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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Os esquecidos de Mano Menezes


Desde a primeira lista anunciada em 26 de Julho de 2010 para o amistoso em Nova Jersey no dia 10 de agosto contra a seleção norte-americana, Mano Menezes convocou 76 jogadores diferentes, mas algumas ausências têm de ser destacadas. Listei quatro jogadores, que considero que agregariam bastante ao plantel brasileiro, se fossem testados.

Vamos aos atletas:

Nenê, meia-atacante, 30 anos (Paris Saint-Germain-FRA)

Nenê grita por uma chance na seleção (AFP)

Nenê é um dos melhores jogadores da Ligue 1 (tem 54 gols na competição) e do milionário PSG há algum tempo, mas jamais foi convocado para a Seleção principal. A moral do camisa dez do time parisiense é tão grande que a sua naturalização já foi cogitada, porém, ele nunca quis abrir mão do sonho de vestir verde e amarelo

Na última temporada, Nenê foi o melhor jogador do PSG mais uma vez e terminou o Campeonato Francês como um dos artilheiros, com 21 gols. Além disso, o camisa dez foi um dos maiores assistentes da disputa, com 11 assistências.  O brasileiro é um jogador técnico, pois finaliza bem, tem bom passe, visão de jogo acima do comum e é um bom cobrador de bolas paradas. Nenê também sabe driblar, o que o torna um meia-atacante bem completo.

Uma vantagem para Mano Menezes caso convoque o jogador do PSG é que ele é acostumado a atuar no 4-2-3-1, esquema preferido do treinador verde e amarelo. Além disso, pelo estilo de jogo parisiense, com muita troca de posição entre os meias, Nenê pode atuar em qualquer um dos lados e também no centro da linha de três criadores de jogadas.

Diego, meia-atacante, 27 anos (Wolfsburg-ALE)

Diego já vestiu até a camisa dez verde e amarela (Getty Images)

Um legitimo meia-ofensivo. Veloz, ótimo tecnicamente, dotado bom passe e um finalizador de qualidade. Diego é uma das ausências que mais intrigam naquilo que chamo de “Era Mano Menezes”. A cria do Santos vem de duas temporadas que no mínimo são regulares – a de 2011-12 é, indiscutivelmente, ótima. No Wolfsburg há dois anos, apesar dos problemas em se adaptar aos métodos Felix Magath, o camisa 28 cedeu dez assistências e ainda marcou seis vezes.

Mas Diego chamou a atenção realmente vestindo o rojiblanco do Atlético de Madrid, onde esteve na última temporada por empréstimo. No clube da capital espanhola, o camisa 22 foi destaque e conquistou a Liga Europa, marcando um belo gol na final. No ano, foram os mesmos seis gols e as mesmas dez assistências, mas, com uma participação muito mais decisiva no balanço da equipe do que nos “Lobos”.

Além disso, o jogador que está há oito anos na Europa, atua na mesma faixa do campo – e ainda pode jogar pelos lados do campo – que Paulo Henrique Ganso, até outro dia, o camisa dez tido como ideal por Mano Menezes. No esquema do treinador de Passo do Sobrado, o 4-2-3-1, Diego encaixaria nas três funções de criação e, com a lesão do dez santista, poderia ser o meia-atacante pelo centro. A substituição de Ganso foi problema por muito tempo para o técnico da seleção brasileira e o camisa 22 do Atléti seria uma boa opção.

Felipe Melo, volante, 29 anos (Galatasary-TUR)

Felipe Melo paga pelo pisão dado em Robben, durante a Copa do Mundo de 2010, até hoje (AFP)

O volante foi responsabilizado pela derrota brasileira na Copa de 2010. Não há dúvida, Felipe Melo paga pelo lance da foto até hoje e, de certa forma, injustamente. Hoje, há espaço para o jogador, que começou como meia-atacante no Flamengo. A caminhada para o camisa cinco verde e amarelo na África do Sul foi longo. Primeiro, uma temporada regular pela Juventus, que acabou o emprestando para o Galatasaray. Na Turquia, o pitbull voltou ao protagonismo.

Vestindo a dez, Felipe Melo marcou 12 vezes na Superlig Turca e ajudou aos leões na conquista do título, que não vinha há três temporadas. Ninguém duvida da qualidade do volante. Além de marcar bem, ele chuta bem e tem ótima visão de jogo, qualidade adquirida na época em que jogava mais avançado. Porém a cabeça sempre se mostrou como um ponto fraco. A inconstância psicológica o atrapalhou na Juventus e na Copa de 2010.  Porém a boa notícia nesta questão também vem da Turquia: no campeonato, 13 cartões amarelos, bons números para um volante e somado a isso nenhuma expulsão.

A melhora do comportamento tem justificativa, o jogador admite os problemas, “meu problema não é técnico, qualidade eu tenho, meu problema é psicológico”. Por isso, hoje ele tem acompanhamento psicológico e melhorou. Este é outro argumento que fortalece a cobrança por uma nova chance para Felipe Melo.

Fernando Reges, volante, 24 anos (Porto-POR)

Fernando ergue a Liga Europa 2010-11 pelo Porto e não se esquece do Brasil. Pelos azuis e brancos já são nove títulos. (Getty Images)

Na ausência de grandes revelações brasileiras nos últimos anos na Europa, Fernando foi uma das maiores surpresas verde e amarela nas últimas duas temporadas. Campeão Sul-Americano Sub-20, em 2007, logo foi vendido para o Porto, mas foi se destacar mesmo em Portugal a partir de 2010-11. Forte e com uma boa estatura, atua muito bem como primeiro volante.

Fernando é o legítimo camisa cinco e é fundamental à engrenagem portista. No 4-3-3, o brasileiro é o primeiro protetor da defesa, já que os azuis e brancos atuam com jogadores mais ofensivos ao seu lado no meio-campo. Em 2010-11, eram Guarín e Moutinho, agora, Moutinho e Lucho González. O camisa 25 do Porto também executa bem o primeiro passe e ajuda muito na saída de bola.

Na Seleção, Fernando seria uma alternativa para Lucas Leiva e Sandro, que são os preferidos de Mano na função de primeiro volante e já se machucaram muito na trajetória do treinador gaúcho à frente do Brasil. Vestindo a camisa verde e amarela, talvez o goiano conseguisse trabalhar melhor uma de suas características: o chute potente de fora da área. No clube, há pouco espaço para os seus avanços e, por isso, os gols são raros – ele tem apenas um oficialmente pelo Porto.

Outros nomes:

Quando citei os meus injustiçados, me lembraram no twitter outros nomes, posto àqueles que concordo que mereciam uma chance aqui. Atur Moraes, goleiro, 31 anos (Benfica-POR) e Fábio, goleiro, 31 anos (Cruzeiro-BRA). Os dois são goleiros, tendo em vista a inconstância apresentada pelos convocados de Mano, eles poderiam ser testados sob a baliza verde e amarela.

sábado, 14 de maio de 2011

O primeiro título do Lille, em 2010-11

 O Lille é campeão da Copa da França, 56 anos após o seu último título de primeira divisão (L'Equipe)

O Lille venceu hoje o PSG e se sagrou campeão da Copa da França. A disputa foi tensa e teve como palco, o Stade de France lotado. Um dos ilustres presentes era: Youri Djorkaeff, que em 1998 esteve no mesmo estádio e levantou a Copa do Mundo, contra o Brasil.

As duas equipes entraram com a força máxima. Rudi Garcia colocou os dogues no 4-1-4-1 já tradicional, onde os externos Gervinho e Hazard têm grande liberdade para encostar no centroavante Sow – artilheiro da Ligue 1, com 21 gols. Do outro lado, Antoine Kombouaré armou o PSG no 4-2-3-1, que também tinha como destaque os jogadores mais abertos: Nenê à esquerda e Giuly à direita.

O brasileiro e camisa dez dos parisienses era o mais ativo no time da capital francesa. Nenê procurou o jogo nos dois lados do campo e muitas vezes, recuou para ajudar na recuperação. Mas, foi em um lance dele, que o Lille – melhor na partida – quase abriu o placar. Ele foi cercado por quatro adversários, perdeu a bola, que deu início a um contra-ataque quase mortal. Gervinho levou a bola com muita velocidade pelo flanco esquerdo e Hazard o acompanhava no meio, mas na hora do passe, o marfinense falhou e o camisa 26 não recebeu livre dentro da área.

O lado direito da defesa parisiense era castigado pelo LOSC, que normalmente tinha Hazard por ali, mas não era incomum ver Gervinho também caindo por esse setor. Mesmo com melhor volume de jogo, os dogues não conseguiram sair na frente dos atuais campeões da Copa da França.

O jogo era bom, mas faltavam chances claras de gol. Elas vieram no segundo tempo, onde os dois lados poderiam ter tirado o zero do placar. Giuly chegou a fazer boa jogada pela direita, mas Hoarau falhou na hora de finalizar. Nenê apagado na parte final do jogo, também atrapalhou as ambições parisienses.

Rudi Garcia ousou e sacou o meia-central Gueye e colocou em campo o centroavante Túlio de Melo, visando ter mais uma referência ofensiva. Mas, a mexida que deu resultado foi a entrada do polônes Obraniak. Pois quando o jogo já caminhava para a prorrogação, o camisa dez teve um “mini-escanteio” pela direita e cobrou direto pro gol. O arremate surpreendeu Coupet, que nem foi na bola e viu, aos 88 minutos, o Lille abrir e, praticamente, definir o placar e a conquista. O goleiro dos parisienses apareceu novamente. Logo depois do 1 a 0, ele cometeu penal em Gervinho, mas agarou a cobrança de Debuchy.

Dessa forma, o Lille é campeão depois de 56 anos sem título. A última conquista também havia sido a Copa da França, em 1955. Agora os dogues vão em busca do título da Ligue 1, que lhes garantiria o segundo doblete de sua história. O primiero ocorreu em 1946, ano do primeiro título do Campeonato Francês.

A conquista da Ligue 1 está próxima e pode vir já na próxima rodada, para isso ocorrer, a equipe tem que vencer e torcer para uma derrota do segundo colocado, Olympique Marseille. Com todo o sucesso alcançando este ano, é provável que Hazard e Gervinho, jovens e protagonistas do título do LOSC, sejam vistos em clubes maiores na temporada 2010-11.

Filipe Papini, amigo e especialista em futebol francês, alerta que o presidente Michel Seydoux não pode repetir Jean-Michel Aulas, presidente do Lyon. O cartola dos gones vende bem os atletas, mas não pensa nas peças de reposição e assim derruba o nível técnico do time. Papini também destaca a perda do zagueiro Rami, que desde janeiro é do Valencia e segue por empréstimo no Lille até o final da temporada. Sem ele, o amigo considera que o campeão da Copa da França já perdeu um dos seus pilares.

Abraço a todos