sábado, 3 de agosto de 2013

Napoli, o grande adversário


 Contratados nesta temporada, Albiol, Callejón e Higuaín tiveram a mesma origem, o Real Madrid (SSCNapoli.it)
Na temporada 2012-13, a Serie A foi mais uma vez dominada pela Juventus, que se mostrou muito à frente dos demais clubes. Porém, em alguns momentos, o Napoli impulsionado pelo artilheiro do campeonato, Cavani conseguiu como adversário bianconero. Mas, no final, os nove pontos de vantagem da Vecchia Signora em relação aos azzurri, vice-campeões, refletiu bem o que foi a Liga Italiana.
 
O Napoli perdeu seu principal jogador, Cavani, que, por 64,5 milhões de euros, foi para o PSG. Além de El Matador, o clube do Sul da Itália ficou sem o comandante, Walter Mazzarri, que treinava a equipe desde outubro de 2009 e foi responsável por recolocar os partenopei na Liga dos Campeões, após 21 anos. Apesar das perdas, o Napoli iniciará a Serie A 2013-14 como principal adversário da Juventus. Os anteriormente grande rivais da Vecchia Signora, Inter e Milan estão em fase de reconstrução, os clubes da capital ainda parecem em busca de constância e a Fiorentina perdeu seu principal jogador, Jovetic.
 
Para seguir no topo a aposta é no treinador Rafa Benítez, ex-comandante do Chelsea e vencedor da Liga Europa na última temporada com os blues. O técnico bicampeão espanhol com o Valencia e europeu com o Liverpool tem como preferência o 4-2-3-1, com a variação para o 4-4-1-1, principalmente, na fase defensiva do jogo. Esta é a primeira grande mudança do elenco partenopeo, que, com Mazzarri, estava acostumado a atuar com três zagueiros, preferencialmente, no 3-4-2-1.

Com o plantel definido para jogar com os três defensores, os azzurri atuaram fortemente no mercado para conseguir jogadores capazes de desempenhar as funções no 4-2-3-1. Por isso, o folclórico presidente Aurelio De Laurentiis investiu os 64,5 M € recebidos pelo artilheiro Cavani e outros 14,95 M € em contratações. Alguns nomes são duvidosos, mas ficou claro o objetivo de brigar com a Juventus, que sinaliza que virá ainda mais forte.

 O provável Napoli no 4-2-3-1 de Benítez (clique na imagem para ampliar)

No sistema defensivo, os partenopei abriram mão do goleiro da seleção italiana, De Sanctis, de 36 anos, para contratarem Pepe Reina (por empréstimo de um ano) e o jovem Rafael, do Santos, por 5 milhões. Na zaga, Albiol veio do Real Madrid por 12 M €, é uma opção interessante para uma linha de quatro, tanto como zagueiro e até como um lateral-direito mais defensivo. Podendo ser usado como balanço em relação ao alas-esquerdos, Armero e Zuniga, que são mais ofensivos.

A provável defesa titular com Maggio, Albiol, Cannavaro e Armero parece ter lacunas defensivas nas laterais, mas, com um elenco mais profundo do que em anos anteriores, Rafa Benítez tem peças para modificar a escalação. Esta pode ser a diferença em relação à 2012-13, quando a profundidade do plantel partenopeo não foi a ideal para disputar o scudetto até o fim.

Na proteção à defesa um trio de suíços, com ótima chegada ao ataque, foi mantido: Inler, Behrami e Dzemaili. Além disso, há o retorno de empréstimo do implacável marcador, Gargano, que deve ser um dos titulares da volância e combinar com um dos volantes com mais saída. O Napoli agora também conta com o croata Radosevic, de 19 anos, contratado junto ao Hajduk Split, uma promessa que deve aparecer como outra opção de marcação no meio-campo.

Mas os partenopei investiram mais na compra de jogadores para o setor ofensivo. O principal nome é Higuaín, que vem do Real Madrid por 37 M €. El Pipita chega para substituir o uruguaio Cavani na missão de fazer os gols napolitanos. O argentino marcou 107 gols na Liga Espanhola, nos últimos sete anos que passou no Real Madrid, número que anima os azzurri. Para a reserva do novo camisa nove, Calaiò chegou durante a temporada passada e foi mantido. O italiano é um centroavante que deve fazer alguns gols na Serie A e substituir Higuaín, quando o ex-madridista não puder atuar.

Para as pontas, vieram Callejón (9,5 M €), que joga à direita, e Mertens (9,7 M €), destro que atua pela esquerda e procura o corte para o meio, buscando o arremate. O belga tem tudo para ser titular e ótima opção para marcar gols. Do outro lado, Pandev também tem a tendência de centralizar os lances. Portanto, em teoria, os dois externos titulares atuam com os pés invertidos, sendo perigo constante nos arremates de fora da área. Os “reservas” dos dois lados também são jogadores que preferem o corte para o meio, tanto o destro ponta-direita, Callejón, e o destro ponta-esquerda, Insigne.

O macedônico tem como característica contribuir bastante na fase defensiva do jogo, atuação que ficou bastante clara durante a sua participação no triplete interista em 2009-10. Por isso, com Pandev em campo, o Napoli tem condições de atuar com um homem mais solto pela ponta esquerda, pois o camisa 19 pode compor de forma melhor na marcação. O homem para jogar desta forma seria o jovem de 19 anos, Insigne, que tem a ponta-esquerda como habitat natural, mas pode servir de reserva para Hamsik pelo centro. Por ser franzino, o número 24 não é um grande jogador defensivamente, porém dribla e finaliza muito bem, o que o transforma em ameaça constante quando joga próximo da área adversária.

A profundidade do elenco partenopeo fica clara quando mensuramos as alternativas táticas que os jogadores o proporcionam. Os alas ofensivos, Dossena, Maggio, Zuniga, Mesto e Pablo Armero podem ser utilizados na linha de três armadores, como opções para o fundo de campo, criando jogadas áreas para as finalizações de cabeça de Higuaín. Além disso, como foram formados como laterais (exceção feita à Mesto, originalmente, meia), podem ajudar bastante na fase defensiva do jogo.

O panorama encontrado é muito diferente dos dois últimos trabalhos realizados por Rafa Benítez. Na Inter, assumiu um time órfão de Mourinho e não conseguiu manter os nerazzurri na rota das conquistas, desta forma, mesmo com o título mundial, não emplacou uma temporada completa no clube. No Chelsea, mais uma vez, recebeu um time campeão europeu e que passava por uma reformulação. Criticado e com prazo definido para seguir no comando dos blues, Benítez venceu a Liga Europa, mas, sem os jogadores de sua preferência, e sem a simpatia dos torcedores do clube, a saída pré-anunciada, ocorreu mesmo.

No Napoli, Benítez teve liberdade da direção para trabalhar e, com muito dinheiro, trouxe jogadores da sua confiança. O novos napolitanos têm características bem interessantes para a construção do 4-2-3-1, esquema de confiança do técnico espanhol. Vencedor duas vezes com um improvável Valencia em La Liga (em 2001-02 e 2003-04), Benítez terá tempo e a paixão dos azzurri para trabalhar com um elenco interessante. Com a Juventus mostrando que a prioridade é a Liga dos Campeões, este novo Napoli tem a condição de brigar, de fato, pelo scudetto, que não vem desde a era Maradona e foi pela última vez erguido em 1989-90.


sábado, 27 de julho de 2013

Os troféus mais cobiçados

O Atlético Mineiro venceu, pela primeira, a Copa Libertadores da América na última quarta-feira e levantou a taça mais deseja do futebol sul-americano. A tradição pede que o escudo e o nome do time campeão fiquem marcados no troféu eternamente, através de pequenas placas de metal pregadas à base de madeira da taça. Um vídeo foi divulgado nesta semana, na página oficial da competição na internet, o www.pasionlibertadores.com e apresentou como o nome do Galo foi marcado no troféu: 


Como fica claro, a placa é pregada ao lado do campo. Se na América do Sul, é assim, na Europa, história não é muito diferente. A famosa taça das grandes orelhas dada ao campeão da Liga dos Campeões tem o nome de todos os vencedores gravados na parte de trás. A marcação dos nomes na taça de prata também é feita imediatamente após o minuto final da decisão, mas não à beira do campo e, sim, no túnel do vestiário.
O modelo que foi erguido pelos bávaros, em 2012-13, é o sexto desenvolvido pela Uefa (Harold Cunningham/Mirror)

A orelhuda original só é dada a um clube, de forma definitiva, caso ele vença a competição três vezes consecutivas ou em cinco ocasiões e, se repetir os feitos, leva outra versão oficial do troféu. Portanto, apenas Real Madrid, Ajax, Bayern de Munique, Milan e Liverpool têm os exemplares originais nas salas de troféus – como nove títulos ao todo, os merengues estão próximos da segunda taça. Os clubes que não atingem as especificações podem confeccionar uma réplica para mantê-la sob sua posse.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Contratar (bem) é preciso

Grande contratação blaugrana na temporada, Neymar encontrará um plantel com algumas falhas no Barcelona (David Ramos/Getty Images)

Já faz muito tempo que o elenco do Barcelona apresenta duas lacunas importantes: um atacante de área e um zagueiro classe A. O problema vem desde a saída de Ibrahimovic, antes do início da temporada 2010-11, e com o declínio físico cada vez mais claro de Puyol. Os investimentos errados começaram a refletir nos últimos anos, quando os blaugranas ficaram de fora de finais da Liga dos Campeões e deixaram de ter àquele domínio destacado em relação ao demais times do mundo.

O problema que vem de mais tempo e foi potencializado na última temporada é o da defesa. O capitão Puyol jogou pouquíssimo e o volante Mascherano foi um dos titulares da zaga, ao lado de Pique. A opção por um jogador improvisado já funcionou até em final de Liga dos Campeões, quando, em 2008-09, Yaya Touré alinhou ao lado do camisa três na defesa central blaugrana. A improvisação resultou em título, após a vitória por 2 a 0, frente ao Manchester United. Porém, o volante como zagueiro era uma opção e, não, alternativa quase exclusiva.

Hoje o elenco barcelonista conta com Pique, Puyol e Bartra que são, de fato, zagueiros. Como já dito, Mascherano foi adaptado para jogar na posição, mas não é um nativo função e não tem tanta experiência em exercê-la. Excetuando o camisa três, todos não se mostram os nomes ideias para ocupar a posição de escolha número um na zaga blaugrana. Bartra é um jovem que ainda não se mostra maduro para ser titular no Barcelona e foi muito mal nas semifinais da LC, contra o Bayern; Puyol, longe da sua melhor forma sofre com lesões repetidas e atuou apenas 17 vezes na temporada passada; e Mascherano, que também teve lesões recentes, não é verdadeiramente um defensor central.

A lacuna está óbvia, mas, desde a temporada 2009-10, o Barcelona não investe em um zagueiro. Naquele ano, Chygrynskiy veio do Shakhtar Donestk, por 25 milhões de euros. O ucraniano não vingou, mas foi o último investimento da diretoria blaugrana em um zagueiro – Mascherano foi comprado depois, mas veio para ser volante. O desempenho muito fraco de Chygrynskiy talvez tenha desencorajado a contratação de defensores centrais pelo Barça. Tendo em vista a óbvia necessidade de investir no setor, só este trauma pode justificar a inatividade de três temporadas, indo para a quarta.

Com valor semelhante ao o que foi investido em Chygrynskiy, o Barcelona teria várias opções no mercado. Segundo dados do site Transfermarkt, especializado em negócios de jogadores, o zagueiro com valor de mercado mais alto do mundo é Thiago Silva (40 M €, 28 anos). O brasileiro é sonho de Tito Vilanova, mas não deve deixar o PSG nesta janela de transferência. Porém, alternativas boas existem: Kompany (Manchester City, 35 M €, 27 anos), David Luiz (Chelsea, 29 M €, 26 anos), Chiellini (Juventus, 28,5 M €, 28 anos), Hummels (Borussia, 26 M €, 24 anos), Vertonghen (Tottenham, 22 M €, 26 anos), Nastasic (Manchester City, 21 M €, 20 anos), Subotic (Boussia, 20 M €, 24 anos), Mangala (Porto, 15 M €, 22 anos) e Vidic (Manchester United, 15 M €, 31 anos).

Portanto, bons zagueiros existem e, por ser um grande gargalo do elenco, valeria investir muitos milhões de euros na contratação de um parceiro mais confiável para Pique. Neste mercado de transferências ainda há tempo para realizar a compra, mas o Barça deve ter a consciência da necessidade deste investimento, pois o cobertor já está curto há algumas temporadas e os resultados não tão bons são consequência disso. 

Principal responsável por manter o Aston Villa na Premier League, Benteke seria nome interessante para o elenco blaugrana (Michael Regan/Getty Images)

Não há presença de um homem claramente de área no elenco desde a saída de Ibrahimovic em 2010-11. O Barcelona tem investido em atacantes, mas nenhum deles é um centroavante mesmo. O mais próximo disso foi Villa (40 M €, em 2010-11), que deixou o clube nesta janela de transferência, mas não se notabilizou pelo jogo dentro da área e, sim, pelas infiltrações em diagonal, partindo da ponta-esquerda. Os blaugranas ainda investiram em outro ponta, Alexis Sánchez (26 M €, em 2011-12). Neste ano, o Barça voltou a gastar com atacantes: Neymar (57 M €) e, o já emprestado ao Ajax, Bojan Krkic (13 M €) foi readquirido pelo clube, após duas temporadas na Itália.

Três dessas compras passaram dos 25 milhões de euros, mas nenhum deles foi um centroavante. O esquema tático de Guardiola e, agora, de Tito Vilanova não utiliza um camisa nove clássico e tem Messi ocupando este espaço. O argentino é o “falso nove” no 4-3-3 barcelonista e Neymar tem total condições de substituir “La Pulga” nesta função. Portanto, o que falta ao Barcelona é uma opção diferente, que possa alternar o ritmo do jogo. Um centroavante, que tenha condição de alinhar ao lado de Messi, seria uma opção muito interessante para enriquecer o elenco blaugrana.

A minha expectativa era de que o Barça investisse pesado para ter um camisa nove titular, porém, as alternativas que existiam são inegociáveis ou já foram vendidos nesta janela de transferências: Cavani e Falcao García acabaram de ser contratados pelos milionários franceses; Van Persie e Agüero são os grandes homens de área dos gigantes de Manchester, que não parecerem dispostos a negociá-los; Lewandoski seguirá no Dortmund neste ano e, ao final do contrato, parece já estar acertado com o Bayern; e Ibrahimovic, que não dá sinais de estar disposto a dividir o protagonismo parisiense com Cavani, não seria uma opção ao Barça, por tudo que envolveu a passagem dele pela Catalunha.

Os principais nomes da posição não têm grandes chances de vestirem a camisa blaugrana na próxima temporada. Porém existe outra opção disponível no mercado para a função. Luis Suárez, avaliado em 42 M €, já declarou algumas vezes que gostaria de jogar no Barcelona e não está tão disposto a ficar no Liverpool. Mesmo não sendo o exemplo de um centroavante clássico, o uruguaio ocupa bem a posição e, além disso, consegue jogar longe da área. Seria o nome ideal para fazer parte dos 11 iniciais de Tito Vilanova.

Mas, como o Barça não quer abrir mão de um falso nove para início das partidas, dois centroavantes que não têm o peso dos supracitados, mas seriam ótimas opções para o elenco estão em atrito com os respectivos clubes na Premier League. O belga Benteke (19 gols na EPL 2012-13) já declarou querer deixar o Aston Villa e seria uma alternativa bem interessante ao elenco blaugrana. Se o Barcelona oferecer os 29 milhões de euros requisitados pelo clube, leva o jogador. O outro nome é Papiss Cisse (8 gols na EPL 2012-13), do Newcastle, que, recentemente, deixou a pré-temporada do clube em Portugal, por estar se recusando a vestir a camisa dos magpies. O senegalês é muçulmano e não deseja fazer propaganda da nova patrocinadora, uma financeira. Portanto, a saída de Cisse do clube inglês não seria nenhum absurdo e é, cada vez mais, especulada.

O Barcelona não parece disposto a investir em nenhuma dessas duas posições. O mercado tem opções interessantes para reforçar os dois grandes problemas do elenco blaugrana, resta a diretoria estar atenta as oportunidades, que estão disponíveis neste período de transferências. Pois, se o Barça seguir com estas lacunas no plantel, o time sofrerá consequências durante a temporada, mesmo tendo jogadores espetaculares na maioria das posições.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

A hora e a vez de Wilshere


Wilshere e Cazorla são as grandes esperanças do Arsenal para a próxima temporada. A combinação entre o inglês e o espanhol promete para 2013-14 (Arsenal.com)


O Arsenal está na Liga dos Campeões, como sempre desde que Arsene Wenger chegou; tem um elenco de regular para bom e um time titular forte. Porém já são oito anos sem um título e alguns setores da torcida acostumada às conquistas não confiam como já confiaram no comandante. Posto isto, mais uma vez, os gunners não parecem dispostos a realizarem grandes investimentos no mercado de transferências, o que tem relação com a filosofia adotada desde o princípio pelo técnico francês. Higuaín está muito próximo, mas, além dele, poucos nomes de impacto são especulados, talvez o único seja Fellaini. Muito pouco para quem quer quebrar o jejum de oito anos.

Por isso, neste ano, se Jack Wilshere tiver uma grande temporada isto deve ser preponderante para que o Arsenal retome a caminhada de títulos. O inglês chegou à base do clube norte-londrino em 2001 e evoluiu como meia-atacante – chegando a ser comparado à Dennis Bergkamp. Em 2008, aos 16 anos e 256 dias estreou no Campeonato Inglês, como jogador mais jovem do clube a atuar em uma partida do Campeonato Inglês. Porém, o inglês apareceu mesmo em 2010-11, após um empréstimo de um ano ao Bolton, quando pôde evoluir bastante.

A surpresa de todos é que Wilshere se tornou titular jogando ao lado de Song, como meia-central, no 4-2-3-1 de Arsene Wenger. Desta forma, o, à época camisa 19, se destacou combinando com Fàbregas para armação de jogadas, com passes precisos e visão de jogo apurada. Aliado à isso, o inglês apresentou o comportamento um pouco explosivo e colecionou cartões oito amarelos e um vermelho, porém, com mais tempo no time principal, evoluiu mentalmente. O bom desempenho deu à Wilshere o prêmio de jogador jovem do ano pela associação de futebolistas profissionais, que também lhe deu um lugar no time da temporada da Premier League.

Portanto, com a saída de Fàbregas para o Barcelona, 2011-12 seria o ano para o camisa 19 liderar o meio-campo dos gunners. Porém, uma lesão no tornozelo agravada posteriormente, tirou Wilshere da temporada inteira e, além de impedir que entrasse em campo pelo Arsenal, deixou ele fora da Olimpíada de Londres e da Euro 2012.

Na temporada passada, o meia-central vestindo a dez conseguiu jogar, mas os 14 meses parado pesaram e o rendimento esteve longe de ser o dos melhores dias – 34 jogos (oito vindo do banco), quatro gols e duas assistências. Porém, Wilshere teve as melhores atuações na metade final da temporada, quando os gunners cresceram de produção, o que dá esperança ao Arsenal.

Portanto, após aumentar o desempenho em 2013 e com tempo para fazer uma pré-temporada correta, o que não ocorreu nos últimos dois anos, Wilshere terá que mostrar a evolução que promete há muito tempo. Em entrevista concedida à David Hirsey, do espnfc.com, o jogador afirmou que está “100 por cento” e ressaltou os problemas causados pela falta da preparação adequada para o ano: “Eu não faço uma (pré-temporada) há dois anos e, uma vez que você não faz, você está sempre correndo atrás do prejuízo”.

O camisa dez terá um parceiro interessante como Cazorla para liderar a armação de jogadas, provavelmente, para Higuaín, Walcott e Podolski, o que não deve ser nada mal. O encaixe do jogo do inglês com Santi parece ser perfeito, pois o espanhol é mais incisivo e Wilshere é um grande passador. Sobre isso, o camisa dez dos gunners é cauteloso e, na mesma entrevista já citada, explicou: “nós ainda precisamos entender como cada um de nós joga. Eu jogarei atrás e Carzola estará na minha frente, como foi com Fàbregas, em nossa primeira temporada juntos. Mas eles são diferentes, o meu companheiro atual prefere receber a  bola mais à frente, enquanto Cesc voltava para buscar a redonda. Porém, nós estamos desenvolvendo um bom entendimento, que será ainda melhor nesta temporada”.

Alvos interessantes no setor ofensivo e um bom parceiro para criar pelo centro parece ser um ótimo cenário para Wilshere deixar de ser um bom jogador e virar o craque que prometeu no início da carreira. Os ingleses sempre consideraram o jovem como o inglês com maior potencial futebolístico desde o surgimento de Rooney. Este ano será crucial para o camisa dez dos gunners provar isso, garantir sua presença na Copa do Mundo de 2014 e, quem sabe, recolocar o Arsenal na rota dos títulos.

O contexto para a explosão parece ser perfeito para o jogador que definiu a trajetória futebolística ao EspnFC.com como “Excitante, frustrante e promissora”.

sábado, 6 de julho de 2013

A seleção da Copa das Confederações

A seleção que elegi para a Copa das Confederações tem jogadores apenas dos semifinalistas. O Brasil coloca seis jogadores entre os 11 e, talvez, até merecesse ter o técnico do selecionado. Porém, o comandante vem da Itália. Além do homem no banco, os italianos encaixaram mais dois na seleção. Da vice-campeã Espanha vem dois jogadores e o Uruguai cede um atleta para o time dos sonhos. O esquema tático é o 4-2-3-1, que, para variar, foi bastante utilizado na Copa das Confederações. Vamos aos 11:

Goleiro: Júlio César (Brasil)

 Desacreditado pós-Copa de 2010, Júlio César é o goleiro de confiança de Luiz Felipe Scolari (Ricardo Matsukawa/Terra)

O camisa 12 verde e amarelo foi um dos grandes vencedores da Copa das Confederações. Depois de sair taxado como um dos principais vilões da eliminação brasileira no Mundial de 2010, Júlio César retomou a confiança e parece ter reconquistado o torcedor brasileiro. O pênalti defendido contra o Uruguai, algumas defesas frente aos charrúas e a Espanha foram fundamentais para ele ser eleito pela FIFA o melhor goleiro do torneio. Durante a Copa das Confederações, o camisa 12 brasileiro foi o terceiro a realizar mais defesas e, por ter sido importante, ao campeão da disputa merecer estar na seleção da competição.

Lateral-direito: Christian Maggio (Itália)

O jogador acostumado a atuar com três zagueiros no Napoli não foi titular absoluto da Itália na disputa, pelas trocas de jogadores constantes promovidas pelo técnico Cesare Prandelli. Porém, quando a competição pegou de verdade, Maggio se destacou. Contra a Espanha, o esquema com três zagueiros teve o camisa dois na ala-direita fazendo dupla interessante com Candreva, o que impediu avanços de Jordi Alba, válvula de escape importante da furia até ali. O desempenho contra o Uruguai também foi positivo. O destaque é que Maggio teve como ponto alto da sua participação na Copa das Confederações a atuação defensiva, que não é tradicionalmente a característica mais forte do seu jogo. Por isso, o ala do Napoli deve ganhar espaço na Squadra Azzurra principalmente no esquema com três zagueiros, mas mostrou que pode ser alternativa em sistemas com quatro defensores.

Zagueiro: Sergio Ramos (Espanha)

O melhor defensor espanhol no torneio foi o madrilenho, que atuou em todas as partidas da Roja na Copa das Confederações. Em números, Sergio Ramos foi o segundo jogador com mais bolas recuperadas no torneio, foram 35 recuperações da posse da redonda. Contra a Itália, na semifinal, o zagueiro apareceu bastante na área adversária e quase marcou um gol. Esta característica de aparecer no ataque, principalmente, em cruzamentos não rendeu tentos nesta competição, mas sempre assustou os adversários. Além disso, o camisa 15 foi importante na saída de bola do time, com 289 passes completados, que não foram composto apenas por toques de lado.

Zagueiro: David Luiz (Brasil)

 David Luiz e o grande lance da competição, o gol que impediu na final contra a Espanha (Getty Images)

David Luiz teve um grande erro na Copa das Confederações: o pênalti absurdo que cometeu em Diego Lugano, na semifinal frente ao Uruguai. No mais, o cabeludo assustou quando queria ir de qualquer forma ao ataque, mas, no geral, a competição foi muito boa. A raça do jogador do Chelsea é conhecida por todos – chegou a jogar com o nariz quebrado – e a técnica também. As duas características apareceram bastante durante o torneio. Por isso, com vontade incrível, dificilmente perdeu disputas um contra um e foi importante nas saídas de bola brasileiras, inclusive com lançamentos longos. Defensivamente foi o segundo brasileiro que mais desarmou na Copa das Confederações 2013, atrás apenas de Luiz Gustavo, e também foi um dos quatro que mais recuperou bolas pelos “canarinhos” na disputa. David Luiz ainda teve ao seu favor a bela exibição na final para ganhar a vaga nos meus 11 do torneio.

Lateral-esquerdo: Marcelo (Brasil)

A temporada não foi tão boa, sofreu com lesões e, quando voltou, ficou no banco de Fábio Coentão. Na seleção havia dúvida se Marcelo seria o titular para a Copa das Confederações 2013. Porém, assim que assumiu o posto entre os 11 ainda nos amistosos preparatórios, não deixou a posição na lateral-esquerda. O resultado foi um ótimo campeonato, principalmente, na fase ofensiva do jogo. Marcelo cedeu uma assistência no torneio e teve boa parceria pelo lado esquerdo com Neymar: recebeu 33 passes do camisa dez e passou 77 vezes para ele durante a campanha. Defensivamente cometeu alguns erros, mas a participação no ataque e o bom desempenho na reta final do campeonato pesaram favoravelmente para o brasileiro estar na seleção do torneio e Alba não. O espanhol foi muito mal nos jogos decisivos.

Volante: Andrea Pirlo (Itália)

Não foi a melhor competição do meia-central azzurro, porém, a classe esteve presente enquanto uma lesão não atrapalhou a participação na Copa das Confederações 2013. Pirlo ocupou a função de regista: bastante recuado e dando qualidade à saída de bola italiana. O resultado disso foram 210 passes tentados, 169 completados, ou  seja, 80% de índice de acertos. O rendimento ofensivo ainda contou com um golaço de falta na primeira partida dos azzurri na Copa das Confederações. Mas, pelo posicionamento defensivo, o camisa 21 também conseguiu recuperar 12 bolas durante a competição. Portanto, mesmo sem ter mostrado o melhor que pode, Pirlo, por ter participado bem defensiva e ofensivamente, mereceu a vaga na seleção do torneio.

Volante: Paulinho (Brasil)

Paulinho como de costume apareceu muito bem no ataque (AFP/Nelson Almeida) 

Um volante quase meia, este foi Paulinho na disputa da Copa das Confederações 2013. Mas, como a primeira obrigação do jogador desta posição é a marcação, começo destacando o desempenho defensivo do brasileiro. Foram 14 bolas recuperadas e quatro desarmes nas quatro partidas que disputou. Outro fator importante do jogo de um volante é a saída de bola, mais um quesito em que o camisa 18 verde e amarelo teve boa participação, com 174 passes tentados, 140 completados e um índice de acerto de 80% - muitos deles direcionados ao ataque. Na difícil semifinal frente ao Uruguai, foi um lançamento de Paulinho que abriu espaço para o primeiro gol e foi dele o tento que classificou os “canarinhos” à final do torneio. O jogador completo, que foi vendido recentemente ao Tottenham, ainda marcou mais uma vez na Copa das Confederações 2013. O bom desempenho na competição foi coroado com uma ótima atuação na final, quando atuou mais defensivamente.

Meia-externo direito: Edinson Cavani (Uruguai)

Cavani não fez uma competição linear, mas cresceu junto com os companheiros na fase decisiva do torneio. No jogo que valeu a classificação, contra a Nigéria, o camisa 21 celeste perdeu chances improváveis, mas diminui a dívida com a torcida ao participar do contra-ataque que rendeu o gol da vitória uruguaia. Neste lance, o centroavante cedeu sua única assistência na Copa das Confederações 2013. O crescimento na fase final ficou claro através dos números: nos jogos frente à Brasil e Itália foram três gols, um de falta e, com a bola rolando, um de canhota e um de perna direita. Porém não foi o trabalho ofensivo que chamou a atenção, na fase defensiva do jogo, foram cinco desarmes, dez bolas recuperadas e muita disposição para a marcação.

Meia-atacante: Andrés Iniesta (Espanha)

Cabeça erguida e, de olho no ataque, este foi Iniesta, o homem que pensava o jogo na Espanha (Julio César Guimarães/UOL)

Iniesta não apareceu tanto nas estatísticas ofensivas, não é um goleador e, nesta Copa das Confederações, cedeu apenas uma assistência. Porém a importância dele para o jogo da Espanha é notada facilmente na observação de cada partida. A característica de passador de Iniesta ficou clara nesta disputa, ao todo, foram 390 passes tentados, 337 completados e um índice de 86% de acerto. Para quem atua no setor ofensivo e, normalmente arrisca toques mais difíceis, os números são muito bons. Além disso, os dribles e chutes de fora da área colaboraram bastante para jogos em que a Roja enfrentou defesas mais fechadas. Defensivamente, o camisa seis da furia colaborou com um desarme e 13 bolas recuperadas.

Meia-externo esquerdo: Neymar (Brasil)

O bola de ouro que participou da maior parte dos gols da seleção campeã do torneio. Neymar amadureceu na disputa com a camisa verde e amarela, vestindo a dez e atuando, principalmente, na ponta-esquerda. Em números, foram quatro gols, duas assistências, quatro desarmes e cinco bolas recuperadas. A preponderância de Ney no desempenho do Brasil ficou clara nos primeiros jogos, quando ainda não havia uma percepção cristalina de jogo de equipe na seleção. Naquele momento, com o talento natural, o agora jogador do Barcelona carregou o time. Com o crescimento de todo o grupo, Neymar se comportou ainda melhor. Mesmo sem conseguir uma grande exibição na semifinal contra o Uruguai, o camisa dez verde e amarelo participou, de forma decisiva, dos dois gols brasileiros. Na decisão, mais uma grande atuação e um golaço com a perna ruim, a canhota. Portanto, o craque brasileiro foi bem enquanto o time se arrumava, foi bem com o crescimento do grupo, foi bem na semifinal e também na final. Portanto, o craque de toda a competição.

Centroavante: Fred (Brasil)

 Os homens mais ofensivos do Brasil, Fred e Neymar se entenderam muito bem ao longo da competição (Ricardo Matsukawa/Terra)

O camisa nove brasileiro é mais um que faz parte da minha seleção e que não começou bem na Copa das Confederações. Nos primeiros dois jogos nenhum gol e pouca participação nas partidas – cedeu apenas uma assistência. Porém, a postura do centroavante mudou após o início ruim, contra a Itália, Fred marcou duas vezes e começou a busca pela artilharia. Fazendo gols típicos de centroavante, empurrando bolas dentro da área e se posicionando muito bem para marcar, faltou pouco para que o camisa nove conseguisse vencer a chuteira de ouro do torneio. Na semifinal frente ao Uruguai, mais uma vez balançou a rede por não desistir do lance antes dele ser finalizado. Contra Espanha, na decisão, dois dos três gols brasileiros foram marcados por Fred, que, pela primeira vez na carreira, marcou deitado. Ficou claro que gol é com ele e que, se tiver chance, vai balançar as redes sempre.

Técnico: Cesare Prandelli (Itália)

Este foi o nome que mais demorei a definir, pois Del Bosque e, principalmente, Felipão mereciam ser o técnico do torneio. Mas o que pesou em favor de Prandelli foi a adaptabilidade que mostrou durante os cinco jogos que a Itália disputou. No balanço da Copa das Confederações 2013 coloquei no texto que a Squadra Azzurra foi um carrossel tático e isso ocorreu mesmo por culpa do homem no banco de reservas. Sob o comando do ex-treinador da Fiorentina, os italianos não repetiram a escalação nenhuma vez no torneio e mudaram bastante de esquema para enfrentar os diferentes adversários. Esta adequação de atletas e forma de jogar às dificuldades, que a outra seleção poderia oferecer, foi um diferencial dos azzurri na competição. Por isso, após perderem por 4 a 0 para a Espanha em 2012 na final da Eurocopa, desta vez, fizeram jogo duro e foram melhores que os espanhóis. A consciência das limitações e qualidades do elenco que Prandelli possui parece ser a grande esperança da Itália para ter sucesso nos próximos anos no futebol.