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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Enfermedades Futboleras 11

Mesmo com dificuldade de tempo e pouco retorno, sigo destacando algumas coisas do final de semana do futebol europeu. Nesta rodada, sobraram bons jogos. 

Massacre incontestável 

 Em ótima exibição, Jesús Navas marcou o primeiro doblete da carreira, após 443 partidas oficiais (Manchester City)

Algumas exibições do Manchester City em 2013-14 fazem, sem dúvida nenhuma, parte do grupo das melhores partidas da temporada. O 6 a 0 frente ao Tottenham deste domingo foi uma delas. No 4-4-2, os citzens contaram com a dupla Agüero e Negredo se mexendo muito no ataque e com as constantes chegadas dos meias, Nasri, que cresceu muito com Pellegrini, e Jesús Navas, quase um ponta pela direita. Além disso, a dupla de volantes Fernandinho e Yaya Toure novamente combinou bem: atacando e defendendo. Como é costume quando jogam em casa, os sky blues jogaram muito avançados e sempre marcando pressão a saída de bola dos rivais. 

Aos 13 segundos de jogo, Jesús Navas abriu o placar para o City, em jogada que ficou clara a importância da marcação no ataque do time – oito bolas ganhas no campo ofensivo durante o jogo. A partir daí, o massacre só foi se concretizando, pois os spurs não reagiam ao massacre ofensivo imposto pelos citzens. Uma ótima finalização de Negredo provocou um gol contra de Sandro e Navas fez assistência para Agüero marcar, 3 a 0 no primeiro tempo. O Tottenham teve mais posse de bola, mas produziu pouco e só acertou uma vez a baliza defendida por Pantilimon. 

Como dito acima, os volantes participaram bem do jogo e os dois primeiros gols da segunda etapa tiveram a participação deles. Primeiro, Yaya Toure começou a jogada no campo defensivo e só terminou fazendo a assistência dentro da área para Agüero marcar. Foi o décimo gol do argentino que se tornou o artilheiro da Premier League. Depois, um passe de Fernandinho proporcionou o quinto de Negredo na competição, um golaço que contou com drible impressionante em Dawson (gols no primeiro vídeo deste link). Já nos acréscimos, Navas fez o segundo dele na partida e o sexto do City, decretando o desmoralizante 6 a 0.

 Mais uma goleada em casa mostra a dualidade da campanha dos citzens, pois, no Etihad Stadium, são seis jogos, seis vitória, 26 gols marcados e apenas dois sofridos. Longe de casa, o desempenho é completamente diferente: uma vitória, um empate, quatro derrotas, oito gols marcados e dez sofridos. Conseguir um nível de futebol semelhante ao apresentado em Manchester colocará o City ainda mais próximo da liderança da Premier League. Hoje, o clube ocupa a quarta colocação a seis pontos do líder Arsenal. 

O jogo do personagem 

 Götze parece estar se acertando no Bayern e aproveitou o jogo frente ao Dortmund para brilhar, mas, apesar do recebimento hostil, ele não comemorou o gol que marcou (Agência Reuters)

Sem o habitual protagonista, Ribéry, o Bayern manteve o 4-1-4-1, com Lahm de volante, Thomas Müller ocupando a ponta-direita e Robben na função de Ribéry pelo lado esquerdo. Mas o verdadeiro protagonista do jogo viu do banco os primeiros 55 minutos da partida. Götze, que, pela primeira vez, enfrentava o ex-clube e logo no Signal Iduna Park, viu o Bayern dominando o jogo, com mais posse de bola, domínio territorial e mais chegadas com perigo. Porém, os bávaros não foram absolutos e sofreram com ataques dos aurinegros, que paravam em Neuer. O goleiro era outro grande personagem da partida, afinal, é cria do maior rival do Dortmund, o Schalke e, por isso, nunca deixa de receber vaias quando encontra o antigo adversário. 

Como dito acima, Götze assistiu a 55 minutos do jogo no banco, nos outros 35 minutos, o camisa 19 bávaro esteve em campo como falso nove e atuou sempre sob vaias. Porém, houve um grande momento em que as vaias cessaram em direção ao ex-ídolo, onze minutos após ele entrar em campo. Neste instante, Lahm abriu o jogo na ponta-direita com Müller, que cruzou rasteiro para a entrada da área, onde Götze apareceu, dominou de esquerda, por décimos de segundo ouvi vaias e, de três dedos, finalizou com a perna direita no canto esquerdo de Weidenfeller, que até tocou na bola, mas não conseguiu evitar o gol. O ex-borussiano não comemorou, mas nem precisava, pois já havia ferido de morte o ex-clube. O silêncio aumentou quando, em contra-ataque iniciado por Götze e Tiago, Robben fez o segundo dos bávaros. Müller ainda fechou o placar em assistência de Lahm. 

Ao final do jogo, o protagonista Götze cumprimentou todos os ex-companheiros e membros da comissão técnica do Borussia. Com certeza, o camisa 19 bávaro terá sempre boas recordações deste reencontro com o Signal Iduna Park. Por outro lado, os aurinegros não vão querer recordar: placar elástico para o rival, sofrer gol do ex-craque e em casa. O golpe foi duro para o Borussia Dortmund, que agora está a sete pontos do líder Bayern, e ainda tem jogo decisivo pela Liga dos Campeões na Itália, contra o Napoli, na terça-feira. O apoio da muralha amarela ao final da partida pode ser o diferencial para a reação aurinegra na LC.

Rodada representativa 

Ultimamente na Espanha além de Barcelona e Real Madrid, o Atlético de Madrid também está alguns patamares acima dos demais clubes em La Liga. Neste final de semana, a rodada deixou isso muito claro e, o detalhe, os principais jogadores de cada time não jogaram o tempo todo: Messi segue lesionado no Barça, Ronaldo marcou um gol, mas saiu lesionado aos 54 minutos pelo Real e Diego Costa entrou aos 62 minutos e teve tempo de marcar um golaço de bicicleta para o Atlético. Somados os três líderes marcaram 16 gols e não foram vazados. Os blaugranas fizeram 4 a 0 no Granada; os merengues foram mais cruéis com o Almería, 5 a 0; e os colchoneros aplicaram uma goleada ainda maior, 7 a 0 no Getafe. Na tabela, Barcelona é o primeiro com 40 pontos, o Atlético de Madrid vem em segundo com 37 e o Real Madrid é o terceiro com 34 pontos. O próximo na classificação é o Villarreal que está a sete pontos dos blancos, portanto, já há uma grande diferença no campeonato.

Clássico de Liverpool 

 Lukaku vem deixando a marca dele com a camisa do Everton: são sete gols, em 12 rodadas (Premier League)

Não faltou emoção ao dérbi de Liverpool. O jogo dos jovens técnicos, que gostam de ter a bola com os seus times, Roberto Martínez e Brendan Rodgers, foi uma partida das bolas paradas: dos seis gols da partida, apenas um veio em jogada trabalhada. No empate em 3 a 3, o Everton foi melhor na maior parte do tempo. Os toffees apostaram na marcação pressão e, por isso, conseguiram nove desarmes no campo ofensivo – Pienaar o ponta-esquerda no 4-2-3-1 da equipe foi destaque neste trabalho. Apesar de jogar melhor, o Everton saiu atrás, logo empatou, mas também rapidamente voltou a ver o Liverpool na frente, com o nono gol de Suárez na Premier League, em bela cobrança de falta. 

O 2 a 1 era injusto pelo o que havia produzido o time do Goodison Park e Martínez aproveitou a lesão do ótimo lateral-esquerdo Baines para mudar o jogo. O técnico optou por Deulofeu que foi jogar na ponta-direita, assim, Mirallas passou a ser o meia-central, Pienaar seguiu à esquerda, Barkley foi recuado para volância e Barry foi ocupar a lateral. O resultado? Domínio maior dos toffees que pararam várias vezes em Mignolet. Mas, em uma jogada de Mirallas pela esquerda, a bola sobrou com Lukaku, que, desta vez, não perdoou. O atacante emprestado pelo Chelsea virou o jogo depois, quando, de cabeça, marcou o 3 a 2, após boa cobrança de escanteio realizado pelo outro belga do time. Mas Gerrard conseguiu a segunda assistência em bola parada e Sturridge antecipou a zaga e empatou de cabeça. Agora o inglês, assim como o companheiro Luis Suárez, tem nove gols na Premier League 2013-14. O empate mantém o Liverpool em segundo, a quatro pontos do líder Arsenal, que bateu o Southampton na rodada.

Moscou contra São Petersburgo 

 Doumbia decidiu o dérbi frente ao Spartak e colocou o CSKA de volta na briga pelo título na Rússia (CSKA Moscou)

Sem vencer a três rodadas – com duas derrotas seguidas –, o outrora líder tranquilo da Premier League Russa, Zenit (1°, 36) já não tem mais toda esta tranquilidade, pois os moscovitas chegaram. O Lokomotiv (2°, 36) venceu o Dinamo de Moscou (7°, 29) e se igualou na ponta. O CSKA (3°, 33) também enfrentou um rival local, o Spartak (4°, 33), para se aproximar do time de São Petersburgo. Os vermelhos e azuis dominaram toda a partida na Arena Khimki e impediram que o time do povo tivesse boas chances para marcar. Porém, as oportunidades para o atual campeão russo, também foram raras, por isso, o time precisou contar muito com a inteligência de Doumbia para vencer a partida por 1 a 0. O marfinense aproveitou falha do defensor Makeyev e da inexplicável saída do gol de Rebrov, após chutão de Wernbloom. No lance, com um toquinho, o camisa 88 chapelou o goleiro e ficou sozinho para empurrar a bola para a baliza vazia. O erro possibilitou que mais um moscovita encostasse no Zenit, porém, também impediu que o Spartak empatasse na ponta. Mas, caso os Zenitchiki continuem vacilando, os clubes de Moscou mostram que assumirão o controle da Liga Russa.

domingo, 13 de outubro de 2013

Olho nelas: Bélgica

Estes últimos dias foram de definições nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014. Agora, temos 14 seleções classificadas e faltam 18 seleções para a composição do grupo de 32 que virão ao Brasil. Mas, entre as prováveis oitos cabeças (escolhidos através do Raking da Fifa de outubro), duas chamam muito a atenção por não serem das escolas de futebol mais tradicionais do mundo: Bélgica e Colômbia. Primeiro, falarei dos europeus, os sul-americanos serão assunto do blog nos próximos dias também. 

Bélgica 

Wilmots é festejado pelos comandados após a confirmação da classificação ao Mundial no Brasil (Ag. Reuters)

Os belgas se garantiram, com uma rodada de antecedência, no grupo A, que contava com Croácia, Sérvia, País de Gales, Escócia e Macedônia. Portanto, o primeiro teste dos diabos vermelhos, após a decepção da não classificação à Euro 2012, envolveu adversários interessantes. A formação da já famosa “ótima geração belga” chama muito a atenção e a volta ao Mundial, 12 anos após a última participação em 2002, começou em 2001, um ano antes da eliminação para o Brasil nas oitavas de final, depois de ter um gol de Marc Wilmots mal anulado. O ex-atacante é o treinador da equipe desde 2012, mas está na comissão técnica desde 2009. 

A ideia veio por conta da eliminação na primeira fase da Euro 2000, realizada na Bélgica e na Holanda, onde a equipe venceu apenas uma vez e só marcou dois gols. Por isso, a reestruturação foi iniciada já em 2001, com o objetivo de fortalecer as categorias de bases dos clubes do país, para que eles não desperdiçassem eventuais talentos. O plano foi idealizado pelo diretor técnico da Federação Belga, Michel Sablon que via a Jupiler League mal, o que prejudicava a formação das seleções de base. 

A reformulação envolveu os times, as seleções e os técnicos, Sablon conveceu que até os 18 anos, todos no país deveriam desenvolver as equipes no 4-3-3 e não havia a necessidade de pensar nos resultados, que era o objetivo de todos os treinadores da base. A conclusão do diretor técnico veio após ter acesso aos vídeos de 1500 partidas pelo país. A mudança de mentalidade também passou por aí, os garotos mais jovens passaram a jogar em campo reduzido, primeiro jogando cinco contra cinco, depois, sete contra sete, e, por fim, 11 contra 11, no campo oficial. Desta forma, o foco se tornou o desenvolvimento técnico e não as vitórias. 

 Provável escalação titular da Bélgica no 4-1-4-1 de Wilmots (Clique na imagem para ampliar)

O trabalho trouxe reflexo em campo, hoje, a Bélgica tem grande seleção e muitos jogadores que fazem parte do elenco principal jogam, com destaque, em importantes clubes europeus, principalmente, na Inglaterra. Wilmots não faz o time jogar no 4-3-3, mas sim no 4-1-4-1, uma configuração tática bem parecida. Os pontas De Bruyne (ou Mirallas ou Mertens) e Hazard são bem ofensivos, por isso, muitas vezes, se transformam em atacantes pelo lado, mas não esquecem da recomposição no meio. 

No ataque, tanto Lukaku quanto Benteke são jovens e vivem ótimo momento, ambos têm a capacidade de segurar bolas, em eventuais ligações diretas. “Mas quando nos apertam, sabemos defender e jogar diretamente ao ataque com Lukaku ou Benteke, que sabem segurar a bola”, destacou ao jornal El País, o goleiro Courtois. O jogador do Everton fez um gol desta forma na última partida frente à Croácia. Por isso, marcar gols não deverá ser o problema belga. 

Porém, mesmo muito badalada, a Bélgica tem alguns problemas. O meio-campo conta com dois jogadores de boa altura, imposição física e boa qualidade no passe, Fellaini e Witsel (o 1° volante), além deles, faz parte do setor Defour, outro jogador de toque de bola, mas com menos poder de marcação. Por isso, o grande problema da equipe é o trabalho defensivo. Mesmo contado com zagueiros pela lateral, Alderweireld e Vertonghen, que não vão juntos ao ataque, se insistir com Van Buyten na zaga, Wilmots poderá ter problemas. Kompany e Lombaerts parecem ser a melhor composição da defesa central. 

Salbon declarou ao DailyMail recentemente que: “Nós não somos os melhores, mas estamos trabalhando duro para estarmos entre os melhores”. As palavras do principal responsável por esta geração belga, mostram claramente a noção da limitação desta ainda jovem – e inexperiente – seleção. O talento é óbvio, mas, em um Mundial, a falta de experiência poderá pesar negativamente. Por outro lado, há a solidez do trabalho realizado e a qualidade da equipe, portanto, mesmo com alguns problemas, ver os Diabos Vermelhos em uma eventual quartas de final da Copa de 2014 não é improvável.