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terça-feira, 24 de junho de 2014

Copa do Mundo – Dia 13

Uma despedida digna 

David Villa fechou a trajetória na Roja com esta letra e atuação memorável na Arena da Baixada (Jeff Gross/Getty Images)

Os curitibanos sofreram com o sorteio dos jogos para a cidade, porém havia grande expectativa para a partida Espanha e Austrália, que teria os campeões do mundo como protagonistas. Porém, La Roja e os Socceroos chegaram à última rodada eliminados. De qualquer forma, a Arena recebeu um público bem interessante. Mas, apesar do interesse ser mesmo pelos espanhóis, a torcida optou por vaiá-los e torcer contra. 

Como doente por futebol que sou, estava muito ansioso para ver os últimos passos de Xabi Alonso, Xavi e Villa e, provavelmente, de Casillas e Pepe Reina. Se pensarmos apenas em mundiais, com certeza, somaríamos aos cinco, Fernando Torres. Portanto, grande parte da geração supercampeã e alguns protagonistas. Logo que a Furia chegou e foi visitar o gramado fui à beira do campo e pude gritar para alguns jogadores, sempre gritando três vezes até receber o retorno. O primeiro a me cumprimentar foi Javi (Martínez), depois foi a vez de Santi (Cazorla) e, por fim, um dos meus preferidos, Xabi (Alonso), sempre procurado quando o jogo estava apertado.

Apesar de vaias, a Espanha foi para o jogo disposta a deixar uma boa impressão. No 4-3-3, que, com a avanços de Iniesta, se tornava um 4-2-3-1, La Roja controlou as ações da partida. Porém, não começou bem, era óbvio o nervosismo da equipe, pois eles se obrigavam a vencer. Aos poucos, o domínio foi sendo conquistado, Cazorla, Xabi Alonso e Don Andrés passaram a comandar o meio-campo e, pela ponta esquerda, Villa e Jordi Alba colocavam McGowan louco. 

Mas, para abrir o jogo, nada pode ser melhor que Iniesta. O camisa seis fez passe no “costado da zaga” e descobriu Juanfran livre. O lateral-direito, que estava em ótima tarde, foi ao fundo e, no momento certo, cruzou rasteiro para trás. Villa chegou e guardou de letra. O 1 a 0 aumentou o controle da partida para os espanhóis. Os socceroos, apesar da boa torcida, não tiveram forças para reagir. Com Don Andrés e Xabi Alonso dominando totalmente as ações pelo centro e com o restante do grupo se mexendo muito e sempre dando opções de passes, não havia o que temer. A Espanha faria mais gols.

Antes de anotar mais, o que mais fez isso com a camisa roja se despediu. Aos 12 do 2°T, o maior artilheiro da história da seleção espanhola, David Villa, com 59 gols em 97 partidas, deu lugar a Mata. No caminho para sair de campo, El Guaje demonstrou emoção e foi cumprimentado/consolado por vários companheiros. No banco, não foi diferente, abaixou a cabeça e recebeu o carinho por membros da equipe da Roja. 

Se Villa estava provavelmente se despedindo, Iniesta mostrou que ainda tem muito a dar para a seleção. Foi dele a assistência primorosa para Torres marcar o segundo. Este foi um dos 80 passes completados pelo camisa seis, o maior passador da partida, que terminou com um índice de 88% de acertos. Para o final, ficou o gol de Mata, após outra boa assistência, desta vez, de Fàbregas. 

Mesmo com o 3 a 0, os espanhóis não saíram felizes e não fizeram nenhuma festa ou agradecimento especial ao público curitibano. Em seu Facebook, Iniesta publicou um texto, que justifica isso: “A decepção por voltar tão cedo para casa é muito grande. Tínhamos muita ilusão de poder fazer um bom Mundial e não foi possível. Lhes peço desculpas e lhes asseguro que trabalharemos para voltar a colocar a seleção onde ela merece”. A Furia precisará muito de Don para voltar ao topo, o camisa seis deverá ser um dos líderes da nova geração, que transborda em qualidade.

Para a Austrália, a vinda ao Brasil valeu pelas boas exibições nas duas primeiras partidas, apesar das derrotas. Claro, o carisma dos australianos também contou. Ao final do jogo, Bresciano, que havia vindo bem do banco, pegou duas das bolas da partida, se encaminhou ao setor onde estavam os familiares dos australianos e entregou uma delas a um amigo/parente. A segunda brazuca foi rifada para a galera. Além disso, alguns dos australianos, fizeram questão de dar a volta em todo o campo, para aplaudir a torcida.

Podia até não valer nada, mas foi espetacular.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Recital dos melhores

 Cristiano Ronaldo é a grande estrela, mas este Real Madrid é forte, pois tem um grupo muito qualificado, contra o Bayern, mostrou isso (AFP/Getty Images)

Primeiro, se convencionou chamar o Barcelona de melhor time do mundo, porém, após a tríplice coroa na temporada passada, o Bayern de Munique passou a ostentar a alcunha. Mas, em 2013-14, o Real Madrid, com o acréscimo de Bale e com Cristiano Ronaldo jogando cada vez melhor, mostrou que estaria pronto para reassumir o topo do futebol, algo que, talvez, não ocorra desde 2001-02. Por envolver os dois melhores times do planeta e valer vaga na final da Liga dos Campeões, a partida de hoje já tinha atmosfera especial, mas, além disso, a vitória madridista, por placar mínimo, na ida, deixava as duas equipes com boas chances de avançar.

Com Bale e Ronaldo 100%, Ancelotti voltou a escalar o time com ambos. Porém, ao invés de apostar no 4-3-3, que deu certo na maior parte da temporada, o italiano armou um 4-4-2, com Bale à direita e Di María à esquerda, ajudando os meias-centrais, Xabi Alonso e Modric, na marcação e, claro, Ronaldo e Benzema jogaram na frente, mas também recompondo, quando necessário. Guardiola colocou o Bayern em uma espécie de 4-2-3-1, em que Kroos e Schweinsteiger foram os volantes, e Robben à direita, Müller no centro e Ribéry à esquerda alinharam atrás do centroavante Mandzukic - exceção de Robben, todos muito abaixo daquilo que podem oferecer. Além disso, os laterais Lahm e Alaba avançaram muito, o que deixou, muitas vezes, Dante e Boateng completamente expostos aos contra-ataques do Real Madrid.

Mas os merengues ofereceram muito mais do que os mortais contra-golpes. A defesa funcionou muito bem, destaque para a dupla de zaga, Sergio Ramos e Pepe. E, quando teve oportunidade, o Real propôs o jogo, com uma verticalidade impressionante. O Bayern controlou a posse de bola (acabou com 64% dela), mas chutou pouco, no primeiro tempo, não conseguiu exigir nenhuma defesa de Casillas e, enquanto a marcação blanca funcionava a perfeição, os bávaros não foram bem lá atrás. Em duas bolas paradas, o mesmo erro: Boateng e Dante foram marcar Ronaldo e, com isso, Ramos apareceu, com alguma liberdade, para marcar.

Com os dois gols do zagueiro, o Bayern se perdeu. Os jogadores passaram a querer ganhar algumas jogadas no grito e também avançaram muito ao ataque, dando ainda mais espaço ao Real, que não costuma desperdiçar os contra-golpes. Em um deles, Benzema achou Bale, que deixou a defesa para trás, e rolou para o lado esquerdo, onde Ronaldo apareceu para fazer o gol. Foi o 15° gol do camisa sete na competição, o que o torna o maior artilheiro de uma edição de Liga dos Campeões, deixando para trás José Altafini, do Milan, e Lionel Messi, do Barcelona, que marcaram 14 gols, em 1962-63 e 2011-12 respectivamente.

Depois dos primeiros 45 minutos perfeitos do rival, o Bayern não tinha muito o que fazer, precisava de um improvável 5 a 3 para avançar. Guardiola até mexeu, colocou Javi Martínez para dar segurança à defesa e o basco proporcionou isso, porém, o estrago já estava feito. Os bávaros seguiram dominando a posse de bola e o território de jogo (213 passes trocados no terço final do campo, contra 27 do Real), mas, precisando de cinco gols e enfrentando a ótima defesa madridista, conseguiram apenas quatro finalizações na baliza de Casillas, que não deixou nenhuma delas se transformar em gol.

A vantagem era enorme, por isso, o Real não buscou estar muito presente no ataque. Em alguns contra-ataques, assustou. Mas a intensidade no segundo tempo foi outra. Porém, Ronaldo ainda tinha um truque para apresentar à Allianz Arena. Depois de cobrar uma falta na barreira, o português teve mais uma oportunidade, desta vez, bem próximo da área. O camisa sete surpreendeu a todos e bateu rasteiro por baixo dos adversários, matando Neuer e fechando o placar em 4 a 0 – 16° gol na LC 2013-14, ampliando o recorde recém-conquistado.

A goleada categórica impede que o Bayern repita o feito do ano passado (já tem a Bundesliga e ainda poderá vencer a Copa da Alemanha) e recoloca o Real Madrid em uma final de LC, após 12 anos ausentes. O técnico Carlo Ancelotti, que tem muita responsabilidade neste feito, ressaltou o recital madridista: “estão todos de parabéns, os nossos jogadores estiveram muito bem. Quando todos trabalham em conjunto, podemos juntar a qualidade e as coisas podem resultar na perfeição”.

Falta um jogo para o clube alcançar a tão sonhada décima conquista da Liga dos Campeões, que é perseguida desde 2001-02, quando venceu a nona taça. Para isso, além de enfrentar um grande adversário, seja o Chelsea, seja o Atlético de Madrid, o Real terá de suprir a ausência do indispensável Xabi Alonso, que está suspenso para a final. Mas isso é assunto para a prévia da decisão, que ocorrerá no Estádio da Luz, em Lisboa, no dia 24 de maio.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Enfermedades Futboleras 10

Sob às ordens do comandante Cristiano

 Aqui mando eu, diz Cristiano Ronaldo, pois, afinal, é o craque madridista há algumas temporadas (Real Madrid.com)

O presidente da Fifa Sepp Blatter afirmou que Cristiano Ronaldo parece um comandante em campo e é desta forma mesmo que o português se comporta. Neste final de semana, o português liderou o Real Madrid, que atropelou a Real Sociedad no Santiago Bernabéu. O 5 a 1 ainda ficou barato, pois, claramente, os blancos reduziram o ritmo após alcançarem o 4 a 0. Desde que Ancelotti passou a armar os merengues no 4-3-3, o rendimento da equipe cresceu, e, mais recentemente, com a volta de Xabi Alonso, o onze inicial ganhou a peça que faltava. O basco é o volante mais recuado, mas circula na frente da área madridista para facilitar a saída de bola com os passes precisos (completou 43 dos 47, que tentou, 91% de acerto) e, além disso, contribui na fase defensiva do jogo, com desarmes, recuperações e cortes (ao todo, oito). 

Mas, quem comanda a equipe em campo é mesmo o craque do camisa sete. No 5 a 1 contra os bascos, Ronaldo foi às redes três vezes, o que lhe coloca na artilharia de La Liga, com 16 gols, e deu uma assistência para o gol de Benzema – Khedira e Griezmann fecharam o marcador. Porém, a atuação do português não se resumiu a isso, ele fez mais: ao todo, finalizou oito vezes (cinco no alvo); acertou 88% dos passes que arriscou; fez três desarmes e foi acionado pelos companheiros 41 vezes. O camisa sete é a grande referência merengue em campo e, com o desempenho que ele entrega, não dá para ser diferente. Com Ronaldo comandando o time, Xabi ditando o ritmo, Bale se encontrando vestindo blanco e Ancelotti acertando o esquema tático, o Real cresce na temporada e promete um ano melhor que o anterior, que acabou sem títulos.


O vencedor da rodada

 No primeiro plano, o craque da partida Rooney e, no segundo, o homem dos gols do United. Com eles, o Manchester pode voltar a sonhar com o bicampeonato na Premier League (Getty Images)

O Manchester United entrou na rodada em oitavo lugar a oito pontos da liderança, mas, após o 1 a 0 frente ao Arsenal, avançou três posições na tabela e diminui três pontos na diferença para o primeiro colocado. O retrospecto era todo favorável ao time da casa, pois, nas 12 últimas partidas envolvendo as duas equipes: nove vitórias, dois empates e apenas uma derrota para o United. David Moyes armou o time no 4-2-3-1, com Rooney atrás de Van Persie, no outro lado, o mesmo esquema, mas sem a ótima execução dos jogos recentes: faltavam a pressão na saída de bola do rival e as finalizações de fora da área. 

A dupla Rooney e Van Persie comandou a partida e aproveitou a postura mais defensiva do Arsenal. O gol da vitória veio em cobrança de escanteio do camisa 10, que o holandês antecipou Vermaelen e Giroud e, do primeiro pau, cabeceou para as redes. O camisa 20 que havia prometido nunca comemorar um gol marcado contra o ex-clube, hoje, deixou a promessa de lado e vibrou muito. Após sofrer o 1 a 0, o Arsenal mudou a postura, foi mais à frente e, principalmente depois do intervalo, intensificou o comportamento mais ofensivo. Porém, o domínio do campo (156 passes trocados no último terço) e da bola (60%), resultou em apenas duas finalizações na baliza defendida por De Gea e dois cruzamentos de Sagna, que passaram perigosamente dentro da pequena área sem serem tocados pelo ataque dos gunners. 

A falta de finalizações do Arsenal por ser explicada pelas atuações ruins dos três meias, Cazorla, Ramsey e Özil. Mas o Manchester United também colaborou para que os gunners tivessem poucas chances, pois inflamados pelo espírito de Rooney, que correu a partida inteira, os red devils mal deixaram espaço para que os visitantes pensassem próximos da área. Ao final da partida, Moyes ressaltou a importância dos dois melhores jogadores do United. “Grande jogadores marcam grandes gols e ele é um grande jogador”, sobre Van Persie. O "Shrek" recebeu um elogio ainda maior: “A energia dele foi magnífica”.

Monaco derrapa

Apontando como principal adversário do PSG desde o início da Ligue 1, por conta do investimento e da facilidade de só disputar competições na França, o Monaco derrapou nas duas últimas rodadas. Primeiro, Enyeama parou o time e os dois gols de Roux colocaram fim à invencibilidade monegasca, e, nesta semana, o clube esbarrou na boa defesa do Evian, que, na maior parte do tempo, defendeu com duas linha de quatro, apesar de estar postado no 4-2-3-1. No Monaco, seguiu o 4-2-3-1 de Ranieri, porém, com algumas mudanças, James se tornou o meia-atacante central e Moutinho virou 2° volante. Não deu certo, o time comandou a posse de bola (terminou com 69%), mas criou pouquíssimo. 

A retaguarda dos visitantes se comportou muito bem, porém, merece destaque a participação do meio-campo de Les Roses, que anulou a participação dos meias vermelhos e brancos. Ocampos à direita e Carrasco à esquerda não conseguiram explorar a velocidade pelos flancos e Moutinho e James pelo centro também trabalharam pouco. Em uma das raras chances que teve, o camisa dez colombiano, conseguiu descobrir Falcao às costas da defesa e o compatriota marcou o nono gol na Ligue 1 para empatar a partida (1 a 1, que foi o placar final). O técnico italiano colocou Riviere (seis gols) e reposicionou o time no 4-4-2, tentando atacar mais. O novo centroavante somado à falta de chances para criar com a bola no chão, fez com que a opção pelos cruzamentos fosse ainda mais clara. Porém, o sistema defensivo do Evian conseguiu impedir que a alternativa desse certo e, apesar das 15 finalizações durante todo o jogo, apenas duas chegaram à baliza de Les Roses, provando que a ótima atuação defensiva impediu que oportunidades mais claras fossem criadas pelo Monaco. Os vermelhos e brancos agora vão ficando pra trás na tabela: terceira colocação a cinco pontos do líder PSG.

Na cola

 Llorente, Pirlo e Pogba garantiram a Juventus na cola da Roma (Reuters/Giorgio Perottino)

A Roma tropeçou no Sassuolo e abriu espaço para que o vencedor do confronto entre os perseguidores, Juventus e Napoli ficasse a um ponta da liderança. Jogando em casa, a Vecchia Signora não desperdiçou a oportunidade e colou nos giallorossi. Conte utilizou o 3-1-4-2, com a interessante dupla de ataque, Tévez e Llorente. No Napoli, que poupou alguns jogadores no meio da semana pela Liga dos Campeões, time completo, mas, apesar disso, os azzurri não conseguiram fazer uma grande partida. A Juventus soube se impor muito bem e foi desta forma desde o início. Antes do primeiro minuto, Pogba quase abriu o placar, mas parou em Reina. Porém, no lance seguinte, Isla jogou na área, Tévez desviou e Llorente, em ligeiro impedimento, apareceu para marcar no segundo pau. Para variar, os bianconeri tiveram Pirlo comandando o meio-campo e abusando dos passes longos. Após o susto inicial, os partenopei equilibraram o jogo, mas só Insigne, pelo lado esquerdo, conseguiu assustar Buffon. Por isso, o 1°T só não acabou com uma vitória maior da Juventus, pois Pepe Reina fez ótimas defesas.

Na volta para o segundo tempo, o equilíbrio persistiu, o Napoli tentou aparecer mais no campo ofensivo, porém seguiu sem fazer grande partida. Por outro lado, a defesa bianconera, ao contrário de jogos recentes, se comportou muito bem. Barzagli foi um monstro, com sete cortes, cinco desarmes e duas recuperações. Nesta toada, o jogo tinha tudo para terminar 1 a 0, mas Inler fez falta desnecessária na entrada da área, resultado: cobrança milimétrica de Pirlo e 2 a 0. Depois, mais expostos, os azzurrini sofreram o terceiro gol, anotado por Pogba. Foi um golaço, o camisa seis matou a bola, ela subiu e, antes dela cair no chão, com o pé direito, o francês acertou belo chute no canto direito de Reina. O jovem tem, ao todo, cinco gols e sete assistências na temporada, em 17 partidas e vai se tornando indispensável aos bianconeri atualmente.

Estranhamente tranquilo

Um dos maiores clássicos futebolísticos do mundo ocorreu neste domingo na Turquia. A partida envolveu os asiáticos do Fenerbahçe e os europeus do Galatasaray, os dois maiores campeões da Süper Lig, com 18 e 19 títulos respectivamente e, cada um, de um lado de Istambul. O clima era favorável ao Fener, que, por jogar no Estádio Sukru Saracoglu, era o único a ter torcedores nas arquibancadas. Ao contrário de clássicos recentes na Turquia, o jogo não foi tão disputado e os canários venceram tranquilamente por 2 a 0. O técnico Ersun Yanal armou bem a equipe no 4-3-3 e, no esquema, um dos meias, o brasileiro Cristian – o melhor em campo – foi fundamental, pois era aquele que apoiava mais o ataque. No lado do Cimbom, o 4-1-4-1 (no 2°T, mais cara de 4-3-3) tinha Drogba na frente e, as melhores chances do Galatasaray, vieram quando o marfinense deixou a área para criar, mas foi pouco. 

 Os gols saíram com Emre de pênalti e com Cristian, que marcou, após uma jogada que só ocorreu por conta de uma roubada de bola no campo ofensivo, resultado de uma pressão forte na saída de bola do rival. Felipe Melo teve chance de diminuir e colocar fogo no jogo nos minutos finais, mas o brasileiro cobrou muito mal um pênalti e o goleiro Demirel fez a defesa tranquila. O 2 a 0 mantém o Fenerbahçe na ponta da Süper Lig com quatro pontos de vantagem em relação ao vice-líder Kasimpasa, enquanto o atual bicampeão Galatasaray é apenas o sexto a nove pontos da liderança.

sábado, 23 de junho de 2012

Fiel ao estilo


Espanha 1x0 França

Xabi Alonso tentou 108 passes e acertou 97 e foi o dono do jogo (Getty Images)

O título do texto de hoje também poderia ser: valeu a manutenção do estilo. Enquanto a Espanha não abriu mão de jogar à sua forma, com toques de bola e manutenção da redonda, procurando o melhor espaço para o passe decisivo; a França de Blanc foi covarde. O ex-defensor campeão do mundo em 1998 preferiu abrir mão do esquema ofensivo e de Nasri, para armar um 4-1-4-1 bastante defensivo. Com Réveilèrre na lateral-direita e o ex-lateral-direito titular, Debuchy, como meia-externo direito.

Abrir mão da forma de jogar, que fez Les Bleus alcançarem bons resultados após o fracasso na Copa do Mundo de 2010, logo de cara se mostrou um erro infantil do treinador. Desde o início os espanhóis impuseram o seu estilo de jogo, com um 4-3-3 sem centroavante fixo e com Fàbregas ocupando o centro da linha ofensiva. Mas, o grande destaque era Xabi Alonso, o homem que “marcava” a redonda em cada lance.

O camisa 14 fez de tudo e acertou tudo. Marcou, fez a saída de bola, tocou, lançou e, para coroar a exibição, dois gols. Terceira vez na história em que marcou um doblete pela furia. As outras duas, em amistosos: primeiro na vitória por 3 a 0 contra a Dinamarca, em Copenhagen, no dia 20 de agosto de 2008 e, em 14 de novembro de 2009, no Estádio Vicente Calderón, na vitória por 2 a 1 frente à Argentina.

O primeiro gol do meia-central basco veio em jogada de Iniesta. O camisa seis, que até àquela altura estava apagado, apareceu. Da intermediária ofensiva esquerda enfiou a bola para Jordi Alba, que recebeu atrás dos dois “laterais-direitos” da França. O jogador do Valencia ergueu a cabeça e colocou para Xabi Alonso cabecear livre no segundo pau. Não foi um cruzamento e sim um passe para a finalização pelo alto do companheiro.

Na segunda etapa, a França melhorou seu jogo, mas não foi capaz de assustar Casillas. Les Bleus chutaram apenas uma vez no gol defendido pelo goleiro da roja. Blanc tentou empurrar a sua equipe para a frente, com as entradas de Menez, Nasri e Giroud. Com o artilheiro da Ligue 1 em campo, os franceses passaram a atuar com dois centroavantes, mas nada mudou. A Espanha seguiu dominando sem ter grande profundidade e fazendo uma partida até certo ponto burocrática, porém, eficiente.

O 1 a 0 para a furia pelo jogo que executava estava de bom tamanho, mas havia alguém que merecia algo a mais em campo: Xabi Alonso, o craque da partida. Pedro cavou um pênalti e o camisa 14 bateu com perfeição. 2 a 0 e Espanha na semifinal para enfrentar Portugal, de Crisitano Ronaldo, o melhor jogador da Euro 2012 até aqui. Blanc abrir mão de jogar como a França deu certo com ele fez com que a Espanha, em partida pouco inspirada, eliminasse os franceses sem grandes dificuldades.

Para a semifinal, insisto que Vicente Del Bosque não pode abdicar de um centroavante e Llorente seria a melhor opção. Ter um homem dentro da área, para brigar com Pepe e Bruno Alves pode ser fundamental. Por outro lado, não ter um “nove” pode deixar os dois zagueiros portugueses sem função e confusos na partida. Mas iria de 4-2-3-1, com o jogador do Atlhetic Bilbao no centro do ataque. Pois além de brigar com a dupla lusa, o centroavante dá a profundidade que está faltando à Espanha em alguns jogos da Euro 2012. 

Zidane

Zidane flutuava com elegância pelos gramados europeus (Getty Images)

Hoje é o aniversário de Zinedine Yazid Zidane, 40 anos. Meia recheado de classe, o mais técnico que vi: ótimo finalizador, tocava curto e fazia lançamentos sem problemas, driblava fácil e tinha um domínio de bola impressionante. Porém, isso todos sabem e não é novidade para ninguém. Mas queria dividir com os amigos, uma leitura que fiz há algum tempo, “Zinedine Zidane”, de Patrick Fort e Jean Philippe.

Logo no começo do livro contam que, no início da carreira, o jovem, que já se destacava pela técnica e pela altura, não usava o tamanho a seu favor. Quando as bolas vinham altas, Zidane costumava se abaixar. Porém, ele foi alertado que não deveria fazer isso. O resultado todos sabem: no Stade de France, dois gols de cabeça na final da Copa do Mundo de 1998.

A outra é ainda mais legal. A história da contratação milionária de Zidane pelo Real Madrid em 2001 quase todos conhecem. À época, a maior transferência da história do futebol, por 75 milhões de euros, o francês deixou a Juventus para jogar no clube de Madrid. Florentino Pérez seguia seu plano galáctico, contratando o maior jogador do planeta no momento. Mas a obsessão do Presidente merengue por Zizou começou antes e tem uma explicação. Em uma premiação da Uefa, os dois estavam presentes. E o representante do Real Madrid passou um bilhete em um guardanapo para Zidane, “Zizou, você gostaria de jogar nos merengues?”. O craque francês demorou a responder, mas disse que “sim” e as tratativas com a Juventus começaram.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A importância de um bom volante

 Xabi Alonso e Sergio Busquets marcam Schweinsteiger: talvez os três melhores volantes do mundo atualmente (Ag. Reuters)

Esta postagem surge de uma forma banal: fazia um exercício mental para relembrar quais seriam os melhores jogadores que vi jogar. Logo, pensei em Makelele e Davids, um pouco depois, me veio à cabeça o nome de Viera. Claro, estes jogadores não surgiram por acaso, na verdade, a missão que embarquei era a de escalar uma seleção daqueles que mais me fascinaram na prática do esporte bretão. Portanto, a minha seleção – que acabou nem sendo escalada –, não poderia ficar sem os marcadores.

A importância de um bom volante é bastante subestimada em uma partida de futebol. O pensamento é simples: sem a bola, não se joga, por isso, é necessário ter o jogador capaz de executar roubos. Esta função na maioria das equipes é desempenha pelo primeiro volante, jogador que nem sempre tem a técnica entre as principais características de seu jogo.

Porém, cada vez mais, o jogador especialista perde espaço no futebol moderno. Ou seja, os volantes, mesmos aqueles que ficam mais focados à marcação, não podem resumir sua participação em campo ao desarme. Voltando os olhos para os melhores da posição atualmente isto fica ainda mais claro. Barry, Cambiasso, Lucas Leiva, Schweinsteiger, Marchisio, Sergio Busquets, Xabi Alonso e Yaya Touré são todos jogadores que contribuem com a saída de bola dos respectivos times, chegam forte para finalizar e cedem assistências.

Um dos melhores que pude ver na posição foi Edgar Davids, que já no final da carreira na segunda passagem pelo Ajax, na temporada 2007-08, concedeu uma entrevista em inglês ao site da UEFA sobre o que é necessário para ser um bom volante. O carismático holandês destaca que para ser craque na volância "tem que saber sair jogando".

O jogador de três Eurocopas e uma Copa do Mundo era diferente dos outros da posição e sobressaiu por conta de uma facilidade pouco comum para um “camisa cinco”: o drible. Dotado de muita habilidade, Davids estrelou diversas campanhas publicitárias ao lado de Ronaldo, Ronaldinho, Denílson e outros craques da linha dos showman’s. O holandês também tinha a facilidade dos passes e aliado à isso ainda estava a raça e a disposição para fazer o “jogo sujo”, a primeira obrigação de um volante, mesmo quando ele tem a habilidade de um Edgar Davids.

A importância dos volantes pode ficar ainda mais clara, com exemplos, portanto, vamos expor algumas situações. Dois dos maiores times que pude assistir jogar em minha vida, sucumbiram após a perda do primeiro homem do meio-campo.
Vieira ergue a taça da EPL 2003-04, quando de forma invicta o Arsenal levantou seu último título inglês (Getty Images)

Talvez, o caso mais emblemático seja o do Arsenal, à época tido como The Invincibles. Duas temporadas depois do ano perfeito na English Premier League, o capitão Vieira deixou a Inglaterra, com a conquista da FA Cup, sobre o grande rival Manchester United, com direito a cobrança de pênalti decisiva na final. Mesmo com a base semelhante em 2005-06, os gunners não conquistaram mais nada e isto dura até hoje.
O histórico camisa quatro é mais um dos volantes tidos como moderno. Dotado de bom chute de fora da área e bom passe, o francês não se resumia à força de marcação e era peça importante também ofensivamente. No Arsenal, foram nove anos e 11 títulos. Na EPL, com a camisa do clube norte-londrino, disputou 279 jogos e marcou 29 vezes.

Outro grande time dos anos 2000 e que sucumbiu depois da saída do grande volante da companhia foi o Real Madrid, da primeira era galáctica. A grande fase dos merengues com Roberto Carlos, Zidane, Figo, Raúl e, no final dos tempos, Ronaldo foi justamente entre 2000 e 2003, quando Makelele também fazia parte do elenco madridista. O Presidente do Real à época era Florentino Pérez e a ideia que ele fazia de futebol era de que quanto mais craques em campo, melhor. Para isso, ele não se importava de abrir mão de volantes para colocar as estrelas dentro das quatro linhas.

Foi se baseando nesta ideia que o Presidente resolveu trazer David Beckham ao Real. O inglês sem dúvida alguma é um grande jogador, mas de função diferente à de Makelele e com uma disposição para marcar bem menor que a do francês. Talvez empolgado pela corrida – contra o Barcelona – da contratação de Becks, Florentino Pérez rejeitou um pedido de aumento feito por Makelele, que teve apoio de jogadores como Raúl e Zidane nesta reivindicação.
 No postagem sobre a final da Liga dos Campeões 2001-02, o site UEFA coloca esta foto com o craque Zidane e o trabalhador Makelele. Todos no elenco blanco sabiam o porquê da presença do volante francês como destaque também (Getty Images)

A justificativa do Presidente foi simples: “Nós não vamos sentir falta dele. A técnica dele é média, é lento e 90% dos seus passes são para trás ou para o lado. Jogadores jovens irão chegar e Makelele será esquecido”. Após a saída do francês foram três anos sem conquistas, período longo para um Real Madrid, de tanto investimento. O compatriota e companheiro de seleção, Zidane definiu o que foi a saída do volante para os merengues, ao mesmo tempo, em que Beckham chegava: “Por que colocar outra camada de pintura de ouro sobre o Bentley, quando ele perdeu toda a engrenagem?”

Outro companheiro de Makelele no Real, o inglês McManaman também definiu bem o que foi a partida do volante francês. “Ele foi o melhor jogador do nosso time por anos, mas as pessoas não sabiam e ninguém noticiava isso. Mas, se você perguntasse para qualquer um do elenco blanco, iriam te dizer que Makelele era o nosso melhor. Todos sabíamos que ele era o mais importante. A saída do francês foi o início do fim dos galácticos”. O grande volante foi para o novo rico Chelsea e, na segunda temporada, com a chegada de José Mourinho, se tornou peça chave em mais uma equipe de sucesso. Ou seja, novamente mostrando a importância que um grande marcador tem para formação de um time vencedor.

Por outro lado, um volante que apenas rouba bolas não tem o mesmo impacto no rendimento de uma equipe. O melhor exemplo talvez seja Willians, do Flamengo, um dos melhores ladrões de bolas dos últimos anos no Brasil, mas que falha excessivamente nos passes. Por conta disso, o camisa oito rubro-negro não é unanimidade entre os torcedores e jamais vestiu a camisa verde e amarela da seleção. Por outro lado, o hoje o camisa cinco de Mano Menezes é Lucas Leiva, o maior ladrão de bolas da English Premier League em 2010-11 e eleito o melhor jogador do Liverpool pelos fãs no mesmo período. O volante é mais um que não resume seu jogo ao trabalho defensivo. Passes longos e pancadas de fora da área também são características do ex-gremista.

Por isso, fica clara a importância de um bom marcador para o funcionamento de qualquer equipe, mesmo as que são recheadas de estrelas. Mas, no futebol de hoje, preferencialmente, o volante também deve ter outras características, para contribuir chegando ao ataque e com os passes, sempre facilitando a saída de bola da equipe.