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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Enfermedades Futboleras 12

Sem forçar

 Robben aproveitou a fragilidade do Braunschweig para marcar duas vezes garantir mais uma vitória dos bávaros (FcBayern.com)

O Bayern é líder absoluto da Bundesliga 2013-14, com quatro pontos de vantagem sobre o Leverkusen e sem perder após 14 rodadas. Apesar dos desfalques – atualmente, tem jogado sem Ribéry, Lahm e Schweinsteiger –, os bávaros seguem mostrando tranquilidade absoluta nas partidas e dão a impressão de que vencerão assim que quiserem. Neste final de semana, o adversário foi o último colocado da competição, Eintracht Braunschweig, que não teve chances. Guardiola manteve o time titular armado no 4-1-4-1: sem Lahm, Thiago foi o facilitador da saída de bola; Thomas Müller assumiu a função de Ribéry pela ponta-esquerda e abriu o espaço para Javi Martínez ser um dos meias-centrais. Com a evolução de Götze, o técnico catalão pode utilizar a opção do falso nove mais constantemente. A alternativa deixa a movimentação da equipe mais livre, pois os homens ofensivos não guardam posição. 

O 2 a 0 com dois gols de Robben não refletiu o que foi o jogo, mas, outros números dão a clara visão do que foi a partida: um massacre de um time que poderia ter desejado mais gols. A marcação alta bávara é refletida nos onze desarmes no campo ofensivo e o controle do jogo é visto nos 77% de posse bola somado aos 800 passes trocados com índice de 90% de acerto, sendo que 223 deles foram no último terço do campo. A ampla imposição do Bayern resultou que o Braunschweig ficou a maior parte do tempo armado com uma linha de quatro defensores, outra composta por cinco meais e apenas Kumbela mais à frente, mas até o centroavante atuou na marcação atrás da linha média. Porém, a retranca não funcionou, pois a impressão foi de que os bávaros não golearam porque não quiseram. Com esta tranquilidade, o Bayern parece não ter adversário capaz de impedir o bicampeonato.

Igualdade em White Hart Lane

Após o 6 a 0 sofrido para o City, o técnico André Villas-Boas chegou a ter a demissão especulada. Mas o Tottenham conseguiu vencer na Liga Europa e, neste final de semana, ao menos empatou com o Manchester United. Ameaçado, AVB fez mudanças na escalação, acostumado a jogar no 4-1-4-1, tem jogado mais no 4-2-3-1 e, contra os red devils, posicionou Paulinho como meia-atacante. Mais à frente, o brasileiro até começou bem, porém teve atuação apenas regular. O centroavante Soldado, mais uma vez, não justificou os 30 M € investidos nele: tocou 12 vezes na bola e só fez uma finalização, que foi para fora. O United manteve o 4-4-1-1, com Welbeck na ponta-esquerda e Kagawa atrás do centroavante Rooney, mas, durante a partida, os três trocaram bastante de posição. 

Nenhum dos times fez exibição espetacular e, ao todo, acertaram apenas sete vezes a baliza adversária. Com isso, os gols não vieram de jogadas bem construídas. O Tottenham abriu o placar com Walker de falta, Rooney aproveitou falha da defesa para marcar, Sandro colocou os londrinos na frente em bela jogada individual e, logo depois, o camisa dez igualou novamente em cobrança de pênalti, que não deveria ter sido marcado. Pelo o que foi a partida, com dificuldade para criação dos dois lados, ninguém pode reclamar do placar final, porém, é justo que os spurs saiam mais decepcionados por terem sofrido um gol proveniente de uma penalidade inexistente.

No ritmo de Bale

 Bale começa a viver um caso de amor pelo Real Madrid (Ag. Reuters)

Quando o Real Madrid contratou Bale e abriu mão de Özil ficou a dúvida de como Ancelotti escalaria a equipe. O técnico italiano testou várias formações e os blancos sempre alternaram boas e más atuações. Porém, nos últimos jogos, os merengues encontraram a forma de jogar: o 4-3-3, com Bale na ponta-direita e Cristiano Ronaldo na ponta-esquerda. Desta forma o time reage em La Liga e sobra na Liga dos Campeões, mas e o galês como está no Real? A resposta vem sendo dada a cada semana, pois o camisa onze se mostra cada vez mais à vontade. Neste final de semana, contra o Valladolid, mais um massacre madridista, mesmo sem o lesionado Cristiano Ronaldo. No 4 a 0, Bale anotou um triplete e fez a assistência para o gol de Benzema. A crescente participação do galês (sete gols e seis assistências nos últimos sete jogos) na equipe e a estabilização do esquema tático, mantêm o Real Madrid na terceira colocação da Liga, apesar do importante desfalque do camisa sete português.

Domínio total

Feyenoord e PSV fizeram o clássico da 15ª rodada da disputada Eredivisie. Mas, ao contrário do que tem sido a competição, o De Kuip lotado assistiu ao domínio completo dos donos da casa e viu as duas equipes armadas à holandesa: no 4-3-3. Os vermelhos e brancos abriram o placar em uma das raras boas jogadas que a equipe executou na primeira etapa, mas o time de Rotterdam conseguiu o empate em momento fundamental, o final dos primeiros 45 minutos. Porém, foi no segundo tempo que o Feyenoord conseguiu traduzir o controle do jogo para o placar. Para isso, De club aan de Maas contou com o ótimo trabalho do centroavante Pellè. O italiano incomodou a defesa adversária o tempo todo, fez bom trabalho de pivô e decidiu o jogo com gols. Primeiro converteu um pênalti que ele mesmo sofreu, depois desperdiçou uma penalidade, mas se redimiu ao completar para as redes jogada vinda da esquerda. O camisa nove hoje é o vice-artilheiro da Eredivisie 2013-14, com 12 gols.

A liderança segue com o Vitesse (1°, 30), que é seguido de perto por Ajax (2°, 28) e Twente (3°, 27). O Feyenoord (4°, 24) está no grupo das equipes que estão a seis pontos do líder, ao lado de Groningen (5°, 24) e AZ Alkmaar (6°, 24). Para terminar gostaria de destacar a diferença entre dois jogadores dos líderes. Emprestado pelo Chelsea ao Vitesse, Lucas Piazon é um dos destaques da equipe, com sete gols e quatro assistências, liderando os vitas nos dois quesitos. Já Bojan, emprestado ao Ajax pelo Barcelona, não está bem e, só neste fim de semana, fez o primeiro gol pelos godenzonen. Além disso, o espanhol não se destaca nos passes decisivos.

No fim, foi tranquilo

 A alegria de Ibrahimovic: hoje, ele está entre os cinco melhores jogadores do mundo (PSG.fr)

No estádio Parque dos Príncipes, o técnico Rémi Garde armou o Lyon de forma defensiva, no 3-1-4-2, sendo que o parceiro de Lacazette no ataque foi Gourcuff, que nem atacante é e, por isso, não guardou a posição, circulando bastante. O time da casa manteve o 4-3-3, veio com Ibrahimovic, Cavani e Lucas no ataque e ainda teve Pastore no meio-campo, portanto, uma formação bastante ofensiva. A estratégia inicial dos gones deu resultado, pois, conseguiram impedir um domínio total parisiense. Com poucas chances de gol, foi justamente depois da melhor oportunidade do Lyon – um chute na trave de Lacazette – que o PSG abriu o placar. Cavani fez após escanteio cobrado por Lucas e, minutos depois, Ibra cobrou pênalti com cavadinha para decretar o 2 a 0 antes do intervalo, um prejuízo muito grande pelo jogo que os gones tinham realizado até ali.

Depois do intervalo e, com a frustração de ter sofrido dois gols, o Lyon não conseguiu repetir o que havia feito na primeira etapa. Por isso, o PSG não teve dificuldades para controlar o jogo. Sem forçar muito, os parisienses conseguiram o terceiro com Thiago Silva. Ibrahimovic fechou o placar com o segundo gol de pênalti e se isolou na artilharia do torneio, com onze – seguido pelo companheiro Cavani, que tem dez. Após onze vitórias e nenhuma derrota nas 15 rodadas já disputadas, o PSG tem cinco pontos de vantagem sobre o vice-líder Lille. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Enfermedades Futboleras 8

Jogos entre milionários de Espanha e Inglaterra agitaram o final de semana do futebol europeu e você confere alguns destes destaques aqui.

El Clásico de Neymar

Neymar decide frente ao Real que ainda busca se encontrar na temporada  (Alberto Estévez/EFE)

Tata Martino e Carlo Ancelotti cumpriram com aquilo que era esperado deles e ambos escalaram as equipes no 4-3-3, sem centroavantes clássicos. Porém as escolhas do italiano se mostraram menos acertadas: Bale no centro do ataque e Sergio Ramos como 1° volante. No Barcelona, a grande novidade foi Fàbregas jogando pelo meio do setor ofensivo e, por isso, Messi descolocado à direita, como no começo da trajetória profissional.

As escolhas de Ancelotti resultaram em um primeiro tempo que o Real foi dominado pelo Barcelona, com muito de Neymar e pouco de Messi, que pareceu estar longe do 100%. O volume e o domínio do campo blaugrana resultaram em mais finalizações, ao todo, foram cinco arremates, duas delas na baliza. Em um dos chutes surgiu o gol. Iniesta controlava a bola com a perna direita, passou rápido para a canhota já enfiando para Neymar, o brasileiro dominou e bateu colocado para marcar, contado com desvio em Carvajal, que fez boa exibição. Na comemoração, o abraço de todos deu a noção do tanto que é querido o camisa 11. Os merengues produziram pouco: três arremates, dois completamente fora do gol e um defendido por Valdés e apenas 20 passes completados no último terço do campo.

Na segunda etapa já sem Sergio Ramos e Bale, com Illarramendi de 1° volante e Benzema como centroavante, o Real Madrid melhorou muito, marcando mais na frente. Por um período, os blancos chegaram a dominar a partida, e, o camisa nove francês, quase fez um golaço em chute de fora da área, a bola explodiu no travessão. Mas o Barcelona soube aproveitar este momento madridista e, em um contra-ataque, fechou o jogo. Neymar fez a enfiada para Alexis Sánchez, que ameaçou o drible para um lado para o outro, brecou na entrada da área e encobriu o adiantado Diego López. 

Os merengues reduziram o prejuízo no final da partida, com Jesé, em falha de Valdés. Mas o Barcelona mereceu a vitória, que o mantém na liderança da Liga e, agora, os catalães têm seis pontos de vantagem sobre os madridistas, que ocupam a terceira colocação. No final do campeonato, esta vantagem poderá ser a diferença entre o título e o vice-campeonato, apesar de que entre eles está o Atlético, que tem dois pontos de desvantagem para os blaugranas.

Neymar em números: 

Chutou três vezes e todas na baliza, em uma delas, marcou; tentou 33 passes e acertou 27, taxa de 79% de êxito; recebeu 41 passes; passou 11 vezes corretamente para companheiros no último terço do campo (ao todo, tentou 14 passe nesta fase do jogo) e cedeu a assistência para o gol que acabou sendo decisivo.

Herói improvável

 O lance decisivo que deixou o Chelsea a dois pontos do líder Arsenal (ChelseaFC.com)

Fernando Torres foi um dos melhores jogadores do mundo enquanto jogou no Atlético de Madrid e no Liverpool, inclusive ficando com o terceiro posto no prêmio de melhor do mundo em 2008. Habilidoso e com instinto goleador, o Chelsea desembolsou 40 M £ (58,5 M €) para ter o espanhol, mas, com os blues, o camisa nove não se deu bem. Porém, nesta temporada com Mourinho, Torres está se reencontrando e, hoje, mesmo com Demba Ba e Eto’o no elenco, o espanhol é a primeira escolha do técnico.

Frente ao Manchester City, o Chelsea jogou para vencer pela primeira vez contra um dos gigantes da Inglaterra nesta temporada. No começo da Premier League, contra o United, os blues foram a Old Trafford claramente para empatar. Desta vez, em Stamford Bridge, os londrinos queriam a vitória. Os dois times jogaram no 4-2-3-1 e, no City, uma novidade, Yaya Toure jogando novamente como meia-atacante central, à frente dos dois volantes, Javi García e Fernandinho. 

No 1°T, o domínio do Chelsea foi absoluto, com sete finalizações. O personagem foi Torres, que depois de perder chance importante, destruiu o lado esquerdo da defesa do City, invadiu a área e cruzou para Schürrle marcar. Além do centroavante, Ramires jogava muito bem, desarmava e levava o time para o ataque. No 2°T, a ordem do jogo mudou, o controle dos blues foi substituído por uma maior presença ofensiva dos citzens, que, logo no início, empataram com gol de Agüero e assistência de Nasri. 

A partir do empate, a partida ficou mais igual, mas o City conseguiu mais finalizações na segunda parte (nove, contra seis). Os times trocavam ataques, Cech fez algumas boas defesas, porém, nos últimos 15 minutos, nem os blues nem os citzens conseguiram finalizar. Ninguém conseguiria mudar o placar, mesmo constantemente chegando na frente da área do adversário. Mas o Chelsea tinha Torres e o camisa nove aproveitou erro absurdo de Natasic, que, de cabeça, recuou a bola para Hart, que também estava saindo do gol. O resultado: bola livre para o espanhol garantir os três pontos, com direito a Mourinho comemorando no meio da torcida. 

Dérbi do Ruhr

 Aos pés de Mkhitaryan: Błaszczykowski e Sahin recberam assistências do homem do jogo (Bvb-de)

A Veltins-Arena, em Gelsenkirchen, viu uma ótima partida do Borussia Dortmund, mas especialmente do camisa dez, Henrikh Mkhitaryan. O dérbi do Ruhr teve as características do futebol alemão atual: intensidade dos dois times, estádio cheio, vibração nas cadeiras e bom futebol. Ambas as equipes jogaram no 4-2-3-1 e o armênio fez a diferença jogando centralizado, com duas assistências. O trio de meias aurinegro funcionou muito bem: o meia-esquerda Reus flutuava mais em campo; o meia-direita Aubameyang marcava até a defesa, mas entrava na área para apoiar o centroavante Lewandowski; e Mkhitaryan jogava mais livre pelo centro, correndo muito (12,1 km), decidiu o jogo. 

No Schalke, valeu por mais uma boa atuação Draxler, meia-direita no 4-2-3-1 azul real. O Borussia não ficou mais com a bola, não finalizou mais vezes e não trocou mais passes no último terço do campo. Mas a marcação no campo de ataque, que resultou em seis recuperações de bola e cinco desarmes no setor ofensivo, fez diferença. Em uma destas roubadas, Mkhitaryan enfiou Reus, em um buraco no lado esquerdo da defesa do Schalke, o camisa 11 cruzou rasteiro e Aubameyang marcou. Hildebrand ainda fez algumas defesas, mas o goleiro que brilhou foi Weidenfeller, que pegou um pênalti (que não houve) mal batido por Boateng, que, apesar de ter chutado forte, cobrou no meio. 

No segundo tempo, o Borussia passou a apostar mais em contra-ataques. Um deles terminou com assistência de Mkhitaryan para belo chute de Sahin, da entrada da área. Em outra ocasião, o armênio conduziu a bola do campo defensivo até a área do Schalke e, de lá, passou para Blaszczykowski marcar. Entre os gols dos visitantes, os azuis reais marcaram com Meyer, que entrou bem na partida. A vitória aurinegra manteve o time a um ponto do líder Bayern de Munique, que também venceu na rodada, por outro lado, agora, o Schalke está em sétimo e fora da zona de classificação às competições europeias. No final, o craque do jogo falou, em tom de alívio: “foi uma semana dura, com três vitórias em jogos importantes”.   

O campeonato mais equilibrado da Europa

A imagem do equilibrio (Reprodução internet)

Pela primeira vez na história da Eredivisie, que é disputada desde 1956-57, após 11 rodadas, a diferença entre o líder do campeonato e o último colocado é de apenas 13 pontos. O mais absurdo é observar que do líder para o oitavo colocado são apenas dois pontos de vantagem. O nivelamento da Liga Holandesa ficou ainda mais claro neste final de semana, pois foi a primeira vez, desde fevereiro de 1964, que os três maiores clubes do país – Ajax, Feyenoord e PSV – não conseguiram vencer em duas rodadas consecutivas. (Estatísticas por Infostrada) 

O Ajax, que tinha o domínio da Liga e é o atual tricampeão do campeonato, perdeu dois jogadores fundamentais na reta final da janela de transferências e mudou o panorama no país. O capitão Alderweireld foi para o Atlético de Madrid e o meia Eriksen foi para o Tottenham. Sem a dupla, os Godenzonen caíram alguns patamares e ficaram mais próximos do nível dos adversários. Hoje o Ajax é vice-líder, com os mesmos 19 pontos do ponteiro Twente e segue como favorito, mas, com o equilíbrio da Eredivisie, qualquer deslize poderá afastar o time de Amsterdan da liderança e evitar mais um título.  

Quem segura o Porto?

Lucho e Josué, um fechou e o outro abriu o placar no dérbi (AP Photo)

Na Liga Portuguesa, antes desta rodada o Porto era líder invicto, porém, tinha no encalço, o Sporting, apenas dois pontos atrás. Por isso, o encontro deste domingo no Estádio do Dragão foi uma boa alternativa para conseguir uma maior margem na ponta. Com um 3 a 1, com bastante tranquilidade, os azuis e brancos agora têm cinco pontos de vantagem em relação aos Leões. 

No 3 a 1 frente ao Sporting, a tranquilidade azul e branca só foi quebrada no início do 2°T, quando os visitantes pressionaram mais os portistas, cresceram no jogo e empataram. Porém, após o empate, o lateral brasileiro Danilo fez belo gol: recebeu na área, girou, cortou Rojo para canhota e fuzilou. Lucho González ainda completou a vitória depois de jogada de ponta-esquerda do centroavante Jackson Martínez. No Porto, além dos laterais brasileiros, os três meias – Varela, Lucho e Josué – jogaram muito bem e correram muito.

O Porto perdeu para este ano James Rodríguez e João Moutinho, que, na última temporada, participaram de 44,8% dos gols do Dragão. Sem eles e com o novo técnico Paulo Fonseca, o time mudou do 4-3-3 para o 4-2-3-1 e, apesar da queda de qualidade no elenco, o time parece preparado para conquistar o tetracampeonato – feito que veio pela última vez entre 2005-06 e 2008-09.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Enfermedades Futboleras 4

Intensidade

 Agüero foi mais um dos destaques dos citzens na goleada sobre o Manchester United (Getty Images)

Há uma evidente mudança de postura do Manchester City, com a chegada de Manuel Pellegrini, o time mais defensivo de Roberto Mancini ficou para trás. O chileno transformou os citzens, que, agora, jogam mais no ataque e não seguram tanto a bola, pois, ao controlarem a posse dela, logo visam as finalizações. O retrato desta intensidade foi visto no dérbi de Manchester, no Etihad Stadium, que terminou com vitória dos donos da casa, por 4 a 1.

Logo após o primeiro gol dos Sky Blues, aos 17 minutos, os números refletiam o que era o jogo. Posse de bola, City 68% x 32% United, e, as finalizações, 8 a 0 para o City, sendo cinco chutes bloqueados, um no gol e dois para fora. Era um massacre, que só aumentou. Com cinco minutos da segunda etapa, os comandados de Pellegrini já tinham alcançado o 4 a 0. Era difícil apontar alguém jogando mal com a camisa sky blue, Yaya Toure e Fernandinho combinavam bem na volância, Negredo participava muito como centroavante, e, os três meias, Jesús Navas, Agüero (muitas vezes virava atacante) e Nasri também faziam ótima jornada. 

A vitória tranquila até ali, fez com que o City, naturalmente, diminuísse o ritmo alucinante imposto nos primeiros 50 minutos de partida. Por isso, o United entrou no jogo, melhorou, mas, em momento algum, ameaçou, de fato, a vitória tranquila dos donos da casa. Os red devils se aproximaram no número de finalizações e acabaram, com a desvantagem de 18 a 14, mas longe do intenso início sky blue. O esforço dos visitantes foi recompensado, com o golaço de falta de Rooney – o melhor do United – quase no final do jogo. 

David Moyes tenta repetir a receita vencedora de Ferguson, mexendo pouco no sistema de jogo e, quando o altera, muda dentro daquilo que o antecessor fazia: do 4-4-1-1 para o 4-2-3-1 e vice-versa. Neste domingo, ficou clara a dependência que o United tem na dupla Rooney e Van Persie, tanto para criar quanto para finalizar – problema que já existia com Fergie. Hoje, com a ausência do holandês, os red devils só tiveram o "Shrek", pois os wingers do time seguem sem serem constantes e a dupla de meias centrais também não funciona bem. Agora, o City é o terceiro, dois pontos atrás dos norte-londrinos, Arsenal e Tottenham. Enquanto o time de Moyes, fica em sétimo a cinco pontos dos dois líderes.

Arrasadora

 Milito comemora gol, em seu retorno aos gramados, na vitória, por 7 a 0, frente ao Sassuolo - (Inter.it)

A Inter vem se concretizando entre os primeiros colocados da Serie A 2013-14. Quem acompanha o blog já vem lendo sobre o desempenho dos nerazzurri sob o comando de Walter Mazzarri. Jogando sempre no 3-5-2, com o técnico e com a adição de Campagnaro à zaga, o time ganhou consistência defensiva (em quatro jogos, um gol sofrido), o que também possibilita liberdade à Jonathan e Nagatomo, que sem tanta responsabilidade para marcar, conseguem render muito bem ofensivamente.

Se a defesa vai bem, o ataque não fica devendo e foi o setor ofensivo que se destacou neste final de semana, frente ao Sassuolo. A Inter atropelou o clube recém-promovido da Serie B fora de casa, por incríveis 0 a 7. O bom rendimento do ataque teve como destaque Ricky Álvarez, jogador que evoluiu muito com Mazzarri, e a boa presença ofensiva dos laterais. A movimentação de Palacio no ataque também chamou a atenção. A volta de Milito ao time, após sete meses parado, animou, pois, em 35 minutos em campo, o argentino marcou duas vezes. Quem não repete as melhores atuações na Beneamata é Guarín.

O feito da Inter é muito impressionante, principalmente, quando confrontamos a vitória com os números apresentados por Alexis Martín-Tamayo, no Twitter, Mister Chip. A Inter não marcava sete gols ou mais desde 14/04/96, no 8 a 2, frente ao Padova. E uma vitória por sete gols de diferença não vinha desde 13/03/66, no 7 a 0, contra o Brescia.

O óbvio

O novo centroavante da Juventus, Llorente é um grande cabeceador, e o armador central do Arsenal, Özil cria chances de gols como poucos no futebol mundial.  O alemão chegou nesta temporada e foi titular em todas as partidas desde que chegou. Com isso, o camisa 11 gunner tem três assistências, em três jogos – duas delas, neste domingo, frente ao Stoke.

Por outro lado, o centroavante basco ainda não havia tido chances de jogar desde o início pelos bianconeri, porém, neste domingo, foi titular frente ao Hellas Verona. Jogou 69 minutos, finalizou quatros vezes (as quatro na baliza adversária), e marcou o gol da vitória, por 2 a 1, dos atuais bicampeões. O gol veio, de cabeça, após cruzamento de Vidal (sempre ele!).

Massacrado

Vermeer aparece na foto fazendo uma defesa, porém, a atuação, no início desta temporada, é bastante discutível (Voetbal International) 

Haviam dois objetivos claros no início da temporada para o Ajax: conseguir, ao menos, passar da primeira fase na Liga dos Campeões, e alcançar o tetracampeonato, que, a última vez que veio na Holanda, foi do grande rival PSV (2004-05, 2005-06, 2006-07 e 2007-08). Os atuais tricampeões dominaram a Eredivisie recentemente com, praticamente, o mesmo elenco, com perdas e reposições pontuais. 

Porém, neste ano, o ritmo mudou e os Godenzonen perderam dois dos principais jogadores do elenco. O maestro do meio-campo, Eriksen, e o zagueiro capitão, Alderweireld deixaram Amsterdan, mas a reposição não foi do mesmo nível. O resultado é um time sem muita experiência e menos qualidade. Por isso, o Ajax é, hoje, o sétimo – próximo aos líderes, é verdade – na Eredivisie e tem três vitórias, dois empates e duas derrotas. Sem vencer fora de casa, neste domingo, o Ajax visitou o grande rival, PSV. O resultado foi decepcionante, apesar do bom primeiro tempo, os visitantes sucumbiram na segunda etapa e acabaram massacrados, por 4 a 0, com gols marcado em 15 minutos. 

O que acentua o ponto negativo da derrota é que os vermelhos e brancos, mesmo em ano de centenário, também não têm um grande time, portanto, a derrota é muito dura – ver o rival em primeiro na tabela e já com quatro pontos de vantagem também machuca.

segunda-feira, 15 de março de 2010

O clássico na Holanda

A Eredivisie 09/10 tem o Twente como líder e com 5 pontos a frente do PSV e 6 em relação ao Ajax. Mas e daí, o que importa mesmo é o jogo entre os Godenzonens (filhos dos deuses) e os Boerens (Camponeses). A partida foi disputada na bela Amsterdã Arena para 51 mil espectadores.

A rivalidade estava bastante acirrada, muita disputa entre os jogadores e algumas jogadas mais ríspidas ocorreram. As duas equipes jogavam com táticas semelhantes, o 4-3-3. Os três meias dos dois lados faziam dupla função – atacar e marcar. Por esse setor o jogo foi equilibrado, com uma pequena vantagem para os donos da casa.

A diferença estava no ataque. Enquanto Toivonen, Dzsudzsák e Amrabat não conseguiam produzir, Emanuelson, Pantelic e Luis Suárez iam bem. O uruguaio realmente é um bom jogador, veloz, forte na finalização e habilidade. Inclusive o artilheiro da Eredivisie deu uma caneta sensacional.

No jogo além forte rivalidade, que aparecia em lances disputados até o fim e em jogadas nas quais sobravam cotovelos e chegadas mais duras. O interessante foi ver o quanto os dois lados estavam querendo jogo. O Ajax começou melhor, mas o PSV também ia forte até o gol de Stekelenburg. O primeiro tento aconteceu após cobrança de escanteio realizada por Van der Wiel, Suárez desviou para defesa do goleiro, mas no rebote De Jong marcou.

O grande gol da partida veio em um lance no qual Pantelic passou de calcanhar para Emanuelson. O canhoto limpou o marcador, ajeitou para a perna direita e soltou uma bomba no ângulo de Isaksson. Os boerens esbarravam em seu ataque e principalmente no sueco Toivonen, que pecava muito nas finalizações.

O segundo tempo voltou um pouco pior. Mas o Ajax queria mais, e o gol veio com o sérvio Pantelic. Ele recebeu dentro da área e mandou para as redes. Com o 3 X 0, os Godenzonens iam cozinhando o jogo. A torcida já não tinha mais conhecimento do que ocorria em campo, mesmo com o frio europeu os torcedores do time da capital cantavam sem camisa.

O time de Eindhoven chegou o gol de honra em um pênalti, no qual eu não vi a intenção de Vertonghen de cometer a penalidade. Mas os terceiros no Campeonato Holandês, que não tinham nada haver com isso e colocaram Balázs Dzsudzsák para a cobrança. O húngaro cobrou e marcou.

Sentiram falta de alguma coisa? Lógico, faltava o vigésimo sétimo gol de Luis Suárez na Eredivisie. O gol do uruguaio mostrou suas qualidades. Com muita calma recebeu dentro da área e bateu tirando do arqueiro Isaksson. Com o gol do artilheiro da competição, o Ajax chegou ao gol de numero 80 nessa temporada de 09/10 e segue com melhor ataque e melhor defesa da competição.

Agora a torcida do Ajax é pelo PSV, que encara o líder da Eredivisie, o Twente na próxima rodada. A diferença de seis pontos é difícil de ser tirada, mas se os Boerens contribuírem e o time da Arena Amsterdã não bobear, o título ainda não está definido. Claro que a vantagem de cinco pontos para o segundo colocado (PSV) é bastante confortável, mas pelo futebol apresentado no domingo o Ajax se permite sonhar com o troféu.

Abraço a todos

 Foto: Ajax.nl