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sábado, 28 de junho de 2014

Copa do Mundo – Dia 17

Sobreviveu 

 Júlio César pegou dois pênaltis e se transformou no heroi brasileiro das oitavas de final (Ian Walton/Getty Images)

O que todos esperavam ocorreu. O Brasil mudou os onze iniciais e Paulinho foi para o banco, dando lugar para Fernandinho no meio-campo. Parecia o caminho ideal para vencer a marcação pressão do 3-1-4-2 chileno. Mas, na prática, não foi assim. O londrinense jogou abaixo, Oscar e os laterais não colaboraram com a saída de bola e Fred ou Jô não foram o centroavante necessário para o bom funcionamento do 4-2-3-1 de Luiz Felipe Scolari. 

O Brasil não tinha jogo, a bola ficava com o Chile (sem chegar ao gol defendido por Júlio César) e, eventualmente, os verde e amarelos conseguiam algo no contra-ataque. Mas faltava a finalização. Neymar estava apagado e, às vezes, trocava o chute por continuar conduzindo a bola. Se os canarinhos não conseguiram superar a pressão roja, outro ponto muito falado durante a semana ocorreu. Na bola aérea, a maior altura brasileira fez diferença. No primeiro poste, Thiago ganhou de dois rivais e, no segundo pau, David Luiz fez o primeiro do jogo e o primeiro dele pela seleção.

Como dito acima, o Brasil não superou a pressão adversária. Em lance assim, o Chile empatou em erro conjunto de Marcelo e Hulk. Vargas recuperou e tocou para Alexis Sánchez dominar e marcar. O 1 a 1 foi capaz de confirmar o melhor momento do jogo chileno, mas seguia faltando a chegada e, através da individualidade, o Brasil conseguia ser mais perigoso. No segundo tempo, o domínio da Roja aumentou e, defensivamente, liderada pelo baleado Medel, não havia sofrimento.

Felipão fez mexidas, mas nenhuma delas deu resultado e, se não fosse Júlio César, o Brasil teria sido eliminado no tempo normal. Neste momento, o comentarista da ESPN, Paulo Vinicius Coelho cunhou a frase que definiu a partida: “O Brasil perdeu o jogo, agora é ver se vai ganhar a vaga”. Se faltavam jogadas e inspiração, Hulk, que havia falhado no gol de empate, brigava muito e, desta forma, quase conseguiu decidir o jogo para os Samba Boys, algo que parecia improvável.

Fisicamente, os canarinhos se mostravam melhores, portanto, a prorrogação poderia trazer coisas boas. Mais uma vez, a teoria não se comprovou na prática. Neymar não conseguia fazer a jogada de desequilíbrio. A partida, facilmente confundida com um teste para cardíacos, parecia fadada a chegar na prorrogação. Faltou pouquíssimo para não chegar. Pinilla virou uma bola na entrada da área e acertou o travessão.

Apesar de não jogar bem, o Brasil havia conseguido sobreviver aos 120 minutos de bola rolando, seria capaz de resistir às cobranças de pênaltis? O criticado e maior ponto de interrogação da seleção, Júlio César chorou antes da disputa, mostrando a emotividade característica. Porém, na hora que tinha que aparecer, mostrando frieza, o camisa 12 esteve lá. O goleiro brasileiro pegou duas cobranças e contou com a trave, para liderar a vitória brasileira por 3 a 2. Ao final, novamente, teve choro, mas, desta vez, as lágrimas expressavam alívio e alegria.

Sem alegria e sem bom futebol, os Samba Boys passaram às quartas de final, deixando para trás um Chile fortíssimo e muito aplicado, fruto de um trabalho espetacular de Jorge Sampaoli. A partida mostrou os problemas brasileiros, como a reincidência da falta de saída por baixo, os problemas dos centroavantes convocados e Daniel Alves sempre deixando espaço para os rivais jogarem. Além de superar estes desafios, para as quartas de final, o Brasil precisará conseguir jogar bem sem o suspenso Luiz Gustavo, um dos melhores jogadores da seleção, no Mundial.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Copa do Mundo – Dia 16

Intensidade e altura

Neymar é um dos artilheiros da Copa, com quatro gols, e vai liderando o Brasil (Matthew Lewis/Getty Images)

Escrever mais sobre a melhor exibição do Brasil, na Copa do Mundo, não é necessário, por isso, ousarei prever o próximo passo da seleção. O confronto contra o Chile promete ser muito interessante. Apesar deste Mundial ser tão bom exatamente por ser imprevisível, não há como imaginar uma partida fácil para nenhuma das duas equipes e, sim, um duelo aberto recheado de aspectos muito interessantes. 

O Chile se caracterizou nesta Copa por estar conseguindo se adaptar ao estilo de jogo, que o adversário lhe propõe. Na estreia, a adversária foi a Austrália, uma equipe mais defensiva. Portanto, Sampaoli jogou no 4-3-1-2, com Valdívia muitas vezes se unindo à dupla de atacantes, composta pelos móveis Alexis Sánchez e Eduardo Vargas. Além disso, o trio de meias tem Aránguiz e Vidal buscando mais o ataque, enquanto, Marcelo Diáz (o segundo jogador que mais correu no Mundial, 36,7 km) faz o balanço defensivo, quase funcionando como terceiro zagueiro. A formação do trio atrás dá liberdade aos dois laterais, Isla à direita e Mena à esquerda. 

Ter estreado no Mundial com um esquema, que não é o habitual da Roja, mostra como Sampaoli tem o grupo na mão. Para bater a Espanha e também contra a Holanda, o sistema com três zagueiros de início voltou a imperar – deve ser a escolha para enfrentar o Brasil. O 3-1-4-2 faz parte do repertório chileno há muito tempo, pois Marcelo Bielsa usava o esquema como variação do seu preferido 3-3-1-3. Além do trio atrás, o Chile de Sampaoli tem outros elementos clássicos do jogo de El Loco: a pressão na saída de bola adversária, troca de passes (top cinco no ranking de passes completados) e estilo ofensivo.

 Chile - Football tactics and formations

Não por acaso, a primeira característica que citei foi a pressão na saída de bola. Pois esta alternativa também é uma das principais da equipe brasileira e, frente aos camaroneses, foi responsável por dois gols verde e amarelos. Portanto, devemos ver um duelo insano na saída de bola. Até aqui, quem está vencendo, é o Chile, que, com os laterais e boa participação dos meias, tem conseguido sucesso na proposição de jogo. Os Samba Boys sofrem neste quesito e, contra a Roja, devem sofrer ainda mais, afinal, o adversário tem a marcação pressão como ponto forte.

O problema brasileiro na saída de bola vem desde o primeiro jogo da Copa e até dos amistosos. As fracas atuações de Paulinho e dos laterais, que são fundamentais para a construção dos ataques desde o campo defensivo, são os pontos centrais para o entendimento do problema crônico verde e amarelo. As saídas têm sido realizadas ou em lançamentos dos zagueiros e Luiz Gustavo ou em contribuições inconstantes de Neymar (o craque tem aparecido melhor no ataque), Oscar e Hulk, o que é pouco. 

 Fernandinho entrou contra Camarões e mostrou um nível de futebol altissímo, o que deverá fazê-lo titular contra o Chile (Buda Mendes/Getty Images)

Olhando o perfil do rival e a ótima participação de Fernandinho, contra Camarões, a mudança do 2° volante se mostra como fundamental e alternativa mais clara para enfrentar os chilenos. No meio tempo em que ficou em campo, o camisa cinco se mostrou à vontade para participar desta saída de bola. Talvez, com a entrada dele, não só a saída pelo centro melhore e, pelos lados, também evolua, com melhor inclusão de Daniel Alves e Marcelo nesta dinâmica. 

A falta de estatura chilena, compensada por muita velocidade, não traz orgulho e causa preocupação, afinal é a menor altura média da Copa (1,76m). Antes do Mundial, um dos três zagueiros, Jara, de 1,78m, explicou a questão: “Esse assunto já é velho, já foi falado demais. Não temos defensores tão altos como antes, é verdade. Mas lidamos bem com isto”. Este é um caminho que pode ser explorado pelos brasileiros, pois os Samba Boys têm jogadores altos e uma média bem superior aos chilenos (1,81m). 

Como dito por Jara, a falta de altura é um problema maior na defesa. Afinal, além do jogador de 1,78m estão Silva, de 1,78m e Medel, 1,72m. Outro nome que, por muitas vezes, compõe a defesa é o 1° volante Marcelo Diáz, de 1,67m. Os verde e amarelos deverão ter dentro da área o centroavante Fred, que tem 1,85m, proporcionando uma clara vantagem para o jogo aéreo do nove brasileiro, que tem os cabeceios como uma das armas para marcar. Nos escanteios e faltas laterais, normalmente, bem cobrados por Neymar, os canarinhos devem ter Luiz Gustavo (1,87m), David Luiz (1,89m) e Thiago Silva (1,83m) dentro da área. Mesmo que a defesa roja receba apoio de jogadores mais ofensivos, entre os onze iniciais, apenas Vidal alcança a marca do 1,80m, portanto, a superioridade de altura seguiria. 

Portanto, explorar a bola alta pode ser uma saída bem interessante para o Brasil. Mas não há como fazer dela a única alternativa, pois, nos últimos jogos, como já dito acima, a seleção sofreu bastante com a falta de saída de bola pelo chão. Por isso, mesmo jogando contra La Roja, que dificultará o início das jogadas, os Samba Boys devem alternar o jogo aéreo e longo com os passes curtos e rasteiros. Para isso ocorrer, a entrada de Fernandinho como titular parece quase obrigatória, pois, em 45 minutos, contra Camarões, o londrinense trouxe àquilo que é cobrado. Porém, além disso, Oscar terá que participar mais dessa saída de bola e contar com apoio dos laterais neste trabalho, conseguindo dar a alternância ao jogo verde e amarelo, fundamental para a vitória contra a boa seleção chilena.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Copa do Mundo – Dia 6

Solução no banco

 
 Mertens foi um dos reservas que entrou bem e colaborou com a virada, fazendo o gol decisivo da partida (AP Photo)

Marc Wilmots escalou a Bélgica no tradicional 4-1-4-1. Witsel mais atrás, De Bruyne à direita, Dembele e Chadli no meio e Hazard à esquerda. A escolha mais questionável – e menos habitual – foi a escalação da dupla do Tottenham pelo centro do meio-campo, para deixar um batalhão de jogadores em melhor fase fora da partida. Focado na marcação, Vahid Halilhodzic escalou o time no 4-2-3-1, em que os três meias – Feghouli, Taider e Mahrez – ajudavam na recomposição defensiva. 

Com a boa barreira defensiva montada pelas Raposas do Deserto, a Bélgica precisaria se movimentar para conseguir penetrar e ter chances de finalizar, o que não ocorreu no início. Portanto, o jogo ia da forma planejada pelos argelinos. As coisas ficaram ainda melhores quando Vertoghen fez um pênalti muito infantil em Feghouli. O camisa dez da Argélia bateu e abriu o placar, para fechar ainda mais o time. Com isso, os Diabos Vermelhos começaram a tentar de outras formas, principalmente com o 1° volante Witsel tentando aparecer para finalizar da entrada da área. Apagado no início, Hazard tentou duas boas jogadas no lado esquerdo, mas faltou colaboração dos companheiros. 

No segundo tempo, Wilmots foi consertar os erros na escalação. Sacou Chadli e colocou Mertens, que foi jogar na ponta direita, e De Bruyne foi para o centro. Depois sacou o apagado Lukaku e colocou o jovem Origi. Por fim, aos 20 minutos, Fellaini entrou no lugar de Dembele. Com as substituições, os Diabos Vermelhos melhoraram e a movimentação, que estava ausente anteriormente, começou a aparecer. Mertens foi problema constante para o lado esquerdo argelino. Além disso, De Bruyne pelo centro, com liberdade para aparecer nos flancos, melhorou muito o rendimento. 

O jogador do Wolfsburg participou decisivamente da virada belga. Primeiro, cruzou para Fellaini, de cabeça, empatar. A entrada do jogador do United ajudou demais, pois os Diabos Vermelhos passaram a ter presença constante dentro da área e uma ótima opção no jogo aéreo. A segunda participação de De Bruyne foi com a roubada, que iniciou o contra-ataque. No final, Hazard assistiu e Mertens marcou um belo gol. O 2 a 1 deu mais moral aos belgas, que estiveram próximo de alcançar o terceiro gol, enquanto, os argelinos não assustaram mais. 

A estreia passou muito perto de ser a mais frustrante de todos, por conta do ótimo desempenho defensivo das Raposas do Deserto. Porém, ao perceber os erros na escalação, Wilmots conseguiu arrumar com as mexidas e mostrou que o time belga merece respeito. Os argelinos também provaram que serão adversários duros no grupo H e têm chances de alcançar a segunda fase.

Decepção e um herói 

 Ochoa foi um gigante contra o Brasil, mas isso não significa que os canarinhos jogaram bem (AP Photo/Themba Hadebe)

Fortaleza recebeu uma festa. No mesmo local que o hino a capela se tornou tradição, o Castelão, veio a primeira grande decepção brasileira na Copa do Mundo. Nas arquibancadas, maioria amarela, mas haviam grandes manchas verdes. Sim, os mexicanos invadiram o Nordeste e equilibraram o jogo fora das quatro linhas também. A quase igualdade fora da cancha foi para o campo. 

Em nenhum momento, o Brasil jogou bem no Castelão, porém, no início da partida, deu impressão de que poderia vencer, pois o México não se apresentava muito bem ofensivamente, apesar de marcar bem os canarinhos, no já tradicional 3-1-4-2, porém desta vez, com os alas mais presos, para evitar os ataques brasileiros. Mas a produção ofensiva do Brasil também não foi boa. Novamente, Paulinho não fazia boa partida e não ajudava na saída de bola, para piorar, Oscar não ia bem e, portanto, não conseguia ocupar este vazio. Ramires, no lugar do lesionado Hulk, foi mais um a não funcionar em campo. 

Com as atuações ruins, Neymar recebeu ainda mais importância, sendo procurado a todo o momento. Muitas vezes, exagerou na jogada individual, também por conta de não ter boa parceria. A grande chance do primeiro tempo veio com uma cabeçada do camisa dez, após belo cruzamento de Daniel Alves, Ney acertou o cantinho do gol mexicano, mas Ochoa estava lá para defender. Uma defesaça. El Tri chegava também e, com chutes de fora da área, assustava a baliza defendida por Júlio César. Quando os mexicanos não conseguiam a finalização era porque David Luiz e, principalmente, Thiago Silva e Luiz Gustavo faziam ótimas exibições. 

Sem conseguir jogar bem, Felipão sacou Ramires e colocou Bernard. O Alegria nas Pernas teve bons momentos esporádicos, mas não acrescentou muito ao Brasil. O México chegou a controlar as ações do jogo e, como já citado acima, só não assustou mais JC, pois o sistema defensivo dos Samba Boys se comportava bem. Aos verde e amarelos, faltava mais participação do meio. O 2° volante Paulinho não ajudava ofensivamente e Oscar fazia jogo muito abaixo do que apresentou em São Paulo. 

Na base do abafa, com Marcelo subindo bastante pela esquerda e com Neymar tentando muito em jogadas individuais, o Brasil ficou rodando a área de El Tri. Jô substituiu o apagadíssimo Fred (péssima Copa até aqui) e Willian veio para o lugar de Oscar. Em uma falta na esquerda, o camisa dez cruzou e Thiago Silva apareceu livre para dar um tiro de cabeça. Com muito reflexo, Ochoa brilhou e fez mais uma defesaça. 

Além das duas ótimas defesas citadas no texto, Ochoa fez outras quatro. As seis intervenções igualam Bholi, da Argélia, como maior número de defesas em uma partida. Ao final do jogo, o técnico Miguel Herrera destacou o próprio goleiro: “fez três defesas extraordinárias”. Apesar de Ochoa ter sido o jogador do jogo, o Brasil não foi bem e o 0 a 0 reflete claramente o que foi a partida. Os canarinhos têm grandes chances de alcançarem o primeiro lugar na chave o México deve ter uma decisão contra a Croácia, na próxima rodada.

Reservas decidem

Até aqui, Akinfeev protagonizou a falha da Copa, que, curiosamente, contribuiu para a melhoria da partida em Cuiabá (AP Photo)

Rússia e Coreia do Sul jogaram em ritmo lento. As duas equipes pareciam estar em interessadas em contra-ataque e, como nenhum dos lados se abria, o espaço para executar esta estratégia não existia. Os russos jogavam no tradicional 4-1-4-1, com Glushakov mais preso na volância e Kokorin no ataque. Os coreanos vinham no esquema da moda, o 4-2-3-1, com o ponta-esquerda Son sendo o principal destaque. 

No início, o domínio foi dos asiáticos. Com boa posse de bola e participação interessante de Ki, na distribuição de passes no meio-campo. Apesar de jogar melhor, a Coreia do Sul não criou muito e só chegou em alguns chutes de fora da área. A Rússia, de fato, não assustou, chegava quando Kokorin deixava a área para tentar participar da construção das jogadas. O jogo cresceu no segundo tempo com boas participações dos técnicos. Hong Myung-Bo mudou o centroavante e Lee Keun-Ho, entrou se mexendo muito e buscando participar mais das ações. Em uma das saídas da área, ele construiu a jogada sozinho e finalizou de longe. Ankinfeev, que já havia demonstrado insegurança, protagonizou a primeira grande falha da Copa e engoliu um frangaço. 

Depois de sofrer o 1 a 0, Capello também mexeu. Dzagoev, Denisov e Kerzhakov entraram em campo. A partir daí, o time do leste europeu passou a ter dois atacantes dentro da área e um meia de criação pelo centro, um 4-3-1-2. O recuo sul-coreano também colaborou, mas é certo que, após as mexidas, a Rússia passou a mandar na partida. A jogada do empate teve a marca de dois reservas. Dzagoev caiu pela direita e cruzou rasteiro. Depois de muita confusão, Kerzhakov dominou e fez o 26° gol dele com a camisa russa, se colocando como maior artilheiro da história da seleção, ao lado de Beschastnykh – contando apenas o período de Rússia. 

O empate deixa as duas seleções vivas para a provável disputa da segunda vaga às oitavas de final, pois a primeira deve ser mesmo da Bélgica. Claro, se Coreia ou Rússia conseguirem um empate frente aos favoritos aumentarão as chances de ultrapassar a primeira fase. O jogo também valeu para os treinadores observarem a boa participação de reservas, que, na próxima rodada, poderão ganhar espaço. Não tenho muita dúvida que Capello abrirá mão do 4-1-4-1 e irá escalar Kokorin e Kerzhakov juntos, tendo também Dzagoev entre os onze iniciais. Na Coreia, com a boa participação, Lee Keun-Ho deve ganhar espaço nos titulares, pois jogou mais que Park Chu-Young.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Copa do Mundo – Dia 1

Já havia acontecido muita coisa, afinal, quem não está apaixonado pela simpatia dos alemães? Ou quem não se decepcionou com algumas das estrelas ausentes, por conta de contusões? Mas a bola só rolou hoje, na Arena Corinthians, zona leste de São Paulo. A impressão para todos os apaixonados pelo futebol é que a Copa do Mundo demorou demais para chegar, portanto, agora teremos que desfrutar o máximo de cada um dos 64 jogos. 

Primeiro passo complicado 

 Oscar brilhou na estreia, com passe, dribles, disposição e o gol, que corou a boa exibição (Getty Images)

O ambiente parecia perfeito para a vitória. Ao subirem para o aquecimento em campo, os brasileiros mostraram que queriam muito estar ali e que lutariam o máximo que fosse possível para vencer. Para completar, na hora que valia, a entrada também foi forte, emocionante e contou com o inigualável hino à capela, que já se tornou tradição por aqui. Tradicional também foi o esquema de Felipão, o 4-2-3-1 e o técnico croata também não surpreendeu e escalou a equipe com a mesma formação tática.

Seguindo o script imaginado, o Brasil iniciou apertando a saída de bola, mas não teve sucesso. A Croácia veio fechada atrás e com muita qualidade para tocar, principalmente com a dupla de volantes, Modric e Rakitic. O primeiro gol saiu em erro da pressão brasileira, pois Daniel Alves foi marcar Pletikosa na área adversária e deixou o corredor totalmente exposto. Assim, Rakitic iniciou o contra-ataque rápido, enfiou Olic no espaço aberto na lateral-direita verde e amarela e foi dali que partiu o cruzamento, que resultou no gol contra de Marcelo. 

Placar contra, adversário jogando mais atrás e Brasil com dificuldade para propor o jogo. Paulinho não conseguia colaborar com a saída de bola, que ficava a cargo dos quatro defensores e Luiz Gustavo, o que resultava em muitas tentativas de ligação direita. Os samba boys conseguiram crescer no jogo, quando Neymar e Oscar (hoje à direita, tendo Hulk à esquerda, mas, muitas vezes, os três jogaram bastante próximos) recuaram para ajudar na proposição das jogadas. O empate veio com Neymar, mas com participação decisiva do camisa 11, ganhando duas vezes o lance, que parecia perdido. 

Na segunda etapa, vendo o problema na saída de bola, Felipão optou por colocar Hernanes no lugar de Paulinho, buscando o que faltava – não melhorou muito. Mas foi Oscar que começou a tentar decidir o jogo, normalmente, aberto pela direita, foi para cima e tentou dribles. Em uma jogada dele, em que arriscou o corte e cruzou rasteiro na área para Fred, o árbitro viu pênalti – totalmente inexistente. Neymar ignorou o erro de Yuichi Nishimura e bateu com força, no canto direito. Pletikosa quase defendeu, mas o camisa dez alcançou o segundo gol na Copa. 

A Croácia não conseguiu buscar o empate, pois o gol mudou o rumo da partida. Apesar de não estar melhor em campo, os croatas levavam o jogo no ritmo que queriam e, pelo lado direito da defesa verde e amarela, sempre assustavam. Além da saída de bola, o espaço neste setor foi o grande problema brasileiro. Com passes de Modric e Rakitic, Olic explorou muito as costas de Daniel Alves. Por isso, defensivamente, a colaboração de Oscar e, principalmente, o trabalho de Luiz Gustavo e David Luiz foi fundamental para a Croácia não conseguir um segundo gol. 

No final, a pressão alta do ataque brasileiro teve resultado. Ramires pressionou e a redonda sobrou para Oscar. O camisa 11 avançou e, de bico, decretou números finais. O 3 a 1 corou a ótima atuação do jogador do Chelsea, um dos mais contestados da imprensa, durante o pré-Copa. A expectativa é que o Brasil evolua para os próximos jogos, pois há espaço para isso e os problemas ficaram bastante claros. Pelo lado croata, a impressão deixada foi muito boa e a expectativa é que a equipe seja uma adversária dura durante o Mundial, mais ainda quando puder contar com o centroavante Mandzukic.

domingo, 17 de julho de 2011

Brasil 0x0 Paraguai (Pênaltis: Brasil 0x2 Paraguai)

O erro se repete: faltou o gol

 Justo Villar: brilhou durante os 120 minutos de bola rolando, pegou um pênalti e contou com a sorte nos outros três (Ricardo Matsukawa/Terra )

O Brasil jogou bem; Robinho mostrou maturidade e chamou a responsabilidade; o meio-campo se movimentou muito e mesmo fazendo sua melhor partida na competição, os canarinhos terão que voltar para casa. Os guaraníes contaram com partida muito boa do goleiro Justo Villar e com a falta de tranquilade nas finalizações brasileiras.

Desde o início, postado no 4-2-3-1 o Brasil teve dificuldade para vencer o 4-4-2 paraguaio, mas em momento algum se desesperou. Os três meias trocavam muito de posição e confundiam a marcação albirroja. Robinho finalmente estava à vontade nesta CA. Alexandre Pato era o pior do setor ofensivo. Mas quem assustou mais o goleiro Villar foi Neymar, que falhou cara à cara.

O Paraguai não chegava muito e Júlio César não teve trabalho durante os 90 minutos. Ao contrário do primeiro encontro entre as seleções na Copa América 2011, Estigarribia não se dava bem na ponta-esquerda, pois Maicon vinha muito bem em sua contenção. No segundo tempo; Neymar, Ganso, Robinho e Pato ou falharam na frente do gol ou tiveram seus chutes defendidos pelo capitão albirrojo.

O personagem do jogo parecia estar definido: Justo Villar e, à medida que os pênaltis se aproximavam, o Brasil ficava tenso, pois via que o goleiro rival tinha tarde iluminada e poderia brilhar na disputa de penalidades. Na prorrogação, Lucas (do São Paulo) foi o homem a chamar a responsabilidade, mas não deu. Os canarinhos não conseguiram transformar o domínio da bola em gols – acabaram o jogo com 56% de posse de bola, quesito que foi dominado durantes os 120 minutos.

Porém, o desastre ficou para os pênaltis. O Brasil perdeu as suas quatro cobranças – uma defendida por Villar, o heroi do jogo -, enquanto o Chile marcou duas das três que tentou. A eliminação brasileira, em sua melhor partida na competição, foi vista com calma pelo técnico Mano Menezes. Ele viu como positiva a evolução da seleção durante a CA 2011 e aposta na continuidade do trabalho. Mas a principal falha de hoje foi a mesma da estreia: a falta de precisão e tranquilidade nas finalizações.

O Paraguai chega à semifinal sem ter vencido na competição, mas a vitória nos pênaltis contra o Brasil pode dar a confiança necessária para a reta final da Copa América disputada na Argentina.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Brasil 4x2 Equador


Alívio

 Maicon voltou a ser titular, o que não acontecia desde a eliminação para a Holanda na Copa de 2010, mas ele não deve mais perder a vaga entre os 11 (Ricardo Matsukawa/Terra)

Assim como Uruguai e Argentina, o Brasil venceu em sua última partida na primeira fase. O jogo foi difícil e a tranquilidade só apareceu aos 15 do segundo tempo, quando Pato marcou pela segunda vez. Mano entrou em campo com o esquema habitual, o 4-2-3-1, mas novamente mudou o time: desta vez, Maicon foi o titular na lateral-direita e Robinho voltou à linha de três armadores do meio-campo.

Os adversários entraram com um esquema semelhante. 4-4-1-1, pois Méndez o meia-atacante pelo centro tinha menos obrigação na marcação. Desde o início, os volantes brasileiros estavam muito longe dos meias, e era nesse espaço que os equatorianos incomodavam os canarinhos. Para piorar, Thiago Silva não vivia grande dia. Robinho no meio também não mostrava o porquê de ter retornado ao time titular.

O gol saiu dos pés de um dos mais criticados: André Santos cruzou e Pato antecipou a zaga e jogou de cabeça para as redes. Quarta assistência do criticado André Santos e quarto gol de Pato na “Era Mano”, os líderes em seus quesitos. Porém, Júlio César falhou feio e Caicedo empatou. PVC, comentarista da ESPN, definiu bem o lance: “Não pode tomar gol inciado em tiro de meta e a jogada foi cheia de erros, mas o pior deles foi o de JC”.

O Brasil voltou a respirar tranquilo, aos três do segundo tempo, quando Neymar igualou Pato na artilharia da “Era Mano”. O passe foi de Ganso, líder em assistências da CA 2011. Mas a defesa não jogava bem e falhou de novo. Maicon – o melhor em campo – afastou a bola da área, mas no rebote Noboa teve o tempo necessário para descobrir Caicedo, que limpou Thiago Silva com extrema facilidade e marcou, em mais uma falha de Júlio César – menos grave, desta vez.

Ganso e Neymar apareceram novamente para recolocar o Brasil na frente. A movimentação dos homens ofensivos ficou clara no terceiro gol. A bola foi recuperada pelo camisa dez, após muita pressão na saída de bola equatoriana, e Neymar fez o resto. Mas o gol foi de Pato, que aproveitou o rebote do goleiro Elizaga, em chute do camisa 11 verde e amarelo.

Aos 26, o Brasil finalmente se garantiu na primeira colocação e nas quartas de final. O melhor em campo, Maicon fez ótima jogada pela direita e cruzou rasteiro para o camisa 11 marcar. Pronto, 4 a 2, em uma partida que os canarinhos não executaram grande partida. Neymar, Pato e Maicon foram os destaques. Mas, novamente, os volantes ficaram devendo e eles são fundamentais ao bom funcionamento do 4-2-3-1.

Agora o próximo desafio é o Paraguai, que já dificultou a vida do Brasil na Copa América 2011. Para vencer a albirroja está claro: os canarinhos terão que jogar mais.

sábado, 9 de julho de 2011

Brasil 2x2 Paraguai

Na conta do Mano

 Jádson não fez grande partida, mas marcou o gol e quis ouvir melhor as critícas (AFP)

Todos se agitaram quando Jádson foi confirmado entre os 11 inciais do Brasil, o que esperar de um jogador que fôra tão criticado quando teve sua convocação confirmada, ainda mais barrando Robinho, que vinha de boa temporada pelo Milan. Com o camisa 20 em campo, o esquema seguiu sendo o 4-2-3-1. Gerardo Martino não atendeu os apelos populares e manteve Roque Santa Cruz entre os titulares de seu 4-2-3-1, que se transformava em 4-4-2.

O grande trunfo dos guaraníes era o seu externo pela esquerda: Marcelo Estigarribia, que artomentava Daniel Alves. O lateral-direito do Brasil só conseguia parar o camisa 21 paraguaio com faltas. Mas o primeiro lance de grande perigo veio com Barrios tocando para Roque Santa Cruz, que jogando mal desperdiçou a chance. Os canarinhos só escapavam da marcação por pressão albirroja nos chutões.

O jogo começou a mudar quando o Brasil passou a segurar mais a bola e usá-la melhor. Em um lance que Ganso e Jádson se aproximaram pela direita, o dez passou para o 20, que deixou Pato na cara do gol, mas o milanista finalizou mal. A seleção canarinho não jogava bem, porém conseguiu abrir o placar e, quem diria, com Jádson. Ramires recupera a bola no círculo central toca para Neymar. A marcação chega e após confusão, o camisa oito faz o passe para Ganso mais centralizado. O camisa dez apenas rola para Jádson dominar e finalizar no canto direito de Villar – fiz questão da descrição completa do gol para mostrar o papel fundamental de Ramires ao tento.

Terminar o primeiro tempo na frente não havia sido justo para o Brasil e, logo no início da segunda etapa, o placar voltou a ser justo. A albirroja empatou com Santa Cruz, que seguia muito mal na partida. O atacante recebeu passe de Estigarribia, que teve muita liberdade para construir o lance pela esquerda, nas costas de Daniel Alves. Os de verde e amarelo não reagiram: Neymar apagado, Ganso vivendo de lampejos, Elano mal e Pato também em um dia ruim não assustavam a defesa paraguaia.

E o Paraguai voltou a tomar conta do placar, após erro infantil de Daniel Alves na entrada da área. Roque Santa Cruz fez a assistência e Haedo Valdez virou o jogo. Estar atrás na partida não fez com que o Brasil acensdesse e buscasse o gol a qualquer custo. Mas novamente Mano viu um de seus contestados convocaods entrar em campo para decidir. Aos 44, Fred recebeu passe de Ganso, girou e empatou o jogo.

A pressão sobre o Brasil deve aumentar, pois o time segue sem vencer. Dificilmente ficará de fora da próxima fase, mas terá que vencer o Equador na última rodada. Outra cosia: Daniel Alves acho que já será reserva na próxima partida.