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domingo, 17 de agosto de 2014

O meia-armador da Seleção

Coutinho (à esquerda) e Sterling (à direita) terão papel mais preponderante no Liverpool, sem Suárez (no meio), na primeira partida da EPL, o inglês assumiu sua responsabilidade e decidiu (Alex Livesey/Getty Images)

“Sua habilidade para sair de situações difíceis e sua visão de jogo são incríveis. Ele foi fantástico, é um operário incrível, simplesmente mágico”. Com essas palavras, o técnico do Liverpool, Brendan Rodgers descreveu o seu camisa dez, Philippe Coutinho, após o 4 a 0 aplicado sobre o Borussia Dortmund, em amistoso de pré-temporada. No período de férias o comandante deixou uma missão para o brasileiro: ver DVDs de Valderrama, Valerón, Rui Costa e Francescoli, quatro jogadores da posição e que atuaram em ótimo nível. 

Pelas declarações iniciais do técnico, o jovem cumpriu a tarefa de férias e voltou ainda melhor. Na primeira partida do Liverpool pela Premier League, o camisa dez foi o meia-atacante, no 4-2-3-1 montado por Brendan Rodgers. Porém, o difícil debute frente ao Southampton, não teve o melhor de Philippe Coutinho. O carioca participou pouco, conseguiu apenas dois passes importantes e completou só três dribles, mas segue prestigiado pelo comandante. Sem o melhor do camisa dez, os Reds tiveram muitas dificuldades. 

O Southampton, também em um 4-2-3-1, teve a estréia do ponta-esquerda Tadic, que, com habilidade e velocidade, incomodou muito outro debutante, o lateral-direito Manquillo. O Liverpool saiu na frente com o ótimo Sterling, aproveitando lançamento maravilhoso de Henderson, que, no mesmo lance, recuperou a bola e fez a assistência. Jogando melhor, os Saints só não igualaram a partida rapidamente, porque Mignolet e o Skrtel se comportaram muito bem. Mas a igualdade veio. O melhor da equipe visitante fez passe de letra e deixou o lateral-direito Clyne livre para igualar. 

Brendan Rodgers colocou Lambert no lugar de Coutinho e passou a jogar no 4-3-1-2, com o recém-contratado fazendo dupla de ataque com Sturridge e Sterling atuando na armação. Sem controlar o totalmente as ações da partida, os Reds conseguiram o 2 a 1, após muitas bolas cruzadas na área. De cabeça, o autor do primeiro gol assistiu Sturridge, que, na pequena área, só empurrou às redes. Jogando melhor, faltou muito pouco para o Southampton sair com o empate, novamente, Mignolet evitou. 

Mesmo tendo vendido muitos destaques da última temporada – receberam 119,53 M € por cinco jogadores –, com Ronald Koeman e gastando “apenas” 58,2 M € em contratações, os Saints devem continuar incomodando muito os grandes. Por isso, a vitória, mesmo com muitas dificuldades, mostra um Liverpool forte para a disputa da Premier League e, o melhor de tudo, Sterling já começou a temporada em nível altíssimo. 

Voltando a vestir verde e amarelo 

No Mundial Sub-20 2011, Philippe Coutinho teve algum destaque, principalmente, na primeira fase, quando marcou todos os seus três gols na disputa (Fernando Llano/AP Photo)

Nesta terça-feira, Dunga faz a primeira convocação desta nova passagem pela Canarinho e, apesar da primeira atuação na temporada ter sido ruim, Philippe Coutinho tem que estar lá. O jogador do Liverpool tem tudo para ser o meia criativo e com visão de jogo apurada, que, desde que Ganso surgiu e não conseguiu se firmar, a seleção brasileira procura. No rastro do paraense, o camisa dez dos Reds foi testado e convocado por Mano Menezes, mas não se firmou. 

A guinada na carreira ocorreu mo meio da temporada 2012-13, quando o Liverpool desembolsou 10 M € – pechincha para os valores do mercado atual – e trouxe o novo camisa dez, que, na Internazionale nunca teve o destaque merecido. Agora, Philippe Coutinho tem tudo para ser um dos importantes pilares jovens da nova trajetória dos Samba Boys. Alternando criatividade, habilidade e velocidade, com muita disposição para ajudar o time e disciplina tática, o carioca traz características de jogo, que poucos brasileiros têm atualmente, por isso, merece a oportunidade na verde e amarelo. 

Com muita confiança de Brendan Rodgers e bem adaptado na Inglaterra, Philippe Coutinho deve, mais uma vez, realizar boa temporada pelos Reds. Desta forma, deve se confirmar no elenco da equipe nacional e com boas chances de se firmar entre os onze iniciais da nova era Dunga.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Prévia da Premier League 2014-15

O milionário Manchester City ganhou a Premier League 2013-14 e, para esta temporada, vem ainda mais forte (Getty Images)

A principal liga de futebol do mundo, a English Premier League começa no próximo final de semana e promete ser ainda mais interessante que a temporada anterior. Por isso, neste espaço, faremos uma prévia tática dos cinco principais candidatos ao título, que trazem coisas novas para a disputa de 2014-15. As possibilidades de Manchester City (1°), Liverpool (2°), Chelsea (3°), Arsenal (4°) e Manchester United (7°) serão apresentadas aqui, na ordem inversa à classificação da última temporada. 

Manchester United 

Depois do péssimo desempenho sob a batuta de David Moyes, o Manchester United entra com algumas novidade interessantes para a temporada, se desprendendo do estilo Alex Ferguson. A principal delas está no banco de reservas, o melhor técnico da Copa de 2014, Louis van Gaal. Com o holandês, os red devils devem emular o sistema da oranje no Mundial, um 3-4-1-2, com muita liberdade para o trio ofensivo. No mesmo esquema, Van Persie rendeu bem pelo seu país; Rooney costuma atuar melhor quando joga mais solto; e, desde que chegou à Inglaterra, Mata tem mostrado o máximo, quando é escalado pelo centro. Portanto, para o trio ofensivo, a mudança aparenta trazer apenas benefícios.

Manchester United - Van Gaal 2014-15 - Football tactics and formations
   
Outro setor que chama a atenção no novo desenho do United são as alas, em que devem jogar Valência pela direita e o recém-contratado Shaw pela esquerda. Dois jogadores de boa chegada e que, com a proteção de três zagueiros, deverão aparecer bastante na fase ofensiva do jogo. O equatoriano foi testado na função durante a pré-temporada e trouxe variação aos red devils, pois, com as subidas dele, muitas vezes o time ficou no 4-2-3-1, com Rooney jogando um pouco mais aberto. Mas é sempre bom lembrar que, com Ferguson, Valencia foi utilizado como lateral em linha de quatro, portanto, se adaptar na ala (principalmente, nas questões defensivas) não será tão difícil. Mesmo assim, o elenco do United dá a possibilidade de usar Rafael, lateral de origem, na função - opção mais defensiva. 

Ander Herrera terá papel central no novo Manchester United de Louis van Gaal (Manchester United)

Quem terá papel central no jogo dos red devils é o novo contratado Ander Herrera, que era alvo desde a temporada passada e chegou por 36 M €. O basco será o responsável pela saída de bola do time, alternando passes curtos e longos, e dando dinâmica à meia-cancha da equipe. A dúvida fica por conta de seu acompanhante no centro do campo, o sonho do United é Vidal, mas, por enquanto, a realidade é Carrick ou Fletcher, dois jogadores que não estão nos melhores momentos da carreira. 

Para completar, o grande problema da equipe, a defesa, que, até por isso, pode ser muito beneficiada do esquema. Pois, com três zagueiros e quatro meias, a proteção ao bom goleiro De Gea deve melhorar. Mesmo assim, com as saídas de Ferdinand e Vidic, que já não estavam no melhor nível, Van Gaal sentirá falta de um zagueiro mais experiente para liderar o novo sistema defensivo. Como o mercado ainda está aberto, há a expectativa que o Manchester United ainda possa trazer este jogador, que não existe no plantel.

Arsenal  

Nove anos depois, o Arsenal voltou a ser campeão da FA Cup e começou esta temporada com a conquista da Community Shield. Além disso, reforçou o elenco e só perdeu jogadores que não eram centrais ao time, ao contrário do que havia ocorrido em temporadas anteriores. Com mais de 77 M € investidos, Arsene Wenger surpreendeu e trouxe Alexis Sánchez, Calum Chambers, Mathieu Debuchy e David Ospina.  

Mas não foi apenas ao abrir o bolso que o técnico francês surpreendeu. Na Supercopa da Inglaterra, o 3 a 0 foi conquistado com um esquema diferente do 4-2-3-1 habitual do comandante. Wenger escalou a equipe no 4-1-4-1 e os jogadores responderam mostrando àquilo que o técnico queria: contra-ataques velozes, troca de passes e a boa chegada dos dois meias-centrais, Wilshere e Ramsey à área. Alexis Sánchez estreou muito bem pela ponta-direita e fez parceria interessante com o novo lateral-direito gunner, Debuchy. Por conta de bom desempenho pelo lado e porque Groud, mais uma vez, marcou, a possibilidade de utilizar o chileno como centroavante deve ser deixada de lado como plano inicial da temporada.  

 Arsenal - Football tactics and formations  

A boa atuação dos gunners não traz apenas soluções ao técnico Arsene Wenger, pois o 3 a 0 foi construído sem a presença da contratação mais cara da história do clube, Özil e com bom atuação do substituto, Santi Cazorla. Apesar disso, a Copa do Mundo traz alento ao treinador, pois, no Mundial, o camisa onze do Arsenal atuou bem partindo ponta-esquerda, justamente o espaço que o espanhol ocupou bem na primeira partida oficial da temporada. Mesmo sem jogar no posicionamento habitual, pelo centro, Özil mostrou que pode ser relevante jogando aberto. Se Santi Cazorla aceitar o banco de reservas, o problema que Wenger teria, pode se tornar uma ótima alternativa de jogo. O espanhol entrando durante as partidas pode mudar esquema, formando um 4-2-3-1, por exemplo, ou, em ausências de Özil, ser ótimo dublê do camisa onze alemão.  

Com o setor ofensivo bem definido, o foco do Arsenal neste final de mercado de transferências deve ser a defesa. No 4-1-4-1, Arteta, que foi recentemente convertido como capitão da equipe, deverá ser o volante mais fixo. O movimento de entregar a faixa ao espanhol mostra a confiança do técnico na situação física dele (uma grande dúvida antes do início de 2014-15), por isso, com o apoio de Ramsey e Wilshere deve dar segurança à defesa. A dupla de zaga deverá ser composta por Mertesacker e Koscielny, porém há a necessidade da contratação de um zagueiro para ser o reserva imediato da dupla, apesar de que Nacho Monreal e Chambers têm condições de atuarem por aquele setor.

Chelsea  

Nas últimas temporadas, independentemente do time que assumia, Mourinho colocava em prática um 4-2-3-1. O técnico luso ficou conhecido e consagrado como um dos grandes executores do sistema da moda. Porém, na primeira passagem pelo Chelsea, o Special One utilizava um 4-3-3, com Makelele mais fixo e Essien e, principalmente, Lampard com mais liberdade para chegar ao trio ofensivo.  

As contratações realizadas por Roman Abramovich permitem que o técnico luso volte ao esquema utilizado na temporada 2004-05. De qualquer forma, o elenco segue permitindo que os blues sejam escalados no 4-2-3-1, sem grandes mudanças nos onze iniciais de 2013-14. Uma dupla de volantes com Matic e Fàbregas, com Willian, Oscar e Hazard à frente não seria ruim e pode ser bastante viável para o decorrer da temporada. Mas, desde o início, imagino José Mourinho tentando colocar o 4-3-3 em ação.
  
Chelsea - Football tactics and formationsChelsea - Football tactics and formations  


No 4-3-3, Oscar perderia a vaga no time titular, mas os blues ganhariam defensivamente com a presença de três volantes no meio. O trio formado por Matic, Ramires e Fàbregas tem as características muito valorizadas atualmente: todos sabem marcar e atacar. O espanhol é bom passador e um perigo próximo à área, Ramires traz infiltrações e velocidade e Matic, o melhor marcador do trio, é muito forte, tem bom primeiro passe e alguma habilidade. Além do bom triângulo no meio, o 4-3-3 daria liberdade para Willian e Hazard ficarem mais focados na fase ofensiva do jogo, ao lado do centroavante Diego Costa. O recém-contratado agrega bastante ao elenco blue e deve garantir gols.  

A defesa, que já não preocupava, ainda ganhou um bom reforço na lateral-esquerda, posição que o elenco era mais frágil. Filipe Luís deve garantir boa marcação e interessantes avanços pelo flanco, uma eventual dobradinha pelo setor com Hazard promete incomodar os adversários. O restante da retaguarda deve contar com a boa dupla Terry e Cahill no centro e Azpilicueta na direita, mas, se Mourinho quiser mais proteção, Ivanovic pode assumir a lateral-direita. Na meta, a dúvida entre Cech e Courtois deve seguir nos primeiro jogos e será decidida de acordo com o desempenho dentro das quatro linhas.

Liverpool  

Em 2013-14, o ótimo técnico Brendan Rodgers mostrou toda a sua capacidade e, ao longo da temporada, foi rascunhando o time ideal do Liverpool. A partir de um momento, não existiu mais dúvida, o melhor dos reds seria encontrado ou no 4-1-4-1 (4-3-3), com Gerrard mais recuado e Suárez partindo da ponta-esquerda, ou no 4-3-1-2, com Sterling sendo o um atrás da infernal dupla composta pelo uruguaio e Sturridge.  

Tendo em vista as contratações e a pré-temporada, Brendan Rodgers deve apostar no 4-1-4-1, com desenho bastante similar ao que deu certo em 2013-14. A enorme ausência de Suárez deve fazer Sterling ocupar a ponta-esquerda e, no outro lado, disputa aberta entre dois recém-contratados, Markovic e Lallana. O primeiro deve começar a temporada como titular, pois o inglês iniciará a trajetória no novo clube lesionado. No centro do ataque, Sturridge, que já teve bom rendimento de gols na última temporada, terá que elevar esta marca, pois o artilheiro do Liverpool não faz mais parte do elenco.  

Liverpool - Football tactics and formations  

Neste esquema, Coutinho deve atuar como meia-central e terá papel fundamental à estratégia do técnico norte-irlandês. Mesmo não jogando como meia-atacante, o brasileiro deve ser o principal armador da equipe e terá bastante liberdade para encostar no centroavante Sturridge. Além do camisa dez, o eterno capitão Gerrard também terá responsabilidade na armação, pois é dele que o primeiro passe deve sair. Além disso, o histórico número oito é o homem da proteção à linha defensiva.  

O sistema defensivo dos reds ganhou bons reforços. Na zaga, Lovren vem de boa temporada com o Southampton e chega para ser titular, muito provavelmente, ao lado de Sakho. Outro que chama a atenção é Alberto Moreno, que, após longa negociação, vem com a expectativa de ser o dono da lateral-esquerda, setor que deu algumas dores de cabeça ao técnico Brendan Rodgers.
 
Manchester City  

Campeão e mais reforçado, o Manchester City chega mais favorito à disputa da Premier League, mas, na verdade, quer mesmo ir mais longe na Liga dos Campeões. Os 65,5 M € foram investidos naquilo que o clube mais necessitava: um zagueiro para ser titular e um volante mais de marcação. O elenco, que já era muito bom, conseguiu ficar melhor e fornece mais variantes ao técnico Manuel Pellegrini, que colocou o City no patamar que o dinheiro investido exigia. O chileno fez isso jogando de forma simples, um 4-4-2.  

O esquema, que deu certo na temporada passada, deve ser repetido neste ano com Fernando Reges ou Fernandinho ao lado de Yaya Toure na volância e Jovetic, Dzeko ou Negredo fazendo a dupla ofensiva com Agüero. O 4-4-2 deu ao Manchester City o melhor ataque da EPL, com 102 gols, mas, em algumas partidas, principalmente, jogos grandes, o time pecou defensivamente, pois faltava um volante mais marcador. Fernando Reges traz esta alternativa ao técnico chileno, o que tiraria Fernandinho do time, que esteve muito bem em 2013-14.  

Manchester City - Football tactics and formations  

Porém, sacar Fernandinho pode não ser a melhor alternativa. Manuel Pellegrini pode colocar um esquema que chegou a testar, o 4-2-3-1. Com este outro desenho, os citzens teriam mais proteção à zaga, com Fernando Reges e Fernandinho na volância. Além disso, o Manchester City teria o seu principal jogador, Yaya Toure, com grande liberdade e ele voltaria a jogar em função que já exerceu com a camisa sky blue. O problema seria abrir mão de dois atacantes e ter só Agüero no ataque, tendo jogadores da qualidade de Jovetic, Dzeko e Negredo no elenco.

Manchester City - Football tactics and formations 

A grande evolução no time deve ser vista na defesa. Mangala vem do Porto e chega para formar uma dupla interessante com Kompany, que vem de uma temporada de altos e baixos. Com um defensor melhor ao seu lado, o belga deverá render melhor e voltar ao nível de 2012-13. Além do zagueiro portista, Sagna e Caballero chegaram e, ambos, podem pressionar os titulares, Zabaleta e Hart, que não são jogadores completamente constantes.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Podcast Simplificando Futebol 3

 Na europa, está chegando a hora de levantar taça (Harold Cunningham/Mirror)

Mais um podcast do Simplificando futebol, desta vez, os comentaristas convidados são Pierre Andrade e Tauan Ambrosio, do site Goal.com.br. O papo foi longo, pois falamos muito da reta final do futebol europeu, focando nos campeonatos que estão mais equilibrados.

Pela ordem, os assuntos foram:

- Reta final da Premier League, com destaque para o bom trabalho de Brendan Rodgers no Liverpool;

- Últimas rodadas da Liga Espanhola, falando também um pouco da final da Copa do Rey, que ocorrerá nesta quarta-feira;

- Confrontos de semifinal da Liga dos Campeões


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Enfermedades Futboleras 14

Esta é a última coluna do ano e ficarei de férias por um tempo em janeiro. O blog seguirá, pois tenho um texto agendado para o final do ano. A ideia deste resumo do futebol internacional, baseada em coisas que já existem na Europa, foi muito boa para mim. Me esforcei a acompanhar mais futebol, mais jogos e, por isso, falo sem medo: hoje, sei mais de futebol do que sabia antes. Os resultados de acessos não foram maravilhosos, porém, não posso reclamar. Portanto, seguiremos ano que vem.

O óbvio grito de “é campeão”

Com gols de Dante e Thiago o Bayern cumpriu a missão cinco e fecha o ano com cinco taças (FcBayern.de)

Contra o Raja Casablanca, contra o Atlético Mineiro, contra o Monterrey, contra quem quer que seja, hoje o Bayern é favorito. Neste sábado, Pep Guardiola optou por começar com Götze no banco e com Thomas Müller como falso nove. Apesar das mudanças e de um estádio que apoiava o adversário, os bávaros não tiveram problemas para alcançarem a vitória por 2 a 0. Sem forçar, com a marcação pressão, a movimentação dos meias e com 76 % de posse de bola, o time alemão deu poucas chances aos marroquinos. 

O Raja até assustou, em momentos que o Bayern pareceu se desligar do jogo, mas o gol não saiu. Independente do zero no seu lado do placar, o que os green boys fizeram na competição é histórico, pois nunca um time do país-sede havia chegado tão longe e, sem dúvida, superaram adversários mais fortes nesta caminhada. Além do resultado em campo, os marroquinos conseguiram emocionar a todos e uniram a torcida ao redor da equipe, que apoiou muito a equipe durante toda a competição. O corredor de honra armado pelos bávaros aos green boys foi emocionante e uma justa homenagem para fechar a participação histórica no Mundial. 

Portanto, sem dificuldades, os bávaros conquistaram o quinto título deste elenco na temporada: Bundesliga, Copa da Alemanha, Liga dos Campeões, Supercopa da Uefa e, agora, o Mundial de Clubes – faltou a Supercopa local para igualar o Barcelona de Guardiola, em 2008-09. Além de voltar campeão à Alemanha, o Bayern chegará com uma distância para o segundo colocado, Bayer Leverkusen, igual à que deixou quando viajou ao Marrocos, confortáveis sete pontos, com um jogo a menos.

Um 1 a 0 enorme

O cruzamento rasteiro de Guarín, a antecipação sobre Zapata e a finalização de letra de Palacio (Inter/it)

Inter e Milan não são mais os times que foram recentemente, o futebol italiano em si não é a potência que foi capaz de colocar três semifinalistas (os rivais de Milão estavam lá) e dois finalistas na Liga dos Campeões, em 2002-03. Mas um dérbi de Milão nunca será um jogo sem importância. Ambos em momentos ruins e tendo a partida como a última antes da parada de inverno, uma vitória seria fundamental, por isso, o jogo foi tão brigado. Mazzarri manteve a Inter no 3-5-1-1, com Guarín atuando atrás do móvel centroavante Palacio. O ameaçado Allegri armou o Milan com Kaká apoiando Balotelli no ataque.

Os dois homens mais avançados de ambos os times fizeram boas partidas e se esforçaram muito para criarem na frente. Afinal, na maior parte das vezes, o sistema defensivo adversário teve superioridade numérica nas disputas. Por conta das boas participações dos jogadores mais ofensivos, rossoneri e nerazzurri tiveram inúmeras chances, mas, quando chegaram, Abiatti e Handanovic fizeram boas defesas. O interista vacilou em algumas bolas cruzadas, porém, isto não prejudicou o desempenho dele. A diferença da Inter foram as mexidas que deram certo. Kuzmanovic entrou no lugar do cansado Zanetti, Kovacic na vaga de Taider e Icardi substituiu Cambiasso. A partir daí, os nerazzurri tiveram um 3-4-1-2, com Kovacic atrás da dupla de argentinos e com Guarín na linha de quatro meias. Com um parceiro no ataque e mais gente para chegar pelo meio – Kova e Guarín –, Palacio funcionou melhor.

O gol decisivo saiu em uma jogada que mostrou claramente a importância das mudanças: Guarín invadiu a área e cruzou rasteiro para o meio, onde o camisa oito nerazzurro apareceu para marcar de letra. “Foi o gol mais importante da minha carreira. Foi uma vitória que nos dá confiança, vamos de férias feliz", a definição do goleador da noite é muito válida, pois a Inter voltará da parada de inverno com um novo ânimo, enquanto o Milan entra em férias recheado de dúvidas, a principal delas: será que Allegri iniciará 2014 empregado?

O melhor atacante do mundo

Suárez sabe o caminho do gol, na Premier League, a artilharia é dele com 19 gols (Premier League)

Talvez Ibrahimovic seja tão importante para o próprio time, como Suárez é para o Liverpool. Porém, hoje, o camisa sete está um patamar acima. Especulado para sair durante a janela de transferências e suspenso no início da boa jornada dos reds na Premier League, atualmente nada lembra este início de temporada turbulento. Desde que voltou, o uruguaio atuou em 12 partidas da competição e marcou 19 vezes – mais do que os artilheiros de 1997-98 e 1998-99 –, e, agora, está de contrato renovado, para ganhara 200 mil libras por semana. Portanto, vive o mundo ideal. Neste final de semana, Luisito ajudou a recolocar o Liverpool na liderança da Liga – a primeira vez, desde 2008, que o time chega ao natal na ponta da tabela. 

Contra o Cardiff, o 4-3-3 do Liverpool teve o estilo de Brendan Rodgers: muita posse de bola (69%) e muitos passes trocados, foram 557, enquanto os rivais passaram entre si apenas 185 vezes. No 3 a 1, Suárez fez dois e, ainda mostrou companheirismo, ao sair na frente do goleiro e preferir a assistência para Steriling empurrar a bola para o gol vazio. Os três gols dos reds saíram na primeira etapa. Além do uruguaio, destaque para o autor do outro gol, que abusou da velocidade na ponta-esquerda, e os meias Henderson e Lucas Leiva. O brasileiro foi o homem do primeiro passe, 91 passes, com 93% de acertos, e, o inglês, participou dos três gols, com duas assistências e o passe que iniciou a jogada finalizada por Sterling.

Após o intervalo, o time se descuidou um pouco da defesa, fazendo muitas faltas e dando chances ao Cardiff cruzar bolas na área. Em um desses lances, veio o gol dos bluebirds, que poderiam até ter incomodado mais a vitória do Liverpool. Mas, o que chamou a atenção pelo lado galês, foram os protestos em Anfield. Os torcedores pedem a saída do proprietário, Vincent Tan, que além de investir no time, mudou as cores tradicionais e o escudo. A relação entre o dono e a arquibancada parece ter alcançado o limite, porém, nas várias vezes que foi focalizado, o asiático, que parece muito o PSY, não se mostrou incomodado com os diversos cartazes e cânticos dos galeses.

Sem problemas 

O atual tricampeão e vice-líder da Liga de Sagres, Porto recebeu o penúltimo colocado Olhanense, no Estádio do Dragão. Um gigante vindo de três títulos e um pequeno na zona de rebaixamento, o resultado foi um domínio total portista. No 4-3-3 do técnico Paulo Fonseca, destaque para o alto índice de posse de bola, inversão dos pontas e bom aproveitamento em bolas paradas. Apesar do 4 a 0 contrário, o goleiro rubro-negro Belec, que está emprestado pela Internazionale, fez boas defesas. Mas, o ponto alto foi a atuação do desconhecido brasileiro Carlos Eduardo, meia com mais liberdade para se juntar aos atacantes no sistema tático. Foi a segunda partida como titular do camisa e o desempenho foi impressionante: duas assistências (em cobranças de escanteio) e um golaço. A goleada mantém o Porto na perseguição do líder Sporting.

Com a cara de Mourinho

 Com pragmatismo, Mourinho está podendo sorrir no Chelsea. Hoje, alcançou o décimo jogo invicto contra Wenger (AFP)

Nesta segunda, Arsenal e Chelsea se enfrentaram no Emirates Stadium e não saíram do zero – ao todo, os times acertaram o gol rival apenas seis vezes. Wenger e Mourinho repetiram o tradicional 4-2-3-1, a novidade foi pelo lado dos blues: Mikel e Lampard na volância, Willian à esquerda, Ramires no centro e Hazard à direita, que, no segundo tempo, voltou para a ponta canhota. Porém, apesar da escalação, foi o Chelsea que conseguiu as melhores oportunidades durante todo o jogo, o camisa 17 foi destaque na criação das jogadas. Nos primeiros momentos, estranhamente, não foi o Arsenal que conseguiu exercer pressão na saída de bola adversária e, sim, os comandados do Special One. 

No segundo tempo, o panorama mudou, os gunners aproveitaram que o Chelsea abdicou da marcação avançada e optou pelos contra-ataques, que chegaram a assustar. Mesmo melhor, o Arsenal não alcançou o gol, em duas ocasiões, Giroud falhou na finalização e, também, faltou mais de Özil, que, muitas vezes, apareceu longe da área, onde seus passes não puderam ser decisivos. Além disso, Wenger não utilizou o bom banco, que, nesta segunda, teve Podolski e Cazorla, por exemplo. Mas a vitória foi a consagração da opção de Mourinho, que, desde o princípio, destacou o sistema defensivo em detrimento do ataque. Assim foi no empate em 0 a 0, contra o United, Old Trafford, e, no 2 a 1, contra o City, em Stamford Bridge, quando a vitória só veio após falha emblemática da defensiva dos citzens. Desta forma, jogando estrategicamente, os blues estão na quarta colocação a dois pontos dos líderes.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Os erros milionários dos reds


A torcida do Liverpool não gostou do clube na mão de norte-americanos (EPA disponível no site dailymail.co.uk)

Na mão do fundo norte-americano Fenway Sports Group (donos do Boston Red Sox, da Major League Baseball) desde outubro de 2010, dinheiro não parece ser o problema para o Liverpool. Porém, saber o que fazer com ele não tem sido fácil. Várias contratações milionárias foram feitas, mas, a maior parte delas, passou longe de dar certo em Anfield.

Logo início da trajetória no comando da tradicional equipe, o fundo norte-americano fez investimentos enormes: trouxe os atacantes Andy Carroll, do Newcastle, por 36 milhões de libras e Luis Suárez, do Ajax, por mais de 23 milhões de libras. As contratações foram uma resposta para a saída de Fernando Torres, que foi para o Chelsea por 50 milhões de libras.

No segundo ano do novo dono, contratações em massa. Os meias Henderson, do Sunderland (15 mi) e Charlie Adam, do Blackpool (7 mi); o meia-atacante/ponta Stewart Downing, do Aston Villa (20 mi); o zagueiro Sebastián Coates, do Nacional-URU (7 mi); o lateral-esquerdo José Enrique, do Newcastle (7 mi) e o goleiro Doni, da Roma, e o atacante Craig Bellamy, do Manchester City, em transferências sem custos.
Para 2012-13, muito dinheiro e, por enquanto, pouco resultado. Os nomes: o meia-central Joe Allen, do Swansea (16 mi); o atacante Fabio Borini, da Roma (quase 12 mi); o meia-atacante/ponta Oussama Assaidi, do Heerenveen (3,5 mi) e o empréstimo de Nuri Sahin, do Real Madrid (4 mi). No começo de 2013, o Liverpool ainda trouxe o atacante Daniel Sturridge, do Chelsea (13,2 mi).

Ao todo, 14 contratações para o time principal e que custaram 163,7 milhões de libras. Entre esses 14 jogadores, hoje, José Enrique e Luis Suárez são titulares no meio-campo. Os meias Sahin, Henderson e Joe Allen têm minutos no time, mas não podem ser considerados titulares absolutos dos reds, pois há muita rotação no meia-cancha de Brendan Rodgers.

O uruguaio se tornou a grande estrela da companhia e foi – e ainda é –, de fato, o investimento mais acertado do grupo norte-americano. Com a camisa sete, mesmo não sendo um centroavante tradicional, ele é o atacante centralizado no 4-3-3 ou no 4-2-3-1 do treinador norte-irlandês. Por isso, é o grande fazedor de gols do Liverpool. Na EPL, são 20 jogos, 15 gols e três assistências.

O centroavante que falta ao Liverpool

O grandalhão Andy Carroll custou caro, mas não deu certo com a nove do Liverpool (John Powell-Liverpool FC via Getty Images)

Os erros da nova diretoria do time da terra dos Beatles são claros. Mas o maior problema é a falta de um centroavante clássico no elenco, são vários atacantes, mas nenhum deles é, prioritariamente, um homem de área.. Este jogador seria Andy Carroll, porém, o ex-Newcastle não deu certo. O cabeludo chegou dos magpies após uma largada muito boa na temporada 2010-11. Eram 19 jogos, 11 gols e três assistências na English Premier League. No Liverpool, o desempenho não foi repetido. Ainda no ano em que foi contratado fez apenas nove jogos (seis como titular) e só balançou as redes duas vezes. Um jogador de 36 milhões de libras merece mais uma chance, mas, em 2011-12, também decepcionou: 29 partidas como titular, 18 vindo do banco, nove gols e quatro assistências – cinco tentos e dois passes decisivos foram dados em copas nacionais.

O desempenho para o preço que foi pago é muito fraco. Mas um homem de área como Carroll é a grande carência no elenco dos reds, talvez, a insistência com ele pudesse valer.

No 4-3-3 do técnico Brendan Rodgers, que prioriza a posse de bola, o homem centralizado do ataque é Luis Suárez. O uruguaio pode funcionar e hoje funciona como centroavante. Porém, o camisa sete também sabe jogar pelos flancos (já fez isso no Ajax e na seleção) e, no centro, não é tão forte para jogar de costas para os zagueiros. Jogando pelos lados dando apoio a um centroavante, o rendimento ofensivo do Liverpool poderia melhorar – é o sétimo melhor da EPL, com 34 gols anotados.

Sturridge chegou recentemente e já marcou na FA Cup, quando jogou como centroavante. Porém, antes de ficar de fora das escalações do Chelsea, André Villas-Boas deu espaço para o recém-contratado dos reds na ponta-direita de seus times, seja no 4-3-3 ou 4-2-3-1 ou até no 4-1-4-1. Atuando aberto pela direita o agora camisa 15 dos reds, funcionou bem. Canhoto, Sturridge tinha a boa opção do corte para o meio e o chute forte com a perna esquerda. Portanto, mais um atacante contratado sem ser exatamente o homem de área que faz falta no elenco do técnico norte-irlandês.

Um “trombador” (como Carroll) ou até um centroavante mais técnico, mas com bastante força física, poderia ser uma alternativa bastante válida para o elenco de Brendon Rodgers, mesmo que este estilo de jogador não case com a mentalidade do comandante dos reds. Se Carroll não serviu, o Liverpool deve ir atrás de outro centroavante. Ao longo do post, ficou claro que dinheiro não é problema para os mandatários do clube.

Em breve, o Liverpool e, principalmente, Brendon Rodgers serão o assunto da minha coluna sobre tática no Premier League Brasil.

*Os valores das transferências apresentadas nesta postagem são resultado do levantamento do site: http://www.transfermarkt.co.uk.