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sábado, 14 de junho de 2014

Copa do Mundo – Dia 3

Mais do que o merecido 

 Com Falcao García apenas observando, o grupo colombiano foi o destaque e alcançou a vitória (Alex Grimm/FIFA/Getty Images)

O Mundial tem se caracterizado pelas torcidas sul-americanas dominando as arquibancadas. Em Belo Horizonte, a Colômbia teve apoio enorme, o Mineirão ficou amarelo e, claro, cantou o hino à capela. Com este ambiente, os comandados de Pérkeman iniciaram pressionando os gregos, que se fechavam em um 4-1-4-1. O 4-2-3-1 cafetero tinha Teo Gutiérrez como centroavante e Cuadrado, James Rodríguez e Ibarbo atuando atrás do centroavante. Os quatro homens mais ofensivos, muitas vezes, apoiados por volantes e laterais não deixavam a saída de bola ocorrer. 

Enquanto a pressão alta esteve presente, a Colômbia foi melhor e conseguiu sair na frente, com boa jogada de Cuadrado pela direita, que Armero finalizou. Porém, o sufoco na saída grega não durou muito tempo. Por isso, a Grécia conseguiu entrar na partida, mantendo a posse de bola e tendo Kone bem ativo, na troca de passes e na chegada ao ataque. Ospina chegou a ser exigido algumas vezes e mostrou o bom nível, que já apresenta no futebol francês. 

A falta de intensidade colombiana pareceu ser cansaço e, assim, a Grécia seguiu controlando a redonda. Mas faltava algo aos europeus, que não conseguiam chances tão claras. Em seu pior momento na partida, a Colômbia alcançou a segundo gol, após cruzamento de James da direita, que Aguilar desviou, e Teo só empurrou para as redes. A oportunidade claríssima que faltava aos gregos, veio logo depois do 2 a 0. Torosidis ganhou no segundo poste e cruzou para trás, Gekas se atirou na bola e, mesmo com o gol livre, acertou o travessão. Mitroglu substituiu o centroavante e a Grécia seguiu mais em cima e teve algumas chances, que ou passaram ao lado ou foram salvas por Ospina. 

No final, a Colômbia, mais uma vez, aproveitou a velocidade no lado direito. Cobrança rápida de falta, combinação boa entre Cuadrado e Zuniga e assistência para James, que, dentro da área, não desperdiçou. O 3 a 0 foi mais do que os cafeteros mereceram pela atuação, mas serviu para mostrar a força do lado direito da equipe e como é importante esta pressão na saída de bola rival para o jogo colombiano funcionar, mas a intensidade tem que ser mantida por mais tempo. Os gregos mostraram fragilidades defensivas e ofensivas, por isso, não devem ter muitas chances de passar à segunda fase da Copa.

Campbell, o gigante

 Campbell fez a melhor exibição individual da Copa e liderou a vitória costariquenha sobre o Uruguai (GettyImages)

A disputa no grupo D seria restrita aos três campeões mundiais, Uruguai, Itália e Inglaterra. Mas, na primeira rodada, havia uma Costa Rica no meio do caminho da Celeste Olímpica. Jorge Luis Pinto optou por um 3-4-2-1, mostrando que a prioridade seria segurar o Uruguai, que vinha no 4-4-1-1, com Forlán e Cavani revezando no comando do ataque. Apesar de estar abaixo do nível que já esteve, o camisa dez uruguaio estava em campo para utilizar o ótimo passe e a qualidade nas bolas paradas. 

Sem fazer grande partida, a presença de Forlán fez a diferença. Em falta cobrada por ele, Lugano sofreu pênalti inocente e Cavani não desperdiçou. Mesmo antes do 1 a 0, o personagem da partida já aparecia. Acostumado a jogar pelo lado, Campbell atuava centralizado e incomodava a defesa charrúa. O jogador do Olympiacos driblava, passava e finaliza. Quando a bola chegava nele, era um risco para o Uruguai. O empate veio com o camisa nove dos Ticos, que aproveitou boa jogada pela direita e falha da defesa celeste, para fuzilar de canhota. 

A virada veio com a mesma alternativa uruguaia: a bola parada. Um dos meias-atacantes no esquema costariquenho, Bolaños, que foi muito bem na partida, cobrou e Duarte apareceu por trás de todos e, de peixinho, virou o jogo. A Celeste Olímpica estava entregue ao jogo dos Ticos, mas, com algumas mudanças, ensaiou uma pressão, jogando quase com três atacantes. Aí a estrela costariquenha apareceu. Se Campbell decidia na frente, o ótimo goleiro Keylor Navas segurou o momento de pressão uruguaia. 

A melhor exibição individual desta Copa ainda reservava mais uma grande jogada. Aos 84 minutos, Campbell apareceu na dele, na ponta-direita, e fez ótimo passe para Ureña entrar na área e fazer o terceiro, na saída do goleiro Muslera. Nos minutos finais, o camisa nove costariquenho ainda cavou a expulsão de Maxi Pereira e concluiu a sua grande exibição. O 3 a 1 foi um resultado justíssimo e bagunça o início do grupo D. 

Apesar da vitória, imaginar os Ticos passando de fase é difícil. Mas ficou pior para os uruguaios iniciam a Copa com um grande problema, recuperar esta largada ruim. O consolo é a provável volta do melhor jogador do país, Suárez na segunda rodada. Além disso, em 2010, na estreia contra a França, o Uruguai teve Lodeiro expulso, o que forçou Tabárez a mudar o time taticamente. Depois das mudanças, todos sabem, a Celeste Olímpica foi semifinalista do Mundial. Repetir esta história é o objetivo no Brasil.

Expectativa atendida 

 
 Pirlo e a Itália merecem aplausos pela ótima exibição em Manaus (Ricardo Matsukawa/Terra)

O calor até atrapalhou, mas, em Manaus, Itália e Inglaterra fizeram um jogaço, até aqui, o melhor da Copa. Pressionados pela vitória da Costa Rica, as duas campeãs mundiais entraram em busca da vitória, para abrir vantagem em relação ao Uruguai. Os italianos apostaram no 4-1-4-1 e a Inglaterra teve um 4-2-3-1, com Welbeck, Sterling e Rooney circulando atrás do centroavante Sturridge, que se mexia muito. 

A Squadra Azzurra preferia a bola e a troca de passes, inclusive com os laterais participando da movimentação à frente do meio-campo. Já os Three Lions optavam pela pressão alta e intensidade para buscar opções de finalização. Assim, a Inglaterra assustou com um belo chute de longe de Sterling, muito à vontade jogando pelo centro do campo. O lado direito italiano ia muito bem, com Darmian e Candreva combinando demais por ali. O gol saiu em cobrança de escanteio do camisa seis: Verratti recebeu o passe curto, rolou para trás, Pirlo fez o corta-luz e, livre na entrada da área, Marchisio teve tempo para dominar e chutar. 

O empate veio rápido e teve a característica pensada pelo English Team. Na linha média, Sterling fez ótima enfiada para Rooney na ponta esquerda e o camisa dez fez o cruzamento no segundo pau, onde Sturridge apareceu para igualar o jogo. 

O empate não fez mal à Itália, que seguiu mantendo o estilo: muitas trocas de passes (602 passes trocados, maior número da Copa) e paciência para chegar. Em um erro de Hart, Balotelli quase fez um golaço de cobertura. Se SuperMario não conseguiu recolocar a Itália na frente com um golaço, no segundo tempo, ele apareceu para decidir. O lado direito azzurro funcionou com Candreva, que limpou a defesa e cruzou no segundo poste. Balotelli apareceu atrás da defesa e colocou a bola no gol. O carismático e polêmico camisa nove da Nazionale vibrou muito. A derrota parcial forçou a Inglaterra a buscar o jogo e, sabendo disso, Prandelli sacou o bom passador Verratti e colocou Thiago Motta, jogador de mais marcação. 

Com as mudanças de ambos os lados, a Itália passou a ter mais um 4-5-1, formando uma barreira frente à própria área. A Inglaterra ficou em cima, trocando passes, mas sempre buscando Sterling (agora, mais à direita) para tentar a jogada diferente e o último passe. A chance de marcar não surgiu e, na reta final do jogo, o cansaço começou a pegar forte o English Team, diminuindo a intensidade daquela pressão. 

A vitória no jogaço dá muita moral aos italianos, na disputa que promete ser muito dura pelas vagas no grupo D. Para a Inglaterra, apesar da derrota, fica a exibição a boa exibição e noção de que alguns erros foram cometidos, principalmente, na defesa. Para a decisão frente ao Uruguai ter mais de Rooney também será fundamental.
Drogba resolve

 Drogba no lugar de um volante: a entrada do centroavante mudou o jogo para Costa do Marfim (AFP)

O camisa 11 estava no banco, pois Lamouchi optou por iniciar com Bony à frente dos três meias, Gervinho, Yaya Toure e Kalou. Desta forma, quem começou a partida melhor foi o Japão, também armado em um 4-2-3-1, com Honda e Kagawa revezando entra a ponta-esquerda e o centro da linha de três meais. Além da movimentação da dupla, os Samurais Azuis tinham as subidas dos laterais, Uchida e Nagatomo. Os velozes japoneses evitavam que a bola chegasse à Yaya Toure e, com isso, a criação costa marfinense ficava com Kalou e Gervinho, portanto, tinha menos qualidade. 

O Japão aproveitou o início ruim dos Elefantes e saiu na frente. A jogada veio com a combinação entre três de seus jogadores especiais: Kagawa tocou para Nagatomo assistir Honda, que tirou Yaya e fuzilou de canhota. Golaço. Mas Costa do Marfim tinha um time talentoso e muito forte e não se entregaria após sofrer um gol. Yaya Toure começou a aparecer mais e fez algumas boas jogadas. 

Porém o jogo foi resolvido do banco de reservas. Lamouchi mexeu muito bem, pois tinha o grande trunfo no banco, Didier Drogba. O técnico sacou um volante para colocar o centroavante e, desta forma, abriu mão do 4-2-3-1 e jogou no 4-4-2. Yaya se tornou volante ao lado de Tiote, Kalou e Gervinho foram os meias pelos lados e Drogba duplou no ataque com Bony. Modificada, a Costa do Marfim passou a ter mais chegada e conseguiu virar o jogo em duas jogadas semelhantes. Primeiro, armando de trás, Yaya Toure abriu o jogo com Aurier, que cruzou na área, onde Bony ganhou da zaga para cabecear. Depois, novamente o lateral-direito jogou na área e foi Gervinho que desviou de cabeça para o gol. 

O 2 a 1 tranquilizou a seleção africana e agitou os japoneses. Porém o nível do jogo não voltou a ser o mesmo do início dos 90 minutos. Kagawa já não combinava tanto com Honda e Uchida sumiu do campo de ataque. Por isso, as melhores oportunidades vieram quando o autor do primeiro gol tentou jogadas individuais. Mas quem chegou mais perto de marcar foi a Costa do Marfim, com jogadas de Drogba, o homem que mudou o jogo. Assim, os Elefantes largam ao lado de Colômbia na briga pelas vagas do grupo C, chave que também promete equilíbrio.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Simplificando Futebol na Copa - Grupo C

Colômbia
Sem Falcao García, o companheiro de Monaco, James Rodríguez assumirá o protagonismo na seleção colombiana (Getty Images)

Técnico: José Pékerman-ARG

Time-base (4-1-4-1): Ospina; Zúñiga, Yepes, Zapata, Pablo Armero; Sánchez; Cuadrado, Aguilar, Guarín, James Rodríguez; Jackson Martínez.

Craque: James Rodríguez – Monaco-FRA

Lesionados: Stefan Medina (zagueiro, Atlético Nacional-COL) – rompeu ligamentos do tornozelo direito, Luis Amaranto Perea (zagueiro, Cruz Azul-MEX) – lesão na coxa esquerda, Edwin Valencia (volante, Fluminense-BRA) – lesão muscular na coxa direita, Aldo Leão Ramírez (meia, Morelia-MEX) – lesão no joelho direito e Radamel Falcao García (atacante, Monaco-FRA) – ruptura no ligamento anterior cruzado do joelho esquerdo.

Participações no Mundial: 5 (oitavas de final em 1990)

Ranking da Fifa: 8º

Campanha nas Eliminatórias (16J-9V-3E-4D-27GP-13GC-14SG)
Bolívia 1x2 Colômbia
Colômbia 1x1 Venezuela
Colômbia 1x2 Argentina
Peru 0x1 Colômbia
Equador 1x0 Colômbia
Colômbia 4x0 Uruguai
Chile 1x3 Colômbia
Colômbia 2x0 Paraguai
Colômbia 5x0 Bolívia
Venezuela 1x0 Colômbia
Argentina 0x0 Colômbia
Colômbia 2x0 Peru
Colômbia 1x0 Equador
Uruguai 2x0 Colômbia
Colômbia 3x3 Chile
Paraguai 1x2 Colômbia

Após 16 anos fora de mundiais, a Colômbia volta e chega como cabeça de chave. Para retornar às copas, os sul-americanos se aproveitaram do ótimo trabalho realizado na base. Esta geração tem jogadores que ficaram em terceiro lugar no Mundial sub-20 2003 e outros que foram campeões Sul-americanos em 2005. Bebendo desta fonte, os Cafeteros fizeram ótima campanha nas eliminatórias, se classificando no segundo posto, dois pontos atrás da líder Argentina.

Apesar da continuidade de jogadores, no comando, as coisas mudaram bastante. O projeto Copa 2014 começou com Hernán Darío Gómez, que caiu, após a campanha mediana na Copa América 2011. O sucessor foi o auxiliar Leonel Álvarez, que ficou apenas quatro meses e foi substituído. No início de 2012, José Pekerman chegou e, nas palavras do craque Falcao García, fica clara a importância do treinador: “ele tratou de nos dar a confiança necessária para que pudéssemos jogar da forma como estamos acostumados. Hoje em dia, somos uma seleção mais madura e equilibrada”. O técnico argentino fez mudanças táticas, mas, na maior parte do tempo, utilizou o 4-1-4-1 e o 4-2-3-1. Com Pekerman, os Cafeteros seguem sendo um time com foco mais no ataque em relação à defesa, até porque, a qualidade das peças ofensivas é muito maior que as defensivas.

O principal destaque da Tricolor é Falcao García, que marcou nove vezes na eliminatória, mas não virá ao Brasil, por conta de uma séria lesão sofrida no primeiro mês de 2014. Com a ausência de El Tigre, a Colômbia tem bons substitutos para a função. O titular inicial deve ser Jackson Martínez, um centroavante completo, que bate com os dois pés e cabeceia bem também. Ele foi o artilheiro da Liga Sagres com 20 gols. Carlos Bacca, do Sevilla, é o que mais ameaça a titularidade do portista, pois fez 18 gols, em Liga Espanhola e Liga Europa. Além deles, ainda há Adrián Ramos, que balançou as redes 16 vezes, na Bundesliga. Mas a principal estrela será o habilidoso meia-atacante James Rodríguez, líder em assistências da Ligue 1. Rápido e com perna esquerda especial, o camisa dez é a esperança para criação de jogadas e também de gols. O outro ponta no esquema é Cuadrado, muito veloz o jogador se destacou pela Fiorentina na Serie A, com 11 gols e cinco assistências e é mais uma alternativa de criação no meio-campo.

O ótimo técnico José Pékerman conseguiu formar um bom time, priorizando o ataque, mas sem deixar a defesa de lado. Passar da primeira fase não deve ser um grande desafio, pois o grupo C não é dos mais difíceis. Porém, para chegar ainda mais longe na Copa, os Cafeteros precisarão que um dos substitutos de Falcao García funcione bem e que James Rodríguez e Cuadrado cedam as assistências.

Goleiros: 1- David Ospina (Nice-FRA), 22- Faryd Mondragón (Deportivo Cali-COL) e 12- Camilo Vargas (Santa Fe-COL);
Defensores: 3- Mario Yepes (Atalanta-ITA), 2- Cristian Zapata (Milan-ITA), 23- Carlos Valdés (San Lorenzo-ARG), 16- Eder Álvarez Balanta (River Plate-ARG), 4- Santiago Arias (PSV Eindhoven-HOL), 18- Camilo Zúñiga (Napoli-ITA) e 7- Pablo Armero (West Ham-ING);
Meais: 6- Carlos Sánchez (Elche-ESP), 13- Fredy Guarín (Internazionale-ITA), 8- Abel Aguilar (Toulouse-FRA), 5- Carlos Carbonero (River Plate-ARG), 20- Juan Fernando Quintero (Porto-POR), 10- James Rodríguez (Monaco-FRA), 11- Juan Cuadrado (Fiorentina-ITA) e 15- Alexander Mejía (Atlético Nacional-COL);

Atacantes: 17- Carlos Bacca (Sevilla-ESP), 19- Adrián Ramos (Hertha Berlin-ALE), 9- Teófilo Gutiérrez (River Plate-ARG), 21- Jackson Martínez (Porto-POR) e 14- Víctor Ibarbo (Cagliari-ITA).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Grécia: nunca se enfrentaram
Costa do Marfim: nunca se enfrentaram
Japão: nunca se enfrentaram

Calendário de amistosos durante a preparação

31/maio: Colômbia 2x2 Senegal
6/junho: Colômbia 3x0 Jordânia

Costa do Marfim
Drogba e Yaya Toure são as grandes referências costa marfinenses, mas hoje, o camisa 19 é o grande pilar de sustentação dos Elefantes (AFP)

Técnico: Sabri Lamouchi-FRA

Time-base (4-2-3-1): Barry; Aurier, Kolo Toure, Bamba, Boka; Tiote, Romaric; Kalou, Yaya Toure, Gervinho; Drogba.

Craque: Yaya Toure – Manchester City-ING

Lesionados: Arouna Koné (atacante, Everton-ING) – ruptura no ligamento do joelho esquerdo.

Participações no Mundial: 3 (fase de grupos em 2006 e 2010)

Ranking da Fifa: 23º

Campanha nas Eliminatórias (8J-5V-3E-0D-19GP 7GC-12SG)

Segunda fase:
Costa do Marfim 2x0 Tanzânia
Marrocos 2x2 Costa do Marfim
Costa do Marfim 3x0 Gâmbia
Gâmbia 0x3 Costa do Marfim
Tanzânia 2x4 Costa do Marfim
Costa do Marfim 1x0 Marrocos

Terceira fase:
Costa do Marfim 3x1 Senegal
Senegal 1x1 Costa do Marfim

A melhor geração da história do futebol costa marfinense não tem nenhum título, esta é a marca que Drogba e companhia ostentam. Os vice-campeonatos da Copa de Nações Africanas, em 2006 e 2012, foram aonde o talentoso plantel chegou mais perto de uma conquista. Porém, com este grupo, a Costa do Marfim chegou à primeira participação em copas e, desde 2006, participa de todos os mundiais, apesar de nunca passar às oitavas de final. Para a Copa no Brasil, a história não foi diferente: classificação invicta e sem dificuldades.

O técnico é o ex-meia da seleção francesa, Sabri Lamouchi, que assumiu o comando da após o vice-campeonato da CAN 2012, portanto, participou de toda a caminhada nas eliminatórias. Estudioso do futebol, no final do ano de estreia à frente dos Elefantes – e na função de técnico –, o francês visitou José Mourinho, no Real Madrid. A visita deve ter influenciado na mudança tática executada na seleção: saiu o 4-3-3 e veio o 4-2-3-1, formação adotada nos últimos trabalhos pelo português. O esquema potencializa as principais qualidades do elenco costa marfinense, a velocidade pelas pontas e a força pelo centro.

O destaque individual dos Elefantes tem potencial para ser um dos melhores da Copa, afinal, Yaya Toure já está entre os dez melhores do mundo, há, pelo menos, dois anos (2012 e 2013). O costa marfinense fechou a temporada como terceiro artilheiro da Premier League, com 20 gols e ainda cedeu nove assistências, liderando o campeão Manchester City nos dois quesitos. Na seleção, o volante joga como meia (o setor original dele é bem coberto por Tiote e Romaric) e amplifica suas qualidades: a força física, os arremates de fora da área, o ótimo passe, a visão de jogo apurada e a boa qualidade nas bolas paradas. Ao lado de Yaya, estão Kalou e Gervinho, jogadores que proporcionam grande velocidade pelas pontas – o lateral-direito Aurier também chega bem à frente. Por isso, o outrora craque absoluto do país, Drogba deverá ser bem municiado e continuará sendo um perigo aos goleiros adversários.

Se pensar em título, parece inatingível para a melhor geração da história da Costa do Marfim, passar de fase, pela primeira vez na história, é completamente possível. Nas últimas copas, os Elefantes foram sorteados para grupos muito complicados, mas, para 2014, a chave C é acessível. Por isso, se não ficar marcada por títulos, a geração de Drogba e Yaya Toure poderá entrar na história do país, sendo aquela que colocou Costa do Marfim nos mundiais e, ainda, não participou apenas e conseguiu ultrapassar a fase de grupos.

Goleiros: 1- Boubacar Barry (Lokeren-BLG), 23- Sayouba Mandé (Stabaek-NOR) e 16- Sylvain Gbohouo (Sewe Sport-CIV);
Defensores: 4- Kole Toure (Liverpool-ING), 17- Serge Aurier (Toulouse-FRA), 3- Arthur Boka (Stuttgart-ALE), 5- Didier Zokora (Trabzonspor-TUR), 22- Sol Bamba (Trabzonspor-TUR), 7- Jean-Daniel Akpa-Akpro (Toulouse-FRA), 18- Constant Djakpa (Eintracht Frankfurt-ALE) e 2- Ousmane Viera (Caykur Rizespor-TUR);
Meias: 19- Yaya Toure (Manchester City-ING), 9- Cheick Tioté (Newcastle-ING), Romaric (Bastia-FRA), 20- Serey Die (Basel-SUI), 15- Max Gradel (Saint-Étienne-FRA), 14- Ismael Diomande (Saint-Étienne-FRA) e 13- Didier Ya Konan (Hannover-ALE);

Atacantes: 11- Didier Drogba (Galatasaray-TUR), 6- Mathis Booly (Fortuna Düsseldorf-ALE), 12- Wilfried Bony (Swansea-WAL), 10- Gervinho (Roma-ITA), 8- Salomon Kalou (Lille-FRA) e 21- Giovanni Sio (Basel-SUI).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Colômbia: nunca se enfrentaram
Grécia: nunca se enfrentaram
Japão: nunca se enfrentaram

Calendário de amistosos durante a preparação

30/maio: Costa do Marfim 1x2 Bósnia
4/junho: Costa do Marfim 2x1 El Salvador

Grupo C - Japão
A conexão da dupla de criação, Honda e Kagawa será decisiva para o Japão na Copa de 2014 - (Vicenzo Pinto/AFP)

Técnico: Alberto Zaccheroni-ITA

Time-base (4-2-3-1): Kawashima; Uchida, Yoshida, Konno, Nagatomo; Endo, Hasebe; Kiyotake, Kagawa, Honda; Okazaki.

Craque: Shinji Kagawa – Manchester United-ING

Lesionados: Nenhum

Participações no Mundial: 5 (oitavas de final em 2002 e 2010)

Ranking da Fifa: 46º

Campanha nas Eliminatórias (14J-8V-3E-3D-30GP-7GC-23SG)

Terceira fase:
Japão 1x0 Coreia do Norte
Uzbequistão 1x1 Japão
Japão 8x0 Tajiquistão
Tajiquistão 0x4 Japão
Coreia do Norte 1x0 Japão
Japão 0x1 Uzbequistão

Quarta fase:
Japão 3x0 Omã
Japão 6x0 Jordânia
Austrália 1x1 Japão
Japão 1x0 Iraque
Omã 1x2 Japão
Jordânia 2x1 Japão
Japão 1x1 Austrália
Iraque 0x1 Japão

O Japão nunca teve tradição no futebol, porém, a partir de 1998, as coisas mudaram e, desde então, os Samurais Azuis vêm a todos os Mundiais. Por isso, a história mais recente dos japoneses, os coloca como os melhores asiáticos e, nas eliminatórias, provaram isso, sendo a seleção que se classificou com mais antecedência. Além disso, o Japão conquistou a última Copa Asiática, disputada em 2011.

Sob a batuta do italiano Alberto Zaccheroni (desde 2010), os nipônicos virão ao Brasil mais europeus do que nunca, são 12 jogadores atuando na Europa, entre os 23 convocados, e, a maior parte desta dúzia de atletas, será titular na Copa. Este número mostra a evolução do futebol do país. Conhecido pelo jogo mais defensivo, o técnico italiano não tem um time defensivo. Quase sempre jogando no 4-2-3-1 e com laterais que preferem atacar a defender, o esquema é bem armado e a linha defensiva não fica exposta, por isso, apesar da vocação ofensiva da escalação, o Japão conseguiu manter a melhor defesa (ao lado do Irã), entre os times que chegaram à fase final das eliminatórias asiáticas.

Mas, o que chamou a atenção mesmo foi o ataque. Os quatro jogadores ofensivos mais habituais atuam na Europa e já têm boa experiência no melhor futebol do mundo. O trio de meias formado por Kiyotake, Kagawa e Honda tem velocidade e bastante qualidade técnica e consegue confundir defesas, com diversas trocas de posição durante as partidas. E, claro, os velozes laterais Uchida e Nagatomo podem colaborar com o setor ofensivo, com boas chegadas ao fundo. Além deles, a dupla de volantes formada por Endo e Hasebe também consegue colaborar com a criação de jogadas.          À frente dos cinco meias, está Okazaki, que foi artilheiro das eliminatórias da Ásia, com oito gols. Portanto, depois de muito tempo, o Japão dá sinais que tem um centroavante confiável.

Com um time arrumado, bons jogadores atuando bem na Europa e na mão do técnico, o Japão entra com chances de chegar à segunda fase. Para isso, os jogadores mais badalados, Honda e Kagawa, mais uma vez, terão que combinar bem e não poderão falhar. Pois, o grupo C é um dos mais equilibrados do Mundial e qualquer deslize pode custar uma eliminação.

Goleiros: 1- Eiji Kawashima (Standard Liege-BEL), 12- Shusaku Nishikawa (Urawa Reds-JAP) e 23- Shuichi Gonda (Fc Tokyo-JAP);
Defensores: 2- Atsuto Uchida (Schalke 04-ALE), 5- Yuto Nagatomo (Internazionale-ITA), 21- Hiroki Sakai (Hannover-ALE), 3- Gotoku Sakai (Stuttgart-ALE), 19- Masahiko Inoha (Jubilo Iwata-JAP), 15- Yasuyuki Konno (Gamba Osaka-JAP), 6- Masato Morishige (FC Tokyo-JAP) e 22- Maya Yoshida (Southampton-ING);
Meias: 7- Yasuhito Endo (Gamba Osaka-JAP), 17- Makoto Hasebe (Nuremberg-ALE), 14- Toshihiro Aoyama (Sanfrecce Hiroshima-JAP), 16- Hotaru Yamaguchi (Cerezo Osaka-JAP), 4- Keisuke Honda (Milan-ITA), 10- Shinji Kagawa (Manchester United-ING), 8- Hiroshi Kiyotake (Nuremberg-ALE) e 20- Manabu Saito (Yokohama F Marinos-JAP);
Atacantes: 13- Yoshito Okubo (Kawasaki Frontale-JAP), 9- Shinji Okazaki (Mainz-ALE), 11- Yoichiro Kakitani (Cerezo Osaka-JAP) e 18- Yuya Osako (1860 Munich-ALE).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Colômbia: nunca se enfrentaram
Grécia: nunca se enfrentaram
Costa do Marfim: nunca se enfrentaram

Calendário de amistosos durante a preparação

27/maio: Japão 1x0 Chipre
2/junho: Japão 3x1 Costa Rica
6/junho: Japão 4x3 Zâmbia

Grécia
O iluminado Mitroglou é a principal esperança de gols e de classificação da Grécia na Copa de 2014 (Reuters)

Técnico: Fernando Santos-POR

Time-base (4-1-4-1): Karnezis; Torosidis, Sokratis, Moras, Holebas; Maniatis; Salpingidis, Karagounis, Tachtsidis, Samaras; Mitroglou.

Craque: Kostas Mitroglou – Fulham-ING

Lesionados: Kyriakos Papadopoulos (zagueiro, Schalke 04-ALE) – ruptura no ligamento do joelho e Avraan Papadopoulos (zagueiro, Olympiakos-GRE) – ruptura no ligamento do joelho.

Participações no Mundial: 3 (primeira fase em 1994 e 2010)

Ranking da Fifa: 12º

Campanha nas Eliminatórias (12J-9V-2E-1D-16GP-6GC-10SG)

Letônia 1x2 Grécia
Grécia 2x0 Lituânia
Grécia 0x0 Bósnia
Eslováquia 0x1 Grécia
Bósnia 3x1 Grécia
Lituânia 0x1 Grécia
Liechtenstein 0x1 Grécia
Grécia 1x0 Letônia
Grécia 1x0 Eslováquia
Grécia 2x0 Liechtenstein

Repescagem europeia:
Grécia 3x1 Romênia
Romênia 1x1 Grécia

A Grécia chega ao segundo Mundial consecutivo e ainda tem muito do apresentado em 2004, quando se sagrou campeã europeia, com Otto Rehhagel. O time segue focado na defesa e foi com o bom desempenho dos marcadores que os gregos conseguiram a classificação ao Brasil. Nas eliminatórias, a Grécia foi vazada seis vezes em 12 partidas, números bons. Quando comparado ao ataque, o rendimento da defesa merece ainda mais ser exaltado, pois o setor ofensivo anotou apenas 16 gols, sendo nove deles pela dupla Mitroglou e Salpingidis.

O treinador Fernando Santos está à frente da seleção desde 2010, mas já passou por AEK, Panathinaikos e PAOK e foi eleito o técnico da década da Superliga Grega (2000-10). O comandante tentou mudar um pouco estilo defensivo dos azuis e brancos, mas a equipe parece incapaz de ser mais ofensiva, até pela falta de jogadores mais criativos e habilidosos para mudar esta mentalidade. Por isso, o 4-3-3 do português é muito mais um 4-1-4-1, focado na marcação e nos contra-ataques, mesmo que o time não seja tão veloz.

A grande esperança dos gregos é o centroavante Mitroglou, que recentemente chegou ao Fulham, após ter marcado 14 vezes na Superliga Grega 2013-14 e três na Liga dos Campeões. Na Inglaterra, o atacante ainda não marcou, mas o que mostrou nas eliminatórias e no Olympiakos o credenciam a ser a principal estrela do país. Mitroglou incomodará as defesas adversárias, ao lado de Salpingidis. O meio campo segue tendo o capitão Karagounis, que é o líder da equipe, e atua ao lado de um jovem, como Tachtsidis, que tem talento e ainda pode evoluir. Há de se destacar que Samaras, se Fernando Santos não mudar de ideia e colocar Kone em campo, será titular, fazendo o trabalho habitual por uma das pontas: marcação, disposição para ajudar atrás e, de vez em quando, chegando ao ataque.

Alcançar a segunda fase e fazer a melhor campanha em copas do mundo do país parece improvável. Colômbia, Costa do Marfim e Japão têm times com mais talento e se colocam à frente dos gregos na briga pelas vagas as oitavas de final. Porém, a solidez defensiva azul e branca, em um grupo tão equilibrado, poderá garantir pontos, que serão capazes de fazer a Grécia ultrapassar a primeira fase, um feito inédito.  

Goleiros: 1- Orestis Karnezis (Granada-ESP), 12- Panaglotis Glykos (PAOK-GRE) e 13- Stefanos Kapino (Panathinaikos-GRE);
Defensores: 5- Vangelis Moras (Hellas Verona-ITA), 4- Kostas Manolas (Olympiakos-GRE), 2- Giannis Maniatis (Olympiakos-GRE), 20- Jose Holebas (Olympiakos-GRE), 19- Sokratis Papastathopoulos (Borussia Dortmund-ALE), 3- Giorgios Tzavellas (PAOK-GRE), 11- Loukas Vyntra (Levante-ESP) e 15- Vasilis Torosidis (Roma-ITA);
Meias: 6- Alexandros Tziolis (Kayserispor-TUR), 22- Andreas Samaris (Olympiakos-GRE), 21- Kostas Katsouranis (PAOK-GRE), 10- Giorgos Karagounis (Fulham-ING), 23- Panagiotis Tachtsidis (Torino-ITA), 18- Ioannis Fetfatzidis (Genoa-ITA), 16-Lazaros Christodoulopoulos (Bologna-ITA) e 8- Panagiotis Kone (Bologna-ITA);
Atacantes: 9- Kostas Mitroglou (Fulham-ING), 14- Dimitris Salpingidis (PAOK-GRE), 7- Giorgios Samaras (Celtic-ESC) e 17- Theofanis Gekas (Konyaspor-TUR).

Retrospecto contra rivais do grupo em Copas do Mundo
Colômbia: nunca se enfrentaram
Costa do Marfim: nunca se enfrentaram
Japão: nunca se enfrentaram

Calendário de amistosos durante a preparação

31/maio: Grécia 0x0 Portugal
3/junho: Grécia 0x0 Nigéria
6/junho: Grécia 2x1 Bolívia

Para completar a análise, um podcast com Tauan Ambrosio, repórter do Goal Br, que faz um ótimo trabalho com futebol internacional. Confiram o programa: