Mostrando postagens com marcador Copa do Mundo de 2014. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Copa do Mundo de 2014. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Seleção da Copa do Mundo 2014

Com o final do Mundial é hora de escolher os onze melhores, o craque e o grande comandante. A maior parte dos 12 escolhidos vieram dos quatro semifinalistas e, entre eles, está o principal desempenho. Apesar do esquema com três zagueiros ter brilhado durante a Copa, escolhi o 4-3-3, pois foi a melhor alternativa para receber os onze escolhidos. Vale destacar que as estatísticas citadas no texto estão disponíveis no site da FIFA. 

Goleiro: Keylor Navas (Costa Rica) 

 Keylor Navas pegou pênalti, mas fez muito mais (Jeff Gross/Getty Images)

Keylor Navas chegou ao Mundial 2014 como melhor goleiro do Campeonato Espanhol 2013-14. O camisa um dos Ticos foi um dos grandes responsáveis pela classificação improvável da Costa Rica, no grupo D, que tinha Itália, Inglaterra e Uruguai. Na segunda fase, ademais de salvar com bola rolando, pegou um pênalti e classificou a equipe, contra a Grécia. Depois, nas quartas de final, o goleiro do Levante evitou que a Holanda se classificasse antes dos pênaltis, onde, desta vez, Navas não brilhou. Mesmo parando na terceira etapa da Copa, o camisa um costa-riquenho fez 21 defesas e muitas delas impostíssimas para o bom desempenho dos Ticos, no Brasil. 

Lateral-direito: Philipp Lahm (Alemanha) 

O melhor lateral do mundo e um dos melhores de todos os tempos se tornou volante, nesta temporada. Na Copa do Mundo, foi no meio-campo que começou a trajetória, por isso, se concretizou como melhor passador da competição: acertou 562 passes dos 651 que tentou (índice de 86%). Lahm foi colocado ali para dar uma saída de bola mais limpa à Alemanha e conseguiu. Porém, a Nationalelf sentiu falta de laterais puros, e Löw acabou recolocando o jogador do Bayern de Munique na posição de origem. O lateral deu ofensividade pela direita, acertou seis cruzamentos e foi uma importante saída para a Alemanha, que antes da realocação do capitão, não contava com os avanços pelos lados. Ir bem à frente não significou deixar espaço nas costas, pois correu uma média de 11,5 km por partida, o quarto maior número no Mundial.

Zagueiro: Mats Hummels (Alemanha) 

 Hummels mereceu palmas pelo desempenho, sendo decisivo na defesa e no ataque (Martin Rose/Getty Images)

O melhor zagueiro alemão chegou ao Mundial cercado por dúvidas, afinal, a temporada teve lesões e desempenho abaixo do habitual. Na Copa do Mundo, Hummels deixou isso de lado e mereceu estar na seleção. O camisa cinco foi o principal nome da linha defensiva alemã, com 47 bolas recuperadas, cinco bloqueios e cinco desarmes completos. Em alguns momentos, parecia impossível passar pelo zagueiro do Borussia Dortmund, que mostrou força, velocidade e muita técnica na defesa. Mas ofensivamente, Hummels também deixou um bom desempenho, ao marcar dois gols de cabeça, um deles garantiu a vitória da Alemanha, nas quartas de final, frente à França. 

Zagueiro: Ezequiel Garay (Argentina) 

O grande ponto de interrogação da Argentina era a defesa e foi justamente o setor que se destacou mais durante o Mundial. Um dos principais responsáveis por isso foi o zagueiro que está se transferindo do Benfica para o Zenit. Ao lado de Zabaleta, Garay foi o único titular da linha defensiva em todas jogos. Pelo alto, foi difícil vencê-lo e, pelo chão, foram 52 bolas recuperadas, segundo maior número entre os jogadores da Copa do Mundo. Portanto, o camisa dois, que não é um dos zagueiros mais técnicos do planeta, conseguiu marcar um desempenho muito bom, que foi reflexo da sua raça, evidente nos quase 11 km percorridos por partida. 

Lateral-esquerdo: Daley Blind (Holanda) 

Ao longo da Copa do Mundo, Blind foi ala-esquerdo, zagueiro e, até, volante. Apesar de não ficar restrito à função em que está sendo escalado, conseguiu ir bem em qualquer um dos setores. A Holanda jogou com uma linha de três zagueiros, por isso, os alas tiveram bastante espaço para atacar e o jogador do Ajax aproveitou bastante isto. Foram duas assistências, um gol e bom desempenho nos passes: arriscou 428 e acertou 351 (82%). Além disso, realizou seis desarmes, participando bem do sistema defensivo. 

Volante: Javier Mascherano (Argentina)  

 Mascherano foi o líder argentino em campo e, com este bloqueio, foi decisivo para colocar a equipe na final (Julian Finney/Getty Images)

El Jefecito abriu mão da braçadeira de capitão e entregou ela ao craque Messi, porém, dentro de campo, todos sabem quem manda. Mascherano foi a voz de Sabella nas quatro linhas e o principal protetor da tão criticada defesa albiceleste, que foi muito bem. Na parte defensiva, um monstro com destaque para os dez desarmes, as incríveis 49 bolas recuperadas e seis bloqueios, um deles que garantiu a disputa de pênalti contra a Holanda e, consequentemente, a classificação à final. Mas também teve participação na construção do jogo. Mascherano foi ótimo nos passes e terminou como terceiro melhor passador do campeonato: 626 tentados e 536 completados (86% de acertos). Ele era o responsável pela saída de bola argentina, recuando entre os zagueiros para dar o primeiro passe, seja curto ou longo, sempre teve qualidade. 

Meia-central: Toni Kroos (Alemanha) 

 No meio dos craques alemães, Kroos foi o que mais brilhou, ditando o ritmo dos jogos (Jamie McDonald-Getty Images)

Ao longo da Copa, Toni Kroos foi o craque mais destacado, no meio do elenco estrelado da Alemanha. Com Schweinsteiger crescendo aos poucos, o camisa 18 foi o responsável por ditar o ritmo do toque de bola da Nationalelf. Por isso, o jogador do Bayern de Munique foi o segundo melhor passador do Mundial, com 633 passes tentados e 537 completados (bom índice de 85%). Além de ser o meio-campista líder, nesta Copa, Kroos marcou duas vezes, ambas na goleada sobre o Brasil, quando executou um recital, no Mineirão. Por ser figura central da proposição de jogo alemã, o camisa 18 terminou o Mundial 2014 como um dos líderes em assistências, ao dar quatro passes decisivos. 

Meia-central: Bastian Schweinsteiger (Alemanha) 

A evolução de um jogador. Schweinsteiger não começou a Copa do Mundo como titular, estava se recuperando de lesão, mas, aos poucos, foi aparecendo e crescendo. O pico do camisa sete foi visto na final, quando deixou em campo uma atuação enorme, com ares épicos. Mesmo tendo atuado apenas 505 minutos, o jogador do Bayern de Munique foi o quarto a completar mais passes, com 467 tentados e 412 completados, índice de 88% de acertos, o melhor no top 8 da estatística. Schweinsteiger, assim como Kroos, é um símbolo de volante moderno e polivalente, aquele que marca e constrói desde o campo defensivo, tipo de jogador provou sua importância nesta Copa. 

Ponta-direita e craque: Arjen Robben (Holanda) 

 Robben foi o melhor jogador da Copa do Mundo e impulsionou a Holanda ao terceiro lugar (Paul Gilham/Getty Images)

O esquema com três defensores da Oranje visava liberdade para Sneijder, Van Persie e Robben. O camisa onze foi o que melhor aproveitou esta tranquilidade para desequilibrar em favor da equipe. O jogador do Bayern de Munique marcou três vezes (todas na primeira fase) e cedeu uma assistência. Mas a importância dele para o esquema de Van Gaal não é refletida pelos números. Durante todo o Mundial, quando a bola chegava no carequinha, a Holanda sabia que boas coisas poderiam ocorrer, com velocidade, dribles imprevisíveis, visão de jogo privilegiada e os chutes com a canhota especial. Apesar de bons desempenhos de outros companheiros, ficou claro, se Robben não fosse bem, a Holanda não teria chegado tão próxima da final. 

Ponta-esquerda: James Rodríguez (Colômbia) 

 James quer saber: "alguém jogou mais que eu no Mundial?" (Warren Little/Getty Images)

Sem Falcao García, muitos acharam que a Colômbia havia ficado sem craque, mas, desde o princípio, o camisa dez mostrou o engano. Com apenas 22 anos, o jogador do Monaco apresentou um repertório incrivelmente profundo. O artilheiro da Copa do Mundo balançou as redes seis vezes: quatro com o pé esquerdo, uma com a destra e outra de cabeça – dois deles foram golaços. Porém não foram apenas gols, fez também duas assistências, portanto, participou diretamente de oito dos 12 gols cafeteros. Além disso, James Rodríguez mostrou ser um meia-atacante completo, bom passador, veloz, bastante habilidoso e com visão de jogo apurada. Faltou pouco para o dez colombiano ser o melhor da Copa, talvez uma campanha um pouco mais longa da seleção dele. 

Atacante: Thomas Müller (Alemanha) 

Mais uma Copa com sete jogos e cinco gols. Aos 24 anos, o camisa 13 já está empatado entre os oito maiores artilheiros da história dos mundiais. Thomas Müller alia técnica, velocidade e raça como poucos. Seja como falso centroavante ou meia-atacante, o jogador do Bayern de Munique deixou no Brasil ótimas atuações e participações decisivas pela sua seleção. Vice-artilheiro com cinco gols, também cedeu três assistências e ainda foi quem mais correu na Copa do Mundo, com média de 12 km por partida. Sem se omitir em nenhum momento e participando de vários setores do jogo, Müller foi uma das marcas da conquista da Alemanha. 

Técnico: Louis van Gaal (Holanda)  

 Van Gaal fez de tudo para que suas principais estrelas jogassem bem e deu certo (Dean Mouhtaropoulos/Getty Images)

Habituada a jogar no 4-3-3, às vesperas do início da Copa do Mundo 2014, por conta da lesão de Strootman, a Holanda mudou taticamente por iniciativa do técnico. O 3-4-1-2 entrou em ação para dar liberdade para os jogadores mais especiais, Sneijder, Robben e Van Persie. Se o camisa onze foi a estrela que brilhou mais fortemente e mais constantemente, os outros dois também tiveram momentos que tiraram bom proveito desta tranquilidade dada pelo técnico. A mudança deu resultado, pois, com uma geração mais fraca que as anteriores, a Oranje conseguiu o terceiro posto, com boas vitórias sobre Espanha (5 a 1) e Brasil (3 a 0) e faltou muito pouco para ser finalista. Além de mudar e conseguir ir longe, Van Gaal também não ficou preso ao esquema com três zagueiros e, quando foi necessário, mudou taticamente e chegou a voltar ao 4-3-3. 


Vários jogadores que tiveram bons desempenhos ficaram de fora, mas alguns deles ficaram perto de estarem entre os meus onze. A lista por ordem de posição: Neuer (Alemanha), Romero (Argentina), Howard (Estados Unidos), Fabian Johnson (Estados Unidos), Vlaar (Holanda), Giancarlo González (Costa Rica), Thiago Silva (Brasil), Marcos Rojo (Argentina), Cuadrado (Colômbia), Ángel Di María (Argentina) e Messi (Argentina). E o técnico Jorge Luis Pinto (Costa Rica).

domingo, 13 de julho de 2014

Copa do Mundo – Dia 31

O título da equipe completa

 Levantar a taça, o momento foi esperado por 24 anos pelos alemães e muito comemorado, com muita justiça (Ricardo Matsukawa/Terra)

As escolhas foram para campo e, apesar da tensão comum à uma final, a partida foi muito boa e de alto nível técnico. O Maracanã com 74.738 espectadores foi o grande palco perfeito. A Alemanha repetiu o jogo de posse, com verticalidade, que é a sua marca já a um bom tempo. Os argentinos vieram focados nos contra-ataques, pois, pelo o que haviam visto anteriormente, sabiam que dar espaço ao meio-campo da Nationalelf seria fatal. 

A alternativa tática de Sabella foi o 4-4-1-1, com Messi atrás de Higuaín. Ao conquistar a posse de bola, a Albiceleste tinha os avanços de Enzo Pérez pela esquerda e, principalmente, Lavezzi na direita. Na Alemanha, Löw repetiu o 4-3-3 (4-1-4-1), com Schweinsteiger ficando um pouco mais preso na marcação. Com a lesão de Khedira no aquecimento, Kramer foi escalado no meio com Kroos. 

 Com esta configuração inicial, a Albiceleste teve maior êxito na execução da proposta de jogo. A Alemanha tinha o domínio da bola (terminou com 60%), mas não conseguia penetrar na retaguarda adversária. A dupla Biglia e Mascherano tinha grande responsabilidade nisso, pois, novamente, transpiravam muito e tentavam cobrir todos os espaços do meio. Pelos lados, a contribuição de Enzo Pérez e Lavezzi também era importante. 

Se a lesão de Khedira no aquecimento piorou o time, quando Kramer teve que sair, a Mannschaft melhorou. Löw ousou e colocou Schürrle em campo e passou a ser mais ofensivo. Quase um 4-2-3-1, com o recém-entrado pela esquerda, Özil pelo centro e Müller à direita, com Kroos e Schweinsteiger sendo os volantes. Assim, a Alemanha cresceu e chegou a exigir participações de Romero, que, mesmo com desconfianças, foi muito bem em toda a Copa do Mundo.

Porém, no primeiro tempo, as grandes chances foram albicelestes. Na mais clara oportunidade, o melhor alemão na Copa, Kroos errou e Higuaín ficou frente à frente com Neuer. El Pipita desperdiçou o que poderia ser a bola do jogo, ao chutar para fora. A lateral-esquerda, grande ponto fraco da Alemanha, foi explorada a exaustão. Lavezzi jogava por ali e Messi, muitas vezes, deixava o centro e trabalhava pelo setor de Höwedes. Só não foi pior, porque Boateng fez partida soberba e, mais uma vez, Hummels teve bom desempenho. 

Mesmo com a estratégia dando certo, Sabella abriu mão do esquema e buscou atacar mais os europeus. Apesar de péssimo Mundial, Agüero veio no lugar de Lavezzi e a Argentina passou a jogar no 4-3-1-2, com Pérez, Mascherano e Biglia dando suporte ao enganche Messi. No início da segunda etapa, a Albiceleste teve domínio maior do jogo, assustou muito a defesa alemã e Neuer chegou a ser bem exigido. Após sofrer sustos com o bom reinício dos argentinos, a Mannschaft equilibrou. 

A Alemanha criou boas chances, com subidas de Lahm pela direita e a movimentação de Özil, Thomas Müller e Schürrle. Mas a marca da melhora alemã era a transpiração de Schweinsteiger, o clássico volante fazia partida enorme defensivamente e, com os passes, iniciava as jogadas ofensivas da Nationalelf. Porém, apesar das duas equipes buscarem o gol, os bons goleiros Neuer e Romero não tinham muito trabalho. A Argentina não chutou nenhuma bola no alvo e a Alemanha conseguiu apenas cinco arremates, em 120 minutos. 

Por isso, mesmo com a maior abertura das equipes, o jogo foi para a prorrogação, quando o cansaço poderia pesar. A Alemanha teve um dia a mais de descanso e passeou na semifinal, enquanto os argentinos protagonizaram uma batalha contra a Oranje, decidida apenas nos pênaltis. Ademais de Schweinsteiger, que se sacrificava para seguir em campo, a Nationalelf traduziu esta vantagem nos 30 minutos derradeiros. A Argentina não conseguiu assustar e a impressão era de que, se tivesse um vencedor até os 120 minutos, seria a equipe europeia. 

 Como a imagem denota, Schweinsteiger foi épico. Corte sob o olho, uniforme completamente sujo e o rosto externando cansaço (AP Photo)

Schweinsteiger foi o símbolo desta vitória. Na prorrogação, apanhou bastante, chegou a ganhar um corte sob o olho e quase foi substituído. Ele lutou e conseguiu seguir em campo. Mas a jogada do gol do título veio com Schürrle, reserva importantíssimo durante toda a campanha. O camisa nove disparou pela ponta esquerda e cruzou na área. Götze recebeu nas costas de Demichelis, matou no peito e, de canhota, marcou o 1 a 0, depois de ter ouvido de Joachim Löw: “mostre para o mundo que você é melhor que o Messi e que você pode decidir o Mundial”. De reserva para reserva e o único gol foi o do título, o mais importante da Nationalelf em 24 anos. A Argentina ainda tentou, porém não conseguiu buscar o empate. Tetracampeonato conquistado (1954, 1974, 1990 e 2014). 

Ganhou o melhor trabalho, a seleção mais coesa e o time mais carismático. Um projeto a longo prazo que revelou muitos talentos e deve seguir dando frutos para a Alemanha. Foram 18 gols marcados e quatro gols sofridos em sete jogos. A Mannschaft foi a equipe do toque de bola, com 5084 tentados e 4157 completados (82%). Além disso, teve bons números defensivos: 91 desarmes completados e Neuer executou 24 defesas. 

A equipe completa sem um craque absoluto, mas absoluta no Mundial. Desde o princípio a Alemanha era a principal favorita e, ao longo das sete partidas, confirmou isso, com louvor, jogando muito e crescendo durante a Copa de 2014. O título está em ótimas mãos, nas mãos dos alemães.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Copa do Mundo – Dia 28

Massacre alemão e humilhação verde e amarela

 Kroos foi a estrela do jogo, mas foi a atuação coletiva que liderou a Alemanha ao 7 a 1 (Jamie McDonald/Getty Images)

Alemanha e Brasil seria um jogo equilibrado, provavelmente, com um ligeiro favoritismo dos europeus. Sem os dois principais jogadores verde e amarelos, Thiago Silva e Neymar, a força alemã se destacava mais. Porém, dentro das quatro linhas, o ligeiro se tornou imenso e, ao final, foi constrangedor para os Samba Boys. Para substituir o craque, Luiz Felipe Scolari surpreendeu e colocou Bernard entre os onze iniciais, como ponta-direita no 4-2-3-1. Do outro lado, de certa forma, Joachim Löw surpreendeu e colocou em campo o 4-3-3, pois colocou Klose como centroavante. O esquema da Mannschaft também pode ser visto por um 4-1-4-1, pois Schweinsteiger fica mais preso, com Kroos e Khedira tendo liberdade para apoiar à frente. 

Assim, no Mineirão, a Alemanha protagonizou um recital, um massacre mesmo. O meio-campo foi a área do massacre, os cinco europeus controlaram totalmente o quinteto verde e amarelo, que, muitas vezes, tinha apenas três jogadores, pois Hulk e Bernard não conseguiram colaborar com a marcação. Mas, o primeiro gol da Nationalelf, não veio com vitória no meio-campo. Um escanteio, conseguido após um contra-ataque foi bem batido por Kroos. Depois da falha grosseira da zaga, Thomas Müller apareceu livre e marcou. Dos 22 aos 28 minutos, um massacre completo. 

Com pressão alta, superioridade numérica em todas as disputas de bola e um jogo muito vertical (chegou a ter menos posse de bola que o Brasil), a Alemanha marcou quatro vezes, no período. Khedira era uma das chaves deste jogo, marcava muito à frente e parecia pronto para fazer a composição defensiva, caso fosse necessário. O resultado é que os Canarinhos só utilizavam a alternativa do chutão e, assim, a redonda logo voltava aos alemães, que conseguiam construir o jogo, com um jogo bem direto, diferente daquilo que havia apresentado nas partidas anteriores. 

Klose quebrou o recorde de Ronaldo, o craque de jogo e um dos melhores alemães na Copa, Kroos fez dois e Khedira marcou o quinto. O Brasil estava no chão, não havia reação, a técnica alemã venceu. A Mannschaft caminharia para a final e os Samba Boys estavam próximo da pior derrota em copas. Luiz Felipe Scolari tentou igualar o jogo: sacou Fernandinho e Hulk, ambos em dia péssimo, e colocou Ramires e Paulinho. Por outro lado, claramente os alemães desaceleraram. 

Por isso, o Brasil chegou a viver bons momentos. Mas aí, uma qualidade da Nationalelf, que ainda não havia sido necessária, apareceu. Um dos ótimos goleiros deste Mundial Neuer fez algumas boas defesas e evitou que os verde e amarelos marcassem dois gols, logo no reinício da partida. Se o ritmo dos titulares já não era o mesmo, Schürrle entrou no lugar de Klose, que deixou o campo com o recorde e sob aplausos, e veio para cravar os últimos golpes na seleção de Luiz Felipe Scolari. 

As defesas de Neuer deixaram o Brasil mais entregue. A posse passou a ser controlada pela Alemanha, que, além de ter o controle territorial, buscava mais gols. Ao final da partida, Schweinsteiger afirmou: “Mas eu gostaria de me desculpar com o Brasil. Não esperávamos um placar desses. Tentamos ser respeitosos jogando futebol e fazendo gols. Para nós essa Copa é um sonho. Estamos gostando muito do povo brasileiro, e queria dizer que a seleção brasileira fez grande papel no torneio”. O que foi falado por um dos líderes do grupo, Schürrle mostrou na prática e marcou outras duas vezes. 7 a 0. 

Oscar fez aquilo que chamamos de gol de honra, mas não trouxe nenhuma horna. 7 a 1 e nada mais a declarar. Uma grande atuação alemã frente à uma apática seleção brasileira, que precisa se reinventar, neste sentido, prometo um texto bem completo em breve. Provavelmente, após a Copa. Para a Alemanha, que não vinha massacrando, a vitória categórica na semifinal apresenta a força da equipe para ganhar o tetra, depois de 24 anos. Do outro lado, seja Holanda ou Argentina, o favoritismo será da Nationalelf, porém, mais uma vez, o jogo se apresentará como um grande desafio, que pode se tornar algo fácil, como aconteceu contra o Brasil, graças à qualidade do grupo de Löw.

sábado, 5 de julho de 2014

Copa do Mundo – Dia 24

A Redenção do Artilheiro 

 Higuaín bateu no peito e chamou a responsabilidade, em mais uma partida difícil para a Argentina (Matthias Hangst/Getty Images)

A Argentina segue passando de fase, mesmo sem convencer. Mas, contra a Bélgica, a Albiceleste conseguiu uma exibição correta, uma das melhores no Mundial. Para conseguir jogar bem, Sabella mexeu e armou um 4-2-3-1, com a entrada de Biglia na composição com Mascherano na volância. Wilmots manteve o 4-1-4-1, mas optou por ter Mirallas entre os onze iniciais. 

Frente aos Diabos Vermelhos, os argentinos conseguiram recuperar Higuaín, que fazia Mundial abaixo daquilo que poderia entregar. O camisa nove até colaborava na movimentação sem bola e abria espaços para os companheiros. Mas centroavante vive de gols e o argentino ainda não havia balançado as redes. Na verdade, El Pipita não conseguia finalizações, ao todo, nas quatro partidas anteriores, apenas sete chutes, em 330 minutos em campo. Desta vez, uma no gol, outra ao lado e mais uma bloqueada. Para melhorar, a que foi no alvo, balançou as redes. No início da partida, uma bola espirou na zaga e se ofereceu na meia-lua, em chute de rara felicidade, Higuaín marcou o 1 a 0. 

Abrir o placar cedo, tranquilizou o jogo albiceleste e obrigou a Bélgica a buscar mais o ataque. Porém, mesmo terminando os 90 minutos com posse de bola maior (54.3%), não conseguia assustar o goleiro. Durante a partida, os Diabos Vermelhos finalizaram dez vezes: apenas uma no alvo, três interceptadas e seis para fora. Com esta pontaria, não daria para vencer a Argentina, que não pressionavam o rival, mas, quando a bola chegava em Messi, era sempre um risco para os belgas. 

Wilmots mexeu, colocou Mertens e Lukaku. Sem resultado, ousou e errou ao tirar o craque Hazard para colocar o ineficiente Chadli. Para confirmar a falta de ideias do técnico belga, no final, a seleção teve Van Buyten como centroavante, por, ao menos, uns 15/20 minutos. Faltou repertório no final, os Diabos Vermelhos apenas ficaram cruzando bolas na área (ao todo, foram 23 cruzamentos) e, como mostramos os números acima, a estratégia não resultou em perigo para Romero. 

Com o apito final, teve choro dos dois lados. Os belgas, que atingiram a fase imaginada, se frustraram, pois, provavelmente, esperavam melhor desempenho. A ótima geração do país não encantou na Copa, mas, depois de dois mundiais ausente, voltar e já chegar às quartas de final é uma boa marca. No lado argentino, o decisivo Higuaín, que teve a melhor atuação dele na competição, chorou muito. Na entrevista pós-jogo, El Pipita destacou: “O jejum não me incomodava, o que importa é ir avançando, agora, devemos seguir pensando partida a partida”. As lágrimas também poderiam ser de Sabella, que, por lesão, perdeu Di María, um dos seus jogadores mais importantes, para o restante da Copa do Mundo.

Herói improvável

Hoje, Robben deixou o protagonismo para Krul, que entrou para pegar pênaltis e pegou dois (Michael Steele/Getty Images)

Em Salvador, Holanda e Costa Rica também seria o confronto dos melhores técnicos da Copa do Mundo, Louis van Gaal e Jorge Luis Pinto. Para enfrentar a melhor defesa do Mundial 2014, o técnico holandês não teve dúvidas e, mais uma vez, mudou a forma de jogar. Veio o 3-4-2-1, com Kuyt, Wijnaldum, Sneijder e Blind formando a segunda linha, portanto, nenhum marcador clássico no centro do campo. À frente, Robben e Depay davam suporte à Van Persie. O comandante dos Ticos não mexeu na estrutura e manteve o 3-4-2-1 (muitas vezes, formando uma linha de cinco atrás), mas focou ainda mais na marcação.  

O planejado pelos treinadores se refletiu em campo. A Oranje dominou completamente a partida, durante todos os 120 minutos, sempre mais de 60% de posse de bola. Com um dos melhores da Copa, Robben fazendo boa partida, o controle do jogo se tornou chances e muitas oportunidades de gol. O problema foi a fraca exibição de Van Persie, pois, sem o jogador terminal bem, as finalizações normalmente vinham de fora da área. Além do camisa 11, Sneijder também tinha boa atuação e sempre conseguia descolar um passe interessante para algum companheiro. De 85 toques tentados, o número dez acertou 70, sendo que 17 deles foram no último terço.  

Não por acaso, a defesa da Costa Rica é a menos vazada da Copa, com apenas dois gols sofridos. O goleiro Keylor Navas mostrou porque é o melhor do Mundial e fez oito defesas, além de contar com a trave em dois momentos, em arremates de Sneijder, que fez sua melhor partida na competição. Eventualmente, os Ticos chegavam em contra-ataques. O homem mais avançado, Joel Campbell recebeu apenas cinco passes no último terço do campo, nenhum deles dentro da área.

Apesar de tentar de todos as formas, a bola não entrou. E, na reta final do jogo, durante a prorrogação, o massacre holandês foi ainda maior. Porém, mesmo assim, o jogo terminou 0 a 0. Antes do apito final, mais uma vez, Louis van Gaal participou da partida de forma decisiva. O técnico tinha um trunfo no banco: o goleiro Krul, de 1,93m, que, durante toda a preparação para a Copa, sabia que, se houvesse decisão por pênaltis, entraria. O desempenho do goleiro do Newcastle não é fascinante em penais, pois, dos últimos 20 batidos contra ele, havia parado apenas dois. Porém, colocá-lo em campo foi uma estratégia do técnico holandês e do treinador de goleiros, Frans Hoek para criar um fato novo, tendo um jogador preparado quase como o especialista para a situação.  

A estratégia deu muito certo. Nas cinco cobranças dos Ticos, Krul acertou o canto de todas e igualou o desempenho que teve nas 20 cobranças anteriores. Com as duas defesas, o “especialista” garantiu a vitória holandesa, pois seus compatriotas acertaram todas as batidas, sem dar chances para o ótimo Keylor Navas. A troca de goleiros, que deu resultado, também causou polêmica. O titular Cilessen reclamou de sair, mas, segundo os especialistas em futebol holandês, depois da partida, pediu desculpas e reconheceu que errou ao chiar.  

O 4 a 3 fez justiça ao que foi o jogo, pois a Oranje não merecia perder, massacrou a Costa Rica. Porém, como disse Keylor Navas, ao final da partida, os Ticos devem voltar para casa “com muito orgulho”. No mesmo sentido foi a fala do técnico Jorge Luis Pinto, que foi muito bem no Mundial, levando a equipe às quartas de final, eliminando Itália e Inglaterra. No lado vencedor, fica a clara noção de que Van Gaal conhece muito bem seus 23 convocados (no Brasil, 21 já entraram em campo) e sabe as opções que eles oferecem ao time. Para encarar a Argentina, não acredito que o técnico repetirá a escalação, pois tentará dar mais poder de marcação ao centro de campo da Holanda.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Copa do Mundo – Dia 21

Mais um dia sem Copa e, desta vez, serão dois. Por isso, aproveitarei esta quarta-feira para pensar no jogo do Brasil, na próxima fase. Partida que promete equilíbrio, afinal, os verde e amarelos não atingiram seu ápice, enquanto a Colômbia é tida como uma das principais seleções do Mundial. 

Brasil 

 Apesar da atuação ruim, o Brasil chegou às quartas de final e, depois da disputa de pênaltis, sobrou emoção (Quinn Rooney/Getty Images)

Sem jogar bem, o Brasil chegou à esta fase, baseado em bons desempenhos individuais de Júlio César (nos pênaltis, contra o Chile), David Luiz, Thiago Silva, Luiz Gustavo (suspenso, fará para marcar os adversários) e, principalmente, Neymar. Luiz Felipe Scolari opta pelo 4-2-3-1 e fornece muita liberdade de movimentação ao trio de meias, que, além do craque da seleção, tem Hulk e Oscar pelos flancos. Porém, se os três trocam muito de posição durante o jogo, a bola não tem chegado ao trio. Os Sambas Boys têm um problema crônico: a dificuldade na saída pelo chão e, por isso, o uso excessivo dos lançamentos longos pelos zagueiros e Luiz Gustavo. 

O problema, que é evidente e persiste pelos quatros jogos, ainda não teve solução. Para vencer a Colômbia, o treinador terá que trazer uma resposta a isso. Os laterais, tidos como pontos fortes dos canarinhos, não vêm bem e uma evolução do desempenho da dupla (seja Daniel e Marcelo ou Maicon e Marcelo) será importante para dar alternativas a esta saída pelo chão. Mas o ponto central para a evolução, se encontra na volância. Sem Luiz Gustavo, o Brasil deve ter Fernandinho e Paulinho, ambos já foram titulares como 2° volantes, mas nenhum dos dois conseguir facilitar o início das jogadas do meio. Jogar sem um jogador posicional, neste setor, pode ser a solução circunstancial contra a Colômbia. Mas contar com os laterais em melhor nível e Oscar participando, como fez contra a Croácia, na estreia, parece ser o mais importante. 

Colômbia 

 Cuadrado e James Rodríguez: o Brasil e qualquer um que enfrentar a Colômbia deverá prestar atenção na dupla (Adam Pretty/Getty Images)

Antes da Copa, não havia quem não falasse da força cafetera, mas, com a lesão de Falcao García, as dúvidas entraram em campo. No Mundial, a ausência da principal estrela tem sido esquecida, James Rodríguez e Cuadrado tem conseguido suprir esta falta, criando e marcando os gols para a Colômbia. Os bons desempenhos da equipe têm muito do trabalho do técnico, o argentino José Perkerman. Durante a caminhada para a Copa do Mundo, ora com dois atacantes, ora com o 4-2-3-1 ou 4-1-4-1, os Cafeteros apenas mostraram força. No Brasil, o comandante fixou a equipe no esquema da moda: Teó Gutiérrez é o nove; mais atrás, estão Cuadrado à direita, James Rodríguez no centro e Ibarbo à esquerda; e, na volância, dois jogadores mais presos, Carlos Sánchez e Abel Aguilar. 

Com a nova configuração do meio para frente, a Colômbia tem conseguido ter uma defesa relativamente segura. Nisso, o goleiro Ospina tem bastante importância, pois é um dos bons nomes da posição, no Mundial, e a dupla de zaga Yepes e Zapata também vai muito bem. Mas o destaque é mesmo o ataque e tem relação com o esquema também. Com muitos jogadores dispostos a trabalhar para as estrelas, James e Cuadrado têm total liberdade para agir. Ambos aproveitam bem isso e tem números impressionantes. O camisa dez é o craque e artilheiro da Copa e tem cinco gols e duas assistências. O ponta-direita é o líder em passes decisivos, com quatro e ainda balançou as redes uma vez. Porém, os cafeteros também tem problemas no ataque, Pekerman tem insistido em Teó Gutiérrez, que marcou apenas uma vez, enquanto, no banco, está Jackson Martínez, que joga em nível mais alto e já tem dois gols na Copa. Em um jogo, que promete tanto equilíbrio, tem um centroavante um pouco pior pode ser a diferença entre seguir na competição e voltar para casa.

sábado, 28 de junho de 2014

Copa do Mundo – Dia 17

Sobreviveu 

 Júlio César pegou dois pênaltis e se transformou no heroi brasileiro das oitavas de final (Ian Walton/Getty Images)

O que todos esperavam ocorreu. O Brasil mudou os onze iniciais e Paulinho foi para o banco, dando lugar para Fernandinho no meio-campo. Parecia o caminho ideal para vencer a marcação pressão do 3-1-4-2 chileno. Mas, na prática, não foi assim. O londrinense jogou abaixo, Oscar e os laterais não colaboraram com a saída de bola e Fred ou Jô não foram o centroavante necessário para o bom funcionamento do 4-2-3-1 de Luiz Felipe Scolari. 

O Brasil não tinha jogo, a bola ficava com o Chile (sem chegar ao gol defendido por Júlio César) e, eventualmente, os verde e amarelos conseguiam algo no contra-ataque. Mas faltava a finalização. Neymar estava apagado e, às vezes, trocava o chute por continuar conduzindo a bola. Se os canarinhos não conseguiram superar a pressão roja, outro ponto muito falado durante a semana ocorreu. Na bola aérea, a maior altura brasileira fez diferença. No primeiro poste, Thiago ganhou de dois rivais e, no segundo pau, David Luiz fez o primeiro do jogo e o primeiro dele pela seleção.

Como dito acima, o Brasil não superou a pressão adversária. Em lance assim, o Chile empatou em erro conjunto de Marcelo e Hulk. Vargas recuperou e tocou para Alexis Sánchez dominar e marcar. O 1 a 1 foi capaz de confirmar o melhor momento do jogo chileno, mas seguia faltando a chegada e, através da individualidade, o Brasil conseguia ser mais perigoso. No segundo tempo, o domínio da Roja aumentou e, defensivamente, liderada pelo baleado Medel, não havia sofrimento.

Felipão fez mexidas, mas nenhuma delas deu resultado e, se não fosse Júlio César, o Brasil teria sido eliminado no tempo normal. Neste momento, o comentarista da ESPN, Paulo Vinicius Coelho cunhou a frase que definiu a partida: “O Brasil perdeu o jogo, agora é ver se vai ganhar a vaga”. Se faltavam jogadas e inspiração, Hulk, que havia falhado no gol de empate, brigava muito e, desta forma, quase conseguiu decidir o jogo para os Samba Boys, algo que parecia improvável.

Fisicamente, os canarinhos se mostravam melhores, portanto, a prorrogação poderia trazer coisas boas. Mais uma vez, a teoria não se comprovou na prática. Neymar não conseguia fazer a jogada de desequilíbrio. A partida, facilmente confundida com um teste para cardíacos, parecia fadada a chegar na prorrogação. Faltou pouquíssimo para não chegar. Pinilla virou uma bola na entrada da área e acertou o travessão.

Apesar de não jogar bem, o Brasil havia conseguido sobreviver aos 120 minutos de bola rolando, seria capaz de resistir às cobranças de pênaltis? O criticado e maior ponto de interrogação da seleção, Júlio César chorou antes da disputa, mostrando a emotividade característica. Porém, na hora que tinha que aparecer, mostrando frieza, o camisa 12 esteve lá. O goleiro brasileiro pegou duas cobranças e contou com a trave, para liderar a vitória brasileira por 3 a 2. Ao final, novamente, teve choro, mas, desta vez, as lágrimas expressavam alívio e alegria.

Sem alegria e sem bom futebol, os Samba Boys passaram às quartas de final, deixando para trás um Chile fortíssimo e muito aplicado, fruto de um trabalho espetacular de Jorge Sampaoli. A partida mostrou os problemas brasileiros, como a reincidência da falta de saída por baixo, os problemas dos centroavantes convocados e Daniel Alves sempre deixando espaço para os rivais jogarem. Além de superar estes desafios, para as quartas de final, o Brasil precisará conseguir jogar bem sem o suspenso Luiz Gustavo, um dos melhores jogadores da seleção, no Mundial.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Copa do Mundo – Dia 16

Intensidade e altura

Neymar é um dos artilheiros da Copa, com quatro gols, e vai liderando o Brasil (Matthew Lewis/Getty Images)

Escrever mais sobre a melhor exibição do Brasil, na Copa do Mundo, não é necessário, por isso, ousarei prever o próximo passo da seleção. O confronto contra o Chile promete ser muito interessante. Apesar deste Mundial ser tão bom exatamente por ser imprevisível, não há como imaginar uma partida fácil para nenhuma das duas equipes e, sim, um duelo aberto recheado de aspectos muito interessantes. 

O Chile se caracterizou nesta Copa por estar conseguindo se adaptar ao estilo de jogo, que o adversário lhe propõe. Na estreia, a adversária foi a Austrália, uma equipe mais defensiva. Portanto, Sampaoli jogou no 4-3-1-2, com Valdívia muitas vezes se unindo à dupla de atacantes, composta pelos móveis Alexis Sánchez e Eduardo Vargas. Além disso, o trio de meias tem Aránguiz e Vidal buscando mais o ataque, enquanto, Marcelo Diáz (o segundo jogador que mais correu no Mundial, 36,7 km) faz o balanço defensivo, quase funcionando como terceiro zagueiro. A formação do trio atrás dá liberdade aos dois laterais, Isla à direita e Mena à esquerda. 

Ter estreado no Mundial com um esquema, que não é o habitual da Roja, mostra como Sampaoli tem o grupo na mão. Para bater a Espanha e também contra a Holanda, o sistema com três zagueiros de início voltou a imperar – deve ser a escolha para enfrentar o Brasil. O 3-1-4-2 faz parte do repertório chileno há muito tempo, pois Marcelo Bielsa usava o esquema como variação do seu preferido 3-3-1-3. Além do trio atrás, o Chile de Sampaoli tem outros elementos clássicos do jogo de El Loco: a pressão na saída de bola adversária, troca de passes (top cinco no ranking de passes completados) e estilo ofensivo.

 Chile - Football tactics and formations

Não por acaso, a primeira característica que citei foi a pressão na saída de bola. Pois esta alternativa também é uma das principais da equipe brasileira e, frente aos camaroneses, foi responsável por dois gols verde e amarelos. Portanto, devemos ver um duelo insano na saída de bola. Até aqui, quem está vencendo, é o Chile, que, com os laterais e boa participação dos meias, tem conseguido sucesso na proposição de jogo. Os Samba Boys sofrem neste quesito e, contra a Roja, devem sofrer ainda mais, afinal, o adversário tem a marcação pressão como ponto forte.

O problema brasileiro na saída de bola vem desde o primeiro jogo da Copa e até dos amistosos. As fracas atuações de Paulinho e dos laterais, que são fundamentais para a construção dos ataques desde o campo defensivo, são os pontos centrais para o entendimento do problema crônico verde e amarelo. As saídas têm sido realizadas ou em lançamentos dos zagueiros e Luiz Gustavo ou em contribuições inconstantes de Neymar (o craque tem aparecido melhor no ataque), Oscar e Hulk, o que é pouco. 

 Fernandinho entrou contra Camarões e mostrou um nível de futebol altissímo, o que deverá fazê-lo titular contra o Chile (Buda Mendes/Getty Images)

Olhando o perfil do rival e a ótima participação de Fernandinho, contra Camarões, a mudança do 2° volante se mostra como fundamental e alternativa mais clara para enfrentar os chilenos. No meio tempo em que ficou em campo, o camisa cinco se mostrou à vontade para participar desta saída de bola. Talvez, com a entrada dele, não só a saída pelo centro melhore e, pelos lados, também evolua, com melhor inclusão de Daniel Alves e Marcelo nesta dinâmica. 

A falta de estatura chilena, compensada por muita velocidade, não traz orgulho e causa preocupação, afinal é a menor altura média da Copa (1,76m). Antes do Mundial, um dos três zagueiros, Jara, de 1,78m, explicou a questão: “Esse assunto já é velho, já foi falado demais. Não temos defensores tão altos como antes, é verdade. Mas lidamos bem com isto”. Este é um caminho que pode ser explorado pelos brasileiros, pois os Samba Boys têm jogadores altos e uma média bem superior aos chilenos (1,81m). 

Como dito por Jara, a falta de altura é um problema maior na defesa. Afinal, além do jogador de 1,78m estão Silva, de 1,78m e Medel, 1,72m. Outro nome que, por muitas vezes, compõe a defesa é o 1° volante Marcelo Diáz, de 1,67m. Os verde e amarelos deverão ter dentro da área o centroavante Fred, que tem 1,85m, proporcionando uma clara vantagem para o jogo aéreo do nove brasileiro, que tem os cabeceios como uma das armas para marcar. Nos escanteios e faltas laterais, normalmente, bem cobrados por Neymar, os canarinhos devem ter Luiz Gustavo (1,87m), David Luiz (1,89m) e Thiago Silva (1,83m) dentro da área. Mesmo que a defesa roja receba apoio de jogadores mais ofensivos, entre os onze iniciais, apenas Vidal alcança a marca do 1,80m, portanto, a superioridade de altura seguiria. 

Portanto, explorar a bola alta pode ser uma saída bem interessante para o Brasil. Mas não há como fazer dela a única alternativa, pois, nos últimos jogos, como já dito acima, a seleção sofreu bastante com a falta de saída de bola pelo chão. Por isso, mesmo jogando contra La Roja, que dificultará o início das jogadas, os Samba Boys devem alternar o jogo aéreo e longo com os passes curtos e rasteiros. Para isso ocorrer, a entrada de Fernandinho como titular parece quase obrigatória, pois, em 45 minutos, contra Camarões, o londrinense trouxe àquilo que é cobrado. Porém, além disso, Oscar terá que participar mais dessa saída de bola e contar com apoio dos laterais neste trabalho, conseguindo dar a alternância ao jogo verde e amarelo, fundamental para a vitória contra a boa seleção chilena.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Copa do Mundo – Dia 13

Uma despedida digna 

David Villa fechou a trajetória na Roja com esta letra e atuação memorável na Arena da Baixada (Jeff Gross/Getty Images)

Os curitibanos sofreram com o sorteio dos jogos para a cidade, porém havia grande expectativa para a partida Espanha e Austrália, que teria os campeões do mundo como protagonistas. Porém, La Roja e os Socceroos chegaram à última rodada eliminados. De qualquer forma, a Arena recebeu um público bem interessante. Mas, apesar do interesse ser mesmo pelos espanhóis, a torcida optou por vaiá-los e torcer contra. 

Como doente por futebol que sou, estava muito ansioso para ver os últimos passos de Xabi Alonso, Xavi e Villa e, provavelmente, de Casillas e Pepe Reina. Se pensarmos apenas em mundiais, com certeza, somaríamos aos cinco, Fernando Torres. Portanto, grande parte da geração supercampeã e alguns protagonistas. Logo que a Furia chegou e foi visitar o gramado fui à beira do campo e pude gritar para alguns jogadores, sempre gritando três vezes até receber o retorno. O primeiro a me cumprimentar foi Javi (Martínez), depois foi a vez de Santi (Cazorla) e, por fim, um dos meus preferidos, Xabi (Alonso), sempre procurado quando o jogo estava apertado.

Apesar de vaias, a Espanha foi para o jogo disposta a deixar uma boa impressão. No 4-3-3, que, com a avanços de Iniesta, se tornava um 4-2-3-1, La Roja controlou as ações da partida. Porém, não começou bem, era óbvio o nervosismo da equipe, pois eles se obrigavam a vencer. Aos poucos, o domínio foi sendo conquistado, Cazorla, Xabi Alonso e Don Andrés passaram a comandar o meio-campo e, pela ponta esquerda, Villa e Jordi Alba colocavam McGowan louco. 

Mas, para abrir o jogo, nada pode ser melhor que Iniesta. O camisa seis fez passe no “costado da zaga” e descobriu Juanfran livre. O lateral-direito, que estava em ótima tarde, foi ao fundo e, no momento certo, cruzou rasteiro para trás. Villa chegou e guardou de letra. O 1 a 0 aumentou o controle da partida para os espanhóis. Os socceroos, apesar da boa torcida, não tiveram forças para reagir. Com Don Andrés e Xabi Alonso dominando totalmente as ações pelo centro e com o restante do grupo se mexendo muito e sempre dando opções de passes, não havia o que temer. A Espanha faria mais gols.

Antes de anotar mais, o que mais fez isso com a camisa roja se despediu. Aos 12 do 2°T, o maior artilheiro da história da seleção espanhola, David Villa, com 59 gols em 97 partidas, deu lugar a Mata. No caminho para sair de campo, El Guaje demonstrou emoção e foi cumprimentado/consolado por vários companheiros. No banco, não foi diferente, abaixou a cabeça e recebeu o carinho por membros da equipe da Roja. 

Se Villa estava provavelmente se despedindo, Iniesta mostrou que ainda tem muito a dar para a seleção. Foi dele a assistência primorosa para Torres marcar o segundo. Este foi um dos 80 passes completados pelo camisa seis, o maior passador da partida, que terminou com um índice de 88% de acertos. Para o final, ficou o gol de Mata, após outra boa assistência, desta vez, de Fàbregas. 

Mesmo com o 3 a 0, os espanhóis não saíram felizes e não fizeram nenhuma festa ou agradecimento especial ao público curitibano. Em seu Facebook, Iniesta publicou um texto, que justifica isso: “A decepção por voltar tão cedo para casa é muito grande. Tínhamos muita ilusão de poder fazer um bom Mundial e não foi possível. Lhes peço desculpas e lhes asseguro que trabalharemos para voltar a colocar a seleção onde ela merece”. A Furia precisará muito de Don para voltar ao topo, o camisa seis deverá ser um dos líderes da nova geração, que transborda em qualidade.

Para a Austrália, a vinda ao Brasil valeu pelas boas exibições nas duas primeiras partidas, apesar das derrotas. Claro, o carisma dos australianos também contou. Ao final do jogo, Bresciano, que havia vindo bem do banco, pegou duas das bolas da partida, se encaminhou ao setor onde estavam os familiares dos australianos e entregou uma delas a um amigo/parente. A segunda brazuca foi rifada para a galera. Além disso, alguns dos australianos, fizeram questão de dar a volta em todo o campo, para aplaudir a torcida.

Podia até não valer nada, mas foi espetacular.

sábado, 21 de junho de 2014

Copa do Mundo – Dia 9



Finalmente, a experiência in loco e o sonho está realizado

 A Arena da Baixada estava cheia e a maioria vestia o amarelo, do Brasil ou do Equador (Manoella Nolasco)

Chegou a o dia que tive uma das grandes histórias da minha vida. Fui à uma Copa do Mundo e, para completar no meu país. Antes da partida, poucos esperavam algo de Equador e Honduras, mas, com a vitória francesa categórica frente aos suíços, as equipes se permitiram sonhar com a classificação. Por isso, vimos um jogo bastante aberto.

Desde a chegada à Curitiba, no dia 19, fiquei impressionado com a organização do aeroporto e os enfeites, que preenchiam o local. Tudo decorado em verde e amarelo e equatorianos e hondurenhos também estavam presentes. No local, além da decoração especial, havia uma área chamada “Fun Zone”, onde ficavam videogames, televisão com os jogos, voluntários da FIFA para orientação e espaço para descanso, naquele momento, ocupado por estrangeiros.

Mas chegar à capital não acabava com a minha ansiedade, eu queria estar lá dentro e queria reencontrar a Arena da Baixa, que já havia achado espetacular em 2009. Antes de partir, conheci Cézar, que era quase família e estava hospedado na casa de um dos meus primos de Curitiba. Fomos juntos e encontramos o Gui Lopes, sim, o companheiro de Trifon Ivanov, camisa dez do Bonde dos Chilenos, e a sua futura esposa, a Tati. Conversamos um pouco e, pouco antes das 18h, partimos para o Estádio, isso depois de já termos passado por dois cordões policiais, onde fomos revistados e apresentamos nossos ingressos.

Na rua da Arena, me despedi dos amigos, meu caminho era outro – um tio norte-americano e uma prima já partiram para o Estádio separados. Fui sozinho para o portão cinco, que ficava longe. No caminho só alegria e a maioria vestia o amarelo do Equador, a minha escolha para a partida. Depois de pegar uma fila de uns 15/20 minutos, que pareceram uma eternidade, cheguei ao Estádio e, em mais uns cinco minutos, entrei. Primeira coisa, visitei o banheiro padrão FIFA e fui para o meu lugar.

Ao encontrar meu bloco, um fiscal pegou o ingresso comigo e me indicou o meu assento. Fiquei por ali. Logo meu vizinho, também sozinho, sentou e começamos a conversar. Ali ocorreu algo que nunca imaginei, o meu novo amigo era E-GÍ-PI-CIO. O português dele fluente tinha explicação, morava há oito anos em Curitiba. Depois, ele trocou de lugar com um mexicano, Alfonso Cruz, mais um amigo para mim. Com ele, falei muito sobre futebol. Torcedor do Puebla, estava muito animado com as chances dos mexicanos e, principalmente, para o próximo jogo. No dia 23 de junho, ele irá à Arena Pernambuco para aquilo que chamei de a “primeira final” de El Tri, contra a Croácia. Animado, Alfonso falava: “seremos locales em Recife”.

Nenhuma outra coisa poderia me proporcionar isso. Portanto, só agradeço ao Mundial e fico feliz, pois semana que vem tem mais.

O jogo

 Enner agradece aos céus: a Arena viu mais uma grande exibição do camisa 13 equatoriano (Julian Finney/Getty Images)

Maioria em Curitiba, os equatorianos deram show. Entoando várias vezes: “Somos ecuatorianos y esta noche tenemos que ganar”. Apesar da força das arquibancadas e a importância que o jogo tinha ganhado, o Equador não foi absoluto, Honduras conseguiu equilibrar as ações. No lado sul-americano, aquele 4-4-1-1, com Enner Valencia circulando mais e tendo Caicedo como nove fixo. Em Honduras, o 4-4-2 era escolha e o ataque tinha os grandalhões Costly e Bengston, pressionando a dupla de zaga da Tri.

Desta forma, o jogo foi muito aberto. Às vezes, falha individuais colaboravam, mas Curitiba viu uma grande partida. Novamente, Enner era o melhor da Tri e era quem aparecia nos melhores momentos. Inclusive, perdeu gol incrível. Além dele, os equatorianos tinham muito de Noboa, que controlava o centro do campo (sete roubadas de bola), e Paredes e Ayoví, laterais que avançavam muito.

Honduras tinha a alternativa da bola longa, que, normalmente, buscava Carlos Costly. Além disso, Espinoza, meia-esquerda de La H, tentava muito e colaborava ofensiva e defensivamente. O gol saiu em uma falha equatoriana e Costly recebeu livre para marcar de canhota. O 1 a 0 quase virou o estádio para os hondurenhos, mas o empate, logo depois, manteve o domínio da Tri. Em uma das subidas, Paredes arrematou do bico da área e, no outro lado, a bola sobrou para Enner marcar o 1 a 1.

A igualdade animou os equatorianos. Reinaldo Rueda chegou a mudar de lado os pontas, Antonio Valencia (jogador do United faz Mundial muito ruim) foi para a esquerda e Montero para a direita, pois ambos não rendiam nos flancos habituais. A partir da troca, o Equador cresceu e a torcida foi junto. Com este espírito, La Tri passou a dominar ações, mas sempre sofrendo em contra-ataques e nas bolas que procuravam Costly, que dominava a defesa equatoriana.

O jogo seguia no mesmo ritmo e, apesar do domínio, La Tri não conseguia as melhores chances. Honduras fazendo o jogo que havia se proposto: com menos posse de bola (no final, igualou o número) e menos ataques, era perigosa (teve mais chutes no alvo, inclusive) e causava preocupação nos equatorianos, que estavam sentados perto do meu lugar. Mas o gol da vitória foi marcado por Enner. Assim como no primeiro jogo, ele subiu mais alto que a defesa adversária e, de cabeça, fez o 2 a 1. Terceiro gol do Equador no Mundial e terceiro do jogador do Pachuca.

No mesmo esquema dos 90 minutos, Honduras chegou assustar os sul-americanos. Domínguez teve que aparecer com defesas importantes, para garantir o placar favorável. Após o gol da vitória, em minha frente, um equatoriano abaixou a cabeça e, quando levantou, lacrimejava. O “si, se puede”, que eles tanto gritaram e, talvez, nem acreditassem muito, ocorreu. Equador chega vivo à última rodada e, dependendo do resultado de Suíça e Honduras, poderá se classificar à segunda fase com um empate.

O ponto negativo

Logo depois que o mexicano sentou ao meu lado, uma voluntária da FIFA acionou um dos Stewards para checar se o meu novo amigo tinha ingresso. Não, isso não é coisa de esquerdista, que vê preconceito em tudo. Com o rosto típico dos latinos, Alfonso, após já ter apresentado o ingresso em, pelo menos, quatro barreiras, passou pelo constrangimento de ter, mais uma vez, provar tinha sido comprado a entrada para o jogo.

Não vou me alongar, mas, após o caso, apenas falei para Alfonso: “preconceito, este é um dos grandes problemas do Brasil, tem muita gente que tem dificuldade para conviver com negros e pardos. Te peço desculpas pelo país”. O mexicano, praticamente, ignorou o caso e continuamos conversando. Portanto, a Copa do Mundo é um claro retrato do Brasil, pois o povo é impressionante, a miscigenação é potencializada. Porém, infelizmente, o preconceito ainda está aí.