quarta-feira, 16 de abril de 2014

Podcast Simplificando Futebol 3

 Na europa, está chegando a hora de levantar taça (Harold Cunningham/Mirror)

Mais um podcast do Simplificando futebol, desta vez, os comentaristas convidados são Pierre Andrade e Tauan Ambrosio, do site Goal.com.br. O papo foi longo, pois falamos muito da reta final do futebol europeu, focando nos campeonatos que estão mais equilibrados.

Pela ordem, os assuntos foram:

- Reta final da Premier League, com destaque para o bom trabalho de Brendan Rodgers no Liverpool;

- Últimas rodadas da Liga Espanhola, falando também um pouco da final da Copa do Rey, que ocorrerá nesta quarta-feira;

- Confrontos de semifinal da Liga dos Campeões


sábado, 5 de abril de 2014

Volta e futuro incertos

Apesar das dúvidas ao seu redor, Gündogan segue valorizado e tende a voltar bem aos gramados. No meio ano, ele poderá decidir onde seguirá a trajetória futebolística (Action Images) 


Ilkay Gündogan é um dos melhores jogadores da atualidade, pois consegue ser relevante no ataque e na defesa, como o futebol moderno exige. Porém uma complicada lesão nas costas (compressão espinal), o afasta dos gramados desde 14 de agosto de 2013. Na data, marcou um dos três gols da seleção alemã e foi substituído aos 27 minutos, no empate em 3 a 3 contra o Paraguai – ainda não há previsão de volta, mas recentemente, Klopp declarou que ele não jogará mais na temporada.

Desde que se lesionou, o talentoso meia-central de 23 anos vem brigando com a séria lesão, que muitas vezes não mostrou evolução. Em janeiro, voltou a treinar, mas, com uma infecção, novamente foi afastado das atividades. Na época ainda havia a possibilidade de que Gündogan voltasse a jogar nesta temporada, porém, no dia 10 de abril, em coletiva, o técnico do Borussia Dortmund, Jürgen Klopp declarou: “Ele não se recuperará a tempo. Isso é muito duro para nós, sobretudo para ele. Porém, está evoluindo e ficará bem. É preciso tempo. Temos que esperar”.

Sem uma das figuras centrais por toda a temporada e várias outras baixas por menos tempo, os aurinegros vêm sofrendo e não repete os bons desempenhos de anos anteriores. Mas, longe dos gramados há praticamente oito meses, Gündogan é o que mais sofre. Ao jornal Bild, o meia-central explicou a difícil situação: “É um período duro, o mais duro da minha carreira. Para mim, é muito importante, pois vejo a luz no fim do túnel”.

É natural que o selecionável alemão esteja sofrendo com o tempo fora de campo. Antes da lesão, o meia-central aurinegro era um dos jogadores mais procurados do mercado. Barcelona, Manchester United e Real Madrid estavam dispostos a investir muitos milhões de euros para contar com o futebol de Gündogan. Além disso, com um contrato encerrando no final da temporada 2014-15, já podendo assinar um pré-contrato em dezembro deste ano, o Borussia Dortmund também disporia de uma boa quantia para tentar ampliar o vínculo com camisa oito. E, claro, seria nome certo de Joachim Löw para a Copa de 2014.

Na teoria, esta grande demanda por Gündogan teria diminuído, porém, na prática, acontece com ele o mesmo que ocorreu com Paulo Henrique Ganso, depois da primeira lesão no joelho. A partir daquele momento, o ex-santista foi muito valorizado e chegou a ser considerado insubstituível na função de meia-atacante pelo centro na seleção brasileira. Assim como o brasileiro naquele período, hoje, o alemão é um jogador de imaginação e que não se prova no campo há quase oito meses.

Não há dúvida de que antes de se machucar, o camisa oito era um meia-central dinâmico, capaz de dar ritmo ao time, correto nas roubadas de bola, dono de ótima visão de jogo, excelente passador e bom chutador de longa distância. Ainda hoje, Barcelona, Manchester United, Real Madrid e, agora, o Bayern de Munique falam na contratação do selecionável alemão. Os quatro gigantes europeus acreditam que, após a recuperação, Gündogan será o mesmo jogador que era antes e, por ser jovem, ainda conta com bom espaço de evolução.

Gündogan já assumiu que o longo período fora das quatro linhas mexeu com o psicológico dele. Mas o meia-central também garantiu, na mesma entrevista supracitada, que voltará e, à época, mostrou que pensava em Copa do Mundo: “Eu tenho certeza que, em breve, eu estarei jogando futebol em alto nível. E depois vem o Mundial. Minha carreira está acabada? Obviamente não”. Ao contrário do que ocorreu com PH Ganso, vejo em Gündogan uma possibilidade de voltar a jogar em alto nível. Pois terá tempo de fazer uma boa pré-temporada e voltar apenas em 2014-15. O brasileiro, que sofreu outras lesões sérias depois, até hoje, não voltou a ser visto como o jogador que surgiu no Santos junto com Neymar.

Quem está mais próximo do selecionável alemão, também acredita na pronta e completa recuperação do jogador. Por isso, no último dia de março deste ano, o diretor de operações do Borussia Dortmund, Hans-Joachim Watzke informou que ofereceu uma extensão de contrato para Gündogan e espera um retorno dele. Anteriormente em 2014, o camisa oito declarou que, em meio às diversas propostas, daria prioridade ao ouvir o que os aurinegros ofereceriam para ele.

Portanto, mesmo parado há oito meses, Gündogan segue em alta e terá uma escolha a fazer depois da Copa do Mundo, que não jogará. Como o Borussia Dortmund não parece disposto a repetir com o meia-central o que ocorreu com Lewandowski (sairá de graça para o Bayern, ao final do contrato), o camisa oito terá que decidir se renova com os aurinegros ou se parte para um desafio em um gigante europeu. Apesar da séria lesão, Ilkay Gündogan parece capaz de ser ainda mais importante no futebol mundial.

*Post atualizado no dia 11/04/2014

sexta-feira, 21 de março de 2014

É tempo de Quaresma

 De azul e branco, Quaresma vai bem e, se mantiver o nível, jogará a Copa no Brasil (AP Photo)

Para os cristãos, a quaresma é o período de penitência, oração e conversão, e dura 40 dias. Porém, no futebol, o nome Quaresma é sinônimo de habilidade, jogadas de trivela e frustração. O veloz e extremamente habilidoso ponta-direita português surgiu no início dos anos 2000 no Sporting e chegou como grande promessa ao Barcelona, onde não repetiu o nível do futebol. Voltou à Portugal para vestir o azul e branco do Porto, novamente, brilhou e foi vendido, por quase, 20 M € à Inter, de José Mourinho. Mais uma vez, não conseguiu jogar bem longe de casa, teve ainda uma chance, através de um empréstimo, foi para o Chelsea, onde pouco entrou em campo. 

Após não dar certo em grandes centros, Quaresma foi para Turquia, onde jogou pelo Besiktas. Como no restante da carreira, foram dois anos de altos e baixos e a impressão de que o ponta-direita seria mais uma das eternas promessas do futebol mundial. A certeza veio com o próximo passo da trajetória futebolística, um mercado ainda menor, o Al Ahli Dubai. Muitos falaram que a carreira estava terminada, que Quaresma teria optado apenas por ganhar dinheiro e que tinha perdido o interesse de voltar a ter relevância no futebol.

Porém, após longo período de penitência, que durou muito mais de 40 dias, Quaresma teve mais uma chance no país natal. Atual tricampeão e em baixa na temporada 2013-14, o Porto trouxe o craque das trivelas como grande contratação de janeiro. As primeiras declarações davam o tom do que o novo camisa sete azul e branco esperava da volta: “Estou feliz por estar de volta a uma casa que conheço bem, onde sinto carinho e a confiança das pessoas. O mais importante é me sentir feliz e é nesta casa que me sinto feliz”. 

E, de fato, voltar ao Porto parece ter acabado com o período de penitência de Ricardo Quaresma. Desde o princípio, cercado de desconfiança, o camisa sete mostrou que se sente bem no Porto. Normalmente, jogando como ponta-direita – ora no 4-3-3, ora no 4-2-3-1 – o camisa sete tem mostrado o que de melhor fez na carreira: dribles imprevisíveis, bons passes, gols e, até, consegue colaborar bastante com o sistema defensivo portista. Os números refletem o bom recomeço no Dragão: 16 partidas (1232 minutos em campo), nove gols (inclusive, o golaço na última quinta, contra o Napoli, na Liga Europa) e duas assistências. 

Se na Liga de Sagres, a distância para o líder Benfica parece inalcançável (12 pontos), os bons desempenhos de Quaresma têm sido fundamentais para o Porto estar nas quartas de final da Liga Europa. Portanto, nas partidas contra o Sevilla, os azuis e brancos contarão muito com o seu camisa sete para alcançarem a semifinal. A largada animadora do ponta-direita e a falta de jogadores de qualidade na função dele na seleção portuguesa, fazem com que haja a possibilidade da presença de Quaresma no Mundial do Brasil. 

Uma convocação para a seleção das quinas não vem desde 2013, quando, no dia 2 de junho de 2013, atuou por cinco minutos, na derrota por 3 a 1 para Turquia. Além disso, em 2012, esteve entre os 23 convocados para a Euro 2012. Mesmo vestindo a camisa dez, Quaresma foi reserva em todas as partidas e não entrou em nenhuma delas. Mas agora, o contexto é outro, portanto, há a clara impressão de que, se mantiver o nível de atuação, o camisa sete poderá sim vir à Copa do Mundo. Ter mais um jogador de talento e em boa fase, poderá ajudar muito a Cristiano Ronaldo liderar Portugal à fases mais agudas do Mundial de 2014.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Obrigado, Rivaldo

A maior obra de arte de um gênio (Reuters)

Parou o Rivaldo. É aquele Rivaldo? É ele mesmo, aos 41 anos, ele resolveu parar, depois de rodar por times menores, se comparados aos que defendeu no restante da carreira. Eu sou fã do Rivaldo e acho que todos deveríamos ser. Mas não são todos que gostam deste gênio da bola, sem dúvidas, um dos melhores que vi jogar. Porém, Rivaldo nunca teve marketing, não é bom de entrevista e é bem reservado. Podemos dizer que, fora de campo, sempre se escondeu. 

Mas, dentro das quatro linhas, era justamente o oposto, aparecia muito. Em 2002, dividiu muito bem o protagonismo com o outro R, muito mais midiático que o dez verde e amarelo e, talvez por isso, Rivaldo não seja lembrado como melhor daquele Mundial - pra mim, foi. Antes do ápice na seleção, Rivaldo foi o melhor do planeta em 1999, quando jogava pelo Barcelona. 

Ainda vestindo blaugrana, em 2000-01, o Barça precisava de uma vitória no Campeonato para chegar a Liga dos Campeões. Em um Camp Nou lotado, o camisa 11 brilhou e fez os três na vitória sobre o Valencia, por 3 a 2. O gol da vitória veio nesta linda bicicleta da entrada da área, após passe de Frank de Boer - um dos mais lindos que vi na vida. 

Por essas e por outras que Rivaldo é um dos meus grandes ídolos no esporte, que também por culpa dele, aprendi a amar.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O nove espanhol

 Para Negredo, o caminho da Copa está passando pelos ótimos desempenhos em Manchester (Alex Livesey/Getty Images)

O último post do blog foi sobre camisas nove e este também será, falarei especificamente da lacuna na seleção espanhola. Na verdade, uma fraqueza que é recente, mas que não deverá durar até o Mundial. Pois, ao contrário dos últimos tempos, hoje, a roja tem opções para comandar o ataque na Copa de 2014 e Vicente del Bosque não terá tanta facilidade para escolher os homens de frente espanhóis, que virão ao Brasil neste ano.

Esqueça Villa e Fernando Torres, que formaram o ataque campeão da Euro 2008, quando, com Luis Aragonés (falecido nesta semana, uma dica: a homenagem do Xavi ao técnico, no El País, está sensacional), a Espanha apostava em um 4-4-2 – o primeiro foi o artilheiro e o segundo decisivo na final. A dupla também esteve no Mundial de 2010, mas, desta vez, só Villa foi titular o tempo todo (acabou artilheiro novamente), pois o camisa nove chegou com alguns problemas físicos, por conta de uma cirurgia no joelho às vésperas da Copa. Ainda por cima, Vicente del Bosque apostava em um 4-2-3-1. Porém, atualmente, ambos estão longe do nível que estiveram até 2010 e podem tranquilamente serem descartados.

A formação tática atual é o 4-3-3, portanto, o espaço para o centroavante segue ali, mas o nome está indefinido por enquanto. Além dos dois principais nomes do ataque no último Mundial, Soldado, Negredo e Llorente se revezaram como reservas na Copa de 2010, na Euro 2012 e na Copa das Confederações de 2013. Porém, os três jogadores, que mudaram de clube e de país na última janela de transferência, vivem momentos bem diferentes. O mais caro deles, Soldado não se firmou e perdeu espaço no Tottenham. Negredo, que também custo bastante para o City, está jogando muito bem na Inglaterra e, ao lado de Agüero, é titular do ataque dos citzens. Llorente não começou absoluto na Juventus, mas agora se firmou e cresceu de produção.
Diego Costa teve ótimo ano em 2013 e surge como forte candidato a uma das vagas no ataque da Espanha (AP Photo/Paul White)

Na seleção a história é semelhante, Soldado, que chegou a ser titular na Copa das Confederações, perdeu a posição durante a competição e ficou sem espaço na Espanha. Portanto, Llorente e, principalmente, Negredo se colocam como principais opções de centroavantes já conhecidos de Vicente del Bosque e estariam bem próximos da convocação à Copa. Mas, neste ano, uma alternativa surgiu com muita força, Diego Costa, que recentemente rechaçou o interesse de Felipão e optou por jogar pela roja

O jogador do Atlético de Madrid é a nova opção que não dá tranquilidade aos velhos conhecidos de Vicente del Bosque. O hispano-brasileiro é, dentre as opções espanholas, o que tem mais gols na temporada (veja a tabela no final do post) e tem sim boas chances de deixar Llorente ou Negredo de fora da Copa. Acredito que o técnico espanhol escolherá apenas dois centroavantes para o Mundial, pois recentemente, a roja alinhou várias vezes sem um nove clássico.

Além disso, a Espanha ganhou notoriedade no futebol mundial pelos meias que produz. Por isso, quanto mais meias puderem ser convocados, mais fácil será para Del Bosque fazer a difícil escolha. Deixando de lado os volantes, como Javi Martínez, Sergio Busquets e Xabi Alonso, ainda são muitas opções que estiveram nas grandes competições vencidas pela roja nos últimos anos: Xavi, Iniesta, David Silva, Santi Cazorla, Jesús Navas, Juan Mata e Pedro Rodríguez. Também não podemos esquecer de Koke e Thiago Alcántara, que estão muito bem em Atlético de Madrid e Bayern de Munique, respectivamente. E, se tiver mais espaço no Real, Isco poderá pleitear uma vaga. Portanto, mesmo que haja muitas vagas no meio-campo, Del Bosque não terá vida fácil.

Alternativa do falso nove

Mas está enganado quem pensa que ter só dois noves clássico na convocação limitará o técnico à dois nomes no centro do ataque. Fàbregas é o jogador para ser o falso nove da roja. Cesc já se posicionou no meio do ataque algumas vezes (na Euro 2012, por exemplo) e costuma fazer este papel no Barcelona, quando Messi não está em campo. Dos 22 jogos que entrou em campo nesta temporada, o camisa quatro blaugrana foi falso nove por dez vezes, marcando três gols e cedendo duas assistências. Apesar de não decepcionar no ataque, quando joga na dele (meia-central), Fàbregas rende mais. Por dar opções para Del Bosque, Cesc deve ser mais um dos meias da equipe e, ao mesmo tempo, o terceiro atacante do grupo.

Acredito que de início, a Espanha alinhará no 4-3-3, com um centroavante clássico no meio da defesa adversária, para dar opções diferentes ao “tiki-taka” espanhol, como jogadas de bolas aéreas. Mas, em algumas partidas do Mundial, o falso nove com Fàbregas será uma alternativa bem interessante.



Jogador
Gols
Assists
Jogos
Finalizações p/ jogo
Porcentagem de Passes completos
Álvaro Negredo (Manchester City)
14
4
28
2,5
75,6%
David Villa (Atlético de Madrid)
11
3
25
2,1
71,7%
Diego Costa (Atlético de Madrid)
24
4
25
3,5
75,5%
Francesc Fàbregas (Barcelona)
8
11
26
1,5
85,5%
Fernando Llorente (Juventus)
11
3
24
2,2
73%
Fernando Torres (Chelsea)
6
2
20
1,7
59,9%
Roberto Soldado (Tottenham)
8
4
22
2,4
74,7%
*números disponíveis no site WhoScored.com e que só englobam competições europeias (Liga dos Campeões e Liga Europa) e ligas nacionais.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A camisa nove

Suárez é, hoje, o melhor centroavante no mundo, mas são vários camisas nove jogando em alto nível no futebol mundial (Andrew Powell/Getty Images)
 
Há, praticamente, dois anos escrevi um post sobre centroavantes, citando exemplos de professores na função. Mas, desta vez, a ideia é diferente, falarei da situação dos camisas noves no futebol contemporâneo. Apesar das críticas constantes a jogadores da posição e de mais técnicos utilizarem a opção do falso nove, hoje são diversos centroavantes atuando em alto nível no mundo e nos mais diferentes estilos de jogo. 

Minha percepção é que o nove não morrerá e, como diz o amigo jornalista, Thiago Rabelo: “quem tem centroavante é feliz”. Porém, hoje, a função mudou. Claro, ainda existem aqueles atacantes que vivem dentro da área e só aparecem em um toque, o chute do gol, mas, no futebol de alto nível, este tipo de jogador está cada vez mais raro. Os centroavantes de grande valor já sabem disso e se adaptaram ao novo cenário do futebol mundial. 

O nove atual tem que ter bom poder de finalização e, de preferência, saber chutar de fora da área – e claro com as duas pernas. Porém, esta já era uma característica básica anteriormente, o que se tornou mais importante é aliar isto à visão de jogo e à qualidade no passe. O centroavante, muitas vezes, deixa a área e vê os pontas e laterais invadirem o “seu espaço” para realizarem a finalização. Portanto, o passe preciso pode resultar em uma assistência e até definir um jogo. Em uma passada rápida na lista de assistentes das grandes ligas europeias, alguns camisas nove figuram entre os destaques, muito por conta deste movimento – em La Liga, Bacca e Benzema; na Ligue 1, Ibrahimovic; na Premier League, Giroud; e, na Serie A, Higuaín, Luca Toni e Palacio são destaques no quesito. 

Outro ponto que destaco sempre no futebol dos centroavantes atuais é a capacidade para driblar, nada que peça muito refinamento, mas cortes capazes de limpar espaço para a finalização. Pois, com a marcação mais apertada, um passe que forneça total liberdade para o finalizador é raro, portanto, o drible pode garantir a oportunidade do chute e, consequentemente, do gol. Além disso, o aspecto físico deve ser desenvolvido, porque isto pode ser a diferença entre permanecer em pé e conseguir o arremate ou desperdiçar uma oportunidade clara, após uma trombada do adversário. 

Portanto, os centroavantes deixaram de ser apenas os homens do gol e participam de todo o jogo ofensivo das equipes: com passes, abrindo espaços e fazendo o pivô. Outro ponto que não pode faltar nos noves de destaque no futebol atual é a presença na defesa, pois são muitos times que jogam com marcação pressão. Neste sistema, a participação do atacante neste movimento da saída adversária, constantemente resulta em gols, por isso, a aplicação defensiva também é importante.  

Novamente, faltam brasileiros 

 Fred foi amado pelos companheiros na reta final da Copa das Confederações. Brasileiros esperam que ele repita as atuações no Mundial (Ag. Reuters)

Neste contexto, os brasileiros estão ausentes dos dez principais centroavantes do futebol mundial, apesar de nem todos terem porte de centroavante e nem sempre jogarem centralizados. A minha lista dos dez contaria com: Agüero, Cavani, Diego Costa, Falcao García, Ibrahimovic, Lewandowski, Lukaku, Negredo, Suárez e Van Persie. Dentre eles, Agüero, Falcao García, Ibrahimovic, Suárez e Van Persie estão acima dos demais, em termos de potencial. Porém, nem todos estão nos melhores momentos das carreiras e, mesmo assim, conseguem ficar entre os principais nomes da posição. 

Desde a época do post citado no início deste texto, faltavam brasileiros entre os principais destaques da posição e, quase dois anos depois, o panorama não mudou. Nas principais ligas da Europa e em alguns mercados menores, os brasileiros não são destaques absolutos na artilharia. Mas jogadores nascidos aqui conseguiram balançar as redes de forma relevante: na Bundesliga, Raffael (9 g) e Roberto Firmino (8 g); na Serie A, Eder (9 g); na Eredivisie, Lucas Piazon (11 g); e, na Premier League Russa, Hulk (9 g). 

Nenhum deles, um claro centroavante, por isso, as melhores alternativas para a camisa nove verde e amarela estão no Brasil. Uma delas está longe de ser ruim, é o ótimo Fred, porém, o centroavante do Fluminense não é tão confiável, pois se lesiona constantemente e nem sempre repete a atuação intensa que teve contra a Espanha, na final da Copa das Confederações. O jogador daquela partida estaria entre os 15 melhores homens de área do mundo, mas afetado por uma lesão na coxa, Fred não atua desde setembro de 2013. Portanto, o melhor nove brasileiro é um grande ponto de interrogação. 

As outras opções para a seleção acabam sendo jogadores que não são considerados de nível tão alto e que, ainda por cima, não vivem o melhor momento da trajetória futebolística. Os últimos camisas nove convocados para a reserva de Fred foram Alexandre Pato, Leandro Damião e Jô. O artilheiro da Libertadores pelo Galo se firmou na vaga, mas recentemente não vem convencendo e parece não ter o porte da seleção brasileira. Pato e Damião também, pois iniciaram as carreiras mostrando força para assumirem a nove canarinha e, hoje, estão muito longe daquele nível que prometeram. 

Sem nenhum dos três jogando bem, Felipão ensaiou nos últimos amistosos a alternativa do falso nove, que Mano Menezes vinha utilizando na reta final do trabalho. Porém, ao contrário do antecessor, o técnico pentacampeão mundial não escolheu Neymar para exercer a função. A principal opção para comandar o ataque com mais mobilidade foi Robinho, que está longe dos melhores momentos na Europa, mas conseguiu render bem pelos samba boys

Portanto, apesar do mundo ter, a cada dia mais, centroavantes – de diferentes estilos – atuando em alto nível, a ausência de duas ou três opções brasileiras – além de Fred – fazem a alternativa do falso nove ser quase obrigatória para a seleção. Parece, cada vez mais óbvio que Robinho será o reserva do centroavante do Brasil na Copa de 2014. Felipão não terá um nove clássico no banco durante o Mundial, não por opção dele, mas por falta de brasileiros que atuam por ali e com nível para estarem na maior competição entre seleções do planeta.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Uma capital futebolística

 Comumente mais visitado, o bairro de La Boca impulsiona o número de visitantes na Bombonera (Pedro Spiacci)

Cheguei a Buenos Aires no final da noite do dia 29 e logo descobri que desembarcava em uma cidade muito ligada ao futebol. Além dos incontáveis clubes com história na capital argentina, o povo ama o esporte criado pelos ingleses. Por isso, aproveitei para falar de futebol com todos que fosse possível. Meu principais companheiros de debate foram os inúmeros taxistas que encontrei durante a minha estadia por lá.

A primeira "charla" sobre o assunto foi com o guia, Sebastian, um hincha de River Plate, bastante decepcionado com os últimos anos do clube. As recentes presidências não foram boas e nem o último mandatário, o ex-ídolo Daniel Passarela, tem o carinho dos millonarios, como teve enquanto jogador. Mas o guia tem esperança na volta de Cavenaghi, pois garante: “no River, ele joga”. Falamos um pouco do último vencedor da Argentina, o San Lorenzo e Sebastian não mostrou empolgação, descreveu o clube como o mais fraco campeão da história. 

O conhecimento do futebol brasileiro também é destacado. Sebastian questionou o meu time no Brasil e, ao ouvir Flamengo, logo respondeu, o campeão da Copa do Brasil. Impressionou como ele sabia do que se passava aqui e também o conhecimento futebolístico geral. Inclusive, lembrou de Scocco, “chuta muita bem”. Informei que ainda não tinha se firmado no Internacional, mas que, a partir de 2014, com a saída de Leandro Damião, deverá ter mais espaço. 

Taxistas e uma preocupação: a defesa 

Foram várias corridas durante os dias na Argentina e, seguindo o lema na camiseta azul e ouro, “La Mitad Más Uno”, mais da metade dos motoristas eram hinchas de Boca. Porém, todos os outros eram do River Plate – lógico, encontrei torcedores de outras equipes. Com os taxistas, a albiceleste foi o tema preferencial. Meus questionamentos foram incentivados pela leitura da revista “El Gráfico” de novembro, onde entrevistas com Javier Mascherano e Federico Fernández tiveram destaques. Em ambas, os jornalistas questionaram repetidamente sobre a fragilidade defensiva da seleção e a preocupação tem reflexo nas ruas.

“Na frente estamos muito bem, mas, na defesa, os jogadores estão níveis abaixo”. Com algumas variações, foi isso o que eu mais ouvi durante os percursos por Buenos Aires. A linha defensiva com Zabaleta Fernández, Garay e Rojo não inspira confiança. Inclusive, quando lembrava que o lateral do Manchester City tem jogado bem, logo era rechaçado pelos companheiros de debate. A maior parte dos taxistas sente falta de um xerife para comandar a defesa argentina, por isso, muitas lembranças a Ruggeri, líder da defensiva campeã mundial em 1986.

A falta de tempo em campo do goleiro Romero, no Monaco, também preocupa. Por isso, apesar de ter Di María, Messi, Agüero e Higuaín no ataque, não vi muita confiança no desempenho na Copa do Mundo. Um deles foi enfático, “Mundial se ganha com defesa forte e não com a ataque”. Eu disse muitas vezes que tendo os quatro na frente, em um lance, podem decidir o jogo, a resposta sempre era no sentido de que, se podem decidir no ataque, a defesa também poderá entregar a qualquer momento. Confesso que esperava mais confiança dos argentinos na albiceleste, porém entendo as dúvidas, por conta da fragilidade defensiva.

O Brasil também esteve presente nas conversas, pois os argentino tem sim preocupação em relação a um jogo contra os rivais sul-americanos. Todos enxergamNeymar com muita qualidade e também que os verde e amarelos têm a consistência defensiva que falta aos argentinos. Falei da carência de um centroavante por aqui, com as constantes lesões de Fred, mas isto não afastou o Brasil da lista de favoritos, ao lado de Espanha e Alemanha.

Os estádios

Indicado pelo também jornalista, do blog sobre futebol argentino do Globoesporte.com, Renato Zanata Arnos, não perdi a chance de conhecer os campos de Boca Juniors e River Plate - o do Argentino Juniors, também indicado por ele ficou para próxima. Dois palcos tremendos que não me arrependo de ter conhecido. La Bombonera, mais perto dos pontos turísticos centrais e do meu hotel, e o Monumental Nuñez, mais longe e um pouco fora de mão - até por isso, menos visitado.

La Bombonera

 Riquelme, Schelotto e Palermo estão retratados em belas esculturas no museu do Boca Juniors (Pedro Spiacci)

Por todas essas circunstâncias já citadas, os passeios são bem diferentes. Melhor localizado e mais famoso, o campo xeneize recebe muito mais visitantes e é parada certa em qualquer um dos City Tours oferecidos pelas agências. Mesmo assim, indico uma parada com mais calma. Em grupos maiores, cada uma das pessoas, desembolsa 60 pesos para conhecer a arquibancada e o museu, onde estão nomeados os jogadores e expostos diversos troféus e peças históricas, como chuteiras e camisas usadas por lendas boquenses. Para colecionadores de uniformes de futebol, uma parede é especial, nela estão todas as camisas do clube. Além disso, ótimas estátuas de ídolos recentes, Guillermo Barros Schelotto, Juan Román Riquelme e Martín Palermo, estão expostas no local - Diego Armando Maradona nos recebe no Museu.

 A Bombonera, com a famosa tribuna reservada a 12, ao fundo (Pedro Spiacci)

O instante em que entramos nas arquibancadas e vemos, em nossa frente, a tradicional tribuna reservada para La 12 é especial. A loja oficial do clube não oferece tantas opções e os preços são altos. Por exemplo, uma camiseta oficial desta temporada custa 700 pesos e não há possibilidade de colocar nem nome nem número nela. Isto pode ser feito nas lojas, que estão na frente da entrada do museu, porém, o preço não deixa de ser alto: 1155 pesos, pela camiseta atual com o número dez e o nome de Roman nas costas - vale a pena comprar no Brasil.

 A parede com as camisetas da histórias azul e amarela (Pedro Spiacci)

Estas lojas na frente da entrada do museu trazem boas opções e com preços mais acessíveis. São Incontáveis presentes, tem de tudo mesmo. Nelas, camisetas de menor qualidade têm estampadas o rosto de Riquelme, Palermo e outros ídolos do Boca, comemorando gols de formas características. Todas elas por 35 pesos. Vale parar em, ao menos, duas delas - as mais próximas - e garimpar um belo presente.

Monumental de Nuñez


 De longe o mais grande, mas muito longe do centro da cidade (Pedro Spiacci)

A visita a este templo futebolístico não faz parte da maior parte dos passeios costumeiros. Durante o tour pelo Rio da Plata vemos o Estádio duas vezes, mas não há uma parada. Por isso, no dia 2 de janeiro, deixei o meu hotel (próximo à Casa Rosada) e fui até o norte de Buenos Aires para conhecer o Monumental. A viagem é longa e custa mais de cem pesos, para quem está próximo da Plaza de Mayo ou no Obelisco.

Ao fundo, a tribuna Sívori, que foi construída com a venda de Omar Sívori para a Juventus, em 1957 (Pedro Spiacci)

A visita pelo Monumental de Nuñez, com direito a passagem pelo Museu, custa um pouco mais caro que a do rival, 70 pesos. Porém, tem coisas que o lado xeneize não tem, como o trajeto ser feito acompanhado por um guia - o jornalista da Rádio Globo Minas, Vinicius Grissi informa que é possível fazer uma visita completa a Bombonera, inclusive com ida aos vestiários e ao campo, quando fui o passeio não estava disponível. No meu caso, foi uma jovem e que, além de contar a história do estádio, também se disponibiliza para responder questões sobre a história do River Plate. As dúvidas que tive, foram rapidamente solucionadas pela acompanhante do meu tour.
 
Camiseta de Francescoli, em cima, e a de Ortega, em baixo (Pedro Spiacci)

O trajeto passa pelas arquibancadas, camarotes, vestiário da equipe visitante e, por fim, o grande diferencial, chegamos ao campo. Não se pode pisar no gramado, mas é possível tirar fotos ao lado dele e no banco de reserva do história Monumental de Nuñez, algo que não faz parte do programa boquense. Ao final, tempo livre para visitar o museu. Assim, como na Bombonera, há um espaço reservado para os jogadores que fizeram parte da história do clube. Claro, as camisetas que vestiram os ídolos também estão ali, as de Francescoli são duas e em espaço especial.

As principais glórias do futebol do River Plate estão em uma sala especial, tem Libertadores, Mundial de Clubes e outras taças (Pedro Spiacci)

A área do museu do River Plate é maior e, por isso, mais coisas são expostas e mais detalhes são revelados. Em um grande espaço há uma linha do tempo, onde cada década tem seu espaço. Em cada sala, objetos que marcaram o período e os títulos conquistados pelos millonarios, com direito a classificação, elenco completo, partidas marcantes e o número de gols e jogos de cada jogador na trajetória vitoriosa. O tour pelo Monumental termina com uma passagem pela loja do clube, que tem várias camisas e lembranças relacionadas ao River Plate. Porém, quem gosta das camisas oficiais, a pedida é a passagem pela loja da Adidas, também na saída do Museu. Lá, não faltam camisas dos millonarios e de outros clubes e seleções patrocinados pela marca alemã. Os preços são um pouco menores do que as do Boca, mas segue sendo vantajoso a compra dos uniformes no Brasil. 


Posto tudo isso, não há dúvida, que, para os fãs de futebol, uma visita ao país vizinho não será desperdiçada. Os dias que fiquei valeram e, se ficasse mais tempor, teria ainda mais lugares relacionados ao esporte bretão para conhecer.