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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Primeiros passos curtos

 Por razões diferentes, Maicon e Neymar foram os protagonistas do Tour norte-americano da seleção brasileira  (Robert Mayer/USA TODAY Sports)

Desde o início da era Mano Menezes, acompanhar a seleção brasileira é uma tradição para mim. Com isso, tenho um arquivo extenso de estatísticas e observações, que renderam vários textos para o Simplificando Futebol. Nesta sexta-feira, se iniciou a segunda era Dunga e, por isso, nesta semana, mesmo um pouco decepcionado, volto a falar dos Samba Boys. Em julho imaginava que, depois do 7 a 1, poderia ver a seleção em um contexto muito diferente, com mudanças na CBF, na estrutura do futebol brasileiro e na forma de pensar futebol ou, pelo menos, sinalizações de que as coisas estariam mudando. Porém, Dunga e Gilmar Rinaldi, com certeza, não representam o que esperava. Mas vamos lá. 

A reestreia de Dunga teve oito jogadores, que estiveram na Copa de 2014, entre os titulares. Por isso, em campo, não houve uma grande mudança em relação ao time que foi goleado pela Alemanha. O novo técnico escalou a equipe de forma muito semelhante àquela que adotava na Copa de 2010, um 4-2-3-1 torto, em que o ponta-direita, Willian, jogava mais recuado em relação aos outros meias. Uma diferença clara foi o centroavante Tardelli, que não jogou preso dentro da área e se movimentou muito.
 
Selecao Brasileira - Amistoso - 5th September 2014 - Football tactics and formations 

Apesar das mudanças, os canarinhos não mostraram nada muito diferente. O problema crônico da Copa do Mundo foi a saída de bola, que, contra a Colômbia, também foi inefetiva. Nem Luiz Gustavo, nem Ramires, se mostraram capazes de dar esta qualidade no primeiro passe. Os dois volantes brasileiros não têm as mesmas características que grandes nomes da posição, como Pirlo, Xabi Alonso e Schweinsteiger. Luiz Gustavo tem capacidade de chegar ao ataque com imposição física e chuta bem de fora da área, porém peca na parte de criação, no primeiro passe. Ramires é um jogador de movimentação e velocidade, ou seja, também não é um grande passador. 

Além disso, os três meias titulares não têm características claras de armação, Willian, Oscar e Neymar são mais meias-atacantes/pontas. O camisa onze da seleção é o mais próximo de ser um amador clássico no time de Dunga, mas não é um meia de criação e, sim, um jogador de boa chegada na área. Philippe Coutinho, que tem realizado este papel no Liverpool, veio do banco, mas jogou pouco e, por isso, não conseguiu ter tanta influência no jogo verde e amarelo. 

Além da repetição dos problemas antigos, há de se destacar a violência das duas equipes. A quantidade de faltas não foi tão grande, mas a agressividade delas mereceu destaque. O gol decisivo veio em bola parada, que foi assinalada por toque de mão bastante duvidoso. Neymar cobrou com maestria e marcou. Novamente, o camisa dez foi decisivo para uma vitória verde e amarela e, mesmo sendo início de trabalho, preocupa ver o Brasil tão dependente da sua principal estrela. 

Apesar do desempenho mediano na estreia, os jogadores brasileiros tiveram uma folga entre os amistosos. Após o período, o coordenador da CBF, Gilmar Rinaldi, foi a público e comunicou o corte de Maicon, mas não explicou o motivo, levantando as mais variadas hipóteses sobre ocorrido. Ao final, jornalistas do Globoesporte.com, que acompanham a seleção in loco, informaram que o motivo do corte foi um atraso de onze horas na reapresentação. Para o lugar dele, Fabinho, que estava com a seleção sub-21 em Doha, foi chamado e, desta forma, os Samba Boys completaram a passagem pelos Estados Unidos com dois jogadores com idade olímpica, Marquinhos e o lateral-direito. 

 Com esta mudança, o Brasil enfrentou o segundo rival sul-americano com apenas duas alterações: na vaga do cortado Maicon, entrou Fabinho; e David Luiz, que ficou de fora por conta de uma lesão, foi substituído por Marquinhos. Dunga não abriu mão das ideias apresentadas na reestreia à frente da seleção, o 4-2-3-1 torto com falso nove seguiu. A movimentação dos quatro homens mais ofensivos com o apoio de Ramires se repetiu e, mais uma vez, foi o ponto alto da atuação verde e amarela. 

 As trocas de posição constantes entre os meio-campistas e o atacante confundiam os adversários e davam uma dinâmica muito interessante ao setor ofensivo brasileiro. Porém, parece que ainda falta mais treino para que os movimentos sejam mais integrados e que produzam chances mais claras de gols. Pois, mesmo se mexendo bem, a seleção chutou pouco e não assustou tanto o bom goleiro Domínguez. A defesa, quando exigida, se portou bem e Miranda mostrou o mesmo nível altíssimo que apresenta desde a última temporada no Atlético de Madrid. 

Assim como no jogo frente aos colombianos, o gol brasileiro veio em lance de bola parada, porém, desta vez, não foi apenas a qualidade de Neymar que brilhou. Oscar bateu curto para o dez verde e amarelo, que, de primeira, jogou a bola na área, onde Willian apareceu libre para marcar o 1 a 0. Surpreende a ótima jogada, afinal, atualmente as seleções treinam muito pouco e o trabalho de Dunga foi recém-iniciado. Apresentar uma jogada ensaiada é um ponto bastante positivo, a torcida é para que isso continue nas próximas partidas, com novas jogadas trabalhadas, que podem ser um diferencial interessante desta nova seleção brasileira. 

No segundo tempo, com Ricardo Goulart, Everton Ribeiro e Philippe Coutinho nos lugares de Willian, Oscar e Tardelli, a movimentação foi ainda mais interessante. Neymar assumiu o centro do ataque e foi muito acionado nos contra-ataques. Mas, apesar de mais e melhores oportunidades terem sido criadas, o segundo gol não saiu. O capitão e principal jogador brasileiro perdeu um gol incrível, sob às traves. O Equador também atacou mais e esteve muito perto do empate, Filipe Luís salvou uma bola em cima da linha. 

Portanto, a volta de Dunga trouxe duas vitórias por placar mínimo e futebol, no máximo, nota sete. Alguns problemas se repetiram e, o maior deles, a dificuldade na saída de bola pelo centro do campo, não mudou nada. Mas há de se destacar algumas atuações individuais. A linha defensiva funcionou bem e, nos dois amistosos, Filipe Luís mostrou que está à frente de Marcelo na disputa pela vaga, mas deve se concentrar em ganhar a vaga no clube, onde iniciou como reserva. Outro que brilhou pelo Atlético 2013-14, Miranda, também largou bem na nova fase dos canarinhos. Não para deixar de falar de Neymar, pois segue em nível altíssimo e largou a era Dunga com um gol e uma assistência – na seleção principal já são 36 gols e 24 assistências. 

No lado negativo, existe um jogador que merece ser falado de forma especial. O atacante Diego Tardelli não agradou tanto. O jogador do Atlético Mineiro cumpriu em partes o que se espera de um falso nove, pois se mexeu bastante, abriu espaços e, até, ajudou na recomposição, deixando Neymar muitas vezes mais solto à frente. Mas ficou devendo na participação com a bola e na finalização nas poucas oportunidades que teve. Tardelli pode até melhorar nas partidas que virão, mas imagino que outro nome será testado – poderia ser o Roberto Firmino, do Hoffeheim – nos próximos amistosos. Nos dias 11 e 14 de outubro, os canarinhos enfrentam a Argentina e Japão, na Ásia, quando espero ver melhorias no jogo brasileiro.

domingo, 17 de agosto de 2014

O meia-armador da Seleção

Coutinho (à esquerda) e Sterling (à direita) terão papel mais preponderante no Liverpool, sem Suárez (no meio), na primeira partida da EPL, o inglês assumiu sua responsabilidade e decidiu (Alex Livesey/Getty Images)

“Sua habilidade para sair de situações difíceis e sua visão de jogo são incríveis. Ele foi fantástico, é um operário incrível, simplesmente mágico”. Com essas palavras, o técnico do Liverpool, Brendan Rodgers descreveu o seu camisa dez, Philippe Coutinho, após o 4 a 0 aplicado sobre o Borussia Dortmund, em amistoso de pré-temporada. No período de férias o comandante deixou uma missão para o brasileiro: ver DVDs de Valderrama, Valerón, Rui Costa e Francescoli, quatro jogadores da posição e que atuaram em ótimo nível. 

Pelas declarações iniciais do técnico, o jovem cumpriu a tarefa de férias e voltou ainda melhor. Na primeira partida do Liverpool pela Premier League, o camisa dez foi o meia-atacante, no 4-2-3-1 montado por Brendan Rodgers. Porém, o difícil debute frente ao Southampton, não teve o melhor de Philippe Coutinho. O carioca participou pouco, conseguiu apenas dois passes importantes e completou só três dribles, mas segue prestigiado pelo comandante. Sem o melhor do camisa dez, os Reds tiveram muitas dificuldades. 

O Southampton, também em um 4-2-3-1, teve a estréia do ponta-esquerda Tadic, que, com habilidade e velocidade, incomodou muito outro debutante, o lateral-direito Manquillo. O Liverpool saiu na frente com o ótimo Sterling, aproveitando lançamento maravilhoso de Henderson, que, no mesmo lance, recuperou a bola e fez a assistência. Jogando melhor, os Saints só não igualaram a partida rapidamente, porque Mignolet e o Skrtel se comportaram muito bem. Mas a igualdade veio. O melhor da equipe visitante fez passe de letra e deixou o lateral-direito Clyne livre para igualar. 

Brendan Rodgers colocou Lambert no lugar de Coutinho e passou a jogar no 4-3-1-2, com o recém-contratado fazendo dupla de ataque com Sturridge e Sterling atuando na armação. Sem controlar o totalmente as ações da partida, os Reds conseguiram o 2 a 1, após muitas bolas cruzadas na área. De cabeça, o autor do primeiro gol assistiu Sturridge, que, na pequena área, só empurrou às redes. Jogando melhor, faltou muito pouco para o Southampton sair com o empate, novamente, Mignolet evitou. 

Mesmo tendo vendido muitos destaques da última temporada – receberam 119,53 M € por cinco jogadores –, com Ronald Koeman e gastando “apenas” 58,2 M € em contratações, os Saints devem continuar incomodando muito os grandes. Por isso, a vitória, mesmo com muitas dificuldades, mostra um Liverpool forte para a disputa da Premier League e, o melhor de tudo, Sterling já começou a temporada em nível altíssimo. 

Voltando a vestir verde e amarelo 

No Mundial Sub-20 2011, Philippe Coutinho teve algum destaque, principalmente, na primeira fase, quando marcou todos os seus três gols na disputa (Fernando Llano/AP Photo)

Nesta terça-feira, Dunga faz a primeira convocação desta nova passagem pela Canarinho e, apesar da primeira atuação na temporada ter sido ruim, Philippe Coutinho tem que estar lá. O jogador do Liverpool tem tudo para ser o meia criativo e com visão de jogo apurada, que, desde que Ganso surgiu e não conseguiu se firmar, a seleção brasileira procura. No rastro do paraense, o camisa dez dos Reds foi testado e convocado por Mano Menezes, mas não se firmou. 

A guinada na carreira ocorreu mo meio da temporada 2012-13, quando o Liverpool desembolsou 10 M € – pechincha para os valores do mercado atual – e trouxe o novo camisa dez, que, na Internazionale nunca teve o destaque merecido. Agora, Philippe Coutinho tem tudo para ser um dos importantes pilares jovens da nova trajetória dos Samba Boys. Alternando criatividade, habilidade e velocidade, com muita disposição para ajudar o time e disciplina tática, o carioca traz características de jogo, que poucos brasileiros têm atualmente, por isso, merece a oportunidade na verde e amarelo. 

Com muita confiança de Brendan Rodgers e bem adaptado na Inglaterra, Philippe Coutinho deve, mais uma vez, realizar boa temporada pelos Reds. Desta forma, deve se confirmar no elenco da equipe nacional e com boas chances de se firmar entre os onze iniciais da nova era Dunga.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Os convocados na Era Dunga

 Foram ao todo 84 jogadores, vamos à eles

Goleiros (9):

Júlio César - Internazionale-ITA, Doni - Roma-ITA, Hélton - Porto-POR, Gomes - PSV Eindhoven-HOL, Diego Alves - Almería-ESP, Fábio - Cruzeiro, Renan - Internacional, Cássio - PSV Eindhoven-HOL e Victor - Grêmio.

Laterais-direitos (6):

Maicon - Internazionale-ITA, Daniel Alves - Sevilla-ESP/Barcelona-ESP, Rafinha - Schalke 04-ALE, Cicinho - Real Madrid-ESP, Ilsinho - São Paulo e Leonardo Moura - Flamengo

Zagueiros (14):

Lúcio - Bayern Munique-ALE/Internazionale-ITA, Juan - Bayer Leverkusen-ALE/Roma-ITA, Alex - PSV Eindhoven-HOL/Chelsea-ING, Luisão - Benfica-POR, Alex Silva - São Paulo/Hamburgo-ALE, Naldo - Werder Bremen-ALE, Thiago Silva - Fluminense/Milan-ITA, Miranda - São Paulo, Edu Dracena - Fenerbahçe-TUR, Henrique - Palmeiras, Gladstone - Cruzeiro/Sporting-POR, Breno - Bayern Munique-ALE, Léo - Grêmio e André Dias - São Paulo

Laterais-esquerdos (11):

Gilberto - Hertha Berlim-ALE/Tottenham-ALE/Cruzeiro, Kléber - Santos/Internacional, Marcelo - Fluminense/Real Madrid-ESP, Adriano - Sevilla-ESP, Juan – Flamengo, Richarlyson - São Paulo, Carlinhos - Santos, André Santos - Corinthians/Fenerbahçe-TUR, Filipe Luís - Deportivo La Coruña-ESP, Michel Bastos - Lyon-FRA e Fabio Aurélio - Liverpool-ING

Volantes (11):

Gilberto Silva - Arsenal-ING/Panathinaikos-GRE, Josué - São Paulo/Wolfsburg-ALE, Mineiro - São Paulo/Hertha Berlim-ALE, Dudu Cearense - CSKA Moscou-RUS, Edmílson - Barcelona-ESP, Lucas - Grêmio/Liverpool-ING, Fernando - Bordeuax-FRA, Felipe Melo - Fiorentina-ITA/Juventus-ITA, Denílson - Arsenal-ING, Fabio Simplício - Palermo-ITA e Sandro - Internacional

2° Volantes (6):

Elano - Shakhtar-UCR/Man. City-ING/Galatasaray-TUR, Ramires – Cruzeiro/Benfica-POR, Tinga - Borussia Dortmund-ALE, Hernanes - São Paulo, Jonâtas – Flamengo e Kléberson - Flamengo,

Meias (15):

Carlos Eduardo - Hoffenheim , Kaká - Milan-ITA/Real Madrid-ESP, Diego - Werder Bremen-ALE, Júlio Baptista - Real Madrid-ESP/Arsenal-ING/Roma-ITA, Ronaldinho Gaúcho - Barcelona-ESP/Milan-ITA, Anderson - Porto-POR/Manchester United-ING, Mancini - Internazionale-ITA, Alex - Internacional/Spartak-RUS, Thiago Neves - Fluminense, Morais - Vasco, Wagner - Cruzeiro, Cleiton Xavier - Palmeiras, Diego Souza - Palmeiras, Daniel Carvalho - CSKA Moscou-RUS e Zé Roberto - Hamburgo-ALE.

Atacantes (12):

Robinho - Real Madrid-ESP/Manchester City-ING, Vágner Love - CSKA Moscou-RUS, Luís Fabiano - Sevilla-ESP, Rafael Sóbis - Internacional/Bétis-ESP, Alexandre Pato - Milan-ITA, Adriano - Internazionale-ITA/São Paulo/Flamengo, Afonso Alves - Heerenveen-HOL, Fred - Lyon-FRA, Jô - CSKA Moscou-RUS/Manchester City-ING, Ricardo Oliveira - Milan-ITA, Nilmar - Internacional/Villarreal-ESP e Bobô - Besiktas-TUR

Dunga em seus três anos e meio como técnico da seleção verde e amarela convocou 84 jogadores. Numero que parece ser exagero, mas não é. Maradona, atual treinador de nossos hermanos, convocou 102 atletas em um período muito menor. O antigo camisa oito da seleção canarinho conseguiu formar a sua base para a Copa, muito contestada, diga-se de passagem.

Acompanhando a Era Dunga, vimos que por mais contestado que o treinador foi, ele conseguiu ganhar todos os títulos que disputou – Copa América e Copa das Confederações, excluindo a Olimpíadas, que o Brasil acabou com o terceiro lugar. Além de ter liderado uma classificação para a Copa do Mundo sem grandes dificuldades.

As contestações não o deixaram de lado. Os resultados não chegaram a convencer a crítica especializada. Quando em campo apareciam as vitórias, fora dele aconteciam convocações injustificáveis, colocando tudo a perder. Nomes como o de Bobô, Carlinhos, Jô, Jonâtas, Morais e outros jogadores, geravam insatisfação no Brasil. Por mais que precisassem ser testados vários jogadores, tais atletas nunca poderiam figurar em uma convocação para a defesa da camisa verde e amarela.

Na grande comunidade do Orkut, Doentes por Futebol escalamos uma seleção com as pérolas de nosso comandante. Cássio; Ilsinho, Gladstone, Edu Dracena e Carlinhos; Fernando, Jonâtas, Wagner e Daniel Carvalho; Afonso Alves e Bobô. Imaginem esses onze jogando pela nossa seleção?

Com o decorrer do tempo nada mudou, hoje ainda vemos o reserva romanista, Julio Baptista, meias na lateral (Gilberto), volantes, 2° volantes nas meias e o cúmulo, os jogadores lesionados serem chamados. Existem incoerências demasiadas em suas convocações, porém os resultados camuflam tudo.

E para vocês quem foi o maior absurdo dentre todas as convocações de Dunga (respondam na enquete)?


Abraço a todos vocês