segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Enfermedades Futboleras 11

Mesmo com dificuldade de tempo e pouco retorno, sigo destacando algumas coisas do final de semana do futebol europeu. Nesta rodada, sobraram bons jogos. 

Massacre incontestável 

 Em ótima exibição, Jesús Navas marcou o primeiro doblete da carreira, após 443 partidas oficiais (Manchester City)

Algumas exibições do Manchester City em 2013-14 fazem, sem dúvida nenhuma, parte do grupo das melhores partidas da temporada. O 6 a 0 frente ao Tottenham deste domingo foi uma delas. No 4-4-2, os citzens contaram com a dupla Agüero e Negredo se mexendo muito no ataque e com as constantes chegadas dos meias, Nasri, que cresceu muito com Pellegrini, e Jesús Navas, quase um ponta pela direita. Além disso, a dupla de volantes Fernandinho e Yaya Toure novamente combinou bem: atacando e defendendo. Como é costume quando jogam em casa, os sky blues jogaram muito avançados e sempre marcando pressão a saída de bola dos rivais. 

Aos 13 segundos de jogo, Jesús Navas abriu o placar para o City, em jogada que ficou clara a importância da marcação no ataque do time – oito bolas ganhas no campo ofensivo durante o jogo. A partir daí, o massacre só foi se concretizando, pois os spurs não reagiam ao massacre ofensivo imposto pelos citzens. Uma ótima finalização de Negredo provocou um gol contra de Sandro e Navas fez assistência para Agüero marcar, 3 a 0 no primeiro tempo. O Tottenham teve mais posse de bola, mas produziu pouco e só acertou uma vez a baliza defendida por Pantilimon. 

Como dito acima, os volantes participaram bem do jogo e os dois primeiros gols da segunda etapa tiveram a participação deles. Primeiro, Yaya Toure começou a jogada no campo defensivo e só terminou fazendo a assistência dentro da área para Agüero marcar. Foi o décimo gol do argentino que se tornou o artilheiro da Premier League. Depois, um passe de Fernandinho proporcionou o quinto de Negredo na competição, um golaço que contou com drible impressionante em Dawson (gols no primeiro vídeo deste link). Já nos acréscimos, Navas fez o segundo dele na partida e o sexto do City, decretando o desmoralizante 6 a 0.

 Mais uma goleada em casa mostra a dualidade da campanha dos citzens, pois, no Etihad Stadium, são seis jogos, seis vitória, 26 gols marcados e apenas dois sofridos. Longe de casa, o desempenho é completamente diferente: uma vitória, um empate, quatro derrotas, oito gols marcados e dez sofridos. Conseguir um nível de futebol semelhante ao apresentado em Manchester colocará o City ainda mais próximo da liderança da Premier League. Hoje, o clube ocupa a quarta colocação a seis pontos do líder Arsenal. 

O jogo do personagem 

 Götze parece estar se acertando no Bayern e aproveitou o jogo frente ao Dortmund para brilhar, mas, apesar do recebimento hostil, ele não comemorou o gol que marcou (Agência Reuters)

Sem o habitual protagonista, Ribéry, o Bayern manteve o 4-1-4-1, com Lahm de volante, Thomas Müller ocupando a ponta-direita e Robben na função de Ribéry pelo lado esquerdo. Mas o verdadeiro protagonista do jogo viu do banco os primeiros 55 minutos da partida. Götze, que, pela primeira vez, enfrentava o ex-clube e logo no Signal Iduna Park, viu o Bayern dominando o jogo, com mais posse de bola, domínio territorial e mais chegadas com perigo. Porém, os bávaros não foram absolutos e sofreram com ataques dos aurinegros, que paravam em Neuer. O goleiro era outro grande personagem da partida, afinal, é cria do maior rival do Dortmund, o Schalke e, por isso, nunca deixa de receber vaias quando encontra o antigo adversário. 

Como dito acima, Götze assistiu a 55 minutos do jogo no banco, nos outros 35 minutos, o camisa 19 bávaro esteve em campo como falso nove e atuou sempre sob vaias. Porém, houve um grande momento em que as vaias cessaram em direção ao ex-ídolo, onze minutos após ele entrar em campo. Neste instante, Lahm abriu o jogo na ponta-direita com Müller, que cruzou rasteiro para a entrada da área, onde Götze apareceu, dominou de esquerda, por décimos de segundo ouvi vaias e, de três dedos, finalizou com a perna direita no canto esquerdo de Weidenfeller, que até tocou na bola, mas não conseguiu evitar o gol. O ex-borussiano não comemorou, mas nem precisava, pois já havia ferido de morte o ex-clube. O silêncio aumentou quando, em contra-ataque iniciado por Götze e Tiago, Robben fez o segundo dos bávaros. Müller ainda fechou o placar em assistência de Lahm. 

Ao final do jogo, o protagonista Götze cumprimentou todos os ex-companheiros e membros da comissão técnica do Borussia. Com certeza, o camisa 19 bávaro terá sempre boas recordações deste reencontro com o Signal Iduna Park. Por outro lado, os aurinegros não vão querer recordar: placar elástico para o rival, sofrer gol do ex-craque e em casa. O golpe foi duro para o Borussia Dortmund, que agora está a sete pontos do líder Bayern, e ainda tem jogo decisivo pela Liga dos Campeões na Itália, contra o Napoli, na terça-feira. O apoio da muralha amarela ao final da partida pode ser o diferencial para a reação aurinegra na LC.

Rodada representativa 

Ultimamente na Espanha além de Barcelona e Real Madrid, o Atlético de Madrid também está alguns patamares acima dos demais clubes em La Liga. Neste final de semana, a rodada deixou isso muito claro e, o detalhe, os principais jogadores de cada time não jogaram o tempo todo: Messi segue lesionado no Barça, Ronaldo marcou um gol, mas saiu lesionado aos 54 minutos pelo Real e Diego Costa entrou aos 62 minutos e teve tempo de marcar um golaço de bicicleta para o Atlético. Somados os três líderes marcaram 16 gols e não foram vazados. Os blaugranas fizeram 4 a 0 no Granada; os merengues foram mais cruéis com o Almería, 5 a 0; e os colchoneros aplicaram uma goleada ainda maior, 7 a 0 no Getafe. Na tabela, Barcelona é o primeiro com 40 pontos, o Atlético de Madrid vem em segundo com 37 e o Real Madrid é o terceiro com 34 pontos. O próximo na classificação é o Villarreal que está a sete pontos dos blancos, portanto, já há uma grande diferença no campeonato.

Clássico de Liverpool 

 Lukaku vem deixando a marca dele com a camisa do Everton: são sete gols, em 12 rodadas (Premier League)

Não faltou emoção ao dérbi de Liverpool. O jogo dos jovens técnicos, que gostam de ter a bola com os seus times, Roberto Martínez e Brendan Rodgers, foi uma partida das bolas paradas: dos seis gols da partida, apenas um veio em jogada trabalhada. No empate em 3 a 3, o Everton foi melhor na maior parte do tempo. Os toffees apostaram na marcação pressão e, por isso, conseguiram nove desarmes no campo ofensivo – Pienaar o ponta-esquerda no 4-2-3-1 da equipe foi destaque neste trabalho. Apesar de jogar melhor, o Everton saiu atrás, logo empatou, mas também rapidamente voltou a ver o Liverpool na frente, com o nono gol de Suárez na Premier League, em bela cobrança de falta. 

O 2 a 1 era injusto pelo o que havia produzido o time do Goodison Park e Martínez aproveitou a lesão do ótimo lateral-esquerdo Baines para mudar o jogo. O técnico optou por Deulofeu que foi jogar na ponta-direita, assim, Mirallas passou a ser o meia-central, Pienaar seguiu à esquerda, Barkley foi recuado para volância e Barry foi ocupar a lateral. O resultado? Domínio maior dos toffees que pararam várias vezes em Mignolet. Mas, em uma jogada de Mirallas pela esquerda, a bola sobrou com Lukaku, que, desta vez, não perdoou. O atacante emprestado pelo Chelsea virou o jogo depois, quando, de cabeça, marcou o 3 a 2, após boa cobrança de escanteio realizado pelo outro belga do time. Mas Gerrard conseguiu a segunda assistência em bola parada e Sturridge antecipou a zaga e empatou de cabeça. Agora o inglês, assim como o companheiro Luis Suárez, tem nove gols na Premier League 2013-14. O empate mantém o Liverpool em segundo, a quatro pontos do líder Arsenal, que bateu o Southampton na rodada.

Moscou contra São Petersburgo 

 Doumbia decidiu o dérbi frente ao Spartak e colocou o CSKA de volta na briga pelo título na Rússia (CSKA Moscou)

Sem vencer a três rodadas – com duas derrotas seguidas –, o outrora líder tranquilo da Premier League Russa, Zenit (1°, 36) já não tem mais toda esta tranquilidade, pois os moscovitas chegaram. O Lokomotiv (2°, 36) venceu o Dinamo de Moscou (7°, 29) e se igualou na ponta. O CSKA (3°, 33) também enfrentou um rival local, o Spartak (4°, 33), para se aproximar do time de São Petersburgo. Os vermelhos e azuis dominaram toda a partida na Arena Khimki e impediram que o time do povo tivesse boas chances para marcar. Porém, as oportunidades para o atual campeão russo, também foram raras, por isso, o time precisou contar muito com a inteligência de Doumbia para vencer a partida por 1 a 0. O marfinense aproveitou falha do defensor Makeyev e da inexplicável saída do gol de Rebrov, após chutão de Wernbloom. No lance, com um toquinho, o camisa 88 chapelou o goleiro e ficou sozinho para empurrar a bola para a baliza vazia. O erro possibilitou que mais um moscovita encostasse no Zenit, porém, também impediu que o Spartak empatasse na ponta. Mas, caso os Zenitchiki continuem vacilando, os clubes de Moscou mostram que assumirão o controle da Liga Russa.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Olho nelas: Costa do Marfim

Anteriormente, neste ano, destaquei a Bélgica (goo.gl/ksXKAM) e a Colômbia (goo.gl/nN2Gow) como candidatas a incomodar as maiores seleções no Mundial. Tinha prometido uma seleção africana também para este especial “Olho Nelas” e, com a confirmação das classificadas no continente, decidi escrever sobre a Costa do Marfim.

Costa do Marfim

 Drogba, Yaya Toure e cia virão ao Brasil como última chance de marcarem os nomes na Copa do Mundo (AP Photo/Armando Franca)

Há anos vemos insucessos consecutivos daquela que é, sem dúvida, a melhor geração de futebolistas da Costa do Marfim. O grupo que tem Drogba e Yaya Toure como grandes destaques não venceu nada na seleção e perdeu as finais da Copa de Nações Africanas em 2006 e 2012. No mesmo período, os elefantes tiveram o que comemorar, pois foram aos últimos dois mundiais, mas também não tiveram sucesso. Nas Copas, caíram em grupos considerados muito difíceis para a classificação e, de fato, não alcançaram a segunda fase da disputa. 

O elenco, que chegará ao Brasil, é muito experiente e deve ser muito semelhante aos grupos que estiveram presentes nas últimas grandes competições disputadas pelos marfinenses. Em 2010, nove dos 23 jogadores que foram à Copa na Alemanha também embarcaram para a África do Sul. Esta continuidade reflete em campo com o bom entrosamento e, fora das quatro linhas, pois, os jogadores mostram bastante integração e não existem grandes notícias de polêmicas ao redor da equipe. O capitão marfinense Drogba explicou o que representa este grupo de jogadores: “todas as etnias do nosso país atualmente estão representadas nesta seleção”. Além disso, o camisa 11 destacou a importância que os elefantes têm hoje para o país: “O futebol é o esporte mais popular e é o esporte que coloca do todo o país”. 

Por outro lado, o técnico é inexperiente. O ex-meia da seleção francesa, Sabri Lamouchi, assumiu o comando da seleção, após o vice-campeonato da Copa Africanas de Nações de 2012. Com o francês, um ano depois na mesma competição, os marfinenses pararam nas quartas de final frente à Nigéria, que, posteriormente, seria campeã. Apesar do revés, a federação do país manteve o treinador, “demitir o técnico, após derrotas, não é uma decisão sábia”. A escolha foi correta, pois, com Lamouchi, a Costa do Marfim alcançou a terceira Copa consecutiva. 

 O 4-2-3-1 tem o claro objetivo de deixar Yaya Toure mais participativo no ataque (clique na imagem para ampliar)

Desde 2012 à frente da seleção, o ex-jogador é um estudioso do futebol. No final do ano de estreia na nova função, visitou José Mourinho no Real Madrid. Com Lamouchi, os elefantes deixaram o 4-3-3 e passaram a jogar no 4-2-3-1 (foi assim na volta contra Senegal). Desta forma, Yaya Toure foi fixado na função de meia-central – às vezes, joga assim na Inglaterra –, o jogador do City não deixa de colaborar com a marcação, porém joga mais à frente, participando mais do jogo ofensivo. Ter o camisa 19 mais participativo no ataque é fundamental para o sucesso marfinense, pois hoje é o melhor jogador tecnicamente do país e jogando nesta função tem mais possibilidades de finalizar de fora da área e de servir os companheiros. 

Além da mudança de esquema, Lamouchi, aos poucos, dá espaço para jogadores mais jovens, que, ao contrário das referências atuais, poderão seguir na seleção por muito tempo. Manter o atual nível é difícil, mas existem bons nomes, como o centroavante gigante (2,3m), Lacina Traoré; o também homem de área Wilfried Bony, que foi artilheiro da Eredivisie 2012-13 jogando com o Vitesse, com 31 gols; e o lateral Serge Aurier, que tem boas chances de ser o titular no Brasil. 

O já histórico elenco dos elefantes, com o acréscimo destes bons jogadores jovens, se concretiza como a melhor seleção africana no ranking Fifa, com a 17ª colocação. Porém, mesmo no topo do continente e com um grupo forte capaz de surpreender no Mundial, Costa do Marfim precisará da sorte, que não teve nos últimos sorteios de Copa do Mundo, para alcançar uma colocação melhor na disputa de 2014.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Enfermedades Futboleras 10

Sob às ordens do comandante Cristiano

 Aqui mando eu, diz Cristiano Ronaldo, pois, afinal, é o craque madridista há algumas temporadas (Real Madrid.com)

O presidente da Fifa Sepp Blatter afirmou que Cristiano Ronaldo parece um comandante em campo e é desta forma mesmo que o português se comporta. Neste final de semana, o português liderou o Real Madrid, que atropelou a Real Sociedad no Santiago Bernabéu. O 5 a 1 ainda ficou barato, pois, claramente, os blancos reduziram o ritmo após alcançarem o 4 a 0. Desde que Ancelotti passou a armar os merengues no 4-3-3, o rendimento da equipe cresceu, e, mais recentemente, com a volta de Xabi Alonso, o onze inicial ganhou a peça que faltava. O basco é o volante mais recuado, mas circula na frente da área madridista para facilitar a saída de bola com os passes precisos (completou 43 dos 47, que tentou, 91% de acerto) e, além disso, contribui na fase defensiva do jogo, com desarmes, recuperações e cortes (ao todo, oito). 

Mas, quem comanda a equipe em campo é mesmo o craque do camisa sete. No 5 a 1 contra os bascos, Ronaldo foi às redes três vezes, o que lhe coloca na artilharia de La Liga, com 16 gols, e deu uma assistência para o gol de Benzema – Khedira e Griezmann fecharam o marcador. Porém, a atuação do português não se resumiu a isso, ele fez mais: ao todo, finalizou oito vezes (cinco no alvo); acertou 88% dos passes que arriscou; fez três desarmes e foi acionado pelos companheiros 41 vezes. O camisa sete é a grande referência merengue em campo e, com o desempenho que ele entrega, não dá para ser diferente. Com Ronaldo comandando o time, Xabi ditando o ritmo, Bale se encontrando vestindo blanco e Ancelotti acertando o esquema tático, o Real cresce na temporada e promete um ano melhor que o anterior, que acabou sem títulos.


O vencedor da rodada

 No primeiro plano, o craque da partida Rooney e, no segundo, o homem dos gols do United. Com eles, o Manchester pode voltar a sonhar com o bicampeonato na Premier League (Getty Images)

O Manchester United entrou na rodada em oitavo lugar a oito pontos da liderança, mas, após o 1 a 0 frente ao Arsenal, avançou três posições na tabela e diminui três pontos na diferença para o primeiro colocado. O retrospecto era todo favorável ao time da casa, pois, nas 12 últimas partidas envolvendo as duas equipes: nove vitórias, dois empates e apenas uma derrota para o United. David Moyes armou o time no 4-2-3-1, com Rooney atrás de Van Persie, no outro lado, o mesmo esquema, mas sem a ótima execução dos jogos recentes: faltavam a pressão na saída de bola do rival e as finalizações de fora da área. 

A dupla Rooney e Van Persie comandou a partida e aproveitou a postura mais defensiva do Arsenal. O gol da vitória veio em cobrança de escanteio do camisa 10, que o holandês antecipou Vermaelen e Giroud e, do primeiro pau, cabeceou para as redes. O camisa 20 que havia prometido nunca comemorar um gol marcado contra o ex-clube, hoje, deixou a promessa de lado e vibrou muito. Após sofrer o 1 a 0, o Arsenal mudou a postura, foi mais à frente e, principalmente depois do intervalo, intensificou o comportamento mais ofensivo. Porém, o domínio do campo (156 passes trocados no último terço) e da bola (60%), resultou em apenas duas finalizações na baliza defendida por De Gea e dois cruzamentos de Sagna, que passaram perigosamente dentro da pequena área sem serem tocados pelo ataque dos gunners. 

A falta de finalizações do Arsenal por ser explicada pelas atuações ruins dos três meias, Cazorla, Ramsey e Özil. Mas o Manchester United também colaborou para que os gunners tivessem poucas chances, pois inflamados pelo espírito de Rooney, que correu a partida inteira, os red devils mal deixaram espaço para que os visitantes pensassem próximos da área. Ao final da partida, Moyes ressaltou a importância dos dois melhores jogadores do United. “Grande jogadores marcam grandes gols e ele é um grande jogador”, sobre Van Persie. O "Shrek" recebeu um elogio ainda maior: “A energia dele foi magnífica”.

Monaco derrapa

Apontando como principal adversário do PSG desde o início da Ligue 1, por conta do investimento e da facilidade de só disputar competições na França, o Monaco derrapou nas duas últimas rodadas. Primeiro, Enyeama parou o time e os dois gols de Roux colocaram fim à invencibilidade monegasca, e, nesta semana, o clube esbarrou na boa defesa do Evian, que, na maior parte do tempo, defendeu com duas linha de quatro, apesar de estar postado no 4-2-3-1. No Monaco, seguiu o 4-2-3-1 de Ranieri, porém, com algumas mudanças, James se tornou o meia-atacante central e Moutinho virou 2° volante. Não deu certo, o time comandou a posse de bola (terminou com 69%), mas criou pouquíssimo. 

A retaguarda dos visitantes se comportou muito bem, porém, merece destaque a participação do meio-campo de Les Roses, que anulou a participação dos meias vermelhos e brancos. Ocampos à direita e Carrasco à esquerda não conseguiram explorar a velocidade pelos flancos e Moutinho e James pelo centro também trabalharam pouco. Em uma das raras chances que teve, o camisa dez colombiano, conseguiu descobrir Falcao às costas da defesa e o compatriota marcou o nono gol na Ligue 1 para empatar a partida (1 a 1, que foi o placar final). O técnico italiano colocou Riviere (seis gols) e reposicionou o time no 4-4-2, tentando atacar mais. O novo centroavante somado à falta de chances para criar com a bola no chão, fez com que a opção pelos cruzamentos fosse ainda mais clara. Porém, o sistema defensivo do Evian conseguiu impedir que a alternativa desse certo e, apesar das 15 finalizações durante todo o jogo, apenas duas chegaram à baliza de Les Roses, provando que a ótima atuação defensiva impediu que oportunidades mais claras fossem criadas pelo Monaco. Os vermelhos e brancos agora vão ficando pra trás na tabela: terceira colocação a cinco pontos do líder PSG.

Na cola

 Llorente, Pirlo e Pogba garantiram a Juventus na cola da Roma (Reuters/Giorgio Perottino)

A Roma tropeçou no Sassuolo e abriu espaço para que o vencedor do confronto entre os perseguidores, Juventus e Napoli ficasse a um ponta da liderança. Jogando em casa, a Vecchia Signora não desperdiçou a oportunidade e colou nos giallorossi. Conte utilizou o 3-1-4-2, com a interessante dupla de ataque, Tévez e Llorente. No Napoli, que poupou alguns jogadores no meio da semana pela Liga dos Campeões, time completo, mas, apesar disso, os azzurri não conseguiram fazer uma grande partida. A Juventus soube se impor muito bem e foi desta forma desde o início. Antes do primeiro minuto, Pogba quase abriu o placar, mas parou em Reina. Porém, no lance seguinte, Isla jogou na área, Tévez desviou e Llorente, em ligeiro impedimento, apareceu para marcar no segundo pau. Para variar, os bianconeri tiveram Pirlo comandando o meio-campo e abusando dos passes longos. Após o susto inicial, os partenopei equilibraram o jogo, mas só Insigne, pelo lado esquerdo, conseguiu assustar Buffon. Por isso, o 1°T só não acabou com uma vitória maior da Juventus, pois Pepe Reina fez ótimas defesas.

Na volta para o segundo tempo, o equilíbrio persistiu, o Napoli tentou aparecer mais no campo ofensivo, porém seguiu sem fazer grande partida. Por outro lado, a defesa bianconera, ao contrário de jogos recentes, se comportou muito bem. Barzagli foi um monstro, com sete cortes, cinco desarmes e duas recuperações. Nesta toada, o jogo tinha tudo para terminar 1 a 0, mas Inler fez falta desnecessária na entrada da área, resultado: cobrança milimétrica de Pirlo e 2 a 0. Depois, mais expostos, os azzurrini sofreram o terceiro gol, anotado por Pogba. Foi um golaço, o camisa seis matou a bola, ela subiu e, antes dela cair no chão, com o pé direito, o francês acertou belo chute no canto direito de Reina. O jovem tem, ao todo, cinco gols e sete assistências na temporada, em 17 partidas e vai se tornando indispensável aos bianconeri atualmente.

Estranhamente tranquilo

Um dos maiores clássicos futebolísticos do mundo ocorreu neste domingo na Turquia. A partida envolveu os asiáticos do Fenerbahçe e os europeus do Galatasaray, os dois maiores campeões da Süper Lig, com 18 e 19 títulos respectivamente e, cada um, de um lado de Istambul. O clima era favorável ao Fener, que, por jogar no Estádio Sukru Saracoglu, era o único a ter torcedores nas arquibancadas. Ao contrário de clássicos recentes na Turquia, o jogo não foi tão disputado e os canários venceram tranquilamente por 2 a 0. O técnico Ersun Yanal armou bem a equipe no 4-3-3 e, no esquema, um dos meias, o brasileiro Cristian – o melhor em campo – foi fundamental, pois era aquele que apoiava mais o ataque. No lado do Cimbom, o 4-1-4-1 (no 2°T, mais cara de 4-3-3) tinha Drogba na frente e, as melhores chances do Galatasaray, vieram quando o marfinense deixou a área para criar, mas foi pouco. 

 Os gols saíram com Emre de pênalti e com Cristian, que marcou, após uma jogada que só ocorreu por conta de uma roubada de bola no campo ofensivo, resultado de uma pressão forte na saída de bola do rival. Felipe Melo teve chance de diminuir e colocar fogo no jogo nos minutos finais, mas o brasileiro cobrou muito mal um pênalti e o goleiro Demirel fez a defesa tranquila. O 2 a 0 mantém o Fenerbahçe na ponta da Süper Lig com quatro pontos de vantagem em relação ao vice-líder Kasimpasa, enquanto o atual bicampeão Galatasaray é apenas o sexto a nove pontos da liderança.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O que acontece com Carlos Eduardo?

Na Alemanha, Carlos Eduardo fez com que todos se apaixonassem pelo seu futebol, mas hoje, esta fase no Hoffenheim fica como uma lembrança irrecuperável (Ronald Wittek/EFE)

Quem me segue no Twitter sabe que sou um dos poucos defensores do meia-atacante rubro-negro, Carlos Eduardo. Obviamente que o motivo não é pelo o que ele entrega em campo ao Flamengo e, sim, pelo potencial que já vi no futebol dele. Porém, este não é o mesmo jogador que me fez decorar o Grêmio vice-campeão da Libertadores de 2007, que tinha: Saja; Patricío, William, Teco, Lúcio; Gavilán, Sandro Goiano (com Lucas Leiva, no segundo jogo); Tcheco, Diego Souza, Carlos Eduardo; Tuta. 

Eu não sou gremista e também não era um doente por futebol como sou hoje, mas, este time do tricolor imortal está na minha cabeça muito por conta do meia-atacante canhoto, habilidoso e veloz, que era Carlos Eduardo. Desde então, passei a acompanhar a carreira daquele jogador, pois, para mim, se tratava de um prospecto de seleção brasileira. O desempenho em 2007 chamou a atenção do Hoffenheim, que, mesmo estando na Bundesliga 2, tinha um projeto de crescimento. O clube construiu estádio, melhorou a estrutura, investiu em contratações e o brasileiro foi o grande nome do mercado de transferências. Por 7 M € (até hoje maior transferência paga pela equipe), foi jogar na Alemanha. 

Com maior investimento que os demais clubes, o Hoffenheim subiu e Carlos Eduardo foi importante. Apesar de jovem (20 anos), se adaptou bem, marcou cinco gols e cedeu quatro assistências, nos 1626 minutos que ficou em campo. Na primeira divisão, ostentando a camisa dez, Cadu também teve destaque e o clube teve momentos em que pôde desafiar o gigante Bayern de Munique. Jogando como meia-atacante pelo centro, o brasileiro foi destaque ao marcar oito gols e ceder seis assistências, ajudando o Hoffenheim a terminar a Bundesliga 2008-09 em sétimo lugar. 

Não era apenas uma fase do camisa dez brasileiro, no ano seguinte, o clube não manteve o nível, mas Cadu seguiu em alta, pois marcou cinco vezes e cedeu nove assistências. Por isso, Carlos Eduardo chegou a ser chamado por Dunga para a seleção e foi cotado para defender o país na Copa de 2010. Inclusive o jogador do Hoffenheim fez da lista de suplentes da lista final do técnico brasileiro, portanto, caso houvesse uma lesão, ele poderia ter feito parte do elenco verde e amarelo no Mundial africano. 

 O Flamengo venceu concorrência com outros clubes brasileiros para ter Carlos Eduardo por empréstimo, mas, até agora, o esforço não deu resultado (VIPCOMM)

O bom futebol apresentado e os investimentos menos agressivos de Dietmar Hopp fizeram com que uma proposta do Rubin Kazan de 20 M € fosse irrecusável para o Hoffenheim. Na Rússia, Carlos Eduardo estreou marcando dois gols, Mano Menezes chegou a convoca-lo e lhe dar a camisa dez da seleção brasileira, mas Cadu não teve continuidade nem vestindo verde e amarelo nem com os tártaros. Por isso, neste começo de ano, o clube russo optou por empresta-lo ao futebol brasileiro até a Copa de 2014. 

Porque então, um jogador que surgiu como estrela, foi bem em um dos melhores campeonatos do futebol mundial, fez algumas boas partidas vestindo o verde e amarelo e voltou ao Brasil falando em seleção brasileira, não consegue ser importante para o Flamengo? Vamos aos três principais motivos:

Lesões  

Depois de largar bem no Rubin Kazan, Carlos Eduardo teve uma série de três lesões, que somadas, o afastaram dos gramados, praticamente, por dois anos. Quem faz algum tipo de esporte, sabe que a volta de qualquer lesão séria é muito complicada, imagine três e no nível profissional. O resultado disso é que, pelos tártaros em quase três anos, foram apenas 13 partidas, os dois gols da estreia e 850 minutos em campo. Na apresentação no Flamengo, Cadu destacou que as lesões refletiriam no pouco tempo em campo: “o treinador do Rubin Kazan tinha medo de me botar pra jogar, pois eu ainda sentia muitas dores. Em 2012, entrei em vários jogos. Mas muita gente não entendia o investimento feito pelo time russo e quase não atuava”. O reflexo do grande período parado é visto ainda hoje, pois, neste ano, Carlos Eduardo não participou da pré-temporada rubro-negra e, ainda hoje, parece esgotado no segundo tempo de todos os jogos, sendo o jogador flamenguista que menos contribui com a marcação. 

Desmotivação 

Além de parecer limitado fisicamente, o meia-atacante também parece não ter o interesse de brigar em campo como os demais colegas de elenco no Flamengo. Isto vai contra àquilo que declarou quando foi apresentado na Gávea. “Sou um cara que gosta de desafios, o ser humano convive com isso. Desafio na carreira de jogador é muito importante e quem tem personalidade cresce com ele”, garantiu. Vaiado jogo após jogo, Cadu não parece conseguir reagir. Apesar das vaias e da perseguição da torcida não diminuir o nível de suas atuações (afinal, já está muito baixo), o camisa 20 rubro-negro também não faz nada diferente para deixar de ser o alvo dos torcedores. Somado a isso, o fato de não ter atingido os próprios objetivos, limita a chance de reação. Quando apresentado, Carlos Eduardo afirmou: “meu objetivo é voltar à Seleção Brasileira”. Longe de voltar a vestir verde e amarelo, o meia-atacante pode ter parado de acreditar na reação do próprio futebol.  

Extra-campo 

Não foi uma vez que, neste ano, surgiu a notícia que o Flamengo tentaria devolver o meia-atacante ao Rubin Kazan, pois o alto investimento não estava trazendo resultados. O empresário sempre rechaçou estas hipóteses. Além disso, em outras ocasiões, o camisa 20 – como todos do elenco – teve problemas para o recebimento dos direitos de imagens. O agente Jorge Machado tentou blindar o jogador a cada novo problema fora das quatro linhas, sobre os assuntos supracitados, quem falava era o empresário. Mas é claro que Cadu ficava sabendo das polêmicas e isto interfere no que apresenta em campo. 


Seguir apostando em Carlos Eduardo parece não ser a melhor opção para os rubro-negros, pois já teve quase 900 minutos em campo, marcou apenas um gol, atuou nas mais diversas posições e pôde ter uma sequência de jogos apesar das apresentações ruins. Portanto, Cadu teve várias chances para dar certo no Flamengo e não. Porém, já que bancará o jogador até o final ano, que ele fique até o final do empréstimo, porque esta nova aposta poderá valer a pena. Tendo em vista que, no próximo ano, o camisa 20 terá condições de participar da pré-temporada normalmente e isto poderá fazer diferença dentro das quatro linhas. 

Números da matéria coletados nos sites: Footstats e Transfermarkt

domingo, 3 de novembro de 2013

Enfermedades Futboleras 9

Nesta semana, os destaques do futebol europeu chegaram antes ao blog.

Aos pés de Verratti

Mesmo com dois na marcação, Verratti segue com a bola. Ninguém parou o italiano no 4 a 0 do PSG (C.Gavelle/PSG)

O PSG enfrentou o Lorient recheado de reservas, pois, nesta semana, joga pela Liga dos Campeões. Ibrahimovic foi um dos poupados, por isso, Cavani foi o centroavante no 4-3-3 parisiense, que atacava o 4-4-2 de Les Merlus. Desde o início, domínio amplo do time de Blanc e, com três minutos, Lucas completou, de primeira, belo cruzamento de Digne. O lateral-esquerdo jogou bem avançado, aproveitando o corredor canhoto, que ficava aberto com a movimentação do ponta-esquerda Ménez. No segundo gol, o camisa sete recebeu a assistência de Verratti no lado direito da área, provando a importância de circular pelo campo. Cavani ainda fez o terceiro no primeiro tempo, em ótimo cruzamento de Lucas pela direita. O brasileiro, após não ser convocado por Felipão, aproveitou a chance e participou bem da partida. 

O que chamou atenção no PSG foi a ótima participação dos jovens no jogo, além de Lucas, Digne e, principalmente, Verratti jogaram muito bem. O italiano deu show, e controlou o meio-campo, com 100 passes completados, entre os 107 tentados. Porém , não foram apenas toques laterais, o camisa 24 arriscou e acertou bons passes longos. O jovem volante comandou o elenco vermelho e azul, que trocou incríveis 672 passes, com índice de 91% de acerto. Por isso, os parisiense tiveram 65% da posse de bola. No final do jogo, Cavani manteve a boa fase e fechou a goleada por 4 a 0 – o uruguaio é um dos artilheiros da Ligue 1, com nove gols.

Ribéry resolve

 Müller e Ribéry comemoram muito o gol que valeu os três pontos (AFP)

O Bayern, finalmente, tinha se acertado sob o comando de Guardiola e se tornaria imparável. Pelo menos, era o que todos imaginavam. Porém, a visita a Rhein-Neckar Arena para enfrentar o Hoffenheim, mostrou que nem tudo está bem para os bávaros. A vitória e o retorno à liderança da Bundesliga vieram, mas o bom futebol passou longe. No 4-1-4-1 e com Götze pela primeira vez de titular, o Bayern teve dificuldades para jogar contra o 4-3-2-1, dos donos da casa, que contavam com o forte trio de ataque formado por Volland, Firmino e Modeste – juntos somavam 18 gols marcados no Alemão. Mas os goleadores não foram bem, exceção à Volland, que assustou algumas vezes o goleiro Neuer. 

Götze, que vinha melhorando, atuou mal como titular, mas o Bayern tinha Ribéry, que, mais uma vez, se destacou. Meia-esquerda no esquema de Guardiola, o francês flutuou pelo campo e apareceu até na ponta-direita. Foi o camisa sete que resolveu o jogo, após Neuer falhar e proporcionar o primeiro gol do Hoffenheim. Primeiro, foi em cobrança de falta do melhor jogador da Europa que a bola bateu em Mandzukic (mal no jogo) e entrou. Depois, no segundo tempo, apesar de mais ofensivo e com mais posse de bola, o Bayern não conseguia criar boas chances até que Javi Martínez roubou dentro da área. Aí a redonda ficou com Ribéry, que, inteligentemente, passou para Müller, livre marcar.

O francês deu importantes três pontos ao Bayern, que segue um ponto à frente do Borussia Dortmund, que será o adversário dos bávaros daqui a duas rodadas. Ribéry segue firme para brigar pelo prêmio de melhor do mundo, nesta temporada, já são oito gols e cinco assistências, que o concretizam como craque do grande time do futebol mundial hoje. Na próxima rodada, liderado pelo francês, o Bayern poderá quebrar o recorde de invencibilidade do Campeonato Alemão, que é do Hamburgo, com 36 partidas, entre as temporadas de 1981-82 e 1982-83 – anos que foi bicampeão alemão. 

Mostrou força

Cazorla e Ramsey marcaram para o Arsenal no 2 a 0 sobre o Liverpool, mas Arteta foi o destaque (Arsenal.com)

Arsenal e Liverpool ganhou ainda mais importância, por conta da derrota do Chelsea para o Newcastle. Portanto, quem vencesse, seria líder. Brendan Rodgers apostou no esquema com três zagueiros, desta vez, um 3-1-4-2, com Sturridge e Suárez soltos na frente. Por outro lado, o Arsenal manteve o 4-2-3-1, com muito muita movimentação dos três meias, que, constantemente, trocavam de posição. Jogando em casa, os gunners comandaram o jogo e só foram ameaçados pelos reds, em eventuais jogadas dos dois homens de frente, pois nem os meias, nem os alas – Cissokho fez péssima partida e saiu no intervalo – conseguiram incomodar a defesa do time de Wenger. 

Apesar de ter pouco de Özil durante toda a partida, o domínio territorial do Arsenal, os 181 passes trocados no último terço do campo e os oito desarmes no ataque fizeram com que boas chances fossem criadas. O primeiro gol dos gunners saiu em cima de Cissokho, Sagna foi ao fundo e cruzou. O pequenino Cazorla cabeceou na trave e aproveitou a sobra para marcar, foi o primeiro gol do espanhol na temporada e, justamente, na melhor exibição dele. Rodgers tentou corrigir a inoperância ofensiva, mudando o esquema. Coutinho entrou, o Liverpool passou a jogar no 4-4-2 e chegou a dominar a partida. Mas o meio-campo de Wenger retomou o domínio do jogo e o panorama voltou a ser: Arsenal afogando a saída de bola dos reds, dominando a redonda e criando chances. Em uma delas, Özil passou para Ramsey marcar um belo gol de fora da área e decretar números finais. 2 a 0. 

Esta foi a primeira vitória do Arsenal na temporada sem Flamini, que está lesionado. Ele foi muito bem substituído por Arteta, que facilitou a saída de bola dos gunners durante todo o jogo. Ao todo, o espanhol acertou 100 dos 106 passes que tentou (94% de acerto), fez sete desarmes, recuperou duas bolas e fez um corte de cabeça. Provavelmente, sem o francês por mais alguns jogos, o Arsenal precisará de Arteta neste nível para superar os desafios importantíssimos desta semana: na quarta, o Borussia Dortmund, e, no domingo, o Manchester United, ambos fora de casa.

Clássico moscovita

Se você frequenta este espaço, já deve saber que, na Rússia, o Zenit vem muito bem. Porém, nesta rodada, com um empate em casa contra o Amkar, os zenitchiki deram espaço para que times moscovitas encostassem nele na tabela. O CSKA embalou duas vitórias e subiu, mas os adversários mais próximos eram o Spartak e Lokomotiv, que se enfrentaram, com portões fechados, em Moscou. 

Atuando no 4-2-3-1, o Lokomotiv comandou as ações do jogo durante os noventa minutos. Na maior parte do tempo, os parovozy abdicaram da posse de bola (ficaram com ela apenas 36% do tempo) e apostaram em contra-ataques que assustaram a frágil defesa do Spartak, que hoje teve o lateral Makeyev improvisado como zagueiro. O primeiro gol dos vermelhos e verdes veio com falha no centro da zaga do time do povo, o lateral Parshivlyuk até tentou cobrir o buraco, mas Maicon (ótima atuação) foi mais esperto e conseguiu o toque para N'Doye marcar. Para piorar o goleiro Pesjakov falhou em lançamento do zagueiro Durica e a bola sobrou para Samedov empurrar para o gol aberto. O Spartak conseguiu reduzir o prejuízo em falha de Corluka, que Movsisyan aproveitou. 2 a 1. 

Apesar de ter finalizado muito mais que o adversário (18 a 9), faltou pontaria (4 a 5, em tiros no alvo). Além disso, o time do povo não teve criatividade no 4-2-3-1, mesmo tendo um dos volantes ajudando na criação. As mexidas de Valeri Karpin também pouco colaboraram, pois o técnico mudou apenas os nomes, a forma de jogar seguiu a mesma. No final do jogo, N’Doye aproveitou um bom lançamento de Denisov para marcar o 3 a 1. Com a vitória tranquila no confronto direto, o Lokomotiv fica a três pontos do líder Zenit e se credencia como principal adversário do time de Hulk e Danny na briga pela Premier League Russa.

A Roma parou

 Cerci impediu a 11ª vitória da Roma na Serie A 2013-14 (Ansa)

“É uma vergonha, mas não dá para ganhar todas”. A frase do capitão Danielle De Rossi à Sky Sport Italia ao final do empate, em 1 a 1 com o Torino, é importantíssima para a Roma continuar brigando na frente da tabela. A série de dez vitórias consecutivas na largada na Serie A acabou, mas os giallorossi seguem na ponta da disputa e com três pontos de vantagem em relação a Napoli e Juventus, que se enfrentarão na próxima rodada. Portanto, não há motivos para perder a cabeça e é sempre bom lembrar que esta Roma não pensava em título neste ano e, sim, na classificação à Liga dos Campeões. 

 Os giallorossi sofreram na visita ao Torino, pois, com algumas ausências, o time não criou muito. Rudi Garci deixou o esquema com mais forma de 4-1-4-1. Por conta da falta de Gervinho para jogar na ponta-esquerda, Pjanic foi deslocado para o setor. O bósnio por não ser um atacante de lado, não era tão incisivo como o titular do setor. Somado à isso, Florenzi fez partida ruim na ponta-direita e o centroavante Boriello até brigou na frente, mas não consegue colaborar com a criação, algo que a Roma precisaria nesta partida. Ljajic, que entrou bem, pode ser uma opção no centro do ataque, enquanto Totti estiver machucado. 

A falta de criação romanista ficou clara desde o início, pois o time girava a bola no meio e não conseguia finalizar – chegou a ficar com mais de 70% da posse de bola. O gol veio em uma das raras chegadas de Pjanic à linha de fundo. O bósnio cruzou para trás e Strootman marcou. O Torino tentou quando teve a bola, principalmente, com Cerci, que atuava aberto pela direita no 4-2-3-1 da equipe. Embalado pelo seu artilheiro, o Toro deu mais trabalho ao goleiro De Sanctis do que os giallorossi proporcionaram à Padelli. E foi Cerci que garantiu o empate e marcou o segundo gol sofrido pela defesa romanista na Serie A, o que quebrou a marca de 743 minutos da Roma sem sofrer gols. 1 a 1 que não pode derrubar o ânimo da líder da Serie A, o trabalho está sendo bem feito e assim deve continuar.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Enfermedades Futboleras 8

Jogos entre milionários de Espanha e Inglaterra agitaram o final de semana do futebol europeu e você confere alguns destes destaques aqui.

El Clásico de Neymar

Neymar decide frente ao Real que ainda busca se encontrar na temporada  (Alberto Estévez/EFE)

Tata Martino e Carlo Ancelotti cumpriram com aquilo que era esperado deles e ambos escalaram as equipes no 4-3-3, sem centroavantes clássicos. Porém as escolhas do italiano se mostraram menos acertadas: Bale no centro do ataque e Sergio Ramos como 1° volante. No Barcelona, a grande novidade foi Fàbregas jogando pelo meio do setor ofensivo e, por isso, Messi descolocado à direita, como no começo da trajetória profissional.

As escolhas de Ancelotti resultaram em um primeiro tempo que o Real foi dominado pelo Barcelona, com muito de Neymar e pouco de Messi, que pareceu estar longe do 100%. O volume e o domínio do campo blaugrana resultaram em mais finalizações, ao todo, foram cinco arremates, duas delas na baliza. Em um dos chutes surgiu o gol. Iniesta controlava a bola com a perna direita, passou rápido para a canhota já enfiando para Neymar, o brasileiro dominou e bateu colocado para marcar, contado com desvio em Carvajal, que fez boa exibição. Na comemoração, o abraço de todos deu a noção do tanto que é querido o camisa 11. Os merengues produziram pouco: três arremates, dois completamente fora do gol e um defendido por Valdés e apenas 20 passes completados no último terço do campo.

Na segunda etapa já sem Sergio Ramos e Bale, com Illarramendi de 1° volante e Benzema como centroavante, o Real Madrid melhorou muito, marcando mais na frente. Por um período, os blancos chegaram a dominar a partida, e, o camisa nove francês, quase fez um golaço em chute de fora da área, a bola explodiu no travessão. Mas o Barcelona soube aproveitar este momento madridista e, em um contra-ataque, fechou o jogo. Neymar fez a enfiada para Alexis Sánchez, que ameaçou o drible para um lado para o outro, brecou na entrada da área e encobriu o adiantado Diego López. 

Os merengues reduziram o prejuízo no final da partida, com Jesé, em falha de Valdés. Mas o Barcelona mereceu a vitória, que o mantém na liderança da Liga e, agora, os catalães têm seis pontos de vantagem sobre os madridistas, que ocupam a terceira colocação. No final do campeonato, esta vantagem poderá ser a diferença entre o título e o vice-campeonato, apesar de que entre eles está o Atlético, que tem dois pontos de desvantagem para os blaugranas.

Neymar em números: 

Chutou três vezes e todas na baliza, em uma delas, marcou; tentou 33 passes e acertou 27, taxa de 79% de êxito; recebeu 41 passes; passou 11 vezes corretamente para companheiros no último terço do campo (ao todo, tentou 14 passe nesta fase do jogo) e cedeu a assistência para o gol que acabou sendo decisivo.

Herói improvável

 O lance decisivo que deixou o Chelsea a dois pontos do líder Arsenal (ChelseaFC.com)

Fernando Torres foi um dos melhores jogadores do mundo enquanto jogou no Atlético de Madrid e no Liverpool, inclusive ficando com o terceiro posto no prêmio de melhor do mundo em 2008. Habilidoso e com instinto goleador, o Chelsea desembolsou 40 M £ (58,5 M €) para ter o espanhol, mas, com os blues, o camisa nove não se deu bem. Porém, nesta temporada com Mourinho, Torres está se reencontrando e, hoje, mesmo com Demba Ba e Eto’o no elenco, o espanhol é a primeira escolha do técnico.

Frente ao Manchester City, o Chelsea jogou para vencer pela primeira vez contra um dos gigantes da Inglaterra nesta temporada. No começo da Premier League, contra o United, os blues foram a Old Trafford claramente para empatar. Desta vez, em Stamford Bridge, os londrinos queriam a vitória. Os dois times jogaram no 4-2-3-1 e, no City, uma novidade, Yaya Toure jogando novamente como meia-atacante central, à frente dos dois volantes, Javi García e Fernandinho. 

No 1°T, o domínio do Chelsea foi absoluto, com sete finalizações. O personagem foi Torres, que depois de perder chance importante, destruiu o lado esquerdo da defesa do City, invadiu a área e cruzou para Schürrle marcar. Além do centroavante, Ramires jogava muito bem, desarmava e levava o time para o ataque. No 2°T, a ordem do jogo mudou, o controle dos blues foi substituído por uma maior presença ofensiva dos citzens, que, logo no início, empataram com gol de Agüero e assistência de Nasri. 

A partir do empate, a partida ficou mais igual, mas o City conseguiu mais finalizações na segunda parte (nove, contra seis). Os times trocavam ataques, Cech fez algumas boas defesas, porém, nos últimos 15 minutos, nem os blues nem os citzens conseguiram finalizar. Ninguém conseguiria mudar o placar, mesmo constantemente chegando na frente da área do adversário. Mas o Chelsea tinha Torres e o camisa nove aproveitou erro absurdo de Natasic, que, de cabeça, recuou a bola para Hart, que também estava saindo do gol. O resultado: bola livre para o espanhol garantir os três pontos, com direito a Mourinho comemorando no meio da torcida

Dérbi do Ruhr

 Aos pés de Mkhitaryan: Błaszczykowski e Sahin recberam assistências do homem do jogo (Bvb-de)

A Veltins-Arena, em Gelsenkirchen, viu uma ótima partida do Borussia Dortmund, mas especialmente do camisa dez, Henrikh Mkhitaryan. O dérbi do Ruhr teve as características do futebol alemão atual: intensidade dos dois times, estádio cheio, vibração nas cadeiras e bom futebol. Ambas as equipes jogaram no 4-2-3-1 e o armênio fez a diferença jogando centralizado, com duas assistências. O trio de meias aurinegro funcionou muito bem: o meia-esquerda Reus flutuava mais em campo; o meia-direita Aubameyang marcava até a defesa, mas entrava na área para apoiar o centroavante Lewandowski; e Mkhitaryan jogava mais livre pelo centro, correndo muito (12,1 km), decidiu o jogo. 

No Schalke, valeu por mais uma boa atuação Draxler, meia-direita no 4-2-3-1 azul real. O Borussia não ficou mais com a bola, não finalizou mais vezes e não trocou mais passes no último terço do campo. Mas a marcação no campo de ataque, que resultou em seis recuperações de bola e cinco desarmes no setor ofensivo, fez diferença. Em uma destas roubadas, Mkhitaryan enfiou Reus, em um buraco no lado esquerdo da defesa do Schalke, o camisa 11 cruzou rasteiro e Aubameyang marcou. Hildebrand ainda fez algumas defesas, mas o goleiro que brilhou foi Weidenfeller, que pegou um pênalti (que não houve) mal batido por Boateng, que, apesar de ter chutado forte, cobrou no meio. 

No segundo tempo, o Borussia passou a apostar mais em contra-ataques. Um deles terminou com assistência de Mkhitaryan para belo chute de Sahin, da entrada da área. Em outra ocasião, o armênio conduziu a bola do campo defensivo até a área do Schalke e, de lá, passou para Blaszczykowski marcar. Entre os gols dos visitantes, os azuis reais marcaram com Meyer, que entrou bem na partida. A vitória aurinegra manteve o time a um ponto do líder Bayern de Munique, que também venceu na rodada, por outro lado, agora, o Schalke está em sétimo e fora da zona de classificação às competições europeias. No final, o craque do jogo falou, em tom de alívio: “foi uma semana dura, com três vitórias em jogos importantes”.   

O campeonato mais equilibrado da Europa

A imagem do equilibrio (Reprodução internet)

Pela primeira vez na história da Eredivisie, que é disputada desde 1956-57, após 11 rodadas, a diferença entre o líder do campeonato e o último colocado é de apenas 13 pontos. O mais absurdo é observar que do líder para o oitavo colocado são apenas dois pontos de vantagem. O nivelamento da Liga Holandesa ficou ainda mais claro neste final de semana, pois foi a primeira vez, desde fevereiro de 1964, que os três maiores clubes do país – Ajax, Feyenoord e PSV – não conseguiram vencer em duas rodadas consecutivas. (Estatísticas por Infostrada) 

O Ajax, que tinha o domínio da Liga e é o atual tricampeão do campeonato, perdeu dois jogadores fundamentais na reta final da janela de transferências e mudou o panorama no país. O capitão Alderweireld foi para o Atlético de Madrid e o meia Eriksen foi para o Tottenham. Sem a dupla, os Godenzonen caíram alguns patamares e ficaram mais próximos do nível dos adversários. Hoje o Ajax é vice-líder, com os mesmos 19 pontos do ponteiro Twente e segue como favorito, mas, com o equilíbrio da Eredivisie, qualquer deslize poderá afastar o time de Amsterdan da liderança e evitar mais um título.  

Quem segura o Porto?

Lucho e Josué, um fechou e o outro abriu o placar no dérbi (AP Photo)

Na Liga Portuguesa, antes desta rodada o Porto era líder invicto, porém, tinha no encalço, o Sporting, apenas dois pontos atrás. Por isso, o encontro deste domingo no Estádio do Dragão foi uma boa alternativa para conseguir uma maior margem na ponta. Com um 3 a 1, com bastante tranquilidade, os azuis e brancos agora têm cinco pontos de vantagem em relação aos Leões. 

No 3 a 1 frente ao Sporting, a tranquilidade azul e branca só foi quebrada no início do 2°T, quando os visitantes pressionaram mais os portistas, cresceram no jogo e empataram. Porém, após o empate, o lateral brasileiro Danilo fez belo gol: recebeu na área, girou, cortou Rojo para canhota e fuzilou. Lucho González ainda completou a vitória depois de jogada de ponta-esquerda do centroavante Jackson Martínez. No Porto, além dos laterais brasileiros, os três meias – Varela, Lucho e Josué – jogaram muito bem e correram muito.

O Porto perdeu para este ano James Rodríguez e João Moutinho, que, na última temporada, participaram de 44,8% dos gols do Dragão. Sem eles e com o novo técnico Paulo Fonseca, o time mudou do 4-3-3 para o 4-2-3-1 e, apesar da queda de qualidade no elenco, o time parece preparado para conquistar o tetracampeonato – feito que veio pela última vez entre 2005-06 e 2008-09.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Podcast 2

Voltamos a gravar um podcast para o blog, desta vez, com escalação diferente. Thomaz Santos segue no time e, agora, entra o camisa dez do Futebol Espanhol, Pierre Andrade. Como sempre, o esquema é simples, mas acho que nas próximas edições conseguirei fazer uma edição mais fina, com trilha e efeitos, que este episódio não tem. Além disso, vocês irão notar alguns picotes na gravação, infelizmente tive mudar de última hora o programa que uso para gravar o podcast e o resultado foi o maior decréscimo de qualidade no áudio

Os assuntos:
- Diego Costa: Brasil ou Espanha? 
- Barcelona e Real Madrid: o jogo do final de semana 
- Jogos de ida da Liga dos Campeões concluídos 
- Ibrahimovic e Cristiano Ronaldo em fases espetaculares e um deles ficará fora da Copa 




O texto lembrado no final do programa é este aqui: http://futebolespanhol.com.br/leitao-de-figo/ 

Então, é isso, espero que possam divulgar o nosso podcast, fiquem à vontade para criticar e mandar sugestões para o programa.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Enfermedades Futboleras 7

Quando pensei em fazer a coluna semanal sobre o futebol europeu, confesso que não imaginava que ela duraria tanto, já foram sete publicações. Não posso deixar de agradecer os amigos do site Doentes Por Futebol, que tem divulgado o material através da Fanpage deles, que tem mais de 60 mil curtidas. Indico o site e a Fanpage da DPF, que era – e ainda é – uma comunidade do Orkut e, por um tempo, teve uma revista, a qual eu tive a honra de colaborar nas cinco edições. 

A imparável Roma 

A cada rodada impressiona mais o desempenho da Roma na Itália. Agora, em oito jogos na Serie A 2013-14, são oito vitórias, 22 gols marcados e apenas um sofrido – melhor ataque e melhor defesa. Nunca na história da Liga Italiana um time perdeu o scudetto, após conquistar o 100% de aproveitamento nas primeiras oito partidas de uma temporada, e existem motivos para acreditar que a Roma não quebrará esta marca, apesar da força dos concorrentes. Com mais uma vitória, os giallorossi irão igualar o melhor início da história no Italiano, a Juventus de 2005-06. 

 O 4-3-3 da Roma e de Rudi Garcia vem dando muito certo nesta Serie A (Clique na imagem para ampliar)

O ótimo desempenho tem muita relação com o técnico Rudi Garci, egresso do Lille, onde venceu a Ligue 1 2010-11. O conceito tático é semelhante, um 4-3-3, que, em muitos momentos, se torna um 4-1-4-1. O comandante francês faz o time capitolino marcar na frente e pressiona a saída de bola adversária, com o avanço dos meias, Pjanic e Strootman, deixando De Rossi preso na frente da defesa. Para exercer a pressão no ataque e conseguir recompor sem prejudicar o sistema defensivo, impressiona o desempenho físico desta equipe. 

Contra o ex-vice-líder Napoli, na sexta-feira, a vitória teve muito do físico giallorossi. O 2 a 0 foi conquistado sob os olhares de Maradona, que, pela primeira vez, desde que deixou a Itália em 1991, viu um jogo dos azzurri no estádio, não deu sorte. A Roma atuou bem, mas, no primeiro tempo, viu os partenopei terem as duas melhores chances de gol, antes de Pjanic cobrar falta – cometida por Cannavaro – no ângulo de Reina. E, antes do 2 a 0, a situação era semelhante: Napoli dominando o jogo e assustando De Sanctis. Porém, o ex-capitão napolitano cometeu pênalti, levou o segundo cartão amarelo e, na cobrança, o bósnio marcou pela segunda vez. A partir daí, o ímpeto dos azzurri foi bem reduzido e a Roma marchou tranquila para a oitava vitória consecutiva.

A grande virada

Rossi marcou três vezes na virada da Fiorentina sobre a Juventus e é o artilheiro da Serie A, com oito gols em oito jogos (AP Photo)

No Artemio Franchi, a Juventus foi ao intervalo vencendo a Fiorentina por 2 a 0, com um gol de Tévez, em pênalti que não ocorreu, e outro de Pogba. Quem via o jogo não podia imaginar o que iria ocorrer no 2°T. A Vecchia Signora se deixou levar pelo sentimento de que o jogo já estava definido, enquanto, do outro lado, a Viola tinha certeza que tudo poderia mudar. Montella sacou Aquilani e colocou Joaquín, desta forma, a dona da casa passou a ter Cuadrado na ponta-esquerda e o espanhol na ponta-direita, portanto, 4-3-2-1 tão utilizado nesta temporada.

O placar da partida começou a tomar novo rumo, quando, aos 65 minutos, o árbitro inventou um pênalti para a Fiorentina, que Giuseppe Rossi bateu e marcou. O empate veio aos 75 minutos, mais uma vez através da canhota do camisa 49, que surpreendeu Buffon com chute de fora da área – falha do goleiro da seleção italiana. Sem reação e entregue ao jogo dos donos da casa, a Juventus falhou e Borja Valero passou para Joaquín, que recebeu livre dentro da área e virou o jogo. Aos 80 minutos, após mais uma participação do ex-jogador do Villarreal, Cuadrado (decisivo para a virada) disparou pela direita e rolou para Rossi fechar a tripleta

Ao final da partida que garantiu a Fiorentina a sexta colocação da Serie A 2013-14 a nove pontos da líder Roma, as declarações dos jogadores da viola mostraram claramente a importância do resultado. “No vestiário, tivemos champanhe e festa. Por 15 anos, não havíamos derrotado a Juventus e isto era duro”, disse Joaquín. O craque do jogo, Rossi comemorou: “temos grandes elementos na equipe, no campo e no banco, e hoje vimos muito caráter e coração. Podemos jogar contra qualquer adversário”.

Acabou o 100%

Fàbregas lamentou uma das ocasiões desperdiçadas pelo Barcelona, contra o Osasuna (AFP)

Nem Atlético, nem Barcelona, La Liga 2013-14 não tem mais times com 100% de aproveitamento. Mas o prejuízo dos colchoneros foi maior, derrotado, em Barcelona, pelo Espanyol, por 1 a 0. No jogo, os rojiblancos não finalizaram nenhuma vez na baliza defendida por Kiko Casilla. Por isso, a liderança de La Liga ficou, de forma isolada, com o Barça, pelo ponto conquistado no 0 a 0, contra o Osasuna, fora de casa. Os blaugranas pouparam Messi (entrou no 2°T), Daniel Alves, Pique e Alba e não conseguiram produzir muita coisa. O Barcelona finalizou apenas três vezes no gol e não foram chances tão claras. Desta forma se encerra a maior série de jogos consecutivos marcando gol na Liga, foram 64 partidas, entre 2012 e 2013. 

O grande beneficiado foi o Real Madrid, que agora está a três pontos do líder e próximo adversário na Liga, Barcelona. Os blancos mudaram o esquema tático para desafiar o Málaga, Ancelotti armou o time no 4-3-3. No meio-campo, Illarramendi preso, Khedira saindo pela direita e Isco pela esquerda. No ataque, Cristiano Ronaldo na ponta-esquerda, Morata como centroavante e Di María aberto pela direita. O jogo não foi brilhante, mas os merengues dominaram os boquerones durante todo o tempo e acabaram com o 2 a 0. Foram 15 chutes no gol defendido por Caballero, que teve ótima exibição, fazendo defesas espetaculares. Quem perdeu chance importante foi Morata, o cantero não fez grande partida, mas, ainda assim, merece outra oportunidade entre os titulares, pois o ex-titular Benzema, que teve inúmeras oportunidades, não vinha bem.

Mudanças na Premier League

Na última rodada, Arsenal e Liverpool terminaram na primeira colocação da Premier League, mas, nesta semana, beneficiado pelo empate dos reds, os gunners retomaram a ponta da tabela isolada, após vencerem muito bem o Norwich e alcançarem os 19 pontos. O 4 a 1 no Emirates marcou a volta de Cazorla ao time e, com isso, pela primeira vez foi possível ver o espanhol e Özil jogando juntos. Wenger armou o time no 4-2-3-1, com o alemão pelo centro e o camisa 19 pela ponta-esquerda, mas, a troca de posição entre ambos foi constante, a dupla promete funcionar bem. No jogo, que exceção ao início do 2°T foi todo dominado pelo Arsenal, os londrinos marcaram dois golaços. Um deles de Wilshere, após tabela de Playstation com Giroud, e, o outro, de Ramsey, depois de fazer fila dentro da área. Özil marcou os outros dois gols. 

Chelsea, City e Tottenham também ganharam na rodada e subiram na classificação. O Chelsea (17) é o segundo; o Liverpool (17), apesar de empatar com o Newcastle, segue entre os líderes, em terceiro; Manchester City (16) é o quarto; Tottenham (16) é o quinto; os surpreendentes, Southampton (15) e Everton (15) vêm na sexta e sétima colocação respectivamente; e, por fim, a decepção, Manchester United (11) fecha o grupo de oito primeiros da equilibradíssima Premier League 2013-14.

O incrível Zenit

 Antes da partida, Hulk recebeu o prêmio de melhor jogador do Campeonato Russo, em Setembro (SpheraSports)

Impulsionado pelos ótimos desempenhos de Hulk, o Zenit segue na ponta da tabela na Premier League Russa. A vantagem é tranquila: são cinco pontos em relação ao vice-líder, Lokomotiv Moscou. Na última sexta, o desafio do líder foi enfrentar o atual campeão do campeonato e da Copa da Rússia, CSKA. Porém o momento dos moscovitas já não é o mesmo do ano passado e do Zenit é especial.

Em campo, o craque da Premier League Russa 2013-14, Hulk jogou em função diferente. Ao invés de ser ponta-direita, atuou como centroavante no 4-3-3 de Spalletti. O brasileiro se mexeu muito e foi o destaque na vitória dos zenitchiki, por 2 a 0. O primeiro gol veio com Shirokov, homem mais avançado do trio de meias. Mas foi de Hulk o lance que decidiu a partida. Próximo do intervalo, o CSKA era melhor em campo, mas esbarrava no fraco desempeno dos quatro homens mais ofensivos. Nisso, uma bola chegou ao brasileiro na entrada da área, que, com dois cortes rápidos, achou espaço para o chute de perna direita, que acertou o ângulo esquerdo de Chepchugov. O camisa sete concretiza ótimo início de Liga Russa: sete gols e quatro assistências. 

A vantagem conquistada na primeira metade do jogo deu tranquilidade ao Zenit, que controlou bem o jogo, com um pouco mais de posse de bola que o adversário. O técnico moscovita Leonid Slutsky até mudou as peças ofensivas do time, mas nenhuma alteração ousada. Portanto, não aumentou o potencial ofensivo dos vermelhos e azuis em nenhum momento e não conseguiu mudar o rumo da partida. O jovem brasileiro Vitinho foi um dos que entrou em campo e teve um bom desempenho, o que confirma a tendência de, aos poucos, ganhar espaço no time titular do CSKA.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Olho nelas: Colômbia

Colômbia 

 Falcao García é o dono da bola, mas a Colômbia não se resume ao artilheiro (EFE/Mauricio Duenas)

A história recente do futebol colombiano é semelhante à dos belgas, porém, com um ponto mais negativo e outro bastante positivo. Os sul-americanos não iam ao Mundial desde 1998 (portanto, 16 anos de ausência), mas tiveram um brilho continental depois disso, com a conquista da Copa América disputada em casa, em 2001, quando Aristizábal esteve em grande destaque, conquistando a artilharia do torneio.

Esta geração colombiana bebe da fonte de times que tiveram sucesso recente no futebol base mundial e sul-americano. O trio de meias, Guarín, Aguilar e Macnelly Torres ficou em terceiro lugar no Mundial sub-20 2003. Dois anos depois, o grupo mudou, mas Guarín e Aguilar estavam lá, e ganharam companhia de Zapata, Valdés, Zuniga, Edwin Valencia e Falcao García. Com este grupo, sob o comando de Reinaldo Rueda – hoje, técnico do Equador, que também virá a Copa de 2014 –, a Colômbia foi campeã sul-americana sub-20, deixando Argentina, de Messi e Lavezzi; e o Brasil, de Sóbis e Fernadinho; para trás. No título, Rodallega, que iniciou a competição como reserva, foi o grande destaque, com 11 gols. O artilheiro daquela disputa hoje nem está mais no elenco tricolor, o que mostra as boas opções ofensivas desta seleção. 

A história desta Colômbia começa a mudar quando a Federação escolhe Hernán Darío Gómez, no meio de 2010, para assumir a seleção com o único objetivo: voltar ao Mundial. No meio deste percurso, os cafeteros fizeram ótima campanha, na primeira fase da Copa América de 2011. Mas caíram logo em seguida, nas quartas de final e, com isso, o treinador deixou o comando da equipe. O auxiliar Leonel Álvarez foi promovido ao cargo de técnico principal, porém, a trajetória tricolor mudou mesmo com a chegada do argentino (com passagem longa pela Colômbia, quando era jogador) José Pekerman, no início de 2012. 

“Ele tratou de nos dar a confiança necessária para que pudéssemos jogar da forma como estamos acostumados: tentando competir de igual para igual tanto em casa quanto fora e buscando sempre as vitórias sem rodeios. Hoje em dia, somos uma seleção mais madura e equilibrada”. Disse Falcão García ao site da Fifa recentemente. O principal jogador da tricolor (um dos principais atletas do mundo) mostra a importância de Pekerman, o homem que consegue dar equilíbrio à Colômbia. Pois está claro que a parte ofensiva da seleção tem muito talento, porém, nas Eliminatórias, além do bom ataque, a defesa é a melhor da tabela ao lado da Argentina, méritos para o comandante. 

 Um volante mais fixo e quatro meias buscando municiar o brilhante centroavante, Falcao García (clique na imagem para ampliar)

Taticamente o time joga prioritariamente no 4-1-4-1, porém, muitas vezes, com o avanço dos meias-externos passa a ser um 4-3-3. Um ponto importante para o bom funcionamento do esquema cafetero e que não tem funcionado ultimamente é o meia-central Guarín, que vive má-fase técnica na Internazionale, mas que foi fundamental na campanha da Copa América de 2011. Nestes oito meses que separam a Colômbia do Mundial, um dos principais trabalhos de Pekerman será a recuperação do camisa 13.

Após viver “uma das maiores alegrias da minha vida”, o técnico argentino e seus dois auxiliares seguirão trabalhando muito. Durante a trajetória à frente da seleção, o trabalho de pesquisa sobre os adversários foi destacado pelos comandados e poderá fazer a diferença na Copa de 2014. Para dar mais bagagem aos cafeteros, a Federação Colombiana também trabalha e, em novembro, agendou amistoso frente à Bélgica e Holanda, na Europa.

Acostumar os jogadores à grandes jogos, com seleções que estarão na Copa, poderá ser o antídoto para a falta de experiência em Mundiais do elenco tricolor. A inexperiência é algo que poderá pesar à esta geração colombiana: dos 23 jogadores constantemente convocados por Pekerman, apenas o goleiro reserva Mondragón esteve em uma Copa do Mundo. Mesmo com a maioria dos cafeteros jogando há muito tempo na Europa, não ter disputado um Mundial poderá ser mais um desafio para a boa seleção colombiana. Mas com o incrível centroavante Falca García e o comando do equilibrado José Pekerman, sim, a Colômbia poderá surpreender na Copa do Mundo, que, muito possivelmente, virá ao Brasil como cabeça de chave.

PS: talvez, tenha mais algumas seleções que serão abordas aqui na "Olho nelas", porém, deverão ser faladas apenas mais para frente.

domingo, 13 de outubro de 2013

Olho nelas: Bélgica

Estes últimos dias foram de definições nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014. Agora, temos 14 seleções classificadas e faltam 18 seleções para a composição do grupo de 32 que virão ao Brasil. Mas, entre as prováveis oitos cabeças (escolhidos através do Raking da Fifa de outubro), duas chamam muito a atenção por não serem das escolas de futebol mais tradicionais do mundo: Bélgica e Colômbia. Primeiro, falarei dos europeus, os sul-americanos serão assunto do blog nos próximos dias também. 

Bélgica 

Wilmots é festejado pelos comandados após a confirmação da classificação ao Mundial no Brasil (Ag. Reuters)

Os belgas se garantiram, com uma rodada de antecedência, no grupo A, que contava com Croácia, Sérvia, País de Gales, Escócia e Macedônia. Portanto, o primeiro teste dos diabos vermelhos, após a decepção da não classificação à Euro 2012, envolveu adversários interessantes. A formação da já famosa “ótima geração belga” chama muito a atenção e a volta ao Mundial, 12 anos após a última participação em 2002, começou em 2001, um ano antes da eliminação para o Brasil nas oitavas de final, depois de ter um gol de Marc Wilmots mal anulado. O ex-atacante é o treinador da equipe desde 2012, mas está na comissão técnica desde 2009. 

A ideia veio por conta da eliminação na primeira fase da Euro 2000, realizada na Bélgica e na Holanda, onde a equipe venceu apenas uma vez e só marcou dois gols. Por isso, a reestruturação foi iniciada já em 2001, com o objetivo de fortalecer as categorias de bases dos clubes do país, para que eles não desperdiçassem eventuais talentos. O plano foi idealizado pelo diretor técnico da Federação Belga, Michel Sablon que via a Jupiler League mal, o que prejudicava a formação das seleções de base. 

A reformulação envolveu os times, as seleções e os técnicos, Sablon conveceu que até os 18 anos, todos no país deveriam desenvolver as equipes no 4-3-3 e não havia a necessidade de pensar nos resultados, que era o objetivo de todos os treinadores da base. A conclusão do diretor técnico veio após ter acesso aos vídeos de 1500 partidas pelo país. A mudança de mentalidade também passou por aí, os garotos mais jovens passaram a jogar em campo reduzido, primeiro jogando cinco contra cinco, depois, sete contra sete, e, por fim, 11 contra 11, no campo oficial. Desta forma, o foco se tornou o desenvolvimento técnico e não as vitórias. 

 Provável escalação titular da Bélgica no 4-1-4-1 de Wilmots (Clique na imagem para ampliar)

O trabalho trouxe reflexo em campo, hoje, a Bélgica tem grande seleção e muitos jogadores que fazem parte do elenco principal jogam, com destaque, em importantes clubes europeus, principalmente, na Inglaterra. Wilmots não faz o time jogar no 4-3-3, mas sim no 4-1-4-1, uma configuração tática bem parecida. Os pontas De Bruyne (ou Mirallas ou Mertens) e Hazard são bem ofensivos, por isso, muitas vezes, se transformam em atacantes pelo lado, mas não esquecem da recomposição no meio. 

No ataque, tanto Lukaku quanto Benteke são jovens e vivem ótimo momento, ambos têm a capacidade de segurar bolas, em eventuais ligações diretas. “Mas quando nos apertam, sabemos defender e jogar diretamente ao ataque com Lukaku ou Benteke, que sabem segurar a bola”, destacou ao jornal El País, o goleiro Courtois. O jogador do Everton fez um gol desta forma na última partida frente à Croácia. Por isso, marcar gols não deverá ser o problema belga. 

Porém, mesmo muito badalada, a Bélgica tem alguns problemas. O meio-campo conta com dois jogadores de boa altura, imposição física e boa qualidade no passe, Fellaini e Witsel (o 1° volante), além deles, faz parte do setor Defour, outro jogador de toque de bola, mas com menos poder de marcação. Por isso, o grande problema da equipe é o trabalho defensivo. Mesmo contado com zagueiros pela lateral, Alderweireld e Vertonghen, que não vão juntos ao ataque, se insistir com Van Buyten na zaga, Wilmots poderá ter problemas. Kompany e Lombaerts parecem ser a melhor composição da defesa central. 

Salbon declarou ao DailyMail recentemente que: “Nós não somos os melhores, mas estamos trabalhando duro para estarmos entre os melhores”. As palavras do principal responsável por esta geração belga, mostram claramente a noção da limitação desta ainda jovem – e inexperiente – seleção. O talento é óbvio, mas, em um Mundial, a falta de experiência poderá pesar negativamente. Por outro lado, há a solidez do trabalho realizado e a qualidade da equipe, portanto, mesmo com alguns problemas, ver os Diabos Vermelhos em uma eventual quartas de final da Copa de 2014 não é improvável.