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sexta-feira, 21 de março de 2014

É tempo de Quaresma

 De azul e branco, Quaresma vai bem e, se mantiver o nível, jogará a Copa no Brasil (AP Photo)

Para os cristãos, a quaresma é o período de penitência, oração e conversão, e dura 40 dias. Porém, no futebol, o nome Quaresma é sinônimo de habilidade, jogadas de trivela e frustração. O veloz e extremamente habilidoso ponta-direita português surgiu no início dos anos 2000 no Sporting e chegou como grande promessa ao Barcelona, onde não repetiu o nível do futebol. Voltou à Portugal para vestir o azul e branco do Porto, novamente, brilhou e foi vendido, por quase, 20 M € à Inter, de José Mourinho. Mais uma vez, não conseguiu jogar bem longe de casa, teve ainda uma chance, através de um empréstimo, foi para o Chelsea, onde pouco entrou em campo. 

Após não dar certo em grandes centros, Quaresma foi para Turquia, onde jogou pelo Besiktas. Como no restante da carreira, foram dois anos de altos e baixos e a impressão de que o ponta-direita seria mais uma das eternas promessas do futebol mundial. A certeza veio com o próximo passo da trajetória futebolística, um mercado ainda menor, o Al Ahli Dubai. Muitos falaram que a carreira estava terminada, que Quaresma teria optado apenas por ganhar dinheiro e que tinha perdido o interesse de voltar a ter relevância no futebol.

Porém, após longo período de penitência, que durou muito mais de 40 dias, Quaresma teve mais uma chance no país natal. Atual tricampeão e em baixa na temporada 2013-14, o Porto trouxe o craque das trivelas como grande contratação de janeiro. As primeiras declarações davam o tom do que o novo camisa sete azul e branco esperava da volta: “Estou feliz por estar de volta a uma casa que conheço bem, onde sinto carinho e a confiança das pessoas. O mais importante é me sentir feliz e é nesta casa que me sinto feliz”. 

E, de fato, voltar ao Porto parece ter acabado com o período de penitência de Ricardo Quaresma. Desde o princípio, cercado de desconfiança, o camisa sete mostrou que se sente bem no Porto. Normalmente, jogando como ponta-direita – ora no 4-3-3, ora no 4-2-3-1 – o camisa sete tem mostrado o que de melhor fez na carreira: dribles imprevisíveis, bons passes, gols e, até, consegue colaborar bastante com o sistema defensivo portista. Os números refletem o bom recomeço no Dragão: 16 partidas (1232 minutos em campo), nove gols (inclusive, o golaço na última quinta, contra o Napoli, na Liga Europa) e duas assistências. 

Se na Liga de Sagres, a distância para o líder Benfica parece inalcançável (12 pontos), os bons desempenhos de Quaresma têm sido fundamentais para o Porto estar nas quartas de final da Liga Europa. Portanto, nas partidas contra o Sevilla, os azuis e brancos contarão muito com o seu camisa sete para alcançarem a semifinal. A largada animadora do ponta-direita e a falta de jogadores de qualidade na função dele na seleção portuguesa, fazem com que haja a possibilidade da presença de Quaresma no Mundial do Brasil. 

Uma convocação para a seleção das quinas não vem desde 2013, quando, no dia 2 de junho de 2013, atuou por cinco minutos, na derrota por 3 a 1 para Turquia. Além disso, em 2012, esteve entre os 23 convocados para a Euro 2012. Mesmo vestindo a camisa dez, Quaresma foi reserva em todas as partidas e não entrou em nenhuma delas. Mas agora, o contexto é outro, portanto, há a clara impressão de que, se mantiver o nível de atuação, o camisa sete poderá sim vir à Copa do Mundo. Ter mais um jogador de talento e em boa fase, poderá ajudar muito a Cristiano Ronaldo liderar Portugal à fases mais agudas do Mundial de 2014.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Enfermedades Futboleras 8

Jogos entre milionários de Espanha e Inglaterra agitaram o final de semana do futebol europeu e você confere alguns destes destaques aqui.

El Clásico de Neymar

Neymar decide frente ao Real que ainda busca se encontrar na temporada  (Alberto Estévez/EFE)

Tata Martino e Carlo Ancelotti cumpriram com aquilo que era esperado deles e ambos escalaram as equipes no 4-3-3, sem centroavantes clássicos. Porém as escolhas do italiano se mostraram menos acertadas: Bale no centro do ataque e Sergio Ramos como 1° volante. No Barcelona, a grande novidade foi Fàbregas jogando pelo meio do setor ofensivo e, por isso, Messi descolocado à direita, como no começo da trajetória profissional.

As escolhas de Ancelotti resultaram em um primeiro tempo que o Real foi dominado pelo Barcelona, com muito de Neymar e pouco de Messi, que pareceu estar longe do 100%. O volume e o domínio do campo blaugrana resultaram em mais finalizações, ao todo, foram cinco arremates, duas delas na baliza. Em um dos chutes surgiu o gol. Iniesta controlava a bola com a perna direita, passou rápido para a canhota já enfiando para Neymar, o brasileiro dominou e bateu colocado para marcar, contado com desvio em Carvajal, que fez boa exibição. Na comemoração, o abraço de todos deu a noção do tanto que é querido o camisa 11. Os merengues produziram pouco: três arremates, dois completamente fora do gol e um defendido por Valdés e apenas 20 passes completados no último terço do campo.

Na segunda etapa já sem Sergio Ramos e Bale, com Illarramendi de 1° volante e Benzema como centroavante, o Real Madrid melhorou muito, marcando mais na frente. Por um período, os blancos chegaram a dominar a partida, e, o camisa nove francês, quase fez um golaço em chute de fora da área, a bola explodiu no travessão. Mas o Barcelona soube aproveitar este momento madridista e, em um contra-ataque, fechou o jogo. Neymar fez a enfiada para Alexis Sánchez, que ameaçou o drible para um lado para o outro, brecou na entrada da área e encobriu o adiantado Diego López. 

Os merengues reduziram o prejuízo no final da partida, com Jesé, em falha de Valdés. Mas o Barcelona mereceu a vitória, que o mantém na liderança da Liga e, agora, os catalães têm seis pontos de vantagem sobre os madridistas, que ocupam a terceira colocação. No final do campeonato, esta vantagem poderá ser a diferença entre o título e o vice-campeonato, apesar de que entre eles está o Atlético, que tem dois pontos de desvantagem para os blaugranas.

Neymar em números: 

Chutou três vezes e todas na baliza, em uma delas, marcou; tentou 33 passes e acertou 27, taxa de 79% de êxito; recebeu 41 passes; passou 11 vezes corretamente para companheiros no último terço do campo (ao todo, tentou 14 passe nesta fase do jogo) e cedeu a assistência para o gol que acabou sendo decisivo.

Herói improvável

 O lance decisivo que deixou o Chelsea a dois pontos do líder Arsenal (ChelseaFC.com)

Fernando Torres foi um dos melhores jogadores do mundo enquanto jogou no Atlético de Madrid e no Liverpool, inclusive ficando com o terceiro posto no prêmio de melhor do mundo em 2008. Habilidoso e com instinto goleador, o Chelsea desembolsou 40 M £ (58,5 M €) para ter o espanhol, mas, com os blues, o camisa nove não se deu bem. Porém, nesta temporada com Mourinho, Torres está se reencontrando e, hoje, mesmo com Demba Ba e Eto’o no elenco, o espanhol é a primeira escolha do técnico.

Frente ao Manchester City, o Chelsea jogou para vencer pela primeira vez contra um dos gigantes da Inglaterra nesta temporada. No começo da Premier League, contra o United, os blues foram a Old Trafford claramente para empatar. Desta vez, em Stamford Bridge, os londrinos queriam a vitória. Os dois times jogaram no 4-2-3-1 e, no City, uma novidade, Yaya Toure jogando novamente como meia-atacante central, à frente dos dois volantes, Javi García e Fernandinho. 

No 1°T, o domínio do Chelsea foi absoluto, com sete finalizações. O personagem foi Torres, que depois de perder chance importante, destruiu o lado esquerdo da defesa do City, invadiu a área e cruzou para Schürrle marcar. Além do centroavante, Ramires jogava muito bem, desarmava e levava o time para o ataque. No 2°T, a ordem do jogo mudou, o controle dos blues foi substituído por uma maior presença ofensiva dos citzens, que, logo no início, empataram com gol de Agüero e assistência de Nasri. 

A partir do empate, a partida ficou mais igual, mas o City conseguiu mais finalizações na segunda parte (nove, contra seis). Os times trocavam ataques, Cech fez algumas boas defesas, porém, nos últimos 15 minutos, nem os blues nem os citzens conseguiram finalizar. Ninguém conseguiria mudar o placar, mesmo constantemente chegando na frente da área do adversário. Mas o Chelsea tinha Torres e o camisa nove aproveitou erro absurdo de Natasic, que, de cabeça, recuou a bola para Hart, que também estava saindo do gol. O resultado: bola livre para o espanhol garantir os três pontos, com direito a Mourinho comemorando no meio da torcida

Dérbi do Ruhr

 Aos pés de Mkhitaryan: Błaszczykowski e Sahin recberam assistências do homem do jogo (Bvb-de)

A Veltins-Arena, em Gelsenkirchen, viu uma ótima partida do Borussia Dortmund, mas especialmente do camisa dez, Henrikh Mkhitaryan. O dérbi do Ruhr teve as características do futebol alemão atual: intensidade dos dois times, estádio cheio, vibração nas cadeiras e bom futebol. Ambas as equipes jogaram no 4-2-3-1 e o armênio fez a diferença jogando centralizado, com duas assistências. O trio de meias aurinegro funcionou muito bem: o meia-esquerda Reus flutuava mais em campo; o meia-direita Aubameyang marcava até a defesa, mas entrava na área para apoiar o centroavante Lewandowski; e Mkhitaryan jogava mais livre pelo centro, correndo muito (12,1 km), decidiu o jogo. 

No Schalke, valeu por mais uma boa atuação Draxler, meia-direita no 4-2-3-1 azul real. O Borussia não ficou mais com a bola, não finalizou mais vezes e não trocou mais passes no último terço do campo. Mas a marcação no campo de ataque, que resultou em seis recuperações de bola e cinco desarmes no setor ofensivo, fez diferença. Em uma destas roubadas, Mkhitaryan enfiou Reus, em um buraco no lado esquerdo da defesa do Schalke, o camisa 11 cruzou rasteiro e Aubameyang marcou. Hildebrand ainda fez algumas defesas, mas o goleiro que brilhou foi Weidenfeller, que pegou um pênalti (que não houve) mal batido por Boateng, que, apesar de ter chutado forte, cobrou no meio. 

No segundo tempo, o Borussia passou a apostar mais em contra-ataques. Um deles terminou com assistência de Mkhitaryan para belo chute de Sahin, da entrada da área. Em outra ocasião, o armênio conduziu a bola do campo defensivo até a área do Schalke e, de lá, passou para Blaszczykowski marcar. Entre os gols dos visitantes, os azuis reais marcaram com Meyer, que entrou bem na partida. A vitória aurinegra manteve o time a um ponto do líder Bayern de Munique, que também venceu na rodada, por outro lado, agora, o Schalke está em sétimo e fora da zona de classificação às competições europeias. No final, o craque do jogo falou, em tom de alívio: “foi uma semana dura, com três vitórias em jogos importantes”.   

O campeonato mais equilibrado da Europa

A imagem do equilibrio (Reprodução internet)

Pela primeira vez na história da Eredivisie, que é disputada desde 1956-57, após 11 rodadas, a diferença entre o líder do campeonato e o último colocado é de apenas 13 pontos. O mais absurdo é observar que do líder para o oitavo colocado são apenas dois pontos de vantagem. O nivelamento da Liga Holandesa ficou ainda mais claro neste final de semana, pois foi a primeira vez, desde fevereiro de 1964, que os três maiores clubes do país – Ajax, Feyenoord e PSV – não conseguiram vencer em duas rodadas consecutivas. (Estatísticas por Infostrada) 

O Ajax, que tinha o domínio da Liga e é o atual tricampeão do campeonato, perdeu dois jogadores fundamentais na reta final da janela de transferências e mudou o panorama no país. O capitão Alderweireld foi para o Atlético de Madrid e o meia Eriksen foi para o Tottenham. Sem a dupla, os Godenzonen caíram alguns patamares e ficaram mais próximos do nível dos adversários. Hoje o Ajax é vice-líder, com os mesmos 19 pontos do ponteiro Twente e segue como favorito, mas, com o equilíbrio da Eredivisie, qualquer deslize poderá afastar o time de Amsterdan da liderança e evitar mais um título.  

Quem segura o Porto?

Lucho e Josué, um fechou e o outro abriu o placar no dérbi (AP Photo)

Na Liga Portuguesa, antes desta rodada o Porto era líder invicto, porém, tinha no encalço, o Sporting, apenas dois pontos atrás. Por isso, o encontro deste domingo no Estádio do Dragão foi uma boa alternativa para conseguir uma maior margem na ponta. Com um 3 a 1, com bastante tranquilidade, os azuis e brancos agora têm cinco pontos de vantagem em relação aos Leões. 

No 3 a 1 frente ao Sporting, a tranquilidade azul e branca só foi quebrada no início do 2°T, quando os visitantes pressionaram mais os portistas, cresceram no jogo e empataram. Porém, após o empate, o lateral brasileiro Danilo fez belo gol: recebeu na área, girou, cortou Rojo para canhota e fuzilou. Lucho González ainda completou a vitória depois de jogada de ponta-esquerda do centroavante Jackson Martínez. No Porto, além dos laterais brasileiros, os três meias – Varela, Lucho e Josué – jogaram muito bem e correram muito.

O Porto perdeu para este ano James Rodríguez e João Moutinho, que, na última temporada, participaram de 44,8% dos gols do Dragão. Sem eles e com o novo técnico Paulo Fonseca, o time mudou do 4-3-3 para o 4-2-3-1 e, apesar da queda de qualidade no elenco, o time parece preparado para conquistar o tetracampeonato – feito que veio pela última vez entre 2005-06 e 2008-09.

domingo, 13 de janeiro de 2013

O Clássico decide campeonato


 Jackson Martínez marcou o seu 12º gol no Português, mas o empate deixou os dois times invictos (ASF)

Nesta temporada em Portugal será assim. Com o Sporting em baixa (8º, 15pts), a disputa da Liga de Sagres ficará polarizada entre Benfica e Porto, os líderes da disputa até aqui. Além disso, o Braga, que nos últimos anos surgiu como uma terceira força, parece não ter condições de desafiar os dois gigantes em 2012-13 e entrou esta rodada com uma desvantagem de seis pontos para o vice-líder Porto.

E o clássico no Estádio da Luz teve todos os fatores de uma decisão, que terá volta no segundo turno na Cidade do Porto no segundo turno. Os adeptos benfiquistas fizeram a parte deles: lotaram seu campo e fizeram um belo mosaico na entrada do time. Em campo, os times honraram a força das arquibancadas e iniciaram a partida com muita intensidade.

Em 17 minutos, 2 a 2. Jorge Jesus armou o time no 4-1-3-2, enquanto Vítor Pereira fez o Porto jogar no tradicional 4-3-3. A intenção dos azuis e brancos era de segurar mais a bola, mas a disposição dos encarnados dificultava e impedia o a imposição do que o Dragão queria da partida. Além da força benfiquista, a ausência de James Rodríguez atrapalhava o trabalho dos visitantes.

Mas sem o jovem colombiano, o maestro foi João Moutinho. O camisa oito portista cobrou falta aos sete minutos e descobriu Mangala livre no meio da área para marcar de cabeça. Porém já havia sido dito, o início da partida foi intenso e, logo depois do 1 a 0, houve o empate. Depois de desvio no meio da área, Jardel ajeitou e Matic chegou executando um belo voleio de perna esquerda.

O goleiro brasileiro Artur Moraes falhou na saída de bola e logo na frente do atacante Jackson Martínez. O colombiano não perdoou o erro e marcou seu 12º gol no Campeonato Português, empatando com o artilheiro do rival da tarde, Óscar Cardozo. Mas como ninguém poderia ficar na frente do placar nesta noite, Gaitán logo empatou em um rebote, depois de rebatida do goleiro Helton.

Depois da insanidade inicial deu pra observar melhor o posicionamento azul e branco. Com Defour como ponta, havia muita troca de posição na parte ofensiva do Porto e, muitas vezes, Lucho González e Danilo ocupavam este espaço no lado direito do ataque.  Por isso, Varela pelo flanco canhoto era o ponta mais agudo dos dragões. Porém, depois dos 30 minutos, o jogo caiu bastante e as chances de gol diminuíram, pois não dava pra ficar igual estava no início.

Na segunda etapa, o jogo mudou bastante, mas jamais retomou a intensidade da primeira meia hora. Aos 24 minutos, Aimar entrou nos encarnados que já tinha Carlos Martins. Desta forma, o Benfica passou a jogar no 4-2-3-1, com três meias-ofensivos argentinos: Gaitán, Aimar e Salvio. Já o Porto, inverteu os “pontas”, Defour foi para a esquerda e Varela ficou na direita.

As mudanças deixaram o jogo da forma que estava e foi o Benfica que teve a melhor chance de marcar, quando Óscar Cardozo saiu frente à frente com Helton. O goleiro brasileiro realizou pequeno desvio e a bola bateu na trave para desespero da torcida. Na reta final da partida, Izmailov estreou na ponta-esquerda pelos azuis e brancos, mas apareceu pouco. Mas o que marcou o segundo tempo foram as faltas e o jogo duro: quatro cartões amarelos foram distribuídos nos 45 minutos finais. Ao final da partida, o técnico portista Vítor Pereira afirmou à Sport TV: “O Benfica deveria ter terminado os 90 minutos com nove jogadores”.

Um dos jogadores que Pereira queria que fosse expulso, o volante Matic, que executou bela partida falou à mesma emissora, “Para o Benfica, o empate nunca é bom resultado”. Neste sentido, Jackson Martínez concordou com o rival sobre o sentimento da igualdade: “O empate não era o resultado que queríamos”.

Agora, Benfica segue em primeiro com 36 pontos e três pontos de vantagem em relação ao Porto, que tem um jogo a menos. Os rivais seguem invictos no campeonato e se destacam na ponta da Liga de Sagres 2012-13. A briga deve continuar na casa de uma partida por muito tempo e a decisão deve ficar para a reta final da disputa, quando o Estádio do Dragão receberá o grande jogo do futebol português. Por jogar em casa no segundo turno, os azuis e brancos são favoritos e devem conquistar o tricampeonato.

terça-feira, 5 de abril de 2011

O Porto foi campeão da Liga de Sagres, nesse final de semana, jogando no Estádio da Luz, do grande rival Benfica. Mas, na música que Hulk - brasileiro destaque do título - cantou no ônibus após a vitória em Lisboa, a lembrança para o "Lampião" (Maneira irônica de se referir aos donos do Estádio da Luz) é que os azuis e brancos realizaram um 5x0, no Estádio do Dragão.

A gravação vem do canal oficial da equipe, o Canal Porto:


Futebol é isso, um pouco de provocação não faz mal a ninguém.

Abraço a todos

sexta-feira, 11 de março de 2011

Porto seguro

A dupla Hulk e Radamel Falcão é o grande destaque da temporada do Dragão, juntos eles participaram de 45 gols portista no Português e na UEL - AP

O Dragão faz temporada soberba em 2010-11, o jovem e discípulo de José Mourinho André Villas-boas é o comandante. O portista de 33 anos assumiu a equipe da sua cidade natal em 2 de junho, e foi apresentado dois dias depois. No dia 7 o treinador venceu seu primeiro título à frente dos azuis e brancos, a Supertaça de Portugal contra o Benfica, um 2 a 0 convincente.

A espectativa era de bons resultados e da retomada do domínio em terras lusitanas. Um nome justificava essa ambição portista: João Moutinho. O meia-atacante do Sporting Lisboa, que passava por uma crise técnica (inclusive ficando de fora da seleção portuguesa que foi à Copa) e não era tido como um jogador problema nos leões.  A diretoria azul e branca viu a oportunidade de pagar um pouco menos por um jogador de enorme potencial. Ao final da negociação, o Sporting recebeu 11 milhões de euros (Sendo 1 milhão pago através da cessão de 50% dos direitos do defensor Nuno André Coelho) e os leões ainda receberão 25% do valor de uma futura venda do meia, durante determinado período de tempo.

Além da contratação do jogador do Sporting, o Porto também conseguiu manter a boa base e principalmente, seguiu com Hulk no elenco. O Dagrão ainda trouxe os jovens brasileiros, Souza (ex-Vasco) e Walter (ex-Internacional), boas oposições para o plantel e para André Villas-Boas.

Tática


 O 4-3-3 triângulo base alta portista, que conta com muita movimentação e troca de lados entre os pontas e os meias. Escalação utilizada na última partida contra o CSKA, UEFA Europa League (Clique na imagem para ampliar)

O Porto atua em um clássico 4-3-3 triângulo base alta (Esquema prefirido de seu mestre Mourinho, que hoje tem preferido utilizar o 4-2-3-1). O ponto alto do esquema é o ataque, normalmente armado da seguinte forma; Hulk à direita, Falcão centralizado e Varela à esquerda. Porém, os pontas não ficam presos em seu lado, durante o jogo ambos buscam a inversão, o que confunde a defesa adversária. O centroavante colombiano, também é um jogador de movimentação e ajuda na criação de espaços na defensiva rival.

O meio-campo tem Fernando como primeiro volante, que não costuma avançar, dando segurança à linha dfensiva azul e branca. Guarín e João Moutinho executam papel duplo, marcam e atacam e também buscam a inversão de posição. Na defesa, os laterais também ajudam o ataque, mas é pouco comum vê-los atacando ao mesmo. Helton transmite segurança aos companheiros.

Queda do Benfica

 Ángel Di María e Ramires, sem eles o Benfica perdeu muito (GE.com)

O principal rival do Porto, o atual campeão Benfica também contribuiu para o domínio absoluto do Dagrão. Ao início da temporada os encarnados perderam dois dos pilares de seu meio-campo: o ótimo Di María e o motor Ramires. No marcado europeu de inverno mais uma grande baixa, o zagueiro David Luiz se mandou para o Chlesea. As tranferências resultaram em bons valores para o Benfica, mas esse dinheiro não se transformou em contratações.

A largada do time lisboeta foi muito ruim, nos quatro primeiros jogos três derrotas e,  enquanto isso, o Porto vencia. Assim, o Benfica se meteu em um burraco, que resulta na tranquila ponta do time azul e branco.
Campanha irrepreensível

Todos esses fatores somados fazem o Porto voar solo na Liga de Sagres, ter boas perspectivas de classificação às quartas-de-final na UEFA Europa League. Nas copas nacionais, uma eliminação na Copa da Liga e um 2 a 0 em favor do Benfica na Copa de Portugal, um resultado reversível para o forte time azul e branco. Mas fica claro que o foco portista é retomar a hegemonia em Portugal e conquistar novamente uma taça europeia.

A primeira derrota na temporada 2010-11 veio apenas na partida de número 26. E ela ocorreu na Copa da Liga, competição que está longe de ser foco do Dragão. Na Liga de Sagres, são 62 pontos em 66 possíveis, aproveitamendo absurdo que coloca a equipe 11 pontos à frente do vice-líder Benfica. O Porto começou o campeonato com seis vitórias, mostrando toda a sua força. Mas, não foi apenas um bom início, nos últimos nove jogos, nove resultados positivos.

Na disputa europeia, os azuis e brancos também sobram. A equipe que disputou os playoffs para chegar à fase principal da UEFA Europa League, passou pelos belgas do Genk, no placar agregado, um convincente 7 a 2. Depois, na fase de grupos, cinco vitórias e um empate. Assim classificados em primeiro enfrentaram o bom Sevilla. Resultado: Classificação, vencendo um jogo e perdendo o outro. Agora nas oitavas de final, contra o CSKA Moscou, o Porto parece estar muito próximo das quartas-de-final. A vantagem de um gol marcado no Estádio Luzhniki, é muito boa e é pouco provável que os portugueses não consigam a classificação na Cidade do Porto.

Jogadores em ótima fase

Se o conjunto é muito bom, também existem destaques individuias no Porto e eles contribuem decisivamente para o ótimo desempenho azul e branco em 2010-11. Na Liga de Sagres; Hulk lidera a artilharia com 19 gols (o vice-artilheiro João Tomás tem 13), mas a presença do Dragão não se resume a ele. Radamel Falcão aparece em terceiro com 11 e Varela tem sete.

Na UEL, outra competição onde o Porto se mantém forte na corrida pela taça, Radamel Falcão é o artilheiro, com sete tentos anotados. Além do líder em gols, quatro jogadores que vestem azul e branco já balançaram as redes por duas vezes (Hulk, Guarín, Rolando e Rúben Micael). O reserva Cristian Rodríguez já cedeu duas assistências na copa europeia, memsmo número de passes decisivos dos titulares Hulk e João Moutinho.

A grande exibição

 "Ai Jesus, que baile!" Foi a capa do Jornal O Jogo, após a goleada histórica no Benfica de Jorge Jesus

Não podia ser outra partida: Porto 5x0 Benfica, no Estádio do Dragão, 7 de novembro de 2010. Hulk fez jogo soberbo e não deu chances aos adversários, o zagueiro David Luiz foi escalado na lateral-esquerda para contê-lo, o que passou longe de dar certo. ‘

O paraibano iniciou o baile fazendo ótima joga pela direita e cruzando rasteiro para Varela marcar o 1 a 0. Depois foi a vez de Belluschi se aproveitar do mau dia de David Luiz. O argentino fez a joga pela direita e cruzou à meia altura para o meio da área, onde Falcão apareceu para fazer o segundo de letra. O terceiro veio novamente pela lado direito. David Luiz havia avançado ao ataque, o Porto desceu rápido em contra-ataque, Belluschi tocou para Falcão marcar o 3 a 0. Em 27 minutos, o jogo estava decidido e os escarnados estavam entregues ao Dragão.

Abraço a todos

sábado, 14 de agosto de 2010

O Hulk decide (Naval 0x1 Porto)

O Porto iniciou sua trajetória para retomada da coroa em Portugal enfrentando o Naval fora de casa. O jogo foi realizado no Estádio Municipal José Bento Pessoa para aproximadamente 5 mil adeptos, entre eles um muito especial, Carlos Queiroz, o treinador da seleção portuguesa.

O que ele viu foi uma partida com o Dagrão dominando as ações desde o início. A primeira grande chance da partida surgiu em cobrança de falta de Belluschi, que o arqueiro adversário defendeu no centro do gol. Pouco mais se viu no primeiro tempo, mas Hulk já começava a mostrar que seria o homem mais perigoso do Porto.

Na segunda etapa o visitante passou a dominar ainda mais ações da partida. O brasileiro camisa 12 seguia sendo o destaque pelo maior campeão português da década. Quem não participava bem da partida era João Moutinho, homem contratado por 11 milhões de euros do Sporting.

Hulk mostra força e o Porto vence - AFP

Hulk buscando o jogo mais pela ponta-esquerda, arriscou muito ao gol, foram oito chutes durante os noventa minutos. Porém o placar ficaria no zero se outro brasileiro não aparecesse, Jonathas tocou com a mão na bola dentro da área e o árbitro assinalou pênalti. Com bola parada na “marca da cal” Hulk acertou uma bomba no gol e fez o 1x0 aos 39 minutos da etapa.

Pelo Dagrão outro brasileiro também apareceu. Souza, ex-jogador do Vasco entrou no final da partida e fez sua estreia na Liga de Sagres. Porém o placar ficou mesmo no 1x0 com gol de Hulk, o melhor em campo.

Abraço a todos