior problema é a defesa, onde já existe a ausência de Puyol e a dúvida sobre Pique, que não vem de grande temporada no Barcelona. Apesar disso, Sergio Ramos teve desempenhos espetaculares pelo Real Madrid e chega com mais moral à seleção. Na linha defensiva, ainda está o lateral-esquerdo Jordi Alba, que é ótimo no apoio, mas peca na fase defensiva do jogo.

Também existem pontos bem positivos, apesar de Xavi não estar no melhor momento da carreira, o meio-campo é muito bom. Os volantes Xabi Alonso e Sergio Busquets se completam bem, os meias Iniesta, David Silva e Juan Mata, seguem dando criatividade ao time e, pelas pontas, existe boa opção de velocidade com Pedro. O centro do ataque, que já foi problema crônico, parece resolvido, pois Diego Costa optou por defender a Roja e vem ótima fase. No primeiro amistoso pela Espanha, o hispano-brasileiro não foi bem, pois não está acostumado ao estilo de jogo da equipe. Se bem trabalhada, esta dificuldade poderá se tornar um ponto positivo para o esquema espanhol, porque Diego Costa aumentará o repertório ofensivo da Furia.

Portanto, a primeira fase não deve ser o grande desafio para os espanhóis, pois chegarão com uma equipe mais pronta que qualquer adversário do grupo B. Mas, apesar desta vantagem competitiva, as fortes equipes de Chile e Holanda virão com tudo em busca de uma das vagas às oitavas.  Por isso, a Roja deve entrar em alta rotação na competição para não dar espaço para uma eliminação na primeira fase, que não seria uma zebra, mas seria surpreendente.

Goleiros: 1- Iker Casillas (Real Madrid-ESP), 23- Pepe Reina (Napoli-ITA) e 12- David de Gea (Manchester United-ING);
Defensores: 15- Sergio Ramos (Real Madrid-ESP), 3- Gerard Piqué (Barcelona-ESP), 4- Javi Martínez (Bayern de Munique-ALE), 2- Raúl Albiol (Napoli-ITA), 18- Jordi Alba (Barcelona-ESP), 22- César Azpilicueta (Chelsea-ING) e 5- Juanfran (Atlético de Madrid-ESP);
Meias: 16- Sergio Busquets (Barcelona-ESP), 14- Xabi Alonso (Real Madrid-ESP), 8- Xavi Hernández (Barcelona-ESP), 6- Andrés Iniesta (Barcelona-ESP), 10- Cesc Fábregas (Barcelona-ESP), 21- David Silva (Manchester City-ING), 20- Santi Cazorla (Arsenal-ING), 17- Koke (Atlético de Madrid-ESP) e 13- Juan Mata (Manchester United-ING);

Atacantes: 19- Diego Costa (Atlético de Madrid-ESP), 11- Pedro Rodríguez (Barcelona-ESP), 9- Fernando Torres (Chelsea-ING) e 7- David Villa (Atlético de Madrid-ESP).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Holanda: Espanha 1x0 Holanda (na prorrogação, final, 2010)
Chile: Espanha 2x0 Chile (fase de grupos, 1950) e Espanha 2x1 Chile (fase de grupos, 2010)
Austrália: nunca se enfrentaram

Calendário de amistosos durante a preparação

30/maio: Espanha 2x0 Bolívia
7/junho: Espanha 2x0 El Salvador

Holanda
Melhor jogador em 2010, hoje, Sneijder está abaixo de Van Persie e Robben, que são os craques, mas Van Gaal confia no trio para decidir as partidas em 2014 (Michael Kooren/Reuters)

Técnico: Louis van Gaal-HOL

Time-base (3-4-1-2): Cillessen; De Vrij, Vlaar, Martins Indi; Janmaat, Clasie, De Jong, Blind; Sneijder; Robben e Van Persie.

Craque: Robin van Persie – Manchester United-ING

Lesionados: Gregory van der Wiel (lateral-direito, Paris Saint-Germain-FRA) – lesão no joelho direito, Jetro Willems (lateral-esquerdo, PSV-HOL) – ruptura no ligamento do joelho, Stijn Schaars (volante, PSV-HOL) – dores persistentes no joelho esquerdo, Marco van Ginkel (meia, Chelsea-ING) – demora na recuperação de lesão no joelho, Kevin Strootman (meia, Roma-ITA) – rompimento do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo e Rafael van der Vaart (meia-atacante, Hamburgo-ALE) – lesão muscular na panturrilha direita.

Participações no Mundial: 9 (vice-campeã em 1974, 1978 e 2010)

Ranking da Fifa: 15º 

Campanha nas Eliminatórias (10J-9V-1E-0D-34GP 5GC-29SG)
Holanda 2x0 Turquia
Hungria 1x4 Holanda
Holanda 3x0 Andorra
Romênia 1x4 Holanda
Holanda 3x0 Estônia
Holanda 4x0 Romênia
Estônia 2x2 Holanda
Andorra 0x2 Holanda
Holanda 8x1 Hungria
Turquia 0x2 Holanda

Vice-campeã em 2010, a Holanda vem ao Brasil com uma combinação de jovens e de estrelas, que brilharam na África do Sul. Porém, após a última Copa, a Oranje teve uma grande decepção: a Euro 2012, quando caiu na primeira fase, perdeu todas as partidas e só marcou dois gols. O que faz os holandeses sonharem com um Mundial melhor é o desempenho espetacular nas eliminatórias. Sorteada para um grupo fácil, a Holanda fez o que se esperava dela e passou invicta pela disputa, marcando 34 gols e sofrendo apenas cinco.

Os altos e baixos pós-Copa provocaram a saída de Bert van Marwijk e o retorno de Louis van Gaal, que já havia comandado o país entre 2000 e 2002. Com o novo técnico, o espaço para os jovens aumentou e também adotou uma forma de jogar mais ofensiva. O comandante começou a escalar a equipe no 4-3-3, com o trio Lens, Van Persie e Robben (na seleção, joga na ponta-esquerda) no ataque, focando na velocidade dos pontas e na posse de bola com os meias. Porém, no período pré-Copa, com a lesão de Strootman, resolveu utilizar o 3-4-1-2. Com a nova formação tática, Van Gaal busca dar liberdade para o trio de jogadores mais experientes e especiais, Sneijder para criar e Robben e Van Persie mais à frente. Além disso, consegue mais proteção à defesa, setor tradicionalmente mais fraco da seleção holandesa. Durante o Mundial, o 4-3-3 habitual poderá voltar a ser utilizado, mas, para o início, o esquema com três defensores ganhou força.

As estrelas holandesas estão na fase ofensiva do jogo, como já é tradição. Van Persie é o melhor jogador do país, mas, nesta temporada, sofreu com algumas lesões e, por isso, não marcou tantos gols como nos últimos anos. Apesar disso, o jogador do United segue sendo um dos melhores centroavantes do mundo e, além de ter facilidade para balançar as redes, é muito habilidoso, participando bastante do jogo fora da área. O outro grande nome é Robben, que é o jogador do drible nesta seleção e, claro, tem uma das pernas esquerdas mais temidas do futebol mundial. Para levar a bola à dupla, estará o experiente Sneijder, que está bem abaixo do que foi em 2010, mas já foi elogiado, no aspecto físico, pelo técnico. Portanto, o camisa dez deverá ter condições de liderar a criatividade no meio-campo, com colaboração dos alas Janmaat e Blind e do segundo atacante Robben.

A Oranje não tem o mesmo nível que apresentou em 2010, mas, sem dúvida, tem muito talento e um grande técnico, portanto, não pode ser descartada. O grupo B é muito difícil, principalmente, por contar com Holanda e Chile. Por isso, os holandeses de maior nível não poderão começar de forma claudicante o Mundial, pois, se isso ocorrer, poderá custar pontos e, consequentemente, a classificação.

Goleiros: 23- Tim Krul (Newcastle-ING), 22- Michael Vorm (Swansea-WAL) e 1- Jasper Cillessen (Ajax-HOL);
Defensores: 5- Daley Blind (Ajax-HOL), 7- Daryl Janmaat (Feyenoord-HOL), 2- Ron Vlaar (Aston Villa-ING), 4- Bruno Martins Indi (Feyenoord-HOL), 13- Joel Veltman (Ajax-HOL), 12- Paul Verhaegh (Augsburgo-ALE), 3- Stefan de Vrij (Feyenoord-HOL) e 14- Terence Kongolo (Feyenoord-HOL);
Meias: 10- Wesley Sneijder (Galatasaray-TUR), 16- Jordy Clasie (Feyenoord-HOL), 6- Nigel de Jong (Milan-ITA), 18- Leroy Fer (Norwich-ING), 11- Arjen Robben (Bayern de Munique-ALE), 8- Jonathan De Guzmán (Swansea-WAL) e 20- Georginio Wijnaldum (PSV-HOL);
Atacantes: 9- Robin van Persie (Manchester United-ING), 19- Klaas-Jan Huntelaar (Schalke 04-ALE), 21- Memphis Depay (PSV-HOL), 15- Dirk Kuyt (Fenerbahçe-TUR) e 17- Jeremain Lens (Dinamo Kiev-UCR).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Espanha: Espanha 1x0 Holanda (na prorrogação, final, 2010)
Chile: nunca se enfrentaram
Austrália: nunca se enfrentaram

Calendário de amistosos durante a preparação

17/maio: Holanda 1x1 Equador
31/maio: Holanda 1x0 Gana
4/junho: Holanda 2x0 País de Gales

Chile
Conexão entre Alexis Sánchez e Vidal é fundamental para o sucesso chileno na Copa (EFE)

Técnico: Jorge Sampaoli-ARG

Time-base (3-4-1-2): Bravo; Medel, Albornoz, Jara; Isla, Vidal, Aránguiz, Beausejour; Valdivia; Alexis Sánchez, Vargas.

Craque: Arturo Vidal – Juventus-ITA

Lesionados: Matías Fernández (meia, Fiorentian-ITA) – dores no tornozelo direito.

Participações no Mundial: 9 (terceiro lugar em 1962)

Ranking da Fifa: 14º 

Campanha nas Eliminatórias (16J-9V-1E-6D-29GP-25GC-4SG)
Argentina 4x1 Chile
Chile 4x2 Peru
Uruguai 4x0 Chile
Chile 2x0 Paraguai
Bolívia 0x2 Chile
Venezuela 0x2 Chile
Chile 1x3 Colômbia
Equador 3x1 Chile
Chile 1x2 Argentina
Peru 1x0 Chile
Chile 2x0 Uruguai
Paraguai 1x2 Chile
Chile 3x1 Bolívia
Chile 3x0 Venezuela
Colômbia 3x3 Chile
Chile 2x1 Equador

Após a saída de Marcelo Bielsa, que recolocou os chilenos no mapa do futebol mundial, o país viveu altos e baixos nas eliminatórias, o que ocasionou a saída de Claudio Borghi do comando. Mas, ao final, o Chile virá ao Brasil para participar da segunda Copa consecutiva. Para a classificação, as últimas partidas foram fundamentais, afinal, a Roja conseguiu ficar invicta em seis jogos, sendo cinco vitórias. Após a disputa conturbada das eliminatórias, os chilenos chegam ao Brasil com boas perspectivas, pois venceram recentemente uma das melhores seleções do mundo, a Alemanha.

O responsável pela retomada da esperança no Chile é outro argentino, Jorge Sampaoli, que é discípulo de Marcelo Bielsa. A ligação de ambos faz com que a equipe tenha um pouco do que El Loco havia deixado. O ex-técnico da Universidad de Chile muda muito a equipe taticamente e costuma jogar com três defensores, mas, durante o jogo, definir o esquema tático da roja é complicado. Os dois homens de frente não são centroavante e, muitas vezes, recuam e é Valdívia que se torna o jogador mais avançado. Além disso, também existem alguns movimentos defensivos. Isla é um dos que às vezes se une aos três zagueiros como lateral-direito, o que coloca Jara para a outra lateral, formando uma linha de quatro. Portanto, as mudanças táticas chilenas na Copa do Mundo de 2014 merecerão muito destaque.

A grande estrela é o meia-central Vidal, que parece capaz de fazer tudo em campo: marca, passa, é rápido, é forte fisicamente e ainda faz gols. Porém o meio-campista terá um problema para superar neste Mundial, uma lesão no joelho, que o perseguiu no final da temporada europeia e exigiu uma cirurgia às vésperas da Copa. Mesmo que Vidal não esteja no ápice físico, ele deve ser personagem central da equipe. Mas é importante ressaltar a boa dupla ofensiva formada pelos móveis atacantes Alexis Sánchez e Vargas. Ambos estão jogando bem no futebol espanhol e, desde que foram colocados juntos no time titular de Sampaoli, têm combinado de forma bastante interessante, deixando as defesas adversárias bem confusas.

O problema para o Chile é o grupo B, que conta com as duas seleções finalistas da Copa do Mundo de 2010, Espanha e Holanda. A dupla europeia não chega ao Brasil com os principais jogadores no mesmo nível de quatro anos atrás, mas não deixam de ser fortes concorrentes. A Austrália deve ser coadjuvante no grupo, portanto, para chegar as oitavas de final, a briga será nos jogos contra as duas seleções europeias.

Goleiros: 1- Claudio Bravo (Real Sociedad-ESP), 23- Johnny Herrera (Universidad de Chile-CHI) e 12- Cristopher Toselli (Universidad Católica-CHI);
Defensores: 18- Gonzalo Jara (Nottingham Forest-ING), 4- Mauricio Isla (Juventus-ITA), 3- Miiko Albornoz (Malmö-SUE), 2- Eugenio Mena (Santos-BRA) e 13- José Rojas (Universidad de Chile-CHI);
Meias: 17- Gary Medel (Cardiff City-WAL), 8- Arturo Vidal (Juventus-ITA), 21- Marcelo Díaz (Basel-SUI), 5- Francisco Silva (Osasuna-ESP), 16- Felipe Gutiérrez (Twente-HOL), 6- Carlos Carmona (Atalanta-ITA), 15- Jean Beausejour (Wigan-ING), 20- Charles Aránguiz (Internacional-BRA), 10- Jorge Valdivia (Palmeiras-BRA) e 19- José Pedro Fuenzalida (Colo Colo-CHI);

Atacantes: 7- Alexis Sánchez (Barcelona-ESP), 22- Esteban Paredes (Colo Colo-CHI), Eduardo Vargas (Valencia-ESP), 14- Fabián Orellana (Celta-ESP) e 9- Mauricio Pinilla (Cagliari-ITA).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Espanha: Espanha 2x0 Chile (fase de grupos, 1950) e Espanha 2x1 Chile (fase de grupos, 2010)
Holanda: nunca se enfrentaram
Austrália: Chile 0x0 Austrália (fase de grupos, 1974)

Calendário de amistosos durante a preparação

30/maio: Chile 3x2 Egito
4/junho: Chile 2x0 Irlanda do Norte

Austrália
Tim Cahill segue como principal alternativa de gols para a Austrália (Mark Nolan/Getty Images)

Técnico: Angelos Postecoglu-GRE

Time-base (4-2-3-1): Ryan; Franjic, Spiranovic, Good, Davidson; Jedinak, Milligan; Leckie, Bresciano, Oar; Cahill.

Craque: Michael Jedinak – Crystal Palace-ING

Lesionados: Lucas Neill (lateral-direito, Doncaster Rovers-ING) – dores no tendão de Aquiles, Rhys Williams (zagueiro, Middlesbrough-ING) – ruptura no tendão de Aquiles, Trent Sainsbury (zagueiro, PEC Zwolle-HOL) – fratura na perna esquerda, Chris Herd (meia, Aston Villa-ING) – afastado do futebol por razões pessoais não informadas pelo clube desde março 2014 e Robbie Kruse (meia-atacante, Bayer Leverkusen-ALE) – rompeu o ligamento cruzado do joelho esquerdo.

Participações no Mundial: 4 (oitavas de final em 2006)

Ranking da Fifa: 62º 

Campanha nas Eliminatórias (14J-8V-4E-2D-25GP-12GC-13SG)

Terceira fase:
Austrália 2x1 Tailândia
Arábia Saudita 1x3 Austrália
Austrália 3x0 Omã
Omã 1x0 Austrália
Tailândia 0x1 Austrália
Austrália 4x2 Arábia Saudita

Quarta fase:
Omã 0x0 Austrália
Austrália 1x1 Japão
Jordânia 2x1 Austrália
Iraque 1x2 Austrália
Austrália 2x2 Omã
Japão 1x1 Austrália
Austrália 4x0 Jordânia
Austrália 1x0 Iraque

A Austrália ainda não foi capaz de cortar os laços com a melhor geração da história futebolística do país, que, em 2006, alcançou as oitavas de final. Desde então, bebendo da fonte daquela equipe, os Socceroos estiveram em todos os Mundiais, porém, não conseguiram ultrapassar a primeira fase. No Brasil, a história não promete ser diferente, pois o sorteio foi ingrato e, claro, o plantel não tem o mesmo nível que tinha há oito anos.

O comando é de Ange Postecoglu, ex-defensor grego naturalizado australiano, que defendeu as seleções de base e a principal do país que escolheu para viver. O técnico é velho conhecido da Federação, pois afinal, ficou sete anos à frente da sub-20 australiana (2000-07). O início da caminhada na equipe adulta ocorreu no final de 2013, portanto, não participou da campanha das eliminatórias, quando os Socceroos não tiveram grandes dificuldades para se classificarem ao Brasil.

Dentro do elenco experiente da Austrália, Tim Cahill emerge como principal estrela. O jogador da MLS foi o artilheiro australiano na fase final das eliminatórias, quando marcou os seus três gols na campanha. No meio, está o substituto de Lucas Neill na função de capitão, Jedinak, bom marcador, que será o líder dos Socceroos. Mesmo assumindo o destaque dentro do elenco, a maior parte da turma da velha guarda, não joga mais na Europa, porém, há jogadores mais jovens ganhando espaço no velho continente. Dois sub-23 devem ser titulares na Copa e atuam em Holanda e Alemanha respectivamente, Oar e Leckie, que são alternativas interessantes para o ataque com velocidade pelos flancos.

Porém, mesmo com um elenco recheado de jogadores experientes em copas, a Austrália não vem ao Brasil pensando em atingir a segunda fase. Um grupo difícil como é o B, permite que os Socceroos sonhem com nada além de uma campanha sem sofrer derrotas categóricas, contra adversários, que vêm ao país, pensando em título ou em ir muito longe na disputa.

Goleiros: 12- Mitchell Langerak (Borussia Dortmund-ALE), 1- Matthew Ryan (Club Brugge-BEL) e 18- Eugene Galekovic (Adelaide United-AUS); 
Defensores: 6- Matthew Spiranovic (Western Sydney Wanderers-AUS), 3- Jason Davidson (Heracles Almelo-HOL), 2- Ivan Franjic (Brisbane Roar-AUS), 19- Ryan McGowan (Shandong Luneng Taishan-CHN), 8- Bailey Wright (Preston North End-ING) e 22- Alex Wilkinson (Jeonbuk Hyundai Motors-KOR); 
Meias: 15- Mile Jedinak (Crystal Palace-ING), 11- Tommy Oar (Utrecht-HOL), 23- Mark Bresciano (Al-Gharafa-QAT), 13- Oliver Bozanic (Luzern-SUI), 5- Mark Milligan (Melbourne Victory-AUS), 16- James Holland (Austria Viena-AUT), 17- Matt McKay (Brisbane Roar-AUS), 20- Dario Vidosic (Sion-SUI), 21- Massimo Luongo (Swindon Town-ING) e 14- James Troisi (Melbourne Victory-AUS);
Atacantes: 4- Tim Cahill (New York Red Bulls-EUA), 7- Matthew Leckie (FSV Frankfurt-ALE), 9- Adam Taggart (Newcastle Jets-AUS) e 10- Ben Halloran (Fortuna Dusseldorf-ALE).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Espanha: nunca se enfrentaram
Holanda: nunca se enfrentaram
Chile: Chile 0x0 Austrália (fase de grupos, 1974)

Calendário de amistosos durante a preparação

26/maio: Austrália 1x1 África do Sul
2/junho: Austrália 2x0 Paraná
6/junho: Austrália 0x1 Croácia

Para completar a análise, um podcast com Pierre Andrade, que, por muito tempo comandou o site Futebolespanhol.com.br, e Tauan Ambrosio, repórter do Goal Br, que trabalha com futebol internacional. Confiram o programa:



O vídeo motivacional dos mineiros, citado no podcast, pode ser acessado aqui.