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sexta-feira, 21 de março de 2014

É tempo de Quaresma

 De azul e branco, Quaresma vai bem e, se mantiver o nível, jogará a Copa no Brasil (AP Photo)

Para os cristãos, a quaresma é o período de penitência, oração e conversão, e dura 40 dias. Porém, no futebol, o nome Quaresma é sinônimo de habilidade, jogadas de trivela e frustração. O veloz e extremamente habilidoso ponta-direita português surgiu no início dos anos 2000 no Sporting e chegou como grande promessa ao Barcelona, onde não repetiu o nível do futebol. Voltou à Portugal para vestir o azul e branco do Porto, novamente, brilhou e foi vendido, por quase, 20 M € à Inter, de José Mourinho. Mais uma vez, não conseguiu jogar bem longe de casa, teve ainda uma chance, através de um empréstimo, foi para o Chelsea, onde pouco entrou em campo. 

Após não dar certo em grandes centros, Quaresma foi para Turquia, onde jogou pelo Besiktas. Como no restante da carreira, foram dois anos de altos e baixos e a impressão de que o ponta-direita seria mais uma das eternas promessas do futebol mundial. A certeza veio com o próximo passo da trajetória futebolística, um mercado ainda menor, o Al Ahli Dubai. Muitos falaram que a carreira estava terminada, que Quaresma teria optado apenas por ganhar dinheiro e que tinha perdido o interesse de voltar a ter relevância no futebol.

Porém, após longo período de penitência, que durou muito mais de 40 dias, Quaresma teve mais uma chance no país natal. Atual tricampeão e em baixa na temporada 2013-14, o Porto trouxe o craque das trivelas como grande contratação de janeiro. As primeiras declarações davam o tom do que o novo camisa sete azul e branco esperava da volta: “Estou feliz por estar de volta a uma casa que conheço bem, onde sinto carinho e a confiança das pessoas. O mais importante é me sentir feliz e é nesta casa que me sinto feliz”. 

E, de fato, voltar ao Porto parece ter acabado com o período de penitência de Ricardo Quaresma. Desde o princípio, cercado de desconfiança, o camisa sete mostrou que se sente bem no Porto. Normalmente, jogando como ponta-direita – ora no 4-3-3, ora no 4-2-3-1 – o camisa sete tem mostrado o que de melhor fez na carreira: dribles imprevisíveis, bons passes, gols e, até, consegue colaborar bastante com o sistema defensivo portista. Os números refletem o bom recomeço no Dragão: 16 partidas (1232 minutos em campo), nove gols (inclusive, o golaço na última quinta, contra o Napoli, na Liga Europa) e duas assistências. 

Se na Liga de Sagres, a distância para o líder Benfica parece inalcançável (12 pontos), os bons desempenhos de Quaresma têm sido fundamentais para o Porto estar nas quartas de final da Liga Europa. Portanto, nas partidas contra o Sevilla, os azuis e brancos contarão muito com o seu camisa sete para alcançarem a semifinal. A largada animadora do ponta-direita e a falta de jogadores de qualidade na função dele na seleção portuguesa, fazem com que haja a possibilidade da presença de Quaresma no Mundial do Brasil. 

Uma convocação para a seleção das quinas não vem desde 2013, quando, no dia 2 de junho de 2013, atuou por cinco minutos, na derrota por 3 a 1 para Turquia. Além disso, em 2012, esteve entre os 23 convocados para a Euro 2012. Mesmo vestindo a camisa dez, Quaresma foi reserva em todas as partidas e não entrou em nenhuma delas. Mas agora, o contexto é outro, portanto, há a clara impressão de que, se mantiver o nível de atuação, o camisa sete poderá sim vir à Copa do Mundo. Ter mais um jogador de talento e em boa fase, poderá ajudar muito a Cristiano Ronaldo liderar Portugal à fases mais agudas do Mundial de 2014.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Enfermedades Futboleras 14

Esta é a última coluna do ano e ficarei de férias por um tempo em janeiro. O blog seguirá, pois tenho um texto agendado para o final do ano. A ideia deste resumo do futebol internacional, baseada em coisas que já existem na Europa, foi muito boa para mim. Me esforcei a acompanhar mais futebol, mais jogos e, por isso, falo sem medo: hoje, sei mais de futebol do que sabia antes. Os resultados de acessos não foram maravilhosos, porém, não posso reclamar. Portanto, seguiremos ano que vem.

O óbvio grito de “é campeão”

Com gols de Dante e Thiago o Bayern cumpriu a missão cinco e fecha o ano com cinco taças (FcBayern.de)

Contra o Raja Casablanca, contra o Atlético Mineiro, contra o Monterrey, contra quem quer que seja, hoje o Bayern é favorito. Neste sábado, Pep Guardiola optou por começar com Götze no banco e com Thomas Müller como falso nove. Apesar das mudanças e de um estádio que apoiava o adversário, os bávaros não tiveram problemas para alcançarem a vitória por 2 a 0. Sem forçar, com a marcação pressão, a movimentação dos meias e com 76 % de posse de bola, o time alemão deu poucas chances aos marroquinos. 

O Raja até assustou, em momentos que o Bayern pareceu se desligar do jogo, mas o gol não saiu. Independente do zero no seu lado do placar, o que os green boys fizeram na competição é histórico, pois nunca um time do país-sede havia chegado tão longe e, sem dúvida, superaram adversários mais fortes nesta caminhada. Além do resultado em campo, os marroquinos conseguiram emocionar a todos e uniram a torcida ao redor da equipe, que apoiou muito a equipe durante toda a competição. O corredor de honra armado pelos bávaros aos green boys foi emocionante e uma justa homenagem para fechar a participação histórica no Mundial. 

Portanto, sem dificuldades, os bávaros conquistaram o quinto título deste elenco na temporada: Bundesliga, Copa da Alemanha, Liga dos Campeões, Supercopa da Uefa e, agora, o Mundial de Clubes – faltou a Supercopa local para igualar o Barcelona de Guardiola, em 2008-09. Além de voltar campeão à Alemanha, o Bayern chegará com uma distância para o segundo colocado, Bayer Leverkusen, igual à que deixou quando viajou ao Marrocos, confortáveis sete pontos, com um jogo a menos.

Um 1 a 0 enorme

O cruzamento rasteiro de Guarín, a antecipação sobre Zapata e a finalização de letra de Palacio (Inter/it)

Inter e Milan não são mais os times que foram recentemente, o futebol italiano em si não é a potência que foi capaz de colocar três semifinalistas (os rivais de Milão estavam lá) e dois finalistas na Liga dos Campeões, em 2002-03. Mas um dérbi de Milão nunca será um jogo sem importância. Ambos em momentos ruins e tendo a partida como a última antes da parada de inverno, uma vitória seria fundamental, por isso, o jogo foi tão brigado. Mazzarri manteve a Inter no 3-5-1-1, com Guarín atuando atrás do móvel centroavante Palacio. O ameaçado Allegri armou o Milan com Kaká apoiando Balotelli no ataque.

Os dois homens mais avançados de ambos os times fizeram boas partidas e se esforçaram muito para criarem na frente. Afinal, na maior parte das vezes, o sistema defensivo adversário teve superioridade numérica nas disputas. Por conta das boas participações dos jogadores mais ofensivos, rossoneri e nerazzurri tiveram inúmeras chances, mas, quando chegaram, Abiatti e Handanovic fizeram boas defesas. O interista vacilou em algumas bolas cruzadas, porém, isto não prejudicou o desempenho dele. A diferença da Inter foram as mexidas que deram certo. Kuzmanovic entrou no lugar do cansado Zanetti, Kovacic na vaga de Taider e Icardi substituiu Cambiasso. A partir daí, os nerazzurri tiveram um 3-4-1-2, com Kovacic atrás da dupla de argentinos e com Guarín na linha de quatro meias. Com um parceiro no ataque e mais gente para chegar pelo meio – Kova e Guarín –, Palacio funcionou melhor.

O gol decisivo saiu em uma jogada que mostrou claramente a importância das mudanças: Guarín invadiu a área e cruzou rasteiro para o meio, onde o camisa oito nerazzurro apareceu para marcar de letra. “Foi o gol mais importante da minha carreira. Foi uma vitória que nos dá confiança, vamos de férias feliz", a definição do goleador da noite é muito válida, pois a Inter voltará da parada de inverno com um novo ânimo, enquanto o Milan entra em férias recheado de dúvidas, a principal delas: será que Allegri iniciará 2014 empregado?

O melhor atacante do mundo

Suárez sabe o caminho do gol, na Premier League, a artilharia é dele com 19 gols (Premier League)

Talvez Ibrahimovic seja tão importante para o próprio time, como Suárez é para o Liverpool. Porém, hoje, o camisa sete está um patamar acima. Especulado para sair durante a janela de transferências e suspenso no início da boa jornada dos reds na Premier League, atualmente nada lembra este início de temporada turbulento. Desde que voltou, o uruguaio atuou em 12 partidas da competição e marcou 19 vezes – mais do que os artilheiros de 1997-98 e 1998-99 –, e, agora, está de contrato renovado, para ganhara 200 mil libras por semana. Portanto, vive o mundo ideal. Neste final de semana, Luisito ajudou a recolocar o Liverpool na liderança da Liga – a primeira vez, desde 2008, que o time chega ao natal na ponta da tabela. 

Contra o Cardiff, o 4-3-3 do Liverpool teve o estilo de Brendan Rodgers: muita posse de bola (69%) e muitos passes trocados, foram 557, enquanto os rivais passaram entre si apenas 185 vezes. No 3 a 1, Suárez fez dois e, ainda mostrou companheirismo, ao sair na frente do goleiro e preferir a assistência para Steriling empurrar a bola para o gol vazio. Os três gols dos reds saíram na primeira etapa. Além do uruguaio, destaque para o autor do outro gol, que abusou da velocidade na ponta-esquerda, e os meias Henderson e Lucas Leiva. O brasileiro foi o homem do primeiro passe, 91 passes, com 93% de acertos, e, o inglês, participou dos três gols, com duas assistências e o passe que iniciou a jogada finalizada por Sterling.

Após o intervalo, o time se descuidou um pouco da defesa, fazendo muitas faltas e dando chances ao Cardiff cruzar bolas na área. Em um desses lances, veio o gol dos bluebirds, que poderiam até ter incomodado mais a vitória do Liverpool. Mas, o que chamou a atenção pelo lado galês, foram os protestos em Anfield. Os torcedores pedem a saída do proprietário, Vincent Tan, que além de investir no time, mudou as cores tradicionais e o escudo. A relação entre o dono e a arquibancada parece ter alcançado o limite, porém, nas várias vezes que foi focalizado, o asiático, que parece muito o PSY, não se mostrou incomodado com os diversos cartazes e cânticos dos galeses.

Sem problemas 

O atual tricampeão e vice-líder da Liga de Sagres, Porto recebeu o penúltimo colocado Olhanense, no Estádio do Dragão. Um gigante vindo de três títulos e um pequeno na zona de rebaixamento, o resultado foi um domínio total portista. No 4-3-3 do técnico Paulo Fonseca, destaque para o alto índice de posse de bola, inversão dos pontas e bom aproveitamento em bolas paradas. Apesar do 4 a 0 contrário, o goleiro rubro-negro Belec, que está emprestado pela Internazionale, fez boas defesas. Mas, o ponto alto foi a atuação do desconhecido brasileiro Carlos Eduardo, meia com mais liberdade para se juntar aos atacantes no sistema tático. Foi a segunda partida como titular do camisa e o desempenho foi impressionante: duas assistências (em cobranças de escanteio) e um golaço. A goleada mantém o Porto na perseguição do líder Sporting.

Com a cara de Mourinho

 Com pragmatismo, Mourinho está podendo sorrir no Chelsea. Hoje, alcançou o décimo jogo invicto contra Wenger (AFP)

Nesta segunda, Arsenal e Chelsea se enfrentaram no Emirates Stadium e não saíram do zero – ao todo, os times acertaram o gol rival apenas seis vezes. Wenger e Mourinho repetiram o tradicional 4-2-3-1, a novidade foi pelo lado dos blues: Mikel e Lampard na volância, Willian à esquerda, Ramires no centro e Hazard à direita, que, no segundo tempo, voltou para a ponta canhota. Porém, apesar da escalação, foi o Chelsea que conseguiu as melhores oportunidades durante todo o jogo, o camisa 17 foi destaque na criação das jogadas. Nos primeiros momentos, estranhamente, não foi o Arsenal que conseguiu exercer pressão na saída de bola adversária e, sim, os comandados do Special One. 

No segundo tempo, o panorama mudou, os gunners aproveitaram que o Chelsea abdicou da marcação avançada e optou pelos contra-ataques, que chegaram a assustar. Mesmo melhor, o Arsenal não alcançou o gol, em duas ocasiões, Giroud falhou na finalização e, também, faltou mais de Özil, que, muitas vezes, apareceu longe da área, onde seus passes não puderam ser decisivos. Além disso, Wenger não utilizou o bom banco, que, nesta segunda, teve Podolski e Cazorla, por exemplo. Mas a vitória foi a consagração da opção de Mourinho, que, desde o princípio, destacou o sistema defensivo em detrimento do ataque. Assim foi no empate em 0 a 0, contra o United, Old Trafford, e, no 2 a 1, contra o City, em Stamford Bridge, quando a vitória só veio após falha emblemática da defensiva dos citzens. Desta forma, jogando estrategicamente, os blues estão na quarta colocação a dois pontos dos líderes.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Enfermedades Futboleras 8

Jogos entre milionários de Espanha e Inglaterra agitaram o final de semana do futebol europeu e você confere alguns destes destaques aqui.

El Clásico de Neymar

Neymar decide frente ao Real que ainda busca se encontrar na temporada  (Alberto Estévez/EFE)

Tata Martino e Carlo Ancelotti cumpriram com aquilo que era esperado deles e ambos escalaram as equipes no 4-3-3, sem centroavantes clássicos. Porém as escolhas do italiano se mostraram menos acertadas: Bale no centro do ataque e Sergio Ramos como 1° volante. No Barcelona, a grande novidade foi Fàbregas jogando pelo meio do setor ofensivo e, por isso, Messi descolocado à direita, como no começo da trajetória profissional.

As escolhas de Ancelotti resultaram em um primeiro tempo que o Real foi dominado pelo Barcelona, com muito de Neymar e pouco de Messi, que pareceu estar longe do 100%. O volume e o domínio do campo blaugrana resultaram em mais finalizações, ao todo, foram cinco arremates, duas delas na baliza. Em um dos chutes surgiu o gol. Iniesta controlava a bola com a perna direita, passou rápido para a canhota já enfiando para Neymar, o brasileiro dominou e bateu colocado para marcar, contado com desvio em Carvajal, que fez boa exibição. Na comemoração, o abraço de todos deu a noção do tanto que é querido o camisa 11. Os merengues produziram pouco: três arremates, dois completamente fora do gol e um defendido por Valdés e apenas 20 passes completados no último terço do campo.

Na segunda etapa já sem Sergio Ramos e Bale, com Illarramendi de 1° volante e Benzema como centroavante, o Real Madrid melhorou muito, marcando mais na frente. Por um período, os blancos chegaram a dominar a partida, e, o camisa nove francês, quase fez um golaço em chute de fora da área, a bola explodiu no travessão. Mas o Barcelona soube aproveitar este momento madridista e, em um contra-ataque, fechou o jogo. Neymar fez a enfiada para Alexis Sánchez, que ameaçou o drible para um lado para o outro, brecou na entrada da área e encobriu o adiantado Diego López. 

Os merengues reduziram o prejuízo no final da partida, com Jesé, em falha de Valdés. Mas o Barcelona mereceu a vitória, que o mantém na liderança da Liga e, agora, os catalães têm seis pontos de vantagem sobre os madridistas, que ocupam a terceira colocação. No final do campeonato, esta vantagem poderá ser a diferença entre o título e o vice-campeonato, apesar de que entre eles está o Atlético, que tem dois pontos de desvantagem para os blaugranas.

Neymar em números: 

Chutou três vezes e todas na baliza, em uma delas, marcou; tentou 33 passes e acertou 27, taxa de 79% de êxito; recebeu 41 passes; passou 11 vezes corretamente para companheiros no último terço do campo (ao todo, tentou 14 passe nesta fase do jogo) e cedeu a assistência para o gol que acabou sendo decisivo.

Herói improvável

 O lance decisivo que deixou o Chelsea a dois pontos do líder Arsenal (ChelseaFC.com)

Fernando Torres foi um dos melhores jogadores do mundo enquanto jogou no Atlético de Madrid e no Liverpool, inclusive ficando com o terceiro posto no prêmio de melhor do mundo em 2008. Habilidoso e com instinto goleador, o Chelsea desembolsou 40 M £ (58,5 M €) para ter o espanhol, mas, com os blues, o camisa nove não se deu bem. Porém, nesta temporada com Mourinho, Torres está se reencontrando e, hoje, mesmo com Demba Ba e Eto’o no elenco, o espanhol é a primeira escolha do técnico.

Frente ao Manchester City, o Chelsea jogou para vencer pela primeira vez contra um dos gigantes da Inglaterra nesta temporada. No começo da Premier League, contra o United, os blues foram a Old Trafford claramente para empatar. Desta vez, em Stamford Bridge, os londrinos queriam a vitória. Os dois times jogaram no 4-2-3-1 e, no City, uma novidade, Yaya Toure jogando novamente como meia-atacante central, à frente dos dois volantes, Javi García e Fernandinho. 

No 1°T, o domínio do Chelsea foi absoluto, com sete finalizações. O personagem foi Torres, que depois de perder chance importante, destruiu o lado esquerdo da defesa do City, invadiu a área e cruzou para Schürrle marcar. Além do centroavante, Ramires jogava muito bem, desarmava e levava o time para o ataque. No 2°T, a ordem do jogo mudou, o controle dos blues foi substituído por uma maior presença ofensiva dos citzens, que, logo no início, empataram com gol de Agüero e assistência de Nasri. 

A partir do empate, a partida ficou mais igual, mas o City conseguiu mais finalizações na segunda parte (nove, contra seis). Os times trocavam ataques, Cech fez algumas boas defesas, porém, nos últimos 15 minutos, nem os blues nem os citzens conseguiram finalizar. Ninguém conseguiria mudar o placar, mesmo constantemente chegando na frente da área do adversário. Mas o Chelsea tinha Torres e o camisa nove aproveitou erro absurdo de Natasic, que, de cabeça, recuou a bola para Hart, que também estava saindo do gol. O resultado: bola livre para o espanhol garantir os três pontos, com direito a Mourinho comemorando no meio da torcida. 

Dérbi do Ruhr

 Aos pés de Mkhitaryan: Błaszczykowski e Sahin recberam assistências do homem do jogo (Bvb-de)

A Veltins-Arena, em Gelsenkirchen, viu uma ótima partida do Borussia Dortmund, mas especialmente do camisa dez, Henrikh Mkhitaryan. O dérbi do Ruhr teve as características do futebol alemão atual: intensidade dos dois times, estádio cheio, vibração nas cadeiras e bom futebol. Ambas as equipes jogaram no 4-2-3-1 e o armênio fez a diferença jogando centralizado, com duas assistências. O trio de meias aurinegro funcionou muito bem: o meia-esquerda Reus flutuava mais em campo; o meia-direita Aubameyang marcava até a defesa, mas entrava na área para apoiar o centroavante Lewandowski; e Mkhitaryan jogava mais livre pelo centro, correndo muito (12,1 km), decidiu o jogo. 

No Schalke, valeu por mais uma boa atuação Draxler, meia-direita no 4-2-3-1 azul real. O Borussia não ficou mais com a bola, não finalizou mais vezes e não trocou mais passes no último terço do campo. Mas a marcação no campo de ataque, que resultou em seis recuperações de bola e cinco desarmes no setor ofensivo, fez diferença. Em uma destas roubadas, Mkhitaryan enfiou Reus, em um buraco no lado esquerdo da defesa do Schalke, o camisa 11 cruzou rasteiro e Aubameyang marcou. Hildebrand ainda fez algumas defesas, mas o goleiro que brilhou foi Weidenfeller, que pegou um pênalti (que não houve) mal batido por Boateng, que, apesar de ter chutado forte, cobrou no meio. 

No segundo tempo, o Borussia passou a apostar mais em contra-ataques. Um deles terminou com assistência de Mkhitaryan para belo chute de Sahin, da entrada da área. Em outra ocasião, o armênio conduziu a bola do campo defensivo até a área do Schalke e, de lá, passou para Blaszczykowski marcar. Entre os gols dos visitantes, os azuis reais marcaram com Meyer, que entrou bem na partida. A vitória aurinegra manteve o time a um ponto do líder Bayern de Munique, que também venceu na rodada, por outro lado, agora, o Schalke está em sétimo e fora da zona de classificação às competições europeias. No final, o craque do jogo falou, em tom de alívio: “foi uma semana dura, com três vitórias em jogos importantes”.   

O campeonato mais equilibrado da Europa

A imagem do equilibrio (Reprodução internet)

Pela primeira vez na história da Eredivisie, que é disputada desde 1956-57, após 11 rodadas, a diferença entre o líder do campeonato e o último colocado é de apenas 13 pontos. O mais absurdo é observar que do líder para o oitavo colocado são apenas dois pontos de vantagem. O nivelamento da Liga Holandesa ficou ainda mais claro neste final de semana, pois foi a primeira vez, desde fevereiro de 1964, que os três maiores clubes do país – Ajax, Feyenoord e PSV – não conseguiram vencer em duas rodadas consecutivas. (Estatísticas por Infostrada) 

O Ajax, que tinha o domínio da Liga e é o atual tricampeão do campeonato, perdeu dois jogadores fundamentais na reta final da janela de transferências e mudou o panorama no país. O capitão Alderweireld foi para o Atlético de Madrid e o meia Eriksen foi para o Tottenham. Sem a dupla, os Godenzonen caíram alguns patamares e ficaram mais próximos do nível dos adversários. Hoje o Ajax é vice-líder, com os mesmos 19 pontos do ponteiro Twente e segue como favorito, mas, com o equilíbrio da Eredivisie, qualquer deslize poderá afastar o time de Amsterdan da liderança e evitar mais um título.  

Quem segura o Porto?

Lucho e Josué, um fechou e o outro abriu o placar no dérbi (AP Photo)

Na Liga Portuguesa, antes desta rodada o Porto era líder invicto, porém, tinha no encalço, o Sporting, apenas dois pontos atrás. Por isso, o encontro deste domingo no Estádio do Dragão foi uma boa alternativa para conseguir uma maior margem na ponta. Com um 3 a 1, com bastante tranquilidade, os azuis e brancos agora têm cinco pontos de vantagem em relação aos Leões. 

No 3 a 1 frente ao Sporting, a tranquilidade azul e branca só foi quebrada no início do 2°T, quando os visitantes pressionaram mais os portistas, cresceram no jogo e empataram. Porém, após o empate, o lateral brasileiro Danilo fez belo gol: recebeu na área, girou, cortou Rojo para canhota e fuzilou. Lucho González ainda completou a vitória depois de jogada de ponta-esquerda do centroavante Jackson Martínez. No Porto, além dos laterais brasileiros, os três meias – Varela, Lucho e Josué – jogaram muito bem e correram muito.

O Porto perdeu para este ano James Rodríguez e João Moutinho, que, na última temporada, participaram de 44,8% dos gols do Dragão. Sem eles e com o novo técnico Paulo Fonseca, o time mudou do 4-3-3 para o 4-2-3-1 e, apesar da queda de qualidade no elenco, o time parece preparado para conquistar o tetracampeonato – feito que veio pela última vez entre 2005-06 e 2008-09.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Enfermedades Futboleras 1

A partir de hoje e, se tudo der certo, por muito tempo, manterei uma espécie de coluna aqui no blog. Nas noites de segunda-feira, escreverei sobre alguns assuntos da última semana do futebol no mundo. Com análises mais curtas, ficará mais fácil manter o Simplificando Futebol atualizado. Vamos ver se dará certo. 

O nome tem inspiração no curso de espanhol, que comecei neste segundo semestre, e, ao me descrever, afirmei que era um “enfermo de fútbol”. Por isso, o blog receberá minhas “Enfermedades Futboleras”, ou seja, minhas doenças futebolísticas. Portanto, descobrirão o que me faz ser um enfermo deste esporte.

 As similaridades dos dois times 100% na Premier League

 Quatro gols em três jogos, dois deles nas duas partidas da Premier League, Soldado embala o 100% do Tottenham no Inglês (Facebook Premier League)

Arsenal, Chelsea, Manchester City e Manchester United foram os quarto primeiros colocados na última Premier League, porém, neste ano, após duas rodadas os times já perderam o 100% no Inglês – Chelsea é líder, pois antecipou a terceira rodada e tem sete pontos. Mas os time que têm 100% são Tottenham e Liverpool, que mantêm campanhas idênticas: dois jogos, duas vitórias, dois gols marcados e nenhum sofrido. Mais a dupla têm muito mais coisas em comum.

Os Spurs contam com dois gols, de pênalti, de Soldado. Contratado por 30 M €, o ótimo centroavante espanhol é o único atacante no 4-1-4-1 armado por Villas-Boas. O time londrino também conta com boa largada de Paulinho e, do substituto de Lennon na ponta-direita, Townsend. Já o Liverpool, que joga no 4-2-3-1, tem Sturridge comandando o ataque e que também marcou duas vezes nas primeiras rodadas do campeonato. Os reds ainda contam com o Coutinho, que vem jogando bem, sendo o meia-direita no esquema de Brendan Rodgers. Para terminar, tanto Tottenham quanto Liverpool contaram com boas atuações de seus goleiros, Lloris e Mignolet para garantirem o 100% nas primeiras rodadas da Premier League 2013-14.

Arsenal se recupera

 Podolski marcou duas vezes no final de semana e mostrou que é fundamental ao Arsenal (Facebook Premier League)

Após sofrer três gols e perder de virada para o Aston Villa na largada da Premier League, a pressão veio forte sobre Arsene Wenger. Porém, na última semana, os gunners encaminharam a classificação à fase de grupos da Liga dos Campeões, fazendo 3 a 0 na Turquia, contra o Fenerbahce, e venceram bem o Fulham, fora de casa, por 3 a 1, com bela atuação de Podolski. O alemão chegou a ser especulado como contratação do Schalke, mas, em um mercado parado do Arsenal, perder o camisa nove seria uma perda irreparável. Poldi deverá seguir em Londres

A pressão por contratações segue forte no Emirates e, como a janela se fecha na próxima semana, é bom ficar de olho nas movimentações do manager francês. O bom meia-central do Newcastle que recebeu uma proposta de 10 M £ recentemente tem o seu preço definido pelos magpies, 20 M £ e parece ser o reforço mais possível. Porém Wenger tem dinheiro para fazer mais nos próximos dias.

Diego López é o titular em Madrid

Na última semana, Carlo Ancelotti tinha falado ao Marca, “minha decisão sobre o goleiro titular será realizada baseada em pequenos detalhes, que outros, provavelmente, não vêem”. Na segunda partida oficial do Real Madrid nesta temporada, o técnico italiano escalou Diego López, pela segunda vez, com titular dos blancos. Com isso, o capitão e titular da seleção espanhola, Casillas, segue sentado no banco. Após a vitória por 1 a 0 sobre o Granada, fora de casa, o técnico madridista disse: “Ele (Deigo López) está jogando bem neste momento. Não há nada mais”.

De fato, o ex-goleiro do Sevilla vem muito bem e, desde que foi trazido ao Real no início de 2013, merece o posto embaixo das traves merengues. Para quem achava que era uma implicância de Mourinho, a reposta está aí.

Deco deixa o futebol

 Deco foi fundamental para o bicampeonato europeu do Porto em 2003-04 (ASF)

Vencido pelas contusões, um dos melhores que a minha geração viu jogar, o meia Deco anunciou a aposentadoria hoje. Dono de visão de jogo privilegiada, qualidade no passe e boa finalização, o luso-brasileiro fez história nos anos 2000. Venceu a Liga dos Campeões por mais de um clube, Porto (2003-04) e Barcelona (2005-06). Pelos azuis e brancos, Deco foi o maestro da equipe campeã europeia e esteve próximo de ganhar a Bola de Ouro, da Revista France Football, ficando atrás apenas de Shevchenko. Bicampeão brasileiro pelo Fluminense, o luso-brasileiro afirmou, por meio de sua assessoria: “gostaria muito de ter ajudado muito mais o Fluminense, mas o meu corpo não me permitiu”. Entre 2003 e 2010, o mago vestiu a camisa da seleção portuguesa por 75 partidas e marcou cinco gols.