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sábado, 5 de julho de 2014

Copa do Mundo – Dia 24

A Redenção do Artilheiro 

 Higuaín bateu no peito e chamou a responsabilidade, em mais uma partida difícil para a Argentina (Matthias Hangst/Getty Images)

A Argentina segue passando de fase, mesmo sem convencer. Mas, contra a Bélgica, a Albiceleste conseguiu uma exibição correta, uma das melhores no Mundial. Para conseguir jogar bem, Sabella mexeu e armou um 4-2-3-1, com a entrada de Biglia na composição com Mascherano na volância. Wilmots manteve o 4-1-4-1, mas optou por ter Mirallas entre os onze iniciais. 

Frente aos Diabos Vermelhos, os argentinos conseguiram recuperar Higuaín, que fazia Mundial abaixo daquilo que poderia entregar. O camisa nove até colaborava na movimentação sem bola e abria espaços para os companheiros. Mas centroavante vive de gols e o argentino ainda não havia balançado as redes. Na verdade, El Pipita não conseguia finalizações, ao todo, nas quatro partidas anteriores, apenas sete chutes, em 330 minutos em campo. Desta vez, uma no gol, outra ao lado e mais uma bloqueada. Para melhorar, a que foi no alvo, balançou as redes. No início da partida, uma bola espirou na zaga e se ofereceu na meia-lua, em chute de rara felicidade, Higuaín marcou o 1 a 0. 

Abrir o placar cedo, tranquilizou o jogo albiceleste e obrigou a Bélgica a buscar mais o ataque. Porém, mesmo terminando os 90 minutos com posse de bola maior (54.3%), não conseguia assustar o goleiro. Durante a partida, os Diabos Vermelhos finalizaram dez vezes: apenas uma no alvo, três interceptadas e seis para fora. Com esta pontaria, não daria para vencer a Argentina, que não pressionavam o rival, mas, quando a bola chegava em Messi, era sempre um risco para os belgas. 

Wilmots mexeu, colocou Mertens e Lukaku. Sem resultado, ousou e errou ao tirar o craque Hazard para colocar o ineficiente Chadli. Para confirmar a falta de ideias do técnico belga, no final, a seleção teve Van Buyten como centroavante, por, ao menos, uns 15/20 minutos. Faltou repertório no final, os Diabos Vermelhos apenas ficaram cruzando bolas na área (ao todo, foram 23 cruzamentos) e, como mostramos os números acima, a estratégia não resultou em perigo para Romero. 

Com o apito final, teve choro dos dois lados. Os belgas, que atingiram a fase imaginada, se frustraram, pois, provavelmente, esperavam melhor desempenho. A ótima geração do país não encantou na Copa, mas, depois de dois mundiais ausente, voltar e já chegar às quartas de final é uma boa marca. No lado argentino, o decisivo Higuaín, que teve a melhor atuação dele na competição, chorou muito. Na entrevista pós-jogo, El Pipita destacou: “O jejum não me incomodava, o que importa é ir avançando, agora, devemos seguir pensando partida a partida”. As lágrimas também poderiam ser de Sabella, que, por lesão, perdeu Di María, um dos seus jogadores mais importantes, para o restante da Copa do Mundo.

Herói improvável

Hoje, Robben deixou o protagonismo para Krul, que entrou para pegar pênaltis e pegou dois (Michael Steele/Getty Images)

Em Salvador, Holanda e Costa Rica também seria o confronto dos melhores técnicos da Copa do Mundo, Louis van Gaal e Jorge Luis Pinto. Para enfrentar a melhor defesa do Mundial 2014, o técnico holandês não teve dúvidas e, mais uma vez, mudou a forma de jogar. Veio o 3-4-2-1, com Kuyt, Wijnaldum, Sneijder e Blind formando a segunda linha, portanto, nenhum marcador clássico no centro do campo. À frente, Robben e Depay davam suporte à Van Persie. O comandante dos Ticos não mexeu na estrutura e manteve o 3-4-2-1 (muitas vezes, formando uma linha de cinco atrás), mas focou ainda mais na marcação.  

O planejado pelos treinadores se refletiu em campo. A Oranje dominou completamente a partida, durante todos os 120 minutos, sempre mais de 60% de posse de bola. Com um dos melhores da Copa, Robben fazendo boa partida, o controle do jogo se tornou chances e muitas oportunidades de gol. O problema foi a fraca exibição de Van Persie, pois, sem o jogador terminal bem, as finalizações normalmente vinham de fora da área. Além do camisa 11, Sneijder também tinha boa atuação e sempre conseguia descolar um passe interessante para algum companheiro. De 85 toques tentados, o número dez acertou 70, sendo que 17 deles foram no último terço.  

Não por acaso, a defesa da Costa Rica é a menos vazada da Copa, com apenas dois gols sofridos. O goleiro Keylor Navas mostrou porque é o melhor do Mundial e fez oito defesas, além de contar com a trave em dois momentos, em arremates de Sneijder, que fez sua melhor partida na competição. Eventualmente, os Ticos chegavam em contra-ataques. O homem mais avançado, Joel Campbell recebeu apenas cinco passes no último terço do campo, nenhum deles dentro da área.

Apesar de tentar de todos as formas, a bola não entrou. E, na reta final do jogo, durante a prorrogação, o massacre holandês foi ainda maior. Porém, mesmo assim, o jogo terminou 0 a 0. Antes do apito final, mais uma vez, Louis van Gaal participou da partida de forma decisiva. O técnico tinha um trunfo no banco: o goleiro Krul, de 1,93m, que, durante toda a preparação para a Copa, sabia que, se houvesse decisão por pênaltis, entraria. O desempenho do goleiro do Newcastle não é fascinante em penais, pois, dos últimos 20 batidos contra ele, havia parado apenas dois. Porém, colocá-lo em campo foi uma estratégia do técnico holandês e do treinador de goleiros, Frans Hoek para criar um fato novo, tendo um jogador preparado quase como o especialista para a situação.  

A estratégia deu muito certo. Nas cinco cobranças dos Ticos, Krul acertou o canto de todas e igualou o desempenho que teve nas 20 cobranças anteriores. Com as duas defesas, o “especialista” garantiu a vitória holandesa, pois seus compatriotas acertaram todas as batidas, sem dar chances para o ótimo Keylor Navas. A troca de goleiros, que deu resultado, também causou polêmica. O titular Cilessen reclamou de sair, mas, segundo os especialistas em futebol holandês, depois da partida, pediu desculpas e reconheceu que errou ao chiar.  

O 4 a 3 fez justiça ao que foi o jogo, pois a Oranje não merecia perder, massacrou a Costa Rica. Porém, como disse Keylor Navas, ao final da partida, os Ticos devem voltar para casa “com muito orgulho”. No mesmo sentido foi a fala do técnico Jorge Luis Pinto, que foi muito bem no Mundial, levando a equipe às quartas de final, eliminando Itália e Inglaterra. No lado vencedor, fica a clara noção de que Van Gaal conhece muito bem seus 23 convocados (no Brasil, 21 já entraram em campo) e sabe as opções que eles oferecem ao time. Para encarar a Argentina, não acredito que o técnico repetirá a escalação, pois tentará dar mais poder de marcação ao centro de campo da Holanda.

sábado, 14 de junho de 2014

Copa do Mundo – Dia 3

Mais do que o merecido 

 Com Falcao García apenas observando, o grupo colombiano foi o destaque e alcançou a vitória (Alex Grimm/FIFA/Getty Images)

O Mundial tem se caracterizado pelas torcidas sul-americanas dominando as arquibancadas. Em Belo Horizonte, a Colômbia teve apoio enorme, o Mineirão ficou amarelo e, claro, cantou o hino à capela. Com este ambiente, os comandados de Pérkeman iniciaram pressionando os gregos, que se fechavam em um 4-1-4-1. O 4-2-3-1 cafetero tinha Teo Gutiérrez como centroavante e Cuadrado, James Rodríguez e Ibarbo atuando atrás do centroavante. Os quatro homens mais ofensivos, muitas vezes, apoiados por volantes e laterais não deixavam a saída de bola ocorrer. 

Enquanto a pressão alta esteve presente, a Colômbia foi melhor e conseguiu sair na frente, com boa jogada de Cuadrado pela direita, que Armero finalizou. Porém, o sufoco na saída grega não durou muito tempo. Por isso, a Grécia conseguiu entrar na partida, mantendo a posse de bola e tendo Kone bem ativo, na troca de passes e na chegada ao ataque. Ospina chegou a ser exigido algumas vezes e mostrou o bom nível, que já apresenta no futebol francês. 

A falta de intensidade colombiana pareceu ser cansaço e, assim, a Grécia seguiu controlando a redonda. Mas faltava algo aos europeus, que não conseguiam chances tão claras. Em seu pior momento na partida, a Colômbia alcançou a segundo gol, após cruzamento de James da direita, que Aguilar desviou, e Teo só empurrou para as redes. A oportunidade claríssima que faltava aos gregos, veio logo depois do 2 a 0. Torosidis ganhou no segundo poste e cruzou para trás, Gekas se atirou na bola e, mesmo com o gol livre, acertou o travessão. Mitroglu substituiu o centroavante e a Grécia seguiu mais em cima e teve algumas chances, que ou passaram ao lado ou foram salvas por Ospina. 

No final, a Colômbia, mais uma vez, aproveitou a velocidade no lado direito. Cobrança rápida de falta, combinação boa entre Cuadrado e Zuniga e assistência para James, que, dentro da área, não desperdiçou. O 3 a 0 foi mais do que os cafeteros mereceram pela atuação, mas serviu para mostrar a força do lado direito da equipe e como é importante esta pressão na saída de bola rival para o jogo colombiano funcionar, mas a intensidade tem que ser mantida por mais tempo. Os gregos mostraram fragilidades defensivas e ofensivas, por isso, não devem ter muitas chances de passar à segunda fase da Copa.

Campbell, o gigante

 Campbell fez a melhor exibição individual da Copa e liderou a vitória costariquenha sobre o Uruguai (GettyImages)

A disputa no grupo D seria restrita aos três campeões mundiais, Uruguai, Itália e Inglaterra. Mas, na primeira rodada, havia uma Costa Rica no meio do caminho da Celeste Olímpica. Jorge Luis Pinto optou por um 3-4-2-1, mostrando que a prioridade seria segurar o Uruguai, que vinha no 4-4-1-1, com Forlán e Cavani revezando no comando do ataque. Apesar de estar abaixo do nível que já esteve, o camisa dez uruguaio estava em campo para utilizar o ótimo passe e a qualidade nas bolas paradas. 

Sem fazer grande partida, a presença de Forlán fez a diferença. Em falta cobrada por ele, Lugano sofreu pênalti inocente e Cavani não desperdiçou. Mesmo antes do 1 a 0, o personagem da partida já aparecia. Acostumado a jogar pelo lado, Campbell atuava centralizado e incomodava a defesa charrúa. O jogador do Olympiacos driblava, passava e finaliza. Quando a bola chegava nele, era um risco para o Uruguai. O empate veio com o camisa nove dos Ticos, que aproveitou boa jogada pela direita e falha da defesa celeste, para fuzilar de canhota. 

A virada veio com a mesma alternativa uruguaia: a bola parada. Um dos meias-atacantes no esquema costariquenho, Bolaños, que foi muito bem na partida, cobrou e Duarte apareceu por trás de todos e, de peixinho, virou o jogo. A Celeste Olímpica estava entregue ao jogo dos Ticos, mas, com algumas mudanças, ensaiou uma pressão, jogando quase com três atacantes. Aí a estrela costariquenha apareceu. Se Campbell decidia na frente, o ótimo goleiro Keylor Navas segurou o momento de pressão uruguaia. 

A melhor exibição individual desta Copa ainda reservava mais uma grande jogada. Aos 84 minutos, Campbell apareceu na dele, na ponta-direita, e fez ótimo passe para Ureña entrar na área e fazer o terceiro, na saída do goleiro Muslera. Nos minutos finais, o camisa nove costariquenho ainda cavou a expulsão de Maxi Pereira e concluiu a sua grande exibição. O 3 a 1 foi um resultado justíssimo e bagunça o início do grupo D. 

Apesar da vitória, imaginar os Ticos passando de fase é difícil. Mas ficou pior para os uruguaios iniciam a Copa com um grande problema, recuperar esta largada ruim. O consolo é a provável volta do melhor jogador do país, Suárez na segunda rodada. Além disso, em 2010, na estreia contra a França, o Uruguai teve Lodeiro expulso, o que forçou Tabárez a mudar o time taticamente. Depois das mudanças, todos sabem, a Celeste Olímpica foi semifinalista do Mundial. Repetir esta história é o objetivo no Brasil.

Expectativa atendida 

 
 Pirlo e a Itália merecem aplausos pela ótima exibição em Manaus (Ricardo Matsukawa/Terra)

O calor até atrapalhou, mas, em Manaus, Itália e Inglaterra fizeram um jogaço, até aqui, o melhor da Copa. Pressionados pela vitória da Costa Rica, as duas campeãs mundiais entraram em busca da vitória, para abrir vantagem em relação ao Uruguai. Os italianos apostaram no 4-1-4-1 e a Inglaterra teve um 4-2-3-1, com Welbeck, Sterling e Rooney circulando atrás do centroavante Sturridge, que se mexia muito. 

A Squadra Azzurra preferia a bola e a troca de passes, inclusive com os laterais participando da movimentação à frente do meio-campo. Já os Three Lions optavam pela pressão alta e intensidade para buscar opções de finalização. Assim, a Inglaterra assustou com um belo chute de longe de Sterling, muito à vontade jogando pelo centro do campo. O lado direito italiano ia muito bem, com Darmian e Candreva combinando demais por ali. O gol saiu em cobrança de escanteio do camisa seis: Verratti recebeu o passe curto, rolou para trás, Pirlo fez o corta-luz e, livre na entrada da área, Marchisio teve tempo para dominar e chutar. 

O empate veio rápido e teve a característica pensada pelo English Team. Na linha média, Sterling fez ótima enfiada para Rooney na ponta esquerda e o camisa dez fez o cruzamento no segundo pau, onde Sturridge apareceu para igualar o jogo. 

O empate não fez mal à Itália, que seguiu mantendo o estilo: muitas trocas de passes (602 passes trocados, maior número da Copa) e paciência para chegar. Em um erro de Hart, Balotelli quase fez um golaço de cobertura. Se SuperMario não conseguiu recolocar a Itália na frente com um golaço, no segundo tempo, ele apareceu para decidir. O lado direito azzurro funcionou com Candreva, que limpou a defesa e cruzou no segundo poste. Balotelli apareceu atrás da defesa e colocou a bola no gol. O carismático e polêmico camisa nove da Nazionale vibrou muito. A derrota parcial forçou a Inglaterra a buscar o jogo e, sabendo disso, Prandelli sacou o bom passador Verratti e colocou Thiago Motta, jogador de mais marcação. 

Com as mudanças de ambos os lados, a Itália passou a ter mais um 4-5-1, formando uma barreira frente à própria área. A Inglaterra ficou em cima, trocando passes, mas sempre buscando Sterling (agora, mais à direita) para tentar a jogada diferente e o último passe. A chance de marcar não surgiu e, na reta final do jogo, o cansaço começou a pegar forte o English Team, diminuindo a intensidade daquela pressão. 

A vitória no jogaço dá muita moral aos italianos, na disputa que promete ser muito dura pelas vagas no grupo D. Para a Inglaterra, apesar da derrota, fica a exibição a boa exibição e noção de que alguns erros foram cometidos, principalmente, na defesa. Para a decisão frente ao Uruguai ter mais de Rooney também será fundamental.
Drogba resolve

 Drogba no lugar de um volante: a entrada do centroavante mudou o jogo para Costa do Marfim (AFP)

O camisa 11 estava no banco, pois Lamouchi optou por iniciar com Bony à frente dos três meias, Gervinho, Yaya Toure e Kalou. Desta forma, quem começou a partida melhor foi o Japão, também armado em um 4-2-3-1, com Honda e Kagawa revezando entra a ponta-esquerda e o centro da linha de três meais. Além da movimentação da dupla, os Samurais Azuis tinham as subidas dos laterais, Uchida e Nagatomo. Os velozes japoneses evitavam que a bola chegasse à Yaya Toure e, com isso, a criação costa marfinense ficava com Kalou e Gervinho, portanto, tinha menos qualidade. 

O Japão aproveitou o início ruim dos Elefantes e saiu na frente. A jogada veio com a combinação entre três de seus jogadores especiais: Kagawa tocou para Nagatomo assistir Honda, que tirou Yaya e fuzilou de canhota. Golaço. Mas Costa do Marfim tinha um time talentoso e muito forte e não se entregaria após sofrer um gol. Yaya Toure começou a aparecer mais e fez algumas boas jogadas. 

Porém o jogo foi resolvido do banco de reservas. Lamouchi mexeu muito bem, pois tinha o grande trunfo no banco, Didier Drogba. O técnico sacou um volante para colocar o centroavante e, desta forma, abriu mão do 4-2-3-1 e jogou no 4-4-2. Yaya se tornou volante ao lado de Tiote, Kalou e Gervinho foram os meias pelos lados e Drogba duplou no ataque com Bony. Modificada, a Costa do Marfim passou a ter mais chegada e conseguiu virar o jogo em duas jogadas semelhantes. Primeiro, armando de trás, Yaya Toure abriu o jogo com Aurier, que cruzou na área, onde Bony ganhou da zaga para cabecear. Depois, novamente o lateral-direito jogou na área e foi Gervinho que desviou de cabeça para o gol. 

O 2 a 1 tranquilizou a seleção africana e agitou os japoneses. Porém o nível do jogo não voltou a ser o mesmo do início dos 90 minutos. Kagawa já não combinava tanto com Honda e Uchida sumiu do campo de ataque. Por isso, as melhores oportunidades vieram quando o autor do primeiro gol tentou jogadas individuais. Mas quem chegou mais perto de marcar foi a Costa do Marfim, com jogadas de Drogba, o homem que mudou o jogo. Assim, os Elefantes largam ao lado de Colômbia na briga pelas vagas do grupo C, chave que também promete equilíbrio.

sábado, 7 de junho de 2014

Simplificando Futebol na Copa - Grupo D

Uruguai
Óscar Tabárez sabe muito de futebol, tem o elenco uruguaio na mão e ainda tem Suárez, o melhor jogador da Premier League (EFE)

Técnico: Óscar Tabárez-URU

Time-base (4-4-2): Muslera; Maxi Pereira, Lugano, Godín, Cáceres; Stuani, Arévalo Ríos, Gargano, Cristian Rodríguez; Suárez e Cavani.

Craque: Luis Suárez – Liverpool-ING

Lesionados: Nenhum

Participações no Mundial: 12 (campeão em 1930 e 1950)

Ranking da Fifa: 7º

Campanha nas Eliminatórias (18J-8V-5E-5D-30GP 25GC-5SG)

Primeira fase:
Uruguai 4x2 Bolívia
Paraguai 1x1 Uruguai
Uruguai 4x0 Chile
Uruguai 1x1 Venezuela
Uruguai 4x2 Peru
Colômbia 4x0 Uruguai
Uruguai 1x1 Equador
Bolívia 4x1 Uruguai
Uruguai 1x1 Paraguai
Chile 2x0 Uruguai
Venezuela 0x1 Uruguai
Peru 1x2 Uruguai
Uruguai 2x0 Colômbia
Equador 1x0 Uruguai
Uruguai 3x2 Argentina

Repescagem Mundial:
Jordânia 0x5 Uruguai
Uruguai 0x0 Uruguai

Depois de realizar uma ótima campanha na Copa de 2010, quando ficou no quarto lugar, posição que não alcançava desde 1970, o Uruguai passou por altos e baixos. No período entre copas, os charrúas largaram bem na disputa pela vaga entre as 32 seleções que virão ao Brasil, venceram a Copa América 2011, ficaram cinco jogos sem vencer nas eliminatórias, fizeram boa Copa das Confederações, e, na reta final da briga para vir ao país vizinho, conseguiram a classificação para a repescagem. Nos playoffs, com tranquilidade, os uruguaios despacharam a Jordânia e se classificaram a Copa de 2014.

Os diversos altos e baixos citados não vieram por conta de mudança de trabalho ou dos rumos que a Celeste estava tomando. Afinal, no período, o Uruguai foi sempre comandado por Óscar Tabárez (desde 2006 à frente do futebol do país) e, na maioria das vezes, esteve com grupo muito semelhante àquele que esteve no último mundial. Apesar de ter muitos pontos positivos, a manutenção do plantel também traz coisas negativas ao técnico. Alguns líderes do grupo que já não vivem o melhor momento da carreira, como Lugano e Forlán seguem presentes e com relevância dentro do trabalho de Tabárez.

Quem merece muito estar no grupo uruguaio é a dupla Suárez e Cavani, que marca gols com extrema facilidade. Juntos, os atacantes marcaram 47 gols nas ligas nacionais que disputaram, números que fazem a maior parte dos rivais ter inveja da dupla ofensiva charrúa. Além disso, ambos contribuem sem a bola e podem criar chances passando para os companheiros. Nesta temporada, Suárez cedeu 12 assistências, na Premier League, e Cavani passou para dois gols, na Ligue 1. Ademais da dupla que centraliza a esperança de gols, o esquema que Tabárez utilizou na repescagem para o Mundial, o 4-4-2 prioriza a marcação e a liberdade para os dois homens de frente. Com esta forma de jogar, não será fácil vazar o goleiro Muslera.

Por tudo isso, apesar de estar em um grupo difícil, o Uruguai tem boas possibilidades de alcançar a segunda fase da Copa do Mundo. E não há como esquecer que Tabárez está no banco e, no último Mundial, o técnico soube transformar um início ruim na melhor campanha celeste em 30 anos. O conhecimento e a confiança que o Maestro tem do elenco poderão ser decisivos para deixar ou Inglaterra ou Itália para trás e alcançar a segunda fase. A partir daí, o Uruguai promete ser adversário ainda mais duro.

Goleiros: 1- Fernando Muslera (Galatasaray-TUR), 23- Martín Silva (Vasco-BRA) e 12- Rodrigo Muñoz (Libertad-PAR);
Defensores: 2- Diego Lugano (West Bromwich-ING), 3- Diego Godín (Atlético de Madrid-ESP), 13- José María Giménez (Atlético de Madrid-ESP), 22- Martín Cáceres (Juventus-ITA), 16- Maxi Pereira (Benfica-POR), 4- Jorge Fucile (Porto-POR), 19- Sebastián Coates (Nacional-URU) e 6- Álvaro Pereira (São Paulo-BRA);
Meias: 17- Egidio Arévalo Ríos (Morelia-MEX), 5- Walter Gargano (Parma-ITA), 15- Diego Pérez (Bologna-ITA), 20- Alvaro González (Lazio-IRA), 7- Cristian Rodríguez (Atlético de Madrid-ESP), 18- Gastón Ramírez (Southampton-ING), 11- Cristian Stuani (Espanyol-ESP) e 14- Nicolás Lodeiro (Botafogo-BRA);
Atacantes: 9- Luis Suárez (Liverpool-ING), 21- Edinson Cavani (Paris Saint-Germain-URU), 10- Diego Forlán (Cerezo Osaka-JAP) e 8- Abel Hernández (Palermo-ITA).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Costa Rica: nunca se enfrentaram
Inglaterra: Uruguai 4x2 Inglaterra (quartas de final, 1954) e Uruguai 0x0 Inglaterra (fase de grupos, 1966)
Itália: Itália 0x0 Uruguai (fase de grupos, 1970) e Itália 2x0 Uruguai (oitavas de final, 1990)

Calendário de amistosos durante a preparação

30/maio: Uruguai 1x0 Irlanda do Norte
3/junho: Uruguai 2x0 Eslovênia

Itália
Pirlo e Buffon são os titulares remanescentes do título de 2006, na dupla bianconera, a renovada Itália se apoia para chegar longe no Brasil (Alex Livesey/Getty Images)

Técnico: Cesare Prandelli-ITA

Time-base (4-1-4-1): Buffon; Darmian, Barzagli, Chiellini, De Sciglio; De Rossi; Candreva, Pirlo, Verratti, Marchisio; Balotelli.

Craque: Andrea Pirlo – Juventus-ITA

Lesionados: Riccardo Montolivo (meia, Milan-ITA) – fratura na tíbia na perna direita e Giuseppe Rossi (atacante, Fiorentina-ITA) – lesão na perna direita.

Participações no Mudial: 18 (campeã em 1934, 1938, 1982 e 2006)

Ranking da FIFA: 9º

Campanha nas Eliminatórias (10J-6V-4E-0D-19GP-9GC-10SG)
Bulgária 2x2 Itália
Itália 2x0 Malta
Armênia 1x3 Itália
Itália 3x1 Dinamarca
Malta 0x2 Itália
República Tcheca 0x0 Itália
Itália 1x0 Bulgária
Itália 2x1 República Tcheca
Dinamarca 2x2 Itália
Itália 2x2 Armênia

Campeã em 2006 e eliminada na fase de grupos sem nenhuma vitória em 2010. Essas foram as duas últimas campanhas italianas em copas. Mas, para 2014, a expectativa é outra. Com a chegada de Cesare Prandelli, após o Mundial sul-africano, a Squadra Azzurra mudou a forma de jogar e se tornou um time um pouco mais ofensivo. Sob as ordens do novo técnico, a Itália foi vice-campeã da Eurocopa 2012 e, na Copa das Confederações 2013, ficou com o terceiro lugar jogando muito bem. Nas eliminatórias, em um grupo relativamente tranquilo, a Nazionale se classificou de forma invicta para o Brasil.

Na Copa das Confederações, ficou bem evidente o pleno comando que Prandelli tem do elenco azzurro: troca dos onze iniciais e mudanças táticas foram comuns. O fato de conseguir mexer na forma de jogar com alguma facilidade, proporciona ao grupo italiano um repertório bem interessante e dificulta os adversários, que nunca sabem exatamente o que terão pela frente. Além das diversas mexidas táticas, Prandelli também mudou o elenco e virá ao Brasil com um grupo bem mais jovem – Verratti, que será um pilar azzurro no futuro, está na lista e pode até ser titular. O técnico resistiu às pressões e, por exemplo, não convocou Totti, veterano que contava com grande clamor popular. O também experiente Cassano, que liderou o Parma à boa campanha na Serie A, está no grupo e, aos 31 anos, poderá jogar o primeiro Mundial da carreira.

Mas o plantel tem nomes experientes entre os destaques: o goleiro Buffon e os volantes De Rossi e Pirlo. Os três vêm em boa fase e formam a espinha dorsal da equipe. O camisa um segue em ótimo nível e passa segurança para o restante do time. Os dois meias se completam bem, enquanto De Rossi é um grande marcador e apresenta muita raça em campo, Pirlo é o homem que arma o time desde o campo defensivo com muita classe e, claro, é um perigo constante nas bolas paradas. Além disso, a defesa que deve ter Chiellini e Barzagli (ou Bonucci) se aproveita do entrosamento da Juventus tricampeã italiana. Já o ataque com Balotelli em baixa e Rossi cortado por questões físicas, gera dúvidas. Porém, com SuperMario bem e os demais convocados, que vêm em boa fase, Prandelli tem várias alternativas para compor o setor ofensivo.

O ótimo técnico, elenco qualificado e com diversos líderes em campo permite que a Itália sonhe com uma boa campanha. Prandelli inclusive declarou: “nós podemos chegar à final”. Dentro disso, ter sido sorteada para um grupo tão difícil como o D, pode ajudar a Nazionale, que já iniciará a Copa do Mundo com grandes desafios. Passando pela chave, com Costa Rica, Inglaterra e Uruguai, a Squadra Azzurra chegará à segunda fase muito forte.

Goleiros: 1- Gianluigi Buffon (Juventus-ITA), Salvatore Sirigu (Paris Saint-Germain-FRA) e 13- Mattia Perin (Genoa-ITA);
Defensores: 3- Giorgio Chiellini (Juventus-ITA), 19- Leonardo Bonucci (Juventus-ITA), 15- Andrea Barzagli (Juventus-ITA), 4- Matteo Darmian (Torino-ITA), 20- Gabriel Paletta (Parma-ITA), 7- Ignazio Abate (Milan-ITA) e 2- Mattia De Sciglio (Milan-ITA);
Meias: 21- Andrea Pirlo (Juventus-ITA), 5- Thiago Motta (Paris Saint-Germain-FRA), 23- Marco Verratti (Paris Saint-Germain-FRA), 16- Daniele De Rossi (Roma-ITA), 8- Claudio Marchisio (Juventus-ITA), 6- Antonio Candreva (Lazio-ITA), 14- Alberto Aquilani (Fiorentina-ITA) e 18- Marco Parolo (Parma-ITA).
Atacantes: 9- Mario Balotelli (Milan-ITA), 10- Antonio Cassano (Parma-ITA), 17- Ciro Immobile (Torino-ITA), 22- Lorenzo Insigne (Napoli-ITA) e 11- Alessio Cerci (Torino-ITA).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Uruguai: Itália 0x0 Uruguai (fase de grupos, 1970) e Itália 2x0 Uruguai (oitavas de final, 1990)
Costa Rica: nunca se enfrentaram
Inglaterra: Inglaterra 1x2 Itália (disputa do terceiro lugar, 1990)

Calendário de amistosos durante a preparação
31/maio: Itália 0x0 Irlanda
4/junho: Itália 1x1 Luxemburgo
8/junho: Itália 5x3 Fluminense

Inglaterra
Sturridge e Rooney foram responsáveis por 55 gols, na Premier League 2013-14, a Inglaterra confia neles para marcar (Getty Images)

Técnico: Roy Hodgson-ING

Time-base (4-1-4-1): Hart; Glen Johnson, Jagielka, Cahill, Baines; Gerrard; Sturridge, Henderson, Wilshere, Sterling; Rooney.

Craque: Wayne Rooney – Manchester United-ING

Lesionados: Kyle Walker (lateral-direito, Tottenham-ING) – lesão na pélvis, Theo Walcott (ponta, Arsenal-ING) – ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, Andros Townsend (ponta, Tottenham-ING) – lesão nos ligamentos do tornozelo esquerdo e Jay Rodríguez (atacante, Southampton-ING) – ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho direito.

Participações no Mundial: 13 (campeã em 1966)

Ranking da FIFA: 10º

Campanha nas Eliminatórias (10J-6V-4E-0D-31GP-4GC-27SG)
Moldávia 0x5 Inglaterra
Inglaterra 1x1 Ucrânia
Inglaterra 5x0 San Marino
Polônia 1x1 Inglaterra
San Marino 0x8 Inglaterra
Montenegro 1x1 Inglatera
Inglaterra 4x0 Moldávia
Ucrânia 0x0 Inglaterra
Inglaterra 4x1 Montenegro
Inglaterra 2x0 Polônia

A Inglaterra não teve um período entre copas tranquilo, mas, ao final, consegui se classificar para mais um Mundial. Porém, novamente, o English Team não chegará como candidato ao título, o que pode ser bom. Afinal, nas últimas copas em que chegou badalada (2002 e 2006), a Inglaterra não teve sucesso, parando nas quartas de final. Ainda a encontro disso, Roy Hodgson optou por deixar de lado alguns jogadores mais experientes (Cole e Carrick, por exemplo) para dar espaço aos mais jovens (Shaw e Barkley).

O ambiente conturbado entre os Mundiais resultou em três comandantes em quatro anos. Roy Hodgson chegará ao Brasil no banco de reserva e só assumiu o time em 2012, para a disputa da Eurocopa daquele ano, quando os ingleses pararam nas quartas de final frente à Itália, nos pênaltis. Mas, apesar de tudo isso, nos últimos meses, o English Team ganhou corpo, pois muito jogadores importantes, que estavam em baixa, estão atuando em bom nível. Hart, Glen Johnson e Gerrard voltaram a ser incontestáveis. Além disso, a boa campanha do Liverpool na temporada criou novas alternativas interessantes ou recuperou outras que pareciam perdidas: Henderson, Sterling e Sturridge.

Nos últimos jogos, Hodgson fixou a equipe no 4-1-4-1, que também pode ser descrito como um 4-3-3. Rooney e Sturridge são os homens mais avançados e, na Premier League, anotaram 38 gols e cederam 17 assistências. Os números são excelentes e dão esperança que a Inglaterra consiga marcar muitos gols na Copa. Sterling fecha o setor ofensivo e é muito veloz e habilidoso. O trio de meias pelo centro com Gerrard, Wilshere e Henderson tem bom poder de marcação e ótima qualidade técnica, chutam e passam bem. Além disso, a linha defensiva, que é menos falada, também tem bons jogadores e já se conhece bem, o que poderá fazer diferença – sofreu apenas quatro gols em dez jogos nas eliminatórias.

A mudança de nível apresentada nos últimos tempos e Hodgson dizendo que o English Team está “preparado para passar uma boa impressão”, não devem representar facilidade na Copa do Mundo. O grupo D tem três campeões mundiais e, nenhum deles, se posiciona como amplo favorito, portanto, a briga deve ser jogo a jogo. Para dificultar ainda mais, os ingleses começam o Mundial de 2014 disputando contra os rivais diretos pelas vagas, Itália e Uruguai, e não poderão começar a competição em uma rotação mais lenta. Se isto ocorrer, a classificação não virá.

Goleiros: 1- Joe Hart (Manchester City-ING), 13- Ben Foster (West Bromwich Albion-ING) e 22- Fraser Forster (Celtic-ESC);
Defensores: 3- Leighton Baines (Everton-ING), 5- Gary Cahill (Chelsea-ING), 6- Phil Jagielka (Everton-ING), 2- Glen Johnson (Liverpool-ING), 16- Phil Jones (Manchester United-ING), 23- Luke Shaw (Southampton-ING) e 12- Chris Smalling (Manchester United-ING);
Meias: 21- Ross Barkley (Everton-ING), 4- Steven Gerrard (Liverpool-ING), 14- Jordan Henderson (Liverpool-ING), 20- Adam Lallana (Southampton-ING), 8- Frank Lampard (Chelsea-ING), 17- James Milner (Manchester City-ING), 15- Alex Oxlade-Chamberlain (Arsenal-ING), 19- Raheem Sterling (Liverpool-ING) e 7- Jack Wilshere (Arsenal-ING);
Atacantes: 18- Rickie Lambert (Southampton-ING), 10- Wayne Rooney (Manchester United-ING), 9- Daniel Sturridge (Liverpool-ING) e 11- Daniel Welbeck (Manchester United-ING).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Uruguai: Uruguai 4x2 Inglaterra (quartas de final, 1954) e Uruguai 0x0 Inglaterra (fase de grupos, 1966)
Costa Rica: nunca se enfrentaram
Itália: Inglaterra 1x2 Itália (disputa do terceiro lugar, 1990)

Calendário de amistosos durante a preparação

30/maio: Inglaterra 3x0 Peru
4/junho: Inglaterra 2x2 Equador
7/junho: Inglaterra 0x0 Honduras

Costa Rica
O ótimo goleiro Keylor Navas avisa: "nada é impossível para Costa Rica" (Juan Carlos Ulate/Reuters)

Técnico: Jorge Luis Pinto-COL

Time-base (4-3-3): Keylor Navas; Gamboa, Umaña, González, Júnior Díaz; Bolaños, Tejada, Borges; Bryan Ruíz, Brenes, Campbell.

Craque: Bryan Ruíz – Fulham-ING

Lesionados: Bryan Oviedo (lateral-esquerdo, Everton-ING) – fratura na fíbula e na tíbia da perna esquerda, Rodney Wallace (lateral-esquerdo, Portland Timbers-EUA) – fratura na tíbia e ruptura no ligamento cruzado anterior e Álvaro Saborío (atacante, Real Salt Lake-EUA) – lesão quinto metatarso do pé direito.

Participações no Mundial: 4 (oitavas de final em 1990)

Ranking da Fifa: 28º

Campanha nas Eliminatórias (16J-8V-4E-4D-27GP-12GC-15SG)

Terceira fase:
Costa Rica 2x2 El Salvador
Guiana 0x4 Costa Rica
Costa Rica 0x2 México
México 1x0 Costa Rica
El Salvador 0x1 Costa Rica
Costa Rica 7x0 Guiana

Quarta fase:
Panamá 2x2 Costa Rica
Estados Unidos 1x0 Costa Rica
Costa Rica 2x0 Jamaica
Costa Rica 1x0 Honduras
México 0x0 Costa Rica
Costa Rica 2x0 Panamá
Costa Rica 3x1 Estados Unidos
Jamaica 1x1 Costa Rica
Honduras 1x0 Costa Rica
Costa Rica 2x1 México

Depois de ficar ausente da última Copa do Mundo, a Costa Rica teve alguma dificuldade para passar da terceira fase das eliminatórias da CONCACAF, mas virá ao Brasil. Porém, na quarta etapa da disputa, os Ticos conseguiram a classificação, com alguma tranquilidade: foram apenas duas derrotas e a segunda colocação, a quatro pontos dos Estados Unidos, que lideraram a disputa no continente. O retorno, após um Mundial ausente, não é muito animador, pois o sorteio não foi nada generoso com os costarriquenhos.

Com três títulos do Campeonato Costarriquenho pela Alajuelense, entre 2002 e 2003, o treinador Jorge Luis Pinto comandou a seleção do país entre 2004 e 2005. Nesta nova etapa à frente dos Ticos, o colombiano está desde 2011, portanto, participou de todo o processo de formação da equipe durante as eliminatórias. No período, a Costa Rica fez algumas alterações táticas e chegou a atuar com três zagueiros, porém, para a Copa do Mundo, Jorge Luis Pinto deve optar por um esquema com quatro defensores – ao menos, foi assim nos últimos amistosos. Sob a batuta do colombiano, os Ticos mostraram força na defesa e sofreram 12 gols, nas 16 partidas que disputaram nas eliminatórias – na fase final, foram a melhor retaguarda, com apenas sete gols sofridos.

Um dos pilares da defesa é o ótimo goleiro Keylor Navas, um dos melhores da posição na Liga Espanhola. No Levante, o arqueiro se destacou por passar muita segurança à defesa e executar defesas improváveis. Mas, a maior parte dos talentos individuais da equipe está no ataque. Se optar mesmo pelo 4-3-3, Jorge Luis Pinto poderá aliar a experiência e criatividade de Bryan Ruíz com a juventude e velocidade de Campbell, duas alternativas interessantes pelas pontas. Além deles, o ataque teria o artilheiro do time nas eliminatórias, Saborío, que marcou oito gols na campanha – na fase final, Ruíz foi o artilheiro com três gols. No ato do corte do atacante, o choro do técnico Jorge Luis Pinto mostra o que representa esta perda para os Ticos.

A Costa Rica tem um time interessante, que se conhece bem e alguns bons talentos, porém, o grupo D se apresenta como um dos mais difíceis deste Mundial. Imaginar os Ticos avançando, deixando para trás duas seleções entre Uruguai, Itália e Inglaterra é bastante improvável. Por isso, os costarriquenhos não repetirão a campanha de 1990 e não chegarão à segunda fase da Copa.

Goleiros: 1- Keylor Navas (Levante-ESP), 18- Patrick Pemberton (Alajuelense-CRC) e 23- Daniel Cambronero (Herediano-CRC);
Defensores: 3- Giancarlo González (Columbus Crew-EUA), 2- Jhonny Acosta (Alajuelense-CRC), 4- Michael Umaña (Saprissa-CRC), 19- Roy Miller (New York Red Bulls-EUA), 6- Óscar Duarte (Club Brugge-BEL), 15- Junior Díaz (Mainz 05-ALE), 16- Cristian Gamboa (Rosenborg-DIN), 8- Heiner Mora (Saprissa-CRC) e 12- Waylon Francis (Columbus Crew-EUA);
Meias: 17- Yeltsin Tejeda (Saprissa-CRC), 22- José Miguel Cubero (Herediano-CRC), 13- Esteban Granados (Herediano-CRC),  5- Celso Borges (AIK-SUE), 11- Michael Barrantes (Aalesund-NOR), 7- Christian Bolaños (FC Copenhague-DIN) e 20- Diego Calvo (Valerenga-NOR);
Atacantes: 10- Bryan Ruíz (PSV-HOL), 9- Joel Campbell (Olympiacos-GRE), 14- Randall Brenes (Cartaginés-CRC) e 21- Marco Ureña (Kuban Krasnodar-RUS).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Uruguai: nunca se enfrentaram
Inglaterra: nunca se enfrentaram
Itália: nunca se enfrentaram

Calendário de amistosos durante a preparação

2/junho: Costa Rica 1x3 Japão
6/junho: Costa Rica 1x1 Irlanda

Para colaborar com a análise, um podcast sobre o grupo D. Porém, por problemas técnicos, a gravação não ficou completa, já me adianto e peço desculpas. Nos 23 minutos gravados, tem um pouco de Uruguai e muito de Itália e Inglaterra. Ao meu lado, estiveram Anderson Moura, comentarista do Esporte Interativo e colaborador do Quattro Tratti, e Thiago Ienco, editor do Premier League Brasil. Confiram:


terça-feira, 12 de julho de 2011

Argentina 3x0 Costa Rica

Seja bem-vindo, Messi

 Agüero aponta para Messi, ele é o cara da Argentina (AFP)

A Argentina finalmente venceu e, contra a Costa Rica, convenceu também. Batista armou o time no 4-2-3-1, recuou Messi para a linha de criação e colocou Higuaín como centroavante. “La Pulga” atuava pela direita, mas muitas vezes buscava o meio; na esquerda estava Agüero (ora também avançava para o ataque) e, no centro, Di María. A troca entre os atletas era comum e confundia a marcação costarriquenha. La Volpe armou os ticos no 5-3-1-1, pois Martínez recuava, deixando Campbell isolado no ataque.

Mesmo comandando as ações desde o início da partida, a albiceleste não conseguia vencer o goleiro Moreira. Messi já estava muito mais ativo do que nos outros jogos e colocou Higuaín na cara do gol uma vez, mas o centroavante perdeu. Depois, Gago deu o passe para o camisa nove perder.

O volante do Real Madrid também merece ter a atuação ressaltada, "El principito" que pouco atuou pelos merengues nesta temporada, foi o parceiro de Mascherano na volância. Gago era o “carimbador de bolas” no meio-campo, quase todas passavam por ele. Além disso, ele estava muito bem na marcação. O de seu pé direito saiu o lance que abriu caminho para o gol: Gago pegou, de primeira a bola na entrada da área, surpreendendo Moreira, que rebateu a redonda nos pés de Agüero, que não falhou. Isso, aos 45 minutos da primeira etapa.

O gol tranquilizou a Argentina e, na volta do intervalo, tudo ficou mais fácil. Primeiro, aos sete minutos, Messi descobriu Agüero, que marcou pela segunda vez. Aos 18 minutos, foi a vez de “La Pulga” deixar Di María livre para fazer o terceiro da albiceleste. Ali o jogo já esta resolvido. A inexperiência dos ticos ficou clara e não conseguiram esboçar reação alguma.

Messi seguiu sobrando em campo e distribuiu mais diversos passes importantes, mas Higuaín e Lavezzi falharam no momento decisivo. O camisa dez poderia ter feito o dele, se o árbitro tivesse apitado pênalti em jogada que “El Pipita” foi acintosamente puxado dentro da área.

A Argentina suou, mas está garantida na segunda fase, onde segundo Messi, “começa um novo campeonato”. Alguém duvida dele? Eu, não.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Bolívia 0x2 Costa Rica

Bonita Homenagem

 Homenagens a Dennis Marshall foram vistas após os dois gols, da boa vitória costarriquenha (AP Photo)

Antes de começar a Copa América Bolívia e Costa Rica chegaram cercadas de desconfiança na Argentina e eram as principais candidatas a saco de pancadas da competição. A primeira rodada provou que isso poderia ser diferente e o jogo desta quinta foi bastante interessante.

Jogando novamente em um esquema diferente, um 3-3-2-2, com muita movimentação, os ticos mostraram força, mas tiveram dificuldades no primeiro tempo. A Bolívia jogando no 4-4-2 chegou a incomodar e, incrivelmente, as melhores chance vieram com Arce, que após entrar bem contra a Argentina, ganhou vaga entre os 11 hoje. O atacante Campbell encaixou seu jogo muito bem com Martínez e dava sinais que poderia ser um dos melhores do jogo desde o início.

Mas foi no segundo tempo que o jogo costarriquenho realmente deslanchou. Foram dois gols, duas bolas na trave e ainda um penal perdido. A Bolívia parecia entregue e a defesa muito exposta. Os ticos chegaram diversas vezes ao gol de Arias. As duas expulsões causaram grande impacto para la verde. O gol de Martínez saiu antes do primeiro cartão vermelho. Campbell fez o segundo tento, logo após a segunda expulsão, praticamente decretando números finais a partida.

Além do futebol correto, que garantiu a vitória, deixando os costarriquenhos em ótima situação, foi bonito ver a homenagem dos ticos ao ex-companheiro, Dennis Marshall. O jogador que morreu após a Copa Ouro 2011 foi lembrado depois dos gols. Os atletas da Costa Rica apotavam para o céu e, depois do gol de Campbell, até uma camisa número 20 de Marshall apareceu em meio a festa.