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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Prévia da Premier League 2014-15

O milionário Manchester City ganhou a Premier League 2013-14 e, para esta temporada, vem ainda mais forte (Getty Images)

A principal liga de futebol do mundo, a English Premier League começa no próximo final de semana e promete ser ainda mais interessante que a temporada anterior. Por isso, neste espaço, faremos uma prévia tática dos cinco principais candidatos ao título, que trazem coisas novas para a disputa de 2014-15. As possibilidades de Manchester City (1°), Liverpool (2°), Chelsea (3°), Arsenal (4°) e Manchester United (7°) serão apresentadas aqui, na ordem inversa à classificação da última temporada. 

Manchester United 

Depois do péssimo desempenho sob a batuta de David Moyes, o Manchester United entra com algumas novidade interessantes para a temporada, se desprendendo do estilo Alex Ferguson. A principal delas está no banco de reservas, o melhor técnico da Copa de 2014, Louis van Gaal. Com o holandês, os red devils devem emular o sistema da oranje no Mundial, um 3-4-1-2, com muita liberdade para o trio ofensivo. No mesmo esquema, Van Persie rendeu bem pelo seu país; Rooney costuma atuar melhor quando joga mais solto; e, desde que chegou à Inglaterra, Mata tem mostrado o máximo, quando é escalado pelo centro. Portanto, para o trio ofensivo, a mudança aparenta trazer apenas benefícios.

Manchester United - Van Gaal 2014-15 - Football tactics and formations
   
Outro setor que chama a atenção no novo desenho do United são as alas, em que devem jogar Valência pela direita e o recém-contratado Shaw pela esquerda. Dois jogadores de boa chegada e que, com a proteção de três zagueiros, deverão aparecer bastante na fase ofensiva do jogo. O equatoriano foi testado na função durante a pré-temporada e trouxe variação aos red devils, pois, com as subidas dele, muitas vezes o time ficou no 4-2-3-1, com Rooney jogando um pouco mais aberto. Mas é sempre bom lembrar que, com Ferguson, Valencia foi utilizado como lateral em linha de quatro, portanto, se adaptar na ala (principalmente, nas questões defensivas) não será tão difícil. Mesmo assim, o elenco do United dá a possibilidade de usar Rafael, lateral de origem, na função - opção mais defensiva. 

Ander Herrera terá papel central no novo Manchester United de Louis van Gaal (Manchester United)

Quem terá papel central no jogo dos red devils é o novo contratado Ander Herrera, que era alvo desde a temporada passada e chegou por 36 M €. O basco será o responsável pela saída de bola do time, alternando passes curtos e longos, e dando dinâmica à meia-cancha da equipe. A dúvida fica por conta de seu acompanhante no centro do campo, o sonho do United é Vidal, mas, por enquanto, a realidade é Carrick ou Fletcher, dois jogadores que não estão nos melhores momentos da carreira. 

Para completar, o grande problema da equipe, a defesa, que, até por isso, pode ser muito beneficiada do esquema. Pois, com três zagueiros e quatro meias, a proteção ao bom goleiro De Gea deve melhorar. Mesmo assim, com as saídas de Ferdinand e Vidic, que já não estavam no melhor nível, Van Gaal sentirá falta de um zagueiro mais experiente para liderar o novo sistema defensivo. Como o mercado ainda está aberto, há a expectativa que o Manchester United ainda possa trazer este jogador, que não existe no plantel.

Arsenal  

Nove anos depois, o Arsenal voltou a ser campeão da FA Cup e começou esta temporada com a conquista da Community Shield. Além disso, reforçou o elenco e só perdeu jogadores que não eram centrais ao time, ao contrário do que havia ocorrido em temporadas anteriores. Com mais de 77 M € investidos, Arsene Wenger surpreendeu e trouxe Alexis Sánchez, Calum Chambers, Mathieu Debuchy e David Ospina.  

Mas não foi apenas ao abrir o bolso que o técnico francês surpreendeu. Na Supercopa da Inglaterra, o 3 a 0 foi conquistado com um esquema diferente do 4-2-3-1 habitual do comandante. Wenger escalou a equipe no 4-1-4-1 e os jogadores responderam mostrando àquilo que o técnico queria: contra-ataques velozes, troca de passes e a boa chegada dos dois meias-centrais, Wilshere e Ramsey à área. Alexis Sánchez estreou muito bem pela ponta-direita e fez parceria interessante com o novo lateral-direito gunner, Debuchy. Por conta de bom desempenho pelo lado e porque Groud, mais uma vez, marcou, a possibilidade de utilizar o chileno como centroavante deve ser deixada de lado como plano inicial da temporada.  

 Arsenal - Football tactics and formations  

A boa atuação dos gunners não traz apenas soluções ao técnico Arsene Wenger, pois o 3 a 0 foi construído sem a presença da contratação mais cara da história do clube, Özil e com bom atuação do substituto, Santi Cazorla. Apesar disso, a Copa do Mundo traz alento ao treinador, pois, no Mundial, o camisa onze do Arsenal atuou bem partindo ponta-esquerda, justamente o espaço que o espanhol ocupou bem na primeira partida oficial da temporada. Mesmo sem jogar no posicionamento habitual, pelo centro, Özil mostrou que pode ser relevante jogando aberto. Se Santi Cazorla aceitar o banco de reservas, o problema que Wenger teria, pode se tornar uma ótima alternativa de jogo. O espanhol entrando durante as partidas pode mudar esquema, formando um 4-2-3-1, por exemplo, ou, em ausências de Özil, ser ótimo dublê do camisa onze alemão.  

Com o setor ofensivo bem definido, o foco do Arsenal neste final de mercado de transferências deve ser a defesa. No 4-1-4-1, Arteta, que foi recentemente convertido como capitão da equipe, deverá ser o volante mais fixo. O movimento de entregar a faixa ao espanhol mostra a confiança do técnico na situação física dele (uma grande dúvida antes do início de 2014-15), por isso, com o apoio de Ramsey e Wilshere deve dar segurança à defesa. A dupla de zaga deverá ser composta por Mertesacker e Koscielny, porém há a necessidade da contratação de um zagueiro para ser o reserva imediato da dupla, apesar de que Nacho Monreal e Chambers têm condições de atuarem por aquele setor.

Chelsea  

Nas últimas temporadas, independentemente do time que assumia, Mourinho colocava em prática um 4-2-3-1. O técnico luso ficou conhecido e consagrado como um dos grandes executores do sistema da moda. Porém, na primeira passagem pelo Chelsea, o Special One utilizava um 4-3-3, com Makelele mais fixo e Essien e, principalmente, Lampard com mais liberdade para chegar ao trio ofensivo.  

As contratações realizadas por Roman Abramovich permitem que o técnico luso volte ao esquema utilizado na temporada 2004-05. De qualquer forma, o elenco segue permitindo que os blues sejam escalados no 4-2-3-1, sem grandes mudanças nos onze iniciais de 2013-14. Uma dupla de volantes com Matic e Fàbregas, com Willian, Oscar e Hazard à frente não seria ruim e pode ser bastante viável para o decorrer da temporada. Mas, desde o início, imagino José Mourinho tentando colocar o 4-3-3 em ação.
  
Chelsea - Football tactics and formationsChelsea - Football tactics and formations  


No 4-3-3, Oscar perderia a vaga no time titular, mas os blues ganhariam defensivamente com a presença de três volantes no meio. O trio formado por Matic, Ramires e Fàbregas tem as características muito valorizadas atualmente: todos sabem marcar e atacar. O espanhol é bom passador e um perigo próximo à área, Ramires traz infiltrações e velocidade e Matic, o melhor marcador do trio, é muito forte, tem bom primeiro passe e alguma habilidade. Além do bom triângulo no meio, o 4-3-3 daria liberdade para Willian e Hazard ficarem mais focados na fase ofensiva do jogo, ao lado do centroavante Diego Costa. O recém-contratado agrega bastante ao elenco blue e deve garantir gols.  

A defesa, que já não preocupava, ainda ganhou um bom reforço na lateral-esquerda, posição que o elenco era mais frágil. Filipe Luís deve garantir boa marcação e interessantes avanços pelo flanco, uma eventual dobradinha pelo setor com Hazard promete incomodar os adversários. O restante da retaguarda deve contar com a boa dupla Terry e Cahill no centro e Azpilicueta na direita, mas, se Mourinho quiser mais proteção, Ivanovic pode assumir a lateral-direita. Na meta, a dúvida entre Cech e Courtois deve seguir nos primeiro jogos e será decidida de acordo com o desempenho dentro das quatro linhas.

Liverpool  

Em 2013-14, o ótimo técnico Brendan Rodgers mostrou toda a sua capacidade e, ao longo da temporada, foi rascunhando o time ideal do Liverpool. A partir de um momento, não existiu mais dúvida, o melhor dos reds seria encontrado ou no 4-1-4-1 (4-3-3), com Gerrard mais recuado e Suárez partindo da ponta-esquerda, ou no 4-3-1-2, com Sterling sendo o um atrás da infernal dupla composta pelo uruguaio e Sturridge.  

Tendo em vista as contratações e a pré-temporada, Brendan Rodgers deve apostar no 4-1-4-1, com desenho bastante similar ao que deu certo em 2013-14. A enorme ausência de Suárez deve fazer Sterling ocupar a ponta-esquerda e, no outro lado, disputa aberta entre dois recém-contratados, Markovic e Lallana. O primeiro deve começar a temporada como titular, pois o inglês iniciará a trajetória no novo clube lesionado. No centro do ataque, Sturridge, que já teve bom rendimento de gols na última temporada, terá que elevar esta marca, pois o artilheiro do Liverpool não faz mais parte do elenco.  

Liverpool - Football tactics and formations  

Neste esquema, Coutinho deve atuar como meia-central e terá papel fundamental à estratégia do técnico norte-irlandês. Mesmo não jogando como meia-atacante, o brasileiro deve ser o principal armador da equipe e terá bastante liberdade para encostar no centroavante Sturridge. Além do camisa dez, o eterno capitão Gerrard também terá responsabilidade na armação, pois é dele que o primeiro passe deve sair. Além disso, o histórico número oito é o homem da proteção à linha defensiva.  

O sistema defensivo dos reds ganhou bons reforços. Na zaga, Lovren vem de boa temporada com o Southampton e chega para ser titular, muito provavelmente, ao lado de Sakho. Outro que chama a atenção é Alberto Moreno, que, após longa negociação, vem com a expectativa de ser o dono da lateral-esquerda, setor que deu algumas dores de cabeça ao técnico Brendan Rodgers.
 
Manchester City  

Campeão e mais reforçado, o Manchester City chega mais favorito à disputa da Premier League, mas, na verdade, quer mesmo ir mais longe na Liga dos Campeões. Os 65,5 M € foram investidos naquilo que o clube mais necessitava: um zagueiro para ser titular e um volante mais de marcação. O elenco, que já era muito bom, conseguiu ficar melhor e fornece mais variantes ao técnico Manuel Pellegrini, que colocou o City no patamar que o dinheiro investido exigia. O chileno fez isso jogando de forma simples, um 4-4-2.  

O esquema, que deu certo na temporada passada, deve ser repetido neste ano com Fernando Reges ou Fernandinho ao lado de Yaya Toure na volância e Jovetic, Dzeko ou Negredo fazendo a dupla ofensiva com Agüero. O 4-4-2 deu ao Manchester City o melhor ataque da EPL, com 102 gols, mas, em algumas partidas, principalmente, jogos grandes, o time pecou defensivamente, pois faltava um volante mais marcador. Fernando Reges traz esta alternativa ao técnico chileno, o que tiraria Fernandinho do time, que esteve muito bem em 2013-14.  

Manchester City - Football tactics and formations  

Porém, sacar Fernandinho pode não ser a melhor alternativa. Manuel Pellegrini pode colocar um esquema que chegou a testar, o 4-2-3-1. Com este outro desenho, os citzens teriam mais proteção à zaga, com Fernando Reges e Fernandinho na volância. Além disso, o Manchester City teria o seu principal jogador, Yaya Toure, com grande liberdade e ele voltaria a jogar em função que já exerceu com a camisa sky blue. O problema seria abrir mão de dois atacantes e ter só Agüero no ataque, tendo jogadores da qualidade de Jovetic, Dzeko e Negredo no elenco.

Manchester City - Football tactics and formations 

A grande evolução no time deve ser vista na defesa. Mangala vem do Porto e chega para formar uma dupla interessante com Kompany, que vem de uma temporada de altos e baixos. Com um defensor melhor ao seu lado, o belga deverá render melhor e voltar ao nível de 2012-13. Além do zagueiro portista, Sagna e Caballero chegaram e, ambos, podem pressionar os titulares, Zabaleta e Hart, que não são jogadores completamente constantes.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Um novo velho Nasri

Nasri renasceu no City com Manuel Pellegrini (PremierLeague.com)

O Manchester City mudou com Manuel Pellegrini, se tornou mais ofensivo, o 4-4-2 passou a ser a formação mais usada e Nasri recuperou o futebol de um jogador que um dia foi comprado por 27,5 M € pelos citzens do Arsenal em 2011-12. Meia-atacante, com bom passe, ótima visão de jogo e, ainda por cima, franco-argelino nascido em Marseille, a sina de “novo Zidane” acompanha a trajetória do marselhês.

O mais próximo disso que Nasri viveu foi no terceiro ano de Arsenal, em 2010-11. O franco-argelino havia se tornado o melhor meio-campista da equipe, quando assumiu a armação central no 4-2-3-1 de Wenger, pois o dono da posição, Fàbregas, teve uma temporada com muitas lesões e, ainda, diversas vezes jogou mais atrás e não como meia-atacante. A temporada é aquela em que foi mais artilheiro, com 15 gols e, ainda, seis assistências – quatro na Liga dos Campeões. Porém, a falta de títulos que tirou tantos jogadores do Emirates Stadium nos últimos anos, fez com que o franco-argelino optasse por jogar no milionário Manchester City.

Na chegada aos citzens, o franco-argelino não foi o mesmo, jogando sob a batuta de Roberto Mancini. Apesar das nove assistências na Premier League 2011-12 e 31 partidas disputadas – 27 como titular –, Nasri não estava no mesmo nível que havia demonstrado no último ano nos gunners. Mas, o objetivo da mudança foi alcançado, o marselhês venceu o segundo título da trajetória futebolística – o primeiro foi a extinta Copa Intertoto no Olympique de Marseille, em 2005.

O ano mediano no título tornou Nasri mais um jogador do elenco sky blue e não um dos principais membros da equipe. Com menos presença em campo, os números pioraram (cinco gols e nove assistência, em 41 partidas) e as convocações para seleção francesa também diminuíram. Seria o franco-argelino um foguete molhado – jogadores que prometem e não explodem? A resposta parece estar vindo em 2013-14. Com Manuel Pellegrini, Nasri começou no banco de Jesús Navas, mas logo ganhou espaço no time. O técnico chileno tem o 4-4-2 como principal esquema, mas eventualmente utiliza o 4-2-3-1. Jogando assim, o City tem campanha impecável dentro de casa, porém ainda deve fora de casa na Premier League, por isso, está a seis pontos do líder Arsenal e a dois do vice-líder Chelsea.

Porém, para o franco-argelino, não importa onde é o jogo e nem a formação tática, pois, neste ano, Nasri vai bem à direita, pelo centro e à esquerda. Desta forma, o camisa oito sky blue renasceu (cinco gols e seis assistências) e se destaca ao lado de Yaya Toure e Sergio Agüero na campanha dos citzens. Hoje, é mais importante que David Silva na equipe, algo impensado há uma temporada. “Eu penso que também sentimos um pouco a falta do espanhol, mas Nasri é inacreditável, um jogador incrível”, estas são as palavras do capitão Yaya Toure ao site ESPN FC.

O elogio vindo do marfinense mostra a força da temporada do franco-argelino e, na mesma entrevista já citada, Yaya Toure encontra uma explicação para os bons desempenhos: “Pellegrini permite que jogadores como ele possam atacar e aproveitar a liberdade, o que é fantástico para ele e para o clube”. Ter Nasri, em alto nível como nunca teve, ao lado do elenco que já mostra força nesta temporada, poderá ser o caminho para mais um título desta fase milionária do Manchester City. Com a liberdade que o camisa oito sky blue tem no esquema do técnico chileno, a parte dele nesta equação deverá ser cumprida.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Enfermedades Futboleras 4

Intensidade

 Agüero foi mais um dos destaques dos citzens na goleada sobre o Manchester United (Getty Images)

Há uma evidente mudança de postura do Manchester City, com a chegada de Manuel Pellegrini, o time mais defensivo de Roberto Mancini ficou para trás. O chileno transformou os citzens, que, agora, jogam mais no ataque e não seguram tanto a bola, pois, ao controlarem a posse dela, logo visam as finalizações. O retrato desta intensidade foi visto no dérbi de Manchester, no Etihad Stadium, que terminou com vitória dos donos da casa, por 4 a 1.

Logo após o primeiro gol dos Sky Blues, aos 17 minutos, os números refletiam o que era o jogo. Posse de bola, City 68% x 32% United, e, as finalizações, 8 a 0 para o City, sendo cinco chutes bloqueados, um no gol e dois para fora. Era um massacre, que só aumentou. Com cinco minutos da segunda etapa, os comandados de Pellegrini já tinham alcançado o 4 a 0. Era difícil apontar alguém jogando mal com a camisa sky blue, Yaya Toure e Fernandinho combinavam bem na volância, Negredo participava muito como centroavante, e, os três meias, Jesús Navas, Agüero (muitas vezes virava atacante) e Nasri também faziam ótima jornada. 

A vitória tranquila até ali, fez com que o City, naturalmente, diminuísse o ritmo alucinante imposto nos primeiros 50 minutos de partida. Por isso, o United entrou no jogo, melhorou, mas, em momento algum, ameaçou, de fato, a vitória tranquila dos donos da casa. Os red devils se aproximaram no número de finalizações e acabaram, com a desvantagem de 18 a 14, mas longe do intenso início sky blue. O esforço dos visitantes foi recompensado, com o golaço de falta de Rooney – o melhor do United – quase no final do jogo. 

David Moyes tenta repetir a receita vencedora de Ferguson, mexendo pouco no sistema de jogo e, quando o altera, muda dentro daquilo que o antecessor fazia: do 4-4-1-1 para o 4-2-3-1 e vice-versa. Neste domingo, ficou clara a dependência que o United tem na dupla Rooney e Van Persie, tanto para criar quanto para finalizar – problema que já existia com Fergie. Hoje, com a ausência do holandês, os red devils só tiveram o "Shrek", pois os wingers do time seguem sem serem constantes e a dupla de meias centrais também não funciona bem. Agora, o City é o terceiro, dois pontos atrás dos norte-londrinos, Arsenal e Tottenham. Enquanto o time de Moyes, fica em sétimo a cinco pontos dos dois líderes.

Arrasadora

 Milito comemora gol, em seu retorno aos gramados, na vitória, por 7 a 0, frente ao Sassuolo - (Inter.it)

A Inter vem se concretizando entre os primeiros colocados da Serie A 2013-14. Quem acompanha o blog já vem lendo sobre o desempenho dos nerazzurri sob o comando de Walter Mazzarri. Jogando sempre no 3-5-2, com o técnico e com a adição de Campagnaro à zaga, o time ganhou consistência defensiva (em quatro jogos, um gol sofrido), o que também possibilita liberdade à Jonathan e Nagatomo, que sem tanta responsabilidade para marcar, conseguem render muito bem ofensivamente.

Se a defesa vai bem, o ataque não fica devendo e foi o setor ofensivo que se destacou neste final de semana, frente ao Sassuolo. A Inter atropelou o clube recém-promovido da Serie B fora de casa, por incríveis 0 a 7. O bom rendimento do ataque teve como destaque Ricky Álvarez, jogador que evoluiu muito com Mazzarri, e a boa presença ofensiva dos laterais. A movimentação de Palacio no ataque também chamou a atenção. A volta de Milito ao time, após sete meses parado, animou, pois, em 35 minutos em campo, o argentino marcou duas vezes. Quem não repete as melhores atuações na Beneamata é Guarín.

O feito da Inter é muito impressionante, principalmente, quando confrontamos a vitória com os números apresentados por Alexis Martín-Tamayo, no Twitter, Mister Chip. A Inter não marcava sete gols ou mais desde 14/04/96, no 8 a 2, frente ao Padova. E uma vitória por sete gols de diferença não vinha desde 13/03/66, no 7 a 0, contra o Brescia.

O óbvio

O novo centroavante da Juventus, Llorente é um grande cabeceador, e o armador central do Arsenal, Özil cria chances de gols como poucos no futebol mundial.  O alemão chegou nesta temporada e foi titular em todas as partidas desde que chegou. Com isso, o camisa 11 gunner tem três assistências, em três jogos – duas delas, neste domingo, frente ao Stoke.

Por outro lado, o centroavante basco ainda não havia tido chances de jogar desde o início pelos bianconeri, porém, neste domingo, foi titular frente ao Hellas Verona. Jogou 69 minutos, finalizou quatros vezes (as quatro na baliza adversária), e marcou o gol da vitória, por 2 a 1, dos atuais bicampeões. O gol veio, de cabeça, após cruzamento de Vidal (sempre ele!).

Massacrado

Vermeer aparece na foto fazendo uma defesa, porém, a atuação, no início desta temporada, é bastante discutível (Voetbal International) 

Haviam dois objetivos claros no início da temporada para o Ajax: conseguir, ao menos, passar da primeira fase na Liga dos Campeões, e alcançar o tetracampeonato, que, a última vez que veio na Holanda, foi do grande rival PSV (2004-05, 2005-06, 2006-07 e 2007-08). Os atuais tricampeões dominaram a Eredivisie recentemente com, praticamente, o mesmo elenco, com perdas e reposições pontuais. 

Porém, neste ano, o ritmo mudou e os Godenzonen perderam dois dos principais jogadores do elenco. O maestro do meio-campo, Eriksen, e o zagueiro capitão, Alderweireld deixaram Amsterdan, mas a reposição não foi do mesmo nível. O resultado é um time sem muita experiência e menos qualidade. Por isso, o Ajax é, hoje, o sétimo – próximo aos líderes, é verdade – na Eredivisie e tem três vitórias, dois empates e duas derrotas. Sem vencer fora de casa, neste domingo, o Ajax visitou o grande rival, PSV. O resultado foi decepcionante, apesar do bom primeiro tempo, os visitantes sucumbiram na segunda etapa e acabaram massacrados, por 4 a 0, com gols marcado em 15 minutos. 

O que acentua o ponto negativo da derrota é que os vermelhos e brancos, mesmo em ano de centenário, também não têm um grande time, portanto, a derrota é muito dura – ver o rival em primeiro na tabela e já com quatro pontos de vantagem também machuca.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Intenso e mortal

O Manchester City foi o último favorito ao título da Premier League a estrear em 2013-14. A espera para ver o time sob o novo comando de Manuel Pellegrini valeu, pois os Citizens largaram muito bem e fizeram o maior placar da abertura do Inglês, com um 4a 0 para ninguém colocar defeito.
 
(Clique na imagem para ampliar)
 
O técnico chileno estreou montando o time em um 4-4-2, com Jesús Navas (buscando mais a linha de fundo) e David Silva (muitas vezes, centralizando o jogo) pelas pontas e a dupla Agüero e Dzeko se movimentando muito na frente. Do outro lado, Alan Pardew optou pelo mesmo esquema, mas com a postura mais defensiva. Quando os Magpies ficavam sem a bola, o atacante Gouffran recuava para colaborar com a marcação, deixando apenas o sumido Pappis Cissé no ataque – recebeu 37 passes, apenas dois deles no último terço do campo.
 
A intensidade dos Sky Blues chamou a atenção desde o apito inicial, com os quatro meio-campistas chegando bem no ataque e com Zabaleta apoiando bastante também. Com seis minutos, Silva abriu o placar, aproveitando rebote de cruzamento de Dzeko, muito ativo durante todo o jogo. A pressão na saída de bola e a postura bem ofensiva chamavam a atenção. O segundo gol veio com um desarme de Kompany, que passou para o campo de ataque, onde o bósnio desviou de calcanhar e Agüero bateu o defensor para chutar no canto de Krul.
 
A expulsão de Taylor no final da primeira metade da partida fez o Newcastle se fechar no 4-4-1, com Papiss Cissé buscando dar opção nas duas pontas, mas o centroavante dos Magpies seguiu sendo pouco acionado. O volume de jogo do City aumentou, pois teve as linhas avançadas, volantes atacando mais e os dois laterais passaram a aparecer no ataque – Clichy não subia no primeiro tempo. Yaya Touré logo fez o terceiro da partida, em cobrança milimétrica de falta, sem chances para Krul, que fez uma boa exibição.
 
 (Clique na imagem para ampliar)
 
Com o jogo definido, os Citzens tiraram um pouco o pé e Pellegrini mudou a forma de jogar: sacou Agüero e colocou Nasri, fazendo a equipe adotar o 4-2-3-1, esquema tão utilizado na era Mancini no clube. Desta forma, o City chegou ao 4 a 0. Zabaleta tocou da linha média, Dzeko abriu as pernas, Nasri ganhou na corrida de Debuchy e marcou. Negredo ainda faria o quinto, porém o gol posteriormente foi anulado.
 
A grande dupla de volantes: Yaya Touré e Fernandinho
 
Na pré-temporada, a contratação de Fernandinho junto ao Shakhtar Donetsk, por 40 M €, chamou a atenção e fez com que o mundo do futebol ficasse ansioso para ver como seria a parceria com Yaya Touré. Ambos marcam bem e têm boa chegada ao ataque, mas têm diferenças: o brasileiro é mais veloz e o marfinense é mais forte, ou seja, a dupla da volância sky blue é completa.
 
 Setas azuis são passes certos, vermelhas passes errados e a cruz amarela são as bolas recuperadas (FourFourTwo Stats Zone)
 
A estreia mostrou como deve funcionar a dupla. O camisa 42, que chegou a atuar como meia-atacante no clube, ficou mais preso neste jogo. Na primeira etapa, quando as equipes tiveram 11 jogadores em campo, o marfinense até apareceu no ataque, mas focou sua atuação na faixa central do campo e, muitas vezes, facilitou a saída de bola, recuando para ajudar os zagueiros (imagem).
 
 (FourFourTwo Stats Zone)
 
Enquanto isso, Fernandinho apareceu, principalmente, da faixa central para o ataque (imagem) dos citzens. A tendência é de que o posicionamento de ambos fique desta forma. Porém, a alternância natural da dupla, com chegadas do marfinense no setor ofensivo também irá ocorrer. No segundo tempo, com um jogador a mais, a presença dos volantes (e, no geral, de todo o time do City) foi ainda mais forte no ataque.
 
Depois de uma temporada decepcionante, com eliminação na primeira fase da Liga dos Campeões, derrota para o rebaixado Wigan na final da FA Cup e o vice-campeonato inglês com 11 pontos de desvantagem para o rival Manchester United algumas mudanças importantes foram realizadas. Os citzens mudaram o comando técnico e investiram 111 milhões de euros nas ótimas contratações de Fernandinho, Jovetic, Jesús Navas e Negredo.
 
Com as aquisições, o elenco se torna o melhor da Premier League e, pela impressão deixada na primeira partida, Manuel Pellegrini dá sinais que fará o City brigar por títulos, inclusive em âmbito europeu.
 
Post originalmente publicado na coluna de análise táticas, do site Premier League Brasil, também mantida por este blogueiro.