Mostrando postagens com marcador Análise Tática. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Análise Tática. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Primeiros passos curtos

 Por razões diferentes, Maicon e Neymar foram os protagonistas do Tour norte-americano da seleção brasileira  (Robert Mayer/USA TODAY Sports)

Desde o início da era Mano Menezes, acompanhar a seleção brasileira é uma tradição para mim. Com isso, tenho um arquivo extenso de estatísticas e observações, que renderam vários textos para o Simplificando Futebol. Nesta sexta-feira, se iniciou a segunda era Dunga e, por isso, nesta semana, mesmo um pouco decepcionado, volto a falar dos Samba Boys. Em julho imaginava que, depois do 7 a 1, poderia ver a seleção em um contexto muito diferente, com mudanças na CBF, na estrutura do futebol brasileiro e na forma de pensar futebol ou, pelo menos, sinalizações de que as coisas estariam mudando. Porém, Dunga e Gilmar Rinaldi, com certeza, não representam o que esperava. Mas vamos lá. 

A reestreia de Dunga teve oito jogadores, que estiveram na Copa de 2014, entre os titulares. Por isso, em campo, não houve uma grande mudança em relação ao time que foi goleado pela Alemanha. O novo técnico escalou a equipe de forma muito semelhante àquela que adotava na Copa de 2010, um 4-2-3-1 torto, em que o ponta-direita, Willian, jogava mais recuado em relação aos outros meias. Uma diferença clara foi o centroavante Tardelli, que não jogou preso dentro da área e se movimentou muito.
 
Selecao Brasileira - Amistoso - 5th September 2014 - Football tactics and formations 

Apesar das mudanças, os canarinhos não mostraram nada muito diferente. O problema crônico da Copa do Mundo foi a saída de bola, que, contra a Colômbia, também foi inefetiva. Nem Luiz Gustavo, nem Ramires, se mostraram capazes de dar esta qualidade no primeiro passe. Os dois volantes brasileiros não têm as mesmas características que grandes nomes da posição, como Pirlo, Xabi Alonso e Schweinsteiger. Luiz Gustavo tem capacidade de chegar ao ataque com imposição física e chuta bem de fora da área, porém peca na parte de criação, no primeiro passe. Ramires é um jogador de movimentação e velocidade, ou seja, também não é um grande passador. 

Além disso, os três meias titulares não têm características claras de armação, Willian, Oscar e Neymar são mais meias-atacantes/pontas. O camisa onze da seleção é o mais próximo de ser um amador clássico no time de Dunga, mas não é um meia de criação e, sim, um jogador de boa chegada na área. Philippe Coutinho, que tem realizado este papel no Liverpool, veio do banco, mas jogou pouco e, por isso, não conseguiu ter tanta influência no jogo verde e amarelo. 

Além da repetição dos problemas antigos, há de se destacar a violência das duas equipes. A quantidade de faltas não foi tão grande, mas a agressividade delas mereceu destaque. O gol decisivo veio em bola parada, que foi assinalada por toque de mão bastante duvidoso. Neymar cobrou com maestria e marcou. Novamente, o camisa dez foi decisivo para uma vitória verde e amarela e, mesmo sendo início de trabalho, preocupa ver o Brasil tão dependente da sua principal estrela. 

Apesar do desempenho mediano na estreia, os jogadores brasileiros tiveram uma folga entre os amistosos. Após o período, o coordenador da CBF, Gilmar Rinaldi, foi a público e comunicou o corte de Maicon, mas não explicou o motivo, levantando as mais variadas hipóteses sobre ocorrido. Ao final, jornalistas do Globoesporte.com, que acompanham a seleção in loco, informaram que o motivo do corte foi um atraso de onze horas na reapresentação. Para o lugar dele, Fabinho, que estava com a seleção sub-21 em Doha, foi chamado e, desta forma, os Samba Boys completaram a passagem pelos Estados Unidos com dois jogadores com idade olímpica, Marquinhos e o lateral-direito. 

 Com esta mudança, o Brasil enfrentou o segundo rival sul-americano com apenas duas alterações: na vaga do cortado Maicon, entrou Fabinho; e David Luiz, que ficou de fora por conta de uma lesão, foi substituído por Marquinhos. Dunga não abriu mão das ideias apresentadas na reestreia à frente da seleção, o 4-2-3-1 torto com falso nove seguiu. A movimentação dos quatro homens mais ofensivos com o apoio de Ramires se repetiu e, mais uma vez, foi o ponto alto da atuação verde e amarela. 

 As trocas de posição constantes entre os meio-campistas e o atacante confundiam os adversários e davam uma dinâmica muito interessante ao setor ofensivo brasileiro. Porém, parece que ainda falta mais treino para que os movimentos sejam mais integrados e que produzam chances mais claras de gols. Pois, mesmo se mexendo bem, a seleção chutou pouco e não assustou tanto o bom goleiro Domínguez. A defesa, quando exigida, se portou bem e Miranda mostrou o mesmo nível altíssimo que apresenta desde a última temporada no Atlético de Madrid. 

Assim como no jogo frente aos colombianos, o gol brasileiro veio em lance de bola parada, porém, desta vez, não foi apenas a qualidade de Neymar que brilhou. Oscar bateu curto para o dez verde e amarelo, que, de primeira, jogou a bola na área, onde Willian apareceu libre para marcar o 1 a 0. Surpreende a ótima jogada, afinal, atualmente as seleções treinam muito pouco e o trabalho de Dunga foi recém-iniciado. Apresentar uma jogada ensaiada é um ponto bastante positivo, a torcida é para que isso continue nas próximas partidas, com novas jogadas trabalhadas, que podem ser um diferencial interessante desta nova seleção brasileira. 

No segundo tempo, com Ricardo Goulart, Everton Ribeiro e Philippe Coutinho nos lugares de Willian, Oscar e Tardelli, a movimentação foi ainda mais interessante. Neymar assumiu o centro do ataque e foi muito acionado nos contra-ataques. Mas, apesar de mais e melhores oportunidades terem sido criadas, o segundo gol não saiu. O capitão e principal jogador brasileiro perdeu um gol incrível, sob às traves. O Equador também atacou mais e esteve muito perto do empate, Filipe Luís salvou uma bola em cima da linha. 

Portanto, a volta de Dunga trouxe duas vitórias por placar mínimo e futebol, no máximo, nota sete. Alguns problemas se repetiram e, o maior deles, a dificuldade na saída de bola pelo centro do campo, não mudou nada. Mas há de se destacar algumas atuações individuais. A linha defensiva funcionou bem e, nos dois amistosos, Filipe Luís mostrou que está à frente de Marcelo na disputa pela vaga, mas deve se concentrar em ganhar a vaga no clube, onde iniciou como reserva. Outro que brilhou pelo Atlético 2013-14, Miranda, também largou bem na nova fase dos canarinhos. Não para deixar de falar de Neymar, pois segue em nível altíssimo e largou a era Dunga com um gol e uma assistência – na seleção principal já são 36 gols e 24 assistências. 

No lado negativo, existe um jogador que merece ser falado de forma especial. O atacante Diego Tardelli não agradou tanto. O jogador do Atlético Mineiro cumpriu em partes o que se espera de um falso nove, pois se mexeu bastante, abriu espaços e, até, ajudou na recomposição, deixando Neymar muitas vezes mais solto à frente. Mas ficou devendo na participação com a bola e na finalização nas poucas oportunidades que teve. Tardelli pode até melhorar nas partidas que virão, mas imagino que outro nome será testado – poderia ser o Roberto Firmino, do Hoffeheim – nos próximos amistosos. Nos dias 11 e 14 de outubro, os canarinhos enfrentam a Argentina e Japão, na Ásia, quando espero ver melhorias no jogo brasileiro.

sábado, 30 de agosto de 2014

Primeiras impressões Di María

 Apresantado para vestir a histórica camisa sete do United, Di María ainda não fez Louis van Gaal mudar a ideia de escalar a equipe com três zagueiros (Chris Brunskill/Getty Images)

Di María no United Na apresentação de Di María, Van Gaal deixou claro o que já havia especulado antes, o Manchester United precisava muito de um jogador do nível e estilo do argentino. “Eu comprei o Di María, pois ele pode jogar por dentro e pela ponta, o que é muito prático para o treinador”. Na estreia, contra o Burnley, o novo camisa sete dos red devils jogou pelo centro, à frente de Fletcher e ao lado de Mata. O posicionamento é bastante semelhante ao que o “Fideo” ocupava no 4-3-3 madridista, porém, na Espanha, o corredor esquerdo ficava muito para ele, neste início no United, Di María divide o espaço com o ala Young. 

A opção pela manutenção do esquema com três zagueiros – hoje um 3-1-4-2 – decepcionou a imprensa, pois muitos esperavam que, com Di María, o United passasse a jogar no 4-2-3-1 ou no 4-3-3. Sobre isso, Van Gaal também falou na apresentação do argentino: “esse é o processo. Eu não posso aclarar isso (a mudança de sistema), pois nós temos que ver no processo o que estamos fazendo. O que estou dizendo exatamente é que você não pode estalar seus dedos e mudar para outro esquema”.

 Manchester United - Football tactics and formations 
 Van Gaal não muda e sempre inicia as partidas com três zagueiros

Mesmo com a importante incorporação, o sistema tático não funcionou. O Burnley, de baixo investimento, atuou no 4-4-1-1 e, muitas vezes, exercia pressão na saída de bola dos red devils. No primeiro tempo, sem ajuda de Mata, Di María era o único que recuava para colaborar com o trio de zagueiros para iniciar a criação de jogadas. O resultado desta dificuldade para construir o jogo é que, no primeiro tempo, o United arriscou 50 lançamentos e completou apenas 23. Além disso, os Clarets assustaram De Gea. 

O técnico holandês manteve o desenho tático, mas Mata passou a auxiliar a saída de bola. A maior participação do espanhol ajudou em algumas jogadas, porém não foi constante, o Burnley seguia conseguindo evitar a melhor construção de ataques do United. Aos 69 minutos, Di María foi substituído e deixou o campo tendo criado as duas melhores oportunidades de gol dos red devils. A estreia do argentino foi boa, mas parece claro que o rendimento dele pode aumentar, principalmente, se puder ser um meia aberto e não um meia-central, como foi hoje. 

A outrora grande promessa, Anderson, entrou no lugar do camisa sete e foi executar a mesma função. O brasileiro até ajudou no início das jogadas, porém, faltando apenas 20 minutos para o final da partida, o United já optava pelo abafa. Os dois zagueiros abertos avançavam muito e os alas jogavam uma bola atrás da outra na área rival. O resultado foi ruim: ou a defesa ou o goleiro Heaton tiveram ampla superioridade nas jogadas e a insistência na alternativa aérea não produziu oportunidades claras de gol. 

As boas impressões deixadas pela estreia de Di María foram o melhor que o United ofereceu. Até aqui, em três partidas, dois pontos conquistados. Além disso, é bom destacar que Van Gaal insiste no esquema com três zagueiros, sem ter um defensor mais experiente e de nível mundial, o que faz falta. Os recém-contratados Rojo e Blind agregam ao clube, mas não são este jogador, ambos também são jovens, como aquilo que o United já tem no elenco. Pela coletiva na apresentação de Di María, o técnico holandês deixa claro que seguirá insistindo nos três zagueiros, porém, com os maus resultados se repetindo, a mudança tática pode ser necessária.

sábado, 23 de agosto de 2014

Um novo Bayern

Robben começou voando a temporada 2014-15, da mesma forma que terminou a Copa do Mundo 2014 (fcbayern.de)

Pep Guardiola é conhecido por ser um técnico bastante inquieto e que, mesmo com vitórias, sempre quer evoluir. Na temporada passada, o Bayern de Munique não repetiu a tríplice coroa e, na Liga dos Campeões, parou nas semifinais, ao perder para o Real Madrid por 5 a 0 no agregado. Além disso, foram raros os momentos em que os melhores jogadores ofensivos do elenco – Ribéry, Robben, Götze, Müller e Mandzukic – ficaram juntos em campo. Por isso, para 2014-15, desde a pré-temporada, o catalão vem desenhando um Bayern jogando no 3-4-3, sendo que um dos zagueiros seria o ótimo lateral-esquerdo Alaba. 

Depois de perder a Supercopa da Alemanha para o Borussia Dortmund, quando Jürgen Klopp superou completamente a ideia de jogo proposta pelos bávaros, o plano para a temporada não mudou. Pep Guardiola, inclusive, afirmou: “nós sofreremos do começo até a parada de inverno”. Na estreia da Bundesliga, o catalão manteve o pensamento inicial e, mesmo jogando no 4-2-3-1, os movimentos da equipe com e sem a bola mostravam claramente os três zagueiros. Na maior parte do tempo, o Bayern conseguiu controlar as ações e só não conseguiu um placar elástico por conta da boa atuação do goleiro Grün e da boa marcação executada pelo Wolfsburg. O jogador mais desequilibrante que estava em campo, Robben fez o que se espera dele: com um drible, venceu Luiz Gustavo e cruzou para Müller marcar de canela. 1 a 0.

  Bayern de Munique - Football tactics and formations 

Na volta do intervalo, Robben fez o dele em contra-ataque muito veloz, em que o holandês fez o desarme, tabelou com Lewandowski e marcou de canhota. Logo depois, em descuido da zaga somado à falha de arbitragem, Olic, ajeitando a bola com a mão, fez um golaço da entrada da área. Os lobos tomaram conta do jogo e ficaram muito próximos de empatar, o jovem e promissor volante belga, Júnior Malanda, perdeu gol incrível, que decretaria o 2 a 2. 

O camisa dez marcou a diferença da partida, com um gol e uma assistência. Na verdade, se não fosse um erro do auxiliar, teria conseguido duas assistências, mas o 3 a 1 marcado por Rode foi anulado. Robben largou a temporada no ritmo de melhor jogador da Copa e fez com que o Bayern atacasse em 42% das vezes pela direita, setor em que o holandês, praticamente, monopolizou as jogadas. O lado destro do ataque não teve tanta a presença de Lahm, que, na primeira etapa, ficou mais como zagueiro do que lateral. Pois, no flanco canhoto, Bernat recompunha sem a bola, porém, na posse dela, se alinhava com Alaba e Guadino, empurrando Götze para o centro e deixando Müller bem próximo ao centroavante Lewandowski.

  Bayern de Munique - Football tactics and formations 

Além da interessante movimentação com a bola, que deixava o time com os três zagueiros imaginados na pré-temporada, foi importante notar a confirmação de Guadino. O jovem fez ótimos amistosos e, assim que as partidas passaram a valer, a relevância do meia-central de 17 anos não mudou. Contra o Wolfsburg, foram 57 passes completados dos 59 tentados, incrível índice de 96,6% de acerto. Com Schweinsteiger e Thiago às voltas com lesões, Guadino pode ter papel importante neste novo Bayern e, até aqui, quando exigido, o jovem não decepcionou.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Olho nelas: Costa do Marfim

Anteriormente, neste ano, destaquei a Bélgica (goo.gl/ksXKAM) e a Colômbia (goo.gl/nN2Gow) como candidatas a incomodar as maiores seleções no Mundial. Tinha prometido uma seleção africana também para este especial “Olho Nelas” e, com a confirmação das classificadas no continente, decidi escrever sobre a Costa do Marfim.

Costa do Marfim

 Drogba, Yaya Toure e cia virão ao Brasil como última chance de marcarem os nomes na Copa do Mundo (AP Photo/Armando Franca)

Há anos vemos insucessos consecutivos daquela que é, sem dúvida, a melhor geração de futebolistas da Costa do Marfim. O grupo que tem Drogba e Yaya Toure como grandes destaques não venceu nada na seleção e perdeu as finais da Copa de Nações Africanas em 2006 e 2012. No mesmo período, os elefantes tiveram o que comemorar, pois foram aos últimos dois mundiais, mas também não tiveram sucesso. Nas Copas, caíram em grupos considerados muito difíceis para a classificação e, de fato, não alcançaram a segunda fase da disputa. 

O elenco, que chegará ao Brasil, é muito experiente e deve ser muito semelhante aos grupos que estiveram presentes nas últimas grandes competições disputadas pelos marfinenses. Em 2010, nove dos 23 jogadores que foram à Copa na Alemanha também embarcaram para a África do Sul. Esta continuidade reflete em campo com o bom entrosamento e, fora das quatro linhas, pois, os jogadores mostram bastante integração e não existem grandes notícias de polêmicas ao redor da equipe. O capitão marfinense Drogba explicou o que representa este grupo de jogadores: “todas as etnias do nosso país atualmente estão representadas nesta seleção”. Além disso, o camisa 11 destacou a importância que os elefantes têm hoje para o país: “O futebol é o esporte mais popular e é o esporte que coloca do todo o país”. 

Por outro lado, o técnico é inexperiente. O ex-meia da seleção francesa, Sabri Lamouchi, assumiu o comando da seleção, após o vice-campeonato da Copa Africanas de Nações de 2012. Com o francês, um ano depois na mesma competição, os marfinenses pararam nas quartas de final frente à Nigéria, que, posteriormente, seria campeã. Apesar do revés, a federação do país manteve o treinador, “demitir o técnico, após derrotas, não é uma decisão sábia”. A escolha foi correta, pois, com Lamouchi, a Costa do Marfim alcançou a terceira Copa consecutiva. 

 O 4-2-3-1 tem o claro objetivo de deixar Yaya Toure mais participativo no ataque (clique na imagem para ampliar)

Desde 2012 à frente da seleção, o ex-jogador é um estudioso do futebol. No final do ano de estreia na nova função, visitou José Mourinho no Real Madrid. Com Lamouchi, os elefantes deixaram o 4-3-3 e passaram a jogar no 4-2-3-1 (foi assim na volta contra Senegal). Desta forma, Yaya Toure foi fixado na função de meia-central – às vezes, joga assim na Inglaterra –, o jogador do City não deixa de colaborar com a marcação, porém joga mais à frente, participando mais do jogo ofensivo. Ter o camisa 19 mais participativo no ataque é fundamental para o sucesso marfinense, pois hoje é o melhor jogador tecnicamente do país e jogando nesta função tem mais possibilidades de finalizar de fora da área e de servir os companheiros. 

Além da mudança de esquema, Lamouchi, aos poucos, dá espaço para jogadores mais jovens, que, ao contrário das referências atuais, poderão seguir na seleção por muito tempo. Manter o atual nível é difícil, mas existem bons nomes, como o centroavante gigante (2,3m), Lacina Traoré; o também homem de área Wilfried Bony, que foi artilheiro da Eredivisie 2012-13 jogando com o Vitesse, com 31 gols; e o lateral Serge Aurier, que tem boas chances de ser o titular no Brasil. 

O já histórico elenco dos elefantes, com o acréscimo destes bons jogadores jovens, se concretiza como a melhor seleção africana no ranking Fifa, com a 17ª colocação. Porém, mesmo no topo do continente e com um grupo forte capaz de surpreender no Mundial, Costa do Marfim precisará da sorte, que não teve nos últimos sorteios de Copa do Mundo, para alcançar uma colocação melhor na disputa de 2014.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Olho nelas: Colômbia

Colômbia 

 Falcao García é o dono da bola, mas a Colômbia não se resume ao artilheiro (EFE/Mauricio Duenas)

A história recente do futebol colombiano é semelhante à dos belgas, porém, com um ponto mais negativo e outro bastante positivo. Os sul-americanos não iam ao Mundial desde 1998 (portanto, 16 anos de ausência), mas tiveram um brilho continental depois disso, com a conquista da Copa América disputada em casa, em 2001, quando Aristizábal esteve em grande destaque, conquistando a artilharia do torneio.

Esta geração colombiana bebe da fonte de times que tiveram sucesso recente no futebol base mundial e sul-americano. O trio de meias, Guarín, Aguilar e Macnelly Torres ficou em terceiro lugar no Mundial sub-20 2003. Dois anos depois, o grupo mudou, mas Guarín e Aguilar estavam lá, e ganharam companhia de Zapata, Valdés, Zuniga, Edwin Valencia e Falcao García. Com este grupo, sob o comando de Reinaldo Rueda – hoje, técnico do Equador, que também virá a Copa de 2014 –, a Colômbia foi campeã sul-americana sub-20, deixando Argentina, de Messi e Lavezzi; e o Brasil, de Sóbis e Fernadinho; para trás. No título, Rodallega, que iniciou a competição como reserva, foi o grande destaque, com 11 gols. O artilheiro daquela disputa hoje nem está mais no elenco tricolor, o que mostra as boas opções ofensivas desta seleção. 

A história desta Colômbia começa a mudar quando a Federação escolhe Hernán Darío Gómez, no meio de 2010, para assumir a seleção com o único objetivo: voltar ao Mundial. No meio deste percurso, os cafeteros fizeram ótima campanha, na primeira fase da Copa América de 2011. Mas caíram logo em seguida, nas quartas de final e, com isso, o treinador deixou o comando da equipe. O auxiliar Leonel Álvarez foi promovido ao cargo de técnico principal, porém, a trajetória tricolor mudou mesmo com a chegada do argentino (com passagem longa pela Colômbia, quando era jogador) José Pekerman, no início de 2012. 

“Ele tratou de nos dar a confiança necessária para que pudéssemos jogar da forma como estamos acostumados: tentando competir de igual para igual tanto em casa quanto fora e buscando sempre as vitórias sem rodeios. Hoje em dia, somos uma seleção mais madura e equilibrada”. Disse Falcão García ao site da Fifa recentemente. O principal jogador da tricolor (um dos principais atletas do mundo) mostra a importância de Pekerman, o homem que consegue dar equilíbrio à Colômbia. Pois está claro que a parte ofensiva da seleção tem muito talento, porém, nas Eliminatórias, além do bom ataque, a defesa é a melhor da tabela ao lado da Argentina, méritos para o comandante. 

 Um volante mais fixo e quatro meias buscando municiar o brilhante centroavante, Falcao García (clique na imagem para ampliar)

Taticamente o time joga prioritariamente no 4-1-4-1, porém, muitas vezes, com o avanço dos meias-externos passa a ser um 4-3-3. Um ponto importante para o bom funcionamento do esquema cafetero e que não tem funcionado ultimamente é o meia-central Guarín, que vive má-fase técnica na Internazionale, mas que foi fundamental na campanha da Copa América de 2011. Nestes oito meses que separam a Colômbia do Mundial, um dos principais trabalhos de Pekerman será a recuperação do camisa 13.

Após viver “uma das maiores alegrias da minha vida”, o técnico argentino e seus dois auxiliares seguirão trabalhando muito. Durante a trajetória à frente da seleção, o trabalho de pesquisa sobre os adversários foi destacado pelos comandados e poderá fazer a diferença na Copa de 2014. Para dar mais bagagem aos cafeteros, a Federação Colombiana também trabalha e, em novembro, agendou amistoso frente à Bélgica e Holanda, na Europa.

Acostumar os jogadores à grandes jogos, com seleções que estarão na Copa, poderá ser o antídoto para a falta de experiência em Mundiais do elenco tricolor. A inexperiência é algo que poderá pesar à esta geração colombiana: dos 23 jogadores constantemente convocados por Pekerman, apenas o goleiro reserva Mondragón esteve em uma Copa do Mundo. Mesmo com a maioria dos cafeteros jogando há muito tempo na Europa, não ter disputado um Mundial poderá ser mais um desafio para a boa seleção colombiana. Mas com o incrível centroavante Falca García e o comando do equilibrado José Pekerman, sim, a Colômbia poderá surpreender na Copa do Mundo, que, muito possivelmente, virá ao Brasil como cabeça de chave.

PS: talvez, tenha mais algumas seleções que serão abordas aqui na "Olho nelas", porém, deverão ser faladas apenas mais para frente.

domingo, 13 de outubro de 2013

Olho nelas: Bélgica

Estes últimos dias foram de definições nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014. Agora, temos 14 seleções classificadas e faltam 18 seleções para a composição do grupo de 32 que virão ao Brasil. Mas, entre as prováveis oitos cabeças (escolhidos através do Raking da Fifa de outubro), duas chamam muito a atenção por não serem das escolas de futebol mais tradicionais do mundo: Bélgica e Colômbia. Primeiro, falarei dos europeus, os sul-americanos serão assunto do blog nos próximos dias também. 

Bélgica 

Wilmots é festejado pelos comandados após a confirmação da classificação ao Mundial no Brasil (Ag. Reuters)

Os belgas se garantiram, com uma rodada de antecedência, no grupo A, que contava com Croácia, Sérvia, País de Gales, Escócia e Macedônia. Portanto, o primeiro teste dos diabos vermelhos, após a decepção da não classificação à Euro 2012, envolveu adversários interessantes. A formação da já famosa “ótima geração belga” chama muito a atenção e a volta ao Mundial, 12 anos após a última participação em 2002, começou em 2001, um ano antes da eliminação para o Brasil nas oitavas de final, depois de ter um gol de Marc Wilmots mal anulado. O ex-atacante é o treinador da equipe desde 2012, mas está na comissão técnica desde 2009. 

A ideia veio por conta da eliminação na primeira fase da Euro 2000, realizada na Bélgica e na Holanda, onde a equipe venceu apenas uma vez e só marcou dois gols. Por isso, a reestruturação foi iniciada já em 2001, com o objetivo de fortalecer as categorias de bases dos clubes do país, para que eles não desperdiçassem eventuais talentos. O plano foi idealizado pelo diretor técnico da Federação Belga, Michel Sablon que via a Jupiler League mal, o que prejudicava a formação das seleções de base. 

A reformulação envolveu os times, as seleções e os técnicos, Sablon conveceu que até os 18 anos, todos no país deveriam desenvolver as equipes no 4-3-3 e não havia a necessidade de pensar nos resultados, que era o objetivo de todos os treinadores da base. A conclusão do diretor técnico veio após ter acesso aos vídeos de 1500 partidas pelo país. A mudança de mentalidade também passou por aí, os garotos mais jovens passaram a jogar em campo reduzido, primeiro jogando cinco contra cinco, depois, sete contra sete, e, por fim, 11 contra 11, no campo oficial. Desta forma, o foco se tornou o desenvolvimento técnico e não as vitórias. 

 Provável escalação titular da Bélgica no 4-1-4-1 de Wilmots (Clique na imagem para ampliar)

O trabalho trouxe reflexo em campo, hoje, a Bélgica tem grande seleção e muitos jogadores que fazem parte do elenco principal jogam, com destaque, em importantes clubes europeus, principalmente, na Inglaterra. Wilmots não faz o time jogar no 4-3-3, mas sim no 4-1-4-1, uma configuração tática bem parecida. Os pontas De Bruyne (ou Mirallas ou Mertens) e Hazard são bem ofensivos, por isso, muitas vezes, se transformam em atacantes pelo lado, mas não esquecem da recomposição no meio. 

No ataque, tanto Lukaku quanto Benteke são jovens e vivem ótimo momento, ambos têm a capacidade de segurar bolas, em eventuais ligações diretas. “Mas quando nos apertam, sabemos defender e jogar diretamente ao ataque com Lukaku ou Benteke, que sabem segurar a bola”, destacou ao jornal El País, o goleiro Courtois. O jogador do Everton fez um gol desta forma na última partida frente à Croácia. Por isso, marcar gols não deverá ser o problema belga. 

Porém, mesmo muito badalada, a Bélgica tem alguns problemas. O meio-campo conta com dois jogadores de boa altura, imposição física e boa qualidade no passe, Fellaini e Witsel (o 1° volante), além deles, faz parte do setor Defour, outro jogador de toque de bola, mas com menos poder de marcação. Por isso, o grande problema da equipe é o trabalho defensivo. Mesmo contado com zagueiros pela lateral, Alderweireld e Vertonghen, que não vão juntos ao ataque, se insistir com Van Buyten na zaga, Wilmots poderá ter problemas. Kompany e Lombaerts parecem ser a melhor composição da defesa central. 

Salbon declarou ao DailyMail recentemente que: “Nós não somos os melhores, mas estamos trabalhando duro para estarmos entre os melhores”. As palavras do principal responsável por esta geração belga, mostram claramente a noção da limitação desta ainda jovem – e inexperiente – seleção. O talento é óbvio, mas, em um Mundial, a falta de experiência poderá pesar negativamente. Por outro lado, há a solidez do trabalho realizado e a qualidade da equipe, portanto, mesmo com alguns problemas, ver os Diabos Vermelhos em uma eventual quartas de final da Copa de 2014 não é improvável.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A Inter de Mazzarri

 Gol de Cambiasso abriu o caminho para a virada da Inter, que, com isso, segue na perseguição da Roma na Serie A (Inter.it)

Acostumado a jogar com três zagueiros no Napoli, Walter Mazzari chegou à Inter e encontrou um time que já atuava desta forma, porém, sem o mesmo sucesso na execução do esquema. Com o técnico da Toscana, os nerazzurri vem atuando bem no 3-5-1-1, com Álvarez flutuando atrás do único centroavante. O resultado é um ótimo início de temporada: seis jogos, cinco vitórias, um empate, 19 gols marcados e apenas dois sofridos. Por isso, a Inter já está na quarta da fase da Coppa Italia e é a vice-líder da Serie A. 

A campanha no Campeonato Italiano é especial, pois, a Beneamata é dona do melhor ataque (15 gols), da segunda melhor defesa (2 gols sofridos) e está a apenas dois pontos da líder Roma. O curioso é que a dupla de líderes da Serie A 2013-14 é formada, justamente, por equipes que não se classificaram às competições europeias no ano passado. Para a Inter, é interessante observar que a boa largada acontece mesmo já tendo enfrentado a toda poderosa Juventus (1 a 1, no Giuseppe Meazza). 

 Posicionamento inicial das equipes, com um pequeno erro no número da camisa, ele é oito e não o nove (Clique na imagem para ampliar)

Na tarde desta quinta-feira, os nerazzurri passaram por mais um grande desafio, a Fiorentina, mais um grande jogo dentro de casa. Os viola também vinham de bom início de campeonato, mas com a derrota frente à Inter, já ficaram um pouco para trás. No Giuseppe Meazza, a Inter iniciou o jogo como está acostumada nesta temporada: deixa a bola com o rival, se defende muito bem e é muito forte no contra-ataque. Na fase defensiva do jogo vale destacar a ótima contratação de Campagnaro, o zagueiro direito do time e que parece passar tranquilidade aos companheiros mais jovens, Ranocchia e Juan Jesus, este último mal frente à Fiorentina, mas bem na temporada. Porém, ofensivamente, o time não funcionou tão bem – Guarín, ao contrário do ano passado, vai mal. 

Por isso, no primeiro tempo, a Fiorentina no 4-3-2-1 foi mais perigosa. Chutou mais vezes no gol, exigiu algumas boas defesas do ótimo Handanovic e dominou a posse de bola (41% a 59%). Os contra-ataques dos nerazzurri vieram através dos 17 desarmes (ótimo número), o que fizeram com que muitos ataques interistas fossem iniciados pelos zagueiros – Campagnaro foi muito ativo pela direita, na primeira metade do primeiro tempo. 

O gol não saiu, mas, na volta do intervalo, em pênalti bobo de Juan em Joaquín, Rossi abriu o placar. O ítalo-americano, que, nos últimos anos, sofreu com muitas lesões dá bons sinais de recuperação neste ano. Hoje, Rossi é artilheiro da Serie A 2013-14, ao lado de Cerci, do Torino. A Fiorentina apostou no jogador, quando ele estava em baixa na segunda divisão espanhola com o Villarreal, e vai colhendo resultados em campo. 

 A Inter, com dois atacantes, após sofrer o 1 a 0 (Clique na imagem para ampliar)

Após o gol, a Fiorentina recuou e passou a jogar no 4-1-4-1, Ambrosini era o volante e, durante toda a partida, tentou acompanhar Álvarez. A Inter também mexeu, Taider deu espaço à Kovacic e, Guarín, saiu vaiado para a entrada de Icardi, ficando muito irritado com a torcida. Com isso, os nerazzurri foram para o 3-4-1-2, esquema que acredito que deve ser o ideal para o restante da temporada, portanto, Taider perderia espaço e Milito ganharia vaga no ataque. As mudanças deram resultado para a Inter, que passou a dominar a posse de bola e ficar mais no ataque. A partir daí, foram oito finalizações interistas. A Fiorentina finalizou na mesma quantidade, porém, quatro arremates foram dados, após os 83 minutos de partida, ou seja, quando os nerazzurri já estavam à frente do placar e sofreram o famoso “abafa” na reta final do jogo. 

Os gols da Inter vieram em cruzamentos. O primeiro, após bola da esquerda e muita confusão na área, Cambiasso matou a redonda no peito e fez de voleio. O gol da vitória veio com Jonathan, o lateral, que começou bem a temporada, não vinha bem na partida, porém, apagou a má atuação com a jogada decisiva. A assistência para o 2 a 1 veio com Álvarez – terceira do argentino na Serie A 2013-14 –, em cruzamento da esquerda. 

A defesa nerazzurra, que já foi elogiada neste texto, mostra eficiência através dos números do site WhoScored, pois lidera a Serie A 2013-14, em desarmes por partida, são 27,4 por jogo. Além disso é o quarto time que menos deixa os rivais finalizarem em seu gol, permitindo apenas 11,2 arremates por partida. E é o sétimo time em interceptações, com uma média de 16,8 a cada 90 minutos. 

Baseado no ótimo sistema defensivo, na força ofensiva dos alas e no ótimo começo de temporada de Álvarez, a Inter promete incomodar na Serie A. Porém, se Guarín crescer de produção e, Mazzarri, optar por colocar alguém ao lado de Palacio, para que ele não fique mais sozinho no ataque, os nerazzurri podem melhorar ainda mais.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Intenso e mortal

O Manchester City foi o último favorito ao título da Premier League a estrear em 2013-14. A espera para ver o time sob o novo comando de Manuel Pellegrini valeu, pois os Citizens largaram muito bem e fizeram o maior placar da abertura do Inglês, com um 4a 0 para ninguém colocar defeito.
 
(Clique na imagem para ampliar)
 
O técnico chileno estreou montando o time em um 4-4-2, com Jesús Navas (buscando mais a linha de fundo) e David Silva (muitas vezes, centralizando o jogo) pelas pontas e a dupla Agüero e Dzeko se movimentando muito na frente. Do outro lado, Alan Pardew optou pelo mesmo esquema, mas com a postura mais defensiva. Quando os Magpies ficavam sem a bola, o atacante Gouffran recuava para colaborar com a marcação, deixando apenas o sumido Pappis Cissé no ataque – recebeu 37 passes, apenas dois deles no último terço do campo.
 
A intensidade dos Sky Blues chamou a atenção desde o apito inicial, com os quatro meio-campistas chegando bem no ataque e com Zabaleta apoiando bastante também. Com seis minutos, Silva abriu o placar, aproveitando rebote de cruzamento de Dzeko, muito ativo durante todo o jogo. A pressão na saída de bola e a postura bem ofensiva chamavam a atenção. O segundo gol veio com um desarme de Kompany, que passou para o campo de ataque, onde o bósnio desviou de calcanhar e Agüero bateu o defensor para chutar no canto de Krul.
 
A expulsão de Taylor no final da primeira metade da partida fez o Newcastle se fechar no 4-4-1, com Papiss Cissé buscando dar opção nas duas pontas, mas o centroavante dos Magpies seguiu sendo pouco acionado. O volume de jogo do City aumentou, pois teve as linhas avançadas, volantes atacando mais e os dois laterais passaram a aparecer no ataque – Clichy não subia no primeiro tempo. Yaya Touré logo fez o terceiro da partida, em cobrança milimétrica de falta, sem chances para Krul, que fez uma boa exibição.
 
 (Clique na imagem para ampliar)
 
Com o jogo definido, os Citzens tiraram um pouco o pé e Pellegrini mudou a forma de jogar: sacou Agüero e colocou Nasri, fazendo a equipe adotar o 4-2-3-1, esquema tão utilizado na era Mancini no clube. Desta forma, o City chegou ao 4 a 0. Zabaleta tocou da linha média, Dzeko abriu as pernas, Nasri ganhou na corrida de Debuchy e marcou. Negredo ainda faria o quinto, porém o gol posteriormente foi anulado.
 
A grande dupla de volantes: Yaya Touré e Fernandinho
 
Na pré-temporada, a contratação de Fernandinho junto ao Shakhtar Donetsk, por 40 M €, chamou a atenção e fez com que o mundo do futebol ficasse ansioso para ver como seria a parceria com Yaya Touré. Ambos marcam bem e têm boa chegada ao ataque, mas têm diferenças: o brasileiro é mais veloz e o marfinense é mais forte, ou seja, a dupla da volância sky blue é completa.
 
 Setas azuis são passes certos, vermelhas passes errados e a cruz amarela são as bolas recuperadas (FourFourTwo Stats Zone)
 
A estreia mostrou como deve funcionar a dupla. O camisa 42, que chegou a atuar como meia-atacante no clube, ficou mais preso neste jogo. Na primeira etapa, quando as equipes tiveram 11 jogadores em campo, o marfinense até apareceu no ataque, mas focou sua atuação na faixa central do campo e, muitas vezes, facilitou a saída de bola, recuando para ajudar os zagueiros (imagem).
 
 (FourFourTwo Stats Zone)
 
Enquanto isso, Fernandinho apareceu, principalmente, da faixa central para o ataque (imagem) dos citzens. A tendência é de que o posicionamento de ambos fique desta forma. Porém, a alternância natural da dupla, com chegadas do marfinense no setor ofensivo também irá ocorrer. No segundo tempo, com um jogador a mais, a presença dos volantes (e, no geral, de todo o time do City) foi ainda mais forte no ataque.
 
Depois de uma temporada decepcionante, com eliminação na primeira fase da Liga dos Campeões, derrota para o rebaixado Wigan na final da FA Cup e o vice-campeonato inglês com 11 pontos de desvantagem para o rival Manchester United algumas mudanças importantes foram realizadas. Os citzens mudaram o comando técnico e investiram 111 milhões de euros nas ótimas contratações de Fernandinho, Jovetic, Jesús Navas e Negredo.
 
Com as aquisições, o elenco se torna o melhor da Premier League e, pela impressão deixada na primeira partida, Manuel Pellegrini dá sinais que fará o City brigar por títulos, inclusive em âmbito europeu.
 
Post originalmente publicado na coluna de análise táticas, do site Premier League Brasil, também mantida por este blogueiro.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Em busca do 24° título

 Robben e Ribéry: a exepcional dupla do Bayern decidiu na estreia da Bundesliga (Imago)

O Bayern de Munique começa a Bundesliga 2013-14 ainda mais favorito. Na temporada passada, a equipe de Jupp Heynckes venceu a Copa da Alemanha, a Liga dos Campeões e a Bundesliga. A última conquista veio de forma irrepreensível: nos 34 jogos, 29 vitórias, 4 empates e 1 derrota, com 98 gols marcados (melhor ataque) e apenas 18 sofridos (melhor defesa) – de quebra, 25 pontos de vantagem para o vice-campeão, Borussia Dortmund.

Como manda a tradição alemã, o campeão do ano anterior é o responsável por abrir o campeonato posterior. Por isso, os bávaros receberam o Borussia Monchengladbach na Allianz Arena. Com o novo técnico do Bayern, Guardiola, que realizou muitas experiência durante a pré-temporada, a expectativa era de grandes mudanças na escalação dos donos da casa. Porém, na prática, não foram grandes mudanças, do 4-2-3-1, a equipe passou a jogar no 4-1-4-1 para enfrentar um adversário armado no 4-4-2.

 A escalação inicial de Guardiola foi parecida com o Bayern de 2012-13 (clique na imagem para ampliar)

Acostumado a não usar um centroavante de ofício nos últimos tempos de Barcelona, Guardiola abdicou de usar um nove na maioria dos jogos da pré-temporada, mas, na estreia, Mandzukic foi mantido entre os 11. Por não ser um jogador estático, o croata abre espaços para a penetração dos meias e ajuda na marcação também. Outra novidade foi Schweinsteiger como único volante, bem recuado o camisa 31 facilitou a saída de bola bávara – Kroos, às vezes, recuava para colaborar com Schwein. À frente dele, Robben, Müller, Kroos e Ribéry infernizaram a marcação adversária, com muita movimentação e finalizações de fora da área.

A já famosa combinação de Ribéry com Robben foi responsável pelos dois gols do Bayern. Primeiro, o francês lançou para o holandês marcar. Depois, o camisa dez cruzou, o camisa sete finalizou e, no rebote, o centroavante Mandzukic marcou. Parecia que seria fácil, pois os bávaros controlavam a posse de bola (terminaram o primeiro tempo com 60%) e tinham boas chances em arremates de longe. Porém, Ter Stegen, que não estava muito bem, começou a aparecer e foi decisivo.

Os Protos assustavam em contra-ataque, encontrando espaços na defesa (ponto mais fraco do time) do Bayern e Neuer aparecia bem. Mas, no final da primeira etapa, o Monchengladbach recuperou uma bola na linha média e, com Arango na ponta-esquerda, conseguiu o cruzamento na área. Dante se preciptou, antecipou Neuer e, de carrinho, fez contra. A jogada seria defendida tranquilamente pelo goleiro bávaro, pois Raffael, que chegava para finalizar, estava atrasado. Com gol e o 2 a 1 no placar, o jogo ganhou novo ânimo para o segundo tempo.

O  ritmo da segunda etapa foi alucinante, e o Monchengladbach quase empatou a partida logo no início de jogo. Foram algumas oportunidades dos Potros, que viam, no contra-ataque, o Bayern assustar. A troca de ataques chamou a atenção e levou o comentarista do Esporte Interativo, Vitor Sergio a declarar, em seu twitter: “Hoje a velocidade com q os times alemães ‘trocam ataques’ é algo fora da realidade. O time leva bola na trave e 10s depois tem chance clara” – impressiona mesmo.

O gol   que matou o jogo veio em lance confuso, aos 65 minutos. Primeiro, o árbitro marcou um pênalti em toque de mão. Müller cobrou e Ter Stegen fez a defesa, mas, no rebote, nova penalidade, em outro toque no braço. Desta vez, Alaba cobrou e marcou deslocando o jovem goleiro do Borussia Monchengladbach.
Com o 3 a 1, Guardiola teve tranquilidade para fazer algumas experiências. O 4-1-4-1 foi deixado de lado e entrou em ação um 4-3-3. No ataque, Robben espetado na ponta-direita, Ribéry bem enfiado no lado esquerdo e Mandzukic no centro. A opção visava explorar a velocidade dos ponteiros para ampliar nos contra-ataques, o que não ocorreu.

Além disso, o técnico catalão armou o meio-campo com o zagueiro Kirchhoff (ex-Mainz) de primeiro volante, Lahm como meia pela direita e Kroos (depois substituído por Javi Martínez) pela esquerda. Esta alternativa com o camisa 21 como volante/meia foi bastante comum na pré-temporada e segue sendo aprimorada. Com Lahm jogando mais à frente, quem tem entrado para ocupara a lateral-direita é Rafinha, que, desde o deslocamento de Alaba para a lateral, não teve grandes oportunidades para ser titular do time.
Vitória por 3 a 1, grandes atuações de Robben e Ribéry e ainda Mario Götze para entrar no time, o panorama ofensivo do Bayern parece ser bastante promissor neste ano. Os pontos negativos da estreia na Bundesliga foram a defesa, que não teve boa jornada, e Müller, que não rendeu no nível habitual, ao jogar como meia-central no 4-1-4-1 inicial dos bávaros.