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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O nove espanhol

 Para Negredo, o caminho da Copa está passando pelos ótimos desempenhos em Manchester (Alex Livesey/Getty Images)

O último post do blog foi sobre camisas nove e este também será, falarei especificamente da lacuna na seleção espanhola. Na verdade, uma fraqueza que é recente, mas que não deverá durar até o Mundial. Pois, ao contrário dos últimos tempos, hoje, a roja tem opções para comandar o ataque na Copa de 2014 e Vicente del Bosque não terá tanta facilidade para escolher os homens de frente espanhóis, que virão ao Brasil neste ano.

Esqueça Villa e Fernando Torres, que formaram o ataque campeão da Euro 2008, quando, com Luis Aragonés (falecido nesta semana, uma dica: a homenagem do Xavi ao técnico, no El País, está sensacional), a Espanha apostava em um 4-4-2 – o primeiro foi o artilheiro e o segundo decisivo na final. A dupla também esteve no Mundial de 2010, mas, desta vez, só Villa foi titular o tempo todo (acabou artilheiro novamente), pois o camisa nove chegou com alguns problemas físicos, por conta de uma cirurgia no joelho às vésperas da Copa. Ainda por cima, Vicente del Bosque apostava em um 4-2-3-1. Porém, atualmente, ambos estão longe do nível que estiveram até 2010 e podem tranquilamente serem descartados.

A formação tática atual é o 4-3-3, portanto, o espaço para o centroavante segue ali, mas o nome está indefinido por enquanto. Além dos dois principais nomes do ataque no último Mundial, Soldado, Negredo e Llorente se revezaram como reservas na Copa de 2010, na Euro 2012 e na Copa das Confederações de 2013. Porém, os três jogadores, que mudaram de clube e de país na última janela de transferência, vivem momentos bem diferentes. O mais caro deles, Soldado não se firmou e perdeu espaço no Tottenham. Negredo, que também custo bastante para o City, está jogando muito bem na Inglaterra e, ao lado de Agüero, é titular do ataque dos citzens. Llorente não começou absoluto na Juventus, mas agora se firmou e cresceu de produção.
Diego Costa teve ótimo ano em 2013 e surge como forte candidato a uma das vagas no ataque da Espanha (AP Photo/Paul White)

Na seleção a história é semelhante, Soldado, que chegou a ser titular na Copa das Confederações, perdeu a posição durante a competição e ficou sem espaço na Espanha. Portanto, Llorente e, principalmente, Negredo se colocam como principais opções de centroavantes já conhecidos de Vicente del Bosque e estariam bem próximos da convocação à Copa. Mas, neste ano, uma alternativa surgiu com muita força, Diego Costa, que recentemente rechaçou o interesse de Felipão e optou por jogar pela roja. 

O jogador do Atlético de Madrid é a nova opção que não dá tranquilidade aos velhos conhecidos de Vicente del Bosque. O hispano-brasileiro é, dentre as opções espanholas, o que tem mais gols na temporada (veja a tabela no final do post) e tem sim boas chances de deixar Llorente ou Negredo de fora da Copa. Acredito que o técnico espanhol escolherá apenas dois centroavantes para o Mundial, pois recentemente, a roja alinhou várias vezes sem um nove clássico.

Além disso, a Espanha ganhou notoriedade no futebol mundial pelos meias que produz. Por isso, quanto mais meias puderem ser convocados, mais fácil será para Del Bosque fazer a difícil escolha. Deixando de lado os volantes, como Javi Martínez, Sergio Busquets e Xabi Alonso, ainda são muitas opções que estiveram nas grandes competições vencidas pela roja nos últimos anos: Xavi, Iniesta, David Silva, Santi Cazorla, Jesús Navas, Juan Mata e Pedro Rodríguez. Também não podemos esquecer de Koke e Thiago Alcántara, que estão muito bem em Atlético de Madrid e Bayern de Munique, respectivamente. E, se tiver mais espaço no Real, Isco poderá pleitear uma vaga. Portanto, mesmo que haja muitas vagas no meio-campo, Del Bosque não terá vida fácil.

Alternativa do falso nove

Mas está enganado quem pensa que ter só dois noves clássico na convocação limitará o técnico à dois nomes no centro do ataque. Fàbregas é o jogador para ser o falso nove da roja. Cesc já se posicionou no meio do ataque algumas vezes (na Euro 2012, por exemplo) e costuma fazer este papel no Barcelona, quando Messi não está em campo. Dos 22 jogos que entrou em campo nesta temporada, o camisa quatro blaugrana foi falso nove por dez vezes, marcando três gols e cedendo duas assistências. Apesar de não decepcionar no ataque, quando joga na dele (meia-central), Fàbregas rende mais. Por dar opções para Del Bosque, Cesc deve ser mais um dos meias da equipe e, ao mesmo tempo, o terceiro atacante do grupo.

Acredito que de início, a Espanha alinhará no 4-3-3, com um centroavante clássico no meio da defesa adversária, para dar opções diferentes ao “tiki-taka” espanhol, como jogadas de bolas aéreas. Mas, em algumas partidas do Mundial, o falso nove com Fàbregas será uma alternativa bem interessante.



Jogador
Gols
Assists
Jogos
Finalizações p/ jogo
Porcentagem de Passes completos
Álvaro Negredo (Manchester City)
14
4
28
2,5
75,6%
David Villa (Atlético de Madrid)
11
3
25
2,1
71,7%
Diego Costa (Atlético de Madrid)
24
4
25
3,5
75,5%
Francesc Fàbregas (Barcelona)
8
11
26
1,5
85,5%
Fernando Llorente (Juventus)
11
3
24
2,2
73%
Fernando Torres (Chelsea)
6
2
20
1,7
59,9%
Roberto Soldado (Tottenham)
8
4
22
2,4
74,7%
*números disponíveis no site WhoScored.com e que só englobam competições europeias (Liga dos Campeões e Liga Europa) e ligas nacionais.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Enfermedades Futboleras 8

Jogos entre milionários de Espanha e Inglaterra agitaram o final de semana do futebol europeu e você confere alguns destes destaques aqui.

El Clásico de Neymar

Neymar decide frente ao Real que ainda busca se encontrar na temporada  (Alberto Estévez/EFE)

Tata Martino e Carlo Ancelotti cumpriram com aquilo que era esperado deles e ambos escalaram as equipes no 4-3-3, sem centroavantes clássicos. Porém as escolhas do italiano se mostraram menos acertadas: Bale no centro do ataque e Sergio Ramos como 1° volante. No Barcelona, a grande novidade foi Fàbregas jogando pelo meio do setor ofensivo e, por isso, Messi descolocado à direita, como no começo da trajetória profissional.

As escolhas de Ancelotti resultaram em um primeiro tempo que o Real foi dominado pelo Barcelona, com muito de Neymar e pouco de Messi, que pareceu estar longe do 100%. O volume e o domínio do campo blaugrana resultaram em mais finalizações, ao todo, foram cinco arremates, duas delas na baliza. Em um dos chutes surgiu o gol. Iniesta controlava a bola com a perna direita, passou rápido para a canhota já enfiando para Neymar, o brasileiro dominou e bateu colocado para marcar, contado com desvio em Carvajal, que fez boa exibição. Na comemoração, o abraço de todos deu a noção do tanto que é querido o camisa 11. Os merengues produziram pouco: três arremates, dois completamente fora do gol e um defendido por Valdés e apenas 20 passes completados no último terço do campo.

Na segunda etapa já sem Sergio Ramos e Bale, com Illarramendi de 1° volante e Benzema como centroavante, o Real Madrid melhorou muito, marcando mais na frente. Por um período, os blancos chegaram a dominar a partida, e, o camisa nove francês, quase fez um golaço em chute de fora da área, a bola explodiu no travessão. Mas o Barcelona soube aproveitar este momento madridista e, em um contra-ataque, fechou o jogo. Neymar fez a enfiada para Alexis Sánchez, que ameaçou o drible para um lado para o outro, brecou na entrada da área e encobriu o adiantado Diego López. 

Os merengues reduziram o prejuízo no final da partida, com Jesé, em falha de Valdés. Mas o Barcelona mereceu a vitória, que o mantém na liderança da Liga e, agora, os catalães têm seis pontos de vantagem sobre os madridistas, que ocupam a terceira colocação. No final do campeonato, esta vantagem poderá ser a diferença entre o título e o vice-campeonato, apesar de que entre eles está o Atlético, que tem dois pontos de desvantagem para os blaugranas.

Neymar em números: 

Chutou três vezes e todas na baliza, em uma delas, marcou; tentou 33 passes e acertou 27, taxa de 79% de êxito; recebeu 41 passes; passou 11 vezes corretamente para companheiros no último terço do campo (ao todo, tentou 14 passe nesta fase do jogo) e cedeu a assistência para o gol que acabou sendo decisivo.

Herói improvável

 O lance decisivo que deixou o Chelsea a dois pontos do líder Arsenal (ChelseaFC.com)

Fernando Torres foi um dos melhores jogadores do mundo enquanto jogou no Atlético de Madrid e no Liverpool, inclusive ficando com o terceiro posto no prêmio de melhor do mundo em 2008. Habilidoso e com instinto goleador, o Chelsea desembolsou 40 M £ (58,5 M €) para ter o espanhol, mas, com os blues, o camisa nove não se deu bem. Porém, nesta temporada com Mourinho, Torres está se reencontrando e, hoje, mesmo com Demba Ba e Eto’o no elenco, o espanhol é a primeira escolha do técnico.

Frente ao Manchester City, o Chelsea jogou para vencer pela primeira vez contra um dos gigantes da Inglaterra nesta temporada. No começo da Premier League, contra o United, os blues foram a Old Trafford claramente para empatar. Desta vez, em Stamford Bridge, os londrinos queriam a vitória. Os dois times jogaram no 4-2-3-1 e, no City, uma novidade, Yaya Toure jogando novamente como meia-atacante central, à frente dos dois volantes, Javi García e Fernandinho. 

No 1°T, o domínio do Chelsea foi absoluto, com sete finalizações. O personagem foi Torres, que depois de perder chance importante, destruiu o lado esquerdo da defesa do City, invadiu a área e cruzou para Schürrle marcar. Além do centroavante, Ramires jogava muito bem, desarmava e levava o time para o ataque. No 2°T, a ordem do jogo mudou, o controle dos blues foi substituído por uma maior presença ofensiva dos citzens, que, logo no início, empataram com gol de Agüero e assistência de Nasri. 

A partir do empate, a partida ficou mais igual, mas o City conseguiu mais finalizações na segunda parte (nove, contra seis). Os times trocavam ataques, Cech fez algumas boas defesas, porém, nos últimos 15 minutos, nem os blues nem os citzens conseguiram finalizar. Ninguém conseguiria mudar o placar, mesmo constantemente chegando na frente da área do adversário. Mas o Chelsea tinha Torres e o camisa nove aproveitou erro absurdo de Natasic, que, de cabeça, recuou a bola para Hart, que também estava saindo do gol. O resultado: bola livre para o espanhol garantir os três pontos, com direito a Mourinho comemorando no meio da torcida. 

Dérbi do Ruhr

 Aos pés de Mkhitaryan: Błaszczykowski e Sahin recberam assistências do homem do jogo (Bvb-de)

A Veltins-Arena, em Gelsenkirchen, viu uma ótima partida do Borussia Dortmund, mas especialmente do camisa dez, Henrikh Mkhitaryan. O dérbi do Ruhr teve as características do futebol alemão atual: intensidade dos dois times, estádio cheio, vibração nas cadeiras e bom futebol. Ambas as equipes jogaram no 4-2-3-1 e o armênio fez a diferença jogando centralizado, com duas assistências. O trio de meias aurinegro funcionou muito bem: o meia-esquerda Reus flutuava mais em campo; o meia-direita Aubameyang marcava até a defesa, mas entrava na área para apoiar o centroavante Lewandowski; e Mkhitaryan jogava mais livre pelo centro, correndo muito (12,1 km), decidiu o jogo. 

No Schalke, valeu por mais uma boa atuação Draxler, meia-direita no 4-2-3-1 azul real. O Borussia não ficou mais com a bola, não finalizou mais vezes e não trocou mais passes no último terço do campo. Mas a marcação no campo de ataque, que resultou em seis recuperações de bola e cinco desarmes no setor ofensivo, fez diferença. Em uma destas roubadas, Mkhitaryan enfiou Reus, em um buraco no lado esquerdo da defesa do Schalke, o camisa 11 cruzou rasteiro e Aubameyang marcou. Hildebrand ainda fez algumas defesas, mas o goleiro que brilhou foi Weidenfeller, que pegou um pênalti (que não houve) mal batido por Boateng, que, apesar de ter chutado forte, cobrou no meio. 

No segundo tempo, o Borussia passou a apostar mais em contra-ataques. Um deles terminou com assistência de Mkhitaryan para belo chute de Sahin, da entrada da área. Em outra ocasião, o armênio conduziu a bola do campo defensivo até a área do Schalke e, de lá, passou para Blaszczykowski marcar. Entre os gols dos visitantes, os azuis reais marcaram com Meyer, que entrou bem na partida. A vitória aurinegra manteve o time a um ponto do líder Bayern de Munique, que também venceu na rodada, por outro lado, agora, o Schalke está em sétimo e fora da zona de classificação às competições europeias. No final, o craque do jogo falou, em tom de alívio: “foi uma semana dura, com três vitórias em jogos importantes”.   

O campeonato mais equilibrado da Europa

A imagem do equilibrio (Reprodução internet)

Pela primeira vez na história da Eredivisie, que é disputada desde 1956-57, após 11 rodadas, a diferença entre o líder do campeonato e o último colocado é de apenas 13 pontos. O mais absurdo é observar que do líder para o oitavo colocado são apenas dois pontos de vantagem. O nivelamento da Liga Holandesa ficou ainda mais claro neste final de semana, pois foi a primeira vez, desde fevereiro de 1964, que os três maiores clubes do país – Ajax, Feyenoord e PSV – não conseguiram vencer em duas rodadas consecutivas. (Estatísticas por Infostrada) 

O Ajax, que tinha o domínio da Liga e é o atual tricampeão do campeonato, perdeu dois jogadores fundamentais na reta final da janela de transferências e mudou o panorama no país. O capitão Alderweireld foi para o Atlético de Madrid e o meia Eriksen foi para o Tottenham. Sem a dupla, os Godenzonen caíram alguns patamares e ficaram mais próximos do nível dos adversários. Hoje o Ajax é vice-líder, com os mesmos 19 pontos do ponteiro Twente e segue como favorito, mas, com o equilíbrio da Eredivisie, qualquer deslize poderá afastar o time de Amsterdan da liderança e evitar mais um título.  

Quem segura o Porto?

Lucho e Josué, um fechou e o outro abriu o placar no dérbi (AP Photo)

Na Liga Portuguesa, antes desta rodada o Porto era líder invicto, porém, tinha no encalço, o Sporting, apenas dois pontos atrás. Por isso, o encontro deste domingo no Estádio do Dragão foi uma boa alternativa para conseguir uma maior margem na ponta. Com um 3 a 1, com bastante tranquilidade, os azuis e brancos agora têm cinco pontos de vantagem em relação aos Leões. 

No 3 a 1 frente ao Sporting, a tranquilidade azul e branca só foi quebrada no início do 2°T, quando os visitantes pressionaram mais os portistas, cresceram no jogo e empataram. Porém, após o empate, o lateral brasileiro Danilo fez belo gol: recebeu na área, girou, cortou Rojo para canhota e fuzilou. Lucho González ainda completou a vitória depois de jogada de ponta-esquerda do centroavante Jackson Martínez. No Porto, além dos laterais brasileiros, os três meias – Varela, Lucho e Josué – jogaram muito bem e correram muito.

O Porto perdeu para este ano James Rodríguez e João Moutinho, que, na última temporada, participaram de 44,8% dos gols do Dragão. Sem eles e com o novo técnico Paulo Fonseca, o time mudou do 4-3-3 para o 4-2-3-1 e, apesar da queda de qualidade no elenco, o time parece preparado para conquistar o tetracampeonato – feito que veio pela última vez entre 2005-06 e 2008-09.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Enfermerdades Futboleras 5

Spurs contra Blues 

 
 Apesar do "fim da amizade", Villas-Boas cumprimentou Mourinho antes e depois da partida (Getty Images)

Além da rivalidade natural entre os dois times de Londres e da proximidade de ambos na tabela, o jogo deste domingo na capital inglesa teve um outro ingrediente especial: André Villas-Boas iniciou a carreira como auxiliar de José Mourinho e, nesta semana, afirmou que não tinha mais amizade com o antigo mestre, o comandante dos blues preferiu não polemizar. 

Em campo, os portugueses armaram os times de forma semelhante, no 4-2-3-1. As grandes novidades ficaram por conta do Chelsea, que tinha Ramires jogando mais à frente, como meia-externo pela direita. Porém, a alternativa, que já funcionou bem em outras ocasiões, desta vez, não deu certo e, no 1°T, o Tottenham mandou na partida. Saiu na frente com Sigurdsson, com assistência de Soldado, e podia ter feito mais, Paulinho, muito bem no jogo, acertou a trave. 

Mourinho mexeu no intervalo, colocando Mata no lugar de Mikel e recuando Ramires para a volância ao lado de Lampard. Com isso, os blues tomaram conta da partida e ameaçaram bastante Lloris. O ótimo goleiro francês só foi vencido por Terry de cabeça, após lançamento de Mata, em cobrança de falta. O espanhol que vem sendo deixado no banco, mostrou valor, participou muito do jogo e, segundo o técnico, será titular no meio de semana pela Liga dos Campeões, contra o Steaua Bucaresti. Portanto, o Chelsea deverá alinhar com a linha de três meias que julgo ideal: Hazard, Mata e Oscar.

Outro espanhol, que está em baixa, Fernando Torres fez bom segundo tempo. Em todo o jogo, se mexeu muito, buscou a bola e, por isso, recebeu 36 passes e acertou 17 das 22 bolas que tentou passar para os companheiros. Faltou chutar mais, pois finalizou apenas uma vez na partida. De qualquer forma, a boa exibição deve coloca-lo à frente de Eto’o e Demba Ba na briga pela titularidade no ataque do Chelsea. 

Roma segue 100%

Garcia e Gervinho comemoram o título da Ligue 1 2010-11, na Roma, retomam a boa parceria (AFP/Philippe Huguen)

Seis jogos e seis vitórias, com 17 gols marcados e apenas um sofrido, esta é a Roma na Serie A 2013-14. Neste final de semana, a equipe capitolina goleou, por 5 a 0, o Bologna, que tem o selecionável italiano, Diamanti. Um dos principais responsáveis pela boa campanha é o técnico Rudi Garcia, que foi contratado para esta temporada. Com ele, a Roma atua de forma semelhante ao Lille campeão da Ligue 1, em 2010-11, também sob o comando do treinador francês.

O esquema é o mesmo 4-3-3, mas que, muitas vezes, se torna um 4-1-4-1, com o avanço de Strootman e Pjanic, deixando De Rossi como único volante. A grande diferença é que, na França, Garcia contava com um centroavante clássico no centro do ataque (Sow), nos giallorossi, é Totti o dono desta função, alternativa que tem funcionado bem. No 5 a 0 deste domingo, “Il Capitano” não marcou, mas cedeu duas assistências.

Quem ganha jogando como Rudi Garcia é Gervinho, recém-contratado junto ao Arsenal, onde foi muito mal. O costa-marfinense conhece o treinador desde os tempos de Le Mans (2007-08), depois, atuou – com muito destaque – sob o comando do francês no Lille e, agora, voltam a estar juntos na Roma. Nos últimos dois jogos, o camisa 27 dos giallorossi marcou três gols e, ao final da partida, o treinador falou: “Gervinho é um jogador que precisava receber confiança”. A julgar pela declaração, o costa-marfinense deverá estar entre os 11 titulares do time que promete brigar pelas primeiras posições nesta Serie A.

El derbi madrileño

Os protagonistas do gol da vitória frente ao Real, Diego Costa e Koke, também são destaques na temporada colchonera (AFP)
 
A Roma não é a única equipe 100% neste início de temporada na Europa. Na Espanha, estão outros dois times que seguem vencendo todos os jogos no começo de La Liga. Um deles é o Barcelona, mas a largada do Atlético de Madrid no Campeonato é o que se destaca mais. Os colchoneros venceram sete partidas na liga e, neste final de semana, conquistaram os três pontos contra o rival Real Madrid, no Santiago Bernabéu. 

O jogo não foi dos melhores do final de semana, porém, o vencedor Atléti não tem nada a ver com isso. Ancelotti e Simeone montaram os times no 4-4-2, mas, a diferença é que os colchoneros já estão acostumados ao estilo do técnico e mudaram poucas peças do elenco. Por outro lado, o Real começou a jogar desta forma neste ano e um personagem central do time, Özil, foi embora e outro, Xabi Alonso, está machucado. Sem eles, o treinador italiano sofre para escalar e ainda conta com a dificuldade de ter a “obrigação” (pelos valores desembolsados nas compras) de colocar Bale e Isco em campo. 

Neste contexto, o Atlético foi melhor no estádio rival, longe de ser um massacre, nem exercer um amplo domínio, mas foi superior. No início, um momento de pressão na saída de bola do Real deu grande chance aos visitantes. Filipe Luís roubou a redonda de Di María, no campo de ataque, e passou para Koke, que fez assistência genial para Diego Costa. O centroavante colchonero não perdoou frente a frente com Diego López e marcou o oitavo dele em La Liga, o que o coloca ao lado de Messi na artilharia do campeonato. 

O Real Madrid após o gol até tentou algumas vezes, assumiu o controle da posse de bola, mas criavam poucas chances claras. As melhores oportunidades vieram em bolas alçadas na área por Di María. No segundo tempo, mais uma vez, as grandes chances foram do Atléti. Uma delas, um lance em que novamente Diego Costa ficou frente a frente com Diego López, mas, desta vez, melhor para o goleiro merengue. Em outro lance, Koke, meia-esquerda no esquema de Simeone e que está muito bem, acertou a trave. Bem no final da partida, o Real quase empatou em ótimo voleio de Morata, defendido com muito reflexo por Courtois. 

A segurança do Atlético na vitória contra o rival mostra que a temporada deve ser interessante e gol de Diego Costa deve aumentar o interesse de Del Bosque de tê-lo na seleção. Enquanto os colchoneros vão bem, o Real já mira o retorno de Xabi Alonso, porém, até lá (não tem data marcada para voltar), os merengues têm obrigação de se acertarem. Minha sugestão é abrir mão do 4-4-2 e voltar ao 4-2-3-1, com Khedira e Modric de volantes; Di María meia-direita, Isco meia-atacante e Bale meia-esquerda, com Ronaldo de centroavante, pois Benzema faz temporada mediana e, nos últimos jogos, vem perdendo gols incríveis.  

Craque inesperado na Bundesliga

 Kruse é o destaque, mas Raffael também largou bem a temporada no Mönchengladbach (Imago)

Nem Ribéry, nem Reus, muito menos Götze ou Schweinsteiger, até aqui, o destaque da Bundesliga é Max Kruse, do Borussia Mönchengladbach. O jogador de 25 anos tem, em sete jogos, quatro gols e cinco assistências. No 4-4-2, armado por Max Eberl, atua como atacante ao lado de Raffael – também bem neste começo de Liga, com três gols e uma assistência. Mas apesar do bom início do camisa dez, os potros não vão tão bem e estão na sétima colocação do campeonato.

A liderança é dividida por Borussia Dortmund e Bayern de Munique, com 19 pontos e, portanto, em sete jogos, seis vitórias e apenas um empate. O que coloca os aurinegros na ponta é o incrível ataque, que já anotou 21 gols. Segundo o site Who Scored, os comandados de Klopp são os que mais chutam na Europa, uma média de 23,3 finalizações por partida. Muitos dos gols e dos arremates tem um grande responsável: Lewandowski, que balançou as redes seis vezes e assistiu os companheiros em quatro oportunidade.

A liderença é do Zenit 

Na Premier League Russa os olhos estavam voltados ao Estádio Petrovsky, em São Petersburgo, onde se enfrentaram os dois líderes da competição, Zenit e Spartak Moscou, que estavam empatados na ponta, com 23 pontos. Além da igualdade na disputa, os dois times tinham a semelhança da utilização do 4-2-3-1, mas os donos da casa executavam melhor o esquema, com bastante movimentação dos meias-atcantes – principalmente, Hulk – e pressão na saída de bola moscovita. 

O grande destaque na partida foi mesmo o brasileiro Hulk, que participou muito bem, se movimentando e buscando sempre ter a bola no pé. O camisa sete do Zenit foi o jogador que mais tentou no 1 a 1 do primeiro tempo, sendo premiado com a assistência para o gol de Kerzhakov. Jurado (4 gols e 1 assistência na Liga), um dos destaques moscovitas na temporada, não foi bem e, no ataque, o artilheiro do time na Premier League Russa, com quatro gols, Movsisvan participava pouco do jogo. 

Depois do intervalo, o protagonista não mudou. Aos 68, Hulk marcou um golaço em chute de direita da entrada da área, após jogada individual. O Spartak logo empatou com o quinto de Movsisvan no campeonato. Porém a vitória ficaria mesmo com os Zenitchiki, pois Danny resolveu aparecer na partida e assistiu Shatov e, depois, recebeu o passe de Hulk e colocou números finais na partida: 4 a 2. Mais uma vez, chama a atenção a inoperância ofensiva de Arshavin pelo Zenit.

domingo, 1 de julho de 2012

Afinal, a melhor Roja



Espanha bicampeã da Eurocopa 2012, com 19 remanescentes do título mundial de 2010 (Getty Images)

A final reuniu a Espanha, favorita desde o início, e a Itália, uma das maiores surpresas do torneio. Deu a furia, que honrou o apelido e atropelou a Squadra Azzurra na final, com um 4 a 0 convincente. Foi a melhor roja de todo o torneio, “gastando” a bola, mas tendo profundidade e verticalidade, mesmo adotando – mais uma vez – a alternativa do “falso nove” Fàbregas.

A Itália não repetiu a estratégia do jogo de estreia na competição, contra a mesma Espanha e, desta vez, veio no 4-3-1-2 – formação que mais utilizou na competição. Porém, desde o início, a roja, que muitas vezes tinha sido pragmática e até chata no torneio, mostrou que na decisão seria diferente. Os espanhóis guardaram o melhor para a final. Foram 15 minutos empurrando a Itália para o próprio campo. A pressão deu resultado e, em uma enfiada genial de Iniesta, Fàbregas recebeu nas costas de Chiellini e curzou para trás, onde Silva apareceu para marcar.

Depois do gol, a Nazionale cresceu e passou a dominar as ações, com Cassano bem. Porém, a Itália não chegou a assustar o goleiro Casillas, completamente seguro nas bolas, que foram no gol que defendia. O nome da semifinal, Mario Balotelli estava apagado e o craque italiano na competição, Andrea Pirlo também não vivia grande jornada. Com isso, no final do primeiro, a Espanha deu mais um golpe na Squadra Azzurra: Jordi Alba começou a jogada atrás do meio-campo, tocou para Xavi e disparou para a área. O resultado foi um passe perfeito de xavinho nas costas de Barzagli e o 2 a 0 no placar.

Com a situação bastante adversa, os italianos voltaram de forma diferente: postura mais ofensiva e com Di Natale na vaga do esgotado Cassano, que fez bela Euro 2012. O atacante da Udinese teve duas boas chances para marcar, mas não conseguiu. Ou seja, a situação seguia a mesma. Quando tinha a bola, a Espanha criava também e chegou a assustar Buffon. Fàbregas, Silva, Xabi Alonso, Busquets e, principalmente, a dupla Xavi e Iniesta davam o tom no meio-campo. Prandelli tentou a sua última cartada cedo e sacou o apagado Montolivo e colocou Thiago Motta, tinha Giovinco e Diamanti no banco se quisesse arriscar mais.

O treinador italiano que faz ótimo trabalho frente à Nazionale desde o meio de 2010 teve azar. O seu escolhido se contundiu três minutos depois de entrar em campo e a Itália ficou com dez em campo, decretando o final da partida. A Espanha teve ainda mais espaço e, com isso, além do toque de bola insistente, os contra-ataques passaram a ser cada vez mais comuns e eficientes. Torres entrou e logo marcou, após mais uma bela assistência de Xavi, que até esta partida, fazia uma Eurcopa bastante discreta e executou um recital na final.

Mata e Fernando Torres, campeões europeus pelo Chelsea e pela Espanha (Getty Images)

Com o 3 a 0 e o terceiro gol de Torres na Euro 2012, mesmo sem jogar todas as partidas, ele se tornava um dos artilheiros do torneio. Mas faltava um outro gol ou uma assistência (critério de desempate) para ser o dono da chuteira de ouro da competição e o passe decisivo veio para um companheiro também campeão europeu pelo Chelsea. Mata, que havia acabado de entrar, recebeu de “El Niño” e, em seu primeiro toque na bola na Eurocopa, empurrou para as redes: 4 a 0, em Kiev.

A goleada sobre a boa Itália na decisão mostra, que mesmo sem querer, a Espanha executou sua melhor partida na final. Veio sem Puyol e se virou, sofrendo apenas um gol na campanha campeã; não teve o maior artilheiro da sua história, Villa e também conseguiu produzir ofensivamente; não viu Xavi fazer grande campeonato, mas a ausência do grande futebol do número oito da roja, não fez falta e, com isso, a Espanha mostra a força de um grupo e, principalmente, do futebol no país. Pela primeira vez na história, uma seleção consegue ganhar a copa continental duas vezes seguidas, tendo vencido a Copa do Mundo entre os títulos. Os espanhóis hoje têm o melhor futebol do mundo e, além disso, têm uma base muito forte, por conta disso, no futuro, devemos ver a furia brilhando ainda mais.

A derrota italiana não pode fazer com que o bom trabalho de Prandelli seja esquecido. A Itália volta ao protagonismo com ele. O caminho até 2014 será duro, mas a Squadra Azzurra deve chegar forte ao Brasil e terá um grande personagem, Mario Balotelli, um dos que mais sentiu o golpe da derrota.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Guia da Eurocopa: Grupo C – Espanha

Com 19 campeões do mundo a Espanha chega à Euro 2012 como favorita, mas a ausência do artilheiro Villa irá pesar? (Ag. Reuters)

Técnico: Vicente Del Bosque (ESP)
Time-base: Casillas; Juanfran (Arbeloa), Pique, Sergio Ramos, Jordi Alba; Sergio Busquets, Xabi Alonso; David Silva, Xavi Hernández, Andrés Iniesta; Fernando Torres (Llorente).
Craque: Andrés Iniesta (Barcelona-ESP) – meia, 64 jogos pela seleção e 11 gols marcados.
Campanha nas Eliminatórias: 24 pts, 8 jogos, 8 vitórias, 0 empates, 0 derrotas, 26 gols marcados, 6 gols sofridos, 20 gols de saldo – primeiro lugar do grupo I

A Espanha é mais uma favorita ao título da Eurocopa. Campeã europeia em 2008 e da Copa do Mundo em 2010, la roja não modificou seu elenco para esta competição. São 19 remanescentes do primeiro título mundial espanhol. No comando, Vicente Del Bosque também segue, mas o time ganhou em opções táticas. Enquanto na África do Sul, o 4-2-3-1 tinha como principal variação o 4-1-4-1. Hoje, o sistema da moda já foi deixado de lado para a entrada do tradicional 4-3-3, no qual, com a ausência de David Villa, Silva chegou a ser escalado como “falso nove”.

As principais mundanças na furia forama na retaguarda. Sergio Ramos, que era o dono da lateral-direita, assumiu o centro da zaga ao lado de Pique, já que Puyol está machucado. Por conta desta mudança também, as laterais serão diferentes e de jogadores e devem ser ocupadas por jogadores que cresceram de produção nos útlimos tempos: Juanfran, do Atlético de Madrid e Jordi Alba, do Valencia, que até recentemente era meia-externo.

O principal prolbema deveria ser o ataque: com a lesão de Villa e a fraca temporada de Fernando Torres, o grandalhão Llorente deve ser o dono da posição, mas o basco vem de ótimas temporadas no Athletic Bilbao e é garantia de gols, principalmente pelo alto. No meio-campo, além da ótima dupla de volantes composta por Busquets e Xabi Alonso e dos meias barcelonistas Iniesta e Xavi, estará David Silva. O ex-jogador do Valencia, que era reserva na Copa do Mundo de 2010, será titular nesta Euro e vem embalado pelo título da English Premier League, com o Manchester City, onde ele foi um dos melhores da campanha e terminou o campeonato como líder de assistências.

A campanha impressionante nas Eliminatórias e o histórico recente apontam para mais uma vez uma Espanha forte em busca do título. A ausência de Villa não deve afetar e os novos laterais também não devem ter um desempenho que prejudique a campanha roja.

Convocados –
Goleiros:
1- Iker Casillas (Real Madrid-ESP)
12- Víctor Valdés (Barcelona-ESP)
23- Pepe Reina (Liverpool-ING)
Defensores:
2- Raúl Albiol
3-Gerard Pique (Barcelona-ESP)
4- Javi Martínez (Athletic Bilbao-ESP)
5- Juanfran (Atlético de Madrid-ESP)
15- Sergio Ramos (Real Madrid-ESP)
17- Álvaro Arbeloa (Real Madrid-ESP)
18- Jordi Alba (Valencia-ESP)
Meias
6- Andrés Iniesta (Barcelona-ESP)
8- Xavi Hernández (Barcelona-ESP)
10- Cesc Fàbregas (Barcelona-ESP)
13- Juan Mata (Chelsea-ING)
14- Xabi Alonso (Real Madrid-ESP)
16- Sergio Busquets (Barcelona-ESP)
20- Santi Cazorla (Málaga-ESP)
21- David Silva (Manchester City-ING)
22- Jesús Navas (Sevilla-ESP)
Atacantes:
7- Pedro Rodríguez (Barcelona-ESP)
9- Fernando Torres (Chelsea-ING)
11- Álvaro Negredo (Sevilla-ESP)
19- Fernando Llorente (Athletic Bilbao-ESP)