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domingo, 13 de julho de 2014

Copa do Mundo – Dia 31

O título da equipe completa

 Levantar a taça, o momento foi esperado por 24 anos pelos alemães e muito comemorado, com muita justiça (Ricardo Matsukawa/Terra)

As escolhas foram para campo e, apesar da tensão comum à uma final, a partida foi muito boa e de alto nível técnico. O Maracanã com 74.738 espectadores foi o grande palco perfeito. A Alemanha repetiu o jogo de posse, com verticalidade, que é a sua marca já a um bom tempo. Os argentinos vieram focados nos contra-ataques, pois, pelo o que haviam visto anteriormente, sabiam que dar espaço ao meio-campo da Nationalelf seria fatal. 

A alternativa tática de Sabella foi o 4-4-1-1, com Messi atrás de Higuaín. Ao conquistar a posse de bola, a Albiceleste tinha os avanços de Enzo Pérez pela esquerda e, principalmente, Lavezzi na direita. Na Alemanha, Löw repetiu o 4-3-3 (4-1-4-1), com Schweinsteiger ficando um pouco mais preso na marcação. Com a lesão de Khedira no aquecimento, Kramer foi escalado no meio com Kroos. 

 Com esta configuração inicial, a Albiceleste teve maior êxito na execução da proposta de jogo. A Alemanha tinha o domínio da bola (terminou com 60%), mas não conseguia penetrar na retaguarda adversária. A dupla Biglia e Mascherano tinha grande responsabilidade nisso, pois, novamente, transpiravam muito e tentavam cobrir todos os espaços do meio. Pelos lados, a contribuição de Enzo Pérez e Lavezzi também era importante. 

Se a lesão de Khedira no aquecimento piorou o time, quando Kramer teve que sair, a Mannschaft melhorou. Löw ousou e colocou Schürrle em campo e passou a ser mais ofensivo. Quase um 4-2-3-1, com o recém-entrado pela esquerda, Özil pelo centro e Müller à direita, com Kroos e Schweinsteiger sendo os volantes. Assim, a Alemanha cresceu e chegou a exigir participações de Romero, que, mesmo com desconfianças, foi muito bem em toda a Copa do Mundo.

Porém, no primeiro tempo, as grandes chances foram albicelestes. Na mais clara oportunidade, o melhor alemão na Copa, Kroos errou e Higuaín ficou frente à frente com Neuer. El Pipita desperdiçou o que poderia ser a bola do jogo, ao chutar para fora. A lateral-esquerda, grande ponto fraco da Alemanha, foi explorada a exaustão. Lavezzi jogava por ali e Messi, muitas vezes, deixava o centro e trabalhava pelo setor de Höwedes. Só não foi pior, porque Boateng fez partida soberba e, mais uma vez, Hummels teve bom desempenho. 

Mesmo com a estratégia dando certo, Sabella abriu mão do esquema e buscou atacar mais os europeus. Apesar de péssimo Mundial, Agüero veio no lugar de Lavezzi e a Argentina passou a jogar no 4-3-1-2, com Pérez, Mascherano e Biglia dando suporte ao enganche Messi. No início da segunda etapa, a Albiceleste teve domínio maior do jogo, assustou muito a defesa alemã e Neuer chegou a ser bem exigido. Após sofrer sustos com o bom reinício dos argentinos, a Mannschaft equilibrou. 

A Alemanha criou boas chances, com subidas de Lahm pela direita e a movimentação de Özil, Thomas Müller e Schürrle. Mas a marca da melhora alemã era a transpiração de Schweinsteiger, o clássico volante fazia partida enorme defensivamente e, com os passes, iniciava as jogadas ofensivas da Nationalelf. Porém, apesar das duas equipes buscarem o gol, os bons goleiros Neuer e Romero não tinham muito trabalho. A Argentina não chutou nenhuma bola no alvo e a Alemanha conseguiu apenas cinco arremates, em 120 minutos. 

Por isso, mesmo com a maior abertura das equipes, o jogo foi para a prorrogação, quando o cansaço poderia pesar. A Alemanha teve um dia a mais de descanso e passeou na semifinal, enquanto os argentinos protagonizaram uma batalha contra a Oranje, decidida apenas nos pênaltis. Ademais de Schweinsteiger, que se sacrificava para seguir em campo, a Nationalelf traduziu esta vantagem nos 30 minutos derradeiros. A Argentina não conseguiu assustar e a impressão era de que, se tivesse um vencedor até os 120 minutos, seria a equipe europeia. 

 Como a imagem denota, Schweinsteiger foi épico. Corte sob o olho, uniforme completamente sujo e o rosto externando cansaço (AP Photo)

Schweinsteiger foi o símbolo desta vitória. Na prorrogação, apanhou bastante, chegou a ganhar um corte sob o olho e quase foi substituído. Ele lutou e conseguiu seguir em campo. Mas a jogada do gol do título veio com Schürrle, reserva importantíssimo durante toda a campanha. O camisa nove disparou pela ponta esquerda e cruzou na área. Götze recebeu nas costas de Demichelis, matou no peito e, de canhota, marcou o 1 a 0, depois de ter ouvido de Joachim Löw: “mostre para o mundo que você é melhor que o Messi e que você pode decidir o Mundial”. De reserva para reserva e o único gol foi o do título, o mais importante da Nationalelf em 24 anos. A Argentina ainda tentou, porém não conseguiu buscar o empate. Tetracampeonato conquistado (1954, 1974, 1990 e 2014). 

Ganhou o melhor trabalho, a seleção mais coesa e o time mais carismático. Um projeto a longo prazo que revelou muitos talentos e deve seguir dando frutos para a Alemanha. Foram 18 gols marcados e quatro gols sofridos em sete jogos. A Mannschaft foi a equipe do toque de bola, com 5084 tentados e 4157 completados (82%). Além disso, teve bons números defensivos: 91 desarmes completados e Neuer executou 24 defesas. 

A equipe completa sem um craque absoluto, mas absoluta no Mundial. Desde o princípio a Alemanha era a principal favorita e, ao longo das sete partidas, confirmou isso, com louvor, jogando muito e crescendo durante a Copa de 2014. O título está em ótimas mãos, nas mãos dos alemães.

sábado, 5 de julho de 2014

Copa do Mundo – Dia 24

A Redenção do Artilheiro 

 Higuaín bateu no peito e chamou a responsabilidade, em mais uma partida difícil para a Argentina (Matthias Hangst/Getty Images)

A Argentina segue passando de fase, mesmo sem convencer. Mas, contra a Bélgica, a Albiceleste conseguiu uma exibição correta, uma das melhores no Mundial. Para conseguir jogar bem, Sabella mexeu e armou um 4-2-3-1, com a entrada de Biglia na composição com Mascherano na volância. Wilmots manteve o 4-1-4-1, mas optou por ter Mirallas entre os onze iniciais. 

Frente aos Diabos Vermelhos, os argentinos conseguiram recuperar Higuaín, que fazia Mundial abaixo daquilo que poderia entregar. O camisa nove até colaborava na movimentação sem bola e abria espaços para os companheiros. Mas centroavante vive de gols e o argentino ainda não havia balançado as redes. Na verdade, El Pipita não conseguia finalizações, ao todo, nas quatro partidas anteriores, apenas sete chutes, em 330 minutos em campo. Desta vez, uma no gol, outra ao lado e mais uma bloqueada. Para melhorar, a que foi no alvo, balançou as redes. No início da partida, uma bola espirou na zaga e se ofereceu na meia-lua, em chute de rara felicidade, Higuaín marcou o 1 a 0. 

Abrir o placar cedo, tranquilizou o jogo albiceleste e obrigou a Bélgica a buscar mais o ataque. Porém, mesmo terminando os 90 minutos com posse de bola maior (54.3%), não conseguia assustar o goleiro. Durante a partida, os Diabos Vermelhos finalizaram dez vezes: apenas uma no alvo, três interceptadas e seis para fora. Com esta pontaria, não daria para vencer a Argentina, que não pressionavam o rival, mas, quando a bola chegava em Messi, era sempre um risco para os belgas. 

Wilmots mexeu, colocou Mertens e Lukaku. Sem resultado, ousou e errou ao tirar o craque Hazard para colocar o ineficiente Chadli. Para confirmar a falta de ideias do técnico belga, no final, a seleção teve Van Buyten como centroavante, por, ao menos, uns 15/20 minutos. Faltou repertório no final, os Diabos Vermelhos apenas ficaram cruzando bolas na área (ao todo, foram 23 cruzamentos) e, como mostramos os números acima, a estratégia não resultou em perigo para Romero. 

Com o apito final, teve choro dos dois lados. Os belgas, que atingiram a fase imaginada, se frustraram, pois, provavelmente, esperavam melhor desempenho. A ótima geração do país não encantou na Copa, mas, depois de dois mundiais ausente, voltar e já chegar às quartas de final é uma boa marca. No lado argentino, o decisivo Higuaín, que teve a melhor atuação dele na competição, chorou muito. Na entrevista pós-jogo, El Pipita destacou: “O jejum não me incomodava, o que importa é ir avançando, agora, devemos seguir pensando partida a partida”. As lágrimas também poderiam ser de Sabella, que, por lesão, perdeu Di María, um dos seus jogadores mais importantes, para o restante da Copa do Mundo.

Herói improvável

Hoje, Robben deixou o protagonismo para Krul, que entrou para pegar pênaltis e pegou dois (Michael Steele/Getty Images)

Em Salvador, Holanda e Costa Rica também seria o confronto dos melhores técnicos da Copa do Mundo, Louis van Gaal e Jorge Luis Pinto. Para enfrentar a melhor defesa do Mundial 2014, o técnico holandês não teve dúvidas e, mais uma vez, mudou a forma de jogar. Veio o 3-4-2-1, com Kuyt, Wijnaldum, Sneijder e Blind formando a segunda linha, portanto, nenhum marcador clássico no centro do campo. À frente, Robben e Depay davam suporte à Van Persie. O comandante dos Ticos não mexeu na estrutura e manteve o 3-4-2-1 (muitas vezes, formando uma linha de cinco atrás), mas focou ainda mais na marcação.  

O planejado pelos treinadores se refletiu em campo. A Oranje dominou completamente a partida, durante todos os 120 minutos, sempre mais de 60% de posse de bola. Com um dos melhores da Copa, Robben fazendo boa partida, o controle do jogo se tornou chances e muitas oportunidades de gol. O problema foi a fraca exibição de Van Persie, pois, sem o jogador terminal bem, as finalizações normalmente vinham de fora da área. Além do camisa 11, Sneijder também tinha boa atuação e sempre conseguia descolar um passe interessante para algum companheiro. De 85 toques tentados, o número dez acertou 70, sendo que 17 deles foram no último terço.  

Não por acaso, a defesa da Costa Rica é a menos vazada da Copa, com apenas dois gols sofridos. O goleiro Keylor Navas mostrou porque é o melhor do Mundial e fez oito defesas, além de contar com a trave em dois momentos, em arremates de Sneijder, que fez sua melhor partida na competição. Eventualmente, os Ticos chegavam em contra-ataques. O homem mais avançado, Joel Campbell recebeu apenas cinco passes no último terço do campo, nenhum deles dentro da área.

Apesar de tentar de todos as formas, a bola não entrou. E, na reta final do jogo, durante a prorrogação, o massacre holandês foi ainda maior. Porém, mesmo assim, o jogo terminou 0 a 0. Antes do apito final, mais uma vez, Louis van Gaal participou da partida de forma decisiva. O técnico tinha um trunfo no banco: o goleiro Krul, de 1,93m, que, durante toda a preparação para a Copa, sabia que, se houvesse decisão por pênaltis, entraria. O desempenho do goleiro do Newcastle não é fascinante em penais, pois, dos últimos 20 batidos contra ele, havia parado apenas dois. Porém, colocá-lo em campo foi uma estratégia do técnico holandês e do treinador de goleiros, Frans Hoek para criar um fato novo, tendo um jogador preparado quase como o especialista para a situação.  

A estratégia deu muito certo. Nas cinco cobranças dos Ticos, Krul acertou o canto de todas e igualou o desempenho que teve nas 20 cobranças anteriores. Com as duas defesas, o “especialista” garantiu a vitória holandesa, pois seus compatriotas acertaram todas as batidas, sem dar chances para o ótimo Keylor Navas. A troca de goleiros, que deu resultado, também causou polêmica. O titular Cilessen reclamou de sair, mas, segundo os especialistas em futebol holandês, depois da partida, pediu desculpas e reconheceu que errou ao chiar.  

O 4 a 3 fez justiça ao que foi o jogo, pois a Oranje não merecia perder, massacrou a Costa Rica. Porém, como disse Keylor Navas, ao final da partida, os Ticos devem voltar para casa “com muito orgulho”. No mesmo sentido foi a fala do técnico Jorge Luis Pinto, que foi muito bem no Mundial, levando a equipe às quartas de final, eliminando Itália e Inglaterra. No lado vencedor, fica a clara noção de que Van Gaal conhece muito bem seus 23 convocados (no Brasil, 21 já entraram em campo) e sabe as opções que eles oferecem ao time. Para encarar a Argentina, não acredito que o técnico repetirá a escalação, pois tentará dar mais poder de marcação ao centro de campo da Holanda.

domingo, 15 de junho de 2014

Copa do Mundo – Dia 4

Precisão suíça 

 Seferovic entrou e marcou e Rodríguez assistiu os dois gols suíços (David Gray/Reuters)

A qualidade da Suíça era inegável, não por acaso chegou como cabeça de chave ao Brasil. No grupo E, os suíços eram os favoritos à vaga, ao lado dos franceses. Mas o primeiro jogo, contra o Equador, mostrou que a briga será dura. Antes da partida, o Estádio Nacional de Brasília teve problemas, as filas – organizadas pela FIFA – para a entrada dos torcedores eram quilométricas e, por isso, pessoas, que pagaram caro pelo ingresso, não conseguiram acompanhar todos os minutos do jogo. 

Os europeus entraram dispostos a confirmar o favoritismo. Ottmar Hitzfeld escalou o tradicional 4-2-3-1 e o quarteto ofensivo contava com o apoio dos ótimos laterais, Lichsteiner e Rodríguez. Em vários momentos, a Suíça pressionava a saída de bola adversária. Por isso, o Equador tinha dificuldade para construir o jogo. Um dos volantes do 4-4-1-1 equatoriano, Noboa sempre recuava para tentar ajudar na criação de jogadas. Bem fechada, La Tricolor conseguiu evitar que os europeus chegassem muito ao gol defendido por Domínguez. 

Enner Valencia, que jogava atrás de Caicedo, se movimentava muito e sempre dava opção para quem chegava de trás no Equador. Um dos criadores mais ativos era o meia-esquerda, Montero, que se aproveitava das subidas de Lichsteiner para fazer as jogadas. O gol veio do lado canhoto mesmo. Ayoví cobrou falta lateral e Enner apareceu livre no meio da defesa, para abrir o placar. A retaguarda suíça, que já foi tão elogiada, falhou. 

Ter Ottmar Hitzfeld no banco fez a diferença. Primeiro, ele sacou Stocker e colocou Mehmedi, deixando Shaqiri no centro da linha de três meias e colocar Xhaka à direita. Com o 1 a 0 a favor, o Equador se fechou mais ainda com as duas linhas de marcação, evitando as chegadas europeias. A mudança de Hitzfeld deu resultado. Rodríguez bateu escanteio cirúrgico no meio da área, Mehmedi, que havia acabado de entrar, apareceu livre e empatou o jogo. Desta vez, foi a defesa do Equador que falhou. 

Com o empate, os equatorianos renasceram na partida e passaram a buscar o segundo. Por isso, o jogo ficou mais interessante, mais aberto, inclusive, com os sul-americanos tendo as melhores chances. A grande oportunidade veio com Arroyo, após jogada bem construída pela direita, o meia recebeu dentro da área e demorou a finalizar. Behrami aproveitou a demora, travou de carrinho e saiu para o contra-ataque. O volante chegou a sofrer uma falta, mas se levantou, seguiu a jogada e abriu o lance na direita com Xhaka. Depois a redonda foi para a esquerda, Rodríguez foi ao fundo e cruzou. Novamente, após passe do lateral-esquerdo, a defesa equatoriana falhou e Seferovic, outro que entrou no segundo tempo, marcou a virada. 

A comemoração após o 2 a 1 mostrou a importância da vitória conquistada nos acréscimos. Para os suíços, faltou uma boa exibição do craque Shaqiri, que tentou alguns lances, mas não foi tão preponderante, como é esperado que seja. De qualquer forma, a boa largada está garantida. Para o Equador, fica a impressão de que é possível incomodar no grupo e, apesar da dificuldade, não dá para descarta-los totalmente das oitavas de final.

Tecnologia em campo

  Benzema marcou dois gols e participou do outro, na estreia tranquila francesa, que contou com uma ajudinha da tecnologia (FIFA)

Tida como seleção mais fraca do grupo E, Honduras não confirmou esta marca durante a estreia. A França venceu bem, mas teve muita dificuldade para derrotar o azarão. Jogando no 4-4-2, os hondurenhos focaram na marcação e na saída em contra-ataques. Portanto, a posse de bola e o maior controle territorial francês não rendiam chances claras. O esforço defensivo – e algumas pancadas – dos Catrachos evitou que o domínio do jogo resultasse em muitas oportunidades para Les Bleus. 

As jogadas francesas começaram a surgir com as decidas dos laterais e a boa movimentação de Valbuena, pelos dois flancos. O meia do Olympique foi decisivo, no lance que mudou a partida: foi dele o passe para Pogba sofrer pênalti de Palacios, que foi expulso. Benzema bateu e abriu o placar. Com um a mais e 1 a 0 no placar, Les Bleus tiveram mais espaço para jogar e souberam aproveitar muito bem isso. Ao todo, foram 20 finalizações, contra quatro dos hondurenhos. 

O trio ofensivo francês, Valbuena, Benzema e Griezmann foi capaz de potencializar estes espaços deixados pela defesa hondurenha. Claro, os meias Cabaye, Matuidi e Pogba também apareceram bastante para o jogo. O camisa dez francês também participou decisivamente do segundo de Les Bleus. Foi dele o chute que bateu na trave e, depois, Valladares mandou para dentro contra. Além de ser o 2 a 0, o gol ficou marcado por ter sido confirmado através da tecnologia, pois, afinal, a bola passou pouquíssimo da linha. Portanto, pela primeira vez, no maior palco futebolístico mundial, não houve dúvida em um lance tão polêmico. 

O 2 a 0 deixou Honduras ainda mais entregue ao jogo francês. Sem forçar a França chegou ao terceiro, novamente com Benzema, desta vez, em um chutaço, para não deixar dúvidas de que a bola cruzou a linha da baliza. Apesar do início complicado, o 3 a 0 representou bem o que foi a partida e já mostrou a força da França, que conseguiu vencer a marcação e as faltas da seleção hondurenha. Para, Los Catrachos, pensar em algo além do último lugar do grupo será muito difícil.

Venceu e aprendeu

 Apesar de não ter feito uma exibição espetacular, Messi foi o melhor da Argentina, que se sentiu em casa no Maracanã (FIFA)

A defesa foi a pauta principal da preparação argentina para o Mundial de 2014. Todos falavam: “o ataque é muito bom, mas a retaguarda não traz nenhuma confiança”. Sabella tinha isso cabeça e, apesar de ter trabalhado a maior parte do tempo no 4-3-3 (4-3-1-2), optou por rechear o setor mais fraco da equipe. No Maracanã, a Albiceleste iniciou a trajetória no 3-1-4-2, com Mascherano postado à frente do trio de zagueiros e Messi e Agüero no ataque. Sem a bola, em alguns momentos, os alas recuavam e formavam a última linha com cinco jogadores. 

Mas não foi apenas a Albiceleste que abriu mão do esquema habitual. Para marcar o poderoso ataque rival, Safet Susic armou a Bósnia no 4-4-1-1, com Misimovic dando suporte ao centroavante Dzeko. Se na Argentina a mudança não deu certo, para os europeus, funcionou bem. Com as duas linhas de quatro, pararam os argentinos. Porém, antes de qualquer tática entrar em ação, Messi bateu falta, Rojo desviou e Kolasinac marcou contra. 

Apesar do 1 a 0, a forma de jogada imaginada por Susic não foi desmontada, o foco na marcação evitou mais participação de Messi e de Di María, pontos centrais do funcionamento ofensivo argentino. Marcando mais e evitando o jogo rival, a Bósnia teve chances, principalmente, quando Pjanic apareceu para armar. Por isso, o questionado Romero fez algumas boas defesas. No intervalo, Sabella reconheceu o erro e voltou ao 4-3-1-2, sacando um zagueiro e colocando Higuaín e tendo Gago no lugar de Maxi Rodríguez. 

A equipe europeia seguiu com a postura defensiva, mas, com La Pulga jogando entre as linhas de marcação, o sucesso da postura adota não seguiu no segundo tempo. Mais recuado, Di María apareceu melhor e Gago foi mais importante para o sistema do que Maxi era no primeiro tempo – deu equilíbrio. Na posição em que é mais especial, Messi apareceu com um belo gol. Aos 20 minutos da segunda etapa, o camisa dez albiceleste partiu da direita para o centro driblando a defesa e finalizou no cantinho do gol de Begovic. Com o 2 a 0, a torcida argentina, que lotava o Maracanã, explodiu ainda mais e fez festa linda. 

Perdendo por dois, Susic voltou ao esquema ofensivo, que deu certo durante as eliminatórias. Ibisevic entrou e a Bósnia voltou a jogar com dois atacantes. Assim, a seleção estreante voltou a equilibrar o jogo e ter boas chances de marcar. Claro, pela exposição, os bósnios sofreram com os contra-ataques argentinos. O gol dos Dragões veio muito tarde, apenas aos 40 minutos, quando Ibisevic bateu entre as pernas de Romero. Não foi uma falha enorme do goleiro argentino, mas dava para ter segurado. Menos mal para o camisa um, que o jogo terminou mesmo no 2 a 1 para a Albiceleste. 

Mais do que estrear vencendo, o gol de Messi e ser líder do grupo, a primeira partida valeu para a Argentina saber o que não deu certo. Ao final do jogo, ainda no gramado, Sabella afirmou: “estou de acordo com o resultado, porém, com o rendimento, às vezes sim e outras não. Às vezes, por erros meus”. Ele sabe que abdicar do 4-3-1-2 não foi uma boa escolha e não deverá repetir este erro. Para a Bósnia, também serviu para Susic observar que a dupla de ataque impulsiona a produção ofensiva do time, que está acostumado a criar para Ibisevic e Dzeko na frente. Nos próximos jogos, que devem valer a classificação para os Dragões, os dois devem estar presentes.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Simplificando Futebol na Copa - Grupo F

Argentina
Di María, Messi, Agüero e Higuaín formam o ataque impressionante da albiceleste (AFP)

Técnico: Alejandro Sabella-ARG

Time-base (4-3-3): Sergio Romero; Zabaleta, Fede Fernández, Garay, Rojo; Enzo Pérez, Mascherano, Di María; Messi, Higuaín, Agüero.

Craque: Lionel Messi – Barcelona-ESP

Lesionados: Nenhum.

Participações no Mundial: 15 (campeão em 1978 e 1986)

Ranking da Fifa: 5º

Campanha nas Eliminatórias (16J-9V-5E-2D-35GP-15GC-20SG)
Argentina 4x1 Chile
Venezuela 1x0 Argentina
Argentina 1x1 Bolívia
Colômbia 1x2 Argentina
Argentina 4x0 Equador
Argentina 3x1 Paraguai
Peru 1x1 Argentina
Argentina 3x0 Uruguai
Chile 1x2 Argentina
Argentina 3x0 Venezuela
Bolívia 1x1 Argentina
Argentina 0x0 Colômbia
Equador 1x1 Argentina
Paraguai 2x5 Argentina
Uruguai 3x2 Argentina

A Argentina não fez uma campanha linear pós-Copa de 2010, mas, no final, parece ter conseguido alcançar alguma consistência. A grande decepção veio com a campanha ruim na Copa América 2011, disputada em casa, e que acabou com eliminação nas semifinais frente ao Uruguai. Após isso, Alejandro Sabella assumiu o comando da seleção e liderou a Albiceleste a primeira colocação nas eliminatórias, acabando com o melhor ataque e a segunda melhor defesa.

As mudanças de Sabella começaram pela faixa de capitão, que passou a ser de Lionel Messi, com anuência do ex-dono, Javier Mascherano. A forma de jogar também prioriza o principal jogador do país. O esquema mais utilizado pelo técnico é o 4-3-3, no qual, La Pulga joga com bastante liberdade, muitas vezes, recuando para armar o jogo, formando um 4-3-1-2. Outra alternativa tática testada por Sabella é o 4-4-1-1, onde Messi atuaria atrás de Higuaín e, novamente, muito livre para atuar no lado que quiser. O grande problema argentino é a defesa (causa pressão nos hermanos, como mostrei aqui), por isso, a formação mais cautelosa poderá ganhar espaço nas fases mais agudas do Mundial e, até mesmo, o 4-3-3, com Mascherano preso como 1º volante, tem esta atenção à retarguarda.

A estrela é o já citado Lionel Messi, que, com a chegada de Sabella, se tornou um jogador melhor para seleção. O técnico conseguiu extrair o máximo do craque e, nas eliminatórias, foram dez gols marcados e a vice-artilharia. Na temporada, a Pulga não repetiu os desempenhos recentes, porém, mesmo assim, terminou com números impressionantes: 41 gols e 15 assistências, em 46 partidas. Mas não é só de Messi que o ataque argentino vive. O ótimo setor ofensivo já começa no meio com Di María, o melhor da Albiceleste na temporada, que chega ao Mundial com 26 assistências pelo Real Madrid, em 2013-14. Rápido, habilidoso, incansável e ótimo nos passes, o camisa sete, ademais de Messi, irá abastecer outros dois grandes finalizadores: Agüero e Higuaín, que somam 52 gols na temporada.

Com esta força ofensiva impressionante, a Argentina chega muito forte ao Brasil e é umas das grandes candidatas ao título. O grupo F parece o ideal para a Albiceleste passar com tranquilidade e chegar forte para às oitavas de final. Porém há um outro ponto: com menos exigência na fase inicial, a segunda etapa poderá apresentar aos argentinos adversários em outra rotação, que trarão bastante dificuldade a equipe.

Goleiros: 1- Sergio Romero (Monaco-FRA), 21- Mariano Andújar (Catania-ITA) e 12- Agustín Orión (Boca Juniors-ARG);
Defensores: 4- Pablo Zabaleta (Manchester City-ING), 2- Ezequiel Garay (Benfica-POR), 17- Federico Fernández (Napoli-ITA), 16- Marcos Rojo (Sporting-POR), 3- Hugo Campagnaro (Internazionale-ITA), 15- Martín Demichelis (Manchester City-ING) e 23- José María Basanta (Monterrey-MEX);
Meias: 14- Javier Mascherano (Barcelona-ESP), 5- Fernando Gago (Boca Juniors-ARG), 11- Maxi Rodríguez (Newell’s-ARG), 7- Ángel Di María (Real Madrid-ESP), 6- Lucas Biglia (Lazio-ITA), 19- Ricky Álvarez (Internazionale-ITA), 8- Enzo Pérez (Benfica-POR) e 13- Augusto Fernández (Celta-ESP);
Atacantes: 10- Lionel Messi (Barcelona-ESP), 20- Sergio Agüero (Manchester City-ING), 9- Gonzalo Higuaín (Napoli-ITA), 22- Ezequiel Lavezzi (Paris Saint-Germain-FRA) e 18- Rodrigo Palacio (Internazionale-ITA).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Bósnia: nunca se enfrentaram
Irã: nunca se enfrentaram
Nigéria: Nigéria 1x2 Argentina (fase de grupos, 1994), Nigéria 0x1 Argentina (fase de grupos, 2002) e Nigéria 0x1 Argentina (fase grupos, 2010)


Calendário de amistosos durante a preparação
4/junho: Argentina 3x0 Trinidad e Tobago
7/junho: Argentina 2x0 Eslovênia


Bósnia
Dzeko e Ibisevic formam algo raro nos dias de hoje, uma dupla de ataque, que promete muitos gols no Brasil (AFP)

Técnico: Safet Susic-BOS

Time-base (4-4-2): Begovic; Vrsajevic, Spahic, Bicakcic, Kolasinac; Misimovic, Pjanic, Salihovic, Lulic; Dzeko, Ibisevic.

Craque: Edin Dzeko – Manchester City-ING

Lesionados: Nenhum

Participações no Mudial: 1 (estreia em 2014)

Ranking da FIFA: 21º

Campanha nas Eliminatórias (10J-8V-1E-1D-30GP-6GC-24SG)
Liechtenstein 1x8 Bósnia
Bósnia 4x1 Letônia
Grécia 0x0 Bósnia
Bósnia 3x0 Lituânia
Bósnia 3x1 Grécia
Letônia 0x5 Bósnia
Bósnia 0x1 Eslováquia
Eslováquia 1x2 Bósnia
Bósnia 4x1 Liechtenstein
Lituânia 0x1 Bósnia

Nas eliminatórias, em um grupo com duas equipes que estiveram na África do Sul, a Bósnia passou com muita tranquilidade e mostrou força. O ataque aproveitou jogos contra Liechtenstein e Letônia e balançou as redes 30 vezes, nos dez jogos. Além disso, a defesa funcionou bem e só sofreu seis gols. Foi com este bom rendimento, na frente e atrás, que os Dragões conseguiram chegar ao primeiro mundial. E o objetivo dos bósnios é deixar o nome marcado já na primeira participação.

O comando é de Safet Susic, que está à frente da seleção desde 2009, e conta com um elenco bastante qualificado. O treinador adota um 4-4-2 ousado e, na maioria das vezes, não usa um volante clássico no meio-campo, prefere jogar com meias que sabem tratar a bola e têm mais qualidades ofensivas. Além disso, em um futebol dominado por esquemas com um centroavante apenas ou às vezes até sem um atacante clássico, o bósnio coloca dois noves na frente e explica: “seria um crime contra o futebol não jogar com dois atacantes tão bons como são Dzeko e Ibisevic”.

A dupla de homens de frente com mais de 1,88m é o destaque da equipe e, nas eliminatórias, marcaram juntos 18 dos 30 gols anotados pelos Dragões. Somando o desempenho dos atacantes bósnios, nas ligas nacionais que disputam (Premier League e Bundesliga), temos 26 gols na temporada, sendo que ambos participaram de menos de 30 partidas. Sem dúvidas, bons números. Além disso, o meio-campo mais focado ao ataque conta com Lulic, Misimovic, Pjanic e Salihovic, que poderão criar muitas chances de gols para os atacantes, sendo que os três últimos também são um perigo em chutes de longa distância. Mas esta opção mais ofensiva do treinador poderá trazer problemas para a retaguarda, que não será tão protegida, e, por isso, poderá ser o problema bósnio na Copa.

A falta de experiência em copas e o meio-campo, na maioria das vezes, composto por jogadores muito ofensivos serão as grandes dificuldade da equipe no Mundial. Porém, ao olhar para o grupo F da competição, fica claro que Bósnia e Argentina são as principais candidatas a passar as oitavas de final. Com um setor de ataque tão forte, os problemas poderão ser minimizados na primeira fase, mas, no mata-mata, onde qualquer erro é fatal, um time tão ousado poderá ter problemas para sobreviver.

Goleiros: 1- Asmir Begovic (Stoke City-ING), 12- Jasmin Fejzic (Aalen-ALE) e 22- Asmir Avdukic (Borac Banja Luka-BIH);
Defensores: 4- Emir Spahic (Bayer Leverkusen-ALE), 2- Avdija Vrsajevic (Hajduk Split-CRO), 5- Sead Kolasinac (Schalke-ALE), 3- Ermin Bicakcic (Eintracht Braunschweig-ALE), 6- Ognjen Vranjes (Elazigspor-TUR), 15- Toni Sunjic (Zorya Lugansk-UCR), 13- Mensur Mujdza (Freiburg-ALE) e 7- Muhamed Besic (Ferencvaros-HUN);
Meias: 11- Zvjezdan Misimovic (Guizhou Renhe-CHN), 18- Haris Medunjanin (Gaziantepspor-TUR), 8- Miralem Pjanic (Roma-ITA), 23- Sejad Salihovic (Hoffenheim-ALE), 16- Senad Lulic (Lazio-ITA), 20- Izet Hajrovic (Galatasaray-TUR), 17- Senijad Ibricic (Erciyesspor-TUR), 14- Tino Susic (Hajduk Split-CRO), 21- Anel Hadzic (Sturm Graz-AUS) e 19- Edin Visca (Istanbul BB-TUR).
Atacantes: 11- Edin Dzeko (Manchester City-ING) e 9- Vedad Ibisevic (Stuttgart-ALE).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Argentina: nunca se enfrentaram
Irã: nunca se enfrentaram
Nigéria: nunca se enfrentaram

Calendário de amistosos durante a preparação
30/maio: Bósnia 2x1 Costa do Marfim
2/junho: Bósnia 1x0 México

Nigéria
Enyeama já foi destaque na Copa de 2010 e, para 2014, chega ainda melhor (Anesh Debiky/Gallo Images via Getty Images)

Técnico: Stephen Keshi-NIG



Time-base (4-2-3-1): Enyeama; Ambrose, Omeruo, Oboabona, Oshaniwa; Obi Mikel, Onazi; Musa, Azeez, Moses; Emenike

Craque: Vincent Enyeama – Lille-FRA



Lesionados: Elderson Echiéjilé (lateral-esquerdo, Monaco-FRA) – lesão muscular e Bright Dike (atacante, Toronto FC-CAN) – ruptura do tendão de Aquiles.

Participações no Mudial: 5 (oitavas de final em 1994 e 1998)

Ranking da FIFA: 44º

Campanha nas Eliminatórias (8J-5V-3E-0D-11GP-4GC-7SG)
Segunda fase:
Nigéria 1x0 Namíbia
Malawi 1x1 Nigéria
Nigéria 1x1 Quênia
Quênia 0x1 Nigéria
Namíbia 1x1 Nigéria
Nigéria 2x0 Malawi

Terceira fase:
Etiópia 1x2 Nigéria
Nigéria 2x0 Etiópia

A Nigéria não tem sido constante em mundiais, porém, em 2014, participará do segundo consecutivo. Mas novamente, as expectativas de fazer uma grande competição não são altas. Ademais disso, nas eliminatórias, as Super Águias passaram sem dificuldade e não perderam nenhuma partida, com cinco vitórias e três empates. O grande momento entre copas dos nigerianos ocorreu em 2013, na Copa de Nações Africanas. A Nigéria cresceu na reta final, eliminou a favorita Costa do Marfim e conquistou o título de forma invicta.

Desde 2011, Stephen Keshi está no comando, mas já deu a entender que não seguirá pós-Mundial. O trabalho do treinador nigeriano é bom, pois é o responsável por controlar a conturbada relação do grupo com a federação. Depois da crise que ocorreu antes da Copa das Confederações 2013, por conta de premiação, Keshi conseguiu colocar na cabeça dos jogadores a importância de jogar na seleção. Dentro de campo, o treinador trabalha no esquema da moda, o 4-2-3-1, mas com o 2º volante avançando e ajudando na criação, formando, muitas vezes, um 4-1-4-1.

A grande dificuldade é que o talento que os nigerianos tiveram recentemente, não está tão presente nesta seleção. Ainda existem bons jogadores, mas o melhor deles hoje é Enyeama, apontado por muitos como principal goleiro da Ligue 1. O arqueiro dará segurança aos nigerianos, que têm uma boa defesa, que foi vazada apenas quatro vezes durante as eliminatórias. O sistema defensivo conta com a proteção da dupla de volantes, Obi Mikel, que atua mais preso, e Onazi, que tem um pouco mais de liberdade. O setor ofensivo também tem peças interessantes, que podem garantir gols: os pontas velozes, Musa e Moses e o centroavante Emenike. Mas não há dúvida que, hoje, a Nigéria tem mais qualidade na defesa.

Se o ataque funcionar bem e Keshi conseguir manter o grupo com o mesmo objetivo, a Nigéria tem chances de avançar. Afinal, a chave F não é a mais difícil da Copa, porém tem Argentina e Bósnia como claras favoritas às oitavas de final. Por isso, para se classificar, as Super Águias deverão chegar ao Brasil sem problemas internos e, com o elenco, preparado para jogar no nível máximo que pode atingir.


Goleiros: 1- Vincent Enyeama (Lille-FRA), 16- Austin Ejide (Hapoel Be’er Sheva-ISR) e 21- Chigozie Agbim (Gombe United-NIG);
Defensores: 5- Efe Ambrose (Celtic-ESC), 14- Godfrey Oboabona (Rizespor-TUR), 6- Azubuike Egwuekwe (Warri Wolves-NIG), 22- Kenneth Omeruo (Middlesbrough-ING), 13- Juwon Oshaniwa (Ashdod FC-ISR), 2- Joseph Yobo (Norwich City-ING) e 12- Kunle Odunlami (Sunshine Stars-NIG);
Meias: 10- John Obi Mikel (Chelsea-ING), 17- Ogenyi Onazi (Lazio-ITA), 15- Ramon Azeez (Almeria-ESP), 3- Ejike Uzoenyi (Enugu Rangers-NIG), 4- Gabriel Reuben (Beveren-BLG), 18- Michael Babatunde (Volyn-UCR) e 20- Michael Uchebo (Cercle Brugge-BLG);
Atacantes: 7- Ahmed Musa (CSKA Moscou-RUS), 23- Shola Ameobi (Newcastle-ING), 11- Victor Moses (Liverpool-ING), 9- Emmanuel Emenike (Fenerbahce-TUR), 8- Peter Odemwingie (Stoke City-NIG) e 19- Uche Nwofor (Heerenveen-HOL).


Retrospecto contra rivais do grupo
Argentina: Nigéria 1x2 Argentina (fase de grupos, 1994), Nigéria 0x1 Argentina (fase de grupos, 2002) e Nigéria 0x1 Argentina (fase grupos, 2010)
Bósnia: nunca se enfrentaram
Irã: nunca se enfrentaram


Calendário de amistosos durante a preparação
28/maio: Nigéria 2x2 Escócia
3/junho: Nigéria 0x0 Grécia
7/junho: Nigéria 1x2 Estados Unidos


Irã
O meia-central Nekounam é o capitão, grande líder e referência iraniana em campo (Amin M. Jamali/Getty Images)

Técnico: Carlos Queiroz-POR

Time-base (4-2-3-1): Davari; Heydari, Hosseini, Sadeghi, Pouladi; Nekounam, Teymourian; Dejagah, Shojaei, Jahanbakhsh; Ghoochannejhad.

Craque: Javada Nekounam – Al-Kuwait-KUW


Lesionados: Ferydoon Zandi (meia-atacante, Al Ahli-QAT) – fratura na perna esquerda.

Participações no Mundial: 4 (fase de grupos em 1978, 1998 e 2006)

Ranking da FIFA: 43º

Campanha nas Eliminatórias (16J-10V-4E-2D-30GP-7GC-23SG)
Segunda fase:
Irã 4x0 Ilhas Maldivas
Ilhas Maldivas 0x1 Irã

Terceira fase:
Irã 3x0 Indonésia
Qatar 1x1 Irã
Irã 6x0 Bahrein
Bahrein 1x1 Irã
Indonésia 1x4 Irã
Irã 2x2 Qatar

Quarta fase:
Uzbequistão 0x1 Irã
Irã 0x0 Qatar
Líbano 1x0 Irã
Irã 1x0 Coreia do Sul
Irã 0x1 Uzbequistão
Qatar 0x1 Irã
Irã 4x0 Líbano
Coreia do Sul 0x1 Irã

O Irã chega ao seu quarto mundial e, novamente, não tem grandes esperanças de ir longe – em quatro disputas, nunca ultrapassou a fase de grupos. O elenco não tem muita qualidade e, a maior parte dos jogadores, atua no fraco futebol local. Por isso, o Time Melli aposta em uma defesa forte e na mistura de atletas bem experientes com alguns nomes que ainda estão longe do fim da trajetória futebolística.

O comandante da façanha foi o experiente Carlos Queiroz. O português assumiu a seleção asiática em 2011 e logo identificou os problemas do plantel. Desta forma, optou por armar uma equipe preparada para o contra-ataque, focando em um sistema defensivo que conta como muita experiência e dá segurança ao restante dos onze iniciais. Jogando assim, nas eliminatórias, o Time Melli sofreu apenas sete gols, em 16 partidas. No mesmo período, o Irã anotou 30 vezes, mas apenas oito delas foram nos oito jogos decisivos – fase que a defesa foi vazada apenas duas vezes.

Os números defensivos são interessantes, mas o sistema conta com ótimo apoio da dupla de volantes, Nekounam e Teymourian. O primeiro deles é o capitão da equipe e, além de ajudar na retaguarda, chega bem ataque e foi o artilheiro iraniano nas eliminatórias com seis gols. No setor ofensivo, o bom Dejagah, do Fulham, é uma alternativa para criar pelos flancos e também para balançar as redes adversárias. Mas, nos últimos tempos, o nome que tem chamado mais atenção é o do atacante Ghoochannejhad, que marcou três vezes na fase final das eliminatórias. Gucci vive na Holanda desde os oitos anos e, na base, chegou a jogou pela oranje, sendo convencido por Queiroz a defender o Time Melli. Veloz e bom finalizador, ele é a grande esperança dos gols iranianos.

Apoiado na boa defesa e em contra-ataques, o Irã almeja fazer história e alcançar uma inédita segunda fase. Porém, enfrentando Argentina, Bósnia e Nigéria, o sonho não deverá ser atingido nesta Copa. De qualquer forma, ao contrário do que muitos pensam, o Time Melli não será um adversário simples para nenhum dos favoritos do grupo, pois vencer as linhas defensivas da equipe iraniana não será fácil.

Goleiros: 22- Daniel Davari (Eintracht Braunschweig-ALE), 12- Alireza Haghighi (Sporting Covilhã-POR) e 1- Rahman Ahmadi (Sepahan-IRN);
Defensores: 2- Khosro Heydari (Esteghlal-IRN), 13- Hossein Mahini (Persepolis-IRN), 20- Steven Beitashour (Vancouver Whitecaps-CAN), 15- Pejman Montazeri (Umm Salal-QAT), 4- Jalal Hosseini (Persepolis-IRN), 5- Amir Hossein Sadeghi (Esteghlal-IRN), 17- Ahmad Alenemeh (Naft-IRN), 19- Hashem Beikzadeh (Esteghlal-IRN), 3- Ehsan Hajsafi (Sepahan-IRN) e 23- Mehrdad Pouladi (Persepolis-IRN);
Meias: 7- Masoud Shojaei (Las Palmas-ESP), 6- Javad Nekounam (Kuwait SC-KUW), 14- Andranik Teymourian (Esteghlal-IRN), 8- Reza Haghighi (Persepolis-IRN), 11- Ghasem Haddadifar (Zob Ahan-IRN), 18- Bakhtiar Rahmani (Foolad-IRN), 21- Ashkan Dejagah (Fulham-ING) e 9- Alireza Jahanbakhsh (NEC-HOL); 
Atacantes:  16- Reza Ghoochannejhad (Charlton Athletic-ING) e 10- Karim Ansarifard (Tractor Sazi-IRN).

Retrospecto contra rivais do grupo
Argentina: nunca se enfrentaram
Bósnia: nunca se enfrentaram
Nigéria: nunca se enfrentaram

Calendário de amistosos durante a preparação

18/maio: Irã 0x0 Bielorrússia
26/maio: Irã 0x0 Montenegro
30/maio: Irã 1x1 Angola
8/junho: Irã 2x0 Trinidad e Tobago

Para completar a análise, um podcast com Pierre Andrade, que, por muito tempo comandou o site Futebolespanhol.com.br. Confiram o programa, em que falamos muito da Argentina: