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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Balanço da segunda Era Felipão

Luiz Felipe Scolari assumiu a seleção brasileira em 2013 e mudou o patamar da equipe para a Copa de 2014 (Marcio Iannacca/Globoesporte.com)

Luiz Felipe Scolari começou a segunda passagem pelo comando da seleção brasileira, no dia 23 de janeiro de 2013, quando convocou 21 jogadores (Hernanes foi cortado, ficando com 20 atletas) para o amistoso frente à Inglaterra, no dia seis de fevereiro, no Estádio Wembley. Desde então, os samba boys foram mudando em relação à proposta de jogo que o ex-técnico Mano Menezes propunha. 

Felipão deixou claro que, ao contrário do antecessor, não abriria mão de um volante mais marcador à frente da zaga e também gostaria de um centroavante comandando o ataque. Essas duas funções tinham sido, ao poucos, deixadas de lado por Mano Menezes, que, na reta final do trabalho – a melhor fase dele –, apostava em um 4-2-3-1, com Ramires e Paulinho compondo a volância e Neymar atuando como “1”. 

Mas Luiz Felipe Scolari também repetiu algumas coisas que eram comuns no trabalho do antecessor. O pentacampeão aproveitou muitos jogadores que estrearam com a camisa verde e amarela sob o comando de Mano Menezes e o esquema tático foi mantido, com alterações periódicas. Porém, o atual trabalho é uma ruptura com o anterior, outra alteração é o sensível aumento na média de idade da equipe. O ex-técnico teve, em média, 24,4916 anos, enquanto, Felipão aposta em mais experiência: 26,0885 anos.

Início claudicante 

Apesar de receber um time que começava a se acertar, Felipão não teve facilidade no início com a seleção. O já citado amistoso frente à Inglaterra, acabou com derrota brasileira, por 2 a 1. Mas o jogo serviu para algumas coisas. Arouca, que entrou no intervalo, foi muito mal e cometeu um erro infantil, sepultando qualquer chance com Luiz Felipe Scolari – voltou a ser chamado, mas apenas em jogos que só os jogadores que atuam na América do Sul eram elegíveis. E o centroavante titular, Luís Fabiano (nunca mais foi convocado), participou mal da partida e viu Fred jogar muito melhor, o que deixou o são-paulino para trás na disputa pela camisa nove. 

Este foi o time que jogou contra a Rússia, logo no início do trabalho de Felipão. A configuração da equipe é muito semelhante ao que se vê atualmente em campo (Glyn Kirk/AFP)

O Brasil jogava contra times interessantes e os dois jogos seguintes foram frente à boas seleções europeias, Itália e Rússia. A partir destas partidas, Felipão escalou o 1° volante clássico no time e, assim, Fernando ganhou a vaga de Ramires ao lado de Hernanes. O empate frente aos tetracampeões mundiais teve um ótimo primeiro tempo brasileiro, jogando no 4-4-1-1, com Neymar flutuando atrás de Fred. Porém, na segunda etapa, a Itália conseguiu dois gols e empatou a partida.

Contra a Rússia, o Brasil produziu pouco e merecia a derrota que não veio. O gol russo saiu em lance representativo, Fayzulin marcou após bombardeiro dentro da área verde e amarela. Mas Fred conseguiu o empate aos 44 do segundo tempo. Era mais um gol do centroavante do Fluminense, que já nesta fase, ia se garantindo como nove dos samba boys. Por outro lado, nas duas partidas, Kaká teve oportunidade por cerca de 90 minutos, inclusive sendo titular frente ao time do leste europeu. Porém, o ex-melhor do mundo não foi bem e nunca mais recebeu o chamado de Felipão.

Em jogo sem grande importância, contra a Bolívia, em La Paz, com o ele o composto apenas por jogadores que atuam no Brasil, veio a primeira vitória. O 4 a 0 frente La Verde foi uma partida que teve boa atuação de Ronaldinho e, principalmente, de Jádson, que aí, praticamente, garantiu a vaga na Copa das Confederações. O jogo também serviu para Neymar marcar seus primeiros gols sob o comando de Felipão – com Mano foi artilheiro (17) e líder de assistências (11) da seleção.

 O Brasil ainda fez mais uma partida daquelas que não devem ser realizadas. O jogo contra o Chile, em Belo Horizonte, também contou apenas com jogadores que atuam na América do Sul. Isto provoca a existência da cobrança de seleção brasileira para um time que veste a camisa verde e amarela, mas está longe de ser composto pelos melhores nascidos no país. Esta observação se tornou real em campo, pois o Brasil chegou a ser vaiado e foi mal no empate em 2 a 2. Mas alguém sofreu ainda mais. Na cidade que reencontrou o bom futebol, Ronaldinho fez a última partida com Felipão, quando vestiu a camisa dez, foi titular, capitão e jogo por todos os 90 minutos. Porém, o jogador do Atlético Mineiro foi mal e, para completar, teria se atrasado na apresentação. As duas coisas somadas, até aqui, sacramentam a saída do ex-melhor mundo da seleção.

Virando a chave

Durante a Copa das Confederações, a seleção brasileira mostrou muita união (Getty Images)

A seleção começou a engrenar no pré-Copa das Confederações, quando enfrentou seleções grandes e que virão ao Mundial de 2014, Inglaterra e França. O volante Luiz Gustavo chegou e assumiu o posto de principal marcador do meio-campo, que, no início, se desenhava para ter quatro homens com Neymar à frente dando suporte ao centroavante Fred. Porém, logo o 4-2-3-1 entrou e a formação teve Oscar centralizado, Hulk à direita e Ney à esquerda. O Brasil foi melhor, mas ficou no empate com os ingleses em 2 a 2.

No segundo amistoso, novamente, os canarinhos foram melhores que os rivais europeus. Desta vez, o 4-2-3-1 foi utilizado desde o início e teve muita movimentação dos três meias ofensivos, que, além disso, contribuíram bastante com a marcação – características que se tornaram comuns aos samba boys a partir daí. O 3 a 0 construído na segunda etapa também mostrou a importância de uma outra formação, o 4-3-3, com um volante mais preso e dois meias, que na origem são volantes. Esta alternativa descoberta nestas duas partidas passaria a fazer parte – com importância – do repertório verde e amarelo.

O futebol já era melhor e, com isso, a confiança aumentou. Para melhorar, o Brasil largou bem na Copa das Confederações. Os canarinhos aplicaram 3 a 0 no Japão, em uma partida de altos e baixos, mas que não sofreu muitos sustos e teve Neymar dando um aperitivo daquilo que iria mostrar na disputa. A torcida também ajudou, pois a seleção criou uma relação especial com a arquibancada, criada em meios às “jornadas de junho”, que levaram milhões jovens às ruas do Brasil por melhorias no país. A partir do jogo frente ao México no Castelão, em Fortaleza, um ritual emergiu antes da bola rolar: jogadores abraçados e cantando mesmo após o tempo estipulado pela Fifa para a execução do hino, isto com o apoio de todo o estádio. Por isso, a seleção entrava pilhada a cada jogo, o que deu resultado em campo.

Mesmo sem apresentar o melhor futebol, o Brasil também venceu a Itália, por 4 a 2. A partida representou os primeiros gols de Fred na Copa das Confederações. O centroavante brasileiro recebia justas críticas por não participar muito da partida sem a bola, sendo apenas um homem de área. Os dois gols serviram para acordar o nove brasileiro, que passou a ser mais importante aos canarinhos, pois, a partir daí, se tornou mais participativo, ajudou a pressionar a saída de bola adversária e tocou mais na bola fora da área.

A primeira fase valeu para ganhar Fred, ter Paulinho bem, ver Neymar sendo o craque do torneio, conseguir um sistema defensivo que foi vazado apenas duas vezes em três jogos e ainda encontrar uma alternativa tática viável ao funcional 4-2-3-1. Porém, a semifinal colocava o Uruguai do outro lado e, apesar de não viver o melhor momento, a celeste olímpica utilizou a competição para mudar a mentalidade e buscar a classificação à Copa do Mundo de 2014, que acabou vindo após a Copa das Confederações, quando os charrúas foram muito bem.

O Uruguai apesar de ter Suárez, Cavani e Forlán em campo, foi uma equipe defensiva armada no 4-1-4-1, reduzindo muito os espaços. O Brasil teve muitas dificuldades para enfrenta-los. Mas os canarinhos tiveram os melhores jogadores resolvendo a partida. Primeiro Paulinho encontrou Neymar nas costas da zaga, o dez verde e amarelo chutou cruzado e Fred aproveitou o rebote para marcar. O melhor charrúa do torneio, Cavani assustou ao empatar logo no início da segunda etapa. Os brasileiros sofreram, porém, no final, Ney cruzou bola no segundo pau e Paulinho decidiu de cabeça.

A grande exibição 

O auge da campanha ocorreu no momento necessário, uma final frente à atual bicampeã europeia e campeã mundial, Espanha. É desnecessário postar acrescentar o meu texto no dia neste post, mas ele está aqui.

Brasil tem um craque

O cara da Copa das Confederações é o cara da seleção verde e amarela  (Laurence Griffiths/Getty Images)

Assim como foi com Mano Menezes, o Brasil segue tendo um craque: Neymar. Com o ex-técnico da seleção, o melhor brasileiro começou na ponta-esquerda, terminou como falso centroavante, mas sempre jogou bem. Já com Felipão, Ney atuou, prioritariamente, aberto pela esquerda e foi assim que ele recebeu a bola de ouro da Copa das Confederações. Na competição, o camisa dez teve números bem expressivos: quatro gols, duas assistências, quatro desarmes e cinco bolas recuperadas. Neymar decidiu na frente e também participou bastante do jogo defensivo, portanto, foi o craque que todos esperavam que fosse.

No Barcelona, o dez do Brasil também atua aberto pela esquerda e não decepciona, mostrando que já se vira melhor frente à times que oferecem menos espaço para o seu jogo. Neymar chegou à Catalunha e, logo no início, ganhou espaço na equipe: no 4-3-3 de Gerardo Martino é o ponta-esquerda. No clube que tem Messi no centro do ataque, o brasileiro joga mais na posição e flutua menos, por isso, tem feito menos gols, mas compensa cedendo assistências para que os companheiros marquem. Virou o principal assistente blaugrana, porém, no grande jogo contra o Real Madrid, além do passe decisivo para Alexis Sánchez, foi dele o primeiro gol da partida. Ao mesmo tempo, Neymar também já consegue colaborar mais na defesa e isto é visto em campo também quando veste o verde e amarelo.

Mesmo com os bons rendimentos jogando na ponta-esquerda, na reta final do trabalho de Felipão, nos amistosos contra Honduras e Chile, Neymar passou a jogar no centro da linha três meias. No novo posicionamento, o rendimento não caiu. O camisa dez segue fazendo àquilo que se espera dele: passa, dribla, faz assistências e, principalmente, marca gols. Por isso, é com ele que os samba boys contam para decidir os jogos. A manutenção do alto nível, leva Ney a ser o grande líder da era Luiz Felipe Scolari também em números: são dez gols e dez assistências, liderando os dois quesitos no período, assim como foi com Mano Menezes.

A definição dos 23 da Copa do Mundo de 2014

Pelos resultados e pela repetição seguida dos convocados, há a clara a impressão de que Luiz Felipe Scolari já tem, praticamente, os 23 nomes definidos para a Copa de 2014. Recentemente, o próprio técnico da seleção brasileira deu base àquilo que era especulado: “não estão mais sobrando vagas. Se eu fosse pensar em mexer e riscar eu tenho 25 para levar. Tenho gente a mais. Tenho gente hoje já a mais do que eu imaginava. Está mais fácil para mim do que eu imaginava". Ou seja, jogadores que não foram convocados ainda parecem ter apenas chances remotas de jogar a Copa no Brasil. Então, vamos tentar prever o que ainda é dúvida para Felipão.

A defesa é o setor que tem mais definições. Os goleiros Júlio César e Jefferson são nomes certos, falta o terceiro da lista. Diego Cavalieri e Victor disputam a posição. Fábio, do Cruzeiro, mereceria participar da corrida e seria o meu escolhido, porém, o goleiro do Atlético Mineiro parece estar mais próximo da convocação. Na lateral-direita, a dupla da última Copa do Mundo tem tudo para ser repetida. Daniel Alves parece um pouco à frente, mas, com o inimaginável retorno de Maicon à seleção, o barcelonista passa a ter um grande concorrente pela titularidade. No lado esquerdo, Marcelo é o grande nome e havia a indefinição do reserva, mas, com as últimas boas atuações de Maxwell, caso não haja uma lesão, ambos estarão no Mundial.

Completando a defesa, três dos quatro zagueiros da Copa estão definidos: os titulares Thiago Silva e David Luiz e o reserva Dante. Mais uma vez, o meu escolhido para a vaga restante, não faz parte dos planos da seleção, Miranda. Felipão deve escolher um entre Réver, Dedé, Henrique e Marquinhos. Antes a disputa parecia que seria definida por um clássico mineiro, porém hoje, aposto que o mais jovem dos quatro, Marquinhos será o escolhido. Pois, em 2002, o técnico também levou um jogador bem novo para o Mundial e, desta vez, o zagueiro do PSG pode ser este nome. Ele iria ao Mundial e pegaria experiência, pois está claro que o jovem será jogador dos canarinhos por muito tempo.

Bastante definido também está o setor de marcação do meio-campo. Os volantes mais recuados serão o até aqui titular, Luiz Gustavo e Lucas Leiva, que demorou a ser convocado por Felipão, mas se firmou. Os volantes mais ofensivo serão Paulinho, que joga melhor a cada dia com a camisa verde e amarela, e Ramires, outro que ficou um tempo longe dos samba boys, mas, assim que foi convocado, agarrou a vaga. Além deles, Hernanes também é volante e entrará na conta da convocação como se fosse meia. É importante destacar que a volância é uma posição que hoje sobra talento no Brasil, entre os jogadores que não fazem parte dos planos do gaúcho temos: Ralf (Corinthians), Fernando (Shakhtar), Sandro (Tottenham), Fernandinho (Manchester City) e Fernando Reges (Porto). São bons nomes que tranquilamente poderiam vestir a camisa verde e amarela.

Nos últimos amistosos, Felipão testou uma nova organização da linha de três meias e deu certo (Clique na imagem para ampliar)

No trio de meias também restam apenas duas dúvidas, pois Oscar, Neymar e Hulk se concretizaram com boas atuações e com um ótimo entrosamento devem ser os titulares. Até a Copa das Confederações não teria dúvida de que Hernanes e Lucas estariam na lista de Felipão, porém hoje, não há mais esta certeza. O jogador do PSG perdeu espaço para Bernard, que, quando teve chances, foi bem, por isso, o camisa dez do Shakhtar será um dos reservas no Mundial, podendo até conseguir o lugar de Hulk entre os onze iniciais.

Mas existem indefinições. Hernanes já esteve mais certo na Copa, porque, com o crescimento de Ramires, que, assim como o laziale, joga como volante e meia, o camisa oito da seleção foi ultrapassado na preferência do técnico dos canarinhos. Aposto que apenas um dos dois estará no Mundial. Por isso, a reserva na linha de três ainda teria duas vagas, que depois da última série de dois amistosos, parecem bem encaminhadas. Willian e Robinho entraram bem no time e assumiram a liderança na briga pelos espaços restantes no elenco verde e amarelo. Como Felipão deu a entender que não dará oportunidades para muitos jogadores que ainda não foram convocados, um grande passo foi dado pela dupla. A grande ameaça aos dois é Kaká, que de volta ao Milan, vem jogando melhor e tem o direito de sonhar.

Para terminar, o ataque, setor onde as dúvidas parecem não existir para Luiz Felipe Scolari, pois não são tantas opções existentes para a posição. Fred será o titular e terá um jogador de características semelhantes no banco, o também centroavante Jô. Além disso, com Robinho no grupo, os samba boys ganham a alternativa do falso nove sem mexer em Neymar, que seria outra opção para exercer a função. Porém, apesar dos homens de área já estarem definidos, existe uma grande dúvida: a condição física de Fred. O nove verde e amarelo está lesionado desde setembro e deve voltar a jogar apenas em 2014. Se o jogador do Fluminense não tiver boas condições de jogo no ano que vem, o Brasil terá um grande problema, pois, com dito acima, o país não tem centroavantes de grande nível para substituir a dupla da seleção.

Os incontáveis adversários

Um esquema com variação, um craque à vontade entre os samba boys, um elenco de apoio bem encaixado, um grupo muito próximo de estar definido e, principalmente, um time que parece estar jogando cada dia melhor. O que falta para a Copa, então? Não falta muito, o Brasil tem as ferramentas necessárias para vencer o Mundial em casa, porém, está longe de ser a única seleção que chegará em boas condições em 2014.

As antes incontestáveis Alemanha e Espanha, hoje, não vivem o melhor momento, mas, sem dúvida, são fortes concorrentes e terão elencos fortes e bem treinados no Brasil. Além disso, a Argentina, apesar de peças fracas na defesa, conseguiu com Alejandro Sabella, uma boa forma de jogar e, com Messi, será um perigo. Portugal vive situação semelhante aos albicelestes, pois não tem o melhor time da história, mas tem jogadores como João Moutinho e o hoje melhor do mundo, Cristiano Ronaldo. A reformulada Itália pós-Copa de 2010 virou um time e conta com um ataque imponente com Giuseppe Rossi e Balotelli, não há dúvida que incomodará.

Além destas seleções mais tradicionais, existem boas equipes, com menos tradição, que devem dar trabalho durante o Mundial. A Holanda, talvez, seja a mais brilhante delas, pois virá ao país com os vice-campeões de 2010 um pouco envelhecidos, mas com jogadores do nível de Robben e Van Persie. As sul-americanas Colômbia e Chile têm bons nomes (Alexis Sánchez, Vidal, James Rodríguez, Falcao García e etc) e são bem treinadas por Pekerman e Sampaoli respectivamente. Da Europa ainda vêm a talentosa Béligca e as bem treinadas Bósnia e Rússia. Ainda vêm boas forças da África, onde Costa do Marfim e Gana têm gerações com diversos jogadores atuando em bom nível no futebol europeu, e, por isso, mantêm grupos semelhantes há muito tempo, o que faz com que os elencos sejam bem integrados e com bom entrosamento, que é refletido em campo. E, claro, Estados Unidos, Japão e México, que têm ido bem nos últimos mundiais.


A Copa está aí e o Brasil estreará no dia 12 de junho, na Arena Corinthians frente à seleção croata, um adversário interessante para começar referendando este trabalho, que, em 2013 foi muito bom. Além da Croácia, os canarinhos enfrentarão Camarões e México pelo grupo A do Mundial. Se a fase inicial não causa grande preocupação, a partida de oitavas de final tem grande chance de ser contra um dos finalistas da última Copa, Espanha ou Holanda. E o caminho pode ser ainda pior, colocando Itália, Alemanha e Argentina pela frente. Porém, nesta hora, vale o clichê, quem quer ser campeão do mundo, não pode escolher adversário.

Abaixo confira a campanha dos canarinhos sob o comando de Felipão em 2013, os artilheiros, os líderes em assistências e todos os convocados. Números da seleção com Felipão nesta segunda passagem dele: 

Campanha: 19J 13V 4E 2D 49GP 15GC 34SG 

Artilharia com Felipão: 

Neymar – 10; 
Fred – 9; 
Jô – 5;
Oscar – 4;
Paulinho– 3;
Dante e Hulk – 2;
Alexandre Pato, Bernard, Dedé, Hernanes, Leandro, Leandro Damião, Lucas, Luiz Gustavo, Maicon, Ramires, Réver, Robinho, Thiago Silva e Willian – 1.

Líder em Assistências com Felipão: 

Neymar – 10; 
Oscar – 3;
Fred, Hulk, Marcelo, Maxwell e Paulinho – 2;
Alexandre Pato, Bernard, Daniel Alves, Jádson, Jean, Lucas, Lucas Leiva, Maicon, Ramires, Robinho e Ronaldinho – 1.

Todos os convocados desta segunda era Luiz Felipe Scolari(47):  

Goleiros (5): Diego Cavalieri (Fluminense-BRA), Jefferson (Botafogo-BRA), Júlio César (Queens Park Rangers-ING), Matheus Vidotto (Corinthians-BRA) e Victor (Atlético Mineiro- BRA); 

Laterais-direitos (5): Daniel Alves (Barcelona-ESP), Douglas Santos (Náutico-BRA), Jean (Fluminense-BRA), Maicon (Roma-ITA), Marcos Rocha (Atlético Mineiro-BRA); 

Zagueiros (8): Dante (Bayern de Munique-ALE), David Luiz (Chelsea-ING), Dedé (Vasco-BRA/Cruzeiro-BRA), Dória (Botafogo-BRA), Henrique (Palmeiras-BRA), Marquinhos (Paris Saint-Germain-FRA), Réver (Atlético Mineiro-BRA), Rodrigo Moledo (Internacional-BRA) e Thiago Silva (Paris Saint-Germain-FRA); 

Laterais-esquerdos (4): André Santos (Grêmio-BRA), Filipe Luís (Atlético de Madrid-ESP), Marcelo (Real Madrid-ESP) e Maxwell (Paris Saint-Germain-FRA); 

Volantes (7): Arouca (Santos-BRA), Fernando (Grêmio-BRA/Shakhtar-UCR), Lucas Leiva (Liverpool-ING), Luiz Gustavo (Bayern de Munique-ALE/Wolfsburg-ALE), Paulinho (Corinthians-BRA/Tottenham-ING), Ralf (Corinthians-BRA) e Ramires (Chelsea-ING); 

Meias (8): Bernard (Atlético Mineiro-BRA/Shakhtar-UCR), Hernanes (Lazio-ITA), Jádson (São Paulo-BRA), Kaká (Real Madrid-ESP), Lucas (Paris Saint-Germain-FRA), Oscar (Chelsea-ING), Ronaldinho (Atlético Mineiro-BRA) e Willian (Chelsea-ING);  

Atacantes (10): Alexandre Pato (Corinthians-BRA), Diego Costa (Atlético de Madrid-ESP), Fred (Fluminense-BRA), Hulk (Zenit-RUS), Jô (Atlético Mineiro-BRA), Leandro (Palmeiras-BRA), Leandro Damião (Internacional-BRA), Neymar (Santos-BRA/Barcelona-ESP), Osvaldo (São Paulo-BRA) e Robinho (Milan-ITA).

sábado, 6 de julho de 2013

A seleção da Copa das Confederações

A seleção que elegi para a Copa das Confederações tem jogadores apenas dos semifinalistas. O Brasil coloca seis jogadores entre os 11 e, talvez, até merecesse ter o técnico do selecionado. Porém, o comandante vem da Itália. Além do homem no banco, os italianos encaixaram mais dois na seleção. Da vice-campeã Espanha vem dois jogadores e o Uruguai cede um atleta para o time dos sonhos. O esquema tático é o 4-2-3-1, que, para variar, foi bastante utilizado na Copa das Confederações. Vamos aos 11:

Goleiro: Júlio César (Brasil)

 Desacreditado pós-Copa de 2010, Júlio César é o goleiro de confiança de Luiz Felipe Scolari (Ricardo Matsukawa/Terra)

O camisa 12 verde e amarelo foi um dos grandes vencedores da Copa das Confederações. Depois de sair taxado como um dos principais vilões da eliminação brasileira no Mundial de 2010, Júlio César retomou a confiança e parece ter reconquistado o torcedor brasileiro. O pênalti defendido contra o Uruguai, algumas defesas frente aos charrúas e a Espanha foram fundamentais para ele ser eleito pela FIFA o melhor goleiro do torneio. Durante a Copa das Confederações, o camisa 12 brasileiro foi o terceiro a realizar mais defesas e, por ter sido importante, ao campeão da disputa merecer estar na seleção da competição.

Lateral-direito: Christian Maggio (Itália)

O jogador acostumado a atuar com três zagueiros no Napoli não foi titular absoluto da Itália na disputa, pelas trocas de jogadores constantes promovidas pelo técnico Cesare Prandelli. Porém, quando a competição pegou de verdade, Maggio se destacou. Contra a Espanha, o esquema com três zagueiros teve o camisa dois na ala-direita fazendo dupla interessante com Candreva, o que impediu avanços de Jordi Alba, válvula de escape importante da furia até ali. O desempenho contra o Uruguai também foi positivo. O destaque é que Maggio teve como ponto alto da sua participação na Copa das Confederações a atuação defensiva, que não é tradicionalmente a característica mais forte do seu jogo. Por isso, o ala do Napoli deve ganhar espaço na Squadra Azzurra principalmente no esquema com três zagueiros, mas mostrou que pode ser alternativa em sistemas com quatro defensores.

Zagueiro: Sergio Ramos (Espanha)

O melhor defensor espanhol no torneio foi o madrilenho, que atuou em todas as partidas da Roja na Copa das Confederações. Em números, Sergio Ramos foi o segundo jogador com mais bolas recuperadas no torneio, foram 35 recuperações da posse da redonda. Contra a Itália, na semifinal, o zagueiro apareceu bastante na área adversária e quase marcou um gol. Esta característica de aparecer no ataque, principalmente, em cruzamentos não rendeu tentos nesta competição, mas sempre assustou os adversários. Além disso, o camisa 15 foi importante na saída de bola do time, com 289 passes completados, que não foram composto apenas por toques de lado.

Zagueiro: David Luiz (Brasil)

 David Luiz e o grande lance da competição, o gol que impediu na final contra a Espanha (Getty Images)

David Luiz teve um grande erro na Copa das Confederações: o pênalti absurdo que cometeu em Diego Lugano, na semifinal frente ao Uruguai. No mais, o cabeludo assustou quando queria ir de qualquer forma ao ataque, mas, no geral, a competição foi muito boa. A raça do jogador do Chelsea é conhecida por todos – chegou a jogar com o nariz quebrado – e a técnica também. As duas características apareceram bastante durante o torneio. Por isso, com vontade incrível, dificilmente perdeu disputas um contra um e foi importante nas saídas de bola brasileiras, inclusive com lançamentos longos. Defensivamente foi o segundo brasileiro que mais desarmou na Copa das Confederações 2013, atrás apenas de Luiz Gustavo, e também foi um dos quatro que mais recuperou bolas pelos “canarinhos” na disputa. David Luiz ainda teve ao seu favor a bela exibição na final para ganhar a vaga nos meus 11 do torneio.

Lateral-esquerdo: Marcelo (Brasil)

A temporada não foi tão boa, sofreu com lesões e, quando voltou, ficou no banco de Fábio Coentão. Na seleção havia dúvida se Marcelo seria o titular para a Copa das Confederações 2013. Porém, assim que assumiu o posto entre os 11 ainda nos amistosos preparatórios, não deixou a posição na lateral-esquerda. O resultado foi um ótimo campeonato, principalmente, na fase ofensiva do jogo. Marcelo cedeu uma assistência no torneio e teve boa parceria pelo lado esquerdo com Neymar: recebeu 33 passes do camisa dez e passou 77 vezes para ele durante a campanha. Defensivamente cometeu alguns erros, mas a participação no ataque e o bom desempenho na reta final do campeonato pesaram favoravelmente para o brasileiro estar na seleção do torneio e Alba não. O espanhol foi muito mal nos jogos decisivos.

Volante: Andrea Pirlo (Itália)

Não foi a melhor competição do meia-central azzurro, porém, a classe esteve presente enquanto uma lesão não atrapalhou a participação na Copa das Confederações 2013. Pirlo ocupou a função de regista: bastante recuado e dando qualidade à saída de bola italiana. O resultado disso foram 210 passes tentados, 169 completados, ou  seja, 80% de índice de acertos. O rendimento ofensivo ainda contou com um golaço de falta na primeira partida dos azzurri na Copa das Confederações. Mas, pelo posicionamento defensivo, o camisa 21 também conseguiu recuperar 12 bolas durante a competição. Portanto, mesmo sem ter mostrado o melhor que pode, Pirlo, por ter participado bem defensiva e ofensivamente, mereceu a vaga na seleção do torneio.

Volante: Paulinho (Brasil)

Paulinho como de costume apareceu muito bem no ataque (AFP/Nelson Almeida) 

Um volante quase meia, este foi Paulinho na disputa da Copa das Confederações 2013. Mas, como a primeira obrigação do jogador desta posição é a marcação, começo destacando o desempenho defensivo do brasileiro. Foram 14 bolas recuperadas e quatro desarmes nas quatro partidas que disputou. Outro fator importante do jogo de um volante é a saída de bola, mais um quesito em que o camisa 18 verde e amarelo teve boa participação, com 174 passes tentados, 140 completados e um índice de acerto de 80% - muitos deles direcionados ao ataque. Na difícil semifinal frente ao Uruguai, foi um lançamento de Paulinho que abriu espaço para o primeiro gol e foi dele o tento que classificou os “canarinhos” à final do torneio. O jogador completo, que foi vendido recentemente ao Tottenham, ainda marcou mais uma vez na Copa das Confederações 2013. O bom desempenho na competição foi coroado com uma ótima atuação na final, quando atuou mais defensivamente.

Meia-externo direito: Edinson Cavani (Uruguai)

Cavani não fez uma competição linear, mas cresceu junto com os companheiros na fase decisiva do torneio. No jogo que valeu a classificação, contra a Nigéria, o camisa 21 celeste perdeu chances improváveis, mas diminui a dívida com a torcida ao participar do contra-ataque que rendeu o gol da vitória uruguaia. Neste lance, o centroavante cedeu sua única assistência na Copa das Confederações 2013. O crescimento na fase final ficou claro através dos números: nos jogos frente à Brasil e Itália foram três gols, um de falta e, com a bola rolando, um de canhota e um de perna direita. Porém não foi o trabalho ofensivo que chamou a atenção, na fase defensiva do jogo, foram cinco desarmes, dez bolas recuperadas e muita disposição para a marcação.

Meia-atacante: Andrés Iniesta (Espanha)

Cabeça erguida e, de olho no ataque, este foi Iniesta, o homem que pensava o jogo na Espanha (Julio César Guimarães/UOL)

Iniesta não apareceu tanto nas estatísticas ofensivas, não é um goleador e, nesta Copa das Confederações, cedeu apenas uma assistência. Porém a importância dele para o jogo da Espanha é notada facilmente na observação de cada partida. A característica de passador de Iniesta ficou clara nesta disputa, ao todo, foram 390 passes tentados, 337 completados e um índice de 86% de acerto. Para quem atua no setor ofensivo e, normalmente arrisca toques mais difíceis, os números são muito bons. Além disso, os dribles e chutes de fora da área colaboraram bastante para jogos em que a Roja enfrentou defesas mais fechadas. Defensivamente, o camisa seis da furia colaborou com um desarme e 13 bolas recuperadas.

Meia-externo esquerdo: Neymar (Brasil)

O bola de ouro que participou da maior parte dos gols da seleção campeã do torneio. Neymar amadureceu na disputa com a camisa verde e amarela, vestindo a dez e atuando, principalmente, na ponta-esquerda. Em números, foram quatro gols, duas assistências, quatro desarmes e cinco bolas recuperadas. A preponderância de Ney no desempenho do Brasil ficou clara nos primeiros jogos, quando ainda não havia uma percepção cristalina de jogo de equipe na seleção. Naquele momento, com o talento natural, o agora jogador do Barcelona carregou o time. Com o crescimento de todo o grupo, Neymar se comportou ainda melhor. Mesmo sem conseguir uma grande exibição na semifinal contra o Uruguai, o camisa dez verde e amarelo participou, de forma decisiva, dos dois gols brasileiros. Na decisão, mais uma grande atuação e um golaço com a perna ruim, a canhota. Portanto, o craque brasileiro foi bem enquanto o time se arrumava, foi bem com o crescimento do grupo, foi bem na semifinal e também na final. Portanto, o craque de toda a competição.

Centroavante: Fred (Brasil)

 Os homens mais ofensivos do Brasil, Fred e Neymar se entenderam muito bem ao longo da competição (Ricardo Matsukawa/Terra)

O camisa nove brasileiro é mais um que faz parte da minha seleção e que não começou bem na Copa das Confederações. Nos primeiros dois jogos nenhum gol e pouca participação nas partidas – cedeu apenas uma assistência. Porém, a postura do centroavante mudou após o início ruim, contra a Itália, Fred marcou duas vezes e começou a busca pela artilharia. Fazendo gols típicos de centroavante, empurrando bolas dentro da área e se posicionando muito bem para marcar, faltou pouco para que o camisa nove conseguisse vencer a chuteira de ouro do torneio. Na semifinal frente ao Uruguai, mais uma vez balançou a rede por não desistir do lance antes dele ser finalizado. Contra Espanha, na decisão, dois dos três gols brasileiros foram marcados por Fred, que, pela primeira vez na carreira, marcou deitado. Ficou claro que gol é com ele e que, se tiver chance, vai balançar as redes sempre.

Técnico: Cesare Prandelli (Itália)

Este foi o nome que mais demorei a definir, pois Del Bosque e, principalmente, Felipão mereciam ser o técnico do torneio. Mas o que pesou em favor de Prandelli foi a adaptabilidade que mostrou durante os cinco jogos que a Itália disputou. No balanço da Copa das Confederações 2013 coloquei no texto que a Squadra Azzurra foi um carrossel tático e isso ocorreu mesmo por culpa do homem no banco de reservas. Sob o comando do ex-treinador da Fiorentina, os italianos não repetiram a escalação nenhuma vez no torneio e mudaram bastante de esquema para enfrentar os diferentes adversários. Esta adequação de atletas e forma de jogar às dificuldades, que a outra seleção poderia oferecer, foi um diferencial dos azzurri na competição. Por isso, após perderem por 4 a 0 para a Espanha em 2012 na final da Eurocopa, desta vez, fizeram jogo duro e foram melhores que os espanhóis. A consciência das limitações e qualidades do elenco que Prandelli possui parece ser a grande esperança da Itália para ter sucesso nos próximos anos no futebol.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Balanço da Copa das Confederações 2013


Fora de campo, as manifestações chamaram a atenção do Brasil e do mundo durante a Copa das Confederações. Dentro das quatro linhas, a competição mostrou um futebol de nível, craques como protagonistas, histórias curiosas e, principalmente, a esperança verde e amarela revigorada após o recital na final frente à Espanha

Amadurecendo, com carrossel tático

A Itália não repetiu os 11 iniciais em nenhum jogo da Copa das Confederações 2013 (Ap Photo/Antonio Calanni)

Após o título na Copa do Mundo de 2006, a Itália iniciou uma reformulação ainda com Marcello Lippi. Os primeiros movimentos de renovação foram tímidos, mas depois da eliminação, na primeira fase do Mundial da África do Sul, o sinal verde para uma mudança mais drástica foi aceso. Para isso, a aposta foi no jovem técnico Cesare Prandelli.

Na Eurocopa 2012, os italianos já mostraram uma recuperação, utilizando da mistura entre jogadores mais jovens (Balotelli, Chiellini e Marchisio) e mais experientes (Pirlo, Buffon). Com esta receita veio o vice-campeonato Europeu. Neste ano, no Brasil, a Squadra Azzurra apostou em estratégia semelhante e trouxe vários vice-campeões da Euro 2012 para a Copa das Confederações.

O que chamou a atenção na disputa da competição no Brasil mais uma vez foi a facilidade do grupo em se adaptar. O esquema tático inicial foi o 4-3-2-1, com variação para o 4-3-1-2. Com esta forma de jogar, as duas estrelas do time, Balotelli e Pirlo, tiveram liberdade para exercer todo o futebol que têm capacidade de apresentar. O centroavante jogava livre na frente, sem tantas obrigações de marcação. Enquanto o camisa 21 azzurro era o jogador mais recuado para dar qualidade à saída de bola italiana e tinha ao seu lado De Rossi e Montolivo, que davam a segurança à defesa da Squadra Azzurra.

Com esta forma de jogar, a Itália venceu o México com alguma facilidade e teve bastante dificuldade para bater o Japão por 4 a 3. No jogo contra os asiáticos, o 4-3-2-1 foi mantido, mas as peças foram trocadas. A Itália mostrava capacidade de se adaptar aos adversários e um elenco forte, com jogadores capazes de acompanhar as ideias de Cesare Prandelli. Frente ao Brasil, os azzurri mudaram taticamente mais uma vez e optaram pelo 4-2-3-1. Como todos sabem, os “canarinhos” fizeram uma de suas melhores atuações no torneio, porém a Itália fez jogo corajoso e teve chances de sair com um resultado melhor do que a derrota por 4 a 2.

Na fase final a história de sempre se repetiu e a Itália cresceu na reta decisiva do torneio. Primeiro, a semifinal contra a Espanha. A Squadra Azzurra optou por um esquema com três zagueiros, o 3-4-2-1. Com a dobradinha de Candreva e Maggio pela direita, Jordi Alba pouco conseguiu jogar. Do outro lado, sem a mesma eficácia, jogaram Giaccherini e Marchisio. As dobradinhas pelos extremos deram resultado e a Itália foi melhor que a roja durante todo o tempo normal da partida, depois, sofreu com o domínio espanhol na prorrogação. Com Pirlo sem a forma ideal e Balotelli machucado ficou o sentimento que faltou a maior presença dos protagonistas italianos para que o time tivesse mais sorte na semifinal perdida nos pênaltis.

Para conquistar o terceiro lugar, a Itália voltou a utilizar o esquema 4-3-2-1 e, com a grande participação nas bolas paradas de Diamanti, conseguiu a vitória nos pênaltis (com três defesas de Buffon) frente ao Uruguai, após o 2 a 2 no tempo normal. Na disputa contra a Celeste, os azzurri foram melhores o jogo todo, mas sofreram com a boa atuação de Cavani, que marcou os gols uruguaios.

O terceiro posto no torneio não foi o mais importante para a Itália. Com a grande variação tática apresentada e a boa adaptação dos jogadores às mudanças impostas por Cesare Prandelli. Além disso, Candreva repetiu o bom desempenho que teve com a Lazio na seleção e, agora, se torna mais uma opção bastante interessante para o meio-campo azzurro na Copa de 2014. A classificação italiana para o Mundial no Brasil está bem adiantada e, no grupo B das Eliminatórias Europeias, a Itália está invicta. 


A recuperação charrúa

 Cavani comemora gol contra a Itália, o centroavante cresceu com a Celeste na reta final da Copa das Confederações 2013 (AFP/Daniel Garcia)

O lado derrotado também tem o que comemorar. O Uruguai perdeu as disputadas de terceiro lugar nos Mundiais de 1954, 1970 e 2010 e, na Copa das Confederações, de 1997 e de agora. Porém, a Celeste deixa o Brasil fortalecida. A seleção vizinha veio recheada de dúvidas para a disputa. Com um elenco bastante semelhante ao que disputou a Copa do Mundo de 2010, com muito destaque, a idade chegou e muito daqueles jogadores já não vivem o mesmo momento de três anos atrás. Por conta disso, os charrúas não vinham bem nas Eliminatórias sul-americanas e só conseguiram alcançar o quinto posto na tabela agora. Hoje, disputariam a repescagem contra um país asiático.

Na Copa das Confederações, os uruguaios começaram devagar e viveram uma primeira fase de altos e baixos. Conseguiram a classificação muito em função dos trio de atacantes muito acima da média. Na fase final cresceram e, com eles, a defesa mostrou mais consistência. Contra o Brasil, Cavani se tornou protagonista e a Celeste fez jogo muito equilibrado. Com “El Matador” crescendo nos jogos decisivos (três gols, em duas partidas da fase final), os Charrúas também fizeram bom jogo e acabaram derrotados apenas nos pênaltis.

O crescimento faz o Uruguai acreditar na melhoria de desempenho na Eliminatória e, em uma anteriormente improvável, classificação direta ao Mundial de 2014. O trio formado por Forlán, Cavani e Suárez obriga os charrúas a sonharem com isso. Após a conquista do quarto lugar, o centroavante do Napoli deu uma declaração nesse tom: “Acho que podemos sair do Brasil de cabeça em pé. Tivemos azar contra o Brasil e contra a Itália, mas é claro que eles tiveram méritos também, digo que eles tiveram algo extra, que nós não soubemos ter. Fomos melhores em parte do jogo, mas ele acabou indo para os pênaltis. Essa experiência vai nos ajudar a buscar uma vaga nas Eliminatórias”.

Os protagonistas das grandes histórias

Festa dos taitianos ao final da passagem pelo Brasil, ficou o carisma da seleção mais fraca do torneio (Ag. Reuters)

A grande surpresa da competição foi a participação do Taiti. A seleção da Oceania veio ao Brasil com apenas um jogador profissional (Marama Vahirua), perdeu as três partidas que disputou, sofreu 24 gols e marcou apenas uma vez. O autor da proeza foi Jonathan Tehau, na derrota por 6 a 1 para a Nigéria.

Mas o que ficou da seleção da Oceania foi mesmo o carisma e o carinho que tiveram pela torcida brasileira. Ao final da participação na Copa das Confederações, ainda em campo após a derrota por 8 a 0 frente ao Uruguai, todos os taitianos portavam bandeiras brasileiras e apresentaram uma faixa com o agradecimento “Obrigado, Brasil”. Ao final do mesmo jogo, na coletiva de despedida, o técnico Edy Etaeta fez um gesto impensável no futebol atual, onde, cada vez mais, existem barreiras entre os protagonistas dos espetáculos e os jornalistas: cumprimentou cada um dos profissionais da mídia presentes na sala de imprensa.

Ao longo da estadia no Brasil os jogadores do Taiti entregaram a todos os tradicionais colares do país e esbanjaram simpatia. Mas, além disso, a grande história ocorreu no encontro com a melhor seleção do mundo, a Espanha. Após a derrota por 10 a 0, um dos membros da delegação, que seria o 24° jogador da seleção taitiana, Efraín Arañeda tinha um único objetivo: encontrar um antigo conhecido, Fernando Torres. 

O chileno naturalizado taitiano foi o guia do centroavante da Espanha durante a lua de mel do camisa nove em 2007. Após a partida o encontro ocorreu e mais da história, você pode ler a análise do caso na Trivela realizada pelo amigo Felipe Portes.

Por isso, para a infelicidade de muitos, os grandes personagens da Copa das Confederações não conseguiram se classificar para o Mundial no ano que vem.